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Ando muito experimental e um pouco cansada de romance, o que me faz procurar filmes diferentes dos quais estou acostumada. Eu tinha uma vaga ideia de que Ragini MMS era um filme de terror e que havia sido baseado em uma história real, mas não sabia nada ao certo e decidi arriscar para ver no que dava. 

Dirigido por Pawan Kripalani, o filme conta a história de Ragini (Kainaz Motivala), uma moça bonitinha que decide fazer sexo com o namorado, Uday (Raj Kumar Yadav). Ela nem imagina que ele planeja gravar a experiência para um homem que prometeu ajudá-lo com sua carreira de ator em troca do vídeo. Uday leva Ragini para uma casa cheia de câmeras escondidas, mas os dois não imaginam que um fantasma de uma bruxa (!) assombra a casa. O melhor? O fantasma curte matar pessoas. 

Não gosto de terror e nem de suspense, então não foram poucas as vezes que me perguntei por que raios eu estava assistindo aquilo. Achei legal o filme ser todo mostrado pelas câmeras dos personagens ou as da casa, mas isto não é uma coisa tão incrível assim. Sou medrosa, mas decidi superar meus limites e tentar ver o filme, mas...não senti medo algum. Nos primeiros trinta minutos estava com o maior frio na barriga, especialmente quando o vulto da fantasminha ficava passando. Então esperei algo acontecer. E esperei. E esperei. Aí aconteceu, mas já não tinha mais graça. Eu estava ali enfrentando meus temores, dá para tentar me causar medo, por favor? Na maior parte das cenas em que acontece algo, a fantasma entra no corpo das pessoas e elas começam a se agredir, então não era nada demais. Essa fantasma me irritou bastante. Acho que no passado ela havia sido acusada de ser uma bruxa e ter matado seus filhos, algo assim. Não estou acostumada com filmes de terror, mas não me parece ser a primeira vez em que vi um espírito querendo provar sua inocência matando pessoas. Não consigo entender isto, de verdade. Outra coisa que não entendo: por que ela fez e aconteceu com o Uday e só dava uns tapas na Ragini? Está certo que mais para o fim a coitada da Ragini também levou umas, mas não entendi porque a fantasminha demorou tanto para atacá-la, até mesmo por a Ragini ser a mais vulnerável — devido à uma gracinha do namoradinho, esteve acorrentada à cama durante quase todo o tempo. Sou mais feliz sem tentar entender lógicas fantasmagóricas. 

A Kainaz Motivala não me convenceu em nenhuma cena de pavor, mesmo com todos os gritos. Já o Raj Kumar Yadav me assustou quando li seu nome pela primeira vez e minha mente captou "Raaj Kumar", cujo fantasma certamente me apavoraria mais que o do filme. Fora isso, seu personagem era um belo de um estúpido, gritando com a namorada o tempo todo. E ela deixava, ó céus. Tudo bem, sei que existem meninas assim (força, garotas!). Pelo menos ele ficou mais histérico com o fantasma do que a Ragini, mostrando que o valentão sempre acaba sendo o covarde. Logo que vi o ator senti uma raiva por dentro e não entendi por que, mas logo começou a tocar uma música do Love, Sex Aur Dhokha (2010) e lembrei que eu queria tirar a vida dele naquele filme. No Ragini ele está bem, mas nada demais. 


Não gostei do filme. Fiquei entediada, vendo quanto tempo faltava para o fim e rindo ou pensando em outras coisas durante as cenas de “terror”. Uma boa lição que pode trazer aos filmes indianos é que...surpresa, seus jovens fazem sexo! Também me deixou curiosa sobre o tal caso no qual o filme se baseou, mas fiz uma pesquisa rápida e não me pareceu tão interessante assim. De resto, ainda espero por um filme de terror indiano que me tire o fôlego...mas que seja de medo.
Hoje está mais para "Música Da Semana", já que venho ouvindo-a sem parar desde o domingo, especialmente durante as longas horas que passo no trânsito.  É do filme Bobby, de 1973, estrelado pelo coisa mais linda Rishi Kapoor e foi a estreia da Dimple Kapadia. Bobby é um daqueles raros filmes em que gente jovem está fazendo papel de...bem, gente jovem. A Dimple tinha 16 anos e o Rishi uns 21, não me lembro agora.
 

