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Semana do Poder Feminino - Post # 4

Personagem do dia:

Aditi


O último filme a ser comentado aqui no blog no final da Semana do Poder Feminino tinha de ser especial, forte, impactante, totalmente voltado para a mulher e seu poder. Tinha algumas opções, mas simplesmente não conseguiria me perdoar caso não falasse de um dos filmes mais importantes já feito sobre o machismo na Índia, Astitva, que inclusive recebeu o National Film Award de Melhor Filme Marathi. Vejam só, que beleza: além de falar de um filme bom, ainda vai ser a primeira obra marathi do Deewaneando. E só para marcar, antes que eu me esqueça: este filme tem um dos melhores discursos finais da história.

Vou contar coisas que não sei se consideraria spoilers. É que para este tipo de filme, acho que os acontecimentos não são tão importantes quanto a discussão que podem suscitar. Sendo assim, leia quem quiser, certo?

Escrito e dirigido por Mahesh Manjrekar, o filme nos conta a história de Aditi (Tabu), uma dona de casa casada com o empresário Shree (Sachin Khedekar). Os dois tem apenas um filho, Aniket (Sunil Barve). A família vive há anos com Aditi cuidando da casa e da família, enquanto os homens trabalham. Um dia, recebe uma carta informando-a de que havia herdado uma grande fortuna de seu ex-professor de música. Seu marido fica intrigado com a situação e ao ler os diários que escreveu ao longo dos anos, percebe que talvez Aniket não seja seu filho. A confirmação da desconfiança leva à uma ruptura na família e à reflexão sobre Aditi e seu papel como esposa, mãe e mulher.


Quando Shree trabalhava incessantemente para começar sua própria empresa, Aditi passava meses sozinha em casa. Sentia vontade de trabalhar, mas seu marido não permitia que o fizesse pois todas as mulheres de sua família haviam sido sustentadas pelos maridos. Ao voltar de suas viagens, às vezes não fazia o mínimo esforço para dar atenção à esposa. Aditi se sentia solitária, abandonada. Neste contexto, cometeu um pequeno deslize que trouxe grandes consequências para a vida familiar. Traição é um assunto sério e cabe a cada um decidir se é perdoável ou não, mas um ponto é fundamental para analisar a história: Shree já fez a mesma coisa com Aditi, e várias vezes. Entretanto, segundo o próprio, ele é homem. É diferente. Ou seja, seu desejo é mais intenso e incontrolável que o de sua esposa, que tinha o dever de permanecer fiel e esperá-lo pelo tempo que fosse necessário.

Com o passar dos anos, Aditi ficou apagada - efeito conseguido pela grande atuação da Tabu, alternando entre expressividade e inexpressividade quando necessário. Ao receber uma carta, era o marido quem a abria. Nos primeiros minutos de filme, só é possível conhecer mais dos outros personagens, já que a mesma raramente se manifesta. É como se não fosse possível distingui-la da paisagem familiar, como se fosse apenas mais um adorno da casa ou um eletrodoméstico. Ficar em casa não foi sua escolha, mas o que o marido decidiu ser sua função. A personagem fica em contraste com Meghna (Smita Jaykar), esposa de Ravi (Ravindra Mankani), melhor amigo de seu marido. Meghna é divorciada e seu ex-marido era tão machista quanto Shree, o que a faz reconhecer sua índole logo de cara. É ela quem traz ideias de emancipação para Aditi, insistindo com esta que deve ser independente, fazer algo. Pessoalmente, não acho um problema uma mulher ser dona de casa caso assim o deseje, até porque é um trabalho que cansa como qualquer outro. Como este não foi o caso de Aditi e Meghna passou por situação parecida, talvez por isto quisesse que a amiga também buscasse a liberdade.

Sim, um dia ela teve vida.

No momento em que a bomba familiar explode, a reação mais impressionante é a de Aniket, que chega a chamar a mãe de vadia. Por um evento que, apesar de grande, é isolado, marido e filho esqueceram os 27 anos de dedicação exclusiva de uma mulher à sua família. Isto mexeu muito (até demais) comigo. A Psicologia, feliz ou infelizmente, me deixou mais reflexiva a respeito das pessoas. Não consigo mais colocá-las numa linha reta, com bom e mau em cada ponta e cada uma só podendo estar em um lado. Aditi teve um comportamento moralmente questionável, mas quem foi que decidiu o que é moral e, mais importante: as atitudes do marido e do filho permitem que sejam os juízes? A vida é bem mais complexa do que gostamos de assumir. *Carol reflexiva* Uma pessoa boa que comete um ato ruim merece ter seu histórico levado em consideração ou já vai para o outro lado da régua bem-mal do Sr. Shree? Não suporto saber que por aí há pessoas como Aditi, tendo suas vidas decididas por esses machistas que decidem estender para o mundo as leis limitadas de suas mentezinhas pequenas.

Outro ponto importante trazido pela reação de Aniket foi a ideia de que toda uma geração pode estar em transformação, que ainda não será muito difícil alguém dela ser contaminado por valores arcaicos que diminuem o outro. Noivo de uma moça moderna e independente, ainda assim Aniket tratou a mãe como fez o pai, um homem com uns 40 anos a mais e vindo de uma geração muito diferente. Isto me lembra uma discussão sobre tradição que tive com a Jo a partir de um comentário feito por ela no post de Fire. A antiga geração tem muito a ensinar à nova, mas é por estes pontinhos absurdos que afetam negativamente a vida de tantos que às vezes um jovem de hoje age exageradamente e não quer ouvir nada da sabedoria dos que vieram antes. Pode ser por medo de se tornar um Aniket, moderninho só até a segunda página. E também pode ser que eu já esteja viajando demais.

Passamos quase todo o filme conhecendo a história de Aditi, vendo o que a levou a fazer tudo aquilo e, pelo menos no meu caso, pensando no quão injusto é que mais de 20 anos de dedicação de uma pessoa sejam destruídos em 2 segundos de confissão. Talvez esta redução da história de vida dela a ações específicas que podem ou não ser consideradas aceitáveis seja o mais humilhante para Aditi. Shree ainda tem sua empresa, sua independência, seu mundo fora de casa. Já ela teve todo seu mundo tirado de si sem nenhuma possibilidade de argumento, como se aquilo não fosse nada. Pelo menos uma coisa boa saiu disto tudo: com o que sabia sobre si destruído, finalmente Aditi foi buscar sua astitva, sua identidade.
Semana do Poder Feminino - Post # 3

Personagens do dia:

Radha e Sita




Fico me perguntando:

- Mas Carol, não tinha filme mais fácil para discutir, não?

