Aconteceu em Bolly


Ainda bem que esta coluna virou quinzenal, porque a polêmica anda em baixa - mas inexistente, jamais! Hoje temos um ator magoadíssimo, a confirmação da nossa próxima estrela dos cinemas, um bigode nojento, a madrinha da coluna trazendo polêmica e o homem mais lindo do mundo praticamente nos dizendo adeus. Descubra o que aconteceu em Bolly!

Angry old man

O sumido Govinda deu as caras e decidiu não ser mais diplomático ao falar sobre seus colegas de indústria. O ator deu declarações não muito simpáticas sobre o diretor David Dhawan, com quem já trabalhou em vários filmes, como Partner e Jodi Nº 1.

"Na natureza do David Dhawan sempre houve um elemento de dominação. Se o filme de alguém está indo bem, ele não gosta ou aprecia. Ele é do tipo invejoso e gosta do fato de as pessoas não estarem indo bem em seu campo de trabalho. E quando ele sente que seu trabalho vai ser dificultado por causa de alguém, ele garante que a pessoa não entre em seu caminho. Acho que a pressão por eu fazer parte da política estava caindo sobre ele, então ele apenas se afastou. Não estou esperando nada. Que Deus o abençoe."

Acabou o amor

Govinda não aceitou bem o afastamento do diretor.

"Eu fiz 17 filmes com ele. Quando pedi a David para fazer o 18º filme comigo, ele pegou meu tema, deu o título de 'Chashme Baddoor' e escalou o Rishi Kapoor. Então pedi a ele para me colocar em uma participação especial. Ele também não fez isso. Depois disso, não o encontrei por alguns anos. Continuei pedindo a ele para fazer ao menos uma cena comigo para que pudesse ser meu 18º filme com ele. Mas não sei o que se passava na mente dele."

Como falar é terapêutico, ele acabou mostrando também seu ressentimento por nunca ter sido convidado por Karan Johar para participar do talk show Koffee With Karan.

"Ele deve ter dito que que era uma questão de respeito nacional para ele chamar o Govinda, mas ele vai lançar o filme do Varun (Badrinath Ki Dulhania) apenas uma semana depois do meu filme. Ele mostra ser muito humilde e inocente, mas eu o considero mais invejoso e perigoso que o David Dhawan.

Ele nunca me ligou em 30 anos, ele não vê atores que não sejam parte do seu grupo e nem mesmo diz um olá. Ele não é tão bondoso. É um passo bem planejado e esperto do Karan lançar seu filme uma semana depois do meu. Eu não o acho tão direto como ele se coloca."

Govinda está claramente magoadíssimo.


Mundos colidindo

Paulo Coelho parabenizou Shahrukh Khan no Twitter pelos 7 anos de My Name Is Khan e compartilhou uma imagem de seu Facebook de anos atrás na qual dizia que o ator merecia um Oscar por sua atuação.


"O primeiro e único filme dele que assisti (neste ano, mesmo tendo sido lançado em 2008) foi 'My Name Is Khan'. E o filme não apenas foi excelente, mas SRK mereceria um Oscar se Hollywood não fosse manipulada. Ele gentilmente se ofereceu para me enviar seus outros filmes - como você pode provavelmente adivinhar, não é fácil encontrá-los na Suíça."

Fonte: Hindustan Times.

Polêmicas

A quinta temporada do Koffee With Karan está bem movimentada (talvez por isso Govinda esteja magoadíssimo em não participar). Em sua participação com Alia Bhatt, Varun Dhawan fez o fofoqueiro e respondeu "Disha Patani" quando Karan perguntou o que Tiger Shroff tem que ele não tem. Já quando Karan fez a mesma pergunta, mas desta vez perguntando o que Sidharth Malhotra teria, Varun apenas olhou para Alia Bhatt sem dizer nada. Promoção de namoros midiáticos ou fofocas sinceras? Aposto mais na primeira opção.

O próximo episódio trará Kangana Ranaut e Saif Ali Khan. Nele Kangana diz que em sua biografia, Karan aparecerá como um grandão de Bollywood que é esnobe, intolerante com quem vem de fora, portador da bandeira do nepotismo e de uma máfia do cinema. Kangana, você movimenta este mundo.



Fontes: Miss Malini, Times of India.

Gente nova

Como já venho informando aqui há algum tempo, a mídia indiana anda obcecada pelos filhos das estrelas. Rumores sobre seus lançamentos em filmes surgem a todo momento e são tantos que é impossível dar conta. Uma das possibilidades mais comentadas recentemente é a da estreia de Sara Ali Khan, filha de Saif Ali Khan e Amrita Singh. Muito se falou inicialmente que a jovem seria lançada por Karan Johar em um filme com Hrithik Roshan, mas o assunto enfraqueceu por falta de evidências. Como nada é impossível no mundo do entretenimento, esta semana recebemos a confirmação mais forte de que precisávamos: do pai da moça. Quando perguntado se a filha seria lançada por Karan Johar, Saif respondeu:

"Acho que ela irá. Estou muito feliz por ela estar trabalhando com Karan Johar, porque o acho brilhante com estreantes e ele a lançará da forma correta. Ele é um diretor muito inteligente e apaixonado e entende o cinema. Estou muito satisfeito por ela estar com ele."

Concordo com Saif. Se a Sara tiver a metade do sucesso que Alia Bhatt teve após ser apresentada por Karan Johar, estará com a vida feita. O rumor mais recente é que a estreante estará em Student Of The Year 2  ao lado de Tiger Shroff. Desta vez o filme não seria dirigido por Karan, que seria apenas o produtor. A direção ficaria por conta de Punit Malhotra, que tem em sua bagagem o sucesso I Hate Luv Storys. Disha Patani estaria confirmada no papel, mas o teria perdido para Sara - que traria muito mais curiosidade do público.



Fontes: Pinkvilla. Hindustan Times.

Internacional 

Deepika Padukone teria conseguido o papel principal no próximo filme do diretor Siddharth Anand. A produção é indo-chinesa e a atriz faria par com o ator chinês Dang Chow.

Fonte: Times Of India.

Mais um

Parece que Kangana Ranaut conseguiu mais um desafeto. A atriz não parece ter tido uma experiência muito agradável ao trabalhar com Shahid Kapoor em Rangoon, dando a seguinte declaração bombástica:

"Eu não gosto de cenas íntimas num filme. Elas são as mais difíceis de gravar. Você tem uma relação formal com alguém e repentinamente vocês estão um na boca do outro. Aquele bigodão do Shahid é horrível. Era tão...não era nojento, mas sim uma tragédia em outro nível! Quando perguntei a ele a respeito, ele disse que passa cera e que tem coriza no nariz."

Shahid foi questionado sobre a fala da colega e disse que ela tem uma imaginação muito vívida, pois não se lembra de ter dito aquilo. Quando soube da resposta de Shahid, Kangs não deixou por menos:

"Ele deve ter pegado aquela fala emprestada do Hrithik."

Não falei que esse era o assunto que nunca morre? Ela não permite. Mas Kangana disse que distorceram suas palavras na tal entrevista e soltou mais uma indireta para alguém que não tem nada a ver com o assunto.

"Além disso, a mídia precisa entender que não deve fazer esse tipo de pergunta. Eles me perguntam quem beija melhor. O que você quer dizer? Esses homens acabaram de ter filhos e nós não olhamos para eles dessa forma. Este é o nosso trabalho. Mas as pessoas falam de uma maneira frívola. E eu nunca falo dessa forma sobre o meu trabalho. Há sempre o risco de deturparem sua fala horrivelmente, mas é melhor isso do que dizer que eu amei as cuecas do Shahid. Não é melhor? (ela ri)."

Essa fala não tem nada a ver com a Deepika ter falado que as cuecas do Ranbir eram fofas na época de Tamasha. Nossas mentes que são maldosas mesmo.

Nem amor e nem amizade

Fontes: Pinkvilla. DNA India.

Dupla explosiva

É raro ver dois superstars dividindo um filme, mas talvez tenhamos uma grande surpresa neste campo. Boatos dão conta de que em breve teremos um filme estrelado por Akshay Kumar e Hrithik Roshan. Qual tipo de história daria conta das habilidades artísticas dos dois?

Fonte: Hindustan Times.

Le prénom

Saif Ali Khan falou sobre a controvérsia a respeito do nome de seu filho com Kareena Kapoor. Muitos acusaram o casal de terem homenageado Timur, um conquistador da Ásia Central que saqueou Délhi no século 13. Saif já negou várias vezes que essa tenha sido a inspiração.

"Estou ciente de que houve um governante turco que possivelmente foi um pouco violento. Aquele foi Timur e este é Taimur. Pode soar similar porque tem raízes similares. Além disso, julgar o passado com lentes atuais é um pouco extremo. Um nome não significa nada. Asoka também é um nome violento. Alexandre também.

Estou ciente de que há uma certa carga de islamofobia no mundo hoje e, como muçulmanos, se não nos apossarmos disso, então quem irá? Eu não posso chamar meu filho de Alexandre e nem de Ram. Então por que não um belo nome muçulmano e criá-lo com valores seculares para que as pessoas digam 'que cara legal' quando o encontrarem? Aí estará o fim do nome."



Fonte: NDTV.

Sisterhood

A irmã de Katrina Kaif pode ser lançada em Bollywood em breve. Dizia-se que o primeiro filme da jovem Isabel seria lançado pela produtora de Salman Khan, porém hoje se acredita que a própria Katrina abrirá uma produtora e ela será responsável pelo lançamento de sua irmã.



Fonte: Deccan Chronicle.

Reconhecimento internacional

O filme Newtown, dirigido Amit Masurkar e estrelado por Raj Kummar Rao - cujo nome é escrito de tantas formas que já desisti de saber a correta - estreou na 67ª edição do Festival de Berlim e ganhou o prêmio do Cinema de Arte. É sempre bom ver o cinema indiano sendo reconhecido em outras praças.