Mujhe Kuch Kehna Hai é cantada pelo Shailendra Singh e pela Lata ji. O que mais gosto nela é o clima adolescente. Segundo a minha legenda, o começo é algo mais ou menos assim:

- Quero lhe dizer uma coisa...
-Também quero lhe dizer uma coisa.
-Você primeiro.
-Você primeiro.
-Você primeiro.
-Você primeiro.
-Você!
-Você!
-Você!
-Você!
 
[resto]

Quando a Dimple aparece dançando num quarto branco e o Rishi vagando numa espécie de deserto mágico (adoro aquela árvore de vidro e estrelas!) me pergunto o que mais havia na imaginação do Raj Kapoor. Realmente me divirto com Bobby.

Dimple com suas minissaias e Rishi com seus óculos gigantes e sua calça roxa é o que temos para hoje!
É sério que eu realmente acreditava que nunca iria gostar dos anos 70? 

"Tá achando que é minha
esposa, maluca?"
Devendra (Sanjeev Kumar), é um famoso escritor que odeia as mulheres. Para seu azar, seu adorável tio o convence a levar para casa uma moça que eles viram se jogando de um carro em movimento. A moça (Jaya Badhuri Bachhan*) está desmemoriada e ao acordar insiste que Devendra é seu marido. Ninguém entende nada, mas o médico diz para cuidarem bem dela. Devendra decide dar à moça o nome da personagem do romance que está escrevendo, Anamika, que significa "aquela (ou aquele) que não tem nome". Anamika cativa o tio, a  sobrinha e os amigos do escritor, mas ele resiste à aproximações. Quando começa a se deixar envolver, ele começa a descobrir que talvez o passado dela seja mais obscuro do que imaginava...e que talvez Anamika não seja tão inocente assim. O filme foi dirigido pro  Raghunath Jhalani, que eu não conhecia.

A nossa doce desmemoriada.
Assim que o filme começou e notei que seria mais uma das histórias do tipo "heroína adorável quebra o coração de gelo do herói insensível", esperei não me interessar muito. O que eu não poderia imaginar é que a Jaya me agradaria tanto. Quando se faz este tipo de personagem, corre-se o risco de fazê-la doce demais (o que a deixa chata) ou cheia de vida demais (o que a deixa insuportável). A Jaya conseguiu deixar a Anamika bem no meio, fazendo-a meiga e alegre.

Why so serious?
Não gostei da misoginia inicial do Devendra, mas entendo que às vezes uma situação ruim possa levar a pessoa a extremos. O Sanjeev finalmente me convenceu como herói romântico. Não é como se ele fosse ser meu novo Rishi Kapoor, mas não ter rido dele foi um grande passo. Eu costumava achá-lo bem estranho, então não acreditei que algo pudesse funcionar neste filme quando vi que ele era o par romântico da Jaya (que sempre achei adorável). Ele fez umas expressões muito divertidas nas saias-justas em que a Anamika o colocou, que não foram poucas: foi se deitar na cama dele porque estava com medo dos trovões, usava suas roupas, trocou de roupa no quarto dele sem saber que o pobrezinho (sei!) estava lá. É este tipo de momento que dá uma leveza ao filme, leveza esta que nos faz gostar mais dos personagens. Se tudo se resumisse a um drama sobre a identidade da Anamika e a infelicidade do Devendra, seria bem menos interessante.

Roupas de mulher e sutiã no seu antro de misoginia, Dev ji.
Tenho a impressão de que só eu vi sexo por todos os lados neste filme. Começou com o secretário de Devendra, Hanuman Singh (Asrani). Ele tinha devaneios sexuais intensos nos quais terminava agarrando ou beijando alguma coisa que imaginava ser uma mulher. Como Hanuman faz parte da comédia do filme e eu não estava achando graça (mas não me irritava), parei de pensar nisto. Depois Devendra ficou quieto em seu quarto mesmo sabendo que Anamika estava se trocando perto dele e devaneou sobre chegar perto dela e beijá-la — o que é muita coisa em um filme indiano, especialmente em um de 38 anos atrás. Mais tarde, quando vários segredos de Anamika vão sendo revelados, vemos que seu malvado cunhado Naresh (Ramesh Behl) fez de tudo para abusar dela. Há uma cena em que ele diz que finalmente saciará o desejo de seu coração, então tenta estuprar a Anamika (umas duas vezes). Gente, vão aliviar essa tensão sexual. De preferência, sem recorrer a estupros.

