As grandes produtoras de Bollywood

Em todo início de filme somos apresentados às produtoras que investiram seu tempo e dinheiro na esperança de que aquela obra seja um novo sucesso de bilheteria. Vários artistas possuem suas próprias produtoras, como Shahrukh Khan (Red Chillies Entertaiment), John Abraham (JA Entertainment), Aamir Khan (Aamir Khan Productions) e Anushka Sharma (Clean Slate Films), que produziram clássicos como Lagaan e Om Shanti Om ou inovações como Vicky Donor e NH10. Hoje conheceremos algumas das produtoras mais famosas de Bollywood, não associadas a produzir filmes apenas para atores específicos.


RAJSHRI PRODUCTIONS



Esta é uma das mais tradicionais produtoras da indústria, lançada em 1962 por Tarachand Barjatya. O foco desde o início e mantido até os dias de hoje por seus netos Sooraj Barjatya e Kavita Barjatya é na produção de filmes voltados para o público familiar, com transmissão de firmes valores morais para os espectadores. Podemos facilmente reconhecer os filmes da Rajshri pelas cenas e musicais com rituais tradicionais do hinduísmo.

O primeiro filme da produtora foi Aarti (1962) e o primeiro grande sucesso veio dois anos depois, com Dosti, que trouxe atores praticamente desconhecidos. Em 1989, Sooraj Barjatya aventurou-se na direção com Maine Pyar Kiya, filme de estreia de Salman Khan. A mesma dupla de diretor e ator reuniu-se novamente em 1994 com Hum Aapke Hain Kaun...!, filme que revolucionou o cinema indiano ao trazer novamente as famílias para as salas de exibição ao afastar-se das temáticas violentas do cinema da época, com uma história sem agressividade ou vilões. O filme representou uma revolução no cinema indiano, revigorando uma indústria em franco declínio e redefinindo o que se entendia por blockbuster.


A Rajshri experimentou lançar alguns filmes com temática mais contemporânea, como Main Prem Ki Deewani Hoon (2003) e Isi Life Mein (2010), mas não obteve sucesso na empreitada. Eles têm lançado poucos filmes nos últimos anos, com destaque para os sucessos Vivah (2006) e Prem Ratan Dhan Payo (2015).


VISHESH FILMS



Os irmãos Mahesh e Mukesh Bhatt abriram a empresa em 1986 e a nomearam em homenagem ao filho de Mahesh, Vishesh. Os dois irmãos dirigiram os catorze primeiros filmes da produtora, entre os quais destacou-se o romance Aashiqui (1990), que anos depois receberia um remake. Nos anos recentes a produtora tem lançado filmes de baixo orçamento, alguns com temática sexual e de terror, como os thrillers eróticos Raaz (2002), Murder (2004) e Jism (2003). Todos esses filmes tiveram sequências, outra característica atual da produtora. O ator Emraan Hashmi, sobrinho de Mahesh e Mukesh, é bastante associado à imagem da Vishesh por ter estrelado quinze filmes dela.



YASH RAJ FILMS

Todo ator novato sonha com uma estreia na glamourosa e colorida YRF, companhia fundada pelo lendário diretor Yash Chopra em 1970. Hoje a empresa conta com uma estrutura grandiosa que controla todo o processo de elaboração de seus filmes, desde a produção até a distribuição, marketing e afins. Seu primeiro filme foi Daag: A Poem of Love, dirigido pelo próprio Yash Chopra, que também dirigiu numerosos sucessos para sua empresa como Kabhi Kabhie (1976), Chandni (1989) e Veer-Zaara (2004). A YRF exerceu importante papel de sucesso na carreira de Shahrukh Khan com Dilwale Dulhania Le Jayenge (1995), dirigido por Aditya Chopra, filho de Yash. A companhia é hoje dirigida pela família, com os irmãos Aditya e Uday Chopra e sua mãe Pamela no comando. A esposa de Aditya, Rani Mukerji, também faz parte da direção. O gerenciamento da empresa é em sua maioria familiar, com exceção do vice-diretor Aashish Singh.



As comédias românticas dos últimos anos da empresa foram responsáveis pelo lançamento de atores famosos como Anushka Sharma, Parineeti Chopra e Ranveer Singh. É comum a YRF lançar novas estrelas com um contrato de três filmes, o que mantém a imagem dos atores associada à marca. Apesar de a imagem principal da empresa ainda ser associada ao romance, a série Dhoom e filmes recentes de Salman Khan como Sultan e Ek Tha Tiger também são interesses da produtora.

UTV MOTION PICTURES



A UTV foi fundada em 1996 pelo casal Ronnie e Zarina Screwvala, sendo parte do conglomerado empresarial da UTV Software Communications. Seu primeiro filme foi a produção indo-canadense Such a Long Journey (1998), dirigido pelo canadense Sturla Gunnarsson. A produtora se destacou por seu estilo executivo e urbano, diferenciado-se das tradicionais produtoras familiares de Bollywood pela visão comercial estratégica e colocando-se como protagonista do processo de profissionalização da produção de filmes em Bollywood. O primeiro grande sucesso de público e crítica veio em 2006 com o drama social Rang de Basanti e nos anos seguintes houve investimento em outras obras com temáticas ousadas, como a indústria da moda em Fashion (2008). A empresa faz muitas parcerias para co-produção com outras produtoras, tendo assim participado de sucessos como Dangal (2017) e Chennai Express (2013).



NADIADWALA GRANDSON ENTERTAINMENT PVT LTD


A família Nadiadwala está no ramo do cinema desde 1955 e o primeiro filme produzido por ela foi Inspector (1956). A família já está em sua terceira geração na indústria, sendo Sajid Nadiadwala o responsável pela retomada dos negócios. Ele abriu e nomeou a empresa em 2005 ao tornar-se produtor independente e desde então a produtora destaca-se principalmente pelos filmes de comédia e ação, como Hey Babyy (2007), Judwaa (1997), Heropanti (2014) e a série Housefull. Sajid estreou como diretor em 2014 com o blockbuster Kick (2014). Os dramas Tamasha (2015) e Rangoon (2016) foram duas incursões recentes da empresa no gênero dramático, mas não tiveram bom desempenho. Os filmes comerciais de massa seguem sendo o carro-chefe da empresa.



DHARMA PRODUCTIONS



Yash Johar fundou a Dharma em 1976 e teve bastante sucesso com Dostana (1980), estrelado por Amitabh Bachchan e primeiro filme da Dharma. O sucesso não foi repetido pelos 18 anos seguintes, tendo a companhia amargado sucessivos fracassos na bilheteria até o momento de o filho de Yash, Karan Johar, lançar seu primeiro filme, Kuch Kuch Hota Hai (1998). O imenso sucesso comercial do filme recolocou a Dharma no mercado, posição que foi fortalecida pelo segundo filme de Karan, Kabhi Khushi Kabhie Gham (2001). Yash faleceu após o lançamento de Kal Ho Naa Ho (2004), que também foi um enorme sucesso de bilheteria. Karan não tinha conhecimentos do gerenciamento da empresa, mas assumiu a direção da Dharma após a morte do pai e convocou seu amigo Apoorva Mehta para ajudá-lo.


