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Esta é uma Aconteceu em Bolly estranha, diferente. Logo a vigésima coluna terá de ser tão complexa. Estamos em meio à uma pandemia que tirou centenas de milhares de vidas no Brasil. O cinema indiano está parado, com lançamentos sendo realizados por streaming. Fomos devastados por perdas irreparáveis em Bollywood. Então a coluna de hoje terá que falar um pouco sobre os últimos meses, não apenas sobre as últimas semanas. Espero que possamos apreciar algumas das notícias e refletir sobre as mais difíceis. Descubram o que aconteceu em Bolly. 

A notícia que eu mais temi escrever
 

 
Ainda me dói muito ter que escrever isso, porque é o tópico que ainda não processei e talvez jamais processe completamente. Em abril faleceu Rishi Kapoor, meu ator favorito e uma das figuras mais importantes do cinema indiano. Rishi batalhava contra a leucemia há dois anos e tinha 67 anos à época de sua morte.

Fonte: Hindustan Times
 
Mais perdas
 
O dia da morte de Rishi foi extremamente traumático para os fãs do cinema indiano porque apenas 24 horas antes perdemos outro inquestionável talento. Irrfan Khan lutava contra um tumor neuroendócrino desde 2018 e infelizmente também nos deixou. O último trabalho de sua brilhante carreira foi em Angrezi Medium.


 
Fonte: India Today
 
Tristeza sem tamanho. 


 
Definitivamente não há morte mais impactante neste doloroso ano do que a de Sushant Singh Rajput. Em 14 de junho o ator de 34 anos foi encontrado morto em seu apartamento em Mumbai, sendo a causa atribuída a suicídio por enforcamento. Foram encontradas receitas médicas com indícios de que Sushant passava por um episódio depressivo.

E foi depois disso que o espetáculo mais triste e infeliz teve início, após um episódio que por si só já era suficientemente ruim. Kangana Ranaut, que não tinha nenhuma relação com o ator e nos últimos anos tem se especializado em criar sensacionalismos para atrair atenção, declarou publicamente que Sushant foi vítima do nepotismo existente na indústria e dos blind items da imprensa [notícias em colunas de fofocas nas quais os detalhes do assunto são relatados enquanto as identidades das pessoas envolvidas não são reveladas], além de questionar o relatório da polícia de Mumbai (!) que atestava suicídio. Desde então a polícia tem investigado pessoas da indústria que tiveram contato com Sushant em seus filmes recentes ou em processos de escalação de elenco, convocando para depoimentos personalidades como o diretor Sanjay Leela Bhansali, a atriz Sanjana Sanghi, que atuou com Sushant em seu último fillme, o diretor Aditya Chopra e até mesmo o crítico de cinema Rajeev Masand, que costuma publicar blind items em sua coluna.

O movimento online ganhou cada vez mais força, com pessoas diariamente exigindo justiça para Sushant com base nas suas visões do caso. O caso teve aumento de importância quando o primeiro-ministro Narendra Modi solicitou que fosse investigado pela CBI (Central Bureau of Investigation), órgão governamental que é a principal central de investigações da Índia.

Fãs fizeram um protesto online por Sushant, exigindo que fosse investigado o que agora já afirmavam ser um caso de assassinato. Sim, isso mesmo que você leu. É a este ponto que as coisas chegaram, mesmo sem evidências de nada. A atriz Kangana Ranaut fez um vídeo contra o que ela passou a chamar de "gangue do nepotismo", acusando Karan Johar, Aditya Chopra e Salman Khan de darem tratamento preferencial a filhos de artistas como Alia Bhatt e Tiger Shroff. Kangana também questionou como Gully Boy recebeu vários prêmios e Chhichhore, filme de Sushant aclamado pela crítica, não ganhou nenhum. Ela também associou muitas pessoas sem relação com o caso, falando que o diretor Mahesh Bhatt tem total controle sobre Mumbai graças à sua amizade com Javed Akhtar (também não entendi nada), e também questionando por que Karan Johar demorou três anos para lançar Drive, filme de Sushant extremamente criticado. Ela também o criticou por ter lançado o filme diretamente na Netflix, acusando o diretor e produtor por não ter se esforçado para levá-lo aos cinemas.

Desde então os lançamentos e redes sociais dos filhos de artistas estão inundados de ódio, com as pessoas chamando-os de assassinos e boicotando seus filmes. No final de julho o cunhado de Sushant, Vishal Kirti, lançou um aplicativo chamado Nepometer para medir a proporção de nepotismo em filmes. Os filmes são avaliados em cinco categorias: produtor, artistas principais, artistas coadjuvantes, diretor e roteirista. O primeiro filme avaliado no aplicativo foi Sadak 2, próximo filme do diretor Mahesh Bhatt e estrelado por sua filha Alia Bhatt. A avaliação foi de que o filme teria 98% de nepotismo. Desde então o filme foi alvo de uma campanha de ódio que produziu 4.6 milhões de dislikes em 24 horas no vídeo do trailer no Youtube. 

Em meio a tudo isso, a namorada de Sushant, Rhea Chakraborty, foi acusada pela internet e também pela família do ator de estar envolvida em sua morte, tendo aberto uma queixa contra ela por incentivo ao suicídio. Susan Walker Moffat, terapeuta de Sushant, veio a público defender Rhea e falar sobre o que deveria estar sendo falado desde o início de tudo isso: saúde mental. Em entrevista, a profissional declarou que o ator sofria de transtorno bipolar, condição psiquiátrica associada a altos índices de suicídio:

“Sushant estava sofrendo terrivelmente durante suas crises de depressão e hipomania. Rhea foi seu maior apoio. Desde a primeira vez que os conheci como um casal, fiquei impressionada com o grau de preocupação, amor e apoio que ela demonstrou. Era muito evidente o quão próximos eles eram. Rhea cuidou de suas consultas e deu-lhe coragem suficiente para comparecer, apesar de ele ter muito medo de que alguém descobrisse. Quando ele estava gravemente doente, dependia dela como uma espécie de figura materna e ela desempenhou completamente esse papel com amor, incentivo e paciência”.
 
A família de Sushant questionou o diagnóstico e as batalhas públicas seguem a todo vapor, com mais e mais pessoas tentando aparecer às custas do ator, que em vida era bastante reservado. A única notícia que conforta o coração em meio a tudo isso é que seu último filme, Dil Bechara, foi lançado online e bateu o recorde mundial de visualizações, sendo visto 95 milhões de vezes em apenas 24 horas . O filme é a versão ofical de A Culpa é das estrelas.

Fontes: Wion, Miss Malini , DNA India , Hindustan Times, NCBI
 
Mais notícia pesada
 
 
Sanjay Dutt foi diagnosticado com câncer no pulmão em estágio 3. O ator fará tratamento fora do país e cancelou todos os seus compromissos em filmes para dedicar-se ao tratamento.

Fonte: The Economic Times 
 
Moça casada
 
Bipasha Basu, que fez muito sucesso na primeira década dos anos 2000, falou pela primeira vez sobre seu afastamento das telas após o casamento com o também ator Karan Singh Grover: 
 
"Sempre fui seguidora do autoamor e satisfazer suas necessidades primeiro. Para mim, depois do meu casamento, foi uma decisão; você sabe, trabalho desde os 15 anos como modelo e desde os 19 como atriz. 
 
Então, eu decidi que não iria trabalhar por um tempo e apenas sentar, relaxar e aproveitar as vantagens da vida pela qual trabalhei tanto, e meio que aconteceu. Não havia prazo. Continuei dizendo que eram só alguns meses, mais alguns meses e aí farei alguma coisa. Mas enquanto isso, eu estava fazendo eventos e apresentações. Ambos ainda estavam ocorrendo...assim como campanhas publicitárias. Então, eu realmente não achei que fosse uma tempo tão longo e eu realmente gostei de passar um tempo de qualidade com meu marido, minha mãe e meu pai, o que eu nunca fiz antes. Sabe, nunca dei tanto tempo aos meus pais porque sempre estive muito ocupada. Meu pai se aposentou depois do meu casamento e todos nós passamos muito tempo de qualidade como família. Então perdi a noção do tempo. Mas desde o último mês? Estou muito ciente, alerta e pronta para trabalhar. Estou sentindo saudades do set depois de muito tempo e sim, vou trabalhar mais a partir de agora." 
 
