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Nem todo o meu carinho pelo Aamir Khan dos anos 90 me prepararia para o tanto que me diverti com Rangeela. Não falo apenas de elementos obviamente divertidos como:

O sofá voador

Ensaio de dança na praia

O chapéu feio

A condução da história a deixou agradável de assistir, mesmo sem trazer nada de muito surpreendente. O enredo é bem básico: garota sonha em ser atriz, consegue sua primeira chance graças a um ator famosíssimo e seu melhor amigo pobre não consegue declarar seu amor por não se sentir parte do novo mundo da garota.

Uma descrição tão superficial não dá conta de explicar todo o carisma de Munna. Mal-educado, temperamental e grosseiro, o personagem facilmente me causaria antipatia caso não fosse tão bem interpretado por Aamir. Em vez de detestá-lo, acaba-se torcendo para que seja feliz.Você sabe que ele não tem emprego, educação formal e nem objetivo de vida, mas quer que ele fique bem porque é boa pessoa. Suas roupas são horríveis, a barba está por fazer e aparentemente ele está sempre sujo, porém você gostaria de convidá-lo para almoçar em casa porque ele é legal. Não é o grande herói de bom coração que anda pela cidade alimentando cães de rua e brincando com crianças desconhecidas, é só o Munna. O famoso gente boa.


Uber cute

O ponto mais forte para eu gostar de Munna foi seu apoio à carreira de Mili. Ele não apenas "aceitava" que ela tivesse um emprego, pois resignar-se não é apoiar. Munna e toda a família de Mili acreditam em seu talento e torcem por seu sucesso. Na verdade, isso nem é colocado em questão. É algo bom de se ver, já que as heroínas dos filmes dos anos 90 (inclusive dos meus favoritos) até trabalham, mas não necessariamente tem objetivos de carreira. Além de ter seus próprios sonhos e metas, Mili é adorável — não tanto quanto Munna, é claro, mas o suficiente para me deixar feliz ao vê-la em tela. Ela ama sua família e amigos, mas isso não nos é forçado goela abaixo com mil pessoas discursando sobre o quão boa moça ela é.  Mili brinca/briga com o implicante irmão mais novo, tira sarro da mãe junto com seu engraçado pai e continua andando com os amigos de onde mora mesmo participando do glamouroso círculo social das celebridades. Parar varia um pouco, é bom ver a heroína confortável perto do herói e andando com ele por escolha própria, não porque ele a perseguiu até que só lhe restasse desistir. Mili trata a bem a todos, sabe o que quer, anda com quem quer e faz o que tem vontade. É fácil gostar dela, querê-la por perto.

Uber sweet

Urmilinda humilhando (desculpa)

Foi fácil conhecer Mili e Munna, mas não posso dizer o mesmo de Raj Kamal (Jackie Shroff). O superstar que se encanta por Mili é enigmático. Pensei que fosse vilão quando entrou em cena pois apresentava elementos geralmente característicos de vilões indianos, como roupas escuras, trilha sonora tensa e costume de observar a heroína de longe. Sua personalidade foi definida na segunda metade do filme. Só então fica claro que Raj Kamal é um bom homem marcado por episódios tristes em sua vida. Bem parecido com o Vinod Khanna em Chandni. O bom é que a heroína era mais dinâmica dessa vez.


Nunca se está preparado para ver menino
Jackie animadíssimo de sunga.

Em meio ao triângulo amoroso embalado por canções animadíssimas com uma Urmila quase hiperativa,  fui feliz vendo o filme. A história simples é realçada por atuações sinceras e cheias de energia, o que me manteve grudada à televisão. Até a parte cômica me fez rir, o que não é tão comum com filmes indianos. Se algo enfraqueceu minha experiência com o filme, foi apenas o final. Foi abrupto e não tinha como não sê-lo, já que o lado romântico de Mili foi pouco desenvolvido. Passei o tempo inteiro sem saber se ela gostava de Munna ou de Raj, já que se comportava da mesma forma com ambos.

No quarto dele, de pijama, ensaiando. Porque ela quer!

Minha maior surpresa com o filme foi descobrir que a direção é de Ram Gopal Varma. Gosto de sua obra, mas nos últimos anos seus filmes são tão cansativos e repetitivos que ficou difícil de acreditar que um dia tenha feito um filme tão leve e pouco pretensioso. Para quem não viveu na Índia dos anos 90, como eu, acho meio difícil Rangeela atingir o status de clássico que tem para muitos indianos. O que consegue, e com muito sucesso, é trazer bons momentos para quem se deixa colorir pelo filme.
Hoje surgiu um texto encantador na timeline do Twitter. Raras vezes na vida nos deparamos com o relato da experiência de alguém que imediatamente nos faz pensar "Isso! Foi isso mesmo o que aconteceu comigo!". 