Mas Fire me persegue...que fazer? Escrever e diminuir isto, oras. Pois, vamos lá. Este complexo filme dirigido pela competente Deepa Mehta nos traz a história de Radha (Shabana Azmi) e Sita (Nandita Das). Sita é a jovem esposa de Jatin (Javed Jaffrey), um rapaz que só se casou pela pressão de seu irmão, Ashok (Kulbhushan Kharbanda). Tudo o que interessa a Ashok é sua amante chinesa e a locação de filmes pornôs que faz, demonstrando interesse pouco ou nulo em sua esposa. Quanto a Ashok, há anos fez um voto de castidade influenciado por Swamiji (Ram Gopal Bajaj), seu guia espiritual, não se importando com o que isto significa para sua esposa, Radha. Sita não se conforme com esta vida medíocre e vai lentamente alertando Radha para novas possibilidades de vivência do papel de mulher. As duas vão se aproximando e se apaixonando...e a partir daí, sabemos que as coisas só tem como ficar mais difíceis.


Vejo Sita como aquele sopro de novidade da nova geração adentrando a vida de sufocamento levada por Radha, da antiga. Quando se está sufocando, um pouco de ar que seja pode representar a vida. Ela não é totalmente rebelde, porém seus pensamentos soam muito revolucionários numa casa tão retrógrada. Sita espera mais da vida, além de cuidar de Biji (Kushal Rekhi), a sogra doente, e ter um filho para se entreter, como sugerido por Jatin. Ela gosta de secretamente vestir sua calça comprida e dançar, brincar, sorrir, sentir prazer. Nandita Das consegue transmitir bem a inquietude que a moveJá Radha sente as mesmas necessidades, porém foi sendo levada pelos acontecimentos e habituou-se a se reduzir ao papel da esposa boa e submissa. É no contato com Sita que se percebe enquanto pessoa. 

A aproximação que acontece entre elas me deixou confusa quando assisti ao filme pela primeira vez. É um perigo que a diretora correu, mas facilmente tem-se a impressão de que o carinho que as foi aproximando e que depois se tornou amor foi apenas devido a não terem isto dos maridos. Explico: o risco de alguém interpretar a história como "as mulheres viram lésbicas se os maridos não lhes dão atenção" é grande, especialmente se for vista por quem tem pouco esclarecimento sobre questões sexuais. Foi mais ou menos esta a impressão que tive na primeira vez. Revendo-o, notei que o primeiro passo da aproximação foi dado por Sita, o que me faz acreditar que ela já tinha consciência de sua atração sexual por mulheres. A novidade vinha para Radha, que já havia se perdido de si mesma nos mais de dez anos de abstinência sexual do marido. Esta abstinência ainda tinha um toque especial de crueldade para com Radha: com a função de provar sua força de vontade, Ashok pedia para que Radha ficasse deitada ao seu lado toda vez que sentia desejo por ela. Quando o "ritual" tinha fim, ele a agradecia por ajudá-lo em seu caminho espiritual, ao que ela prontamente voltava para sua cama. O que o corpo de sua esposa pedia não tinha importância alguma, se é que ele acreditava que ela tinha algum desejo sexual a ser saciado.




Radha. Se tivesse perfil no Orkut nos tempos áureos do site, Shabana Azmi seria aquela pessoa cheia de depoimentos começados por: "O que posso falar de Shabana?". Ela é sempre sensacional, daí quase não se sabe o que comentar. No primeiro momento, em que Radha ainda está fragilizada, seu corpo parece agir automaticamente, seus movimentos são lentos e seu rosto parece conformado, até mais do que desanimado. Ela tem olhos de uma pessoa sem perspectiva, agindo como acredita que uma boa esposa deva. Quando passa a descobrir o corpo de Sita e deixá-la descobrir o seu, aqueles olhos tão expressivos de Shabana finalmente passam a ter vida, ela consegue ver o oceano. E o relacionamento das duas é mais do que sexual. Elas conversam, se importam uma com a outra, brincam. Como o filme tem cenas explícitas de beijos e carícias entre as duas, às vezes estes doces momentos íntimos de intimidade podem não ser notados. Entretanto, eles são essenciais para entendermos que sim, as duas despertaram a sexualidade uma da outra, mas também construíram um amor, que era o que mais lhes faltava. É por causa da força deste que Sita não permite mais que seu marido simplesmente suba em cima dela sem aviso e faça sexo como e quando quiser, sendo também por ela que Radha um dia nega "ajuda" a Ashok em seus momentos de resistência à tentação. Juntas, vão aumentando sua consciência sobre si mesmas e se valorizando. É, porque se valorizar também é fazer com seu corpo o que você bem entender e sentir vontade. Na minha nova visão feminista.


Há dois personagens muito interessantes no filme: Biji e Mundu (Ranjit Chowdry), a matriarca da família e o empregado que ajuda no restaurante. Biji não consegue falar, apenas tocando seu sino quando quer alguma coisa. Sua personagem representava para mim apenas alguém apegado à velhas tradições, mas esta análise trouxe uma visão muito mais interessante e rica:

"Ela é um potente símbolo da Velha Índia - enrugada, muda, indefesa, cuidadosamente vestida e empoada todos os dias, e carregada pela sala com um ridículo sininho em sua mão, o qual carrega para indicar incômodo ou necessidade. Biji é a lamentável, absurda forma que toma a tradição quando uma mulher viva * e moderna como Sita chega com suas novas ideias." [Tradução livre]

Gostei muito desta abordagem da Biji como um símbolo de uma Índia ainda retrógrada. Perto dela está Mundu, o empregado que fica assistindo a filmes pornôs e se masturbando na frente da idosa, enquanto ela desesperadamente tenta gritar, sendo impedida pela sua mudez. A partir da análise acima, vejo Mundu como o fracasso desta Índia que tenta sufocar o ser humano que deseja, finalmente tendo esta mesma Índia que encarar aquilo que filmes como The Dirty Picture vem mostrando: as pessoas satisfazendo suas necessidades sexuais como podem, escondidas, como se fosse algo sujo.


Fire causou uma grande comoção na Índia, tendo até mesmo protestantes invadindo salas de cinema e propagando sua intolerância. Absolutamente tudo neste filme é motivo de polêmica, desde a relação entre as personagens principais até o fato de seus nomes serem os mesmos de personagens importantes da mitologia hindu. Descobri na Wikipedia que Dilip Kumar e o Mahesh Bhatt apoiaram a exibição do filme, o que aumentou meu respeito pelo primeiro e diminuiu meus problema com o segundo (aquela mesma questão de eu me irritar por ele ficar fazendo filmes sobre a vida da Parveen Babi). Quanto ao filme em si, é um dos mais sensíveis e corajosos que já vi na Índia, cumprindo o propósito de desmitificação da figura feminina que tanto me interessa esta semana (e sempre). São poucos os filmes indianos que assisti a trazerem um tratamento um pouco mais cuidadoso da homossexualidade, apesar dos perigos de interpretação a que me referi antes. Seja como for, é um filme com capacidade rara de só proporcionar discussões importantes e altamente necessárias: seja sobre a homossexualidade, desejo, papel social da mulher, obrigações familiares, ou, como estamos vendo agora, poder feminino.  Ou alguém aí ainda duvida que aquelas duas exigiram para si o direito sobre suas próprias vidas?
Semana do Poder Feminino - Post # 2

Personagem do dia:

Seleção Feminina de Hóquei

...ou as Chak De! Girls


Meu primeiro filme indiano foi com o Shahrukh Khan. O segundo também. O terceiro e o quarto não foram, mas dos dez primeiros, seis eram com ele. Com este momento estatístico quero mostrar como ele é uma das minhas mais importantes referências em cinema indiano. Céu, terra, tudo era SRK para mim! Assisti a Chak De! India naquela época e o filme imediatamente tornou-se um dos meus favoritos. Costumava dizer que era a prova de que SRK não precisava de heroína nenhuma para fazer um filme incrível. Será que eram os hormônios dos 17 anos? Porque agora, aos 20, nunca me senti mais equivocada. Ao revê-lo, parece que vi um filme vinte vezes mais potente que aquele já conhecido por mim. E com mais heroínas do que o habitual.

