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Jab We Met foi um dos meus primeiros filmes indianos. Tenho um carinho especial por tudo o que vi naquele tempo, mas este é um dos mais especiais por ter dado início à minha admiração pelo Shahid Kapoor. Acreditem, não sou a pessoa mais romântica do mundo, mas até que eu era bastante na época (sweet 17) e rapidamente me apaixonei pelo Aditya. Certo, "mas o Shahid é bonito, qualquer uma se apaixona por ele!", podem dizer. Ah, isto é verdade. Só que realmente gosto de sua atuação. É um meio-termo muito digno: não exagera como o Shahrukh e não parece desanimado como o Imran Khan. 

É claro que não foi sempre assim. Seus primeiros filmes são uma coisa muito triste de ver, creiam. E sou daquelas fãs reclamonas, então não tenham dúvidas quando falo que são pavorosos. Gosto de ver o crescimento que ele teve, é espetacular! Ainda assim, não gosto de metade (ou mais que isso) de seus filmes. Nem toda a beleza do mundo me fará engolir a bobagem sem brilho que é Kismat Konnection, por exemplo. Como fã dele, costumo ser mais surpreendida negativa do que positivamente por suas escolhas de trabalho. Mas sigo firme porque com exceção de um ou outro Dil Bole Hadippa! da vida, ele se sai bem mesmo dentro de projetos ruins, como o desnecessário Paathshaala.

O post de hoje é para celebrar a alegria que o Sr. Kapoor traz à minha vida. Selecionei dez clipes que podem não ser aqueles em que dança melhor ou os mais famosos, mas trazem um sorriso ao meu rosto e fazem parte da minha vida. Não estão em ordem de favoritismo!

1) Tum Se Hi (Jab We Met, 2007)

Ele parece tão sereno neste clipe! Além de a música ser muito bonita, mostra a transição do Aditya de mocinho magoado para homem alegre. Gosto como ele vê a Geet por todo lugar, de como o vemos tomando-a como inspiração para ser feliz, do olhar carinhoso do Shahid e da bela voz do Mohit Chauhan embalando tudo. E não é comovente a cena do casal na chuva? Nos meus românticos 17 anos, chorei a lot. Nos reflexivos (cóf!) 20, mesma reação, estou mais contida.

É lindo quando ela o acorda! Quanto mais bagunçado os cabelos dele, mais gosto. Certo, chega. Idade mental caindo em 5, 4, 3...


2) Yaba Daba Yahoo (Chance Pe Dance, 2010)

Às vezes sinto que esse clipe força demais uma fofura, mas não tenho como resistir a Shahid dançando o passinho do "estamos nos afogando, tapem o nariz" com um bando de crianças. A música é divertida e o visual gatinhos dos anos 50 de todos só a deixa mais legal.



3) Aye Khuda (Paathshaala, 2010)

Mal me lembro do Shahid neste clipe. O que importa é a música, tão doce! E a Ayesha Takia, de quem gosto muito, com muito vento na cabeleira.

Alguém nota uma preferência por clipes com crianças aqui, hein?



Melhor comentário de todos: "some of the fakest kids i have ever seen".


4) 24x 7 (36 China Town, 2006)

O nome da música já a faz valer a pena. Depois vem o refrão chiclete "24 x 7 I think of you". Shahid e Kareena parecem estar se aproveitando da loucura de quem projetou o clipe para tirar a maior diversão possível da experiência! Eu definitivamente adoraria entrar num voo e ter aqueles dois como parte da tripulação. Dos óculos escuros na neve até o Rei Shahid e a Rainha Bebo cercados por militares dançantes, é puro entretenimento nonsense.



5) Hamari Shaadi Mein (Vivah, 2006)

Prem fazendo a maior bagunça no avião e tratando toda e qualquer mulher como Poonam, sua noiva! A música é ótima e é um dos momentos mais divertidos tanto dele quanto da Amrita no filme.



6) Mauja Hi Mauja (Jab We Met, 2007)

É por esta música que até hoje associo a voz do Mika Singh ao Shahid. Em meio a todas aquelas dançarinas e luzes, pode-se ver o ótimo dançarino que o nosso aniversariante é.

Só eu sei o quanto fazia essa coreografia pela casa lá pelos idos de 2009. Infelizmente, estou longe de ter os pés mágicos de Vyjayanthi e o que saía era uma coisa muito estranha.



7) Sajh Dhaj Ke (Mausam, 2011)

Música no Punjab. Sobre o Punjab. É tudo o que gosto e um pouco mais.

Como não vejo clipes antes dos filmes, passei meses apenas ouvindo a música e imaginando como seria o clipe a partir de uma única imagem que vi dele. Quando chegou a hora, era muito melhor do que sonhava. Tinha as cores já esperadas, mas a letra era engraçada! Bom humor no Punjab - pouco pode ser melhor que isto. Pena que o resto do filme estragou o que estava ótimo.



8) Dhan Te Nan  (Kaminey, 2009)

Eles estão loucos, eles estão com dinheiro, eles tem o poder, a noite é deles, eles querem curtir a vida! Eles são os reis do mundo!



Kaminey é um daqueles poucos filmes do Shahid que são excelentes do início ao fim.

9) Fatak (Kaminey, 2009)

Ao ver um filme indiano, não se espera que a música de abertura seja um pedido de conscientização em relação à AIDS. Valeu muito a pena. Já notaram como as trilhas dos filmes do Vishal Bhardwaj são boas? Fatak tem um ritmo incrível!

"E quanto ao Shahid, Carol?". Sério, não ficarei repetindo que ele estava ótimo. Essa é a ideia da lista, oras. E Kaminey foi um dos melhores filmes que já fez.



10) Soniye (Kismat Konnection, 2008)

Esta talvez seja a música que mais gosto na trilha, que até hoje não entendo que encanto exerce sobre mim. Shahid e Vidya estão agradáveis no clipe, que por algum motivo me lembra clipes de filmes do começo dos anos 2000, como Mujhse Dosti Karoge. São clipes que não tem competência para se tornarem clássicos, mas conseguem agradar com uma musiquinha alegre e um pouco de cores. Típico clipe NRI.



Que o moço aniversariante tenha uma vida muito feliz e cresça em sua carreira, pois poucos tem talentos como os dele na indústria - dança e atua muito bem, o que é mais raro do que parece. Feliz aniversário para o Shahid Kapoor! 
Anushka de visual novo.


Numa época em que eu não esperava mais nada de bom de Bollywood, Band Baaja Baarat veio salvar minha vida. Tudo incrível e mágico, até começarem a anunciar que o segundo filme do Ranveer Singh seria com a mesma heroína. O mesmo diretor. Na mesma produtora. Como uma pessoa que cansa rápido de casais repetidos (Rishi e Neetu, isso não foi pra vocês!), minha expectativa não ficou das melhores.