Karan revolucionou a direção artística da empresa, inserindo em seus filmes temas pouco explorados pelo cinema comercial como a homossexualidade em Dostana (2008) e infidelidade conjugal em Kabhi Alvida Naa Kehna (2006). As comédias românticas jovens e urbanas são a principal característica da empresa, além do lançamento de novos diretores como Karan Malhotra em Agneepath (2012) e Punit Malhotra em I Hate Luv Storys (2010). Recentemente também houve incentivo ao lançamento de jovens atores, com destaque para o trio Alia Bhatt, Sidharth Malhotra e Varun Dhawan em Student Of The Year (2012).

VINOD CHOPRA FILMS



O diretor Vidhu Vinod Chopra lançou sua própria empresa em 1985 com o filme Khamosh. Seu próximo lançamento foi Parinda (1989), que também dirigiu e fez enorme sucesso de público e crítica, mudando a representação da violência no cinema indiano. Os próximos lançamentos da produtora foram também dirigidos por ele, o que mudou em 2003 com Munnabhai M.B.B.S, sucesso estrondoso de Rajkumar Hirani. Hoje ele é responsável pelos enormes sucessos comerciais da produtora, como 3 Idiots, Lage Raho Munna Bhai e P.K.


BALAJI MOTION PICTURES


O ator Jeetendra deu início à Balaji em 2001, sendo ela uma subsidiária da sua empresa Balaji Telefilms, fundada em 1994 e focada na produção de conteúdo para a televisão, como telenovelas e reality shows. A companhia é totalmente dirigida pela família, tendo na direção a esposa de Jeetendra, Shobbha Kapoor, e seus filhos Tusshar e Ekta. 


Ekta Kapoor foi a responsável pela entrada da família na produção para cinema com o fracasso comercial Kyo Kii... Main Jhuth Nahin Bolta (2001). O primeiro sucesso veio em 2005 com Kyaa Kool Hai Hum, a primeira comédia sexual da indústria. A partir de 2007 foram feitos investimentos em filmes com temáticas mais pesadas que chamaram a atenção da crítica, como  Shootout at Lokhandwala, Love Sex Aur Dhoka e Shor In The City. Em 2011 público e crítica ficaram impressionados com a biografia da atriz Silk Smitha em The Dirty Picture. Os últimos anos trouxeram alguns sucessos, como Main Tera Hero (2014) e Udta Punjab (2016) e o investimento em comédias sexuais segue firme.

E aí, percebeu que alguma produtora é responsável pela maior parte dos seus filmes favoritos? Conte qual!

Padmaavat (2018)


Escrever sobre cinema indiano sendo uma pessoa de fora de cultura envolve diversas limitações. A primeira provavelmente é a língua, que impede o acesso a elementos muito comentados por fãs do cinema hindi, como a forma de o artista falar os diálogos e diversas brincadeiras e poesias que só conseguem ser acessadas pelos falantes nativos. A restrição que considero mais marcante ainda é a barreira cultural, que sempre restringirá minha compreensão completa da obra. Além da falta de conhecimento de elementos históricos, dos quais diversas vezes só tomo conhecimento após assistir a um filme, determinadas questões sociais também passam desapercebidas mesmo que eu já as conheça antes, pois não fazem parte do meu cotidiano e entender a questão de uma forma geral não é o mesmo que reconhecer as microexpressões de suas manifestações numa obra de arte. 

Quando relatei no blog no ano passado as dificuldades vividas pela equipe do filme durante as filmagens devido a ataques de grupos políticos e religiosos, já soube que Padmaavat exigiria um pouco mais de atenção no momento de assisti-lo. Deepika e o diretor Sanjay Leela Bhansali foram submetidos a tantas ameaças de morte e isso levou a tantos adiamentos que parecia que todos já havíamos visto o filme antes mesmo de ser lançado. É comum que tensões políticas e religiosas atrapalhem a produção de filmes indianos, sendo notório os ataques violentos do partido Shiv Sena a cinemas onde foram exibidos os filmes Fire em 1998 e My Name Is Khan em 2010, por tratarem dos temas homossexualidade e islamismo. A última obra de Bhansali teve de lidar com os ataques da organização Karni Sena, grupo Rajput cujo principal objetivo é promover a própria casta e que passou de todos os limites aceitáveis ao violentamente atacar e ameaçar a produção do filme por terem a informação de que nele haveria uma sequência em que Alauddin Khilji teria um encontro romântico em sonho com a rainha Padmavati. A lenda da rainha Padmavati é sagrada para os Rajput, que a colocam como exemplo do sacrifício feminino.



A existência da rainha é contestada, mas a lenda conta a história da rainha Padmavati (Deepika Padukone), segunda esposa do rei de Chittor Ratan Singh (Shahid Kapoor). Sua beleza é motivo de cobiça para o irascível Alauddin Khilji (Ranveer Singh), líder da dinastia muçulmana que governou o sultanato de Délhi de 1290 a 1320. A lenda contada no poema Padmavat, escrito por Malik Muhammad Jayasi em 1540, conta que Khilji teria invadido Chitor guiado pelo desejo de ter Padmavati para si, levando à uma guerra que resultou na cerimônia do Jauhar, em que as mulheres queimam a si mesmas para não serem violadas.

Bhansali mais uma vez escolheu a estrutura de triângulos para compor sua história, sendo desta vez em quantidade maior que antes. Há a disputa entre Ratan Singh e Khilji cujo centro é Padmavati; a relação de ciúmes entre Ratan Singh, sua primeira esposa, Nagmati (Anupriya Goenka) e a bela Padmavati; e até mesmo a sugestiva relação entre Khilji, seu escravo Malik Kafur (Jim Sarbh) e a relação obsessiva do primeiro com Padmavati ou com sua esposa, competentemente interpretada por Aditi Rao Hydari. A movimentação de cada uma dessas relações está presente em cada cena e mantém um clima de tensão permanente, contraposto por uma estética impecável com lindos figurinos e bastante uso de tons amarelados, que foram combinados com cores mais vivas no reino de Chittor e mais escuras no sultanato. Esta simples oposição de cores já deixam claras as posições morais escolhidas pelo diretor desde o começo: os Rajput são dignos e nobres e os muçulmanos, sujos e imorais. E foi aí que começaram minhas questões com este filme.