Shahrukh Khan está lá, tão forte quando me lembrava. Só que desta vez vi mais - 16 vezes mais. Opa, são 16 mesmo? Além do Kabir Khan, ex-jogador de hóquei injustamente acusado de favorecer o Paquistão na final do Campeonato Mundial e condenado ao ostracismo esportivo, havia as garotas. Uau, as garotas! Sinto que eu não conseguia vê-las tão grandes quanto são.

"As garotas" são a Seleção Feminina de Hóquei, Seleção esta na qual ninguém acredita - nem suas famílias, nem o Ministério do Esporte. E nem elas mesmas acreditam, pelo menos não no conceito de "Seleção". Individualistas e vaidosas, cada uma valoriza tanto o que conquistou em sem seu time estadual que esquece de olhar para o lado e ver o talento da outra. É no desenvolvimento do espírito de equipe que Kabir aposta todas as suas fichas e a esperança de refazer seu nome no esporte.


Durante todo o tempo são ditas frases que transmitem o pensamento de muita gente: mulheres devem ficar em casa, hóquei não é um esporte importante, elas não irão a lugar nenhum. O namorado de Preeti (Sagarika Ghatge), uma das jogadoras, também pensa assim. Jogador de críquete, esporte mais importante da Índia, trata a carreira da namorada como um capricho e se incomoda com o modo como este capricho atrapalha-a a fazer o mais importante: suas vontades, claro. Até porque o que ela quer tem relevância nula na visão dele, que deu passos importantes como pedir sua mão ao seu pai e marcar a data do casamento sem informá-la. Olha que coisa maravilhosa: ela vai ser esposa de um grande jogador de críquete, não é sensacional? Para Preeti, o hóquei é aquilo que sabe fazer de melhor. Sua posição na Seleção foi conquistada com esforço próprio. Mesmo ainda não conseguindo se impor totalmente, faz questão de se dedicar àquele seu pontinho de autonomia, pontinho este que cresce juntamente com sua confiança enquanto esportista e mulher.


A situação é ainda pior para Vidya (Vidya Malvade), a competente goleira do time. Quando se casou, a família de seu noivo não apenas já sabia de sua profissão, como também estava muito feliz com os benefícios sociais (como moradia) por ela proporcionados. Entretanto, assim que Vidya se ausenta de casa para os treinos da Seleção, logo começam as cobranças: por que não está em casa para um casamento que haverá na família, cumprindo com seu dever de esposa e nora? Sua carreira só tem relevância para eles quando lhes traz vantagens. A partir do momento em que a impede de agir como o papel social da mulher exige, tudo de bom trazido pelo hóquei desaparece no ar. Vidya, a goleira, para eles não parece fazer parte de sua identidade enquanto mulher. Por sorte, a serenidade e clareza de pensamento de Vidya fazem com que permaneça firme em sua decisão de se dedicar ao esporte, sem maiores dramas. Seu treinador nota estas características e não é por menos que a nomeia capitã do time, para desgosto de Bindya (Shilpa Shukla) e seu bando.

Bindya e sua expressão habitual. Komal fofa lá atrás!

Bindya é uma das personagens mais importantes do filme. É invejosa e altamente egocêntrica, acreditando que sua história no esporte a faz mais importante que as outras. Deseja ser a líder e a todo momento instiga as outras contra o treinador, que não hesita em tirá-la do jogo caso seu ego esteja atrapalhando o treino. Erra feio, julgando mal a escolha para capitã de Kabir. Acredito que seja uma personagem fundamental por cometer tantos erros e principalmente, por sua guerra contra as outras ser no âmbito profissional. Se o time fosse composto só por boas mocinhas lutando contra o mal, soaria artificial demais. Bindya e suas colegas mostram o óbvio: nem toda pessoa é doce e maravilhosa e há mulheres que invejam outras por suas conquistas profissionais, não por uma suposta inveja que toda mulher sentiria da outra. Em nenhum momento vemos Bindya reclamando que outra é mais bonita, tem um namorado melhor, isso ou aquilo. Ela se acha a melhor e mais experiente jogadora de hóquei e quer ver todos respeitando esta tal hierarquia. Bindya é real.

Há muitas outras com diversas histórias e questões próprias. Fiquei me perguntando quem seria minha favorita e a resposta foi fácil e dupla: a centrada Vidya e a espevitada Komal (Chitrashi Rawat). Sou pequena, apesar de não tanto quanto a Komal. E o ridículo motivo de eu gostar tanto dela é essa identificação por tamanho. Sério. Não tenho como não me sentir ligada ao ver aquela moça pequena cercada por gente alta. E o melhor: sem dar a mínima para isso. Komal é muito divertida, além de uma das melhores atacantes.


Saindo um pouco da análise das meninas e partindo para o técnico Kabir Khan, seu trabalho ser voltado para construir uma identidade de time foi sensacional. Foi o primeiro filme indiano onde tive mais contato com um certo clima separatista existente entre os vários estados do país. Cada uma se identifica com seu próprio lugar de origem, enquanto Kabir se esforça para lhes mostrar que antes de tudo estão ali para lutar pela Índia - não por Andhra Pradesh, Haryana ou Manipur. Há algumas que apenas falam línguas que as outras nem entendem, outras que fisicamente parecem nepalesas e são "tratadas como estrangeiras em seu próprio país", como disseram as próprias. É toda uma montanha de coisas a se derrubar - ou ao menos contornar - para se montar um time vencedor. Kabir é implacável na busca deste objetivo, fazendo-as treinar arduamente. Neste ponto não sabia se ficava incomodada ou não porque ao mesmo tempo em que aparentava ser do que elas precisavam para se unir, ele deu pouca atenção até à uma jogadora que desmaiou durante os treinos. De todo modo, o mais encantador no personagem é a fé que deposita naquelas meninas, e seu modo de demonstrá-la é mais prático que verbal: trata-as como as atletas competentes que são e  acredita que não devam ser protegidas ou diminuídas por serem mulheres. Não faz grandes discursos, o nosso Kabir. Afinal, não há muito tempo a perder. Grande personagem do Shahrukh Khan, um dos meus favoritos dele! Sério, seguro, até mesmo um pouco ranzinza, mas isto se justifica por tudo o que treinar aquele time representa em sua vida. Nem a famosa tremedeira shahrukhaniana faltou.