O filme foi dirigido pelo Maneesh Sharma e nos apresenta Ranveer Singh com um personagem todo especial: um rapaz que vive de aplicar golpes para tirar dinheiro de mulheres. A história nos conta sobre como enganou Dimple (Parineeti Chopra), Raina (Dipannita Sharma) e Saira (Aditi Sharma). Dimple é uma garota animada e muito extrovertida que realmente estava gostando de Sunny Singh. Raina é uma profissional competente que é enganada pelo artista Dev Shah e compra a cópia de um quadro caríssimo. Já Saira é uma jovem viúva cujos sogros queriam que fosse novamente feliz, pagando caro ao comerciante Iqbal Khan por tecidos para que ele mantivesse o vínculo com a família. Preciso dizer que todos são o mesmo rapaz, Ricky Bahl?

Quando Raina aparece na TV falando sobre um homem tê-la feito de boba, as outras duas entram em contato com ela e descobrem que foram vítimas do mesmo malandro. Decidem agir juntas para encontrá-lo e reaverem seu dinheiro. Para tanto, armam um plano usando o que mais o atrai: uma menina rica querendo gastar seu dinheiro. No maior estilo CIA que parece dominar as ações de todo o mundo que quer saber sobre algo no filme, descobrem seu paradeiro. Como isca contratam Ishika (Anushka Sharma, como tem Sharma nesse filme!), uma vendedora que sabe enganar muito bem e vai se passar pela filha de um milionário disposta a gastar milhões de dólares na construção de um restaurante. Obviamente, os dois começam a se apaixonar e o plano fica ameaçado. 


Meu primeiro problema com o filme foi o próprio Ricky Bahl. Gosto do Ranveer Singh, mas não o vejo como esse prodígio todo que muitos veem. Até mesmo em Band Baaja Baaraat faltou bastante para ele me marcar totalmente. Em Ladies, era hilário o quanto focavam em seu corpo desenvolvido para demonstrar o quanto ele era um...hum...homem fatal? Ainda o vejo o como um moleque, então nem todas as cenas sem camisa do mundo me fizeram crer nesse poder de sedução todo. Entretanto, ele estava divertido na duas primeiras histórias, da Dimple e da Raina. Tanto ele quanto a Parineeti parecem ter  um bom potencial para comédia, então seria bom vê-los juntos mais vezes.

As três moças foram ótimas, arrisco até dizer que o melhor do filme. O que mais me encantou foi serem três mulheres com histórias, tradições e estilos diferentes - Dimple é uma moleca espalhafatosa, Raina é uma mulher séria e elegante, enquanto Saira é tímida e quieta. Mesmo com toda esta bagunça, as três se uniram pelo objetivo de obter justiça e a amizade que construíram foi muito convincente! Duas necessidades minhas em relação a Bollywood foram atendidas: uma história de mulheres com personalidades diferentes convivendo bem e uma boa história de amizade feminina. É certo que sua união se deu por causa de um homem, mas elas me pareciam mais estar buscando justiça do que vingança, o que é bem legal. Poder feminino, olha aí! A segunda parte do filme foi dominada pelas três, o que foi bom por serem boas e ruim por ter sufocado o Ricky Bahl.  A partir do momento em que o plano delas entrou em ação, passamos a vê-lo pelo olhar delas. Não ficamos sabendo o que ele pensa, como vem agindo, qual é seu passado, nada. Daí quando ele entra numa onda boazinha, não soa lá muito justificado porque não sabemos quem ele é de verdade.

Minha nova Chopra favorita e a
linda da Aditi  ♥
Parineeti Chopra foi uma grata surpresa como a louca Dimple. Ela é prima da Priyanka Chopra, o que me fazia imaginar que ficaria presa à imagem da prima mais famosa, mas essa menina tem um brilho próprio e acredito que vá longe caso faça bons segundo e terceiro filmes (sorte para Ishaqzaade!). Dipannita Sharma também estava bem em seu papel mais sério, mas gostei mesmo da Aditi Sharma. Sua comportada e decidida Saira tinha algo de encantador em seus olhares, gestos e tom de voz. Fiquei com a impressão de conhecê-la de algum lugar e de já ter gostado dela antes. Ao pesquisar, descobri que fez a Rajjo de Mausam. Foi a mesma situação do outro filme: adorei o pouco que fez e queria tê-la visto por mais tempo. Houve uma coisa rápida na história da Saira que captou minha atenção e me agradou muito: viúva, foi incentivada pelo sogro a seguir sua vontade e ele se preocupava com sua felicidade, desejando que refizesse sua vida e encontrasse um novo amor. Isto está bem longe daquela ideia aradhanadiana de dedicação eterna à uma lembrança, não? Gostei muito.

E aí vem a...Anushka. Me parte o coração dizer isto, mas ela estava irritante. Pode ser que eu esteja me cansando da sua persona hiperativa. Quando surgiu na tela em Jazba e vi que lá vinha mais Shruti-Simran, fiquei desanimada. Ela foi tão desperdiçada neste filme! E o pior foi que sua personagem entrou para trazer a parte piegas que deixou a história ruim. Logo lembrei de outro filme dela que também me decepcionou, Badmaash Company (2010). Nem todo filme consegue ter um clima Don e se aproveitar da história de trapaceiros para criar algo estimulante. Tanto Ladies quanto Badmaash repentinamente ficam piegas e moralistas. É bom trapacear? Jamais. Mas se pegar aquilo e fizer uma comédia em cima, talvez fique mais legal. O resultado provavelmente seria melhor do que este.


Triste ver a falta de química entre Ranveer e Anushka. Olhando, sentia que os dois nem queriam estar perto um do outro (será que estou exagerando?). A cena final doeu, parecia que o Ricky falaria a um poste com a mesma emoção que usava para falar com a Ishika. Não sei o que aconteceu com esses dois, mas tenho dois palpites: as brigas noticiadas entre os dois são verdadeiras e esse roteiro não ajudou muito. O IMDB diz que a história é do Aditya Chopra, o que explica muita coisa. Pessoal, deixe tudo com o Habib Faisal e o Maneesh Sharma, fica a dica. Com o senhor Aditya, o que temos é uma cena enorme da Anushka de biquíni (sério, pra que?).

A fotografia do filme deveria ser linda, mas me incomodou. Uma coisa são cores quentes, mas aquelas cores estavam mais queimando do que qualquer coisa. Tiraram muito da naturalidade que a história poderia ter. As músicas poderiam salvar, mas as letras são péssimas. Jazba foi responsável por eu pela primeira vez achar que estavam exagerando no vento nos cabelos. Acho que nunca vou perdoar este filme por isto. Me tirem a vida, me tirem a alma, mas não me tirem minha diversão com as cenas de vento nos cabelos.

Continuo adorando essa moça, apesar desse furacão todo nos cabelos.

Aadat Se Majboor é minha música favorita pela sonoridade, mas não imaginei que fosse a música do Ricky contando suas trapaças. Thug Le é um absurdo, só digo isto. As letras são do Amitabh Bhattacharya (que pensei que só cantasse) e não sei se estou decepcionada com ele ou com esses filmes "jovens", que andam sendo repletos de letras horrendas.

