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Este é o segundo post da série sobre a história da família Kapoor e seus mais de 90 anos de cinema indiano. Para acompanhar o primeiro item da série e conhecer a história do patriarca Prithviraj Kapoor, leia aqui.

Nascido em 14 de dezembro de 1924 em Peshawar, Raj Kapoor teve que amadurecer precocemente e tornar-se a presença forte da casa para sua mãe durante os anos em que seu pai esteve ausente, indo de uma cidade à outra devido ao trabalho. Outro fator essencial para seu amadurecimento foi a morte dos dois irmãos menores no curto período de quinze dias. Sua mãe era apenas dezesseis anos mais velha que o filho. A pequena diferença de idade, a ausência do marido e o fato de ele ser o filho mais velho levou mãe e filho a serem muito próximos. Raj Kapoor foi um garoto gordinho que sofreu muito bullying de outras crianças devido ao seu peso. Para não ser tão inferiorizado, assumiu o lugar de palhaço da turma, pois era menos doloroso rir junto com os colegas ao fazer piada de si próprio do que ver os outros rindo de si. Tudo o que Raj desejava era ser amado pelos outros e ser popular. Esta forma de estar no mundo, sendo o palhaço que faz o outro rir enquanto guarda suas dores, foi profundamente explorada no semibiográfico Mera Naam Joker (1970).

Raj cresceu sob a sombra da popularidade de seu belo, forte e talentoso pai. Isto o levou a adotar um estilo diferente de atuação e escolha de papéis, voltando-se para romances, comédias e musicais. Enquanto Prithviraj especializava-se em fazer homens imponentes, Raj tornava-se o homem comum em cena. Se por um lado o estilo de atuação do pai era imponente e declamado, o do filho era suave e natural. Os embates entre pai e filho apareceram em filmes posteriores de Raj, como o clássico Awaara (1951), em que ele e Prithviraj foram pai e filho em cena. Temas de discussões frequentes entre ambos repetidamente surgiram nos filmes de Raj, como as brigas para que fizesse faculdade. A má relação dos Kapoor com os estudos notória em diversas gerações da família, sendo frequentes o abandono precoce das salas de aula, a incompletude dos estudos e históricos de reprovações e notas baixas.

Raj e Krishna Kapoor


Raj aproveitava seu perfil observador para guardar na memória centenas de referências de imagens, rostos e lembranças que posteriormente apareceriam em seus filmes. Quadrinhos também eram clássica fonte de inspiração para suas histórias. Apesar de ter feito alguns papéis como ator mirim, a falta de apoio paterno fez com que sua estreia ocorresse apenas em 1957, em Neel Kamal. Seu desejo era criar as próprias obras, ato que realizou ao deixar a equipe teatral do pai para fundar a R.K. Films e lançar Aag (1948), seu primeiro filme. O jovem diretor de 23 anos levou os conhecimentos acumulados de anos em diversas funções no teatro para seu estilo de trabalho, que também incluiu os ideais socialistas de justiça social e igualdade das peças da Prithvi Theatres. As influências internacionais foram de cineastas como Frank Capra e Orson Welles, além dos quadrinhos como Archie Comics e Luluzinha. Em Aag teve início sua parceria com Nargis, com seu romance dentro e fora das telas sendo um dos mais marcantes da história do cinema indiano. Sua mais importante musa e par em dezesseis produções, em diversos filmes a representação de Nargis foi envolta por uma sensualidade que era comum nas representações de heroínas de Raj Kapoor e incomum no cinema indiano. Após o afastamento entre ambos, resultante da decisão dela de atuar em Mother India e seu posterior casamento com Sunil Dutt, a já complexa relação abusiva de Raj com a bebida piorou. Raj tornava-se agressivo e grosseiro quando bêbado. O alcoolismo é um mal que aflige os Kapoor há muitas gerações, sendo presente também nas vidas dos seus irmãos e herdado por seus três filhos.


Nargis e Raj Kapoor em Awaara

A sexualização das heroínas em cena tornou-se ainda mais intensa e menos velada após o rompimento com Nargis, como visto no sári transparente colocado em Zeenat Aman em Satyam Shivam Sundaram (1978). E o histórico de traições de Raj a sua esposa Krishna não parou em Nargis, sendo notórias as supostas ligações com atrizes como Padmini, Zeenat Aman e Vijyanthimala. Esta última, por sua vez, negou qualquer romance e declarou que os rumores haviam sido plantados para a promoção de Sangam (1964). Entretanto, Rishi Kapoor afirmou que teve que se mudar para um hotel com sua mãe e irmãos durante a relação de Raj e Vyjayanthimala, forma escolhida por sua mãe para forçar o término do romance. Raj e Krishna retomaram seu casamento.


Raj obteve enorme sucesso como ator e diretor, sendo notáveis os filmes Awaara (1951) e Shree 420 (1955), nos quais apresentou e eternizou sua imagem como Raju, o doce vagabundo inspirado no Carlitos de Chaplin. Seus filmes tiveram grande sucesso internacional, tornando-o famoso até hoje em países da extinta União Soviética, Egito e Israel. O filme pelo qual mais tinha carinho não teve bom retorno do público e quase o levou à falência: Mera Naam Joker (1970), filme com 3 horas e 44 minutos de duração divididos em três grandes atos. Nele Raj contou sua história como o palhaço que faz os outros rirem mesmo às custas de sua própria dor. A recuperação financeira veio apenas com Bobby (1973), filme que redefiniu a representação da juventude no cinema hindi ao apresentar protagonistas realmente jovens - diferente da tradição de atores mais velhos interpretando jovens - rebelando-se contra a autoridade familiar para defender seu amor. Raj dirigiu seu filho Rishi em Mera Naam Joker e em Bobby introduziu ao público sua persona de lover boy, um herói romântico doce e apaixonado que se repetiu durante décadas na carreira de Rishi. A recuperação financeira advinda do sucesso de Bobby não se refletiu em recuperação emocional. Raj sempre sentiu a dor da rejeição do público a Mera Naam Joker, filme em que mais colocou sua alma.



Os últimos anos de carreira de Raj Kapoor contaram com alguns filmes focados em questões sociais, como o recasamento de viúvas em Prem Rog (1982). Entretanto, a recepção aos seus últimos filmes foi marcada pela constante desaprovação à cenas consideradas vulgares pela crítica, como a da atriz Mandakini tomando banho de cachoeira com um sári branco em Ram Teri Ganga Maili (1985), último filme dirigido por Raj. O maior showman da história do cinema indiano faleceu em 1988, devido a complicações de seu quadro de asma.

No próximo post da série sobre a família Kapoor conheceremos a história de Shammi Kapoor, irmão de Raj e o membro da família responsável pela revolução na imagem dos heróis jovens do cinema indiano.