Badal Pe Paon Hain e a animada Chak De! India são minhas canções favoritas da trilha, composta por Salim-Sulaiman. A primeira é a que mais gosto porque me acostumei a ouvi-la - o modo aleatório no Media Player pode ser responsável por vários favoritismos. Também gosto muito de Bad, Bad Girls porque tenho uma queda por músicas da Anushka Manchanda, a melhor para músicas mais modernas e com um toque ocidental.

O modo como Chak De! India se desenrola não tem nada de surpreendente, levando-se em conta como filmes de esportes costumam ser. Muita superação, motivação e jogos emocionantes. Um belo trabalho do diretor Shimit Amin e do roteirista Jaideep Sahni (descobri que ambos também escreveram e dirigiram Rocket Singh - fiquei fã!). Confesso que gosto do gênero, mas este é o único filme nestes termos que conseguiu ser meu favorito. Não por trazer algo de muito original, mas por ter a ousadia de colocar em contexto indiano uma história em que o esporte é utilizado como meio para proporcionar a autonomia feminina. Aproveitando a oportunidade para cair num clichê que infelizmente ainda se faz necessário, sustento que cada vez mais temos de encontrar meios de empoderar as meninas, garotas, mulheres ou como queiramos chamar. Ao contrário da Beyoncé, não acredito e nem desejo que as garotas mandem no mundo. Elas mandando em suas vidas, já está de bom tamanho para mim. 
Semana do Poder Feminino - Post # 1

Personagem do dia:
Shruti Kakkar



Estou um pouco nervosa em relação a este texto. Primeiro, porque tenho que explicar o porquê de achar que merece estar na Semana do Poder Feminino. Segundo, porque foi um dos poucos filmes que amei tanto ao ver que já revi no dia seguinte, coisa que só acontece com pérolas como Amar Akbar Anthony e 3 Idiots. E terceiro, porque Shruti Kakkar é uma das minhas personagens favoritas no cinema indiano.

Pois bem. A estreia do diretor Maneesh Sharma, Band Baaja Baaraat, nos apresenta Shruti Kakkar, a melhor personificação da tal mocinha alegre, falante e cheia de vida da Anushka Sharma. A moça está se formando na faculdade e sonha em abrir sua própria agência de casamentos, que já tem até nome: Shaadi Mubarak. Conhece Bittoo Sharma em um casamento no qual trabalha como assistente e sua primeira impressão dele não é lá das melhores: penetra, bagunceiro, metido a esperto, infantil e ainda fica flertando com ela. Pouco depois ele descobre sobre os planos da agência de Shruti e dá pouca importância à ideia, só voltando à sua mente em um momento de desespero no qual grita ao seu pai que não voltará para trabalhar com ele na fazenda porque tem o grande plano de abrir uma agência de casamento. Shruti inicialmente o corta de seus planos, mas acaba percebendo que podem formar um grande time. Sua única exigência é que ele não tente misturar amor com negócios, o que é tranquilo para ele. Mas aí a coisa muda de figura quando ela se vê apaixonada.

Shruti curtindo o papo.

A sinopse parece ser de um romance qualquer, não é? E BBB talvez não passe muito longe disso. Mas na minha vida e aos meus olhos, o impacto de Shruti Kakkar foi enorme. Em primeiro lugar, ela não era daquele tipo clássico de figura feminina sem interesse por romance que tantos filmes mostram: estúpida, nerd, no fundo sonhando com um príncipe. Ela é uma moça alegre e bem resolvida; não querer misturar amor e negócios foi uma conclusão lógica a que chegou. Quando mais tarde se vê apaixonada pelo sócio, assume uma atitude muito imatura nos negócios, não conseguindo conviver com ele e sendo a principal responsável pela destruição de tudo o que construíram. Foi neste ponto que a personagem me encantou: ela estava errando, manifestando em um contexto muito mais sério a imaturidade que tanto acusava Bittoo de ter. Daí ela passou de alguém preso a um filme para uma pessoa possível de existir, passível de cometer erros como eu ou qualquer amiga minha. O erro é fundamental para eu me identificar. Nunca se vê nada de errado na doce moça da aldeia ou na deusa-mãe, mesmo que elas claramente façam coisas absurdas como dizer ao filho bom que o problemático sempre foi seu favorito.

Ela se transforma e vê o mundo diferente.

Também se decepciona.

Chora, se martiriza, muda. É humana.

Há mais para me fazer acreditar na Shruti, além dos seus erros. Um aspecto curioso de sua relação com os pais é que eles querem acima de tudo que a filha se case, apesar de darem todo o apoio necessário para seu desenvolvimento profissional. Como a própria diz em um momento, eles querem que ela se estabeleça, sendo o casamento a ideia de segurança e estabilidade que sua criação e geração tem. O mais interessante é que todos parecem entrar em uma espécie de acordo: ela é livre para montar sua empresa e ir trabalhando em seu sucesso, desde que se case após alguns anos com quem quiser. Ela cede, eles cedem. Para mim não é o ideal, porém parece algo muito honesto. Não sei como são os pais nas grandes metrópoles indianas, mas esse meio-termo que eles encontraram soa como uma conciliação entre as crenças dos mais velhos e as necessidades da jovem indiana atual. Talvez eu não acreditasse tanto se eles apenas aceitassem tudo o que ela propôs e nunca sugerissem casamento. O mais bonito da relação, além do respeito mútuo, é ver que a família claramente se orgulha das conquistas da filha e acredita nela; não encaram sua vida profissional como apenas um capricho até o matrimônio. Eles vão ao primeiro casamento organizado por ela e ficam maravilhados, também ficam felizes com o carro que consegue comprar. Apoiar é bem mais que apenas tolerar.

Pai fofo!

É por tudo isto que acredito na Shruti e penso que ela deve ser uma das personagens desta semana. Ela faz escolhas e arca com suas consequências, é uma mulher que tem nas mãos o controle de sua vida desde cedo. Não é todo dia que vemos uma personagem assim no cinema comercial. Pois bem, além de a personagem em si já ser sensacional, ganhou toda esta dimensão graças à bela atuação da Anushka. A cena em que ela chora após se decepcionar com Bittoo está na minha lista de favoritas, é tocante e suas lágrimas são tão sinceras que machucam. Vou me repetir, mas é necessário: ela brilha. Para mim, BBB não teria nem 80% de sua graça sem Anushka.

Tudo muito bonito e muito poder feminino rolando, mas há alguém chamado Bittoo Sharma gritando "Ei, também estou no filme!". Enquanto primeira atuação do Ranveer Singh posso afirmar que fez um bom trabalho, especialmente nas expressões de moleque que acredita estar no topo do mundo. E o garoto sabe dançar, Helen seja louvada! BBB é um desses filmes raros que mostra duas pessoas diferentes se conhecendo, trocando experiências e completando as faltas do outro com suas qualidades. Shruti sabe como Bittoo é e se diverte com ele. Ele gosta mais de arriscar (até nos negócios), enquanto ela tem o pé no chão. É a ousadia dele que os permite dar o passo fundamental para sua agência crescer. Às vezes até fico com a impressão de que cresceram rápido demais em pouco tempo, aí lembro que não sei nada do mercado de casamentos e que é um filme comercial, então fica tudo bem. Sem contar que eles não fazem nada além de trabalhar incessantemente! Enquanto conversam e trabalham juntos, vemos crescer a relação de confiança e carinho entre eles, relação esta que lhes faz muita falta quando quebrada.