Voltando à Anamika, ela conquistou as pessoas do modo como sempre acontece nos filmes indianos: mostrando que era uma jovem adorável, submissa, tradicional até não poder mais. Só que terei de contar bastante da história para dizer porque não concordo totalmente com esta ideia, ou seja, alerta de spoiler. Já no fim do filme descobrimos que ela nunca esteve desmemoriada e fingiu ser esposa do Dev por ter se apaixonado pelos seus livros antes de conhecê-lo e sempre ter se sentido dele (meio maluca, não?). Ela foi casada antes de parar na casa do Devendra, só que seu marido morreu antes mesmo de a união física ser consumada. Como a Filmi Girl  me fez notar, foi mais uma das raras histórias em que viúvas encontram o amor — o que é maravilhoso. Mas aí fiquei pensando que talvez não tenha sido nada tão incrível, já que ela não havia feito nada com o marido — então tinham mantido a questão de ela entrar "pura" numa relação com o Devendra. Hoje pensei mais um pouco e neste momento cheguei à uma conclusão mais legal: ela sabia que era viúva e mesmo assim decidiu (notem que bela palavra) que aquele era o homem que amava e que ela merecia ser feliz com ele. A viúva não ficou presa à tradição nenhuma, na verdade até mesmo mentiu para conseguir o que queria. Isto é muito legal!

Duas das imagens que mais gosto dos dois, especialmente dele.
Nossa, nunca tinha achado minha moral tão torta quanto agora. Enfim, mesmo pensando no quão legal é a heroína fazendo o que queria, achei engraçado ver como ela julgou como desavergonhadas umas moças que conheceu ao vê-las fumando e bebendo. A Helen fez uma participação especial no filme e fez tudo o que as garotas más podem fazer: bebeu, fumou, usou camisola na frente de um homem, fez item number bombástico. Por falar no item, chama-se Aaj Ki Raat e é um de seus mais famosos. Eu não teria ido atrás do filme se não fosse por ele! Lembro de estar ansiosíssima pelo musical, mas fui me apaixonando tanto pelo filme que o esqueci. Todas as canções são incríveis e a trilha já está entre minhas favoritas. Foi composta pelo R.D. Burman e as letras são do Sahir Ludhianvi, que será citado aqui sempre que possível. Minha maior surpresa foi Bahon Mein Chale Aao, que eu queria saber de onde veio desde que a vi sendo usada para seduzir o Saif Ali Khan em Kal Ho Naa Ho (2003). Adoro ver a Jaya ji encantando o Sanjeev no meio da madrugada, que é como imagino que seja. Meu vício do momento é a fofíssima Logon Na Maro Ise, que acho que será pra sempre meu vídeo favorito da Jaya (competindo com Bahon). Além de ela estar me lembrando um docinho de confeitaria (como a Vyjayanthimala em Dil Pukare), tem toda a relação fofinha desenvolvida entre a Anamika e o Devendra. Adoro essa coisa que os filmes indianos tem de fazer clipes com homens e mulheres adultos brincando como se fossem crianças. Meri Bheegi Bheegi Si também é uma beleza...e só para dizer que não deixei nenhuma de fora, Jaoon To Kahan Jaaon também é uma beleza. Pronto, demonstrei amor à toda a trilha.

Apesar de ter achado muito rápido o modo como a Anamika explicou toda a confusão sobre a sua vida no final, tudo fez sentido e fiquei satisfeita. Anamika tem boas atuações, uma história envolvente, uma boa dose de suspense e uma ótima trilha. É triste um filme tão bom em sua simplicidade ser tão pouco comentado, mas já fiz minha parte contra isto. Agora façam a de vocês e vão atrás dessa perolazinha escondida nos confins dos anos 70!

*Não sabia se a chamava de Jaya Badhuri ou Jaya Bachchan. Como decidi por Neetu Singh ao invés de Neetu Kapoor, faria sentido escolher Jaya Badhuri, porém conheci a Neetu como Singh, assim como a Jaya enquanto Bachchan...só que ela era Badhuri antes do casamento. No fim, "Jaya Badhuri Bachchan" pareceu uma boa opção. Li o que acabei de escrever e vi que não fará sentido para muita gente.
Fazia um tempinho que eu estava pensando em colocar aqui as músicas/clipes que estivessem na minha cabeça em um determinado momento. É um bom modo de tentar arrancá-los da minha mente e compartilhar música!