Sonam Nair, diretora de Gippi (2013), escreveu uma carta aberta para Deepika que expressa como também estou me sentindo em relação à atriz. Adoro histórias de pessoas que não eram grande coisa e foram melhorando com trabalho duro — não é de se espantar que tenha me apaixonado por Aishwarya Rai e Ranbir Kapoor. É até mais gostoso de apreciar do que quando gostamos da pessoa de cara. Deepika é mais um desses casos. Como hoje é seu aniversário, nada mais coerente do que compartilhar uma homenagem tão sincera.

Fiz uma tradução livre do texto original, que você pode ler aqui. Tive dificuldades com a palavra underdog, que significa mais ou menos o que entendemos por "zebra": aquela situação em que ganha o fracassado, o que ninguém espera que vença. De todo modo, acho que o sentido do texto se manteve. Espero que vocês também se inspirem por essa história.

Deepika Padukone, o que aconteceu com você?
Por Sonam Nair (tradução livre)


Só tenho um filme como diretora, mas faz 29 anos que sou uma garota. E devo dizer que ambas, a cineasta e a garota em mim, estão absolutamente fascinadas por Deepika Padukone. Quando você gasta tanto tempo fazendo, escrevendo, falando sobre e assistindo a filmes, e quando você encontrou atores pessoalmente e viu que eles são apenas pessoas normais, os filmes perdem sua magia. Você começa a assistir ao desempenho do ator em vez de concentrar-se no papel que estão fazendo. Você começa a notar inconsistências no roteiro, em vez de apreciar a narrativa. Você começa a calcular o que o cineasta quer que você sinta, em vez de sentir por si mesma.

Mas para mim, após um longo tempo, alguém trouxe a velha magia de volta aos filmes. Quando assisto Deepika na tela, me sinto como uma criança outra vez, encarando a atriz com veneração, desejando poder crescer para ser como ela.


A verdade é que, como a maioria das pessoas, eu não era uma grande fã da Deepika quando ela começou. Pensei que era bonita, poderia fazer uns filmes masala e ser esquecida. Não acho que ninguém a tenha visto chegando. Mas mesmo antes de Cocktail chegar às telas, comecei a admirar algo na Deepika.

Ela sempre escolheu personagens realmente fortes, inteligentes e independentes para atuar. Mesmo quando suas contemporâneas estavam fazendo garotas bobas ou acessórios do herói, tendo sucessos maiores e construindo seus nomes, havia uma dignidade em cada papel que fazia. Quer fosse uma garota trabalhando para pagar a faculdade em Bachna Ae Haseeno ou uma garota madura e prática em Love Aaj Kal, que conversava de forma inteligente sobre os relacionamentos e os homens em sua vida. Apesar de que, devo admitir, Cocktail foi quando realmente me apaixonei por Deepika. Lembro de assistir ao filme e fazer a mesma pergunta sem parar: "o que ACONTECEU com a Deepika?". A melhor coisa é que Cocktail não foi apenas uma maravilha isolada. O mesmo pensamento fica passando por minha cabeça sempre que sai um novo filme da Deepika. Eu ainda gostaria de uma resposta a isso se você estiver lendo, Deepika. O que aconteceu com você? E, por favor, pode acontecer comigo também?

Não acho que nenhuma atriz tenha se transformado em tela tão repentinamente, e ela só fica melhor. Você consegue ver que ela está se esforçando em cada cena e que toda expressão e todo movimento de dança vem de seu coração. Ela está fazendo filmes com atores incríveis e os ofusca completamente em muitas cenas. Digo, sou fã ardorosa do Ranbir Kapoor, mas só estava olhando para Deepika em Yeh Jawaani Hai Dewaani. O mesmo em Chennai Express e Goliyon Ki Rasleela Ram-Leela. Que ano ela teve! É de admirar, então, que eu sinta que há algum encantamento envolvido?

Estou realmente inspirada pela Deepika neste momento. Não apenas por que ela é absolutamente linda e extremamente talentosa, mas porque tem trabalhado muito arduamente para chegar onde está agora. Me deixa esperançosa. Me faz sentir como se minha carreira estivesse em minhas mãos e como se caso eu apenas desse tudo de mim, milagres pudessem acontecer. Ninguém pode chamá-la disso agora, mas ela era uma perdedora e agora está no topo. Esta é uma história da qual nunca vou me cansar.
Se meu retiro acadêmico serviu de algo para minha vida bollywoodiana, foi para me provocar sustos. Fui surpreendida por notícias e constatações esquisitas toda vez que tentava me inteirar das notícias. Para finalizar o ano, compartilho com vocês os 10 maiores sustos que tomei em 2013. Até o ano que vem!

10) Kiran Rao = Pessoa mais legal do Mundo Bolly!



Nunca tinha dado atenção à Kiran Rao até ver sua participação com Aamir no Koffee With Karan. Além de simpática, engraçada, sincera, inteligente e competitiva, tira sarro do marido em rede nacional. É a pessoa mais próxima da vida real que já vi em Bollywood e já entro 2014 mais fã dela que do marido. 


9) SRK teve um filho!