Bips fez seu retorno na série digital Dangerous, thriller psicológico que estrela ao lado do marido Karan.
 
 
 
Fonte: Miss Malini

Good newwz
 
Em meio a tanta dor no ano mais difícil do cinema indiano, uma linda notícia. Kareena Kapoor e Saif Ali Khan estão esperando seu segundo filho. Os dois já são pais do pequeno Taimur, de 3 anos. O anúncio da gravidez foi feito nesta semana, em que Saif também completou 50 anos. Parabéns à família!
 
 
 
Fonte: Hindustan Times 
 
On fire
 
Vaani Kapoor está com tudo. A atriz acaba de ser escalada para o próximo filme do diretor Abhishek Kapoor, no qual estrelará ao lado do bem-sucedido Ayushmann Khurrana. O filme será um romance (saudades deles!) que começará a ser gravado em outubro. Além deste, Vaani também está escalada para Shamshera ao lado de Ranbir Kapoor e Sanjay Dutt, além de Bell Bottom com Akshay Kumar. Emprego não falta.


 
Fonte: Miss Malini.
 
Celebrar!
 
A Yash Raj Films completa 50 anos e suas comemorações irão até 2021. Para celebrar o aniversário da produtora, Aditya Chopra fará uma intensa série de lançamentos, que incluirão novidades como um novo filme de Shahrukh Khan, consagrado na casa por filmes como Dilwale Dulhania Le Jayenge e Veer-Zaara, um novo filme de Ajay Devgan e um lançamento com Vicky Kaushal à frente. Em 27 de setembro serão anunciados todos os produtos que irão compor o Yash Raj Project 50. A data foi escolhida por ser o 88º aniversário do falecido Yash Chopra, fundador da produtora e pai de Aditya.

Fonte: DNA India
 
 
Detox
 
 
 
Sonakshi Sinha está afastada das redes sociais há dois meses, tendo desativado os comentários do Instagram e abandonado o Twitter. Quem acompanha as notícias da coluna sabe que a atriz é vítima de pesado cyberbullying nas redes sociais há anos, sendo uma das artistas que mais sofre com as ofensas virtuais, que aumentaram exponencialmente contra filhos de artistas famosos após a morte do ator Sushant Singh Rajput.  A respeito da questão das ofensas e do nepotismo, Sonakshi declarou em entrevista:

"Ninguém gosta de ouvir xingamentos contra si mesmo pelo que, por ser ator? Por ter nascido de determinados pais? Sinto muito! Qual a lógica nisso? Saiu totalmente de proporção. Alguém já fez a conta? Hoje há mais pessoas que vêm de fora do que os que vêm de dentro da indústria, pessoas que chegaram longe e têm bastante trabalho, mais do que pessoas que cresceram em famílias do cinema. Por que ninguém fala sobre isso? Há muita raiva mal direcionada sobre muitas coisas, uma mentalidade de manada. Uma pessoa diz algo e todo mundo começa a atacar filhos de atores sem nem pensar. Certo, tudo bem, ser de uma família do cinema pode ajudar a conseguir a primeira entrevista ou o primeiro teste. Mas e depois? O alvoroço é todo sobre isso. "Ah, alguém pode criar ou destruir a carreira de alguém". Sinto muito, mas ninguém pode construir ou destruir ninguém exceto o público. Todos estamos aqui hoje porque nosso público nos aceitou, seja alguém de dentro ou de fora. Nós respeitamos isso. Se o público não aceita uma pessoa, sua carreira não irá a lugar nenhum. Então é triste atacar os filhos de artistas. Nós trabalhamos duro e nos esforçamos tanto quanto qualquer pessoa."

Como alguém que nasceu em uma família do cinema, como você encara todo esse debate sobre nepotismo? Você já usou seu sobrenome para entrar em um filme ou privar outra pessoa de uma chance?

"Veja, pode estar acontecendo (em Bollywood), mas acontece em todos os outros lugares também. A palavra nepotismo não se limita apenas à indústria cinematográfica. Hoje, um empresário vai repassar seu negócio para seu filho, e não para uma pessoa aleatória com base no mérito; não importa o quão bom ele seja, sua família estaria em primeiro lugar. E acho tão engraçado que essa palavra nepotismo tenha sido introduzida e sensacionalizada por uma pessoa cuja irmã está gerenciando seu trabalho [Kangana Ranaut e sua irmã Rangoli]. E eu não acho que quero dar a isso muito mais importância. Dito isso, meu pai (Shatrughan Sinha) nunca pegou o telefone e ligou para nenhum produtor para dizer: ‘Coloque minha filha no seu filme’. Dabangg (2010) me foi oferecido porque sim, minha família conhecia a família de Salman Khan, mas é isso. Eles me viram, pensaram que eu caberia no papel, e me ofereceram o filme. Depois disso, tive que trabalhar muito. Sempre fui muito pontual. Tenho uma ética de trabalho muito boa e o público me aceitou. Essas são as quatro coisas que me ajudaram a sustentar uma carreira por dez anos."  
 
Atrizes jovens e filhas de artistas como Janhvi Kapoor e Alia Bhatt têm recebido ondas de ódios aos seus recentes lançamentos. Sonakshi fala sobre sentir esse medo para o seu próximo lançamento, Bhuj: The Pride of India :
 
"É um filme sobre a guerra de 1971, glorificando o papel de um indiano muito corajoso. Se as pessoas decidem boicotar um filme como esse, isso diz muito sobre elas, e não sobre o filme. E você pode gostar ou não de algo, mas por que está pedindo aos outros para odiar algo de que você não gosta? Isso eu não entendo. Estou muito orgulhosa de fazer parte de um filme como este, e tenho certeza que as pessoas vão adorar porque é uma história sobre a Índia que precisa ser contada." 
 
 
 
Esse tipo de trollagem e bullying é demais para lidar às vezes?  
 
"Claro, é muita negatividade para se estar submetida, e isso faz com que muitas pessoas se voltem contra você sem realmente ter culpa. Não é bom e afeta a saúde mental das pessoas. Tudo se tornou  muito, muito triste. Não estou gostando do estado atual das coisas." 
 
Fonte: Hindustan Times 
 
Coluna pesada, com temas pesados, em um ano pesado. Espero que tenhamos mais motivos para sorrir nos próximos meses. Fiquem seguros! 





BollywoodCast número 5 no ar! Hoje conversamos sobre Hum Saath-Saath Hain, filme de 1999 dirigido por Sooraj Barjatya e estrelado por Salman Khan, Sonali Bendre, Monish Behl, Tabu, Saif Ali Khan e Karisma Kapoor. Esta saga familiar é enorme e causa alguma confusão entender os parentescos, mas estamos aqui para organizá-la para você nesta conversa descontraída.

Comentários, sugestões e dúvidas? Envia pra gente no contatobollywoodcast@gmail. com. Você encontra a Carol no blog Deewaneando e a Isa no blog Mania de Bolly.  Leia também a resenha do Deewaneando sobre o filme.

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Este é o segundo post da série sobre a história da família Kapoor e seus mais de 90 anos de cinema indiano. Para acompanhar o primeiro item da série e conhecer a história do patriarca Prithviraj Kapoor, leia aqui.