Fontes para consulta:

Dawar, R. (2006). Bollywood: yesterday, today, tomorrow. Star Publications.

Jain, M. (2009). Kapoors: The First Family of Indian Cinema. Penguin UK.

Kapoor, R. & Iyer, M.(2017). Khullam Khulla: Rishi Kapoor Uncensored. HarperCollins.

The Kapoor Family Website. Disponível em: http://www.junglee.org.in/




A família Kapoor é a linhagem mais duradoura e importante do cinema indiano. Ao longo de cinco gerações nos apresentou a atores e diretores que construíram o cinema hindi como o conhecemos hoje por meio de histórias, canções e personagens inesquecíveis. Dos grandiosos personagens de Prithviraj até o glamour de Kareena, os 91 anos de presença dos Kapoor se confundem com a própria história do cinema indiano. E nesta série de posts conheceremos um pouco mais detalhadamente alguns de seus mais proeminentes membros.

As origens da família Kapoor remontam a Samundari, região do Punjab pré-separação da Índia, em terras que hoje formam o Paquistão. Prithviraj Kapoor foi o primeiro membro da família a buscar uma carreira no cinema - não sem enfrentar resistência do pai, que desejava ver o filho atuando na área do Direito e teve seus planos frustrados quando o rapaz reprovou nas provas de admissão. Prithviraj já era casado com a jovem e doce Ramsarni e pai de três filhos quando deixou a cidade de Peshawar para tentar a vida como ator em Bombay. A aventura foi patrocinada pela prima Kaushalya Khanna, que o via como um filho e não apenas deu dinheiro para que tentasse ser ator, como sustentou sua família durante esse período.

A figura alta e atlética de Prithviraj não passou despercebida pela atriz Emeline, que o viu na fila de figurantes e o convidou para ser o herói do seu próximo filme, Cinema Girl, no distante ano de 1930. E este foi o pontapé para que o ator começasse uma bem-sucedida carreira nos filmes mudos nos Imperial Studios. Sua voz de trovão logo foi ouvida pelo público no filme Alam Ara (1931), obra importantíssima na história do cinema por ser o primeiro filme indiano com som. Em 1932, Prithviraj uniu-se à Grant Anderson Theatrical Company, onde pôde exercer a arte do teatro, que foi seu primeiro amor nas artes. O retorno aos cinemas foi rápido e de muito sucesso durante os anos 40, quando protagonizou diversos filmes. Ele foi um dos primeiros grandes atores a abandonar o sistema de exclusividade com um estúdio, escolhendo a liberdade artística e profissional de fazer filmes em vários estúdios diferentes. Um de seus grandes papéis foi em Sikandar (1941), no qual Prithviraj interpretou Alexandre, o Grande. O filme foi lançado durante o auge das manifestações pelo fim da colonização britânica na Índia. Seu ar patriótico e nacionalista tocou o público, que transformou Prithviraj em um ídolo, chamando-o de Sikandar onde quer que fosse. O filme acabou sendo banido de alguns cinemas que fossem próximos de quartéis de tropas britânicas.

Prithviraj com Randhir no colo, e um jovem Shashi  ao lado. Raj de pé à esquerda e Shammi à direita.

A intensidade artística que veríamos anos depois em seu filho Raj já estava presente em Prithviraj. O ator dava tudo de si aos personagens, chegando a acreditar que precisava sentir dor real para representar dor nas telas, recusando o uso de dublês em cenas de ação ou o uso de microfones. Tanto esforço acabou por afetar sua forte voz, que começou a perder. As mudanças no cinema impactaram a carreira de Prithviraj, cuja teatralidade e imponência eram mais adequadas aos grandes filmes mitológicos e históricos do que aos novos filmes sobre o homem simples e a vida comum. Com o passar dos anos, o ator passou a aceitar papéis em produções menores e personagens de importância reduzida para manter-se ativo.

A origem de tanta dedicação era o amor ao teatro: atuar em diversos filmes era o meio possível para manter sua companhia teatral, o Prithvi Theatres. A companhia foi criada em 1944 e viajava pelo país com diversas peças, envolvendo toda a família em todos os trabalhos. As peças da companhia tratavam de temas sociais importantes para a época. Deewar, por exemplo, ousou falar sobre a rivalidade entre as diferentes comunidades na época da Partição ao abordar uma família dividida entre dois irmãos que lutam pela mesma terra. Já em Pathan ficou ainda mais claro o apelo pela paz entre as diferentes comunidades religiosas por meio da história de duas famílias amigas, sendo uma hindu e a outra muçulmana. As peças eram construídas e discutidas com toda a equipe do teatro, em quem o sentimento de família era bem forte. Este clima era importante para Prithviraj, que valorizava muito a enorme e unida família Khanna, em cuja casa passou grandes períodos de sua infância. Ter perdido a mãe muito cedo trouxe a noção da importância da família e união, levando-o a não apenas ter uma família enorme, como também a receber muitas pessoas na casa da família Kapoor e até mesmo abrigá-las. A qualquer hora do dia era possível entrar no lar da família e desfrutar de um enorme banquete. Até hoje o amor pela comida é uma questão para os Kapoor, com os homens da família tendo fácil ganho de peso que impactou em suas carreiras.

Prithviraj em Mughal-E-Azam (1960)
Após os primeiros anos de muito sucesso, Prithviraj só voltou a experimentar o sucesso em personagens que fez mais tardiamente, como o imperador Akbar no clássico Mughal-E-Azam (1960). Seus últimos anos de carreira foram marcados por filmes pouco importantes em produtoras de baixo orçamento. Mesmo com Prithviraj sendo o pioneiro da família no mundo do cinema, o membro mais famoso e importante da família viria a ser seu filho mais velho. No próximo post da série  família Kapoor conheceremos a fundamental carreira de Raj Kapoor, uma das pedras fundamentais do cinema hindi.


Fontes para consulta:

Dawar, R. (2006). Bollywood: yesterday, today, tomorrow. Star Publications.

Jain, M. (2009). Kapoors: The First Family of Indian Cinema. Penguin UK.

Kapoor, R. & Iyer, M.(2017). Khullam Khulla: Rishi Kapoor Uncensored. HarperCollins.

The Kapoor Family Website. Disponível em: http://www.junglee.org.in/





BollywoodCast número 4 no ar! E desta vez temos um episódio muito especial porque recebemos nosso primeiro convidado: Pedro Custódio, nosso querido amigo antropólogo que conhecemos há mais de dez anos. Isa do blog Mania de Bolly, Pedro e eu discutimos a carreira do diretor Sanjay Leela Bhansali, passando por cada um de seus filmes e analisando as principais características do diretor. O papo ficou tão longo que o episódio será postado em duas partes. 