Fonte: Indian Express.

Superpoderosos

Ranbir Kapoor e Alia Bhatt serão o casal principal de Dragon. O próximo filme de Ayan Mukerji (Wake Up Sid, Yeh Jawani Hai Deewani) será sobre um super-herói que tem uma conexão mística com o fogo. Quem acabou de entrar para o elenco é o incomparável Amitabh Bachchah. As gravações de Dragon terão início em agosto, quando Ranbir terá terminado de filmar a biografia de Sanjay Dutt.

Esse enredo parece uma péssima ideia, mas estou dando um voto de confiança porque não é possível tanta gente boa se reunir para algo ruim.

Fonte: Indian Express.

Outro retorno

Parece que chegou a época dos retornos. Agora é a vez de Darsheel Safary, que há anos nos encantou como o menino disléxico Ishaan no filme Taare Zameen Par (Como Estrelas na Terra). O agora crescido rapaz voltará às telas no romance adolescente Quickie.



Fonte: Miss Malini.

Celebração

Neil Nitin Mukesh se casou com Rukmini Sahay. A cerimônia ocorreu em Udaipur e contou com a presença de 500 convidados. Como todo bom casamento indiano, a celebração durou mais de três dias. Felicidades ao casal!



Fonte: Indian Express.

O homem mais lindo do mundo

Fawad Khan falou pela primeira vez após a proibição de que artistas paquistaneses trabalhassem em Bollywood. O belíssimo ator falou sobre sua vida, carreira e visão de mundo. Seus amigos contam que passou por uma "fase negra" quando mais jovem e foi pedido que Fawad contasse um pouco mais sobre aquele momento.

"Bem, eu posso estar errado, já que sinto que não existe nenhuma 'verdade objetiva' e tudo é subjetivo - mas da forma como vejo as coisas, você tem muitas expectativas da vida quando é mais novo. Acho que chega um momento em que você começa a desistir das expectativas, porque o mundo não lhe deve nada e você não deve nada ao mundo em troca. Coisas, sentimentos, são uma transação muito simples. Se você consegue, seja grato. Se não consegue, fique bem com isso.

Quando eu era mais novo, eu pensava que também queria fazer dinheiro, eu também queria um pedaço do bolo. Então aqueles poderiam ser os tempos sombrios. E sim, a saúde era uma coisa que me preocupava. E isso ainda é algo que está comigo, mas eu aceito.

Curiosamente, ontem eu estava conversando com a minha esposa e eu estava apenas apreciando - ou talvez eu estivesse apenas em um momento muito emocional - o fato de que se eu não tivesse experienciado os baixos da vida, eu não seria capaz de apreciar os altos, e minha vida teria estagnado. E quando a vida se estagna, ela se torna suicida. Você sempre precisa de uma checagem de realidade de tempos em tempos.

Então, qualquer que tenha sido o período sombrio, eu sou grato por ele. Sim, eu já estive sem um tostão. Tive que batalhar um pouco. Mas agora gosto de pensar nisso porque só me faz sentir melhor com as minhas conquistas."

Fawad é visto como um homem retraído. Muitos dizem que é sua estratégia para aparecer em mundo no qual artistas são demasiadamente exibicionistas.

"Prefiro falar menos porque não me considero uma pessoa muito inteligente. Então penso em vez de ser vítima da doença de enfiar os pés pelas mãos. Deve-se abster de falar o máximo possível. Eu tendo a divagar e consigo fazê-lo com meus amigos e ser expressivo. Mas sinto - e isso volta ao assunto da mídia social e da liberdade de expressão - que quando você está numa plataforma pública e coloca algo lá para pessoas que não o conhecem, elas podem entender de uma forma muito diferente. 

Algumas pessoas podem dizer que é errado e que você deve defender o que é certo, mas meu argumento é: tudo é tão cinza, como você pode dizer o que é certo ou errado? Você defende uma coisa e sempre haverá alguém com uma ideia oposta.

Eu não sou uma pessoa de confrontação. Você pode me chamar de covarde, mas eu apenas não gosto de confronto. Não gosto de incomodar as pessoas ou de ficar incomodado. Eu não acho que eu seja antipático, mas tem a ver com eu ser tímido e ter um sério caso de medo de palco. Não é tanto sobre ser introvertido quanto por ser levemente reservado quanto às minhas opiniões. Eu gosto de manter as coisas assim.

Mas no ano passado comecei a ser o anfitrião de festas para as pessoas e descobri que era uma experiência tão maravilhosa. É muito divertido ver as pessoas socializado de forma digna e ainda assim se divertindo muito. Eu amaria conhecer as pessoas, mas eu não quero que esse seja o contexto. Não quero que haja resultados esperados disso, porque mais uma vez, eu não sou um homem de expectativas.


O ator prefere seguir o caminho inverso do cenário atual, no qual os atores são cada vez mais convidados a expressarem suas opiniões em diversas plataformas:

"O lema da minha vida é 'o melhor conselho é não dar nenhum conselho'. Sim, há muita tristeza e dor no mundo, mas minha crença é que se você quer assumir uma posição sobre algo, deve estar muito educado a respeito.

Vivemos em uma geração Wikipedia e é um fato muito triste que as pessoas não possuam um grande conhecimento sobre os assuntos e tendam a entrar em discussões acaloradas sem conhecer o contexto das coisas. Eu mesmo fui vítima disso. Se vou falar sobre algo, preciso estar educado a respeito e preciso ter visto todas as perspectivas."

Talvez Fawad se refira à época dos ataques terroristas em Uri, quando houve a proibição de paquistaneses trabalharem em Bollywood e diversas correntes de Facebook e Whatsapp surgiram atribuindo-lhe frases e ofensas contra a Índia que seriam facilmente vistas como falsas se as pessoas pesquisassem e vissem que ele não se pronunciou sobre o assunto.

#VoltaFawad
Apesar de não estar trabalhando em Bollywood no momento, Fawad ainda mantém contato com os as amizades que fez e levou uma boa experiência do sistema de produção da indústria:

"A coisa é que Bollywood tem o seu sistema organizado. É uma máquina monstro que produz uns 400 filmes por ano, consistentemente. Eles são capazes de processar as coisas com eficiência.

Por exemplo, quando eu estava nos sets de Khoobsurat havia um time de auditores que ficava analisando os custos de cada dia. Ver isso praticamente reforça sua crença de que o planejamento é muito importante. Há uns poucos produtores fazendo isso aqui e é encorajador ver isso. Mas fora isso, se você estiver falando sobre atuação, aprendi tanto quanto aprendi aqui (no Paquistão)."

Por enquanto o ator será visto apenas em produções cinematográficas paquistanesas e tem um projeto na TV local sobre o qual ainda não pode dar detalhes.

Fonte: Icon/Images

Hoje termino a coluna em clima de tristeza por saber que questões políticas nos impedirão de ver mais trabalhos de um artista talentoso na indústria que tanto amamos. Vamos torcer para que a humanidade melhore. Até a próxima!


Neerja (2016)

Biografias são sempre perigosas porque levar a vida real de alguém para o cinema envolve correr os riscos de desapontar aqueles que fizeram parte daquela história, da contagem inacurada dos fatos e de a imagem da pessoa real ser soterrada pelo brilho da estrela que a interpreta. Nada disso impede que nos deparemos com histórias reais no cinema ano após ano, em especial em Bollywood, que há pelo menos cinco anos nutre uma obsessão por filmes biográficos. Somente em 2016 tivemos filmes como Aligarh, Dangal, MS Dhoni e Azhar, sendo a maioria composta por filmes sobre esportes. Neerja é um caso especial. Sua história aconteceu no final dos anos 80 e era desconhecida por grande parte da juventude indiana. Para nossa sorte, o diretor Ram Madhvani decidiu resgatá-la.



Neerja Bhanot era modelo e aeromoça da companhia aérea Pam Am. Ela tinha apenas 22 anos em 1983, mas sua jovem idade não a impediu de carregar dores profundas. Neerja havia estado em um casamento abusivo e retornou à casa dos pais após as agressões e pressões do marido para receber um dote. A jovem conseguiu emprego como aeromoça e seu primeiro dia como chefe de cabine seria no voo 73 da Pam Am, que ia em direção a Frankfurt. Uma escala foi feita na cidade paquistanesa de Karachi e foi naquele momento que terroristas palestinos da organização Abu Nidal sequestraram o avião para forçar que os pilotos os levassem para Cyprus a fim de libertarem terroristas presos. Neerja enviou o código de sequestro aos pilotos, que evacuaram a cabine. Aquele que era para ser um voo tenebroso tornou-se um inesperado sequestro de um avião que não deixou o solo. 17 horas depois, Neerja e outros 20 passageiros não mais viviam. Entretanto, graças à bravura da jovem, 340 passageiros foram salvos.

A história da aeromoça heroína era forte demais para que não nos assustássemos ao ver Sonam Kapoor como a atriz escolhida para vivê-la. Sonam tem uma carreira irregular, com poucos sucessos e atuações não muito reconhecidas por público e crítica. Algo vinha lentamente mudando em seu talento desde a comédia romântica Khoobsurat, em que demonstrou um desempenho melhor do que a sua média. Ainda assim, a pesada história de Neerja parecia um voto de confiança grande demais para o que Sonam vinha apresentando até hoje. O que foi mudando minha percepção e me fazendo crer na qualidade do filme foi sua produção. Durante os meses de gravação fui surpreendida por uma Sonam mais quieta e profunda do que o normal. Todo o drama do filme se passou em um avião construído pela equipe e as sequências foram longas e dolorosas, sendo necessária uma imersão total de todos os atores envolvidos. Sonam estava abalada, machucada pela violência física imposta pelo roteiro e impactada pela história de vida que estava representando. Para quem observava estava claro que aquela personagem estava afetando até mesmo sua forma de ver a vida.