A música de hoje é uma que eu mal ouvia, até começar a tocar hoje cedo quando estava ouvindo músicas no modo aleatório do meu Media Player. É do filme Anari, já comentado aqui. Chama-se Tera Jaana, é cantada pela Lata Mangeshkar e quem faz o playback no vídeo é a Nutan (flor de laranjeira returns). Não sei como me apeguei à uma música tão triste num dia em que estou feliz, devo ter meus motivos.

Apreciem a Nutan sofrendo (tão boa atriz, ó céus) e o Raju indo embora. Belo filme, belo clipe, bela música.

Chandniiii, o meri chandniiiii ♪ 

Eu e Yash Chopra não nos damos bem, tanto que só fomos felizes juntos em Veer-Zaara (2004). Gosto de dramas exagerados, mas os do Sr. Chopra raramente conseguem me convencer. Só que Chandni tinha uma razão tão maior que tudo: Sridevi. Todos falam dela: é Sridevi para lá, Sridevi para cá, ó como os filmes eram bons no tempo da Sridevi. Lembro até mesmo de ter lido em algum lugar que ela é a atriz favorita do Ranbir Kapoor. Pre-ci-sa-va conhecer esta mulher tão bonita e especial. O raciocínio foi o seguinte: "Um dos maiores sucessos dela é Chandni? Então ele pode ser uma boa escolha. Ei, Chandni é com o Rishi Kapoor? Este é o MEU filme! "



O filme tem muitas reviravoltas, então não sei bem o que seria “entregar” a história. A decisão de arriscar ficar com o leitor, certo? Rohit (Rishi Kapoor) apaixona-se por Chandni (Sridevi) ao vê-la dançando no casamento de uma amiga. Depois disto, começa aquela perseguição de sempre em que a moça infalivelmente termina apaixonada pelo rapaz (acho os rapazes que fazem isto insuportáveis). Ele a viu dançando, foi atrás dela e já disse que amava. Não entendi como tudo aquilo aconteceu tão rápido, mas...ei, é um Yash Chopra. Aceite. Depois de muito amor e canções graciosas, os dois estão lá, prontos para o casamento. O maior empecilho é a família do rapaz, que não simpatiza muito com a simples Chandni (aaah, que coisa mais linda e clássica!), mas isto não impede Rohit de lutar por seu amor. A história muda quando ele sofre um acidente de helicóptero e perde os movimentos de metade do corpo. Ele aceita o amor e os cuidados de Chandni no início, mas logo sente que se tornou um fardo para a moça e exige que ela vá embora (você realmente pensou que uma mocinha de Bollywood poderia estar cansada de sofrer, Rohit?). Sofrendo muito, ela se vai e tenta reconstruir sua vida ao arrumar um emprego no escritório de Lalit (Vinod Khanna), um moço mais ou menos amargo. Ele começa a se interessar por Chandni e...já está bom por aqui.

Como não se apaixonar?
Analisemos por tópicos, já que filmes do Yash são longos e me confundem.

  •  Sridevi: wah, wah, wah mil vezes! As expressões divertidas, a dança maravilhosa, o sorriso, aqueles olhinhos! Ela era bem o que eu esperava, o que me deixou aliviada. Se não fosse por ela, não sei como eu teria aguentado tanto drama. Quanta leveza, quanta doçura, quanta beleza...uma fofa. Apesar de ter gostado de sua interpretação, ela não foi arrebatadora. Acho que é bem difícil conseguir isto fazendo o papel básico da heroína linda e sofredora...afinal, o que há de novo para você acrescentar? A meta dela era fazer com que nos apaixonássemos pela Chandni. Deu certo comigo e também com o público indiano!