Estamos no Google Podcasts e no  Spotify! Siga nosso podcast por lá para não perder nenhum novo episódio. Você também pode nos ouvir clicando no player abaixo ou fazendo download do episódio aqui.



Parte 2:

Spotify, Google Podcasts, YouTube, Download do episódio.



Filmes citados (clique no link para ler minhas resenhas):

Khamoshi: The Musical (1995)
Hum Dil De Chuke Sanam (1999)
Devdas (2002)
Black (2005)
Saawariya (2007)
Guzaarish (2010)
Goliyon Ki Rasleela: Ram-Leela (2013)
Bajirao Mastani (2015)
Padmaavat (2018)

Referências do Bhansali:

Mughal-E-Azam (1960). Música Pyar Kiya to Darna Kya.

Textos nossos para consulta:

Meu post da série Diretores sobre vida e obra do Bhansali
Post da Isa sobre as controvérsias por trás de Padmaavat
Resenha da Isa sobre Padmaavat 
Resenha da Isa sobre Ram-Leela
Nosso episódio de podcast sobre Bajirao Mastani

Entre as mulheres diretoras atuantes em Bollywood, Zoya Akhtar desponta como uma das mais notáveis. Sua filmografia, iniciada em 2009 com o não tão bem-sucedido e aclamado pela crítica Luck By Chance, atingiu novos patamares com os sucessos de Zindagi Na Milegi Dobara  e Dil Dhadakne Do. Seus filmes são caracterizados por dramas humanos trabalhados com sinceridade e foco no mundo interno de seus personagens em contraponto às pressões sociais sofridas. Desta forma a diretora consagrou-se por atingir o que poucos conseguem: aliar crítica social e emoções à estética do cinema comercial, presenteando-nos com entretenimento da mais pura qualidade. Entretanto, pesava sobre Zoya a fama de realizar filmes apenas sobre pessoas ricas e seus mundos de glamour, tédio e hipocrisia. Ficava a dúvida: teria ela a capacidade de falar sobre os dramas dos humanos de outras classes sociais? É o desafio que foi colocado na produção de Gully Boy.

Inspirado nas vidas dos rappers Naezy e Divine, Gully Boy conta a história de Murad (Ranveer Singh), um rapaz pobre com poucas perspectivas de vida além de formar-se na faculdade e obter um emprego melhor que o do pai, que trabalha como motorista. Murad é morador das favelas de Dharavi em Mumbai e divide seu tempo entre ouvir rap, namorar em segredo a estudante de Medicina Safeena (Alia Bhatt) e acompanhar os dramas de sua família com a entrada da segunda esposa de seu pai em casa. Após fazer amizade com o aspirante a rapper Sher (Siddhant Chaturvedi) e conhecer a cena do hip-hop de Mumbai, seus sonhos começam a se ampliar e o contato com a arte faz crescer em si o sonho de ser rapper.


As polarizações sociais são base da história. As primeiras oposições apresentadas vêm da tensão  entre as diferentes gerações e seus anseios: enquanto Safeena deseja sair, divertir-se e ter uma vida normal como a de qualquer jovem adulta, os pais da estudante privam sua liberdade e colocam diversas barreiras para que exerça seu direito de estudar. Outra tensão vem entre o conformismo da visão dos pais para a vida profissional de Murad e as inquietudes e sonhos que passam a guiá-lo, levando-o a desejar muito mais para sua vida do que apenas um emprego estável no qual saiba qual é seu lugar sem ousar desafiá-lo. Por último, a maior tensão social de todas: a luta de classes. Desde o início a pobreza é mostrada de forma real e caótica, com o cotidiano da favela aparecendo em toda a sua aglomeração de casas, pessoas e vidas. Todos moram grudados uns nos outros, espiam as vidas alheias e se intrometem nos assuntos uns dos outros. Os tons são terrosos e a cidade, barulhenta. São ambientes com pouco espaço para respirar ou sonhar, transformados em espaço de exotização da pobreza por turistas brancos e ricos. Ao assumir a função do pai como motorista de uma família rica, Murad passa a perceber de forma gutural a desigualdade social. Em contraponto ao seu lugar de origem, lá existe espaço e distância entre as pessoas.  Sente a humilhação de ser invisibilizado e tratado como um acessório sem aspirações ou futuro por seus empregadores. As cenas que mostram a construção desta percepção no personagem são ricas, com Zoya Akhtar mais uma vez fazendo o uso de espelhos como forma de representar o momento em que o mundo interno de um personagem é abalado por seu reflexo externo. É neste contexto que os temas sociais que compõem a música de Murad, o futuro Gully Boy, vão sendo delineados.


Antes do artista Gully Boy nascer, Murad e suas possibilidades já são enxergados por sua namorada de infância. Safeena é uma das personagens mais interessantes de Alia Bhatt. Tem uma garra interna para lutar por seus objetivos convivendo com ciúmes intensos do namorado e um temperamento explosivo. Não me lembro de ver uma personagem tão temperamental de Alia Bhatt, que conseguiu mantê-la realista e muito gostável, mesmo com os excessos cometidos pela personagem. A química entre ela e Ranveer tornou real a cumplicidade entre os personagens. Imagino que muitos jovens possam ter se sentido representados por toda a engenharia social necessária para manter seus encontros amorosos ocultos da família.

A criação do rapper dentro de Murad é a história real do filme, talvez diferenciando-o de outros filmes musicais biográficos em que por vezes o foco parece ser apenas mostrar episódios sucessivos no caminho da fama. Aqui acompanhamos a jornada do artista desde a tomada de consciência do lugar social que inspirará suas letras até o crescimento da confiança indispensável a quem deseja ser rapper. A dificuldade de Murad para participar das temidas batalhas de rap onde os adversários devem destruir a autoconfiança um do outro por meio de suas rimas não é estranha ao espectador, que está acompanhando seu desenvolvimento interno em busca da segurança para batalhar por um novo lugar no mundo. Esta jornada é brilhantemente transmitida pelas músicas, que por si só já fariam um belo filme. Zoya dirigiu brilhantemente cada clipe musical, transformando-os em testemunhos tanto da realidade de Murad quanto registros de sua evolução artística. É impossível não se inspirar pela esperançosa Apna Time Aayega, que insistentemente repete que nossa hora vai chegar, ou refletir sobre o mundo a partir da pobreza aparente em Doori. Ranveer Singh claramente teve uma entrega total ao personagem, que em nada se assemelha a papéis passados e também foge completamente à sua personalidade exuberante. É sempre prazeroso ver o crescimento artístico de um ator que tem tanto amor pelo ofício e que faz escolhas diversas e ousadas. A sua é possivelmente uma das construções de carreira mais brilhantes do cinema hindi em tempos recentes, com um filme envolvente e realista como Gully Boy sendo lançado pouco depois de um masala como Simmba. São escolhas de um artista disposto a conquistar público e crítica por meio de uma carreira sem espaço para zonas de conforto.