A abordagem do roteiro apresenta Neerja como uma jovem absolutamente normal, semelhante a qualquer um de nós. Seu pai a criou com o princípio de sempre fazer a coisa certa e ser forte. É através desses princípios que somos levados a entender de onde a aeromoça tira coragem para atos discretos de enorme bravura durante o sequestro, como esconder os passaportes americanos ao perceber que os sequestradores desejavam matar cidadãos dos Estados Unidos. Foram inseridas cenas representando seu intenso pavor das explosões do marido justapostas às cenas em que sente medo durante o sequestro para expressar a ideia principal: Neerja não era uma mulher sem medo, mas sim alguém que agiu mesmo tomada por ele para fazer o que era correto. Assim como em seus episódios de violência doméstica, ela teme fazer ou dizer qualquer coisa errada. Há sequências em que a câmera é posicionada extremamente perto dos rostos. Podemos ver o terror passando pelos olhos e lágrimas de Sonam como jamais imaginaríamos.


A proximidade das câmeras deixa o espectador sem ar. Quando os terroristas agridem e apontam suas armas para a equipe e os passageiros, nos sentimos próximos o suficiente para compartilhar da tensão no ar. Mas para além do jogo de câmeras, as atuações enérgicas dos passageiros e dos terroristas foram essenciais para transmitir a atmosfera pesada. Não há como falar deste filme sem mencionar o trabalho de Jim Sarbh, intérprete do terrorista Khalil. Ele representa o terrorista impulsivo e sanguinário que está disposto a tudo pela sua causa e não tem pudor algum em ser cruel e violento com todos. Khalil já mostra seu sadismo de início, porém há uma escalada no estado psicológico do personagem que é feita brilhantemente pelo ator. Khalil perde o controle progressivamente devido ao enclausuramento e à falta de perspectiva quanto ao atendimento das demandas de seu grupo. Os terroristas ficam cansados, irritados e desesperados. A forma como saem de si é contraposta à conduta de Neerja, que jamais perde de vista seu dever: acalmar e cuidar dos passageiros.

Neerja foi autorizado pela família da aeromoça com a condição de que pudessem aprovar seu roteiro previamente. Sonam recebeu a bênção de Rama, mãe da jovem, para interpretar sua filha morta tão precocemente. A relação de profundo amor entre mãe e filha vem desde antes do seu nascimento. Diferentemente de tantas famílias indianas tradicionais, com sua obsessão por filhos homens, Rama e seu marido Harish já tinham dois filhos e decidiram engravidar mais uma vez porque desejavam ter uma menina. Neerja era a menina dos olhos de sua família, a caçula amada por todos. Sua perda é impossível de ser compensada com os vários prêmios de bravura que a família recebeu após sua morte. Shabana Azmi foi a escolha correta para interpretar essa mãe que sofre aquilo pelo qual nenhuma mãe deveria passar. Há pouco para falar sobre Shabana que já não tenha sido dito em todos os seus trabalhos impecáveis. Da mulher forte que vemos em tantos filmes, ela conseguiu facilmente flutuar para uma atuação mais assustada e dolorosa de uma mãe em completa negação sobre a possibilidade de sua filha não sobreviver.


Como esperado, nem todos ficaram satisfeitos com a forma como os eventos foram retratados. Alguns membros do voo da Pam Am disseram que a própria Neerja ficaria enojada por ter sido retratada como a única heroína da história, quando todos trabalharam em equipe para preservar a segurança dos passageiros. O sobrevivente Mike Thexton relata em seu livro sobre o evento e nesta matéria que aquela foi a equipe mais competente que já encontrou. Fica claro que houve mais participação coletiva do que a história mostra e que o conto da heroína solitária talvez seja mais interessante para o cinema do que crível na vida real. Ainda assim, é inquestionável a coragem de Neerja e seu profissionalismo ao avisar os pilotos, impedir a coleta dos passaportes, tranquilizar os passageiros e salvar crianças. Sonam Kapoor transmitiu com muita competência a dignidade e inteligência da aeromoça em momento de crise.

Não me lembro da última vez em que me tornei fã de um diretor tão rapidamente, um feito que Ram Madhvani conseguiu com maestria em Neerja. Nem mesmo a inserção de uma música desnecessária ao andamento da história tirou o brilho e, principalmente, a força da história que ele se propôs a contar. Cada membro do voo parecia ter sido dirigido pessoalmente, cada cena foi bem cuidada e nenhuma atuação pareceu fora de lugar.  O salto artístico que sua direção permitiu ao trabalho de Sonam Kapoor seria algo impossível de imaginar há alguns anos. Ram transformou a carreira de Sonam para sempre e tornou-a uma das atrizes mais procuradas e valorizadas da indústria após o filme, mas não é apenas ela que lhe deve gratidão. Neerja foi um filme que me reconectou com meus valores mais profundos e me deu a dimensão de como minha vida pode afetar às daqueles que me rodeiam. Acredito que o último filme indiano que me fez querer estar no mundo de forma mais intensa e positiva tenha sido 3 Idiots, e isso já faz sete anos. Isto mostra a raridade de um filme assim acontecer em nossas vidas. E é por esse motivo que vocês devem assistir a Neerja o quanto antes.

Aconteceu em Bolly


Primeira Aconteceu em Bolly de 2017, quem mais está animado? Hoje temos quebra quebra, um casamento inesperado, gente mimada reclamando de barriga cheia e o retorno do barraco que jamais morreu. Descubram agora o que aconteceu em Bolly!

Violência

Provavelmente o assunto mais comentado nos últimos tempos é o ataque sofrido pelo diretor Sanjay Leela Bhansali nos sets de Padmavati em Jaipur. A equipe gravava o filme, quando a locação foi invadida por um grupo furioso de homens que gritavam contra o diretor e seu filme. Vocês podem checar como foi o ataque neste vídeo. Chegaram até mesmo a agredir Sanjay fisicamente e quebraram o equipamentos da filmagem. O ataque foi realizado por membros da organização Shri Rajput Karni Sena e foi feito em protesto a uma entrevista na qual Ranveer Singh teria dito que há uma cena de sonho íntima de seu personagem, Alauddin Khiji, com a rainha Rani Padmini, interpretada por Deepika Padukone.

Padmavati contará  a lenda da bela rainha Rani Padmini, que casou-se com o rei Ratan Sen de Chittor. O sultão Alauddin Khiji teria ouvido falar da beleza da rainha e decidiu atacar Chittor para levá-la consigo. Após seu marido ser morto na batalha, a rainha e suas companheiras cometeram suicídio para não serem violadas. Os religiosos do Rajastão têm uma visão sagrada da rainha e declararam que não tolerarão que a história seja distorcida, tendo posto a exigência de que a sequência do sonho seja retirada do filme. O problema é que a tal declaração de Ranveer Singh sobre essa sequência não foi localizada em nenhuma entrevista dada pelo ator.

Como até mesmo tiros foram dados durante a invasão, Bhansali decidiu suspender as gravações em Jaipur para manter a segurança de sua equipe. Sua produtora lançou uma nota após reunião com um representante do Karni Sena. Nela disseram que jamais houve a tal sequência de sonho e que toda a pesquisa histórica foi feita.

Padmavati será lançado em 17 de novembro.




Fortinho

Ranbir Kapoor está totalmente dedicado ao seu papel como Sanjay Dutt na biografia do ator que está sendo filmada por Rajkumar Hirani (3 Idiots, P.K.). Sua rotina de alimentação e exercícios é rigorosa e o ator já ganhou 13kg. Ranbir interpretará Sanjay em três fases da sua vida e cada uma exigirá um físico diferente. Na primeira ele será forte e musculoso, depois terá o visual mais magro que o ator tinha nos anos 90 e a terceira mostrará sua fase na reabilitação por seu vício em drogas.

Fonte: Indiaglitz

Ela voltou


Após quatro anos sem um lançamento, veremos Preity Zinta outra vez nas telonas. A atriz estrelará em Bhaiyyaji Superhit ao lado de Sunny Deol. Preity não sente tanta dificuldade em voltar ao trabalho após ter se casado e deve seu retorno ao apoio do marido:

"Eu não sou a única, há milhões de mulheres que se dividem entre as vidas profissional e pessoal. Elas não são celebradas porque não são atrizes. De fato, o trabalho mais difícil do mundo é ser dona de casa. Não há nenhuma valorização, você tem que trabalhar 24 horas por dia. Mas nós, profissionais, ainda conseguimos esse reconhecimento no nosso local de trabalho. Dito isto, as mulheres, no geral, são supermulheres. Elas cuidam da casa e do trabalho. Há poucos homens que fazem isso. Para mim é muito simples. Estou casada, trabalhando e muito feliz. Tenho sorte por ser casada com uma pessoa que na verdade me impulsionou para fazer um filme. Pensei que eu não quisesse fazer mais filmes e me voltei para o lado empresarial da vida."

Preity e o marido, Gene Goodenough



Ela quer voltar

Lembram da pequena Ayesha Kapur, que fez a jovem Michelle McNally em Black (2005)? Hoje ela tem 22 anos e estuda Artes na Universidade de Columbia. Ayesha afastou-se das telas para focar em seus estudos, mas hoje tem vontade de voltar a atuar e espera convites. Ela contou sobre a experiência de não ter crescido assistindo Bollywood e estar num set de filmagem aos 9 anos ao lado da figura icônica de Amitabh Bachchan:

"Na primeira vez que o vi, perguntei ao Sr. Bachchan se aquele também era o primeiro filme dele. Aparentemente o estúdio inteiro caiu na gargalhada. Ele foi muito gentil e me deu uma cópia autografada de sua biografia no dia seguinte. Eu não cresci assistindo aos filmes de Bollywood e tinha 9 anos, afinal, então não sabia de muita coisa."