Bem-vindo a Bollywood, Ranvs!

Alerta de spoilers agora!

No meu primeiro contato com a história, não gostei da reação pós-sexo da Shruti. Me pareceu confirmar certos estereótipos de que as mulheres são mais românticas, coisa e tal. Entretanto, vi o filme mais vezes e mudei de opinião. Elas não aparecem, mas vez ou outra Shruti fala sobre garotinhas bobas com quem Bittoo sai. Enquanto ele tem uma vida amorosa ativa, o mesmo não ocorre com ela. Shruti é bem mais fechada emocionalmente, então a diferença entre sua reação e a de Bittoo vem muito mais do choque entre personalidades do que por uma suposta fragilidade feminina. Shruti sente que com ela não é como com as outras porque eles tem uma história juntos, uma cumplicidade, uma confiança, tanta coisa! Pode soar estranho, mas ela foi corajosa em abraçar sua recém-adquirida vulnerabilidade. Shruti se abriu para coisas que iam totalmente contra seu plano de vida, para alguém que ia contra tudo o que queria num parceiro ideal.

Quanto ao Bittoo, realmente não o culpo por não se sentir do mesmo modo. Se há algo pelo que os dois merecem um tapa é por não terem conversando abertamente sobre o acontecido. Mas havia tanta coisa em jogo, não me admira o pavor - principalmente dele - de estragar tudo.

Fim dos spoilers!


Uma vez estava conversando sobre toda a situação dos dois com a Lilian e a Jo, amigas da QCINB. A Lilian disse estar cansada dessas histórias em que a mulher é supostamente mais sensível que o rapaz e decide "esperar" até ele também perceber o amor que ela já havia visto. Provavelmente é meu intenso amor pelo filme que me faz ver diferente. Como já disse, em BBB muito é justificado pelo embate de personalidades. Ela percebeu que o que estava sentindo era mais forte que o normal porque a estava desfocando, coisa que não acontecia. Já ele, não acredito que tenha demorado para "notar" o amor. Minha teoria com BBB é de que ele realmente não a amava até mais para o final do filme, quando se reencontram e já estão mais cordiais. Acredito que o amor dele tenha começado a crescer a partir do momento da separação e eclodido lá no clímax adorável, enquanto o dela foi mais rápido e (um pouco) mais estável. Mas tudo é teoria. Como aconteceu quando vi Junoon (este filme é tão bom!), criei explicações e passei a acreditar nelas.

Ufa...chega dessa discussão amorosa toda, porque Band Baaja Baaraat é muito divertido! Tem cores lindas, fortes e menos incômodas que Ladies vs Ricky Bahl, combinando bem com o clima jovem e urbano da história. Espero que a pessoa que montou o figurino da Anushka cobre barato, porque vou pedir para montar uns para mim assim que me formar. Já o do Ranveer...deixa pra lá.


Trilha da dupla Salim-Sulaiman. Todas as músicas são ótimas. Meu primeiro amor foi Baari Baarsi, cantada por Harshdeep Kaur, Labh Janjua e Salim Merchant. A Anushka fez cada ação indicada pela música se expressar em seu rosto, não tive como não amar. Sabe a sensação de ver um clássico nascer? Então.

Ainvayi Ainvayi, cantada pela Sunidhi Chauhan e por Salim Merchant, é uma forte expressão da química do casal principal, juntamente com a também muito divertida (no contexto) Dum Dum, cantada por Benny Dayal e Himani Kapoor.

Falei em outro post sobre como estava desanimada com filmes indianos na época do lançamento deste. Não tenho problemas com clichês e previsibilidade, desde que me deem uma história envolvente e consistente. Mesmo sabendo que tinha o Habib Faisal - a quem venho idolatrando - como roteirista, não esperava nada de bom de Band Baajaa Baaraat. Até mesmo olhei com certo nível de desprezo quando vi que era da Yash Raj Films e tinha um estreante musculoso/filho de pai rico. Fico extremamente feliz em dizer que superou minhas expectativas e recebi um filme com uma leveza que não o impediu de ter uma boa base emocional. Se todo entretenimento for assim, já vou garantir minha estada por mais uns dez anos em Bollywood.

Vai fazer um ano que me assumi feminista. Culpa de blogs, livros, do meu histórico familiar, da vida.Talvez eu tenha assumido a posição rápido demais, mas foi o que senti ser certo e até hoje ainda não me arrependi.

Meu recém-chegado feminismo trouxe muita coisa, sendo uma delas um olhar diferenciado para o que estava recebendo dos filmes indianos. O machismo não estava presente apenas nos lugares óbvios - filmes em que a esposa apanha do marido e coisas do tipo. Havia mais escondido ali. Estava em todo marido que calava a esposa apenas com o erguer de um dedo, nas mulheres de trinta anos fazendo papel de mãe para homens com a mesma idade que a sua, num apaixonado que diz para a moça que ela é "como todas as outras garotas"  mesmo que aparentasse ser durona, no irmão dizendo ao outro que:

"Uma garota deixa tudo por você. Ela se comporta do modo que você quer. Em troca, ela pede apenas um pouco de amor."  (Hum Saath-Saath Hain, 1999. Legenda minha.)

Era tanta coisa que comecei a ficar zonza. É claro que eu já havia visto muitos daqueles problemas antes, mas não tão intensamente...e tão frequentemente. Porém, tudo isto trouxe uma coisa boa: me apaixonei pelas personagens fortes, poderosas. E com "poderosa" não quero dizer  assumindo o lugar de dominação do homem, jamais. Falo das que se colocam em posição de igualdade, que vão à luta. Aquelas que não se deixam prender na rede da "boa mulher indiana, deusa de seu lar". São as humanas: acertam, erram, tentam várias vezes, estão abertas às variadas possibilidades da vida. O poder aqui terá algumas definições que achei agora no Aurélio:

2. Ter força, ou energia, ou calma, ou paciência, para.
4. Estar arriscado ou exposto a.
6. Ter o direito ou a razão de.
7. Ter possibilidade.
11. Direito de deliberar, agir e mandar.

Este último é um dos mais importantes. Nesta Semana do Poder Feminino hoje iniciada falaremos de personagens no cinema indiano que tem direito de deliberar, agir e mandar...sobre suas próprias vidas, seus corpos, suas necessidades, seus sonhos. E olhem, não duvidem de que são pouc@s cineastas que se arriscaram a trazer personagens assim. Às vezes até há uma ou outra em papel secundário, mas filmes voltados para as mulheres e esse tal poder são raros e especiais. É para eles que direcionaremos nosso olhar.