Porém Gully Boy não é só Ranveer. Além da já elogiada Alia Bhatt, que nunca me decepcionou (e nem espero que o faça), temos também um elenco coadjuvante de imenso talento. Siddhant Chaturvedi demonstrou confiança como Sher, o MC que desperta em Murad o desejo de ser rapper e acaba atuando como seu mentor. Foi sua estreia no cinema e espero que chegue longe. Kalki Koechkin é uma favorita pessoal com suas coadjuvantes divertidas e interessantes em filmes comerciais (como fez em Yeh Jawani Hai Dewani e Zindagi Na Milegi Dobara), mas gostaria de vê-la em papéis com mais tempo de cena e com espaço para profundidade emocional como acontece em seus filmes cults. Os atores que interpretaram a família de Murad também merecem destaque, em especial Vijay Raaz, intérprete do pai do protagonista. Sua cena em desespero tentando explicar ao filho que a subserviência foi aquilo que aprendeu e ensinou ao filho por entender que era a única forma de sobreviver foi tocante.


Parece que os meses de campanha promocional em que bravamente suportamos Ranveer Singh cantando raps em todos os lugares possíveis recompensaram. Gully Boy é um filme energético e repleto de uma esperança que não é de plástico. Arrisco dizer que este não é um filme sobre uma história pessoal de ascensão, mas sim sobre uma classe que tem sua humanidade diariamente negada. Temas pesados como desigualdade social, islamofobia, machismo, preconceito entre castas e violência doméstica foram abordados sem utilizar de tom professoral ou didático, mas como parte de um cotidiano tão emaranhado e barulhento quanto as vielas de Dharavi. Em seu tratamento delicado e dinâmico de tantos temas e subjetividades de diferentes personagens da classe baixa é possível notar a influência do trabalho de Mira Nair em Salaam Bombay! (1988) sobre a visão de Zoya, assumidamente fã da diretora. O que definitivamente não significa que Gully Boy não tenha personalidade própria. Foi um admirável salto criativo para uma diretora sensível e profundamente humana. Se havia alguma dúvida sobre o potencial de Zoya para contar histórias a partir de novas perspectivas, cada minuto de Gully Boy respondeu ao questionamento com louvor.

Poucas pessoas podem considerar a si mesmas como estrelas. Estrelas brilham e deixam um impacto em seu público. E se poucos são estrelas, menos ainda são superestrelas. Superstars estabelecem novos caminhos, inspiram legiões e deixam legados inapagáveis na história do cinema. Sridevi foi a primeira mulher a adquirir o status de superstar no cinema indiano. Em diversas línguas e indústrias de cinema, atingiu um status gigantesco em toda a Índia que é até hoje impensável para outros artistas.

Poompatta (1971)
Shree Amma Yanger Ayappan nasceu no estado indiano de Tamil Nadu em 1963 e teve um início de carreira precoce. Algumas fontes informam que seu primeiro filme foi aos quatro anos de idade, enquanto outras informam que foi aos cinco. Muitos afirmam que sua estreia se deu no filme Kandhan Karunai (1967) e outros, que foi em Thunaivan (1969). Ao longo de sua carreira atuou em várias línguas, como tâmil, telugu, kannada, malayalam e hindi. Seu talento foi reconhecido desde cedo e ganhou maior projeção ao receber o  prêmio de melhor atriz mirim do estado de Kerala pelo filme Poompatta, de 1971. Neste filme Sridevi viveu uma menina que perde a mãe e passa a sofrer maus-tratos ao ir morar com a amiga que a pega para criar.

Crescer em frente às câmeras não era exatamente o esperado de alguém com o temperamento de Sridevi. Tímida, introvertida e muito silenciosa, ela chegava ao estúdio acompanhada por sua mãe, gravava suas cenas e logo ia embora para casa. O mundo de intensa socialização e holofotes não combinava com sua personalidade. Sobre sua atípica infância, Sridevi declarou:"Eu perdi a vida de ir para escola e para a faculdade, mas entrei para a indústria do cinema e trabalhei sem pausa - de atriz infantil, fui direto para heroína. Não havia tempo para pensar e sou grata por isso. Para ganhar algo, você tem que perder algo. Não se pode ter tudo na vida. Então sou feliz pelo que consegui."


Thunaivan (1969)

O primeiro papel de heroína veio em Moondru Mudhichu (1976), estreando com ninguém menos que os aclamados Kamal Hassan e Rajinikanth, que viriam a se tornar parceiros constantes de cena. Ela tinha apenas 13 anos quando interpretou o interesse romântico disputado pelos protagonistas masculinos da história. Sridevi era como um interruptor: apesar de tímida e muito inocente, se iluminava imediatamente assim que ficava diante da câmera. Fazia muito bem e de imediato qualquer coisa que fosse exigida em cena, sendo reconhecida por seu profissionalismo e trabalho duro. Seu constante parceiro de cena, o também superstar Rajinikanth, a descreveu:

"Ela sempre foi uma pessoa quieta e infantil por trás da câmera. Mas quando a câmera ligava, ela se transformava em fogo. Como corrente elétrica, era assim que ela atuava. Ela nunca teve uma briga com ninguém nos sets. Eu me impressionei com seu sucesso em Bollywood sem saber uma única palavra em hindi. Ela era uma atriz nata."

Após uma carreira de enorme sucesso nas indústrias sulistas e muitas parcerias com Kamal Hassan e Rajinikanth, Sridevi fez sua estreia em Bollywood com Solva Sawan, em 1979. O filme era um remake de seu filme tâmil 16 Vayathinile, mas diferentemente do caminho seguido pelo original, a versão hindi foi fracasso de público e crítica.

Solwa Sawan (1979)
Mesmo com a estreia frustrada no cinema hindi, o sucesso continuava nas indústrias sulistas. Moondram Pirai surgiu neste período como um dos maiores marcos da carreira de Sridevi por seu papel dramático como uma jovem que sofre de amnésia e regride à infância. Sua atuação rendeu o prêmio de melhor atriz do estado de Tamil Nadu. Durante estes anos a atriz também foi agraciada com dois prêmios Filmfare do cinema sulista, por suas atuações em 16 Vayathinile e Meendum Kokila.

O sucesso na indústria hindi finalmente chegou em 1983 com Himmattwala. Sua parceria com Jeetendra, as danças e visuais do filme marcaram os anos 80. Graças a este sucesso Sridevi não desistiu de atuar em Bollywood, porém a atriz também reconheceu o impacto artístico do filme sobre os próximos anos de sua carreira. Ele fez com que o público não prestigiasse seu elogiado trabalho em Sadma (1983), remake de Moondram Pirai.