PC em Bolly!

Todos estão ansiosos para saber qual será o próximo filme de Priyanka Chopra em Bollywood. Ela só consegue escolher um filme por ano devido ao intenso ritmo de gravações da série Quantico, então é bastante seletiva quanto a roteiros. Inicialmente houve rumores de que ela estrelaria ao lado de Shahrukh Khan na biografia do poeta Sahir Ludhianvi, planejada pelo diretor Sanjay Leela Bhansali. Mas agora parece que algo mais interessante está a caminho. Bhansali teria levado até a atriz o roteiro da história de uma prostituta em um bordel. Rani Mukerji seria a primeira escolha, mas foi aconselhada a não aceitar o papel por já ter vivido muitas prostitutas no cinema. Será que mais uma vez Priyanka se beneficiará de um papel que seria de Rani, como aconteceu com o elogiado papel de Kashibai em Bajirao Mastani?


Não briguem, meninos



Toda vez que dois filmes grandes são lançados na mesma data é uma drama infindável das duas partes. Não foi diferente com Raees e Kaabil, estrelados por Shahrukh Khan e Hrithik Roshan, respectivamente. Os dois filmes foram lançados no dia 25 de janeiro e Rakesh Roshan - pai de Hrithik e produtor de Kaabil - ficou indignado com o curso que as coisas tomaram. Segundo ele, conversas foram mantidas com a produção de Raees e nelas foi decidido que os dois filmes dividiriam ao meio as salas de cinema, porém no dia da estreia ficaram 60% das salas para o filme de Shahrukh e 40% para o de Hrithik.

"Eu pertenço à velha escola de cinema, onde mesmo contratos oficiais eram dispensados. A palavra dada à outra pessoa era o bastante. Aqui, os expositores e distribuidores estão descaradamente voltando atrás em sua palavra sob pressões que não conheço. Estou muito magoado. Se este tipo de práticas anti-éticas continuarem, terei que abandonar o cinema. Não sou apto a lidar com facadas nas costas neste nível.

Tudo está ficando sujo e anti-ético. Nenhum profissionalismo, nenhuma amizade, não é uma família unida de forma alguma. Era na minha época. Jeetendra, eu e Rishi Kapoor somos os melhores amigos até hoje. Aquela era a indústria em que trabalhávamos. Agora apertamos a mão de alguém e não sabemos o que pretendem. Sorrir e beijar as bochechas dos outros em público, isto não é amizade."

Hrithik preferiu ser mais diplomático sobre o assunto e acredita que tudo tenha sido uma questão de desorganização.

"Acredito que Raees também não teve chance. O filme está esperando por uma data de lançamento há algum tempo. Ele deveria ter sido lançado juntamente com Sultan, mas foi adiado. Eles também estão com problemas. Eu entendo isso. Minha tristeza é apenas porque se eles tivessem planejado um pouco melhor, este choque entre os filmes não teria ocorrido."

No final deu tudo certo e ambos os filmes foram um sucesso, mas é claro que o lucro poderia ser maior se cada filme tivesse sido lançado sozinho. E para melhorar as notícias, Kaabil  foi exibido em um cinema paquistanês esta semana. Esperamos que seja o primeiro passo para o fim do banimento dos filmes indianos no Paquistão.


Par inédito

Anushka Sharma e o diretor de NH10, o primeiro filme de sua produtora, planejam trabalhar juntos mais uma vez em um filme chamado Kaneda. O filme será sobre uma gangue mafiosa punjabi dentro do Canadá. Ao que tudo indica, Anushka será protagonista juntamente com Arjun Kapoor.

Fonte: DNA India.

Nepotismo

Huma Qureshi falou sobre as dificuldades de se trabalhar em uma indústria tão nepotista como Bollywood.

"O fato é que o nepotismo existe. Será mentira se alguém disser que não existe. Definitivamente existe. Mas ele existe em toda caminhada da vida. Quando digo isso, não quero tirar nada de muitos amigos meus que são da indústria. Eles trabalham duro e são pessoas apaixonadas pelo que fazem. Tem que se dar crédito ao trabalho duro e ao talento, mas ser daqui deixa mais fácil.

Muitas vezes, eu não sabia para quem ligar, como planejar minha carreira, quais filmes assinar. Você realmente deseja uma pessoa mais experiente para ajudar a planejá-la. Eles têm essa vantagem."

Huma fez uma prostituta em Badlapur (2015) e suas ofertas de trabalho ficaram marcadas por esse trabalho:

"Após Badlapur eu recebi ofertas de personagens muito semelhantes. Nossa indústria é bem míope nesse sentido. Quando fiz Gangs Of Wasseypur, eu só recebia ofertas de personagens rústicas. Eu encontrava as pessoas e elas ficavam meio 'oh, então você sabe falar inglês?'. É isto o que acontece. Você é tão boa quanto o seu último lançamento."


À distância

Mahira Khan fez uma estreia muito bem-sucedida em Bollywood ao lado de Shahrukh Khan no filme Raees. A atriz não pôde participar das coletivas de imprensa e promoções do filme ao lado do superstar devido ao impedimento de artistas paquistaneses trabalharem na indústria, mas felizmente a tecnologia está aí para reduzir as distâncias criadas pelo homem. Mahira participou da coletiva de imprensa dada em Mumbai para comemorar o sucesso do filme por videoconferência. Graças ao fim do banimento no Paquistão, muito em breve sua terra natal poderá ver seu trabalho.


Fonte: India Today.

À moda antiga

Neil Nitin Mukesh vai se casar! Nada de novo, não fosse por ser um casamento arranjado. O ator se casará com Rukmini Sahay em fevereiro e não entende a comoção pela forma como conheceu a noiva:

"Não há nada chocante nisso. Às vezes desconsideramos coisas, mas nossos pais não o fazem, e isso está vindo de duas famílias unidas. E quando você olha em detalhes, faz mais sentido. É uma base forte. As pessoas vinham surpresas até mim falando 'Neil, você vai ter um casamento arranjado!'. Inicialmente eu fiquei na defensiva, mas agora apenas rio. Eu amo a ideia de os fãs pensarem que seus atores têm uma vida de conto de fadas, que é linda. Mas em algum lugar para mim, me certifiquei de separar minhas vidas pessoal e profissional."




Surpresa

A mais nova adição ao time da série de comédia Golmaal é ninguém menos que a fantástica Tabu. Conhecida por seus papéis sérios e aclamados pela crítica, a atriz agradeceu ao diretor Rohit Shetty por tê-la escalado em uma área diferente da sua. Golmaal Again será o quarto filme da franquia.


Sobre a arte de ficar quieto

Harshvardhan Kapoor, filho de Anil Kapoor e irmão de Sonam Kapoor, fez sua estreia nos filmes em 2016 com o fracassado Mirzya. Mesmo com o fracasso de público e crítica, o jovem ator vinha recebendo o prêmio de melhor estreante em todas as premiações - exceto pelo Filmfare Awards, que foi concedido ao ator punjabi Diljit Dosangh por sua atuação no elogiado Udta Punjab. Harsh não gostou muito da derrota:

"Eu ganhei todos os prêmios, exceto o Filmfare. Não se sabe como funciona. Alguns prêmios têm um júri e ele decide. Alguns têm voto popular. Então não sei como eles decidiram este ano. Acho que prêmios de estreantes devem ir para pessoas que sejam relativamente novas no cinema. Eu fiz menos trabalhos. Ou então, é como dizer que fiz 100 filmes ingleses e agora sou um estreante porque fiz um filme hindi. Então se Leonardo Di Caprio ganhou um Oscar e vier a Bollywood para fazer um filme, ele será um estreante - o que é algo com o qual não concordo."



Diljit é conhecido por ser muito gentil e humilde, então sua resposta ao comentário não poderia ser diferente:

"Não estou magoado. Não estou triste. Estou grato ao Filmfare Awards pela honra que deram a mim. Eu não acho que sou suficientemente merecedor. É um grande prêmio e acho que eles devem ter visto algo em mim e por isso me deram o prêmio. Para mim, o amor dos meus fãs é o que mais importa e este é o maior prêmio. Eu amo Harshvardhan Kapoor. Também gosto do seu pai, Anil Kapoor, ele é um superstar."

Pegou mal e Harsh foi ao Twitter se desculpar.

"Também amo você, senhor, tenho muito respeito por você e pelo conjunto da sua obra. Perdão se eu disse algo que soou errado."

Como ele marcou Diljit e Anil no tweet, talvez o pai o tenha feito pedir desculpas.

Fonte: Miss Malini.

Sempre corajosa

Mal começou 2017 e Kangana Ranaut já mostrou a que veio. Em duas entrevistas recentes, ela tocou em diversos temas espinhosos, como a ida de suas contemporâneas da indústria para Hollywood. Ela no momento tem dois roteiros de filmes americanos para analisar. Como sempre, foi impiedosa em sua análise desse movimento.




"Seria estúpido para qualquer um ir para o Ocidente agora. O ramo de cinema delas está falindo devido à entrada da mídia digital. A Ásia, por outro lado, está onde Hollywood estava há 15 anos atrás. É uma fase lucrativa para o entretenimento aqui. Essas são iscas da qual não serei presa.

Não estou buscando uma carreira alternativa na qual eu possa me mudar para outro país e viver lá. Para ser honesta, toda comunidade, toda sociedade, toda raça, tem seus próprios modelos. Eu não posso esperar ser um modelo para outro país. Eu quero ajudar a fazer crescer o que já temos. Nós levamos 100 longos anos para fazer este negócio crescer.