Este filme é uma confusão, boa em algumas coisas e péssima em várias. Parece que não sabiam que tipo de filme queriam fazer e saíram jogando elementos ao acaso. É muito melhor que um lixo como Luv Ka The End e pior que uma obra-prima como Band Baaja Baaraat, ou seja: dá para assistir, mas fiquei bem longe de me apaixonar. Aumentou minha descrença numa melhora da Yash Raj, que havia diminuído com Band Baaja Baaraat - é, falo o tempo todo deste filme (em breve escreverei sobre). Minha sorte foi não ter esperado muita coisa desse tal Ricky Bahl.

Obrigada por salvarem o filme :)
Estava com vontade de falar sobre um filme aleatório e menos especial do que os últimos sobre os quais escrevi. Deewaar, Arth, Junglee...este último trio é composto de filmes sensacionais, mas também muito difíceis de comentar. Hoje eu queria um pouco mais de facilidade: apenas sentar, digitar e não me preocupar muito. Para tanto, é muito bom um dos antigos filmes do Abhishek Bachchan!

Dirigido por Jeeva, este é o único filme Hindi do diretor. Conta a história de Siddhart, um estudante que passa a morar na casa da sua irmã Shivani (Ayesha Jhulka) e seu cunhado Rajeev (Mukesh Rishi) quando passa a estudar em uma universidade de Délhi. Ele se apaixona à primeira vista (zzzZZzzz) por Jhanvi (Bhumika Chawla) , mas tem que lidar com a violenta oposição de seu irmão, Ganpat (Mahesh Manjrekar).

É uma confusão. Sidhu nunca falou com a moça e logo se apaixonou por ela, provavelmente por tê-la achado muito bonita. Mas ele entra num clima stalker à la Dil Se, não aceitando que talvez ela não esteja interessada. Até aí é manejável. Isto é Bollywood, não há lugar melhor para se contar uma história em que a mocinha fica distante e suspirosa enquanto o herói sonha com ela à distância. É então que vem o:

Problema 1
Abhishek + Bhumika = tédio


Sei que a foto é adorável, mas a coisa NÃO é assim.

Jhanvi não diz nada e não consegue ser nenhuma Poonam para me cativar mesmo no silêncio. E neste filme, o Abhishek Bachchan é um dos piores heróis românticos que já vi. Ele não é um daqueles atores que conseguem sustentar sozinhos uma cena romântica idealizada - como aquelas de lembrar da amada sorrindo mesmo que ela não tenha dito nada. A junção destes dois seres apáticos me deixou em profundo estado de coma tédio. Uma boa parte do filme se passa neste amor tão estimulante quanto o BBB12 e pensei que não poderia ficar pior. Foi então que veio o:

Problema 2
As pessoas viraram do avesso...do nada!


Esta é a cara de mau dele para lutar. Aulas de dishoom, precisamos.

Sidhu era um bom menino sem nada muito especial. Repentinamente vira um herói masala que consegue bater em dez homens sozinho, fazendo-os correr de medo em seguida. A situação foi tão inesperada que comecei a rir. Não há absolutamente nada no roteiro que nos leve a imaginar que havia toda aquela força escondida nele, o rapaz até havia apanhado no dia anterior. Além disto, o Abhishek não convence na ação. Acredito que dois fatores poderiam ajudar a aliviar isto: um roteiro melhor que o desse filme e frases de efeito. Nada disto estava a favor do Abhi. Pensei até que o fato de ele ser magrinho interferisse, mas o Amitabh também era magro e arrasava nas lutas. Certo, vou parar com este momento tiazinha chata de ficar comparando pai e filho.

Entretanto, esta nem foi a pior mudança. Sabem quando Jhanvi passou a gostar de Sidhu? Quando ele foi à sua casa e ameaçou sua sobrinha com uma faca para que o irmão dela não fizesse mal à sua família. Para mim, isto não prova coragem alguma. Os meus heróis indianos jamais colocariam em risco a vida de pessoas inocentes, especialmente criancinhas! Voltando à chata da Jhanvi, como uma pessoa que não dá a mínima para a outra muda de ideia quando a última diz que vai matar sua amada família? Pode até existir gente assim, mas precisa mesmo ser a heroína do meu filme?

"Ameaça à crianças é afrodisíaco", declara Jhanvi ao Deewaneando.

Problema 3
Comédia horrível

<Insira aqui uma piada>

Ganesh (Vijay Raaz), amigo de Sidhu, é o responsável pela comédia da história. Antes não fosse e cortassem meia hora de filme. O rapaz foi atrás do amigo e se perdeu na cidade grande, passando por situações hilárias como ter um órgão roubado, ser jogado em um filme pornô e tomar banho num rio poluído. O rapaz grita a cada frase. Pelo amor de Johnny Walker, não preciso disso.

Não posso culpar apenas o rapaz pelo fracasso da comédia. O cunhado de Sidhu também deveria fazer umas gracinhas com a sua seriedade, mas a única coisa minimamente engraçada era minha cisma de que ele parecia uma versão do Akshay Kumar menos trabalhada na academia.



Problema 4
Pior. Trilha. Da. História.

Claro que estou exagerando, mas foi esta minha sensação a cada vez que vinha um clipe ruim depois de uma cena péssima, o que pode resumir o filme. Tenho forte vergonha de clipes praianos (isto existe?) de Bolly no início dos anos 2000, coisa que há neste filme. O único clipe que valeu a pena foi o de Sarki Chunariya Re Zara Zara, que, por sinal, foi o que me levou a saber do filme. A troca de roupas e dinâmica do vídeo é mais interessante que a coreografia, mas vale a pena olhar.


Comigo, vídeos são a última esperança de salvação caso não esteja gostando do filme. Há filmes quase insuportáveis dos quais tenho boas lembranças graças aos clipes, Tees Maar Khan é o melhor exemplo. Ainda paciente, vi só a metade do filme em um dia e deixei o resto para o outro, pois poderia ser que meu humor estivesse ruim. Não adiantou. Um dia depois, vinte minutos de filme e eu estava entediada como no dia anterior. Run é tão desanimador que conseguiu dois feitos incríveis: tirar a graça que eu tinha em ler "Bhumika Chawla" (soa bem) e me fazer não querer ver o original tâmil, com o Madhavan (!). Talvez o tempo faça o filme parecer melhor, mas por enquanto acho difícil. Meu arrependimento foi não ter corrido para as colinas enquanto podia.
Eu não era muito fã do Shammi Kapoor. Falei aqui que um dia explicaria o "Pacto Shammi" e a hora chegou. Pois bem, o Pacto Shammi foi um acordo que eu havia feito com o Shammi enquanto assistia a Kashmir Ki Kali (1964), se não me engano. Ele me irritava com todos aqueles pulos, caras e bocas, mas ainda assim eu conseguia sair bem de seus filmes porque me concentrava só nas coisas boas dele: o modo sensacional como cantava as músicas do Rafi, seu dinamismo, seu jeito engraçado. Eu não o deixava me incomodar e ele não me incomodava. Entretanto, comecei este relato dizendo que eu não era fã dele, no passado. Junglee chegou na minha vida e não trouxe nada de diferente do que eu já havia visto do Shammi ji, mas foi isto que modificou tudo. Vi que seria sempre daquele jeito e que isto não era necessariamente ruim. Então finalmente entendi a função do Shammi Kapoor na minha vida: me fazer sorrir. Nossa relação não funcionava enquanto eu cobrava que ele me emocionasse e tomasse conta de todos os meus sentidos, como tão bem faz seu sobrinho Rishi. Enquanto isto, aquele homem alto de olhos verdes estava tentando me colocar para dançar e eu não percebia. Eu só precisava me divertir.