"Nos filmes tâmil, eles amam me ver atuar naturalmente. Mas nos filmes hindi eles querem muito glamour, riqueza e masala. Meu azar foi meu primeiro sucesso em filmes hindi ter sido um filme comercial."

Com Jeetendra em Himmatwala

Sridevi tornou-se o rosto mais importante dos anos 80. Após o sucesso de Tohfa em 1984, tornou-se a atriz número um da indústria. Seu par mais frequente foi Jeetendra, com quem contracenou impressionantes dezesseis vezes. Em 1986 interpretou o marcante papel principal de Nagina, no qual faz uma nagini (cobra que consegue assumir a forma humana) que busca vingança pela morte do marido. O parceiro de cena Rishi Kapoor disse que ela carregou o filme nas costas. O filme centrado na heroína a estabeleceu como a estrela que atraía as pessoas para o cinema independentemente de um herói, grande feito especialmente durante a difícil década de 80.

Nagina (1986)


Canções de comédia eram as favoritas de Sridevi, que tinha talento para o gênero. E foi nele que brilhou no icônico papel de uma jornalista divertida em Mr. India (1987), o primeiro grande filme de super-herói de Bollywood. Neste filme está presente sua sequência favorita da carreira, na qual imitou Charlie Chaplin. Sua canção cômica Hawa Hawaii tornou-se um clássico instantâneo, recebendo homenagem de Vidya Balan anos depois no filme Tumhari Sulu (2017).

Mr. India (1987)

Roubar a cena dos protagonistas homens ou fazer filmes focados em suas personagens seguiu sendo a especialidade de Sridevi. Em 1989, já estabelecida como a atriz mais bem paga da indústria, ela pôde mais uma vez mostrar sua versatilidade em Chaalbaaz, remake do clássico Seeta Aur Geeta (1972). Nele interpretou gêmeas separadas ao nascer, sendo uma tímida e submissa e a outra atrevida e vinda das ruas. A atuação rendeu seu primeiro Filmfare pelo trabalho em um filme hindi, momento que definiu como um dos mais inesquecíveis de sua vida. O sucesso mais uma vez foi certeiro e abriu portas para a maior consagração: ter o nome de sua personagem como título daquela que se tornaria uma das maiores referências para futuras heroínas de Bollywood.

Chaalbaaz (1989)

Yash Chopra definiu Sridevi como a mocinha dos sonhos de todos os indianos ao escalá-la como protagonista de Chandni (1989). Ela pôde mostrar diversas facetas de seu trabalho, tendo alguns momentos de comédia e belíssimas sequências de dança em meio à carga dramática da história de uma mulher cuja vida muda completamente após uma tragédia afastá-la do homem que amava. Mais que uma personagem, Yash Chopra e Sridevi construíram um conceito atemporal na figura de Chandni, personagem doce e celestial em suas vestes brancas. O figurino branco tornou-se uma febre na Índia e todas as meninas queriam copiar o "Chandni look". Yash Chopra discorreu sobre a personagem, o valor cobrado pela atriz e o processo de trabalho altamente focado de Sridevi:

"Com Mr. India e Nagina, o potencial foi tocado, mas ainda está em processo de ser explorado. Com Chandni, ela superou todas as minhas expectativas. Ela nunca foi fotografada com tanto amor. Ela usou de minissaias a sáris de todos os tons pastel possíveis. E não há estampas, nem bordados, nem riquezas em seus sáris. Ela não precisa disso; ela parece etérea em roupas simples. E daí que em termos de preço ela não fez nenhuma concessão?

Ela fala apenas sobre seu trabalho. Não é que ela seja rude com ninguém, mas também não é amigável. Eu sinto que ela está intensamente envolvida com sua família, sua mãe, sua irmã. Como atriz, ela tem essa capacidade de se infiltrar no papel. Ela mergulha completamente no papel. Quando a câmera está desligada, ela tem uma personalidade totalmente diferente, preocupada com suas próprias coisinhas. Mas quando a câmera é ligada, há uma transformação magnífica. Acho que ela consegue isso se desligando totalmente do mundo durante uma cena. Seu poder de concentração é feroz. Essa Chandni é luminosa, ela incendeia a tela!"
 

Chandni (1989)


Ambos voltaram a trabalhar juntos em Lamhe (1991), fracasso de público que atraiu mais elogios da crítica especializada para o trabalho de Sridevi. Os anos 90 não trouxeram grandes sucessos para a atriz, que seguiu tendo suas atuações apreciadas. Seu último trabalho no cinema antes de um período sabático de quinze anos foi Judaai (1997). Neste período Sridevi viu-se envolvida em um escândalo na sua vida pessoal, quando o produtor Boney Kapoor deixou a esposa e dois filhos para casar-se com Sridevi. Os dois tiveram duas filhas - a atriz Janhvi Kapoor e Khushi. Sridevi era uma mãe e esposa extremamente dedicada à família e muito próxima do marido e das filhas, cuidando até o último detalhe da estreia de Janhvi em Dhadak (2018), que infelizmente não conseguiu assistir. É comum atrizes em Bollywood deixarem a carreira após o casamento, porém o caso de Sridevi envolvia finalmente ter  a vida familiar tranquila que não conhecia desde a infância.

"Eu trabalho desde os quatro anos. Minha vida foi apenas gravações, estúdios e casa. Até o casamento e a maternidade, estive totalmente dedicada ao meu trabalho. Não via nada além disso. Eu fiz minha parte como atriz. Após o casamento, toda mulher quer se estabelecer e ter filhos. Eu não estou arrependida. Eu estava totalmente ocupada com o meu pequeno mundo, aproveitando cada experiência que surgiu no meu caminho."



"Casar e ter filhos foi uma experiência completamente diferente, e eu queria aproveitar cada momento - desde as minhas filhas dando os primeiros passos, até me chamarem de 'mamãe' e o primeiro dia na escola. Eu não queria perder nenhum momento das vidas delas. Aprecio a maneira como as mães que trabalham cuidam de seus filhos enquanto lidam com responsabilidades profissionais, mas senti que já havia feito o suficiente."

Lamhe (1991)

Em 2004 fez um breve retorno à atuação na novela Malini Iyer, protonizando a história de uma esposa do sul da Índia que tenta unir as tradições culturais da sua região às tradições nortistas do seu marido do Punjab. A experiência na televisão foi difícil para Sridevi por fazê-la passar longas horas longe das filhas pequenas. O esperado grande retorno ao cinema veio apenas em 2012. English Vinglish foi o filme definido por Sridevi para quebrar a pausa de quinze anos longe do seu público. A história escolhida refletiu sua sensibilidade para detectar boas histórias e também o momento de maturidade pessoal e profissional. No filme, sua personagem é uma dona de casa que redescobre sua autoestima e conquista o respeito da família que a subjuga e subestima ao secretamente aprender inglês. Sridevi soube aliar perfeitamente seu talento à uma percepção aguçada sobre os tempos atuais e novas possibilidades para atrizes no cinema:

"Eu sempre sigo meus instintos. Mais do que tudo, o personagem tem que me agradar. Não posso fazer coisas que fiz há 10 ou 20 anos atrás. Eu não vou mais me sentir confortável fazendo isso. Quero que minhas filhas tenham orgulho do que estou fazendo. Então, sim, obviamente, vou escolher filmes que tenham ótimas histórias e que não exijam que eu seja quem eu era anos atrás. Não faria sentido."