Shahrukh e Gauri tiveram um filho com ajuda de uma barriga de aluguel. Fico feliz pelo casal, mas a notícia surgiu de forma tão aleatória que ainda não consegui processá-la.

8) Cadê Salman? 


Prezado Salman Khan,

Você e eu não nos amamos, mas sempre nos entendemos. Não sei o que aconteceu, mas o mundo Bolly ficou desequilibrado sem a sua presença. Aamir está fazendo o vilão de Dhoom, Ajay está fazendo filmes com Sajid Khan e o Shahrukh Khan fez um masala sulista. Nada parece normal e estou com medo. Por favor, volte, faça um masala ainda melhor que Dabangg e traga o sentido de volta ao universo.

Com dishoom,

Carol

7) Mortes


Perdemos muitas pessoas especiais em 2013. As duas mortes que mais me assustaram foram as de Srihari e Jiah Khan. Só o conhecia por Nuvvostanante Nenoddantana, no qual seu papel foi um dos grandes motivos para eu gostar tanto do filme. Srihari tinha 49 anos.

Jiah Khan foi mais que um susto: foi um choque. Linda, jovem e talentosa, acabou chegando ao limite e tirando a própria vida. É realmente triste que a tenhamos perdido tão cedo e que a indústria não tenha sabido lhe dar oportunidades.

6) O ano horroroso de Bebo 


Satyagraha e Gori Tere Pyaar Mein. Trocou filme do Sanjay Leela Bhansali para protagonizar outro com Imran Khan. Preciso dizer mais? Se a coisa não está fácil para nós, imagina para a heroína do Imran Khan.

5) Coloriram Chori Chori


Meus amigos riram da reação extremamente negativa que tive à colorização de Chori Chori. Não sou nem um pouco entusiasta da colorização de filmes antigos porque a fotografia de vários é belíssima por ter sido pensada especificamente para preto e branco. Era apenas uma opinião sem mais reflexões, pois meus filmes antigos favoritos permaneciam intocados. Chori Chori não é só favorito, como foi um dos filmes que me deixou apaixonada por obras em preto e branco.

Deixo minha reação para sua imaginação.

4) Katrina e Ranbir, oi q?



Mesma situação do filho do Shahrukh Khan: ainda não processei.

3) Zanjeer é uma afronta



Não me interessei pelo remake de Zanjeer por motivos de: Priyanka no papel da Jaya Bachchan. Ontem a Katherine do Totally Filmi estava tweetando sobre o quão ruim é o filme, o que me deixou curiosa para ver os clipes. Não deveria ter feito isso, já que ainda estou indignada por terem transformado o emocionalmente perturbado policial do Amitabh Bachchan em um carinha que faz pose de mal com a camisa aberta. Sobre Priyanka rebolando ao redor da arma, prefiro não comentar. 

2) Ano da Deepika!


Considerava Deepika uma atriz variando entre regular e ruim na maior parte de seus filmes. Qual não foi minha surpresa ao ver que não apenas foi a atriz mais bem-sucedida do ano, como sua boa atuação foi parte do que me atraiu aos filmes? Fiquei impressionada com seu desempenho em Yeh Jawaani Hai Deewani e sua participação em Chennai Express me agradou mais do que a do Shahrukh Khan. Mal vejo a hora de ver Goliyon Ki Rasleela Ram-Leela! Ficar ansiosa por um filme do Sanjay Leela Bhansali não é algo normal em minha vivência bollywoodiana, então espero que dona Deepika faça valer a pena.

1) Chennai Express é um sucesso maior que a vida



Nada neste ano me assustou mais do que o estrondoso sucesso de Chennai Express. Sabia que o filme faria sucesso por ser do Rohit Shetty, mas nada me preparou para tanta repercussão. Acho que não venho processando bem as notícias do Shahrukh Khan.
A última lista de favoritas do ano aqui do blog foi publicada há 2 anos. Meu interesse pelas trilhas vem diminuindo, já que as canções são todas muito parecidas e as letras não mais ficam dançando na minha mente. Como consequência, passo bastante tempo ouvindo trilhas de filmes antigos ou as dos primeiros filmes a que assisti.

As canções a seguir me marcaram por motivos diversos, mas acredito que apenas as duas primeira posições sejam favoritas. 

5) Nagada Sang Dhol, de Goliyon Ki Raasleela Ram-Leela

Fazia tempo que não ouvia a voz da Shreya Ghoshal em uma faixa tão enérgica. Os filmes do Sanjay Leela Bhansali tem elementos artísticos muito característicos, o que estruturou o vídeo da canção em minha mente antes mesmo de assisti-lo. Parecia claro que haveria um musical grandioso, porém com coreografia mais pesada do que o habitual. A curiosidade venceu: assisti ao clipe e confirmei meu palpite.

Tendo minha cantora favorita, um ritmo intenso e um vídeo que seria um clássico instantâneo, Nagada Sang Dhol tornou-se um belo presente.