Para mim é importante tentar passar como me sinto em relação a atores que vejo tão constantemente. Esta breve explicação sobre o Shammi na minha vida foi mais importante ainda porque ele faleceu há pouco tempo. Como foi o primeiro falecimento que "presenciei" no cinema indiano, me deixou um pouco impressionada. Espero que ele tenha tido uma boa vida e fico feliz por fazer parte do grupo de pessoas que tem acesso a seu trabalho.

Agora...

YAAAAAAHOO!


Junglee é um filme bem simples, divertido e o melhor de tudo: muito colorido! Não consigo resistir às cores, então esta postagem terá tantas imagens que será como se eu estivesse revendo o filme.

Shekhar (Shammi) tem uma mamãe muito controladora, interpretada pela minha querida Lalita Pawar. Viúva e fiel à memória do marido, ela não deixa de manter sua família na linha e cumprindo à regra que ele impôs em vida: em sua família, ninguém deve sorrir. Sorrir é para os fracos! Por sorte, seu mal-humorado filho segue muito bem a tradição paterna.


Lalitinha: muito digna.


Entretanto, toda família tem seu ovo podre (?). Mala (Shashikala), irmã de Shekhar, adora sorrir e aproveitar a vida. E, absurdo dos absurdos, tem até um namorado! Ela e Jeevan (Anoop Kumar) namoram escondidos da família de Mala. Um dia, um amigo da família que também trabalha na empresa vê os dois juntos e avisa a Shekhar e sua mãe que Mala está se "desviando". Shekhar ia a Kashmir resolver algumas coisas (que não sei quais são), para depois voltar e resolver seu casamento com uma princesa de uma linhagem real falida, mas deste último detalhe Shekhar e sua mãe não sabem. Todos decidem que levar Mala para Kashmir é um bom caminho. Pobre Mala!

Andando com sua carinha fechada e seu biquinho constante por Kashmir, Shekhar conhece Rajkumari (Saira Banu), uma mocinha espevitada que parece curtir implicar com Shekhar. Raj está em processo de abandonar a infância e abraçar a mocidade, o que é mostrado no clipe Ja Ja Ja Mere Bachpan. Música doce da mocinha? Só pode ser cantada pela Lata Mangeshkar.

Querem entender por que adoro ver filmes antigos que se passam em Kashmir ?


Olhem esta paisagem!

Querem entender o que era ser uma diva nos anos 60?


Pode não ser a melhor, mas é linda demais.

Há alguns acontecimentos que fazem Mala e Raj ficarem amigas. Raj e Shekhar acabam ficando presos em uma cabana durante uma tempestade de neve. É claro que não acontece nada físico entre eles, afinal isto é um filme indiano dos anos 60 (ok, aconteceu em Aradhana, mas eles estavam casados). E por ser um filme indiano, os dois se apaixonam. Shekhar aceita a felicidade e sai sorrindo, pulando e cantando. Fica doido mesmo, bem como o Shammi sabe fazer. Como Shekhar vai apresentar seu novo jeito de ser para a sua rígida mãe? Como irá livrar-se do noivado desejado por seu pai para ficar com Raj? Como Mala resolverá seus problemas? Irá Raj parar de cantar para cabras em Kashmir? Vejam Junglee para saber!

O filme me divertiu o tempo todo, inclusive nas poucas cenas dramáticas. É interessante que mesmo no meio de tudo isto a Lalita Pawar ainda tenha conseguido manter uma sólida imagem de mulher séria. Realmente via-se sua tensão, austeridade e resistência à mudanças. Já a vi em vários papéis iguais e também em filmes do Shammi, mas toda vez é uma bela experiência.

Saira Banu estava em sua estreia nos filmes, tendo apenas 17 anos. Isto foi o suficiente para eu perdoá-la por ser tão...sem-graça? Em todas as danças e muitas cenas me pareceu que ela não sabia o que estava fazendo. Em vários momentos tinha tanta intensidade nas expressões quanto uma boneca de cera. Talvez tenha sido a descoberta de que era tão nova, mas de uns tempos para cá comecei a achá-la adorável no filme. A própria música de adeus à infância começou a fazer mais sentido, já que ela estava passando de garotinha à diva do cinema. Meu momento favorito dela no filme é a música Kashmir Ki Kali, clipe no qual parece uma flor tanto ou mais bela do que aquelas que a rodeiam. Reparem em como ela não sabia dançar bem (não sei se melhorou mais tarde, foi meu primeiro filme dela). Vi até mesmo uma dificuldade em dar leveza e graça aos movimentos como atrizes mais experientes conseguem. Além do fato de eu adorar a paisagem e finalmente ver uma garota implicando com um rapaz , esta questão de ainda não saber calcular muito bem cada movimento e ainda assim ser tão encantadora me faze adorar o vídeo. Confesso que pausei o filme para dançar junto com ela, apesar de não ser nem de longe a música mais animada da trilha.

Pararam para refletir que ele tinha 30 anos e ela, 17?


O Shammi é louco. Quando se busca sobre ele na internet é comum encontrar o termo "Elvis indiano" porque seu visual e habilidades de dança foram baseados nos do cantor, mas há nele um certo ar desengonçado que não encontro não Elvis (não que eu o conheça muito). Pelo pouco que já vi do Elvis, ele parecia ter mais controle de seus movimentos, enquanto o Shammi é realmente selvagem. Isto fica claro na música principal do filme e marca registrada do Shammi, Yahoo. Tal como uma doce vovó, a todo momento me perguntava  se o menino não ia se machucar ao se jogar tão fortemente na neve. E a Saira lá, de bucha.


Quando se imagina que  criatura não possa ser mais louca do que isto, vem melhor: item number com a diva mor, Helen. Suku Suku é um espetáculo para os olhos. Gosto do vídeo, me divirto com a música e a Helen está lindíssima, mas prefiro items em que ela "canta" também. Deste modo, posso brincar de incorporá-la ao ouvir a música!