English Vinglish (2012)

O filme foi um sucesso de crítica e público, porém logo em seguida a atriz entrou em outro período de hiato. O último papel de Sridevi foi em Mom (2017), no qual interpretou uma mãe em busca de vingança após sua filha ser brutalmente estuprada. Mais uma vez ela conquistou todas as instâncias com seu trabalho. Por sua atuação, Sridevi recebeu postumamente o prêmio nacional de melhor atriz, que é considerada a premiação mais importante da Índia. Pela primeira vez o prêmio foi concedido postumamente.

Mom (2017)

Até o momento de sua trágica morte em fevereiro de 2018 por afogamento acidental em uma banheira de hotel, Sridevi pretendia nos presentear ainda mais com seu talento e amor ao cinema. Ela tinha planos de atuar em Kalank e estava especialmente investida no lançamento da filha Janhvi. Sua morte pegou a todos os fãs de cinema indiano desprevenidos e nos deixou devastados. Pudemos ver diversos artistas reconhecendo a profunda influência que Sridevi teve em suas carreiras, como Priyanka Chopra, que declarou:

"Ela foi a minha infância e uma das grandes razões pelas quais me tornei atriz. Referir-se a todos nós como meros fãs seria um desserviço para ela. Quando a notícia da sua morte foi divulgada, fiquei imobilizada. Tudo o que eu conseguia fazer era ouvir músicas de seus filmes, revisitar suas entrevistas e assistir suas cenas icônicas repetidas vezes. Eu sabia que não estava sozinha; milhões estavam sentindo aquela exata emoção de choque e perda. Sua conexão com o público era tão forte que cada um de nós tem memórias especiais ligadas a ela."

O legado dessa superestrela é inestimável. Em uma carreira de 50 anos que se confundem com seu próprio tempo de vida, ela deixou trezentos filmes em diversas línguas e de variados estilos, indo do mais comercial e glamouroso aos dramas simples e naturais com o mesmo brilhantismo e dedicação. Suas habilidades de dança encantaram gerações e seu estilo, espontaneidade em cena, disciplina e profissionalismo são marcos eternos aos quais artistas de gerações atuais e vindouras sempre irão aspirar. Que seu legado seja apreciado e honrado por artistas e fãs do cinema com a mesma paixão que Sridevi dedicou ao cinema.

É isso mesmo? Mais de 1 ano sem postar no blog, nação bollywoodiana! Foi excesso de trabalho, não falta de amor e muito menos de saudades. Então para retornar, nada melhor que me atualizar nas fofocas de Bollywood junto com vocês. Hoje tem possível separação, substituição, racismo e uma nova vida a caminho. Descubram o que aconteceu em Bolly!

Mais ação

O novo par romântico de Salman Khan está definido: Disha Patani será sua parceira de cena em Radhe. A grande diferença de idade chama a atenção, tendo Disha 27 anos e Salman 53.

O filme será dirigido por Prabudeva, que já trabalhou com Salman em Wanted. Randeep Hooda também está no elenco.


Fonte: Filmfare.

Batalha judicial

Sooraj Pancholi, condenado por incentivar o suicídio da atriz Jiah Khan, desabafou sobre as acusações e a difícil relação com a família da atriz, em especial sua mãe, Rabiya Khan:

"As pessoas que entraram com o processo contra mim não estão aparecendo no tribunal. Além disso, a mídia criou uma percepção de que eu sou um cara mau, sem conhecer os fatos. Se eu vou ao tribunal todas as vezes e os queixosos não comparecem ao julgamento, isso é uma resposta não apenas ao tribunal, mas também às pessoas que pensam que eu sou o cara mau.

Eu era jovem. Eu nem sabia o que estava acontecendo. Não estou dizendo que sou inocente. Diga, se eu sou o cara mau, se eu sou a pior pessoa, então por que você não aparece no tribunal? Faz sete anos. Só porque você possui um passaporte britânico, acha que pode fazer tudo?

Você não está apenas arruinando a vida de uma pessoa, mas também uma família. Isso é muito injusto. Peço a Deus que isso termine logo, porque não tenho tempo para sentar e esperar. Na história da Índia, sou a única pessoa que pediu pediu por favor para ter seu julgamento. Ninguém, nenhum acusado diz isso. O tribunal também está pronto, mas meu julgamento ainda não começou."

Com sua carreira afetada e notícias ruins saindo a todo tempo devido ao seu envolvimento no caso de Jiah Khan, ele espera pelo julgamento para seguir com sua vida.

“Eu só quero que a verdade saia e a mídia não pode me dar isso. A mídia não pode me fazer justiça, apenas o tribunal pode me dar isso. Então, eu estava esperando o tribunal tomar a decisão e muito tempo se passou. Esta é a minha carreira, meu ganha-pão. Então eu tenho que falar, porque o que está acontecendo está errado. ”

O ator não teve nenhum outro filme desde sua estreia em 2015 com Hero. Seu segundo filme estreará este mês e é um drama de ação intitulado Satellite Shankar, no qual interpreta um soldado.



Fonte: Hindustan Times.

Mamãe

Esta é nova para mim, e uma nova bem feliz: Kalki Koechlin está grávida de seis meses! A atriz espera um bebê de seu namorado, Guy Hershberg. Ter um filho fora do casamento ainda é uma questão na Índia, mas Kalki afirma que suas vizinhas e pessoas próximas tem sido apoiadoras e queridas. Entretanto, a internet não é tão amigável:

"Aconteceu algum nível de trollagem, como 'Onde está o marido? Como você pode fazer isso? Não use roupas apertadas'. Tudo isso acontece, mas como também ocorre quando você não está grávida...tudo bem. As pessoas têm seus pontos de vista ”


Fonte: Hindustan Times.

A dupla que nós precisávamos e nem sabíamos

Katrina Kaif e Vidya Balan podem fazer um filme juntas pela primeira vez. Ainda não se sabe muito sobre a história, mas seria protagonizada pelas duas e seria de ação e comédia. O melhor filme de todos pode estar nascendo com meu sonho de ver um filme de ação protagonizado por Kat? Vamos aguardar e torcer.

Fonte: Miss Malini.

Separação?