Nascido em 14 de dezembro de 1924 em Peshawar, Raj Kapoor teve que amadurecer precocemente e tornar-se a presença forte da casa para sua mãe durante os anos em que seu pai esteve ausente, indo de uma cidade à outra devido ao trabalho. Outro fator essencial para seu amadurecimento foi a morte dos dois irmãos menores no curto período de quinze dias. Sua mãe era apenas dezesseis anos mais velha que o filho. A pequena diferença de idade, a ausência do marido e o fato de ele ser o filho mais velho levou mãe e filho a serem muito próximos. Raj Kapoor foi um garoto gordinho que sofreu muito bullying de outras crianças devido ao seu peso. Para não ser tão inferiorizado, assumiu o lugar de palhaço da turma, pois era menos doloroso rir junto com os colegas ao fazer piada de si próprio do que ver os outros rindo de si. Tudo o que Raj desejava era ser amado pelos outros e ser popular. Esta forma de estar no mundo, sendo o palhaço que faz o outro rir enquanto guarda suas dores, foi profundamente explorada no semibiográfico Mera Naam Joker (1970).

Raj cresceu sob a sombra da popularidade de seu belo, forte e talentoso pai. Isto o levou a adotar um estilo diferente de atuação e escolha de papéis, voltando-se para romances, comédias e musicais. Enquanto Prithviraj especializava-se em fazer homens imponentes, Raj tornava-se o homem comum em cena. Se por um lado o estilo de atuação do pai era imponente e declamado, o do filho era suave e natural. Os embates entre pai e filho apareceram em filmes posteriores de Raj, como o clássico Awaara (1951), em que ele e Prithviraj foram pai e filho em cena. Temas de discussões frequentes entre ambos repetidamente surgiram nos filmes de Raj, como as brigas para que fizesse faculdade. A má relação dos Kapoor com os estudos notória em diversas gerações da família, sendo frequentes o abandono precoce das salas de aula, a incompletude dos estudos e históricos de reprovações e notas baixas.

Raj e Krishna Kapoor


Raj aproveitava seu perfil observador para guardar na memória centenas de referências de imagens, rostos e lembranças que posteriormente apareceriam em seus filmes. Quadrinhos também eram clássica fonte de inspiração para suas histórias. Apesar de ter feito alguns papéis como ator mirim, a falta de apoio paterno fez com que sua estreia ocorresse apenas em 1957, em Neel Kamal. Seu desejo era criar as próprias obras, ato que realizou ao deixar a equipe teatral do pai para fundar a R.K. Films e lançar Aag (1948), seu primeiro filme. O jovem diretor de 23 anos levou os conhecimentos acumulados de anos em diversas funções no teatro para seu estilo de trabalho, que também incluiu os ideais socialistas de justiça social e igualdade das peças da Prithvi Theatres. As influências internacionais foram de cineastas como Frank Capra e Orson Welles, além dos quadrinhos como Archie Comics e Luluzinha. Em Aag teve início sua parceria com Nargis, com seu romance dentro e fora das telas sendo um dos mais marcantes da história do cinema indiano. Sua mais importante musa e par em dezesseis produções, em diversos filmes a representação de Nargis foi envolta por uma sensualidade que era comum nas representações de heroínas de Raj Kapoor e incomum no cinema indiano. Após o afastamento entre ambos, resultante da decisão dela de atuar em Mother India e seu posterior casamento com Sunil Dutt, a já complexa relação abusiva de Raj com a bebida piorou. Raj tornava-se agressivo e grosseiro quando bêbado. O alcoolismo é um mal que aflige os Kapoor há muitas gerações, sendo presente também nas vidas dos seus irmãos e herdado por seus três filhos.


Nargis e Raj Kapoor em Awaara

A sexualização das heroínas em cena tornou-se ainda mais intensa e menos velada após o rompimento com Nargis, como visto no sári transparente colocado em Zeenat Aman em Satyam Shivam Sundaram (1978). E o histórico de traições de Raj a sua esposa Krishna não parou em Nargis, sendo notórias as supostas ligações com atrizes como Padmini, Zeenat Aman e Vijyanthimala. Esta última, por sua vez, negou qualquer romance e declarou que os rumores haviam sido plantados para a promoção de Sangam (1964). Entretanto, Rishi Kapoor afirmou que teve que se mudar para um hotel com sua mãe e irmãos durante a relação de Raj e Vyjayanthimala, forma escolhida por sua mãe para forçar o término do romance. Raj e Krishna retomaram seu casamento.


Raj obteve enorme sucesso como ator e diretor, sendo notáveis os filmes Awaara (1951) e Shree 420 (1955), nos quais apresentou e eternizou sua imagem como Raju, o doce vagabundo inspirado no Carlitos de Chaplin. Seus filmes tiveram grande sucesso internacional, tornando-o famoso até hoje em países da extinta União Soviética, Egito e Israel. O filme pelo qual mais tinha carinho não teve bom retorno do público e quase o levou à falência: Mera Naam Joker (1970), filme com 3 horas e 44 minutos de duração divididos em três grandes atos. Nele Raj contou sua história como o palhaço que faz os outros rirem mesmo às custas de sua própria dor. A recuperação financeira veio apenas com Bobby (1973), filme que redefiniu a representação da juventude no cinema hindi ao apresentar protagonistas realmente jovens - diferente da tradição de atores mais velhos interpretando jovens - rebelando-se contra a autoridade familiar para defender seu amor. Raj dirigiu seu filho Rishi em Mera Naam Joker e em Bobby introduziu ao público sua persona de lover boy, um herói romântico doce e apaixonado que se repetiu durante décadas na carreira de Rishi. A recuperação financeira advinda do sucesso de Bobby não se refletiu em recuperação emocional. Raj sempre sentiu a dor da rejeição do público a Mera Naam Joker, filme em que mais colocou sua alma.



Os últimos anos de carreira de Raj Kapoor contaram com alguns filmes focados em questões sociais, como o recasamento de viúvas em Prem Rog (1982). Entretanto, a recepção aos seus últimos filmes foi marcada pela constante desaprovação à cenas consideradas vulgares pela crítica, como a da atriz Mandakini tomando banho de cachoeira com um sári branco em Ram Teri Ganga Maili (1985), último filme dirigido por Raj. O maior showman da história do cinema indiano faleceu em 1988, devido a complicações de seu quadro de asma.

No próximo post da série sobre a família Kapoor conheceremos a história de Shammi Kapoor, irmão de Raj e o membro da família responsável pela revolução na imagem dos heróis jovens do cinema indiano.


Fontes para consulta:

Dawar, R. (2006). Bollywood: yesterday, today, tomorrow. Star Publications.

Jain, M. (2009). Kapoors: The First Family of Indian Cinema. Penguin UK.

Kapoor, R. & Iyer, M.(2017). Khullam Khulla: Rishi Kapoor Uncensored. HarperCollins.

The Kapoor Family Website. Disponível em: http://www.junglee.org.in/




A família Kapoor é a linhagem mais duradoura e importante do cinema indiano. Ao longo de cinco gerações nos apresentou a atores e diretores que construíram o cinema hindi como o conhecemos hoje por meio de histórias, canções e personagens inesquecíveis. Dos grandiosos personagens de Prithviraj até o glamour de Kareena, os 91 anos de presença dos Kapoor se confundem com a própria história do cinema indiano. E nesta série de posts conheceremos um pouco mais detalhadamente alguns de seus mais proeminentes membros.

As origens da família Kapoor remontam a Samundari, região do Punjab pré-separação da Índia, em terras que hoje formam o Paquistão. Prithviraj Kapoor foi o primeiro membro da família a buscar uma carreira no cinema - não sem enfrentar resistência do pai, que desejava ver o filho atuando na área do Direito e teve seus planos frustrados quando o rapaz reprovou nas provas de admissão. Prithviraj já era casado com a jovem e doce Ramsarni e pai de três filhos quando deixou a cidade de Peshawar para tentar a vida como ator em Bombay. A aventura foi patrocinada pela prima Kaushalya Khanna, que o via como um filho e não apenas deu dinheiro para que tentasse ser ator, como sustentou sua família durante esse período.