No fim tive mais uma surpresa: um musical que me fez apaixonar pelo Shammi, no sentido mocinha ama o herói romântico. Ehsaan Tera Hoga, lindamente cantada pelo mais lindo ainda Mohammed Rafi. Shammi, o canastrão. Saira, a boneca de cera. Carol, a sem sentido.

E Helen ji, A dama.


Dirigido por Subodh Mukerjee, eu chamaria Junglee  de comédia romântica porque a gente consegue rir e suspirar também. Atualmente é o primeiro filme de que recordo quando penso em entretenimento nos anos 60 e poucos trabalharam as cores tão bem (e tão cedo). É meio pastelão? Certamente. Mas isto só deixa tudo ainda mais adorável. Tem uma inocência nas cenas, no roteiro simples e na vontade de agradar. Até o momento posso dizer com certeza que é meu filme favorito do Shammi!
O último dos filmes de arte sobre o qual falei foi Junoon, e só eu sei o quanto aquela postagem foi trabalhosa. Eu descobria novas coisas enquanto escrevia, mudava de opinião durante o texto, parecia que estava revendo o filme a cada linha. No resultado final não transpareceu o quanto aquele filme me perseguiu, encantou e cansou mentalmente. Esperava ter a mesma reação com Arth, acreditei até que me atingiria mais fortemente. Afinal, seria um filme centrado na Shabana Azmi, atriz para a qual não tenho bons adjetivos o suficiente para descrever. Fiquei impressionada, mas não fui tão arrebatada quanto esperava ser.


Diz-se que o filme, dirigido por Mahesh Bhatt, conta muito da relação extra-conjugal que ele mantinha com a Parveen Babi. Há algum tempo li que ela tinha esquizofrenia e quase tudo o que encontro me faz acreditar que tenha tido uma vida conturbada. No filme, Mahesh seria o personagem Inder Malhotra (Kulbhushan Kharbanda), um diretor de cinema casado com Pooja (Shabana Azmi) e que a deixa após começar a se envolver com a atriz Kavita Sanyal (Smita Patil), que seria a Parveen.

O que me incomodou no começo do filme foi sentir uma certa falta de naturalidade em cena, não sei por quê. A Shabana é sempre ótima, mas eu não estava suportando ver o Kulbhushan e a Smita. Fiquei comparando muito com Junoon e refletindo sobre o quanto eu queria que Arth houvesse sido dirigido pelo Shyam Benegal, para sentir aquela fluidez tão boa dos filmes dele. Entretanto, provavelmente muito da emoção de várias cenas venha do fato de o diretor colocar sua vida no filme. Talvez tivesse que ser ele mesmo.


Vou começar pelo mais fácil: Pooja e a posição da mulher. Logo no começo do filme há uma cena dela com sua empregada na qual Pooja diz que não suportaria a situação da mulher, que era espancada pelo marido e tinha de aguentar a amante dele. Pouco tempo depois a vemos basicamente implorando para que o seu marido volte, se contradizendo. Não consegui sentir raiva. Ela era uma mulher na Índia que só sabia como ser esposa, não se via como pessoa autônoma separada do seu marido. Na verdade, suas cenas se rebaixando aumentaram minha empatia para com Pooja. Consigo me ligar mais a personagens que vez ou outra voltam em sua palavra, porque acredito que a vida seja deste mesmo modo, em que é muito fácil falar até nos depararmos com as circunstâncias que antes eram apenas hipóteses. O que ela faria caso se separasse? Ela não é nenhuma integrante de Sex And The City para sair construindo carreira, seu meio social  não é o mesmo. Repentinamente ela estava ali, olhando ao redor e vendo destruído tudo aquilo que considerava como base na vida. É difícil não saber por onde começar, mas não saber nem o que começar é pior ainda.

Só que eventualmente, ela começa. Primeiro sai da casa que Inder havia colocado em seu nome, logo que descobre ter sido financiada por Kavita. Muda-se para um dormitório feminino, encontra um emprego. Diferentemente de outros filmes nos quais os personagens tem mudanças bruscas, Arth tem uma honestidade na transformação. Tudo acontece a seu tempo, um passo de cada vez. Durante o tempo de filme realmente senti que estava ali com a Pooja, vivendo seu tempo. Ela havia passado muito tempo vivendo em função de outra pessoa e dentro de uma instituição que reprimia qualquer possibilidade de surgimento de uma individualidade. Até descobrir quem era, ia levar um tempo mesmo. Enquanto isto, a perda de si ia acontecendo com Kavita, lá do outro lado da história. Seus problemas mentais se intensificaram pela culpa sentida por ter "roubado" o marido de Pooja e "destruído" uma família. Isto me lembra uma expressão que não suporto, "destruidora de lares". Se o marido não está comprometido com sua família, ele de algum modo vai desmembrá-la, seja arrumando outra mulher ou não. Quem desfaz os laços é ele, não a amante. Só que tentam colocar na nossa cabeça que a culpa é sempre nossa, no fim as mulheres acabam lutando umas contra as outras. A Kavita, sua mãe e a Pooja passaram um bom tempo do filme dizendo que a culpa por tudo o que estava acontecendo era dela, inclusive há uma linda cena da Pooja ao telefone com a Kavita pedindo para devolver seu marido. É como se o poder de fazer ou desfazer tudo aquilo fosse dela, enquanto o Inder seria apenas um pobre homem desviado do seu caminho.


Apesar de traída por Inder, Pooja não desacredita das pessoas e dá abertura para uma amizade com Raj (Raj Kiran), um músico simpático que logo se apaixona por ela. A relação deles é um dos pontos altos do filme. Como muitos filmes indianos, espera-se que aquele homem entre para salvar o dia e proteger a Pooja, mas o que acontece passa longe disto. O roteiro logo nos faz lembrar que aquela ali é uma história de autoconhecimento e que o caminho para ele é difícil, um pouco distante do romantismo todo de outros filmes. Há uma honestidade admirável nisto.

Há umas poucas coisas de que não gostei: os ataques exagerados da Kavita, a confusão que era sua condição médica, e a tristeza que dá pensar que a Parveen pode ter passado por tudo aquilo.

Arth é um dos filmes indianos mais especiais que já vi. Para quem ama ver um retrato honesto sobre a mulher indiana, como eu, é um prato cheio. É todo sobre liberdade, se conhecer e surpreender-se com a força que pode encontrar dentro de si. As questões que ele levantou há 30 anos ainda soam como novidade se colocadas em um filme de hoje. Foi pensando nisto que me encantei com a coragem do Mahesh, da Shabana, da Smita e de todos os envolvidos na história. Houve até um apelo para que o final fosse modificado na época, mas Shabana e Mahesh foram totalmente contra. Eles acreditaram nesta história e lutaram por ela, e fico grata por o terem feito. Não são muitos os filmes que no final me fazem sentir que aprendi ali algo importante que vou levar comigo por toda a vida. Obrigada, Pooja.

Fotos demais das mulheres e nada do homem? Sim.  Afinal, 
quem é que importa nisto aqui? Sorria, Pooja mais linda, que
nesse sorriso  devem ter sorrido muitas mulheres indianas!