4) Dichkyaoon Doom Doom de Chashme Baddoor

Só percebi a grande frequência com que ouvia Dhichkyaoon Doom Doom quando troquei de celular, transferi poucas músicas para o novo e dei por falta de alguma música com "doom doom doom" durante o trânsito nosso de cada dia. Até então não havia notado que aquela melodia simples com letra chiclete era minha companheira diária. Shreya Ghoshal e Ali Zafar deixam quase impossível não embromar no hindi para cantar junto: dichkyaoon doom doom doom doom doom- main aur tum tum tum tum tum!


3) Malang de Dhoom 3

Devo ter conhecido a canção há no máximo duas semanas, mas fiquei impressionada já na primeira vez e ouvi sem parar. É contagiante! Malang não dá vontade de apenas dançar: é música para montar uma coreografia com figurinos exuberantes e apresentar em um pouco iluminadíssimo. Estou ansiosa por ver o vídeo, declarado o mais caro da história de Bollywood, para checar Katrina e Aamir fazendo acrobacias circenses.

Os intérpretes são Shilpa Rao, geralmente destaque nas trilhas do Amit Trivedi, e Siddhart Mahadevan, filho do excelente cantor Shankar Mahadevan. Parece que alguém começou a carreira muito bem...


2) Titli, de Chennai Express

Meu entusiamo por Titli ficou claro na resenha de Chennai Express. É a canção romântica mais suave que ouvi nos últimos anos; talvez só podendo ser comparada a Mahek Bhi. Tinha certeza de que sua intérprete fosse a Shreya, mas qual não foi minha surpresa ao descobrir o engano? A competente cantora é Chinmayi, que seguramente criou um clássico romântico com o cantor Gopi Sunder.


1) Kashmir Mein Tu Kanyakumari, de Chennai Express

Ouvir e assistir a Kashmir Main foi uma grande experiência. Já estava ensaiando meu "retorno" aos filmes com uma ou outra obra, mas foi esta canção que tornou a situação real. As vozes de Sunidhi Chauhan, Arijit Singh e Neeti Mohan estão em plena sintonia. A alegria de Shahrukh e Deepika dançando, a melodia divertida, os sáris, tigres (!) e a explosão de cores eram tão familiares que me levaram às lágrimas. Eu havia voltado para casa. Com tantos elementos alinhados, o único lugar que uma música tão significativa poderia ocupar é o primeiro.

Mesmo em meu exílio acadêmico, sabia que em algum momento teria que voltar para assistir a Chennai Express. Faz um tempo que o diretor Rohit Shetty é meu maior “prazer culposo” em Bollywood. Adoro ver seus filmes com carros voadores, cores vibrantes, socos poderosos e piadas ridículas. O sucesso estrondoso dos últimos anos mostra que essa combinação é certeira para o público indiano. Entretanto, Shahrukh Khan parecia um elemento estranho no conjunto. Não dava para imaginá-lo como o típico herói de ação-comédia dos filmes de Shetty. E por isso mesmo, era necessário assistir a Chennai Express.


Chennai-ai-ai-ai-ai...ad infinitum.

Shahrukh é Rahul, um solteirão de 40 anos criado pelos avós. Quando o avô morre, fica encarregado de imergir suas cinzas na aldeia de Rameshwaram. Seu verdadeiro plano é ir para Goa com os amigos e imergir as cinzas do avô por lá mesmo. Rahul acaba ficando preso no trem errado e fica ainda mais enrolado ao ajudar Meenamma (Deepika Padukone) a subir no trem. Ela está fugindo dos capangas de seu pai, mas dá o azar de ver que eles também são ajudados por Rahul e conseguem subir para alcançá-la. Eles levam Meenamma e Rahul para a aldeia de Komban Kaum, onde o pai dela é o chefão local. Ele estava forçando a filha a se casar, mas desiste quando Meenamma mente que está apaixonada por Rahul. Os dois se unem para tentar fugir da aldeia, sabendo que estão cercados por todos os lados.

Faz anos que anseio por ver Shahrukh Khan na comédia, já que seus poucos momentos cômicos em outros filmes me arrancaram boas risadas. Se o romance não me convencesse, certamente haveria ao menos uma cena engraçada para guardar de lembrança. Em Chennai, a comédia estava divertida enquanto havia piadas à la DDLJ, porém ela ficou cansativa com tanto histrionismo do SRK. Ele começou a todo vapor, porém essa energia foi diminuindo ao longo da história. Um parceiro cômico para dividir as piadas poderia ter aliviado a imagem do Shahrukh, cujo Rahul ficou irritante por tanta necessidade de ser engraçado a todo custo. Os momentos de ação masala compensaram um pouco a irritação, porém só é assim para quem gosta do estilo. 