Se um filme americano (falando de Mogli, 2016) está lucrando Rs 100 crore, e nem todos os nossos filmes conseguem isso, poderemos não encontrar salas para exibir filmes feitos aqui em dez anos. Apóio o cinema mundial, mas precisa ser um filme que traga empregos e dinheiro para o nosso país. Eu não quero me oferecer numa bandeja para outra indústria." 

Kangs também falou sobre o maior barraco de 2016, quando ela e Hrithik Roshan passaram meses brigando em público a respeito da suposta relação amorosa que os dois viveriam há anos por meio de e-mails.

"Eu fui arrastada ao tribunal por ser quem eu sou. Eu fui restringida a um relacionamento que foi levado atrás de portas fechadas e lutei com justiça e honestidade. As pessoas falam besteira, mas elas não podem decidir como eu levo minha vida. Eu me senti estigmatizada. Eu acordava e lia notícias sobre e-mails medonhos que eu não tinha escrito. Sou uma roteirista certificada pela New York Film Academy. Eu não escrevo aquele lixo (ela ri)."

Ela recebeu uma notificação judicial exigindo desculpas públicas.

"Eu me recusei. Eu nunca entendi a história completamente - quem estava imitando quem? Eu fui ameaçada de que segredos horríveis sobre mim seriam revelados. Meus pais estavam preocupados com a minha segurança, mas eu não consegui aguentar isso quieta. Havia um grupo de invejosos em volta dele, usando-o para se vingarem de mim.

Apesar de haver momentos em que ele ia chorar para a indústria inteira, querendo que eles sabotassem minha carreira, as pessoas estavam me ligando e dizendo - 'Ele se encontrou conosco e nos mostrou provas, você quer nos encontrar? Porque queremos saber o seu lado da história também.' Mas eu estava, tipo, isso não é da conta de vocês. Eu estava tentando entender as coisas e senti que não fazia sentido buscar um encerramento nos outros.

A indústria de cinema é um lugar amável. Eles realmente cuidaram de mim. Prove o que está dizendo e então talvez eu possa me desculpar. Não vou tolerar bullying."

Em um assunto mais agradável, a atriz contou sobre a experiência de trabalhar com Saif Ali Khan e Shahid Kapoor em Rangoon. Parece que eles são bastante diferentes.

"Ambos são ótimos atores, não são apenas homens bonitos. Ambos são igualmente incríveis, mas Saif é muito mais charmoso e toda a indústria concorda com isso. Ele é o homem mais charmoso da indústria. Ele consegue encantar você em cinco minutos. A forma como ele fala...há algo muito agradável e cativante nele. Não temos nada em comum, viemos de lugares muito diferentes - mas você não se sente assim. Ele tem senso de humor para tudo, o que é muito simpático.

Shahid, por outro lado, é mais introvertido. Ele desconfia muito das pessoas (ela ri bastante)! Há dias em que ele é incrível, ele brincava com todos e havia dias em que ele estava numa zona diferente...muito desconfiado, observando cada movimento seu como se você estivesse escondendo uma arma ou como se você fosse um homem-bomba prestes a pressionar um botão e explodir tudo! Mas no geral, trabalhar com ele foi bom. Percebi que isso (as mudanças no humor) não têm nada a ver com você, porque no dia seguinte ele me trazia café da manhã, assim como no dia posterior, ele já mudaria. Ele definitivamente tem esses humores diferentes."

Quando questionada sobre merecer melhores ofertas de filme após seu sucesso de crítica e público, Kangana faz um balanço sobre a carreira e o que deseja agora.

Em Tanu Weds Manu Returns

"Na verdade, eu recebi propostas de grandes filmes, eu nunca me senti prejudicada na indústria. Mas sinto que agora quero fazer o papel principal nos meus filmes, especialmente desde que fiz o papel duplo (em Tanu Weds Manu Returns)...também pelo fato de que Katti Batti não foi bem e nele eu tive um papel pequeno. Acho que o público estava esperando mais de mim e que não posso ser vista ficando atrás de alguém. Katti Batti também foi uma grande revelação...de uma forma que senti que talvez ficar 10 ou 15 minutos em qualquer filme não seja algo que eu possa fazer agora. Eu recebi ofertas de bons papéis com pessoas que são importantes, grandes atores e diretores, mas então escolhi filmes que me apresentam como a personagem principal. Não sinto que eu não tenha recebido projetos maiores e melhores. Sinto que tenho os melhores filmes agora. Há o filme Simran, de Hansal Mehta, que é uma grande oportunidade, e a personagem de Rangoon foi ótima de se fazer. Acho que esta será de longe a melhor personagem para uma garota fazer. Eu utilizei todas as minhas habilidades e tomei a melhor decisão possível, mas veremos o que está por vir." 

Fontes: Mid-Day, Firstpost

E é com mais esse banho de sinceridade que encerramos a primeira coluna de 2017.

Ae Dil Hai Mushkil (2016)


Karan Johar deu uma entrevista dizendo que não conseguiria escrever outra vez algo como o seu primeiro filme, Kuch Kuch Hota Hai, pois naquele filme havia uma inocência que não poderia ser reproduzida hoje - afinal, ele não tem mais 24 anos. Seus filmes não podem permanecer os mesmos quando se viu mais da vida. Esta mudança de tom  na abordagem do amor deu seus primeiros sinais em Kabhi Alvida Naa Kehna, onde tratou dos temas da infelicidade conjugal e infidelidade. Até mesmo seu filme mais inocente desde então, o juvenil Student Of The Year, é repleto de personagens incompletos e infelizes, mesmo que isso estivesse oculto sob roupas de grife e enormes cenários. Esses disfarces caíram com mais força em Ae Dil Hai Mushkil

Karan escreveu e nos contou a história de Alizeh (Anushka Sharma) e Ayan (Ranbir Kapoor), dois jovens que compartilham do gosto por se divertir e do amor pelo cinema indiano. Os dois ficam muito amigos, porém Ayan se apaixona por Alizeh sem ser correspondido. Ela é uma eterna apaixonada por Ali (Fawad Khan), um DJ que não consegue se comprometer com um relacionamento sério, apesar de amá-la. Em seu desespero por não ter o amor de Alizeh, Ayan se envolve com a poetisa Saba (Aishwarya Rai), uma mulher elegante e refinada que não se vê pronta para amar outra vez.


O básico da narrativa johariana não mudou: ainda convivemos com pessoas extremamente ricas que vivem presas em suas pequenas misérias pessoais. Ninguém trabalha ou tem que se preocupar com qualquer coisa que não seja seu namoro ou a realização de seus sonhos contra as expectativas familiares. Ayan é um jovem doce e engraçado, mas extremamente mimado. Ele precisa das pessoas e fica devastado quando elas não são recíprocas aos seus sentimentos. Isto vale tanto para uma namoradinha interesseira quanto para o amor mais forte que sente por Alizeh. Tamanho apego ao outro provavelmente vem do fato de ter sido abandonado pela mãe e criado por uma família fria, mas essa explicação não toma mais do que dois minutos da história. Na vida adulta, ninguém liga para quem ou o que fez você se tornar a pessoa que você é. O que importa aos outros é quem você é neste momento. Felizmente, Ayan e Alizeh encontram carinho e conforto um no outro neste início atribulado de vida adulta.

Alizeh foi um desafio para Anushka Sharma. Tem as bases da mesma personagem que repetiu diversas vezes: a bubbly girl sempre feliz, meio maluquinha e pronta para se divertir. É necessária uma grande atriz para reinventar uma mesma persona e Anushka cada vez mais demonstra que ela o é. Suas múltiplas nuances investiram Alizeh de uma humanidade que seria difícil de alcançar por outras atrizes. Ela foi capaz de representar uma personagem que finge ser forte, mas cujas vulnerabilidades vêm à tona em questão de segundos quando aborda sua vida amorosa. O mais interessante foi esse complexo traço de personalidade ficar claro muito antes de qualquer expressão verbal explícita sobre assunto. Os excessos de piadas e atividade de Alizeh pareceram sua forma desesperada de mostrar que estava bem sem o amor de Ali, sendo que ela estava tão perdida quanto qualquer pessoa apaixonada e não tinha ideia do que estava fazendo.


Nem mesmo o milagre de humanização dos personagens realizado por Ranbir e Anushka tornou menos irritante as sucessivas referências a filmes, músicas e diálogos de filmes de Bollywood. Karan Johar é filho da indústria e claramente projetou em seus protagonistas o nível de importância que os filmes hindi têm em sua própria vida. É sempre interessante ver um diretor mostrar tanto de si em tela, mas o efeito acabou sendo de os diálogos dos dois jovens adultos parecerem forçados. O mesmo tom pouco natural surgiu nas falas da personagem de Aishwarya Rai, que deu enorme dignidade à uma poetisa que fala uma frase de efeito por minuto. Este é um filme de poucos acontecimentos e muita discussão de relação, então todo o peso da condução da história acaba recaindo sobre os diálogos. O roteirista Niranjan Iyengar investiu pouco em reflexões e muito em frases que seriam mais constrangedoras se não fossem ditas por esse incrível elenco. Entretanto, houve alguns belos momentos que ficam com o espectador após o término do filme.


Por falar em Aishwarya Rai, o elenco coadjuvante de ADHM é também responsável pelo sucesso do filme. O pouco tempo de participação foi o suficiente para Aish apresentar uma personagem que transita de forma aparentemente confortável em sua vida de solteira. Lisa Haydon fez uma pequena e divertida participação como a namorada interesseira de Ayan com a qual roubou a cena e não perdeu o brilho, mesmo com os efeitos sonoros grotescos de comédia pastelão adicionados em suas cenas. Já o talentoso Fawad Khan não teve chance de mostrar tanto de seu trabalho. Acredito que seu personagem tenha sofrido muitos cortes na edição para evitar controvérsias após a proibição de que atores paquistaneses trabalhassem em Bollywood. A história de Ali e Alizeh é dada a conhecer apenas através de explicações da própria Alizeh e depois disso vemos Fawad apenas em dois musicais. Tamanho desperdício de um talento novo e revigorante é frustrante.