Este é um vídeo de uma série que pode ser encontrada no Youtube, na qual os atores contam qual filme mudou sua vida e os motivos. A Shabana fala de Arth. Não tem tradução ou legenda, mas ela fala em inglês e dá para entender. Vale a pena.
Rio de Janeiro, março de 2009. Primeira semana de aula dos calouros do Instituto de Psicologia. A programação do dia era uma aula inaugural com uma professora convidada da PUC. Eu nervosa, sem saber se deveria anotar ou não. "Se anotar, podem me achar esnobe. Se não, podem me achar relapsa". Ninguém anotava nada, então desisti. Nada do que a professora falava me interessava, até que fez uma pergunta:

- Quem viu Quem Quer Ser Um Milionário?

Eu não havia visto e ainda não sonhava em conhecer nada nem parecido com cinema indiano, mas sabia que estava fazendo muito sucesso e fiquei curiosa para ver como seria inserido na aula. A única coisa que guardei de tudo o que ela disse foi que para um irmão poder ser o "bonzinho", o outro tinha que assumir o posto de "mauzinho". Foi uma mensagem muito forte para os meus 17 anos, já que eu até então pensava que bom e mau fossem apenas questões de caráter, uma linha reta com dois pólos. Assistindo a Deewaar, claramente fonte inspiradora de QQUSM?, aquela aula logo me voltou à mente. Vijay (Amitabh Bachchan), o irmão mau. Ravi (Shashi Kapoor), o irmão bom. Sumitra Devi (Nirupa Roy), elemento que não tem correlato no filme, a mãe por quem aqueles filhos fariam qualquer coisa. E um forte amor unindo os três, apesar das diferenças.

Parece que este filme foi o verdadeiro início da persona do angry young man do Amitabh Bachchan, criada pelo duo Salim-Javed para o filme Zanjeer (1973), sobre o qual tenho preguiça de escrever. Vou traduzir como jovem homem bravo porque o Ibirá o fez aqui. É um tipo de personagem repetido por ele em vários filmes: um jovem sério e sisudo de bom coração que em algum momento não hesita em fazer justiça com as próprias mãos. O Vijay é a manifestação mais forte do tipo e logo em sua infância é mostrado o motivo de tanta amargura: seu pai foi injustamente acusado de desonestidade e a família passou a viver em um inferno no qual não hesitaram nem em tatuar "Meu pai é um ladrão" no braço de uma criança. Como se já não bastasse, o pai entrou nu momento Mother India e abandonou a família por não suportar a pressão. Ao compartilhar de todo o sofrimento da mãe para manter a família, Vijay amadurece antes do tempo e acaba se tornando cínico em relação à vida. Ainda assim, aquela ponta de bondade que precisa existir para caracteriza o jovem homem bravo (não me acostumo com isso) continua presente. Uma imagem emblemática do filme que demonstra isto muito bem é Vijay nunca entrar no templo, já que sua vida permite-lhe sentir que não deve gratidão nenhuma a Deus. Entretanto, mesmo esta raiva não exclui o fato de que é um bom filho que acompanha a mãe e o irmão ao templo.

O genro dos sonhos.

A persona do Amitabh é fortalecida pelo contraste oferecido por Shashi Kapoor e seu doce Ravi. Honesto, agradável e simpático, pode ser definido como "tudo o que o Vijay não é". Porém, ele não seria nada disto se não fosse pelo irmão "mau", Quando pequeno, Vijay decidiu trabalhar para ajudar a mãe a permitir que pelo menos Ravi pudesse estudar. Graças a isto, Ravi pôde viver a infância que toda criança deveria ter, com escola e amiguinhos. Para esta vida de tranquila inocência pode acontecer, tinha de haver alguém por trás encarando a parte não tão bonita assim das coisas.

Há três mulheres exercendo papéis importantes no filme. Leena (Neetu Singh) é a namorada de Ravi que com ele vive o tal mundo de algodão doce que o Vijay não pôde ter, com musicais apaixonados, promessas de casamento e brincadeirinhas. É por meio dela e de seu pai que Ravi tem a ideia de tornar-se policial. É uma pena que apareça tão pouco, parecia estar ali só para dar graça aos musicais e mais leveza ao filme. Anita (Parveen Babi) é o oposto: teve uma vida de sofrimento, o que a fez identificar-se com Vijay e logo se apaixonar por ele. O interessante é que Vijay não se interessou por ela de primeira e Anita teve que investir, uma situação normalmente impensável para mocinhas. Na Wiki da Parveen está escrito que ela trouxe uma nova heroína para o cinema indiano: independente, bebe, fuma, vai para a cama com o homem que ama quando quer, tem consciência de seu corpo. É chato que a isso tenham adicionado o sonho de se casar, mas a gente não pode ter tudo nesta vida. Acima de todas está Sumitra Devi, a mãe. E esta merece um parágrafo próprio.

O papel da mãe é fundamental no cinema indiano, mas o da mãe-deusa é o mais importante de todos. Ela é colocada como uma fortaleza que passa por todas as provações com dignidade. Detesto isto. Acho peso demais para uma pessoa esta posição divina, e é quase cruel limitarem seu papel a cuidar e amar os filhos antes de você poder decidir isto. Não acredito que a mãe-deusa vá desaparecer tão cedo, porém não me lembro de exemplos recentes. Isto é bom.

Com ou seu amor pela mãe-deusa e entre os irmãos, um acaba ficando contra o outro. Ravi, o policial honesto e Vijay, o bandido que acredita apenas estar jogando o jogo da sociedade do melhor jeito possível. O que torna tudo mais difícil é Ravir só ser quem é graças a Vijay, mas gosto da ideia de  que nem a gratidão deve nos fazer esquecer do que consideramos bom. Outra ideia legal é que os mais novos também podem ter algo para ensinar aos mais velhos (é um filme indiano, isto não é pouca coisa).

Deewaar é um filme mais emocionante do que eu poderia imaginar e tem um final muito forte e bonito. O drama é enorme e o número de cenas e falas que provavelmente são icônicas também o é, mas agora que descobri que foi dirigido pelo Yash Chopra, faz sentido. Senti que provavelmente nunca verei uma demonstração melhor do que seja o jovem homem bravo ("angry young man" grita na minha mente) e o filme é claramente dominado pelo Amitabh Bachchan e seu perturbado Vijay. Um daqueles clássicos que merece este título...e com todo o louvor.
Amante dos clássicos como sou, aqui estou fazendo minha segunda lista das músicas de filmes antigos que mais ouvi e gostei em 2011. Diferentemente da lista de canções atuais, esta foi muito fácil de montar. Foi só pegar os filmes antigos que vi neste ano, que logo pensei nas minhas canções preferidas. Para minha surpresa, dois filmes dominaram a lista, o que reforça meu amor por suas trilhas. E para quem lê isto aqui, todas as músicas já foram citadas em outros posts.