Passei muito tempo em conversa com as outras blogueiras participantes do projeto e foi muito bom ver as divergências entre o que consideramos ou não poder feminino, machismo, força, entre outros conceitos que provavelmente jamais terão definição. Mas o importante aqui é a discussão, que se dará de hoje até 8 de março, o Dia Internacional da Mulher. Os blogs participantes são:

- Ásia: Sonhos de Menina, da Sara
- Descobrindo A Índia, da Simone
- Mania de Bolly, da Isa
- Pyaari India, da Alice
- Radha Raman, da Marina

Se alguém quiser se juntar a nós, será um grande prazer. E preparem-se, que há muito poder feminino chegando.
Jab We Met foi um dos meus primeiros filmes indianos. Tenho um carinho especial por tudo o que vi naquele tempo, mas este é um dos mais especiais por ter dado início à minha admiração pelo Shahid Kapoor. Acreditem, não sou a pessoa mais romântica do mundo, mas até que eu era bastante na época (sweet 17) e rapidamente me apaixonei pelo Aditya. Certo, "mas o Shahid é bonito, qualquer uma se apaixona por ele!", podem dizer. Ah, isto é verdade. Só que realmente gosto de sua atuação. É um meio-termo muito digno: não exagera como o Shahrukh e não parece desanimado como o Imran Khan. 

É claro que não foi sempre assim. Seus primeiros filmes são uma coisa muito triste de ver, creiam. E sou daquelas fãs reclamonas, então não tenham dúvidas quando falo que são pavorosos. Gosto de ver o crescimento que ele teve, é espetacular! Ainda assim, não gosto de metade (ou mais que isso) de seus filmes. Nem toda a beleza do mundo me fará engolir a bobagem sem brilho que é Kismat Konnection, por exemplo. Como fã dele, costumo ser mais surpreendida negativa do que positivamente por suas escolhas de trabalho. Mas sigo firme porque com exceção de um ou outro Dil Bole Hadippa! da vida, ele se sai bem mesmo dentro de projetos ruins, como o desnecessário Paathshaala.

O post de hoje é para celebrar a alegria que o Sr. Kapoor traz à minha vida. Selecionei dez clipes que podem não ser aqueles em que dança melhor ou os mais famosos, mas trazem um sorriso ao meu rosto e fazem parte da minha vida. Não estão em ordem de favoritismo!

1) Tum Se Hi (Jab We Met, 2007)

Ele parece tão sereno neste clipe! Além de a música ser muito bonita, mostra a transição do Aditya de mocinho magoado para homem alegre. Gosto como ele vê a Geet por todo lugar, de como o vemos tomando-a como inspiração para ser feliz, do olhar carinhoso do Shahid e da bela voz do Mohit Chauhan embalando tudo. E não é comovente a cena do casal na chuva? Nos meus românticos 17 anos, chorei a lot. Nos reflexivos (cóf!) 20, mesma reação, estou mais contida.

É lindo quando ela o acorda! Quanto mais bagunçado os cabelos dele, mais gosto. Certo, chega. Idade mental caindo em 5, 4, 3...


2) Yaba Daba Yahoo (Chance Pe Dance, 2010)

Às vezes sinto que esse clipe força demais uma fofura, mas não tenho como resistir a Shahid dançando o passinho do "estamos nos afogando, tapem o nariz" com um bando de crianças. A música é divertida e o visual gatinhos dos anos 50 de todos só a deixa mais legal.



3) Aye Khuda (Paathshaala, 2010)

Mal me lembro do Shahid neste clipe. O que importa é a música, tão doce! E a Ayesha Takia, de quem gosto muito, com muito vento na cabeleira.

Alguém nota uma preferência por clipes com crianças aqui, hein?



Melhor comentário de todos: "some of the fakest kids i have ever seen".


4) 24x 7 (36 China Town, 2006)

O nome da música já a faz valer a pena. Depois vem o refrão chiclete "24 x 7 I think of you". Shahid e Kareena parecem estar se aproveitando da loucura de quem projetou o clipe para tirar a maior diversão possível da experiência! Eu definitivamente adoraria entrar num voo e ter aqueles dois como parte da tripulação. Dos óculos escuros na neve até o Rei Shahid e a Rainha Bebo cercados por militares dançantes, é puro entretenimento nonsense.



5) Hamari Shaadi Mein (Vivah, 2006)

Prem fazendo a maior bagunça no avião e tratando toda e qualquer mulher como Poonam, sua noiva! A música é ótima e é um dos momentos mais divertidos tanto dele quanto da Amrita no filme.



6) Mauja Hi Mauja (Jab We Met, 2007)

É por esta música que até hoje associo a voz do Mika Singh ao Shahid. Em meio a todas aquelas dançarinas e luzes, pode-se ver o ótimo dançarino que o nosso aniversariante é.

Só eu sei o quanto fazia essa coreografia pela casa lá pelos idos de 2009. Infelizmente, estou longe de ter os pés mágicos de Vyjayanthi e o que saía era uma coisa muito estranha.



7) Sajh Dhaj Ke (Mausam, 2011)

Música no Punjab. Sobre o Punjab. É tudo o que gosto e um pouco mais.

Como não vejo clipes antes dos filmes, passei meses apenas ouvindo a música e imaginando como seria o clipe a partir de uma única imagem que vi dele. Quando chegou a hora, era muito melhor do que sonhava. Tinha as cores já esperadas, mas a letra era engraçada! Bom humor no Punjab - pouco pode ser melhor que isto. Pena que o resto do filme estragou o que estava ótimo.



8) Dhan Te Nan  (Kaminey, 2009)

Eles estão loucos, eles estão com dinheiro, eles tem o poder, a noite é deles, eles querem curtir a vida! Eles são os reis do mundo!



Kaminey é um daqueles poucos filmes do Shahid que são excelentes do início ao fim.

9) Fatak (Kaminey, 2009)

Ao ver um filme indiano, não se espera que a música de abertura seja um pedido de conscientização em relação à AIDS. Valeu muito a pena. Já notaram como as trilhas dos filmes do Vishal Bhardwaj são boas? Fatak tem um ritmo incrível!

"E quanto ao Shahid, Carol?". Sério, não ficarei repetindo que ele estava ótimo. Essa é a ideia da lista, oras. E Kaminey foi um dos melhores filmes que já fez.



10) Soniye (Kismat Konnection, 2008)

Esta talvez seja a música que mais gosto na trilha, que até hoje não entendo que encanto exerce sobre mim. Shahid e Vidya estão agradáveis no clipe, que por algum motivo me lembra clipes de filmes do começo dos anos 2000, como Mujhse Dosti Karoge. São clipes que não tem competência para se tornarem clássicos, mas conseguem agradar com uma musiquinha alegre e um pouco de cores. Típico clipe NRI.



Que o moço aniversariante tenha uma vida muito feliz e cresça em sua carreira, pois poucos tem talentos como os dele na indústria - dança e atua muito bem, o que é mais raro do que parece. Feliz aniversário para o Shahid Kapoor! 
Anushka de visual novo.


Numa época em que eu não esperava mais nada de bom de Bollywood, Band Baaja Baarat veio salvar minha vida. Tudo incrível e mágico, até começarem a anunciar que o segundo filme do Ranveer Singh seria com a mesma heroína. O mesmo diretor. Na mesma produtora. Como uma pessoa que cansa rápido de casais repetidos (Rishi e Neetu, isso não foi pra vocês!), minha expectativa não ficou das melhores.