A figura alta e atlética de Prithviraj não passou despercebida pela atriz Emeline, que o viu na fila de figurantes e o convidou para ser o herói do seu próximo filme, Cinema Girl, no distante ano de 1930. E este foi o pontapé para que o ator começasse uma bem-sucedida carreira nos filmes mudos nos Imperial Studios. Sua voz de trovão logo foi ouvida pelo público no filme Alam Ara (1931), obra importantíssima na história do cinema por ser o primeiro filme indiano com som. Em 1932, Prithviraj uniu-se à Grant Anderson Theatrical Company, onde pôde exercer a arte do teatro, que foi seu primeiro amor nas artes. O retorno aos cinemas foi rápido e de muito sucesso durante os anos 40, quando protagonizou diversos filmes. Ele foi um dos primeiros grandes atores a abandonar o sistema de exclusividade com um estúdio, escolhendo a liberdade artística e profissional de fazer filmes em vários estúdios diferentes. Um de seus grandes papéis foi em Sikandar (1941), no qual Prithviraj interpretou Alexandre, o Grande. O filme foi lançado durante o auge das manifestações pelo fim da colonização britânica na Índia. Seu ar patriótico e nacionalista tocou o público, que transformou Prithviraj em um ídolo, chamando-o de Sikandar onde quer que fosse. O filme acabou sendo banido de alguns cinemas que fossem próximos de quartéis de tropas britânicas.

Prithviraj com Randhir no colo, e um jovem Shashi  ao lado. Raj de pé à esquerda e Shammi à direita.

A intensidade artística que veríamos anos depois em seu filho Raj já estava presente em Prithviraj. O ator dava tudo de si aos personagens, chegando a acreditar que precisava sentir dor real para representar dor nas telas, recusando o uso de dublês em cenas de ação ou o uso de microfones. Tanto esforço acabou por afetar sua forte voz, que começou a perder. As mudanças no cinema impactaram a carreira de Prithviraj, cuja teatralidade e imponência eram mais adequadas aos grandes filmes mitológicos e históricos do que aos novos filmes sobre o homem simples e a vida comum. Com o passar dos anos, o ator passou a aceitar papéis em produções menores e personagens de importância reduzida para manter-se ativo.

A origem de tanta dedicação era o amor ao teatro: atuar em diversos filmes era o meio possível para manter sua companhia teatral, o Prithvi Theatres. A companhia foi criada em 1944 e viajava pelo país com diversas peças, envolvendo toda a família em todos os trabalhos. As peças da companhia tratavam de temas sociais importantes para a época. Deewar, por exemplo, ousou falar sobre a rivalidade entre as diferentes comunidades na época da Partição ao abordar uma família dividida entre dois irmãos que lutam pela mesma terra. Já em Pathan ficou ainda mais claro o apelo pela paz entre as diferentes comunidades religiosas por meio da história de duas famílias amigas, sendo uma hindu e a outra muçulmana. As peças eram construídas e discutidas com toda a equipe do teatro, em quem o sentimento de família era bem forte. Este clima era importante para Prithviraj, que valorizava muito a enorme e unida família Khanna, em cuja casa passou grandes períodos de sua infância. Ter perdido a mãe muito cedo trouxe a noção da importância da família e união, levando-o a não apenas ter uma família enorme, como também a receber muitas pessoas na casa da família Kapoor e até mesmo abrigá-las. A qualquer hora do dia era possível entrar no lar da família e desfrutar de um enorme banquete. Até hoje o amor pela comida é uma questão para os Kapoor, com os homens da família tendo fácil ganho de peso que impactou em suas carreiras.

Prithviraj em Mughal-E-Azam (1960)
Após os primeiros anos de muito sucesso, Prithviraj só voltou a experimentar o sucesso em personagens que fez mais tardiamente, como o imperador Akbar no clássico Mughal-E-Azam (1960). Seus últimos anos de carreira foram marcados por filmes pouco importantes em produtoras de baixo orçamento. Mesmo com Prithviraj sendo o pioneiro da família no mundo do cinema, o membro mais famoso e importante da família viria a ser seu filho mais velho. No próximo post da série  família Kapoor conheceremos a fundamental carreira de Raj Kapoor, uma das pedras fundamentais do cinema hindi.


Fontes para consulta:

Dawar, R. (2006). Bollywood: yesterday, today, tomorrow. Star Publications.

Jain, M. (2009). Kapoors: The First Family of Indian Cinema. Penguin UK.

Kapoor, R. & Iyer, M.(2017). Khullam Khulla: Rishi Kapoor Uncensored. HarperCollins.

The Kapoor Family Website. Disponível em: http://www.junglee.org.in/





BollywoodCast número 4 no ar! E desta vez temos um episódio muito especial porque recebemos nosso primeiro convidado: Pedro Custódio, nosso querido amigo antropólogo que conhecemos há mais de dez anos. Isa do blog Mania de Bolly, Pedro e eu discutimos a carreira do diretor Sanjay Leela Bhansali, passando por cada um de seus filmes e analisando as principais características do diretor. O papo ficou tão longo que o episódio será postado em duas partes. 

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Parte 2:

Spotify, Google Podcasts, YouTube, Download do episódio.



Filmes citados (clique no link para ler minhas resenhas):

Khamoshi: The Musical (1995)
Hum Dil De Chuke Sanam (1999)
Devdas (2002)
Black (2005)
Saawariya (2007)
Guzaarish (2010)
Goliyon Ki Rasleela: Ram-Leela (2013)
Bajirao Mastani (2015)
Padmaavat (2018)

Referências do Bhansali:

Mughal-E-Azam (1960). Música Pyar Kiya to Darna Kya.

Textos nossos para consulta:

Meu post da série Diretores sobre vida e obra do Bhansali
Post da Isa sobre as controvérsias por trás de Padmaavat
Resenha da Isa sobre Padmaavat 
Resenha da Isa sobre Ram-Leela
Nosso episódio de podcast sobre Bajirao Mastani

Entre as mulheres diretoras atuantes em Bollywood, Zoya Akhtar desponta como uma das mais notáveis. Sua filmografia, iniciada em 2009 com o não tão bem-sucedido e aclamado pela crítica Luck By Chance, atingiu novos patamares com os sucessos de Zindagi Na Milegi Dobara  e Dil Dhadakne Do. Seus filmes são caracterizados por dramas humanos trabalhados com sinceridade e foco no mundo interno de seus personagens em contraponto às pressões sociais sofridas. Desta forma a diretora consagrou-se por atingir o que poucos conseguem: aliar crítica social e emoções à estética do cinema comercial, presenteando-nos com entretenimento da mais pura qualidade. Entretanto, pesava sobre Zoya a fama de realizar filmes apenas sobre pessoas ricas e seus mundos de glamour, tédio e hipocrisia. Ficava a dúvida: teria ela a capacidade de falar sobre os dramas dos humanos de outras classes sociais? É o desafio que foi colocado na produção de Gully Boy.

Inspirado nas vidas dos rappers Naezy e Divine, Gully Boy conta a história de Murad (Ranveer Singh), um rapaz pobre com poucas perspectivas de vida além de formar-se na faculdade e obter um emprego melhor que o do pai, que trabalha como motorista. Murad é morador das favelas de Dharavi em Mumbai e divide seu tempo entre ouvir rap, namorar em segredo a estudante de Medicina Safeena (Alia Bhatt) e acompanhar os dramas de sua família com a entrada da segunda esposa de seu pai em casa. Após fazer amizade com o aspirante a rapper Sher (Siddhant Chaturvedi) e conhecer a cena do hip-hop de Mumbai, seus sonhos começam a se ampliar e o contato com a arte faz crescer em si o sonho de ser rapper.