Há rumores de um possível divórcio entre Imran Khan e sua esposa Avantika Malik. Os rumores ficaram ainda mais fortes após Avantika compartilhar nos stories do Instagram uma imagem que dizia:

"Às vezes, você precisa se afastar. Você precisa olhar para as coisas para as quais está dando energia e perceber que, embora possa ficar, e tentar obter a aprovação deles ou tentar estar à altura deles, você também pode fazer a corajosa escolha de levar toda a energia que ainda resta para um espaço que lhe acolha. Você ainda pode precisar ir embora, confiando que há muito mais à sua frente."


É de fato uma mensagem bastante sugestiva para quem tem rumores de divórcio na mídia. A mãe de Avantika negou o divórcio e declarou que existem diferenças que serão resolvidas entre eles. Enquanto isso, Avantika retirou o Khan de seu nome no Instagram. O casal está junto desde 2011 e tem uma filha de 5 anos, Imara.

Fontes: India Today, Hindustan Times.

Mitológica

O próximo filme de Deepika Padukone será um reconto do épico Mahabharata segundo o ponto de vista de Draupadi, a personagem feminina mais importante da história. A história será dividida em duas partes, com a primeira chegando aos cinemas em 2021. Nas palavras de Deepika:

"Todos conhecemos o Mahabharata por suas histórias mitológicas e influência sociocultural. Derivamos muitas lições de vida do épico. Mas a narrativa com a qual estamos mais familiarizados é a dos protagonistas homens do épico. Essa nova perspectiva será não apenas interessante, mas também significativa."

Estou oficialmente animada.

Fonte: Miss Malini.

Substituída

Eu me lembrava de Shradhha Kapoor interpretando a jogadora de badminton Saina Nehwal na biografia da atleta e fiquei confusa vendo Parineeti Chopra viajando para encontrar Saina e fazer laboratório para o filme. Parece que Shraddha ficou doente e retomaria as filmagens em abril, com alguns sites dizendo que ela pediu para deixar o filme por problemas de agenda. Entretanto me lembro de há muito tempo ler notícias informando que o desempenho de Shradhha não estava agradando e que ela não havia conseguido viver bem a personagem. Acredito muito mais nesta hipótese, pois as gravações estavam em andamento há tempos, Shraddha já havia treinado bastante e nesta foto podemos ver que o trabalho estava adiantado:


Pari já está treinando e tudo voltou ao início. Espero que seja um sucesso para a nossa fada injustiçada da atuação.


Fontes: Times of India, Hindustan Times

Humilde

E por falar em Shraddha Kapoor, a internet ficou encantada com seu carinho e humildade ao postar uma foto em homenagem ao aniversário de seu segurança, Atul Kamble. A atriz escreveu:


"Feliz aniversário para uma das pessoas mais importantes e maravilhosas da minha vida. Obrigado por sempre me manter a salvo. Atul, tenho sorte por ter alguém como você em minha vida. Que você tenha felicidade, paz e tudo o que quiser!

Fonte: Pinkvilla.


Inverdades

Akshay Kumar não gostou das alegações de que os bons números de bilheteria de seu filme Housefull 4 foram inflados e não correspondiam à realidade.

"Existe um estúdio chamado Fox Star Studios (envolvido no filme). Tem grande credibilidade. É uma empresa corporativa. É de Los Angeles. Não é possível. Devemos usar nossos cérebros. Eles fazem filmes de milhões e milhões de dólares e, para eles, um aumento (em números) de três ou cinco não significa nada. Então, vamos falar coisas que façam sentido."

Pelo amor de deus, saia daí, Kriti Sanon

Como sempre ocorre com seus filmes de comédia, os críticos não apreciaram Housefull 4. Akshay refletiu sobre a relação da crítica com filmes comerciais de comédia.

"É muito difícil fazer uma comédia física em que é preciso manter a lógica distante - a comédia física é especialmente difícil. Na época, Charlie Chaplin costumava fazer isso sem diálogos. Ele costumava nos fazer rir. Eu te digo, é a atuação mais difícil de fazer. Não sei por que esse gênero não recebe o devido crédito. Estou tentando encontrar uma resposta há 30 anos. Até conversei com pessoas que dão prêmios sobre por que as comédias não são celebradas. Todos pensam que é muito fácil fazer comédia, mas, como continuamos dizendo, escrever e interpretar qualquer gênero de comédia é muito difícil."

Como a grande fã do primeiro Housefull e da série Golmaal que sou, tenho que concordar com Akshay. Não é todo mundo que consegue fazer o outro rir, mas por sua vez geralmente os comediantes também são bons atores dramáticos.

Fonte: Pinkvilla.
 
Batalhador


Nem todo mundo de Bollywood é filho de alguém e começa sua carreira com papel de protagonista aos 18 anos. Rajkummar Rao é uma das exceções e relembrou sua difícil jornada até o sucesso:

"Minha luta começou em Délhi. Eu venho de Gurgaon e costumava viajar em ônibus muito lotados ou às vezes pedalava de Gurgaon a Mandi House e para o teatro. Minha luta começou a partir daí. Quando eu cheguei a Bombaim, por dois anos conheci muitas pessoas e sofri muitas rejeições. Não foi um caminho fácil."

Raju é muito grato por poder viver de arte, mesmo com os impactos na vida pessoal. Ela namora a também atriz Patralekhaaa.

"Estou muito feliz. Há tantas pessoas por aí que querem fazer o que estou fazendo. Então, quando tenho a chance de viver meu sonho todos os dias, não há saturação. Eu amo isso.

Eu gostaria de poder dar mais tempo à minha vida pessoal, mas tenho algumas pessoas realmente compreensivas e elas sabem que todos nós viemos à cidade para fazer isso. Você precisa ter um entendimento com seus amigos e entes queridos. "

Fonte: Pinkvilla.

Gostosuras ou travessuras?

Sonam Kapoor e o marido Anand Ahuja zeraram o joguinho do Halloween e se vestiram como Anarkali e Príncipe Salim, personagens de Madhubala e Dilip Kumar na épica história de amor do filme Mughal-E-Azam.


Fonte: India Today. 

Racismo

Que a Índia tem sérias questões com racismo e isso influencia em baixa representação de atores com peles escuras, não é novidade. A atriz Bhumi Pednekar está no filme Bala, em que Ayushmann Khurrana vive um homem calvo e ela, uma mulher de pele escura que sofre preconceito por isso. O problema? Em vez de contratarem uma atriz com a pele mais escura, a produção optou por escurecer a pele de Bhumi no pôster de divulgação, que a traz segurando os infames cremes clareadores.