10) Chanda Hai Tu, Mera Suraj Hai Tu de Aradhana (1969)

Falei há pouco tempo sobre Aradhana e meu encantamento com esta música. Com uma letra doce e sensível, para mim é muito difícil não me apaixonar por músicas de mãe para filho. Além de ser uma das gravações em que a voz da Lata está mais bonita, a ternura com que a Sharmila olha para a criança no vídeo é adorável. Não importa se entenderem hindi ou não: quando tiver filhos, aprenderei a cantar esta música para que eles cresçam com a lembrança.



9) Logon Na Maron Ise  de Anamika (1973)

Asha Bhosle, minha diva! Foi em Anamika que percebi o quão graciosa e espirituosa era a Jaya Bachchan quando mais nova, e esta música é a que melhor este espírito alegre. Sinto que a Asha era melhor que a Lata para canções alegres, vide item numbers da Helen.



8) Har Dil Jo Pyar Karega de Sangam (1964)

Esta música nem me chamou muito a atenção enquanto estava vendo o filme, mas não foram poucas as vezes em que me peguei girando pela casa e fingindo que eu era o Raj Kapoor, totalmente cego ao clima rolando entre os personagens da Vyjayanthi e do Rajendra. A alegria dele é tão fofa! É engraçado como a gente se acostuma a pensar na voz do Mukesh como pertencendo ao Raj.



7) Parda Hai Parda de Amar Akbar Anthony (1977)

Rishi Kapoor. Neetu Singh. Amitabh Bachchan ocasionalmente fazendo gracinhas. Mohammed Rafi. Céus, como a voz do Rafi faz falta em Bollywood!



6) Bahon Mein Chale Aao de Anamika (1973)

O que mais gosto neste clipe é o tom de brincadeira, a sensação de que a Anamika e o Devendra estão num mundo próprio na madrugada, mundo este que deve ser mantido em segredo. E mesmo que a Jaya esteja pedindo a ele para ir para os seus braços, ela mais uma vez consegue ser totalmente fofa. O sorriso dela não é lindo demais?

Obs: estão reclamando muito da tradução nos comentários, então desconsiderem.



5) Mujhe Kuch Kehna Hai de Bobby (1973)

Parece que gosto muito de músicas fofas. Esta é especial por ter um casal realmente jovem cantando sobre o amor adolescente, então passa um pouco mais de realidade aos sonhos de Raj Kapoor. Gosto do ritmo ora animado, ora mais calmo e da letra tão inocente. Por sinal, acho que foi a primeira vez que ouvi uma música com o Shailendra Singh como cantor principal.

Infelizmente, é como eu estava dizendo ao Pedro esses dias: comigo, não iria funcionar. Se quero muito dizer algo, a outra pessoa também quer e ela diz "você primeiro", já falei antes da outra perceber que eu tinha estragado a brincadeira. Não poderia atuar nos filmes do Raj, tsc.




4) Bol Radha Bol Sangam Hoga Ke Nahi de Sangam (1964)

Sangam e Raj Kapoor outra vez enchendo a lista. Esta música gruda como chiclete na cabeça e o clipe é basicamente sobre como o Sunder é tão insuportável que persegue a Radha até no rio (reparem que ela não parece feliz). Mas vicia, tanto que tive de ir atrás  só porque estava tão fixa na minha cabeça que a única solução para arrancá-la de lá me pareceu ser ouvir até não aguentar mais. Ouvi muito e ainda estou aguentando.



3) Anhoni Ko Honi de Amar Akbar Anthony (1977)

Este clipe me faz perceber o quão estranho é o meu senso de humor. Não rio de quase nada que os filmes indianos dizem ser engraçado, mas não aguentei quando vi Vinod, Rishi e Amitabh disfarçados e fazendo altas dancinhas. O Amit com aquela cara de quem está zombando da gente, o Rishi rebolando vestido de velhinh, o Vinod com uma expressão cômica que não consigo ligar a ele — que é meu símbolo sexual da velha Bolly. Além do clipe ser esta alegria toda que tanto me agrada, o ritmo da música é muito gostoso. Eterna favorita!



2) Yeh Mera Prem Patra Padh Kar de Sangam (1964)

Como explicar o quanto amo esta música? As lágrimas (tão irritantes) que vem sempre que ela começa? A vontade que sinto de deitar quietinha a toda vez que ela começa, porque é bonita demais para não receber minha total atenção? Os suspiros ao lembrar do Rajendra e suas flores a cada palavra cantada pelo Rafi? Não tem como. Parecia que cada sentido meu tinha sido tomado por ela quando vi o clipe. Para mim, é simplesmente uma das canções mais bonitas de toda a história de Bollywood, e uma das maiores pérolas do Rafi. Apenas apreciem, não sei nem por que estou falando tanto.



1) Humko Tumse de Amar Akbar Anthony (1977)

A luta entre ela e Yeh Mera Prem foi grande, mas acabei escolhendo-a por número de execuções (valeu, Last. Fm!). O que tem de especial? Bem, três casais lindos declarando amor ad eternum. Como falei no post de AAA, tem o casal novo hiperativo que dança sobre trens, o meio-termo que faz suas gracinhas na carruagem e o maduro que fica em casa mesmo. Parece pouco, mas definitivamente não é. Para mim, é um dos clipes mais completos de Bolly e faz o que poucos vem conseguindo, que é transmitir o estado de espírito em que se encontram os personagens do filme. Como em todo bom masala, as coisas acontecem meio rápido em AAA. Então, nada melhor que uma canção para mostrar que os três casais estavam apaixonados! Só que isto não é apenas dito, é também visto pelo modo como cada casal interage.

Linda, divertida, romântica sem ser boba, completa: esta é a minha Humko Tumse. Primeiro lugar!



Ps: Placar final - Amar Akbar Anthony (3), Sangam (3) e Anamika (2)!
A última lista de músicas favoritas que fiz para o blog foi há um ano, e só de músicas antigas (já virá o próximo). Desta vez, vou listar dez músicas que ouvi bastante em 2011, todas de filmes do ano. Evitei usa a palavra "favoritas" no título do post porque este não foi um ano em que eu tenha me apaixonado por muitas músicas. Foi até difícil pensar em dez. Quase todas podem ser encaixadas na categoria "gosto bastante", mas amor mesmo aconteceu pouco. Nem reclamo muito dos rumos que Bolly anda tomando, mas ó...tem que ver issaê.

Menções honrosas: Mit Jaaye Gham (Dum Maaro Dum) e Ooh La La (The Dirty Picture)

Amantes da boa música, não me matem pela presença de Mit Jaaye Gham, versão de 2011 que assassinou Dum Maaro Dum, uma das músicas mais clássicas da Asha Bhosle. Minha relação com a música é positiva porque quando vi que o Pritam ia fazer um remix de um clássico e que este se tornaria um item number da Deepika, tive certeza de que coisa boa não iria sair. Daí vi, ri e me apeguei à música. Não consigo levar a sério.