Aquela química inesperada


A trilha sonora é personagem. O produtor musical Pritam compôs canções merecidamente vencedoras de prêmios e Amitabh Bhattacharya inseriu profunda dor nas letras interpretadas pelo personagem de Ranbir, que é cantor. Confesso que me surpreendi com a qualidade do trabalho por não ser fã de Pritam e de Amitabh. O produtor musical acumulou diversas acusações de plágio durante a carreira e ainda não estou totalmente convencida da originalidade da trilha porque infelizmente é o pensamento padrão quando nos deparamos com seus trabalhos. Independentemente disso, a atuação dada por Ranbir Kapoor à voz dolorosa de Arijit Singh nas canções Channa Mereya e Ae Dil Hai Mushkil  foi daqueles raros momentos em que todos os elementos de uma obra se organizam de forma perfeita.


É impossível acompanhar o trabalho de um diretor há um tempo e não traçar uma linha de progresso. Dentro dos filmes que dirigiu, Ae Dil Hai Mushkil me emocionou bastante por parecer o final do período de transição da adolescência para a maturidade de Karan Johar. Todas as piadas com o estilo de romance de filmes antigos dão a impressão de que o diretor está tentando exorcizar uma parte de seu passado bollywoodiano - talvez aquela extremamente ingênua que acreditava que o amor pode vencer tudo. Acontece que quando falamos muito sobre algo o tempo todo, fica evidente o quanto ainda estamos presos àquilo. Os elementos aos quais Karan ainda está ligado, e talvez sempre estará, são o mundo completamente à parte da vida real em que seus personagens vivem e personagens que vivem totalmente para seu amor. O que ele vem adicionando cada vez mais às suas histórias é a dor como protagonista do amor. Alguém sempre é infeliz no amor em seus filmes, como Kajol em Kuch Kuch Hota Hai e Rani Mukerji em Kabhi Khushi Kabhie Gham, mas geralmente são os coadjuvantes ou é algo breve. Os personagens principais costumam ter uma árdua jornada até a felicidade eterna. Desta vez, o personagem principal tem seu amor continuamente rejeitado e a discussão sobre a amizade como forma de amor torna-se central. Muitos corações são partidos em Ae Dil Hai Mushkil e nenhuma dessas pessoas parece que irá se recuperar facilmente daquela dor. Alguns a levarão para sempre. A percepção da dor como parte normal da vida talvez seja a mudança da qual Karan falou ao lançar o filme.

Bollywood não é o que parece

Os problemas em Ae Dil Hai Mushkil não são poucos. A história torna-se arrastada por ter uma duração mais longa do que os poucos acontecimentos pediam, há o já mencionado problema com os diálogos, a caracterização física em um ponto crucial da história é extremamente mal feita e os momentos em que Karan Johar faz autorreferência a um filme seu são embaraçosos. Mas esse elenco faz tudo valer a pena. Karan nunca foi um diretor sutil ao tentar arrancar lágrimas de seu público e essa tendência foi potencializada num filme com atores tão intensos e espontâneos. Esta não é uma história para ser assistida desavisadamente, pois o choro é inevitável. Particularmente, não esperava soluçar tanto e nem ficar tão movida. É sempre um prazer ver uma equipe se desafiando como foi feito nesse filme, tanto em termos da história delineada quanto das atuações desinibidas. Enquanto houver alguém desafiando as noções de amor pré-concebidas que temos, eu serei sua espectadora.

Diretores: Sanjay Leela Bhansali


Série Diretores 

SANJAY LEELA BHANSALI



A pequena casa da família Bhansali recebia mais um membro naquele distante dia 24 de fevereiro de 1963. Apesar da forte ligação da família com o cinema, seria difícil para qualquer um deles imaginar que aquele menino um dia seria considerado um dos maiores diretores do cinema indiano. Sanjay Leela Bhansali é o artista da grandeza. Crescendo em uma casa pequena, foi normal desejar que tudo fosse maior, mais espaçoso e mais belo. Foi naquele pequeno espaço claustrofóbico que sua imaginação começou a dar os primeiros passos em direção aos cenários grandiosos que um dia faria. Ele repintava paredes, aumentava os espaços, trocava as pilastras e construía a casa dos seus sonhos em sua mente.

A obsessão pela beleza foi primordial em sua vida desde a infância, já que seu meio era desprovido dela. Herdou o amor pelo cinema do pai, Navin - que não teve o mesmo sucesso que o filho viria a ter. O amor do pai pelo cinema disputava espaço em sua vida com a fraqueza pela bebida. O produtor fracassado fez filmes que nem mesmo o filho chegou a assistir e perdeu todo o seu dinheiro devido ao alcoolismo e às apostas. Sanjay não tem lembranças de uma época em que o pai não estivesse bêbado, pois a desgraça financeira ocorreu antes do seu nascimento. As memórias daquele tempo ainda estão muito presentes e ele se lembra de toda a família escondida debaixo da cama enquanto os credores batiam à porta. Em casamentos, a família era olhada com desprezo porque todos sabiam que seu pai sempre terminaria bêbado. Não é à toa que a humilhação segue presente em tantas cenas de suas obras, já que ele ainda a sente fortemente. O medo é outro sentimento presente em sua alma e sua obra. O pai era um homem violento e há uma cena em Khamoshi - The Musical que faz referência direta ao seu temperamento. Nela, Nana Patekar quebra os discos da filha furiosamente.  Esta cena aconteceu em sua vida, quando o pai lhe tirou aquilo que mais amava - a música.

Leela Bhansali
A fonte de força da fragilizada família foi incorporada ao sobrenome artístico de Sanjay. Leela, sua mãe, economizava o quanto podia e insistiu que os filhos fossem educados em boas escolas. Para isso não hesitou em vender sabão de porta em porta com os filhos Sanjay e Bela a tiracolo. Sanjay ainda se lembra das portas sendo batidas em sua cara. Infelizmente nem todo o esforço da mãe foi suficiente para que o jovem gostasse de estudar e sua hora favorita era o fim da escola,  quando podia ir para para casa e ligar o rádio. Ao som de canções dos filmes indianos, passava o tempo imaginando situações e cenários para cada uma delas. Leela dançava pela casa e trazia um pouco de brilho ao cotidiano tão duro dos filhos, fazendo daqueles os únicos momentos em que esqueciam de toda a dor e angústia. E era ali que o futuro contador de histórias estava nascendo.

O chamado artístico não demorou a chegar. Sanjay lembra-se de ter sido levado pelo pai a um set de filmagem quando tinha por volta de oito anos. Uma cena de cabaré estava sendo filmada e o menino logo ficou encantado pela atmosfera. As luzes, cores e sons o capturaram e foi ali que soube o que desejava fazer pelo resto da vida. Navin ensinou o filho a ter amor pela música clássica indiana e por todos os tipos de filme produzidos, fosse um clássico histórico como Mughal-E-Azam - que o pai o levou para assistir dezoito vezes - ou um filme cheio de ação como Chor Machaye Shor. O mesmo pai que o preenchia de amor pela sétima arte ficava irritado ao ver o interesse artístico do filho. Desejava que ele tivesse uma profissão estável que não trouxesse toda a  incerteza e a infelicidade que vivenciou.

Sanjay decidiu seguir o caminho do cinema por meio dos estudos. Seu maior sonho era entrar para o Film and Television Institute of India, local por onde passaram alguns de seus ídolos - como Jaya Bachchan e Ketan Mehta. Leela e Bela o apoiaram. Em 1982, a irmã foi com ele ao instituto para tentar inscrevê-lo. Não conseguiram nem passar pelos portões da instituição. Sua inscrição foi finalmente realizada em 1984, sem sucesso. Foi em um dia chuvoso de agosto que a esperada admissão ocorreu. O ano era 1985 e o garoto pobre de Mumbai finalmente vislumbrou a possibilidade de ter o futuro dos seus sonhos.

Sanjay estudou Edição porque não havia uma formação específica em Direção. O menino pobre e fechado emocionalmente manteve o mesmo comportamento recluso na faculdade, então não fez amigos e passou a maior parte do tempo sozinho.  Perdeu a oportunidade de interagir com futuros grandes diretores que também estudavam no instituto em sua época, como Rajkumar Hirani (3 Idiots) e Sriram Raghavan (Badlapur). Sobre sua experiência na época, o diretor diz:

"Eu era muito insignificante, discreto, imperceptível e não deixei marca nenhuma."

Para receber o diploma, os estudantes deveriam editar o filme de um diretor escolhido pela instituição. Sanjay não seu deu bem com o cineasta escolhido para si, Dilip Ghosh, e solicitou ao diretor da instituição um outro profissional cujo filme pudesse editar. Para seu azar, aquele era um tempo de rebeldia juvenil e o diretor pretendia sufocar o espírito indisciplinado da época. A recusa dos superiores fez que Sanjay entrasse na justiça para conseguir se formar, mas perdeu a causa. Foi até a sala do diretor e não hesitou em suplicar, dizendo: "Você não pode fazer isto comigo. Sou de uma família muito pobre e este é o meu sonho." O apelo não convenceu e Sanjay deixou o seu sonho para trás ao cruzar os portões e voltar para casa sem aquilo que mais lhe importava no mundo - seu diploma. E sem ter feito nenhum esforço para ter amigos ou relações, sua partida não causou nenhuma comoção. A dolorosa experiência fez com que se sinta assombrado pelo instituto até hoje. Vai até o prédio todos anos e anda por suas salas e corredores, sentindo que sua alma ainda pertence ao lugar. Mesmo tendo feito vários filmes de sucesso, ainda sente a ausência do diploma que desejou quando não tinha nada.