Bem e mal

Falar sobre hindus e muçulmanos na Índia é tarefa delicada devido às tensões comunais que existem há anos entre os dois grupos religiosos, tensões estas que durante muito tempo foram responsáveis por representações negativas de muçulmanos na cultura popular, inúmeras vezes postos como vilões, terroristas e aficionados - não à toa a suposição de uma cena romântica imaginária entre uma rainha hindu e um sultão muçulmano levar a cenas de violência reais. É devido à sensibilidade do assunto que o simplismo escolhido por Bhansali ao representar a oposição entre o rei Rajput e o sultão muito me incomodou. Khilji é colocado como um homem sujo, extremamente rústico e com uma crueldade sem limites. Ele come como um porco, está sempre com os cabelos soltos e desgrenhados, mata e ostenta as cabeças de suas vítimas e abusa de mulheres ao seu bel prazer. O tom da atuação de Ranveer ajuda a compor esse personagem sem nuance alguma, tendo o ator e o diretor escolhido uma intensidade alta para o personagem que já se apresenta na primeira cena e permanece sem nenhuma variação ao longo das quase três horas de filme, com exceção de um momento de fragilidade física de Khilji. Seria mais interessante ver sua loucura e obsessão por Padmavati crescendo com o desenrolar da história. O trabalho sensível e um pouco mais rico em tonalidades de Shahid Kapoor me impressionou mais, e sei que esta é uma declaração que não acompanha a opinião geral de público e crítica de que Ranveer Singh dominou o filme. Shahid há muitos anos tem seu talento desperdiçado em péssimas escolhas de filmes que na maioria das vezes se transformam em fracassos de bilheteria, condição que torna seu personagem em Padmaavat ainda mais agradável para os fãs de seu trabalho. O ator alternou entre uma atuação mais doce e suave nas cenas românticas com Deepika, um estrategista altamente nobre nas discussões sobre a guerra e um homem indignado ao lidar com Khilji, conseguindo trazer um pouco mais de dinâmica ao personagem unidimensional apresentado por Bhansali dentro de um roteiro engessado que trazia quatro menções ao orgulho e superioridade Rajput a cada cinco frases.


Deepika não teve espaço durante a primeira metade do filme, tendo praticamente apenas emprestado sua beleza para longas sequências em câmera lenta do seu romance com Shahid e com uma ou outra cena mais intensa, como o momento antes do casamento em que o fere com um punhal para que não vá embora do reino onde vive. Uma participação tão pequena de sua personagem estava sendo uma surpresa após a expressividade de seus dois trabalhos anteriores com Bhansali, como Leela e Mastani. A segunda parte logo mudou o cenário e a elogiada inteligência da personagem finalmente teve uso em seus estratagemas militares e nas discussões com o marido sobre seu papel como rainha. A personagem de Anupriya Goenka a todo momento coloca a beleza de Padmavati como responsável por todos os males que atingem Chittor, mas há um belo e breve momento no qual se questiona a culpabilidade da vítima, sendo lembrado que o erro está no homem descontrolado que não sabe respeitar uma mulher. A inserção dessa questão na história pareceu uma forma de adequar o filme às discussões da última década sobre o papel da mulher, de forma a não haver excesso de críticas à completa glorificação do Jauhar que é feita nas cenas finais, que são estonteantes e certamente um dos mais belos momentos da carreira do diretor e da atriz. A prática é um horror que mostrava a imensidão da vulnerabilidade das mulheres ao longo da história e foi apresentada no filme de uma forma etérea e muito mais ligada a sentimentos de honra e dignidade do que de desespero e fragilidade. O ato de guerra é apresentado como a maior derrota da vida de Khilji, e não da rainha e das outras mulheres. Padmavati ser um ícone Rajput até hoje mostra claramente qual é o lugar que estes homens reservaram para as mulheres.


Os papéis secundários do filme não foram bem explorados. O romance homossexual entre Khilji e seu criado é apresentado até comicamente por meio de comentários pejorativos de outros personagens e de um musical hilário em que Malik Kafur se banha com Khilji e ilumina com uma tocha seu encontro romântico com uma mulher. Jim Sarbh é inicialmente apresentado como um homem tão sem escrúpulos quanto o sultão, mas após isso cai apenas nos lugares comuns reservados a homossexuais em filmes de Bollywood, sem grande espaço ou desenvolvimento. A rainha Nagmati é caracterizada de forma a não parecer ter a mesma beleza ou força que Padmavati, tendo como função ser o contraponto para que a outra rainha possa brilhar mais em cena. Do outro lado da história tivemos a linda atuação de Aditi Rao Hydari como a esposa dividida entre o que é certo e seu amor pelo monstro com quem se casou. Sempre vemos a atriz em papéis secundários e ter conseguido brilhar em um filme com tanto foco no trio principal é sinal de que merece oportunidades maiores em sua carreira.


Os musicais não são tão marcantes, apesar das belas canções. Ghoomar foi o mais próximo do que já conhecemos da grandeza tradicionalista dos musicais históricos de Bhansali e desta vez me pareceu também a coreografia mais próxima da vida real, com movimentos mais lentos - comparando com algo como Nagada Sang Dhol, por exemplo. A belíssima intepretação de Arijit Singh em Binte Dil foi enfraquecida pelo tom involuntariamente engraçado que a canção acabou tomando, como descrito anteriormente. Já a enérgica Khalibali parece uma versão assustadora de Malhari, como divertidamente apontou um comentarista no Youtube. Como não fui cativada pela atuação de Ranveer, a canção me pareceu apenas mais uma exposição das risadas maníacas e olhares vidrados que o ator utilizou durante todo o filme. Não há muito o que falar sobre a forma como o diretor ambienta seus musicais, pois Bhansali já tem seu lugar na história do cinema indiano por nos trazer alguns dos mais belos e grandiosos musicais já vistos.


Padmaavat é um filme sobre expectativas, no qual a tensão é sustentada com os personagens passando a maior parte do tempo sitiados à espera de um ataque. Associando isso a um excesso de câmeras lentas, a dinâmica do filme acaba se tornando morosa. Os péssimos efeitos especiais também agem contra a ostentação visual característica do diretor, tirando o foco do espectador em algumas cenas para o quão mal feitos estão os efeitos gráficos dos animais. Gostei muito do filme pelas atuações de Shahid, Deepika e Aditi Rao Hydari, e também devido a expectativa de ocorrência da tragédia, porém é importante sabermos reconhecer quando uma obra de arte pode ter efeitos nocivos. Este é um filme inserido em uma sociedade profundamente dividida e cujas divisões põem muitas vidas em risco. Fazer uma separação tão clara entre o bem e o mal utilizando personagens reais de religiões diferentes, sem nenhuma gradação de cinza,  é uma escolha artística nada ousada, além de ofensiva. A ode ao sacrifício feminino é incômoda, por mais bela que a cena tenha sido - e facilmente é uma das melhores sequências dramáticas dos últimos tempos, arrepiante para dizer o mínimo.



As escolhas artísticas de Sanjay Leela Bhansali refletiram suas próprias convicções e também aquelas que deixariam o caminho para o seu filme menos em risco devido à ação de grupos fanáticos. É importante que o diretor tenha espaço para criar da forma como quiser, e cabe a nós como público julgar o resultado dessa criação. Considerando que o grupo Karni Sena, com todo o seu ódio, violência e total desrespeito pela arte, declarou após o lançamento que está satisfeito com o filme por glorificar a honra e o valor Rajput e que todo Rajput sentiria orgulho após ver Padmaavat, fica claro a que tipo de interesse e visão esta bela obra de arte atende. 

Aconteceu em Bolly


Há muito o que colocar em dia! Hoje temos acusações de assédio, bebês, casamento, doença, reencontros e plágio. Descubra tudo o que aconteceu em Bolly - e não foi pouco.

Na torcida!

Irrfan Khan havia declarado que tem uma doença grave e pediu privacidade para a família neste momento de dificuldade. O diagnóstico já foi feito e o ator contou que tem tumor neuroendócrino, uma forma rara de câncer que pode atingir várias partes do corpo. Irrfan está fora do país para o tratamento e toda a indústria de Bollywood tem enviado desejos de melhora ao ator.