As polarizações sociais são base da história. As primeiras oposições apresentadas vêm da tensão  entre as diferentes gerações e seus anseios: enquanto Safeena deseja sair, divertir-se e ter uma vida normal como a de qualquer jovem adulta, os pais da estudante privam sua liberdade e colocam diversas barreiras para que exerça seu direito de estudar. Outra tensão vem entre o conformismo da visão dos pais para a vida profissional de Murad e as inquietudes e sonhos que passam a guiá-lo, levando-o a desejar muito mais para sua vida do que apenas um emprego estável no qual saiba qual é seu lugar sem ousar desafiá-lo. Por último, a maior tensão social de todas: a luta de classes. Desde o início a pobreza é mostrada de forma real e caótica, com o cotidiano da favela aparecendo em toda a sua aglomeração de casas, pessoas e vidas. Todos moram grudados uns nos outros, espiam as vidas alheias e se intrometem nos assuntos uns dos outros. Os tons são terrosos e a cidade, barulhenta. São ambientes com pouco espaço para respirar ou sonhar, transformados em espaço de exotização da pobreza por turistas brancos e ricos. Ao assumir a função do pai como motorista de uma família rica, Murad passa a perceber de forma gutural a desigualdade social. Em contraponto ao seu lugar de origem, lá existe espaço e distância entre as pessoas.  Sente a humilhação de ser invisibilizado e tratado como um acessório sem aspirações ou futuro por seus empregadores. As cenas que mostram a construção desta percepção no personagem são ricas, com Zoya Akhtar mais uma vez fazendo o uso de espelhos como forma de representar o momento em que o mundo interno de um personagem é abalado por seu reflexo externo. É neste contexto que os temas sociais que compõem a música de Murad, o futuro Gully Boy, vão sendo delineados.


Antes do artista Gully Boy nascer, Murad e suas possibilidades já são enxergados por sua namorada de infância. Safeena é uma das personagens mais interessantes de Alia Bhatt. Tem uma garra interna para lutar por seus objetivos convivendo com ciúmes intensos do namorado e um temperamento explosivo. Não me lembro de ver uma personagem tão temperamental de Alia Bhatt, que conseguiu mantê-la realista e muito gostável, mesmo com os excessos cometidos pela personagem. A química entre ela e Ranveer tornou real a cumplicidade entre os personagens. Imagino que muitos jovens possam ter se sentido representados por toda a engenharia social necessária para manter seus encontros amorosos ocultos da família.

A criação do rapper dentro de Murad é a história real do filme, talvez diferenciando-o de outros filmes musicais biográficos em que por vezes o foco parece ser apenas mostrar episódios sucessivos no caminho da fama. Aqui acompanhamos a jornada do artista desde a tomada de consciência do lugar social que inspirará suas letras até o crescimento da confiança indispensável a quem deseja ser rapper. A dificuldade de Murad para participar das temidas batalhas de rap onde os adversários devem destruir a autoconfiança um do outro por meio de suas rimas não é estranha ao espectador, que está acompanhando seu desenvolvimento interno em busca da segurança para batalhar por um novo lugar no mundo. Esta jornada é brilhantemente transmitida pelas músicas, que por si só já fariam um belo filme. Zoya dirigiu brilhantemente cada clipe musical, transformando-os em testemunhos tanto da realidade de Murad quanto registros de sua evolução artística. É impossível não se inspirar pela esperançosa Apna Time Aayega, que insistentemente repete que nossa hora vai chegar, ou refletir sobre o mundo a partir da pobreza aparente em Doori. Ranveer Singh claramente teve uma entrega total ao personagem, que em nada se assemelha a papéis passados e também foge completamente à sua personalidade exuberante. É sempre prazeroso ver o crescimento artístico de um ator que tem tanto amor pelo ofício e que faz escolhas diversas e ousadas. A sua é possivelmente uma das construções de carreira mais brilhantes do cinema hindi em tempos recentes, com um filme envolvente e realista como Gully Boy sendo lançado pouco depois de um masala como Simmba. São escolhas de um artista disposto a conquistar público e crítica por meio de uma carreira sem espaço para zonas de conforto.


Porém Gully Boy não é só Ranveer. Além da já elogiada Alia Bhatt, que nunca me decepcionou (e nem espero que o faça), temos também um elenco coadjuvante de imenso talento. Siddhant Chaturvedi demonstrou confiança como Sher, o MC que desperta em Murad o desejo de ser rapper e acaba atuando como seu mentor. Foi sua estreia no cinema e espero que chegue longe. Kalki Koechkin é uma favorita pessoal com suas coadjuvantes divertidas e interessantes em filmes comerciais (como fez em Yeh Jawani Hai Dewani e Zindagi Na Milegi Dobara), mas gostaria de vê-la em papéis com mais tempo de cena e com espaço para profundidade emocional como acontece em seus filmes cults. Os atores que interpretaram a família de Murad também merecem destaque, em especial Vijay Raaz, intérprete do pai do protagonista. Sua cena em desespero tentando explicar ao filho que a subserviência foi aquilo que aprendeu e ensinou ao filho por entender que era a única forma de sobreviver foi tocante.


Parece que os meses de campanha promocional em que bravamente suportamos Ranveer Singh cantando raps em todos os lugares possíveis recompensaram. Gully Boy é um filme energético e repleto de uma esperança que não é de plástico. Arrisco dizer que este não é um filme sobre uma história pessoal de ascensão, mas sim sobre uma classe que tem sua humanidade diariamente negada. Temas pesados como desigualdade social, islamofobia, machismo, preconceito entre castas e violência doméstica foram abordados sem utilizar de tom professoral ou didático, mas como parte de um cotidiano tão emaranhado e barulhento quanto as vielas de Dharavi. Em seu tratamento delicado e dinâmico de tantos temas e subjetividades de diferentes personagens da classe baixa é possível notar a influência do trabalho de Mira Nair em Salaam Bombay! (1988) sobre a visão de Zoya, assumidamente fã da diretora. O que definitivamente não significa que Gully Boy não tenha personalidade própria. Foi um admirável salto criativo para uma diretora sensível e profundamente humana. Se havia alguma dúvida sobre o potencial de Zoya para contar histórias a partir de novas perspectivas, cada minuto de Gully Boy respondeu ao questionamento com louvor.

Poucas pessoas podem considerar a si mesmas como estrelas. Estrelas brilham e deixam um impacto em seu público. E se poucos são estrelas, menos ainda são superestrelas. Superstars estabelecem novos caminhos, inspiram legiões e deixam legados inapagáveis na história do cinema. Sridevi foi a primeira mulher a adquirir o status de superstar no cinema indiano. Em diversas línguas e indústrias de cinema, atingiu um status gigantesco em toda a Índia que é até hoje impensável para outros artistas.

Poompatta (1971)
Shree Amma Yanger Ayappan nasceu no estado indiano de Tamil Nadu em 1963 e teve um início de carreira precoce. Algumas fontes informam que seu primeiro filme foi aos quatro anos de idade, enquanto outras informam que foi aos cinco. Muitos afirmam que sua estreia se deu no filme Kandhan Karunai (1967) e outros, que foi em Thunaivan (1969). Ao longo de sua carreira atuou em várias línguas, como tâmil, telugu, kannada, malayalam e hindi. Seu talento foi reconhecido desde cedo e ganhou maior projeção ao receber o  prêmio de melhor atriz mirim do estado de Kerala pelo filme Poompatta, de 1971. Neste filme Sridevi viveu uma menina que perde a mãe e passa a sofrer maus-tratos ao ir morar com a amiga que a pega para criar.

Crescer em frente às câmeras não era exatamente o esperado de alguém com o temperamento de Sridevi. Tímida, introvertida e muito silenciosa, ela chegava ao estúdio acompanhada por sua mãe, gravava suas cenas e logo ia embora para casa. O mundo de intensa socialização e holofotes não combinava com sua personalidade. Sobre sua atípica infância, Sridevi declarou:"Eu perdi a vida de ir para escola e para a faculdade, mas entrei para a indústria do cinema e trabalhei sem pausa - de atriz infantil, fui direto para heroína. Não havia tempo para pensar e sou grata por isso. Para ganhar algo, você tem que perder algo. Não se pode ter tudo na vida. Então sou feliz pelo que consegui."