Bela, a outra mulher da sua vida
Após a expulsão do Film Institute, Sanjay foi apresentado por sua irmã Bela ao diretor e produtor Vidhu Vinod Chopra, que lhe deu a oportunidade de ser diretor de um musical  no filme Parinda graças ao vídeo de uma canção de três minutos que dirigiu na faculdade. Trabalhou como assistente de direção nos filmes Parinda 1942: A Love Story. Foi naquela época que escreveu o roteiro de Khamoshi e o apresentou a Vinod para que o dirigisse, mas ele orientou o próprio Sanjay a dirigi-lo. Só que sem recursos ou rede de contatos na indústria, a tarefa de levantar o dinheiro para a produção não seria fácil. A determinação que falta a Sanjay para criar e manter relações sociais existe em excesso quando se trata de batalhar por seus filmes. O rapaz passava horas e mais horas esperando do lado de fora das vans de inúmeros atores, esperando que algum aceitasse conversar para ouvir a história do filme. O empenho conseguiu o inesperado resultado de um diretor de primeira viagem reunir um elenco estelar:  Salman Khan, Manisha Koirala, Seema Biswas e Nana Patekar. Os fortes nomes atraíram um produtor e Sanjay conseguiu dirigir seu primeiro filme. Khamoshi- The Musical (1996) era a incomum história de uma filha apaixonada por música que se divide entre o mundo que ama e sua vida doméstica, cuidando dos pais surdos-mudos. Foi um fracasso de público e sucesso de crítica. A rejeição à sua obra levou o diretor à uma intensa depressão, da qual não teria saído sem o apoio constante dos amigos - especialmente Salman Khan, com quem tem uma relação de altos e baixos. Hoje Sanjay acredita que Khamoshi era um filme muito à frente de seu tempo e que talvez o público de hoje aceitaria melhor a história que tentou contar com alguns tons de realidade.

Com Manisha Koirala e Salman Khan nos
sets de Khamoshi - The Musical (1996)

A primeira ideia de Sanjay para fazer um filme costuma vir de uma canção. Ele tem uma forte memória afetiva ligada às canções de filmes hindi que escutou durante toda a infância no rádio e acredita que a identidade do cinema indiano está firmemente ligada à sua música. É um diretor apaixonado pela produção cultural do seu país e tem plena convicção de que suas obras serão a única coisa que permanecerão quando não mais viver. Ele se sente parte de algo maior e construindo um legado a partir da preciosa herança que recebeu dos filmes da era de ouro do cinema indiano. Cada cena que grava é pensada a partir dos trabalhos dos grandes mestres, como V. Shantaram, K. Asif, Guru Dutt e Raj Kapoor. Muito além do amor, sente profundo respeito pelo cinema indiano. Para ele, o set é um templo onde habita o seu Deus. Sua veneração se dá pela forma de intenso cuidado pelos mínimos detalhes do que aparecerá na tela. Isto ficou claro pela primeira vez para o público em sua segunda aventura na direção, a qual somente foi possível por alguém ainda acreditar em seu trabalho mesmo após o primeiro fracasso.

Hum Dil De Chuke Sanam (1999) foi a grande inauguração de tudo aquilo que viria a ser conhecido como o estilo Sanjay Leela Bhansali de fazer filmes. A opulência, o drama, os grandes musicais e cenários estupendos deram sua cara pela primeira vez. Khamoshi era um filme intimista, mas este era o exato oposto. Era um filme para ser visto em alta escala. O nível de detalhismo fez com que cuidasse pessoalmente de itens que iam das cores das cortinas à espessura do kajal nos olhos da protagonista. Foi neste drama romântico que o tema do triângulo amoroso surgiria em sua filmografia. Não bastasse a ousadia de pôr Aishwarya Rai, a qual se considerava ter uma beleza muito ocidentalizada, em um papel tradicional, ele a colocou como uma esposa que é levada pelo marido até o homem que ama. O sucesso foi estrondoso. Público e crítica amaram a obra e Sanjay ganhou amor, glória, prêmios e dinheiro. Outra tendência iniciada com HDDCS foram os altos gastos realizados na produção de filmes, mas ele não se importa com isso. Tudo é pela arte.

"As pessoas me acusam de desperdiçar dinheiro. Mas você deve saber como apreciar coisas belas. Há tantas formas de arte que se unem em um filme - teatro, dança, música, pintura, poesia - como reuni-las para criar uma experiência cinematográfica?"



Shahrukh Khan em Devdas (2002)
O desempenho excepcional de Hum Dil De Chuke Sanam permitiu que Bhansali alçasse voos mais altos. O agora aclamado diretor tomou para si a tarefa de dirigir a primeira versão hindi em cores de Devdas, o clássico livro de Sarat Chandra Chattopadhyay que já havia sido adaptado para o cinema onze vezes. O desejo de Sanjay não era fazer uma adaptação linha a linha do livro. Aquela seria a sua interpretação de Devdas. Para ele, a criação deste filme começou quando seu pai morreu, vítima da cirrose. Navin e Leela não se davam bem, mas em seu leito de morte, houve um momento em que o produtor saiu de seu coma e estendeu a mão para a esposa. Ela a pegou e viu o marido dar seu último suspiro naquele mesmo segundo. Sanjay viu a cena e ali percebeu que talvez sua mãe tivesse sacrificado 22 anos de sua vida apenas por aquele momento de ternura. Isto o fascinou e ali nasceu Devdas (2002), o filme que considera um tributo à história de amor de seus pais. Muitas das cenas inseridas por ele em seus filmes são referências a situações que viveu em sua vida - algumas contadas ao público, enquanto outras jamais nos serão reveladas. Em Devdas, a forte cena em que o personagem principal chega bêbado e cambaleante ao velório do pai foi vista por Sanjay no dia da morte de sua avó. A relação de amor e ódio de Devdas com a garrafa de bebida é tudo aquilo que Sanjay testemunhou na vida de seu pai.

Madhuri Dixit em Devdas (2002)
Devdas foi mais longe do que seu diretor poderia esperar. O filme foi escolhido para ser exibido em Cannes e também foi a submissão oficial da Índia ao Oscar de 2002. Os rios de dinheiro investidos no filme voltaram facilmente. Ele passou cada segundo do filme pensando em como gravar as cenas da mesma forma como Raj Kapoor o fazia, mas ali certamente não havia nada de Raj Kapoor. O estilo de Sanjay Leela Bhansali já poderia ser considerado único. Foi neste filme que Aishwarya Rai ficou definitivamente gravada como sua musa. O ritmo de gravações durante os dois anos e meio de produção foi intenso e naquela época passou-se a se falar bastante sobre os excessos de Sanjay Leela Bhansali. O diretor é tido como temperamental. É o primeiro a chegar e o último a sair. Os atores podem passar um dia inteiro nos sets para a gravação de apenas uma cena. Se uma sequência cara precisar ser regravada, ele o fará sem hesitação. Tal nível de dedicação o leva a escolher com muito cuidado todos aqueles com quem trabalhará. Há relatos de ele quebrar celulares ao perceber que as pessoas não estavam tão focadas no trabalho quanto ele desejava. Sanjay desmerece todos esses relatos como sendo mitos, mas não nega que há momentos em que se excede:

"As explosões vêm do amor pelo filme, e não para humilhar alguém. Se a raiva fosse para humilhar a pessoa, então meus assistentes não teriam trabalhado comigo. Todos os meus assistentes trabalharam comigo em dois ou três filmes. Quando você ama o seu trabalho, eles entendem a sua paixão. Este momento está sendo capturado para a eternidade e vamos dar o nosso máximo possível. Qualquer diretor ou qualquer pessoa dirigindo um escritório, um balcão ou qualquer coisa irá repreender os outros se algo der errado. Então dirão 'ele é tão abusivo, ele é tão temperamental'.



Com Shahrukh Khan e Madhuri Dixit
nas filmagens de Devdas (2002)

Mesmo com a rigidez ao orquestrar o ambiente de filmagem, Sanjay Leela Bhansali também é conhecido como um diretor apaixonado pelo inesperado. A cada dia suas interpretações sobre o roteiro mudam e ele estimula que seus atores também se abram para o novo que pode surgir todos os dias. Aceita suas sugestões de mudança e é aberto a todos os que amem seu filme tanto quanto ele.

"Quando meus atores me dizem que os estou confundido, digo a eles que é bom ficar confuso. Quando abro a porta, não sei quem encontrarei do lado de fora. Quando você não sabe o que esperar de si mesmo, você atua de forma diferente e sua atuação é elevada. Eu descobri muita alegria no não-estudado e no inesperado. É por isto, talvez, que meu comportamento às vezes também seja inesperado"



Aishwarya Rai como Paro em Devdas (2002). A musa do criador.


Sanjay podia fazer o que quisesse após Devdas. Teria o orçamento, os atores e a equipe que desejasse. É nos momentos em que tudo é fácil que descobre-se o quão corajosa é uma pessoa, e Sanjay provou ser audaz ao escolher como próximo filme a história de uma jovem surda, muda e cega, inspirada na história de Helen Keller. O diretor ficou fascinado pela luta pela qual passam aqueles que têm dificuldade para ser expressar e serem compreendidos pelos outros. Todos da indústria disseram que ele estava cometendo suicídio ao dar esse passo. Os cenários coloridos e grandiosos deram lugar a um filme escuro. Os romances entre homem e mulher perderam espaço para a comovente história de um professor e sua aluna deficiente, subestimada por todos. Seria a chance de Sanjay realizar mais um sonho de infância: trabalhar com o ídolo Amitabh Bachchan. Rani Mukerji inicialmente recusou o papel principal por achá-lo desafiador demais, mas felizmente terminou aceitando-o.