Fonte: Times of India.

Novidades

Priyanka Chopra e Salman Khan voltarão a fazer um filme juntos. O filme será dirigido por Ali Abbas Zafar, de Tinger Zinda Hai. O filme se chamará Bharat e será puro entretenimento, de acordo com Priyanka.

Fonte: DNA India.

Papais

Como vocês viram no Facebook e Instagram do blog, Shahid Kapoor e Mira têm um novo bebê a caminho. A família decidiu contar a notícia da forma mais fofa possível, postando nas contas de ambos no Instagram a foto da filha Misha com os dizeres "Big Sister". Sobre a foto e este momento de sua vida, Shahid declarou:

"Estou muito feliz. Nós queríamos compartilhar com todos. Mira disse que queria pôr no Instagram e eu achei a foto muito fofa. Então foi uma decisão espontânea que apenas aconteceu."




  
#MeToo



O cantor e ator paquistanês Ali Zafar, de filmes como Tere Bin Laden e Mere Brother Ki Dulhan, está recebendo graves acusações de assédio sexual. Tudo começou quando a cantora paquistanesa Meesha Shafi fez a primeira acusação, que imediatamente foi seguida por outras. Após ver o primeiro relato, a maquiadora Leena Ghani tweetou:

"Vendo a sua coragem, agora fica impossível para mim não falar, não apenas em apoio a ela, mas também para dizer que ela não está sozinha. Nos muitos anos em que conheço Ali Zafar, ele passou dos limites do que seria o comportamento apropriado entre amigos em muitas ocasiões.

Toques inapropriados, apalpadas e comentários sexuais não devem cair na área nebulosa entre humor e indecência. Comentários que lhe deixam arrepiada e a fazem sentir-se objetificada não devem ser reduzidos a uma piada. Tais comportamentos podem fazem com que mulheres se sintam constrangidas, pequenas e reduzidas ao nível de entretenimento nas mãos de um homem."

A jornalista paquistanesa Maham Javaid comentou que há anos o cantor tentou beijar sua prima à força e fazê-la entrar em um banheiro com ele, sendo impedido pelos amigos da jovem.

Ali Zafar negou todas as acusações e pretende adotar medidas legais contra Meesha Shafi. Recentemente algumas mulheres que trabalharam com ele compartilharam textos negando que ele tenha cometido qualquer ato de assédio sexual.

Eu já cansei de me decepcionar, honestamente.



Bonde do plágio



Os problemas com plágio não são novos em Bollywood e temos um novo episódio. Shoojit Sircar foi acusado de ter roubado a história de October, seu recente sucesso estrelado por Varun Dhawan e Banita Sandhu. A diretora Sarika Mahesh Mene afirma que o filme foi copiado de seu trabalho, o filme marathi Aarti - The Unknown Love Story (2017), cuja adaptação hindi estava sendo desenvolvida. A cineasta Hemal Trivedi postou no Facebook:

"Shoojit Sircar roubou o aclamado filme marathi de Sarika Mene, Aarti - The Unknown Love Story, para fazer October. Sircar não apenas roubou o tema e o roteiro, mas também copiou descaradamente os momentos do filme original. Os realizadores de October nunca adquiriram os direitos do filme marathi e nunca contactaram Sarika."

Sarika declarou:

"Aarti é baseado num incidente real que ocorreu com o meu irmão, Sunny Pawar, e sua namorada Arti Makwana. October é similar demais à história deles e ao meu filme. Não estou dizendo tudo isso sem assistir a October. Obviamente eles adicionaram algumas mudanças estéticas, mas como os eventos e a abordagem são tão similares? Eles começam mostrando um hotel onde os personagens são estagiários; meu filme começa com uma redação de jornal onde Sunny e Aarti são estagiários."

Ocultei outras similaridades expostas pela diretora porque elas revelam o enredo completo do filme, mas elas incluem até diálogos iguais. Uma queixa legal foi registrada.

 Fonte: Hindustan Times.

Girl power

Foi lançado o trailer de Veere Di Wedding, filme estrelado por Kareena Kapoor, Sonam Kapoor, Swara Bhaskar e Shikha Talsania. O filme falará sobre a jornada de autodescoberta de quatro amigas durante os preparativos para o casamento da personagem de Kareena. Nesta semana também foi lançado mais um pôster do filme, desta vez representando uma festa do pijama.



Kareena Kapoor contou sobre como foi ter engravidado após a decisão de fazer o filme.

"Fiquei grávida após assinar o filme, então contei para Rhea e disse que eles precisavam chamar outra pessoa. Como produtora, ela ficou ao meu lado. Ela decidiu mudar a personagem para que ficasse grávida. Mas eu disse a eles que não poderia fazer isso. De toda forma, a Rhea estava convicta de sua decisão e disse: 'Vamos esperar'. "


Taimur Ali Khan Pataudi

Bebo também falou sobre seus próximos projetos e o apoio do marido para que mantivesse sua carreira após o nascimento de Taimur.

"Neste momento, quero que este filme seja lançado. Eu queria ser parte dele e estou feliz. Não pensei no que farei em seguida. Vejamos. Taimur só tem 16 meses, então quero passar mais tempo com ele. Depois do lançamento deste filme, tirarei três meses para decidir meu próximo projeto. Mas prometo fazer ao menos um ou dois filmes por ano.

Tenho muita sorte de ter um marido tão compreensivo. Ele me disse para ir à academia e voltar para o estúdio, levando meu filho comigo para servir de exemplo. Sim, nós (mulheres) podemos fazer as duas coisas."

Adorei o trailer e estou bastante animada para o filme! Assista aqui.

Fonte: Miss Malini.

Casamento

E por falar em Sonam Kapoor, os rumores sobre seu casamento com o empresário Anand Ahuja só se intensificam. Diferentemente de outros rumores sobre casamentos que ouvimos, estes envolvem data, convidados e até mesmo a programação. Por enquanto as datas especuladas são 7 ou 8 de maio. Na sexta foram vistos chegando à casa de Sonam o diretor Karan Johar, a diretora e coreógrafa Farah Khan e outros possíveis convidados. Farah estaria coreografando a canção que Sonam dançará durante o sangeet, um dos eventos pré-casamento que envolve dança e diversão. A casa também está sendo decorada.

Eu realmente gosto desse cara


Fonte: Hindustan Times.

Incêndio



Um incêndio destruiu os sets de Kesari, próximo filme de Akshay Kumar. O filme é histórico e tem cenas de batalhas com muitas explosões, tendo sido uma delas a responsável pelo incêndio. Felizmente, ninguém se feriu. Akshay Kumar e Parineeti Chopra não estavam gravando no momento.

Fonte: Miss Malini. 

A bela arte de ficar calada

A coreógrafa Saroj Khan se envolveu em uma polêmica ao dar sua opinião sobre a presença de testes do sofá em Bollywood. Em entrevista à uma rede de TV, ela declarou:

"Isso acontece desde o início dos tempos. Não começou agora. Alguém sempre tenta tirar vantagem de alguma garota. As pessoas do governo também o fazem. Então por que vocês estão focando na indústria de cinema? Isso pelo menos dá sustento. Não é apenas estuprar e largar. Depende da garota e do que ela quer fazer. Se você não quiser cair nas mãos erradas, você não cairá. Se você tem arte (talento), então por que se venderia? Não usem o nome da indústria da cinema, ela é tudo para nós."