O filme foi dirigido pelo Maneesh Sharma e nos apresenta Ranveer Singh com um personagem todo especial: um rapaz que vive de aplicar golpes para tirar dinheiro de mulheres. A história nos conta sobre como enganou Dimple (Parineeti Chopra), Raina (Dipannita Sharma) e Saira (Aditi Sharma). Dimple é uma garota animada e muito extrovertida que realmente estava gostando de Sunny Singh. Raina é uma profissional competente que é enganada pelo artista Dev Shah e compra a cópia de um quadro caríssimo. Já Saira é uma jovem viúva cujos sogros queriam que fosse novamente feliz, pagando caro ao comerciante Iqbal Khan por tecidos para que ele mantivesse o vínculo com a família. Preciso dizer que todos são o mesmo rapaz, Ricky Bahl?

Quando Raina aparece na TV falando sobre um homem tê-la feito de boba, as outras duas entram em contato com ela e descobrem que foram vítimas do mesmo malandro. Decidem agir juntas para encontrá-lo e reaverem seu dinheiro. Para tanto, armam um plano usando o que mais o atrai: uma menina rica querendo gastar seu dinheiro. No maior estilo CIA que parece dominar as ações de todo o mundo que quer saber sobre algo no filme, descobrem seu paradeiro. Como isca contratam Ishika (Anushka Sharma, como tem Sharma nesse filme!), uma vendedora que sabe enganar muito bem e vai se passar pela filha de um milionário disposta a gastar milhões de dólares na construção de um restaurante. Obviamente, os dois começam a se apaixonar e o plano fica ameaçado. 


Meu primeiro problema com o filme foi o próprio Ricky Bahl. Gosto do Ranveer Singh, mas não o vejo como esse prodígio todo que muitos veem. Até mesmo em Band Baaja Baaraat faltou bastante para ele me marcar totalmente. Em Ladies, era hilário o quanto focavam em seu corpo desenvolvido para demonstrar o quanto ele era um...hum...homem fatal? Ainda o vejo o como um moleque, então nem todas as cenas sem camisa do mundo me fizeram crer nesse poder de sedução todo. Entretanto, ele estava divertido na duas primeiras histórias, da Dimple e da Raina. Tanto ele quanto a Parineeti parecem ter  um bom potencial para comédia, então seria bom vê-los juntos mais vezes.

As três moças foram ótimas, arrisco até dizer que o melhor do filme. O que mais me encantou foi serem três mulheres com histórias, tradições e estilos diferentes - Dimple é uma moleca espalhafatosa, Raina é uma mulher séria e elegante, enquanto Saira é tímida e quieta. Mesmo com toda esta bagunça, as três se uniram pelo objetivo de obter justiça e a amizade que construíram foi muito convincente! Duas necessidades minhas em relação a Bollywood foram atendidas: uma história de mulheres com personalidades diferentes convivendo bem e uma boa história de amizade feminina. É certo que sua união se deu por causa de um homem, mas elas me pareciam mais estar buscando justiça do que vingança, o que é bem legal. Poder feminino, olha aí! A segunda parte do filme foi dominada pelas três, o que foi bom por serem boas e ruim por ter sufocado o Ricky Bahl.  A partir do momento em que o plano delas entrou em ação, passamos a vê-lo pelo olhar delas. Não ficamos sabendo o que ele pensa, como vem agindo, qual é seu passado, nada. Daí quando ele entra numa onda boazinha, não soa lá muito justificado porque não sabemos quem ele é de verdade.

Minha nova Chopra favorita e a
linda da Aditi  ♥
Parineeti Chopra foi uma grata surpresa como a louca Dimple. Ela é prima da Priyanka Chopra, o que me fazia imaginar que ficaria presa à imagem da prima mais famosa, mas essa menina tem um brilho próprio e acredito que vá longe caso faça bons segundo e terceiro filmes (sorte para Ishaqzaade!). Dipannita Sharma também estava bem em seu papel mais sério, mas gostei mesmo da Aditi Sharma. Sua comportada e decidida Saira tinha algo de encantador em seus olhares, gestos e tom de voz. Fiquei com a impressão de conhecê-la de algum lugar e de já ter gostado dela antes. Ao pesquisar, descobri que fez a Rajjo de Mausam. Foi a mesma situação do outro filme: adorei o pouco que fez e queria tê-la visto por mais tempo. Houve uma coisa rápida na história da Saira que captou minha atenção e me agradou muito: viúva, foi incentivada pelo sogro a seguir sua vontade e ele se preocupava com sua felicidade, desejando que refizesse sua vida e encontrasse um novo amor. Isto está bem longe daquela ideia aradhanadiana de dedicação eterna à uma lembrança, não? Gostei muito.

E aí vem a...Anushka. Me parte o coração dizer isto, mas ela estava irritante. Pode ser que eu esteja me cansando da sua persona hiperativa. Quando surgiu na tela em Jazba e vi que lá vinha mais Shruti-Simran, fiquei desanimada. Ela foi tão desperdiçada neste filme! E o pior foi que sua personagem entrou para trazer a parte piegas que deixou a história ruim. Logo lembrei de outro filme dela que também me decepcionou, Badmaash Company (2010). Nem todo filme consegue ter um clima Don e se aproveitar da história de trapaceiros para criar algo estimulante. Tanto Ladies quanto Badmaash repentinamente ficam piegas e moralistas. É bom trapacear? Jamais. Mas se pegar aquilo e fizer uma comédia em cima, talvez fique mais legal. O resultado provavelmente seria melhor do que este.


Triste ver a falta de química entre Ranveer e Anushka. Olhando, sentia que os dois nem queriam estar perto um do outro (será que estou exagerando?). A cena final doeu, parecia que o Ricky falaria a um poste com a mesma emoção que usava para falar com a Ishika. Não sei o que aconteceu com esses dois, mas tenho dois palpites: as brigas noticiadas entre os dois são verdadeiras e esse roteiro não ajudou muito. O IMDB diz que a história é do Aditya Chopra, o que explica muita coisa. Pessoal, deixe tudo com o Habib Faisal e o Maneesh Sharma, fica a dica. Com o senhor Aditya, o que temos é uma cena enorme da Anushka de biquíni (sério, pra que?).

A fotografia do filme deveria ser linda, mas me incomodou. Uma coisa são cores quentes, mas aquelas cores estavam mais queimando do que qualquer coisa. Tiraram muito da naturalidade que a história poderia ter. As músicas poderiam salvar, mas as letras são péssimas. Jazba foi responsável por eu pela primeira vez achar que estavam exagerando no vento nos cabelos. Acho que nunca vou perdoar este filme por isto. Me tirem a vida, me tirem a alma, mas não me tirem minha diversão com as cenas de vento nos cabelos.

Continuo adorando essa moça, apesar desse furacão todo nos cabelos.

Aadat Se Majboor é minha música favorita pela sonoridade, mas não imaginei que fosse a música do Ricky contando suas trapaças. Thug Le é um absurdo, só digo isto. As letras são do Amitabh Bhattacharya (que pensei que só cantasse) e não sei se estou decepcionada com ele ou com esses filmes "jovens", que andam sendo repletos de letras horrendas.