Lembra os velhos tempos (Om Shanti Om)

MOSTRANDO MEU DISHOOM

Em nenhum momento Shahrukh foi equiparado aos atuais heróis masala, como Salman em Dabangg ou Ajay em Singham. Ele não é este tipo de herói, então buscou-se uma alternativa para inseri-lo de forma coerente no universo masala. Ao apresentá-lo como um herói masala cômico, a comédia tomou conta do espaço e não sustentou a dinâmica desse tipo de filme — resultando no já comentado cansaço. Respeitando as devidas proporções, Rahul lembra bem pouco o lado cômico do Amitabh em filmes masala como Amar Akbar Anthony e Naseeb, exceto por não vivenciar o lado de ação tão intensamente quanto ocorreu nesses filmes. O herói de ação do Amitabh, alto e magro, faz pensar que pode haver espaço para novos heróis masala fora do estereótipo forte e musculoso, tão comum aos filmes do sul. 

Se por um lado Rahul não trouxe nada de novo, por outro Meenamma foi surpreendente. Mais surpreendente como expressão da maturidade artística da atriz do que enquanto personagem, de fato, mas ainda uma surpresa. Deepika está mais expressiva, conseguindo transmitir mais emoções em seus papéis. A moça da aldeia foi apresentada como uma mulher bem educada, com idéias e desejos próprios. O ponto mais alto da personagem é sua inteligência. Além de falar várias línguas, é ela quem idealiza e organiza os planos de fuga, restando a Rahul apenas segui-la. Infelizmente, a personagem é enfraquecida justamente nos momentos decisivos do filme, restando-lhe ficar apenas como espectadora enquanto os homens resolvem as coisas. Acabou sendo mais um dos filmes a inserir um discurso sobre força e independência femininas no roteiro, para depois não embasar isto com ações quando teve a oportunidade.

Mas tá uma linda!


A história do filme não é envolvente. O humor segura o espectador durante pouco tempo, sendo depois substituído pela visão de belas paisagens. Quando nem isso é suficiente, Meenamma se apaixona por Rahul e a leveza e simplicidade dos gestos e olhares encantadores de Deepika voltam a despertar o interesse pelo filme. O momento de apaixonamento é brilhantemente embalado por Titli, um dos melhores musicais românticos produzidos em Bollywood nos últimos anos. A direção do clipe é de Farah Khan, o que explica sua alta qualidade. Rohit Shetty não cria musicais marcantes, então sabia que havia algo de estranho quando vi um vídeo tão cativante.







Os outros clipes também são muito bons, com destaque para o colorido Kashmir Main Tu Kanyakumari, cuja música talvez seja minha favorita do ano. O item number 1 2 3 4 –Get On The Dancefloor não me impressionou na hora, mas como a música é do tipo chiclete, não tive como fugir. A dançarina é a bela atriz sulista Priyamani, que parecia estar se divertindo bastante. Por último, há a controversa Lungi Dance, homenagem ao superstar de Kollywood, Rajnikanth. Vishal-Shekhar, a dupla responsável pela trilha de Chennai, não queria a canção do rapper Yo Yo Honey Singh no filme. Pois bem, ela acabou entrando e fazendo um sucesso estrondoso. Ainda estou impressionada com a ardorosa tietagem de Shahrukh Khan por Rajnikanth. Acredito que seja mais uma questão de ganhar dinheiro, pois não consigo imaginá-lo vendo ação masala em casa.



Não havia entendido como Chennai conseguiu a maior bilheteria da história do cinema indiano, mas agora me parece claro. Rohit Shetty tem tido sucesso atrás de sucesso nos últimos anos, talvez devido a não ter pudor algum de fazer cinema estritamente comercial. Unindo esta máquina financeira a um dos maiores atores de Bollywood, a atriz mais bem-sucedida de 2013, bons compositores e o apelo da homenagem ao maior superstar do sul do país, temos a receita do excelente desempenho deste projeto de masala.

Torcia para que Shahrukh voltasse a ter os êxitos de antigamente, então por este lado fiquei imensamente feliz pelo resultado comercial de Chennai Express. O meu lado de fã ficou decepcionado, infelizmente. Está chato passar mais tempo torcendo pelo artista do que apreciando seus filmes.


Segundo minha amiga Lalita e a Wikipedia, hoje o Raj Kapoor completaria 89 anos. Enquanto fã de cinema indiano, especialmente de filmes antigos, não tenho como ficar imune à sua influência. Seus filmes, o modo de contar histórias, clipes e personagens construíram aquilo que podemos chamar de cinema hindi. Apesar de não estar entre suas fãs maiores fãs, - todos sabemos que Rishi é meu Kapoor favorito - tenho muito respeito e carinho pela figura de Raj Kapoor. O banner do blog não me deixa mentir.

Selecionei alguns clipes nos quais me apaixonei pelo Raj. Esse sentimento pode não ter durado por todo o filme, mas se manteve durante os poucos minutos de cada clipe. Efeitos de um bom showman.

- Aye Bhai Zara Dekh Ke Chalo de Mera Naam Joker (1970)

Como não se deixar levar pelo carisma de Raju enquanto conquista a todos no circo? Impossível não sorrir.

- Jahan Main Jaati Hoon de Chori Chori (1956)

Provavelmente é meu clipe favorito do Raj e da Nargis, que estão totalmente adoráveis como fantoches. É o tipo de vídeo que uso para atrair as pessoas para o cinema antigo.