Com a repercussão negativa, Saroj fez um pedido de desculpas publicamente por suas declarações.

Fonte: DNA India.

Mais bebê!

Lembram quando anunciei sobre o casamento arranjado de Neil Nitin Mukesh com Rukmini Sahay? Pois bem, o casal já está esperando seu primeiro filho! Será um ano de bebês fofos em Bollywood.

Depois de Shahid e Mira e agora com esses dois, estou repensando meus conceitos sobre casamento arranjado...



Fonte: Miss Malini.

Sanju

Foram lançados nesta semana o primeiro pôster e o teaser de Sanju, filme de Rajkumar Hirani (3 Idiots, P.K.) no qual Ranbir Kapoor vive Sanjay Dutt. O filme mostrará Ranbir em várias fases da vida do ator, como seu abuso de álcool e drogas e a prisão por ligação com os grupos terroristas que perpetraram os ataques terroristas de Mumbai nos anos 90. Público e indústria ficaram impressionados com a semelhança de Ranbir com Sanjay. O filme estreará em 29 de junho. Você pode assistir ao teaser aqui.


Ranbir declarou:

"O roteiro todo me deixou chocado. Eu conheci um Sanjay Dutt diferente. Eu o conheci como um amigo da família. Ele sempre me tratou como um irmão mais novo e sempre fui fã dele. Mas quando li sobre sua vida, foi chocante para mim. Toda a fase das drogas, a morte da mãe dois ou três dias antes da estreia do filme, a controvérsia com o terrorismo, armas, o relacionamento com o pai, melhor amigo, as mulheres em sua vida...tudo isso foi chocante pra mim. Eu pensei 'como um homem pode viver tantas vidas em apenas uma vida?'. Foi um roteiro enviado pelos céus."

O diretor Rajkumar Hirani falou sobre a experiência de dirigir uma biografia pela primeira vez:

"Nesta jornada, descobri que uma biografia é um monstro completamente diferente porque você não tem total controle sobre ela. Quando você está escrevendo um roteiro novo, de ficção, o personagem é seu. Com a biografia, você tem que se manter verdadeiro ao que aconteceu na vida da pessoa. Ele (Dutt) nos contou histórias. Descobrimos uma criação diferente. O bom é que Sanju nos deu detalhes. Se tivéssemos que escrever usando a imaginação, não conseguiríamos. Como cineasta, todos têm seus gostos e eu sou mais interessado em histórias humanas. Eu vi aqui a história de pai e filho, de um amigo..."

O cineasta explicou a escolha de Ranbir para o papel:

"A primeira razão para escolhê-lo é por ser um ator fantástico. E a segunda razão é por ele estar na idade perfeita. Eu precisava de um ator que pudesse parecer ter 21 anos porque é quando o filme começa. Foi nessa idade que Sanju estava gravando Rocky e sua fase com as drogas teve início. E  temos Sanju quando saiu da prisão (por volta de 56 anos). Então precisávamos de alguém que se encaixasse nessa transformação."

O filme conta com várias atrizes representando as muitas mulheres que passaram pela vida de Sanjay, como Sonam Kapoor (Tina Munim), Anushka Sharma (advogada), Karishma Tanna (Madhuri Dixit) e Dia Mirza (Manyata Dutt). Os pais de Sanjay, os atores Nargis e Sunil Dutt, são interpretados por Manisha Koirala e Paresh Rawal. Alia Bhatt fará uma participação como sua irmã, Pooja Bhatt.

Fontes: DNA India, DNA India.

Reencontro

Após a colaboração em Guzaarish, Sanjay Leela Bhansali pode escalar Hrithik Roshan para seu próximo drama histórico. Hrithik interpretaria Shiva na adaptação do livro The Immortals of Meluha, de Amish Tripathi. Seria o primeiro filme de Bhansali sem Ranveer Singh como protagonista após a trilogia Ram-Leela, Bajirao Mastani  e Padmaavat.

Fonte: Miss Malini.

Diversão!

Aamir Khan falou sobre seu próximo filme, Thugs of Hindostan. Suas palavras prometem muito entretenimento:

"Thugs of Hindostan é um grande filme de ação e aventura. Não há nenhuma mensagem nele. Faço um personagem em quem ninguém pode confiar - então é o completo oposto de Dangal. Ele é muito enganador. Não tem escrúpulos nenhum - por dinheiro, venderia até a mãe."

Ele também disse que a personagem central é a de Fatima Sana Shaikh, que interpretou sua filha em Dangal. O gênero do filme segue os passos de Indiana Jones e Piratas do Caribe. Thugs of Hindostan estreará em novembro e trará também Katrina Kaif e Amitabh Bachchan.



Fonte: Miss Malini.


Muitas estrelas

Há 15 anos, Karan Johar e o falecido Yash Johar começaram a desenvolver o projeto do drama épico Kalank, que se passaria nos anos 40. Hoje o filme finalmente foi levado adiante e contará com um elenco de peso: Alia Bhatt, Varun Dhawan, Madhuri Dixit, Sonakshi Sinha, Aditya Roy Kapoor e Sanjay Dutt. Karan declarou:

"Kalank tem sido uma jornada emocional para mim! A semente de uma ideia que eu tive há quase quinze anos...um filme que estava em estágio de pré-produção guiado pelo meu pai. Agora tenho orgulho de passá-lo para as mãos extremamente capazes e visionárias do nosso diretor Abhishek Varman! Uma história lindamente estruturada por Shibani Bathija com uma narrativa extremamente fluida e roteiro de Abhishek."

O filme estreará em abril de 2019 e provavelmente será uma das estreias mais aguardadas do ano que vem.

Fonte: Miss Malini.


Go girl!

Sara Ali Khan pode não estar feliz com as dificuldades na produção de Kedarnath, mas a jovem tem ótimos projetos no horizonte. A filha de Saif atuará ao lado de Ranveer Singh em Simmba, dirigido por Rohit Shetty e com previsão de lançamento ainda para dezembro deste ano. O filme será a primeira colaboração entre Shetty e a produtora de Karan Johar. Terá Ranveer seu próprio Chennai Express em mãos?



Fonte: Miss Malini.

Hoje vamos iniciar uma nova seção na coluna, a Era uma vez em Bolly! Conheçam algumas das fofocas antigas da indústria.

Era uma vez em Bolly...

Em 1984, a polêmica sobre o romance entre Rekha e Amitabh Bachchan ganhou um novo capítulo após a atriz declarar o seguinte em entrevista à Filmfare:

"Ninguém liga para o que eu tenho a dizer. Eu basicamente sou a outra, não? Os pais também estão envergonhados. Que pais não estariam envergonhados quando seu filho tem um caso?"