Thunaivan (1969)

O primeiro papel de heroína veio em Moondru Mudhichu (1976), estreando com ninguém menos que os aclamados Kamal Hassan e Rajinikanth, que viriam a se tornar parceiros constantes de cena. Ela tinha apenas 13 anos quando interpretou o interesse romântico disputado pelos protagonistas masculinos da história. Sridevi era como um interruptor: apesar de tímida e muito inocente, se iluminava imediatamente assim que ficava diante da câmera. Fazia muito bem e de imediato qualquer coisa que fosse exigida em cena, sendo reconhecida por seu profissionalismo e trabalho duro. Seu constante parceiro de cena, o também superstar Rajinikanth, a descreveu:

"Ela sempre foi uma pessoa quieta e infantil por trás da câmera. Mas quando a câmera ligava, ela se transformava em fogo. Como corrente elétrica, era assim que ela atuava. Ela nunca teve uma briga com ninguém nos sets. Eu me impressionei com seu sucesso em Bollywood sem saber uma única palavra em hindi. Ela era uma atriz nata."

Após uma carreira de enorme sucesso nas indústrias sulistas e muitas parcerias com Kamal Hassan e Rajinikanth, Sridevi fez sua estreia em Bollywood com Solva Sawan, em 1979. O filme era um remake de seu filme tâmil 16 Vayathinile, mas diferentemente do caminho seguido pelo original, a versão hindi foi fracasso de público e crítica.

Solwa Sawan (1979)
Mesmo com a estreia frustrada no cinema hindi, o sucesso continuava nas indústrias sulistas. Moondram Pirai surgiu neste período como um dos maiores marcos da carreira de Sridevi por seu papel dramático como uma jovem que sofre de amnésia e regride à infância. Sua atuação rendeu o prêmio de melhor atriz do estado de Tamil Nadu. Durante estes anos a atriz também foi agraciada com dois prêmios Filmfare do cinema sulista, por suas atuações em 16 Vayathinile e Meendum Kokila.

O sucesso na indústria hindi finalmente chegou em 1983 com Himmattwala. Sua parceria com Jeetendra, as danças e visuais do filme marcaram os anos 80. Graças a este sucesso Sridevi não desistiu de atuar em Bollywood, porém a atriz também reconheceu o impacto artístico do filme sobre os próximos anos de sua carreira. Ele fez com que o público não prestigiasse seu elogiado trabalho em Sadma (1983), remake de Moondram Pirai.

"Nos filmes tâmil, eles amam me ver atuar naturalmente. Mas nos filmes hindi eles querem muito glamour, riqueza e masala. Meu azar foi meu primeiro sucesso em filmes hindi ter sido um filme comercial."

Com Jeetendra em Himmatwala

Sridevi tornou-se o rosto mais importante dos anos 80. Após o sucesso de Tohfa em 1984, tornou-se a atriz número um da indústria. Seu par mais frequente foi Jeetendra, com quem contracenou impressionantes dezesseis vezes. Em 1986 interpretou o marcante papel principal de Nagina, no qual faz uma nagini (cobra que consegue assumir a forma humana) que busca vingança pela morte do marido. O parceiro de cena Rishi Kapoor disse que ela carregou o filme nas costas. O filme centrado na heroína a estabeleceu como a estrela que atraía as pessoas para o cinema independentemente de um herói, grande feito especialmente durante a difícil década de 80.

Nagina (1986)


Canções de comédia eram as favoritas de Sridevi, que tinha talento para o gênero. E foi nele que brilhou no icônico papel de uma jornalista divertida em Mr. India (1987), o primeiro grande filme de super-herói de Bollywood. Neste filme está presente sua sequência favorita da carreira, na qual imitou Charlie Chaplin. Sua canção cômica Hawa Hawaii tornou-se um clássico instantâneo, recebendo homenagem de Vidya Balan anos depois no filme Tumhari Sulu (2017).

Mr. India (1987)

Roubar a cena dos protagonistas homens ou fazer filmes focados em suas personagens seguiu sendo a especialidade de Sridevi. Em 1989, já estabelecida como a atriz mais bem paga da indústria, ela pôde mais uma vez mostrar sua versatilidade em Chaalbaaz, remake do clássico Seeta Aur Geeta (1972). Nele interpretou gêmeas separadas ao nascer, sendo uma tímida e submissa e a outra atrevida e vinda das ruas. A atuação rendeu seu primeiro Filmfare pelo trabalho em um filme hindi, momento que definiu como um dos mais inesquecíveis de sua vida. O sucesso mais uma vez foi certeiro e abriu portas para a maior consagração: ter o nome de sua personagem como título daquela que se tornaria uma das maiores referências para futuras heroínas de Bollywood.

Chaalbaaz (1989)

Yash Chopra definiu Sridevi como a mocinha dos sonhos de todos os indianos ao escalá-la como protagonista de Chandni (1989). Ela pôde mostrar diversas facetas de seu trabalho, tendo alguns momentos de comédia e belíssimas sequências de dança em meio à carga dramática da história de uma mulher cuja vida muda completamente após uma tragédia afastá-la do homem que amava. Mais que uma personagem, Yash Chopra e Sridevi construíram um conceito atemporal na figura de Chandni, personagem doce e celestial em suas vestes brancas. O figurino branco tornou-se uma febre na Índia e todas as meninas queriam copiar o "Chandni look". Yash Chopra discorreu sobre a personagem, o valor cobrado pela atriz e o processo de trabalho altamente focado de Sridevi:

"Com Mr. India e Nagina, o potencial foi tocado, mas ainda está em processo de ser explorado. Com Chandni, ela superou todas as minhas expectativas. Ela nunca foi fotografada com tanto amor. Ela usou de minissaias a sáris de todos os tons pastel possíveis. E não há estampas, nem bordados, nem riquezas em seus sáris. Ela não precisa disso; ela parece etérea em roupas simples. E daí que em termos de preço ela não fez nenhuma concessão?

Ela fala apenas sobre seu trabalho. Não é que ela seja rude com ninguém, mas também não é amigável. Eu sinto que ela está intensamente envolvida com sua família, sua mãe, sua irmã. Como atriz, ela tem essa capacidade de se infiltrar no papel. Ela mergulha completamente no papel. Quando a câmera está desligada, ela tem uma personalidade totalmente diferente, preocupada com suas próprias coisinhas. Mas quando a câmera é ligada, há uma transformação magnífica. Acho que ela consegue isso se desligando totalmente do mundo durante uma cena. Seu poder de concentração é feroz. Essa Chandni é luminosa, ela incendeia a tela!"
 

Chandni (1989)


Ambos voltaram a trabalhar juntos em Lamhe (1991), fracasso de público que atraiu mais elogios da crítica especializada para o trabalho de Sridevi. Os anos 90 não trouxeram grandes sucessos para a atriz, que seguiu tendo suas atuações apreciadas. Seu último trabalho no cinema antes de um período sabático de quinze anos foi Judaai (1997). Neste período Sridevi viu-se envolvida em um escândalo na sua vida pessoal, quando o produtor Boney Kapoor deixou a esposa e dois filhos para casar-se com Sridevi. Os dois tiveram duas filhas - a atriz Janhvi Kapoor e Khushi. Sridevi era uma mãe e esposa extremamente dedicada à família e muito próxima do marido e das filhas, cuidando até o último detalhe da estreia de Janhvi em Dhadak (2018), que infelizmente não conseguiu assistir. É comum atrizes em Bollywood deixarem a carreira após o casamento, porém o caso de Sridevi envolvia finalmente ter  a vida familiar tranquila que não conhecia desde a infância.

"Eu trabalho desde os quatro anos. Minha vida foi apenas gravações, estúdios e casa. Até o casamento e a maternidade, estive totalmente dedicada ao meu trabalho. Não via nada além disso. Eu fiz minha parte como atriz. Após o casamento, toda mulher quer se estabelecer e ter filhos. Eu não estou arrependida. Eu estava totalmente ocupada com o meu pequeno mundo, aproveitando cada experiência que surgiu no meu caminho."



"Casar e ter filhos foi uma experiência completamente diferente, e eu queria aproveitar cada momento - desde as minhas filhas dando os primeiros passos, até me chamarem de 'mamãe' e o primeiro dia na escola. Eu não queria perder nenhum momento das vidas delas. Aprecio a maneira como as mães que trabalham cuidam de seus filhos enquanto lidam com responsabilidades profissionais, mas senti que já havia feito o suficiente."