- Awaara Hoon de Awaara (1951)

Acredito que seja a canção mais famosa do Raj. Nos apresenta Raju, o famoso vagabundo que encantou até mesmo o público russo. Suas expressões estão divertidas e ingênuas, com destaque para o olhar travesso.



- Cena de Mera Naam Joker (1970)

Isto é mais um momento que um clipe propriamente dito. Na hora mais difícil de sua vida, o palhaço teve que esquecer sua dor para fazer os outros rirem. É o único elemento triste desta lista, mas não poderia faltar porque foi com esta cena que passei a apreciar Raj como ator.

Este texto foi escrito no início do ano e estava salvo nos rascunhos do blog. Como estava atarefada, acabei me esquecendo de publicá-lo. Revisei-o hoje, ilustrei-o com fotos da internet e não consegui reduzi-lo mais do que ficou no resultado final. Bom, pelo menos consegui reviver toda a experiência de ver JTHJ ao reler ao texto. Não que tenha sido uma grande vivência...

Desde que 2013 começou, prometi a mim mesma que esqueceria um pouco os filmes e blogs para me concentrar em minha monografia, que ainda está no plano das ideias . Estava tudo indo conforme o planejado e mal assisti a nada desde o início do ano, porém tirei um dia de estresse puro para me acalmar com Jab Tak Haai Jaan, último lançamento do diretor Yash Chopra e Shahrukh Khan. Apesar das expectativas baixas quanto à história e ao personagem do Shahrukh, estava animada para ver belos cenários e bons clipes, além de curiosa para ver como seria a química entre Shahrukh e Katrina Kaif. Bem melhor do que há meses atrás, quando só conseguia ver um desastre a caminho e carinhosamente apelidei a obra de Jab Tak Hai Whatever.


Foi nesse espírito de aventureira com um pé atrás que conheci o romance de Samar (Shahrukh Khan) e Meera (Katrina Kaif), duas pessoas muito diferentes. Ela, obediente filha de um homem rico, é séria e dedicada. Ele, um homem pobre, é feliz e encontra sua alegria no sorriso do outro (Amar Mathur feelings). Ambos se conhecem em Londres e estabelecem um pacto: ele a ajudará a aprender uma música em punjabi para cantar na festa do pai, enquanto ela o ajudará a melhorar seu inglês. O "contrato" dura um mês, período durante o qual Samar se apaixona por Meera. Seu amor não pode se concretizar porque ela está noiva de outro, mas isto não o impede de incentivá-la a ser mais livre, como acredita que ela realmente seja.



Daqui pra frente, muitos spoilers.

Meera percebe que também ama Samar. Como não quer magoar seu pai, promete a Deus que ela e o rapaz não serão mais que amigos. Depois de muita enrolação e acontecimentos, Meera cede aos encantos de Samar. Quando ambos estão felizes e tudo o mais, o rapaz sofre um acidente e Meera, em desespero, promete a Deus que irá abandonar Samar caso ele seja salvo. É claro que isto acontece. Sério, gente. O que vai segurar 3 horas de filme é uma promessa a Deus que separa o casal principal.

Pausa para um WTF coletivo puxado por uma amiga do blog.

Eu sei, Rani. Eu sei.

Já está bom de sinopse. Contarei mais sobre essa maravilha de história enquanto comento. Depois que Meera o deixa, Samar vai para a Índia e entra para o esquadrão anti-bombas do exército. Ele desarma as bombas sem uniforme de proteção. Sabem por que? Duvido que saibam! Ele quer encarar a morte de frente e desafiar o Deus que o separou de Meera. Por essas e outras, Samar acabou sendo um personagem produtor de vergonha alheia. Como se já não fosse o suficiente toda a sequência em Londres, na qual SRK disse ter 28 anos (!), o personagem depois se tornou o típico romântico durão, transformado em homem amargo após desilusão amorosa. Parecia apenas alguém com sérios problemas de vida, não o herói romântico que fica conosco após o fim do filme.

Problemas ainda mais sérios tinha Meera. Katrina recebeu a difícil missão de nos fazer gostar de uma personagem que ultrapassou todos os limites da racionalidade. Meera é mal construída. Quando Samar diz que ela é uma rebelde em seu interior, essa percepção não é compartilhada por quem assiste, não importando quantos cigarros a façam fumar. Não entendi se ela é triste, o que a faz assim, e, principalmente, qual foi a mudança de comportamento que Samar trouxe à sua vida. Compreendi que estava vivendo seu novo amor intensamente, mas como isto implicou em outras áreas de sua vida? Ela foi mais firme com o pai? Dirigiu melhor a empresa? Tornou-se mais assertiva? A única coisa clara é sua difícil relação com a figura divina, tratando Deus como um tirano que manda um raio na cabeça de quem o desobedece. Por sorte, esse tipo de visão foi (levemente) desconstruída no final do filme. Uma crença assim não permite que alguém seja feliz.