Ela também falou sobre Jaya, esposa de Amitabh:

"É uma boa qualidade, você conseguir matar seu desejo e ficar com alguém mesmo sabendo que essa pessoa ama outra, continuar debaixo do mesmo teto. Isto mostra força. É algo que eu não tenho. Eu não vou me submeter. Nenhuma relação é real se você se subjuga. Dar e receber, tudo bem. Mas é melhor terminar a relação se você se subjugar.

Hoje, não consigo imaginar me comprometer com outra pessoa. Sinto-me ligada à esta relação. Afinal, apesar de tudo, está acontecendo há dez anos. É incrível que nunca tenha estagnado. Pode não durar mais dez anos, quem sabe? Tudo o que aconteceu na minha vida, o crescimento, a força, tudo veio dele. Mas, casamento? Para que pensar no impossível e ser infeliz?"



Rekha também falou sobre Amitabh negar o relacionamento.

"Por que ele não faria isso? Ele fez isso para proteger sua imagem, sua família, seus filhos. Acho lindo. Não me importo com o que o público ache disso. Por que o público deveria saber do meu amor por ele ou do amor dele por mim?

Eu o amo, ele me ama - é isto! Não ligo para o que ninguém pensa. Se ele reagisse assim comigo no privado, eu ficaria muito decepcionada. Mas ele já fez isso? Eu pergunto a você. Então por que devo me importar com o que ele disse em público?

Talvez eu mereça pena. Não que ele tenha dez casos! O Sr. Bachchan ainda funciona à moda antiga. Ele não quer magoar ninguém, então por que magoar a esposa?

A minha reação não é típica, eu sei disso. Mas estou completamente realizada. Somos seres humanos que amam e aceitam um ao outro pelo que são. Há mais felicidade que tristeza em nossas vidas. Nada mais importa. Enquanto eu estiver com a pessoa, eu não me importo. Eu não consigo me identificar com mais ninguém. Não publique isto, pois ele negará e eu afirmarei. Então haverá uma declaração da equipe dele dizendo 'Não, não, ela é louca como Parveen Babi.'.



A família Bachchan sempre se manteve em silêncio sobre a questão. Em 2004, Rekha declarou que foi apaixonada por Amitabh, mas que não houve nenhuma relação. Nossa única certeza é que Silsila é um clássico por representar no cinema aquilo que se especulava na vida real e que esta com certeza é uma das histórias mais lendárias de Bollywood.


Gostaram da nova seção? Contem nos comentários. Até a próxima!

"Eu não acordei assim": um artigo de Sonam Kapoor


Apenas hoje tive a sorte de encontrar um texto escrito por Sonam Kapoor para o Buzzfeed India em 2017. Sonam é conhecida como a mulher mais bem vestida e estilosa de Bollywood há onze anos, desde sua estreia na indústria. Sua imagem sempre esteve associada ao glamour das grandes marcas, mas a atriz tem mudado bastante com a maturidade e falado cada vez mais sobre assuntos espinhosos como feminismo, desigualdade salarial em Bollywood e a indústria da beleza. É uma das poucas atrizes que abertamente se declara como feminista. Neste artigo, Sonam contou sobre sua dificuldade com autoimagem durante toda a vida e do que há por trás da perfeição das divas de Bollywood. Fiz uma tradução livre e uni algumas partes porque os parágrafos eram curtos. Espero que o artigo toque vocês tanto quanto a mim. Leia o original aqui.


Eu não acordei assim

Por Sonam Kapoor

Como toda garota, passei muitas noites durante a adolescência olhando para o espelho do meu quarto, me perguntando por que meu corpo não parecia nada com o que ele deveria ser. Por que a minha barriga dobra? Por que meus braços sacodem? Por que não tenho pele clara? Por que tenho olheiras? Por que sou mais alta que os garotos da minha idade? Estrias somem? Essa celulite continuará aqui para sempre?

"Tão alta, tão escura", um parente casualmente deixou escapar em uma reunião familiar. "Quem vai casar com ela?". Isso confirmou que as minhas maiores inseguranças tinham fundamento. Quando tinha 13 anos, minha família viajou para Goa. Aishwarya Rai estava lá de férias com uma amiga e passamos uma noite com ela. Ainda me lembro que de jeans e regata branca, ela parecia ser de realeza. Fiquei perplexa.

Eu não sabia de muita coisa aos 15. Mas sabia que nunca iria parecer com uma atriz de Bollywood. Dois anos e algumas surpreendentes decisões de vida depois, Sanjay Leela Bhansali me escalou para Saawariya. Apesar de estar prestes a me tornar uma estrela do cinema, eu não acreditava que tivesse a aparência certa. Eu ficava constantemente preocupada que se me pedissem para dançar com uma blusa de frente única, as gorduras das minhas costas mostrariam à indústria que eu era uma impostora. Ninguém faz fila para comprar ingressos e ver celulites.

Então embarquei em uma série de comportamentos não saudáveis. Fiz dieta seriamente, algumas vezes a de South Bech, em outras a Atkins. Uma vez, por desespero, fiz uma dieta que me fazia comer abacaxis o dia inteiro. Eu me esforçava demais na bicicleta, fazia power yoga por horas seguidas e desenvolvi uma relação nada saudável com a comida. Em algumas semanas, desesperada para perder alguns quilos, eu simplesmente não comia.

Aos 18, fui a um encontro que pensava ter sido bom. Depois, o garoto disse a um amigo em comum, "Sonam é muito gorda". Eu passei o dia sem comer (agora, graças a essas decisões adolescentes idiotas, tenho acidez pelo resto da vida).

Eu achava que o ódio por si mesma iria embora quando você estivesse nos outdoors da praia de Juhu. Eu estava tão errada. Longe de aceitar meu corpo, quando eu já me sustentava como atriz, tive novas razões para odiá-lo. Artigos apareciam online, fotos davam zoom nos meus braços e coxas, círculos vermelhos eram desenhados em torno do menor sinal de um defeito. Quando eu tinha alguns filmes lançados, Shobhaa De escreveu um post de blog dizendo que Sonam Kapoor "simplesmente não se encaixa nos padrões de sex appeal".

As pessoas começaram a dizer que eu não tinha peito. Eu nunca tinha sido insegura sobre meus seios, mas fiquei defensiva sobre eles no Koffee With Karan. Eventualmente eu nem precisava mais que os tablóides apontassem as minhas falhas - eu poderia me olhar sozinha nos monitores e prever o que seria criticado. Ainda me lembro das imagens que odiei imediatamente: o vestido prateado justo de Bewakoofiyaan, a canção com Neil Nitin em Players, o maiô e shorts em Aisha, só para citar alguns.



É claro que o escrutínio dos corpos femininos não é novo ou restrito às celebridades. Levante a mão se você já foi chamada de "saudável" por um parente ou recebeu conselhos não solicitados de um amigo sobre como perder peso. Levante a mão se já lhe disseram para ficar longe do sol para não ficar escura. Levante a mão se você começou a odiar o seu corpo após alguém lhe ensinar como.

Aqui está o que deu errado: fomos ensinadas que as mulheres precisam ser perfeitas mesmo quando nossa perfeição é completamente implausível, sexies quando nossa sensualidade não faz sentido. Estamos correndo pelo Jurassic Park de salto alto, combatendo super-vilões de espartilho, sendo amarradas em ilhas desertas sem um sinal de cordas. Os corpos femininos reais são tão tabus que propagandas de cremes removedores de pêlos mostram pernas sem pêlos mesmo antes de o creme ser passado.