Com Ayesha Kapoor e Amitabh
Bachchan nos sets de Black (2005)

A produção de Black (2005) foi mais difícil do que o esperado e a equipe teve de lidar com um incêndio que destruiu cenários e figurinos, o que os obrigou a reconstruir tudo do nada. Talvez a maior dificuldade de um diretor habituado a gerar seus filmes através da ideia advinda de uma música fosse a ausência de musicais. Bhansali chegou a um nível de desespero tamanho que esteve a ponto de ligar para a coreógrafa Saroj Khan e encomendar uma coreografia caso não fosse impedido por Rani e Amitabh. Todo o sacrifício valeu a pena no final, quando Black obteve enorme sucesso de público e crítica. O legado mais positivo foi a conclusão de que o público indiano tinha interesse em histórias mais complexas e distantes dos temas românticos usuais e dos musicais que os acompanhavam.

O elogiado pôster de Saawariya (2007)
A Sony Pictures percebeu a força do mercado cinematográfico indiano e decidiu produzir seus primeiros filme no país. Sanjay Leela Bhansali parecia a escolha certa para essa primeira aventura por ter vindo de três grandes sucessos de público e crítica. Saawariya (2007) atraiu a atenção da indústria e da imprensa devido ao grande orçamento e também pelo protagonismo dado a dois atores estreantes que vinham de duas poderosas famílias que dominavam o cinema indiano - Ranbir Kapoor e Sonam Kapoor. Foi o primeiro filme de Bollywood a ter um lançamento norte-americano feito por um estúdio de Hollywood. O estilo discreto do diretor com suas recusas de mostrar partes do filme aos executivos e de liberar qualquer informação para a imprensa foi um pesadelo para os executivos da Sony. O filme chegou aos cinemas e o fracasso foi imediato e inegável. Sanjay tornou-se a piada da indústria e sofreu muito com o nível de massacre ao qual foi submetido sucessivamente em críticas, entrevistas e até mesmo esquetes de premiações. Todas as entrevistas da época apresentam um Sanjay ressentido e extremamente sensível. O diretor diz que aprendeu com a experiência de Khamoshi que seu filme pode fracassar, mas que o mesmo não pode acontecer com sua mente e suas ideias, mas nada disso o impediu de entrar em um episódio depressivo do qual tentou se curar indo a Paris para dirigir a ópera Padmavati, de 1923.

O tema da deficiência física abordado em Khamoshi  e Black foi o escolhido por Bhansali para o seu retorno aos filmes. Guzaarish (2010) surgiu no momento em que o diretor tinha cada vez mais dificuldades para explicar aos compositores o que desejava para as canções de seus filmes e tomou a decisão de passar a compô-las. Sanjay tem orgulho de ter colocado Hrithik Roshan, que todos veem como um deus grego que deve dançar em seus filmes, deitado em uma cama sem se mover. A equipe estudou muito para compor a história e os personagens do filme que retrata a história de um mágico que fica tetraplégico e luta pelo direito de cometer eutanásia. Sanjay vê na dor daquele homem preso em uma cama o seu próprio sofrimento no isolamento ao qual se submeteu após o fracasso de Saawariya. Apesar dos tons escuros, ele o enxerga como a história de um homem celebrando sua morte. A luta de seu personagem principal operou uma mudança em sua forma de ver o mundo. Passou a sentir-se uma pessoa melhor e reapaixonou-se pela vida, desejando a partir de então ficar mais próximo das pessoas. Foi neste filme que exorcizou os demônios que o levaram à depressão.


Com Aishwarya Rai e Hrithik Roshan
nos sets de Guzaarish (2010)

Infelizmente o público não gostou tanto da experiência de Guzaarish quanto Bhansali e o filme não teve um bom desempenho. Implacável como é a indústria do entretenimento, cada fracasso faz com que todos os seus sucessos sejam esquecidos. Dois fracassos consecutivos no currículo não são facilmente deixados de lado e as pessoas já diziam que Sanjay tinha perdido o jeito para a direção. A recuperação financeira veio através da produção de filmes de outros diretores. Sanjay passou a investir em filmes que gostaria de assistir e não saberia dirigir, como My Friend Pinto e Shirin Farhad Ki Toh Nikal Padi, mas certamente o que mais impressionou a imprensa foi o investimento no blockbuster masala Rowdy Rathore, um filme repleto de ação e comédia. Sanjay não entende a surpresa. Esse era o tipo de filme que via durante a infância e ele tem a capacidade de apreciar todos os tipos de cinema.

Deepika Padukone em
Ram-Leela (2013)
O alívio financeiro trazido pelas produções permitiu que fosse feita mais uma tentativa na direção de filmes. Desta vez o diretor voltaria às suas origens e traria uma adaptação de Romeu e Julieta com todos os elementos que o consagraram na direção. Cenários grandiosos, musicais impressionantes e um romance repleto de dor seriam os principais elementos da produção de Goliyon Ki Raasleela: Ram-Leela. Kareena Kapoor e Ranveer Singh foram escalados como casal principal. Os cenários foram construídos e tudo estava em seu lugar...ou parecia estar. Kareena Kapoor abandonou o filme a dez dias do início das gravações e Sanjay teve de buscar uma nova Leela. Foi até Deepika Padukone em um dia no qual a atriz estava doente e febril e, excêntricos como o são os grandes artistas, Bhansali viu intensa beleza no longo pescoço e nos olhos marejados daquela mulher adoentada. Uma nova Leela foi descoberta. O sucesso foi absoluto e marcou a virada nas carreiras de Deepika e Sanjay Leela Bhansali. Foi neste filme que o diretor saiu da sua zona de conforto e experimentou representar o amor também por meio de cenas sensuais e beijos, o que trouxe a possibilidade de se reinventar ao entrar no terreno da demonstração física do amor. Sanjay conseguiu se reconectar com o seu público e retornar ao status de diretor de sucesso. Para seu deleite, isto ocorreu no filme feito em homenagem à sua mãe, Leela - tão bela, doce e decidida quanto a personagem principal.

Após encontrar seu novo casal favorito nas figuras de Deepika Padukone e Ranveer Singh, Sanjay decidiu tirar da gaveta um projeto que vinha tentando fazer há 12 anos: o clássico histórico Bajirao Mastani (2015). Este filme deveria ter sido feito após Hum Dil De Chuke Sanam com Aishwarya Rai e Salman Khan como protagonistas, porém o projeto não foi levado adiante após o término do namoro entre os atores. As várias mudanças de elenco ao longo dos anos foram fazendo com que o filme parecesse uma lenda urbana, mas ele pôde finalmente ver a luz do dia nas figuras de Deepika, Ranveer e Priyanka Chopra. Bajirao Mastani é mais um filme sobre amores desfeitos e incompletos como os que o diretor teve em sua vida. Sanjay é reservado ao falar sobre a sua vida pessoal e sua única história de amor conhecida até hoje foi o relacionamento desfeito com a coreógrafa Vaibhavi Merchant. Ele sempre faz alusões a não ter sido correspondido no amor e ao sofrimento vivido, porém só o próprio sabe o que realmente se passou em sua vida e de quem está falando. Em sua visão de mundo não faz sentido o desapaixonamento. Ele não sabe como deixar de amar alguém e assim o são seus personagens: o amor que sentem é para toda a eternidade. O objeto do seu amor é sagrado.



Com Priyanka Chopra e Deepika Padukone
nos sets de Bajirao Mastani (2015)

"Toda a dor, sofrimento, amor, paixão e conflito fizeram de mim o que sou. Faço histórias de amor apaixonado porque não tenho amor na minha vida. Minha arte completa a minha vida. Minha vida pode ser incompleta, mas não é infeliz."



Sanjay quer que seus personagens experimentem todo o amor que não vivenciou em sua vida, já que se define como um nômade solitário. As jornadas diárias de até 20 horas de trabalho em Bajirao Mastani provam a veracidade de afirmação de que vive para os filmes que faz. Suas obras são a única vida que tem e não saberia como viver sem o cinema, pois foi este o mundo que o fez sobreviver durante a infância e segue tendo a mesma função em sua vida hoje. Aquele menino que era o mais feio, o rejeitado e com quem ninguém queria brincar se desnuda perante nós a cada filme com o qual nos presenteia. Para conhecer Sanjay Leela Bhansali é necessário assistir aos seus filmes. Mostrar sua alma de forma tão aberta tem os seus riscos. Cada filme que rejeitamos de Bhansali o leva de volta à toda a rejeição que sofreu em sua vida e o fracasso financeiro de uma obra traz o sentimento daquele menino escondido debaixo da cama para não enfrentar os credores. Seus filmes são sua tentativa de ganhar amor e ser aceito, uma luta na qual esteve durante toda a sua vida.

Bajirao, Mastani e Kashibai não puderam realizar seus amores da mesma forma como Navin não pôde realizar seus filmes e Sanjay não pôde realizar seu amor. A missão da vida de Sanjay Leela Bhansali é continuar vivendo através de seus filmes e engrandecer a arte do cinema indiano. A paixão que o move atrás das câmeras e seu senso de responsabilidade com a arte contribuem para que o cinema indiano não se conforme com a mediocridade. Os que o amam e o odeiam concordam sobre este ser um homem que busca a excelência em todos os momentos do seu trabalho. Aquilo que ele oferece ao público é tudo o que conseguiu extrair de melhor de dentro de si mesmo.


"Fazer filmes era o sonho do meu pai. Eu tenho que realizar os sonhos dele. É isto o que me mantém motivado. Uma vez, ele me levou para assistir a uma filmagem e me deixou no chão dizendo 'Sente aqui, não saia daqui!' Acredito que ainda estou onde ele me deixou. Ele me introduziu a um mundo o qual transformei em meu. Este é o único lugar onde quero estar."