Adoro essa moça, mas ainda não virou boa atriz. Força, Kat!


Para equilibrar o cenário montado por essas duas figuras esquisitíssimas, foi recrutada a repórter Akira —interpretada pela sempre querida Anushka Sharma. É basicamente Anushka sendo Anushka: linda, vivaz, inteligente e engraçada. Resumindo, a espoleta de sempre. Apesar da boa atuação, não gostei da função dada à personagem: Akira representa a nova geração, que não vive o amor "intensamente" e transa com qualquer um. Isso não é interpretação minha, já que cada frase dirigida à Akira começa por "essa gente da sua geração". Quem me dera que a nossa geração fosse tão desapegada de ideais românticos como deram a entender no filme! Além de soar forçado, não gostei de ver a pobre repórter mudando seu modo de pensar ao conviver com a forma de amor mais platônica de Samar. Do jeito que ela amava, tinha como ser feliz com muita gente. Do jeito dele, sua vida fica suspensa por conta de uma outra. Não gosto desse amor que funde um indivíduo ao outro, que anula as partes individuais e cria um terceiro ser. Por isso que não torci por Akira e Samar: longe dele, ela estava com uma saúde mental melhor.

É na segunda parte que a história fica absolutamente louca, a partir de uma perda de memória que pode até ter seus antecedentes científicos (não que eu tenha visto), mas um tratamento absurdo e jamais antes visto na história da Psiquiatria. Que profissional, por mais experimental que seja, apoiaria a criação de uma realidade inexistente como a melhor forme de auxiliar um paciente a manter sua estabilidade mental e recuperar a memória? O absurdo da situação não me incomodou porque isso é Bollywood e já vi filme com médico batendo em criancinha para fazê-la andar, então apenas ri bastante. Em terra de Yash Chopra, quem for mais nonsense é rei.

Shahrukh: me constrange, se constrange.
Em meio a tanta confusão, achei espaço para gostar do que estava vendo.  Pela primeira vez desde o absurdo Hum Saath-Saath Hain, vi um filme escapista de Bollywood como realmente fazendo parte de um outro mundo. Aquela não era a Londres de verdade. Aquelas pessoas e seus motivos de preocupação não eram nada reais. Seu amor, a única coisa importante em suas vidas, era coisa de filme. Nem a repórter do Discovery Channel pareceu minimamente real. Conhecem aqueles pequenos globos redondos com belas cenas, nas quais caem neve quando sacudimos? As vidas de Samar e Meera foram isso para mim. Um brinquedo mágico, belo ao olhar, mas não que não sustenta minha atenção por muito tempo porque tudo está atrás de um vidro. Tudo muito artificial. Não dá para tocar.

O ponto mais alto do filme foi a participação especial do Rishi Kapoor e da Neetu Singh, casal integrante do hall da fama do blog. Rishi estava mais como apoio, enquanto Neetu teve alguns minutos para demonstrar um talento que eu nem imaginava que tivesse. Katrina Kaif não é nada parecida com ela, mas quando Neetu a olhou com emoção e a chamou de filha, eu a vi pequena em seus braços. É por isso que sentimos tanto a sua falta, Neetu ji.

Altamente coracionável, não?
Há um tempo, eu estava iludida de que Jab Tak Hai Jaan seria o grande retorno do Shahrukh Khan ao romance que sempre fez tão bem, e de que isso seria o melhor para ele. Vejo que me equivoquei. Não há como fingir que o tempo não passou, tanto para o ator quanto para o público. Talvez a gente queira um herói romântico que pareça mais real, heroínas mais bem escritas,um roteiro mais bem estruturado, tudo isso junto, ou talvez seja uma necessidade diferente. Apenas sei é impossível sustentar aquele eterno Rahul Raj que se comunica por olhares profundos. Se o mundo muda, os filmes e atores também precisam seguir isso. Vem pra 2013, Shahrukh.

Jab Tak Hai Jaan foi a última obra do Yash Chopra, que faleceu antes da estreia. Registrei no blog minha relação complicada com seus filmes, sempre tão insensatos que me fazem discutir com a tela. Ainda assim, entendo e respeito sua importância para o cinema indiano e a influência que seus filmes tem sobre inúmeros cineastas (até mesmo por toda uma geração, se pensarmos nos anos 90). Pena que não haverá material novo para brigarmos, Yash ji. Se não pelas histórias, obrigada ao menos pelos clipes. 
Tenho apreço por histórias de gêmeos. Desde novelas como A Usurpadora, passando por filmes clássicos como Seeta Aur Geeta ou o atual Kaminey, considero a trama da troca de papéis suficiente para boas horas de entretenimento. Ela permite momentos engraçados enquanto um gêmeo faz as tarefas rotineiras do outro e também o meu ponto favorito, que é quando um resolve conflitos da vida do outro.