  • Rishi Kapoor: não curti muito esse Rohit, não. Pelo menos não o odiei, mas também não sentia muita simpatia por ele. Ele ficava dia e noite tirando fotos da Chandni, isto desde que se conheceram. Sei lá se isso parece romântico para alguém, mas para mim é meio chato. Ela não parecia gostar de início, e ele ter continuado a ser insuportável me fez lembrar de uma situação que aconteceu na escola da minha prima um dia desses. A profª de Sociologia estava fazendo uma discussão sobre um bilhão de coisas e um dos meninos disse que se um homossexual "der em cima" dele, ele não é obrigado a gostar ou aceitar só para não parecer homofóbico. Quando a professora o questionou sobre os meninos fazerem a mesma coisa com as meninas, ele respondeu "Ah, mas elas gostam". O Rohit interpretava a expressão de desaprovação da Chandni como um sim? Às vezes não é não, Yash ji. Também não gostei nem um pouco de ele expulsar a Chandni de sua vida, perceber depois de um tempo que precisava lutar e voltar como se nada tivesse acontecido. Achou o quê, que ela tinha ficado sentada encarando a sua foto durante meses? Mesmo com tudo isto, o personagem não é odiável. Talvez o Rishi Kapoor gordo e usando suéters me encante de algum modo...
É SÉRIO.
  • Vinodão: Amar, quer dizer que te jogaram na história para tentar tirar a Salma do Akbar? O Vinodão estava tão legal, tão triste, tão fechado! Lalit era triste daquele jeito por ter perdido a mulher que amava (ela morreu). Daí que a atriz que fez participação como a tal mulher era a Juhi Chawla, sorri muito porque adoro a sweet Juhi e os dois protagonizaram o clipe da minha música favorita do filme:Lagi Aaj Sawan Ki. Está na minha lista de "clipes de chuva favoritos" e foi o momento em que mais cheguei perto de chorar com o filme. Voltando ao Lalit, o final dado a ele foi injustíssimo e fez o filme valer menos a pena. Vinod Khanna merece ser feliz sempre, aprendam isto! Sobre o amor dele pela Chandni..foi meio rápido (aprenda que é filme do Yash, Carol!) e...tá, não prestei muita atenção. Só ficava pensando: "Uau, que estranho o Vinod velho. Ele tem uma cara tão séria! Que legal o Amar e o Akbar no mesmo filme, por que não chamaram o Amitabh para a minha piadinha Amar Akbar Anthony ficar completa? Poxa, ele está fazendo aquela cara de homem triste de novo. Não gosto disso, tadinho".

  • Surpresinhas: Anupam Kher cabeludo e fazendo o cunhado legal do Rohit, a já citada sweet Juhi sendo adorável na chuva e a diva deste blog fazendo papel de mãe do Lalit. Senhoras e senhores, a belíssima Waheeda Rehman queria Chandni como sua nora. Acho que eu aceitaria só pelo prazer de tê-la como sogra.

  • The Chandni Look: segundo a Wikipedia, os figurinos brancos da Sridevi ficaram conhecidos como "The Chandni Look", algo como "O Visual Chandni". Eram realmente lindos, mas...eram para reforçar a pureza da heroína? Desejo saber só por curiosidade, nem quero reclamar. Agora, apreciem um pouco do visual Chandni.
  • Curiosos suíços e indianos: passei o filme todo rindo dos curiosos que ficavam parados olhando as gravações. Há um clipe gravado na Suíça  em que Rishi e Vinod ficam andando pela rua enquanto cantam um para o outro, e a produção não tomou o cuidado de evitar curiosos. Resultado: dezenas de cenas com transeuntes com expressões de "?" ao ver aquele povo gravando na rua. Agora, poucas cenas me divertiram tanto nesta minha vida em Bollywood quanto a dos dois retornando à Índia. Deve haver, hum, umas 50 pessoas vendo a gravação através de um vidro. E eu não conseguia nem olhar para a cena!


  • Trilha: minha música favorita é a já citada Lagi Aaj Sawan Ki, mas a mais viciante é Chandni, O Meri Chandni. Reparem que eu disse viciante, não é necessariamente boa. O mais legal dela é que a Sridevi fica falando durante a música. Uma gracinha. Todos os clipes são bem legais e em um dia ocioso, sente-se para ficar vendo-os no Youtube. A trilha é de autoria da dupla Shiv-Hari, e as letras são de Anand Bakshi. Apesar de não lembrar de nada exato, sei que gostei das letras.

  •  Um sonho da Carol: dançar com Rishi Kapoor.
Não pude resistir.

    Chandni poderia ter uma duração menor e 50% menos drama, mas não é um filme ruim. Ele só é um filme muito específico...o espectador tem que estar querendo muito ver um romance, com tempo de sobra e paciência para muitos altos e baixos (e clichês, mas com eles não tenho problemas). Me pareceu mais um hino à beleza da Sridevi — à beleza mesmo, nem à personagem. A Chandni não faz muita coisa além de dançar e ser linda, e todos fazem tudo por ela (eu também faria). Não é o MEU filme, mas é um filme agradável de certo modo. Acredito que poderia ter sido melhor, mas...o que neste mundo não poderia, não?
    Eu não queria largar o post de Sujata aqui no meio e finalizar assim esta semana de imersão da minha pessoa na carreira da Nutan, então cá estou eu para finalizar de um modo mais decente.