Lamhe (1991)

Em 2004 fez um breve retorno à atuação na novela Malini Iyer, protonizando a história de uma esposa do sul da Índia que tenta unir as tradições culturais da sua região às tradições nortistas do seu marido do Punjab. A experiência na televisão foi difícil para Sridevi por fazê-la passar longas horas longe das filhas pequenas. O esperado grande retorno ao cinema veio apenas em 2012. English Vinglish foi o filme definido por Sridevi para quebrar a pausa de quinze anos longe do seu público. A história escolhida refletiu sua sensibilidade para detectar boas histórias e também o momento de maturidade pessoal e profissional. No filme, sua personagem é uma dona de casa que redescobre sua autoestima e conquista o respeito da família que a subjuga e subestima ao secretamente aprender inglês. Sridevi soube aliar perfeitamente seu talento à uma percepção aguçada sobre os tempos atuais e novas possibilidades para atrizes no cinema:

"Eu sempre sigo meus instintos. Mais do que tudo, o personagem tem que me agradar. Não posso fazer coisas que fiz há 10 ou 20 anos atrás. Eu não vou mais me sentir confortável fazendo isso. Quero que minhas filhas tenham orgulho do que estou fazendo. Então, sim, obviamente, vou escolher filmes que tenham ótimas histórias e que não exijam que eu seja quem eu era anos atrás. Não faria sentido."

English Vinglish (2012)

O filme foi um sucesso de crítica e público, porém logo em seguida a atriz entrou em outro período de hiato. O último papel de Sridevi foi em Mom (2017), no qual interpretou uma mãe em busca de vingança após sua filha ser brutalmente estuprada. Mais uma vez ela conquistou todas as instâncias com seu trabalho. Por sua atuação, Sridevi recebeu postumamente o prêmio nacional de melhor atriz, que é considerada a premiação mais importante da Índia. Pela primeira vez o prêmio foi concedido postumamente.

Mom (2017)

Até o momento de sua trágica morte em fevereiro de 2018 por afogamento acidental em uma banheira de hotel, Sridevi pretendia nos presentear ainda mais com seu talento e amor ao cinema. Ela tinha planos de atuar em Kalank e estava especialmente investida no lançamento da filha Janhvi. Sua morte pegou a todos os fãs de cinema indiano desprevenidos e nos deixou devastados. Pudemos ver diversos artistas reconhecendo a profunda influência que Sridevi teve em suas carreiras, como Priyanka Chopra, que declarou:

"Ela foi a minha infância e uma das grandes razões pelas quais me tornei atriz. Referir-se a todos nós como meros fãs seria um desserviço para ela. Quando a notícia da sua morte foi divulgada, fiquei imobilizada. Tudo o que eu conseguia fazer era ouvir músicas de seus filmes, revisitar suas entrevistas e assistir suas cenas icônicas repetidas vezes. Eu sabia que não estava sozinha; milhões estavam sentindo aquela exata emoção de choque e perda. Sua conexão com o público era tão forte que cada um de nós tem memórias especiais ligadas a ela."

O legado dessa superestrela é inestimável. Em uma carreira de 50 anos que se confundem com seu próprio tempo de vida, ela deixou trezentos filmes em diversas línguas e de variados estilos, indo do mais comercial e glamouroso aos dramas simples e naturais com o mesmo brilhantismo e dedicação. Suas habilidades de dança encantaram gerações e seu estilo, espontaneidade em cena, disciplina e profissionalismo são marcos eternos aos quais artistas de gerações atuais e vindouras sempre irão aspirar. Que seu legado seja apreciado e honrado por artistas e fãs do cinema com a mesma paixão que Sridevi dedicou ao cinema.

É isso mesmo? Mais de 1 ano sem postar no blog, nação bollywoodiana! Foi excesso de trabalho, não falta de amor e muito menos de saudades. Então para retornar, nada melhor que me atualizar nas fofocas de Bollywood junto com vocês. Hoje tem possível separação, substituição, racismo e uma nova vida a caminho. Descubram o que aconteceu em Bolly!

Mais ação

O novo par romântico de Salman Khan está definido: Disha Patani será sua parceira de cena em Radhe. A grande diferença de idade chama a atenção, tendo Disha 27 anos e Salman 53.

O filme será dirigido por Prabudeva, que já trabalhou com Salman em Wanted. Randeep Hooda também está no elenco.


Fonte: Filmfare.

Batalha judicial

Sooraj Pancholi, condenado por incentivar o suicídio da atriz Jiah Khan, desabafou sobre as acusações e a difícil relação com a família da atriz, em especial sua mãe, Rabiya Khan:

"As pessoas que entraram com o processo contra mim não estão aparecendo no tribunal. Além disso, a mídia criou uma percepção de que eu sou um cara mau, sem conhecer os fatos. Se eu vou ao tribunal todas as vezes e os queixosos não comparecem ao julgamento, isso é uma resposta não apenas ao tribunal, mas também às pessoas que pensam que eu sou o cara mau.

Eu era jovem. Eu nem sabia o que estava acontecendo. Não estou dizendo que sou inocente. Diga, se eu sou o cara mau, se eu sou a pior pessoa, então por que você não aparece no tribunal? Faz sete anos. Só porque você possui um passaporte britânico, acha que pode fazer tudo?

Você não está apenas arruinando a vida de uma pessoa, mas também uma família. Isso é muito injusto. Peço a Deus que isso termine logo, porque não tenho tempo para sentar e esperar. Na história da Índia, sou a única pessoa que pediu pediu por favor para ter seu julgamento. Ninguém, nenhum acusado diz isso. O tribunal também está pronto, mas meu julgamento ainda não começou."

Com sua carreira afetada e notícias ruins saindo a todo tempo devido ao seu envolvimento no caso de Jiah Khan, ele espera pelo julgamento para seguir com sua vida.

“Eu só quero que a verdade saia e a mídia não pode me dar isso. A mídia não pode me fazer justiça, apenas o tribunal pode me dar isso. Então, eu estava esperando o tribunal tomar a decisão e muito tempo se passou. Esta é a minha carreira, meu ganha-pão. Então eu tenho que falar, porque o que está acontecendo está errado. ”

O ator não teve nenhum outro filme desde sua estreia em 2015 com Hero. Seu segundo filme estreará este mês e é um drama de ação intitulado Satellite Shankar, no qual interpreta um soldado.



Fonte: Hindustan Times.

Mamãe

Esta é nova para mim, e uma nova bem feliz: Kalki Koechlin está grávida de seis meses! A atriz espera um bebê de seu namorado, Guy Hershberg. Ter um filho fora do casamento ainda é uma questão na Índia, mas Kalki afirma que suas vizinhas e pessoas próximas tem sido apoiadoras e queridas. Entretanto, a internet não é tão amigável:

"Aconteceu algum nível de trollagem, como 'Onde está o marido? Como você pode fazer isso? Não use roupas apertadas'. Tudo isso acontece, mas como também ocorre quando você não está grávida...tudo bem. As pessoas têm seus pontos de vista ”


Fonte: Hindustan Times.

A dupla que nós precisávamos e nem sabíamos

Katrina Kaif e Vidya Balan podem fazer um filme juntas pela primeira vez. Ainda não se sabe muito sobre a história, mas seria protagonizada pelas duas e seria de ação e comédia. O melhor filme de todos pode estar nascendo com meu sonho de ver um filme de ação protagonizado por Kat? Vamos aguardar e torcer.

Fonte: Miss Malini.

Separação?

Há rumores de um possível divórcio entre Imran Khan e sua esposa Avantika Malik. Os rumores ficaram ainda mais fortes após Avantika compartilhar nos stories do Instagram uma imagem que dizia:

"Às vezes, você precisa se afastar. Você precisa olhar para as coisas para as quais está dando energia e perceber que, embora possa ficar, e tentar obter a aprovação deles ou tentar estar à altura deles, você também pode fazer a corajosa escolha de levar toda a energia que ainda resta para um espaço que lhe acolha. Você ainda pode precisar ir embora, confiando que há muito mais à sua frente."