O escurecimento da pele da atriz trouxe muitas críticas. Bhumi preferiu focar na mensagem que deseja passar com a história:

"Existe uma obsessão pela pele clara. Como atriz, sinto que tenho poder suficiente para que as pessoas nos escutem. É a mídia visual de maior alcance para as pessoas em nosso país e quero fazer o meu melhor para combater o preconceito com isso. Este é o meu serviço para a minha sociedade ".

A crítica de cinema Namrata Joshi refletiu sobre o problema:

"Tem a ver com a forma como os indianos consideram a pele clara como bonita. É por isso que você não encontra grandes estrelas de pele escura. Diante disso, o que você faz quando se trata de interpretar personagens de pele escura, mas usa essa maquiagem?"

Nandita Das, atriz e diretora, comentou sobre o racismo no cotidiano da indústria:

"De maneiras tanto sutis quanto claras, geralmente ouvimos coisas como 'a pele dela é limpa', um eufemismo para pele clara, como se a pele escura fosse suja.

Nos grandes filmes comerciais, se você tem pele escura, é mais considerada para o papel de uma mulher da aldeia ou de moradora de favela. Mas um personagem urbano rico deve sempre ter pele clara." 


Fontes: The Straits Times, The Pioneer.

Anupama Chopra conta no livro Sholay: The Making of a Classic que Rajendra Kumar duvidou do sucesso do filme por não haver a presença de uma forte figura materna. Este não é um problema de forma alguma para Talash ("Busca"), um thriller romântico - se é que isso existe - de 1969 cuja história e título são baseados na importância das lições que uma mãe deixa para o filho. Cinema indiano antigo em seu máximo.

Rajendra interpreta Raj Kumar, um jovem determinado que decide trabalhar para melhorar de vida e apoiar sua mãe, interpretada por Sulochana Latkar. Como sempre ocorre em filmes antigos, a mãe não tem nome e vive apenas para...bem, ser mãe e dar grandes lições de vida. Raj descobre que a mãe mentiu sobre suas condições de vida para que ele pudesse estudar tranquilamente, tendo na verdade passado todos aqueles anos trabalhando arduamente como costureira. O rapaz entra para o escritório do milionário Ranjit Rai (Balraj Sahni) e sua honestidade e competência logo o fazem crescer na carreira. É então que viaja para o interior e se apaixona pela jovem e pobre Gauri (Sharmila Tagore). Ao voltar à cidade, descobre que a filha de seu chefe é idêntica à Gauri e um dilema se instaura em sua vida: deve manter a promessa feita à inocente Gauri ou escolher a rica Madhu?


Escrever o parágrafo anterior parece mais fácil do que realmente o foi, pois na primeira metade de Talash era praticamente impossível entender do que o filme se tratava. Associada à história principal é desenvolvida em paralelo (ou menos em paralelo do que deveria) a história de Lahchu, o melhor amigo de Raj que se apaixona pela dançarina Rita (Helen) e tenta ajudá-la a livrar-se de uma história de extorsão na qual ela e seu pai vivem há anos. Não é incomum no cinema indiano que o coadjuvante que funciona como alívio cômico ganhe mais tempo em cena do que o necessário para algumas piadas, porém o enorme tempo dispendido na história de Rita e Lahchu me pareceu estranho. Logo após o término do filme pesquisei e descobri que Lahchu foi interpretado por O.P. Ralhan, que vem a ser simplesmente o diretor do filme. Repentinamente foi fácil entender o porquê de tanta dedicação a uma história dispensável.

Apesar de o excesso de tempo ser desnecessário, a consequência boa de acompanhar a história de Lahchu e Rita é poder ver a sensacional Helen em mais musicais do que a média. Kar Le Pyaar é um divertido musical de cabaré com o nível alto de energia que só mesmo Helen consegue manter neste tipo de número musical. Mera Kya Sanam em particular me entreteu muito e fez lembrar como eu achava Helen uma dançarina esquisita, com seus passos desinibidos e sacudidas de um lado para o outro. Hoje vê-la dançando é motivo para eu perdoar qualquer filme ruim e passar alguns minutos sorrindo um pouco.


Sharmila Tagore é uma presença que me encanta cada vez mais no cinema antigo. Além da evidente beleza, tenho a impressão de que consegue conferir certa dignidade a qualquer personagem, seja uma mulher mais submissa ou livre. É fácil lembrar de cenas suas em filmes e não apenas dos clipes, o que acredito ser uma evidência de que nunca foi apenas um acessório para conferir beleza. Seu papel duplo em Talash não chega nem perto de um papel substancial como teve em Aradhana e muitos dos seus momentos podem ser resumidos como Gauri se jogando aos pés de Raj ou Madhu se jogando em cima dele, porém a transição de jovem pobre para milionária é bem convincente - mesmo que eu a tenha confundido com a Helen quando apareceu com cabelos loiros e olhos azuis.


Rajendra Kumar nunca teve das atuações mais brilhantes, mas sempre seguirá como um dos meus favoritos. Seus personagem neste filme vive basicamente o conflito entre ambição e moral, passando a imensa parte do tempo olhando profundamente para o além e tentando decidir qual caminho seguir. Já havia visto Rajendra sofrendo e costumo acreditar em sua dor, mas provavelmente Talash foi o filme em que mais dei risada de um clímax dramático. Rajendra gritava, batia no peito, puxava os cabelos, arregalava os olhos e jogou todas as estratégias para transmitir desespero de que pôde se lembrar. Àquela altura eu já não esperava muita coisa do roteiro louco do filme e apenas segui apreciando a presença de um ator tão querido, presença forte dos anos 60.


Talash poderia ser apenas mais um filme antigo esquisito, não fosse pela mistura desordenada entre thriller, comédia e romance que nunca chega a lugar nenhum. Mesmo com a condução confusa da primeira metade, ela certamente foi a parte em que mais gostei do filme, pois tudo caminhava bem enquanto víamos Sharmila Tagore em meio a montanhas e Rajendra amando sua mãe. Infelizmente o diretor, que também foi o roteirista, não soube bem onde queria chegar com tanta informação e acabou se perdendo. Ainda assim é uma experiência divertida assistir a tantos clipes bons e sempre se pode contar com o ponto alto do filme, que é a trilha irretocável de S.D.Burman - talvez o melhor produtor musical da antiga Bollywood (ou só meu favorito mesmo). Se as expectativas forem mantidas em nível baixo, vale pela curiosidade de ver um clássico. 
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"DEEWANEANDO"?

Devanear = divagar, imaginar, fantasiar. Deewani = louca, maluca. Deewaneando = pensar aleatória e loucamente sobre cinema indiano.

Meu nome é Carol e sou a maior bollynerd que você vai conhecer! O Deewaneando existe desde 2010 e guarda todo o meu amor pelo cinema indiano, especialmente Bollywood - o cinema hindi. Dos filmes antigos aos mais recentes, aqui e no Bollywoodcast, seguirei devaneando sobre Bollywood.

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