As regras da beleza são rígidas e praticamente impossíveis de seguir. Anushka Sharma foi exposta por ser magra, Sonakshi Sinha foi exposta por ser gorda, Katrina Kaif foi exposta por estar em forma. Essas mulheres são e sempre foram absurdamente lindas.

Mas onde há um sistema falido, há uma solução. O problema está nas rígidas definições de beleza da cultura dominante. A solução, para mim, está nas mulheres que conheço. Faz uma década que entrei na indústria do cinema acompanhada pela minha péssima autoestima e, graças ao apoio feminino que tive durante esse tempo, essa autoestima está mais saudável agora.

Tenho a sorte de ter minha amiga e maquiadora Namrata Soni, que vê meu rosto de muito perto e faz de tudo para que eu me sinta bem com ele. Quando reclamo de linhas de expressão ou olheiras, ela me diz que são naturais e por isso são lindas. Eu tenho uma cicatriz de fórceps no lado direito do rosto e um lado do meu lábio levanta (você percebe essas coisas quando passa muito tempo na frente das câmeras). Quando levanto a ideia de mexer neles, Namrata me lembra que são eles que fazem com eu seja eu. Em vez de me deixar interpretar as peculiaridades e mudanças do meu corpo como falhas, Namrata me ajuda a celebrá-las como marcas únicas de uma beleza única.

Sonam e a maquiadora Namrata Soni

Tenho sorte de ter tido minha irmã e às vezes estilista Rhea, a mulher mais gata que conheço. Quando me deprecio por ser magricela ou por não ter curvas como ela, ela me faz parar e insiste que fico bem em tudo o que ela me faz usar. Quando começo a reclamar que não tenho mais a aparência dos 21 anos, Rhea me diz que estou melhor agora.

Todas as mulheres que me apoiaram me ensinaram que apoio gentil e genuíno pode mudar a vida da sua amiga, irmã ou colega (pense em como seu dia é melhor quando começa com um elogio. Pense em como é fácil dar isso a alguém. Faça isso sempre que puder). Hoje, aos 31, gosto do meu corpo porque ele é saudável. Cansei de celebrar a magreza ou a perfeição. Adotei um estilo de vida saudável, boa alimentação e a busca por acordar toda manhã me sentindo energizada. Há beleza na boa saúde.

Sonam e Rhea

Agora é responsabilidade da mídia celebrar corpos saudáveis em vez de magros, e saber a diferença. Agora sei que não há nada de errado com estrias, celulites ou cicatrizes. São marcas do nosso crescimento. Há beleza em sua autenticidade.

E, só para avisar, não estou escrevendo isto para desencorajar a busca pelo glamour. Todos que me conhecem sabem que amo me sentir linda - roupas podem dar poder, maquiagem pode tornar-se motivação, um acessório divertido torna-se sua fonte de confiança para o dia.

Mas busque a beleza para si mesma, segundo as suas próprias definições - não para atender a noções de perfeição definidas pela cultura. Porque a perfeição é um mito perigoso e de alto orçamento, e é a hora de destruí-lo.


Então, para toda adolescente se olhando no espelho do quarto, se perguntando por que não parece uma celebridade: por favor, saiba que ninguém acorda assim. Nem eu. Nem nenhuma outra atriz (nem mesmo a Beyoncé. Juro).

Esta é a realidade: antes de cada aparição pública, eu passo 90 minutos na cadeira de maquiagem. De três a seis pessoas trabalham no meu cabelo e maquiagem, enquanto um profissional cuida das minhas unhas. Minhas sobrancelhas são pinçadas e depiladas toda semana. Há corretivos em partes do meu corpo que eu jamais imaginaria que precisariam ser corrigidas.

Todos os dias estou de pé às 6 e na academia às 7:30. Malho por 90 minutos e em algumas noites, malho outra vez antes de dormir. É o trabalho em tempo integral de alguém decidir o que posso ou não comer. Há mais ingredientes nos meus cremes faciais do que na minha comida. Há uma equipe dedicada a encontrar roupas que me vistam bem. Depois de tudo isso, se eu não estiver perfeita o suficiente, há um uso generoso do Photoshop.

Eu disse antes e continuarei dizendo: é preciso um exército, muito dinheiro e uma inacreditável quantidade de tempo para fazer uma celebridade parecer do jeito como você a vê. Não é realista e não é nada a se desejar.



Deseje, em vez disso, dar ao seu corpo tanto sono quanto ele precisa. Deseje encontrar uma forma de exercício que seja divertida de fazer. Deseje conhecer seu corpo e viver bem nele. Deseje ter confiança. Deseje sentir-se bonita, livre e feliz, sem precisar parecer de um jeito específico.

E da próxima vez que você vir uma menina de 13 anos olhando com tristeza para uma atriz de Bollywood sem imperfeições e de pernas depiladas na capa de uma revista, destrua o mito da perfeição para ela. Diga o quão bonita ela é. Elogie seu sorriso, sua risada, sua mente, seu andar.



Não deixe que ela cresça acreditando que ela é imperfeita ou que falta algo à ela por ser diferente da mulher no outdoor. Não a deixe se prender a um padrão que é alto demais até para as mulheres que estão nos outdoors. 

Diga à ela que eu definitivamente não acordei assim. Ela também não acordará assim. E está tudo bem nisso, totalmente e completamente.

Hum Saath-Saath Hain (1999)



Não é fácil admitir que gosto da Rajshri e, para mudar esta situação, já passei muito tempo recitando mentalmente o porquê de as produções serem ruins: todos os filmes da produtora são melodramas gigantescos sem grande profundidade emocional, no qual os atores passam três horas dançando, sorrindo histericamente e falando sobre valores familiares inalcançáveis. Os roteiros são dolorosamente fracos e soam falsos até para a pessoa mais crente em rígidos valores morais. Eles promovem a imagem de bom moço do Salman Khan desde 1989. Minha mente entende todos os argumentos, mas eles pouco importam quando surgem os belos sáris, começam os musicais caríssimos e todos começam a se abraçar e falar sobre o amor que sentem pelos pais. É tão bonito de ver e fácil de assistir que não requer o mínimo esforço, mas não é só isso. Há uma sensação de estar em casa com aqueles filmes. Quando dou por mim, já estou dançando Maiyya Yashoda.

Hum Saath-Saath Hain é provavelmente meu filme favorito da produtora, disputando espaço com o recente Prem Ratan Dhan Payo. Ambos são obras do diretor Sooraj R. Barjatya, que é responsável pelos maiores sucessos da Rajshri e também por conceder a Salman Khan o eterno papel de Prem, o mocinho romântico que é obediente aos pais e tem um enorme coração. Salman foi Prem em quatro dos seis filmes dirigidos por Barjatya, o que nos dá a dimensão da importância dessa relação para as carreiras de ambos. Em HSSH temos o Prem que mais divide espaço com outros personagens, pois é o filho do meio do casal Mamta (Reema Lagoo) e Ramkishan (Alok Nath). Junto aos irmãos Vivek (Mohnish Bahl), Vinod (Saif Ali Khan) e Sangita (Neelam Kothari), todos formam uma família feliz e extremamente unida que tem suas estruturas abaladas quando as amigas de Mamta sugerem que Vivek, que ela criou como um filho após a morte da primeira esposa de Ramkishan, possa um dia deixar os irmãos na miséria caso seja colocado à frente dos negócios da família. Temendo pelo bem-estar dos filhos biológicos, a mãe acaba dividindo a família quando faz a sugestão aparentemente absurda de uma divisão igualitária dos bens, ameaçando a união que tanto prezam.