Ram Aur Shyam seguiu a já conhecida fórmula. Ram e Shyam (Dilip Kumar) são fisicamente idênticos, porém tem personalidades opostas. Ram é medroso e tem todos os seus bens controlados pelo cunhado, Gajendra (Pran), que o submete a agressões físicas. Shyam é destemido, abusado e não hesita em dizer o que lhe vem à mente.Os dois trocam de lugar por engano, quando Ram foge de casa com medo de ser assassinado pelo cunhado e Shyam foge de sua aldeia para tentar ser ator de Bollywood. Tudo perfeitamente armado para um maravilhoso clichê com 3 horas de duração, porém a maravilha não aconteceu. Tentemos entender o porquê.

Tem coisa mais linda que ver o Rei da Tragédia gargalhando?

O cansaço me pegou já pela metade do filme, talvez antes. O evento mais antecipado é o confronto entre Shyam e o malvado cunhado de Ram. Ele só acontece após o intervalo, fazendo o espectador esperar por mais de uma hora. A espera não teria sido problema caso houvesse mais movimentação na primeira metade, o que também não ocorreu. O tempo da primeira parte foi gasto com o romance entre Shyam e Anjana (Waheeda Rehman), além de também terem sido mostradas as armações de Gajendra. Acredito que não seria cansativo se esse tempo tivesse sido empregado para mostrar as confusões relativas à troca de papéis. Não houve aproveitamento da adaptação de Ram, rapaz urbano assustado, ao cotidiano da aldeia em que dele se esperava que fosse um habilidoso agricultor. Foi dedicado mais tempo à história de Shyam, mas ainda assim não foi bem aproveitada. Houve uma mistura de momentos em que consertava as injustiças da casa de Ram ou flertava com Anjana, entretanto foram poucos aqueles nos quais teve problemas por não se portar como se esperaria do covarde Ram.

O exorcismo de Ram
A atuação de Dilip me deixou dividida. Sou fã de sua veia cômica pelo simples motivo de adorar vê-lo sorrindo, então tive uma boa surpresa ao ver um Shyam tão piadista. Sua expressão corporal estava mais livre do que me lembro de ter visto. Como tantas outras coisas, isto também não foi bem trabalhado no filme. Chegou um momento em que as gargalhadas histéricas já não tinham mais sentido nas cenas. Como Ram, Dilip iniciou mostrando um rapaz doce e assustado, que foi sumindo ao longo do filme. Gostaria de ter visto mais do processo de amadurecimento que teve ao relacionar-se com Shanta (Mumtaz), aldeã que não se dava bem com o grosseiro Shyam e encontrou o amor na doçura e calma de Ram.

Pran estava excelente. Não me lembro da última vez em que gostei tanto de um papel seu como neste filme. Gajendra é desprezível e apavorante na medida certa, nos fazendo torcer para que alguém o faça em pedacinhos. Quando Shyam toma o lugar de Ram e ameaça Gajendra, é visível a mudança do olhar dominador para o temeroso. Sua esposa, interpretada por Nirupa Roy, reforçou a visão que tenho de suas personagens: excessivamente abnegadas e passivas, acabando por deixar as cenas muito pesadas. Por último, comento a atuação das duas heroínas – Mumtaz e Waheeda Rehman. A última ganhou um pouco mais de espaço na história por conta da trama de seu noivado com Shyan, enquanto Mumtaz foi totalmente desperdiçada. Apareceu em algumas sequências musicais típicas de filmes que retratam aldeias, uma ou duas cenas no final e nada mais. Para alguém facilmente impressionável pelo carisma das atrizes, considerei uma pena não ver mais de ambas.


A trilha sonora de Naushad não impressiona. O clipe mais interessante é Dheere Dheere Bol, responsável por eu ter passado anos ansiosa por assistir ao filme. Tem pitadas de crítica social que não receberam maior importância no roteiro e é fortemente representativo dos clipes típicos de aldeia - apesar de não ser o caso no filme. Já a única música que me marcou foi Aaj Ki Raat Mere Dil Ki Salami Lele, cantada pelo fantástico Mohammed Rafi. Com ela, descobri meu pendor por clipes com revelações públicas de sentimentos dolorosos.

Como não amar a velha Bolly?

Para alguém que não se cansa das mesmices das tramas de gêmeos, fui surpreendida pelo sentimento de decepção ao fim de Ram Aur Shyam. Por mais agradável que seja ver o Dilip Kumar sorrindo, a Mumtaz vestida de aldeã ou a Waheeda Rehman apenas existindo, nada disto foi suficiente para substituir todas as possibilidades não exploradas. Nem sempre os clássicos nos dão tudo o que esperamos deles.
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"DEEWANEANDO"?

Devanear = divagar, imaginar, fantasiar. Deewani = louca, maluca. Deewaneando = pensar aleatória e loucamente sobre cinema indiano.

Meu nome é Carol e sou a maior bollynerd que você vai conhecer! O Deewaneando existe desde 2010 e guarda todo o meu amor pelo cinema indiano, especialmente Bollywood - o cinema hindi. Dos filmes antigos aos mais recentes, aqui e no Bollywoodcast, seguirei devaneando sobre Bollywood.

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