E eu gosto da Anushka Manchanda.



Agora, Ooh La La. Comecei a ouvir a trilha de The Dirty Picture há poucos dias e logo caí de amores (como todo o resto do mundo) pela faixa. Como não vejo clipes antes dos filmes, só espero que seja muito bom. De todo modo, tá viva, tá brilhante, tá retrô, tá disco! Sinto que virá muita coisa boa depois desta música.



Obs: é tão estranho postar um vídeo que não conheço. E nem verei tão cedo.

Agora, vamos à lista!

10) Yeh Saali Zindagi (Yeh Saali Zindagi)

Quando vejo esta música aqui, ganho mais certeza de que sou brega. Lembro de ficar chorando tristemente pensando no personagem do Imran Khan no filme e em como ele mesmo não queria ser tão adorável quanto acabou sendo. O que mais gosto na canção são os vocais fortes do trio Sunidhi, Shilpa Rao (que adoro desde Dev.D) e Kunal Ganjawala. Os três tem vozes doces, especialmente o Kunal, que logo são quebradas pelo refrão mais pesado. Não é uma música que eu consiga ouvir todos os dias porque cansa facilmente, mas gostei já na primeira vez. Enfim, uma bela canção de um filme que deveria ser mais visto.



9) Madhubala (Mere Brother Ki Dulhan)

A música mais animada e mais brilhante da trilha de MBKD! Me apeguei facilmente e logo já estava fazendo coreografias pela casa. Todos amam a voz do Ali Zafar nela, mas, sinceramente...sempre imagino que seria melhor com outra pessoa — Sukhwinder Singh, para ser específica. Tenho uma certa birra com o vídeo porque imaginava que haveria a Katrina vestida de Madhubala correndo e brincando por aí, mas os produtores de Bollywood não apostam em nada do que sugiro. Tudo bem, sempre serei grata ao filme por deixar claro o potencial da Kat.



8) Tai Tai Phish (Chillar Party). 


Eu já ouvia bastante, mas nos três últimos dias inventei até uns passos estranhos para ela (meus pobres ombros reclamam). Uma das músicas mais legais do ano e o primeiro item number do Ranbir Kapoor, tão divertido e maluquinho quanto ele! Adoro a batida, o Ranbir se divertindo e dançando daquele jeito que diverte tanto (lembrei de Small Town Girl) e a criançada curtindo.




7) Ik Tu Hi Tu Hi (Mausam)

Oh, céus, provavelmente a música mais doce da lista. Foi a primeira de que gostei na trilha de Mausam e encaixa-se perfeitamente no clima do filme: suave, romântica, até dramática. É bem o tipo de música para quem acredita que há aquela pessoa a quem você pertence e que pertence a você, ambos sendo únicos um para o outro. Ou seja...nada a ver comigo *trollface*



6) Sajh Dhaj Ke (Mausam)

Preciso colar o post de Mausam aqui para dar as razões? SHAHID KAPOOR NO PUNJAB, GENTE! E adoro a letra, que fica zombando do NRI que só via defeitos no nosso amado Punjab. Divertida, engraçada, coreografia e dançarinos sensacionais, belas cores, tudo de melhor de Bollywood! É, me animei agora. E adoro quando o Shahid faz playback do Mika Singh.



5) Laung Da Lashkara (Patiala House)

Basicamente toda a descrição de cima. Só troque o Shahid pelo Akshay e adicione a Anushka Sharma, que adoro. Foi a primeira música de que gostei no ano, pela alegria e clima familiar. Só as luzes muito fortes do clipe que me irritam um pouco, mas não há incômodo que não seja aliviado com um rap da Hard Kaur.



4) Sadi Gali (Tanu Weds Manu)

Certo, não tinha notado que eu estava tão viciada em músicas/clipes com clima punjabi. De todo modo, esta é a melhor de todas. Não entendo de vozes tradicionais, mas a do Lehmber Hussainpuri me parece ser tão punjabi (Wikipedia confirmando)! Talvez por isto seja a minha canção favorita do ano dentre todas com clima punjabi: a voz dele é a que mais me transporta para lá.



Obs: li aqui que esta canção havia sigo gravada por ele antes de ser incluída no filme, então não foi criada tendo em mente a história. Isto me consola, já que não tenho a menor lembrança dos clipes do filme...só lembro de morrer pelo Madhavan a cada segundo.

3) Dua (No One Killed Jessica)

Legendei No One Killed Jessica bem no início do ano e chorei ao traduzir cada linha de Dua. Além da beleza da letra, a mensagem de união e solidariedade que o clipe transmite me toca muito. A sério: fico arrepiada a cada vez que ouço. Um dos melhores trabalhos do Amit Trivedi, meu ídolo. E NOKJ é um filme que me inspirou a ser uma pessoa melhor.



2) Aitbaar (No One Killed Jessica)

Enquanto Dua traz uma doce tristeza, Aitbaar me lembra a frustração, indignação, decepção e garra. Esta música me faz sentir uma estranha força, talvez sugerida pelo próprio vocal. Gosto de toda a trilha de NOKJ e já tinha minhas preferidas quando repentinamente me peguei ouvindo Aitbaar todo dia, toda hora. E tanto cresceu no meu conceito que está no 2º lugar. Esta posso chamar de favorita, e com muito orgulho. Grande, gigante Amit Trivedi! Um dos maiores presentes que a Índia me deu nos últimos tempos foi o talento dele.



1) Character Dheela (Ready)

É muita falta de vergonha minha coroar um item number de um filme do Salman Khan como minha música do ano depois de duas músicas do Amit Trivedi em sequência, mas devo honrar o nome deste blog e confessar minha loucura. Sou fascinada, encantada, quase desesperada por Character Dheela. Quando estava vendo o filme, logo levantei para dançar e quase não consegui prestar atenção ao clipe de tanto que me divertia.

Queria me sentir ofendida com o Salman Khan sentado enquanto é rodeado por mulheres rebolativas, mas nem isto consigo quando esta bendita música começa a tocar. Logo eu, que reclamo tanto dessa mania de inglês em tudo que é música, que me incomodo com essas tentativas de rap, que detesto o Salman Khan, logo eu...amo uma música que contém a frase "the way your body move, tik tik tik tak"! Bom, aprendi uma lição: posso ler o quanto quiser e teorizar de tudo, mas no fim, sorrio mesmo para o que me diverte mais. E que as moças cheias de curvas dominem. Arrasa, Zarine!

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"DEEWANEANDO"?

Devanear = divagar, imaginar, fantasiar. Deewani = louca, maluca. Deewaneando = pensar aleatória e loucamente sobre cinema indiano.

Meu nome é Carol e sou a maior bollynerd que você vai conhecer! O Deewaneando existe desde 2010 e guarda todo o meu amor pelo cinema indiano, especialmente Bollywood - o cinema hindi. Dos filmes antigos aos mais recentes, aqui e no Bollywoodcast, seguirei devaneando sobre Bollywood.

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