É de fato uma mensagem bastante sugestiva para quem tem rumores de divórcio na mídia. A mãe de Avantika negou o divórcio e declarou que existem diferenças que serão resolvidas entre eles. Enquanto isso, Avantika retirou o Khan de seu nome no Instagram. O casal está junto desde 2011 e tem uma filha de 5 anos, Imara.

Fontes: India Today, Hindustan Times.

Mitológica

O próximo filme de Deepika Padukone será um reconto do épico Mahabharata segundo o ponto de vista de Draupadi, a personagem feminina mais importante da história. A história será dividida em duas partes, com a primeira chegando aos cinemas em 2021. Nas palavras de Deepika:

"Todos conhecemos o Mahabharata por suas histórias mitológicas e influência sociocultural. Derivamos muitas lições de vida do épico. Mas a narrativa com a qual estamos mais familiarizados é a dos protagonistas homens do épico. Essa nova perspectiva será não apenas interessante, mas também significativa."

Estou oficialmente animada.

Fonte: Miss Malini.

Substituída

Eu me lembrava de Shradhha Kapoor interpretando a jogadora de badminton Saina Nehwal na biografia da atleta e fiquei confusa vendo Parineeti Chopra viajando para encontrar Saina e fazer laboratório para o filme. Parece que Shraddha ficou doente e retomaria as filmagens em abril, com alguns sites dizendo que ela pediu para deixar o filme por problemas de agenda. Entretanto me lembro de há muito tempo ler notícias informando que o desempenho de Shradhha não estava agradando e que ela não havia conseguido viver bem a personagem. Acredito muito mais nesta hipótese, pois as gravações estavam em andamento há tempos, Shraddha já havia treinado bastante e nesta foto podemos ver que o trabalho estava adiantado:


Pari já está treinando e tudo voltou ao início. Espero que seja um sucesso para a nossa fada injustiçada da atuação.


Fontes: Times of India, Hindustan Times

Humilde

E por falar em Shraddha Kapoor, a internet ficou encantada com seu carinho e humildade ao postar uma foto em homenagem ao aniversário de seu segurança, Atul Kamble. A atriz escreveu:


"Feliz aniversário para uma das pessoas mais importantes e maravilhosas da minha vida. Obrigado por sempre me manter a salvo. Atul, tenho sorte por ter alguém como você em minha vida. Que você tenha felicidade, paz e tudo o que quiser!

Fonte: Pinkvilla.


Inverdades

Akshay Kumar não gostou das alegações de que os bons números de bilheteria de seu filme Housefull 4 foram inflados e não correspondiam à realidade.

"Existe um estúdio chamado Fox Star Studios (envolvido no filme). Tem grande credibilidade. É uma empresa corporativa. É de Los Angeles. Não é possível. Devemos usar nossos cérebros. Eles fazem filmes de milhões e milhões de dólares e, para eles, um aumento (em números) de três ou cinco não significa nada. Então, vamos falar coisas que façam sentido."

Pelo amor de deus, saia daí, Kriti Sanon

Como sempre ocorre com seus filmes de comédia, os críticos não apreciaram Housefull 4. Akshay refletiu sobre a relação da crítica com filmes comerciais de comédia.

"É muito difícil fazer uma comédia física em que é preciso manter a lógica distante - a comédia física é especialmente difícil. Na época, Charlie Chaplin costumava fazer isso sem diálogos. Ele costumava nos fazer rir. Eu te digo, é a atuação mais difícil de fazer. Não sei por que esse gênero não recebe o devido crédito. Estou tentando encontrar uma resposta há 30 anos. Até conversei com pessoas que dão prêmios sobre por que as comédias não são celebradas. Todos pensam que é muito fácil fazer comédia, mas, como continuamos dizendo, escrever e interpretar qualquer gênero de comédia é muito difícil."

Como a grande fã do primeiro Housefull e da série Golmaal que sou, tenho que concordar com Akshay. Não é todo mundo que consegue fazer o outro rir, mas por sua vez geralmente os comediantes também são bons atores dramáticos.

Fonte: Pinkvilla.
 
Batalhador


Nem todo mundo de Bollywood é filho de alguém e começa sua carreira com papel de protagonista aos 18 anos. Rajkummar Rao é uma das exceções e relembrou sua difícil jornada até o sucesso:

"Minha luta começou em Délhi. Eu venho de Gurgaon e costumava viajar em ônibus muito lotados ou às vezes pedalava de Gurgaon a Mandi House e para o teatro. Minha luta começou a partir daí. Quando eu cheguei a Bombaim, por dois anos conheci muitas pessoas e sofri muitas rejeições. Não foi um caminho fácil."

Raju é muito grato por poder viver de arte, mesmo com os impactos na vida pessoal. Ela namora a também atriz Patralekhaaa.

"Estou muito feliz. Há tantas pessoas por aí que querem fazer o que estou fazendo. Então, quando tenho a chance de viver meu sonho todos os dias, não há saturação. Eu amo isso.

Eu gostaria de poder dar mais tempo à minha vida pessoal, mas tenho algumas pessoas realmente compreensivas e elas sabem que todos nós viemos à cidade para fazer isso. Você precisa ter um entendimento com seus amigos e entes queridos. "

Fonte: Pinkvilla.

Gostosuras ou travessuras?

Sonam Kapoor e o marido Anand Ahuja zeraram o joguinho do Halloween e se vestiram como Anarkali e Príncipe Salim, personagens de Madhubala e Dilip Kumar na épica história de amor do filme Mughal-E-Azam.


Fonte: India Today. 

Racismo

Que a Índia tem sérias questões com racismo e isso influencia em baixa representação de atores com peles escuras, não é novidade. A atriz Bhumi Pednekar está no filme Bala, em que Ayushmann Khurrana vive um homem calvo e ela, uma mulher de pele escura que sofre preconceito por isso. O problema? Em vez de contratarem uma atriz com a pele mais escura, a produção optou por escurecer a pele de Bhumi no pôster de divulgação, que a traz segurando os infames cremes clareadores.


O escurecimento da pele da atriz trouxe muitas críticas. Bhumi preferiu focar na mensagem que deseja passar com a história:

"Existe uma obsessão pela pele clara. Como atriz, sinto que tenho poder suficiente para que as pessoas nos escutem. É a mídia visual de maior alcance para as pessoas em nosso país e quero fazer o meu melhor para combater o preconceito com isso. Este é o meu serviço para a minha sociedade ".

A crítica de cinema Namrata Joshi refletiu sobre o problema:

"Tem a ver com a forma como os indianos consideram a pele clara como bonita. É por isso que você não encontra grandes estrelas de pele escura. Diante disso, o que você faz quando se trata de interpretar personagens de pele escura, mas usa essa maquiagem?"

Nandita Das, atriz e diretora, comentou sobre o racismo no cotidiano da indústria:

"De maneiras tanto sutis quanto claras, geralmente ouvimos coisas como 'a pele dela é limpa', um eufemismo para pele clara, como se a pele escura fosse suja.

Nos grandes filmes comerciais, se você tem pele escura, é mais considerada para o papel de uma mulher da aldeia ou de moradora de favela. Mas um personagem urbano rico deve sempre ter pele clara." 


Fontes: The Straits Times, The Pioneer.
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"DEEWANEANDO"?

Devanear = divagar, imaginar, fantasiar. Deewani = louca, maluca. Deewaneando = pensar aleatória e loucamente sobre cinema indiano.

Meu nome é Carol e sou a maior bollynerd que você vai conhecer! O Deewaneando existe desde 2010 e guarda todo o meu amor pelo cinema indiano, especialmente Bollywood - o cinema hindi. Dos filmes antigos aos mais recentes, aqui e no Bollywoodcast, seguirei devaneando sobre Bollywood.

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