    Como já disse, acho muito difícil encontrar material sobre a Nutan. Os filmes, entrevistas, vídeos e tudo o mais que encontro ainda me parece muito pouco para entender melhor quem foi esta pessoa tão importante para a história do cinema indiano. Já foram à Wikipedia do Rajesh Khanna, por exemplo? Repleta de informações. Assim como a do Dilip Kumar, do Amitabh Bachchan, Raj Kapoor, entre outros. Pode ser implicância minha, mas sempre encontro mais informações sobre homens. De todo modo, isto me animou a descobrir mais. E realmente assim o foi! Apesar de a maior parte dos posts ter sido sobre a vida pessoal da Nutan (a parte mais difícil), os que mais me ensinaram foram os dos vídeos dela no Youtube. Minha impressão mudou tanto! Estava me acostumando à imagem de uma Nutan de papéis tristes e silenciosos. Mal a tinha visto dançar ou fazendo gracinhas, como vi em vídeos de filmes com Khandan e Dilli Ka Thug. 

    O que eu queria e deveria ter feito mais foram posts sobre os filmes da Nutan, mas não me animei. Os únicos filmes que assisti dela e não escrevi foram Tere Ghar Ke Samne (1963) e Saraswatichandra (1968). O primeiro vi há muito tempo e estava com preguiça de rever, e o segundo me irrita bastante. Logo, imaginem a dificuldade da pessoa. De todo modo, pretendo escrever sobre eles...algum dia.

    Sobre a própria Nutan: pensei que não aguentaria mais nem ver seu rosto ou ouvir seu nome, mas amo-a cada vez mais. Apesar de ter alguma desconfiança em relação a imagem quase santificada que passam dela, fui afetada por esta construção e passei a admirá-la muito. Uma das coisas que mais gostei de ler na matéria da Filmfare foi sobre seu profissionalismo. Pessoas que levam a sério sua profissão me encantam porque demonstram respeito tanto pelo que fazem quanto por todas as pessoas envolvidas no processo. Elas sabem que não são apenas elas ali, mas toda a equipe, as famílias dos membros dessa equipe e quem mais estiver dependente do sucesso daquela produção. 

    Em relação à aparência da Nutan: a questão da beleza é muito relativa, mas ela foi sim, muito admirada por sua beleza física. Porém, seu talento é o que nos faz achá-la tão linda. Se todo o necessário para criar preferência na vida fosse beleza, Bipasha Basu seria uma das minhas favoritas. A Nutan tinha uma graça que anda sendo difícil de encontrar, e soube usar muito bem isto a seu favor. Quando digo "gosto de olhar para ela", não é para sua imagem em si. É para toda a auto-imagem que ela criou em torno de si. Olhar para a Nutan é lembrar da doce Sujata, da silenciosa Kalyani, e de muitas outras. Costumava ter muita facilidade para desvincular atores de seus personagens, mas no cinema indiano é difícil demais! Os atores e atrizes fazem 4, 5 filmes por ano e os personagens são parecidos, é complicado não confundir. E a Nutan para mim é a Nutan adorável, ponto. Além de uma das melhores atrizes que já vi.

    Bom, acabou a Semana Nutan. Foi divertido, às vezes cansativo e sempre fascinante (falo sério). Espero que um dia, uma pessoa esteja navegando pela internet procurando a palavra "Nutella" e caia aqui sem querer. Ela estranhará um pouco esse papo todo de cinema indiano no Brasil, mas achará as cores do blog reconfortantes e ficará curiosa para saber quem é essa tal de Nutan que mereceu uma semana de posts de um blog que mal é atualizado. Lerá, verá as fotos, um vídeo ou outro e ao sair daqui, ficará pensando naquela moça de sorriso tranquilo lá da Índia. Voltará, "sem compromisso" e me perguntará onde pode encontrar um filme da Nutan. Indicarei com o maior amor do mundo, a pessoa o assistirá. E teremos mais uma pessoa no mundo a saber quem era aquela mulher tão especial.
    Foi em Sujata que me apaixonei tanto pelo Bimal Roy quanto pela Nutan, e estou fazendo a maior carinha de pessoa feliz enquanto digito isto.