Este filme é uma confusão, boa em algumas coisas e péssima em várias. Parece que não sabiam que tipo de filme queriam fazer e saíram jogando elementos ao acaso. É muito melhor que um lixo como Luv Ka The End e pior que uma obra-prima como Band Baaja Baaraat, ou seja: dá para assistir, mas fiquei bem longe de me apaixonar. Aumentou minha descrença numa melhora da Yash Raj, que havia diminuído com Band Baaja Baaraat - é, falo o tempo todo deste filme (em breve escreverei sobre). Minha sorte foi não ter esperado muita coisa desse tal Ricky Bahl.

Obrigada por salvarem o filme :)
Estava com vontade de falar sobre um filme aleatório e menos especial do que os últimos sobre os quais escrevi. Deewaar, Arth, Junglee...este último trio é composto de filmes sensacionais, mas também muito difíceis de comentar. Hoje eu queria um pouco mais de facilidade: apenas sentar, digitar e não me preocupar muito. Para tanto, é muito bom um dos antigos filmes do Abhishek Bachchan!

Dirigido por Jeeva, este é o único filme Hindi do diretor. Conta a história de Siddhart, um estudante que passa a morar na casa da sua irmã Shivani (Ayesha Jhulka) e seu cunhado Rajeev (Mukesh Rishi) quando passa a estudar em uma universidade de Délhi. Ele se apaixona à primeira vista (zzzZZzzz) por Jhanvi (Bhumika Chawla) , mas tem que lidar com a violenta oposição de seu irmão, Ganpat (Mahesh Manjrekar).

É uma confusão. Sidhu nunca falou com a moça e logo se apaixonou por ela, provavelmente por tê-la achado muito bonita. Mas ele entra num clima stalker à la Dil Se, não aceitando que talvez ela não esteja interessada. Até aí é manejável. Isto é Bollywood, não há lugar melhor para se contar uma história em que a mocinha fica distante e suspirosa enquanto o herói sonha com ela à distância. É então que vem o:

Problema 1
Abhishek + Bhumika = tédio


Sei que a foto é adorável, mas a coisa NÃO é assim.

Jhanvi não diz nada e não consegue ser nenhuma Poonam para me cativar mesmo no silêncio. E neste filme, o Abhishek Bachchan é um dos piores heróis românticos que já vi. Ele não é um daqueles atores que conseguem sustentar sozinhos uma cena romântica idealizada - como aquelas de lembrar da amada sorrindo mesmo que ela não tenha dito nada. A junção destes dois seres apáticos me deixou em profundo estado de coma tédio. Uma boa parte do filme se passa neste amor tão estimulante quanto o BBB12 e pensei que não poderia ficar pior. Foi então que veio o:

Problema 2
As pessoas viraram do avesso...do nada!


Esta é a cara de mau dele para lutar. Aulas de dishoom, precisamos.

Sidhu era um bom menino sem nada muito especial. Repentinamente vira um herói masala que consegue bater em dez homens sozinho, fazendo-os correr de medo em seguida. A situação foi tão inesperada que comecei a rir. Não há absolutamente nada no roteiro que nos leve a imaginar que havia toda aquela força escondida nele, o rapaz até havia apanhado no dia anterior. Além disto, o Abhishek não convence na ação. Acredito que dois fatores poderiam ajudar a aliviar isto: um roteiro melhor que o desse filme e frases de efeito. Nada disto estava a favor do Abhi. Pensei até que o fato de ele ser magrinho interferisse, mas o Amitabh também era magro e arrasava nas lutas. Certo, vou parar com este momento tiazinha chata de ficar comparando pai e filho.

Entretanto, esta nem foi a pior mudança. Sabem quando Jhanvi passou a gostar de Sidhu? Quando ele foi à sua casa e ameaçou sua sobrinha com uma faca para que o irmão dela não fizesse mal à sua família. Para mim, isto não prova coragem alguma. Os meus heróis indianos jamais colocariam em risco a vida de pessoas inocentes, especialmente criancinhas! Voltando à chata da Jhanvi, como uma pessoa que não dá a mínima para a outra muda de ideia quando a última diz que vai matar sua amada família? Pode até existir gente assim, mas precisa mesmo ser a heroína do meu filme?

"Ameaça à crianças é afrodisíaco", declara Jhanvi ao Deewaneando.

Problema 3
Comédia horrível

<Insira aqui uma piada>

Ganesh (Vijay Raaz), amigo de Sidhu, é o responsável pela comédia da história. Antes não fosse e cortassem meia hora de filme. O rapaz foi atrás do amigo e se perdeu na cidade grande, passando por situações hilárias como ter um órgão roubado, ser jogado em um filme pornô e tomar banho num rio poluído. O rapaz grita a cada frase. Pelo amor de Johnny Walker, não preciso disso.

Não posso culpar apenas o rapaz pelo fracasso da comédia. O cunhado de Sidhu também deveria fazer umas gracinhas com a sua seriedade, mas a única coisa minimamente engraçada era minha cisma de que ele parecia uma versão do Akshay Kumar menos trabalhada na academia.



Problema 4
Pior. Trilha. Da. História.

Claro que estou exagerando, mas foi esta minha sensação a cada vez que vinha um clipe ruim depois de uma cena péssima, o que pode resumir o filme. Tenho forte vergonha de clipes praianos (isto existe?) de Bolly no início dos anos 2000, coisa que há neste filme. O único clipe que valeu a pena foi o de Sarki Chunariya Re Zara Zara, que, por sinal, foi o que me levou a saber do filme. A troca de roupas e dinâmica do vídeo é mais interessante que a coreografia, mas vale a pena olhar.


Comigo, vídeos são a última esperança de salvação caso não esteja gostando do filme. Há filmes quase insuportáveis dos quais tenho boas lembranças graças aos clipes, Tees Maar Khan é o melhor exemplo. Ainda paciente, vi só a metade do filme em um dia e deixei o resto para o outro, pois poderia ser que meu humor estivesse ruim. Não adiantou. Um dia depois, vinte minutos de filme e eu estava entediada como no dia anterior. Run é tão desanimador que conseguiu dois feitos incríveis: tirar a graça que eu tinha em ler "Bhumika Chawla" (soa bem) e me fazer não querer ver o original tâmil, com o Madhavan (!). Talvez o tempo faça o filme parecer melhor, mas por enquanto acho difícil. Meu arrependimento foi não ter corrido para as colinas enquanto podia.
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"DEEWANEANDO"?

Devanear = divagar, imaginar, fantasiar. Deewani = louca, maluca. Deewaneando = pensar aleatória e loucamente sobre cinema indiano.

Meu nome é Carol e sou a maior bollynerd que você vai conhecer! O Deewaneando existe desde 2010 e guarda todo o meu amor pelo cinema indiano, especialmente Bollywood - o cinema hindi. Dos filmes antigos aos mais recentes, aqui e no Bollywoodcast, seguirei devaneando sobre Bollywood.

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