A prole

Não é por eu gostar de um filme que não reconheça quando ele é hilário, o que é totalmente o caso de HSSH. A história começa com uma sequência enorme da família recebendo os convidados para a festa de 25 anos de casamento de Mamta e Ramkishan, que serve de pretexto para a introdução dos personagens e de suas principais características. Tudo normal, se não fôssemos apresentados a umas vinte pessoas. Filhos, filha, tios, primos, amigos, algumas pessoas cujas funções ainda não entendi (Shakti Kapoor parece ser um amigo da família que não sai da casa deles)...é um desfile no qual ao final passamos a confundir rostos e parentescos. O mais engraçado de tudo são os diálogos superficiais: a cada dez segundos alguém discursa sobre como é maravilhoso ter uma família tão unida. Crianças correm gritando "vovó!" (para uma senhora que não é sua avó, mas tudo bem), mulheres adultas brincam de pega-pega e Preeti (Sonali Bendre) enrubesce e desvia o olhar sempre que mencionam o nome de Prem. O conceito de família estendida foi levado muito a sério aqui.

A hierarquia familiar indiana é apresentada de forma bastante didática. Vivek é o herdeiro natural dos negócios e o conselheiro dos irmãos por ser o irmão mais velho. Todos respeitarem essa posição sem questionamento é o que mantém a base familiar, então fica a dúvida sobre como seria caso outro filho fosse mais apto que ele para os negócios. Prem é tímido e passa seu tempo refletindo sobre a simplicidade da vida e Vinod é agitado e brincalhão - posições corretas e nada ameaçadoras para irmãos mais novos. A hierarquia familiar coloca Sadhana (Tabu) logo acima dos rapazes após casar-se com Vivek, mesmo sendo mais nova que Prem. A esposa do irmão mais velho merece o mesmo nível de respeito que uma mãe e espera-se que demonstre afeto em igual nível por seus cunhados. É diferente ver Tabu nesse tipo de papel tradicional e recatado, pois ao longo dos anos nos acostumamos a vê-la como a grande atriz dos papéis pesados do cinema paralelo. Não pareceu normal vê-la servindo comida sem parar enquanto os homens da família permaneciam sentados, e isto ocorreu durante praticamente todo o filme. Independentemente disso, foi encantador vê-la dançando nos musicais.

Karisma Kapoor é a estrela feminina do filme com sua espevitada Sapna. Sua participação foi a maior em todos os musicais e seu romance com Vinod, em meio a piscadelas e cantadas juvenis, é um dos pontos mais adoráveis. De alguma forma Saif consegue fazer seu personagem ser mais divertido do que irritante e o ator certamente merece palmas pelo feito, já que é difícil trabalhar com um roteiro que frequentemente faz com que o núcleo jovem adulto aja como pré-adolescentes descobrindo o amor. Preeti e Prem, por exemplo, mal conseguem trocar duas palavras quando estão juntos e mesmo assim desejam nos convencer de que estão profundamente apaixonados e seu casamento dará certo. Sonali Bendre teve pouco espaço para desenvolver sua Preeti, que funciona na história como um meio-termo entre o tradicional e o moderno: ao mesmo tempo em que será uma boa esposa e é uma boa filha, completou seus estudos e é médica. O roteiro sempre leva à ideia da importância de não abandonar valores tradicionais em um mundo moderno, como também demonstrado pelos elogios ao coração indiano de Sadhana mesmo tendo sido criada no exterior.

Homens sendo servidos: uma constante.
O papel da mãe nas relações familiares é reforçado por Mamta não ser colocada como vilã, mesmo tendo todos os comportamentos de uma. Suas ações são justificadas pelo medo de que algo aconteça aos seus filhos, como aconteceu com o marido de sua filha Sangita (Neelam Kothari) - que foi roubado pelo próprio irmão-, e pela presença das vilãs do filme. São as vilãs que envenenam a alma de uma mãe dedicada, pois seria impossível que ela se voltasse contra um filho por iniciativa própria. Os elementos de cena colaboram para dar o tom da vilania: as vilãs aparecem nas sombras, em oposição às luzes e cores que antes cercavam a família. O preconceito com mulheres que não formaram família é muito claro nas falas dos personagens. Se você não formou família, sua única função é destruir as dos outros.

Boas moças se casam e formam famílias enormes e intrusivas

O drama principal de HSSH é inserido de forma mecânica e pouco natural, da mesma forma como aconteceu no filme anterior de Sooraj Barjatya, Hum Aapke Hain Kaun. O objetivo principal do filme é mostrar valores familiares por meio de diálogos, brincadeiras e canções. E não tem coisa que Barjatya faça tão bem quanto filmar canções. Cada musical deste filme é um festival estético para os olhos. O clássico Maiyya Yashoda se destaca ao mostrar a dança das noras da família em suntuosos sáris. Tenho especial carinho por Mhare Hiwada Mein, que também chamo de "a música dos pavões" (literalmente). Todos os clipes são adoráveis, até mesmo o nonsense ABCD, claramente feito para ser um sucesso entre crianças na fase de alfabetização. O medley de músicas clássicas também é divertido, com homenagens à Helen Jairag, Madhuri Dixit e Aamir Khan. O diretor já havia recorrido ao mesmo recurso em seu primeiro filme, Maine Pyar Kiya, e faz referência até mesmo ao próprio trabalho em Hum Aapke Hain Kaun. Como nunca canso de homenagens grandiosas, por mim ele pode fazer isso quantas vezes quiser.


O universo criado por Hum Saath-Saath Hain é falso e fantasioso em níveis extremos, porém talvez isto é o que faça deste mundo um lugar reconfortante. Esta família é feita de crianças grandes que aceitam e amam o lugar que lhes foi decidido antes de nascerem. Os homens querem seguir os passos do pai, as mulheres sonham em cuidar deles e o médico sugere que Vivek cure o problema do seu braço com homeopatia. É um mundo cor de rosa em que qualquer sofrimento não é criado internamente, mas sim trazido por serpentes venenosas advindas do mundo externo. Filmes não são feitos no vácuo e conversam com a sociedade na qual estão inseridos. A família de Ramkishan talvez seja o ideal a que muitas famílias estendidas aspiram a ser na Índia. Mais doloroso é pensar que os papéis tão subservientes, dóceis e pouco ameaçadores associados às mulheres sejam os sonhos dessas mesmas famílias. Hum Saath-Saath Hain não é um filme que se possa levar muito a sério, porém funciona bem como um retrato das hierarquias em famílias estendidas e um bom passatempo para quem se deixa comprar por sáris e cores. E eu já me vendi há muito tempo.