    Uma menina intocável e órfã (pobrezinha, mal nasceu e já está cheia de categorias) é deixado na casa da família Chowdhry. Sendo brâmanes, eles tentam entregá-la a outra pessoa, mas a afeição que vão criando pela menina faz com que o tempo vá passando e não consigam entregá-la a qualquer um. Upendranath Chowdhry (Tarun Bose) dá à ela o paradoxal nome de Sujata, que significa "de boa casta" ou "bem-nascida". Quando cresce, Sujata (Nutan) torna-se a pessoa que mantém a ordem da casa, apesar de haver diferenciações entre sua criação e a de Rama (Shashikala), a filha da família. Mesmo assim, as duas meninas amam uma à outra e tratam-se como irmãs. Quem nunca aceita Sujata na família é a tia Giribala (a sempre ótima Lalita Pawar), que sempre pergunta quando vão se livrar dela. Seu desejo é casar o neto, Adhir (Sunil Dutt) com Rama, mas o rapaz apaixona-se pela doce Sujata, o que faz com que sua tia e a mãe de Rama, Charu (Sulochana Latka), volte-se contra a moça.

    Sujata é um filme muitíssimo social, todo centrado em torno do preconceito entre castas. Representação social é mais que um estereótipo ou uma marca. É aquela palavra carregada de significados, que lhe traz conhecimento sobre uma determinada coisa, a representação social conduz  à ação. Quando uma pessoa conhece alguém como Sujata, as palavras que vem à mente são doce, gentil, encantadora, meiga, e, para quem é como eu, até mesmo flor de laranjeira. Aí, vem a palavra intocável e tudo o que representa. Foi esta palavra que fez a tia Giribala jogar longe um lindo bebê que estava em seu colo, e que até então, pensava ser sua sobrinha Rama. É a mesma palavra que faz olhar com desgosto para Sujata uma pessoa que estava sorrindo para ela minutos antes. Foi ela também que fez Sujata ser analfabeta, mesmo ansiando por estudar quando viu Rama fazendo-o. Mas, sabem o que mais me doeu, de verdade? Foi esta palavra ter feito a própria Sujata ter passado a se ver se forma diferente, após saber que a tal palavra se aplicava a si própria. Em um segundo, ela diminuiu o valor que acreditava possuir, e que eu, garota ocidental do século XXI, tinha certeza de que ela possuía.  Pode ser filme, mas dá tristeza.. Daí vocês podem ver a força de uma representação social. Ela não define apenas como o outro pensa e age sobre mim, mas até mesmo a minha ação. Uma palavrinha tão simples trazendo uma rede de significados tão ampla!

    "Baby Shobha", que fez a Sujata pequena. Amei
    muito esta criança, é uma das luzes do filme.
    Toda essa questão social foi o que me fez apreciar ainda mais o romance de Adhir e Sujata. Se não me engano, ele era advogado, e dos mais estudiosos. Ainda assim, se permitiu apaixonar por uma moça sem instrução. Claro que a sorte foi dele (amor por Nutan mode on), mas seria injusto não pensar no quanto ele teve de deixar de lado para viver o que queria. No comecinho do filme, um amigo de Adhir estava comentando sobre o quanto ele é recluso. Quando se apaixonou, foi lindo como o Sunil Dutt conseguiu conduzir a mudança do personagem. De um sujeito gentil, porém ausente, passou para alguém que não mudou completamente quem era em poucos segundos, mas tinha alguma diferença. Seu modo de olhar (especialmente para Sujata, claro) ficou mais terno, seu andar parecia mais cheio de vida. Adoro quem sabe expressar amor pelos olhos. Por mais que eu ame filmes indianos, não acredito muito em amores arrebatadores...encaro mais como uma ilusão que é muito boa de se ver enquanto filme. Já o amor tranquilo de Adhir e Sujata é algo em que acredito firmemente.

    Rama é uma personagem muito comum para mim: aquela menina que tem bom coração, mas é tão "avoada"  que acaba não percebendo muito do que acontece ao seu redor. Apesar de sempre exaltar para quem quiser ouvir todas as qualidades da irmã, não percebe o quanto o tratamento diferenciado que recebem afeta Sujata. Em sua festa de aniversário, nem viu o quanto a irmã estava sendo excluída da festa. Bem imatura, mas não há como sentir raiva. De qualquer maneira, uma das melhores frases do filme ficou a cargo dela. Ao falar da irmã, Rama disse: "Eu apenas escrevo poesia, mas ela é a poesia personificada".


    Essa pequena Rama é muito fofa!
    A Nutan me casou o mesmo efeito de sempre: um carinho tranquilo por aquela personagem a que estava me apresentando. É claro que em alguns momentos, senti raiva por ver uma pessoa tão passiva, mas aí já era questão das minhas características baterem de frente com as dela. Como sempre dizemos nós, fãs da Nutan, ela não precisava gritar. Era só olhar de um modo triste, que logo surgia toda a nossa raiva por estarem fazendo com que a Sujata se sentisse inferior. Acho que a vontade que senti foi de lutar ao lado do Adhir para que ela tivesse o direito de sonhar em ser feliz, ao menos.

    Às vezes fico me perguntando do porquê de tanta passividade da personagem. Talvez, como fazem em muitos filmes indianos, quisessem que o ato de dar valor à Sujata viesse da própria sociedade, e não de algum discurso emocionado dela sobre como merecia respeito. Bem, o problema é que eu faria o tal discurso  e ainda cantaria Respect, mas juro que entendo o quanto as circunstâncias histórias e culturais eram diferentes. Mas isto não me impede de às vezes ficar irritada com tanta passividade da mulherada indiana.

    Uma das sequências mais tristes e bonitas do filme é a da canção Jalte Hain Jiske Liye, a primeira que conheci do Talat Mahmood. Há poucos minutos, Sujata havia pensado que poderia ser feliz com Adhir, mas desistiu de tudo ao chegar em casa e perceber o quanto sua "mãe" seria infeliz com isto. Mesmo assim, o ouve dizer as palavras que estava tentando encontrar, mas não conseguia. Para mim, é uma das músicas mais adoráveis do cinema indiano. O link que coloquei tem o vídeo com legendas em português.

    Junto com a Jalte Hain, outro clipe me levou a querer ver este filme: Nanhi Kali Sone Chali, uma linda canção de ninar interpretada por Geeta Dutt. É muito bonitinho jogar o nome desta música na busca do Youtube, porque surgem muitas criancinhas bonitinhas cantando-a. Um dos que de mais gosto é este. Não deixem de ver, tem apenas 45 segundos e aquece o coração!

         1) Alô? 2) Aqui sou eu cantando pra você com os cabelos revolts...♪  3) Arruma um pente, Sunil :'(
    Sujata é belo, é poético, é mágico, é um dos melhores filmes de todos os tempos. Amo o Bimal Roy e queria que ele pudesse me ouvir agradecer por todos os filmes que fez, mas especialmente, queria poder agradecer por ter me dado os melhores papéis da Nutan. A Kalyani de Bandini e a Sujata são as maiores provas de que o cinema indiano pode muito bem ter mulheres carregando filmes inteiros. 52 anos após Sujata, ainda espero por mais mulheres como centro dos filmes. Tenho paciência para esperar mais.
    Este é especial. Uma matéria bem curtinha sobre a Nutan dividida em duas partes que juntas, totalizam uns 13 minutos. Infelizmente está em inglês e não pude traduzi-la, mas o texto narrado é bem parecido com tudo o que foi escrito aqui na Semana Nutan. Vale a pena principalmente para ver tudo ilustrado com vídeos dela, que era tão linda (em todos os sentidos). Tem até o filho, Monish Behl, falando sobre a mãe. 

    Em 54 segundos na primeira parte, ela está em uma das músicas que mais me fazem sorrir no mundo, de Anari. Vejam como está fofa aos 1:13!

    Na segunda parte tem uma foto dela morta, o que está me fazendo chorar agora. POR QUE NÃO AVISARAM?


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    "DEEWANEANDO"?

    Devanear = divagar, imaginar, fantasiar. Deewani = louca, maluca. Deewaneando = pensar aleatória e loucamente sobre cinema indiano.

    Meu nome é Carol e sou a maior bollynerd que você vai conhecer! O Deewaneando existe desde 2010 e guarda todo o meu amor pelo cinema indiano, especialmente Bollywood - o cinema hindi. Dos filmes antigos aos mais recentes, aqui e no Bollywoodcast, seguirei devaneando sobre Bollywood.

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