Diretores: Karan Johar


A solidão costuma ser o destino natural do filho único e Karan Johar não fugiu à regra. Nascido em 1972, o filho do produtor Yash Johar e de Hiroo Johar era uma criança solitária por não ter à sua volta a família estendida que vemos em seus filmes, com irmãos, primos, tios e avós por todo lado. Mesmo assim, Karan era o menino dos olhos de seus pais, que orgulhavam-se de todos os seus feitos. Yash já tinha 40 anos quando Karan nasceu e o produtor de cinema não poupou amor e mimos ao seu esperado filho, mantendo com ele uma relação afetuosa e calorosa como seria a de um avô com seu neto. Hiroo fazia as vezes de disciplinadora da casa e preocupava-se com o hábito de comer compulsivamente do filho, que viria a transformá-lo em uma criança rechonchuda e com questões de autoimagem que perduraram por anos.

Diferentemente do que o senso comum possa pressupor, Karan não sofreu bullying e era cercado por crianças afetuosas em seus ambientes. Cresceu tendo em seu grupo de amigos outros filhos de artistas do cinema indiano que também passaram a trabalhar no meio, como Abhishek Bachchan, Zoya Akhtar, Farhan Akhtar, Aditya Chopra e Hrithik Roshan.  Por ser um bom ouvinte e afeminado, as meninas gostavam muito de sua companhia. A dor de Karan vinha da percepção clara de ser diferente de seus pares, algo que o fazia odiar ser chamado de gordo e maricas - sendo esta última a ofensa que mais o magoava, tendo a capacidade de acabar com sua semana. Os xingamentos vinham sempre de crianças mais velhas e de fora do seu círculo. O menino era bem tratado e apreciado em sua escola e vizinhança, porém o sentimento de solidão não passou até conhecer o cinema, que ocupou o lugar do irmão que não teve.

"(...) apesar de conhecer todos eles, eu sempre senti que não fazia parte do mundo do cinema. Eu me conectava a eles como pessoas. Eu gostava deles e apreciava sua companhia, mas nada além. Na verdade, eu sempre me sentia uma pessoa menor na frente deles, porque nós éramos produtores, e produtores não eram considerados uma força naqueles dias. Como produtor, você deveria ser ainda mais simpático com as pessoas."
Hiroo costumava ouvir trilhas de filmes clássicos em casa, o que despertou o amor de Karan pela música do cinema hindi. Entretanto, mesmo com seu pai sendo produtor, filmes não eram uma parte tão comum do lar e nem da vida social do rapaz, pois na décadas de 70 e 80 os jovens da classe alta indiana tinham vergonha de Bollywood e preferiam os filmes americanos. Comprovando que era realmente diferente, Karan era o menino que ia ao cinema com sua babá para ver o mesmo filme cinco vezes e que sabia toda a letra de Waqt Ne Kiya, canção melancólica do filme Kaagaz Ke Phool (1959). Sua autoestima era baixa e o menino compensava esse fato sendo esnobe e muito retraído. O momento de mudança veio ainda na escola, quando juntou-se ao Clube de Interação. A professora convidou-o para participar ao vê-lo sempre observando o grupo à distância e fez uma atividade na qual uma tigela com várias palavras era passada entre as crianças, que deveriam pegar uma palavra e fazer um discurso sobre ela durante um minuto, sem pausas. A palavra de Karan foi "mãe" e todos estavam aplaudindo ao final da sua fala - talvez você se lembre de cena semelhante em Kuch Kuch Hota Hai. Pouco tempo depois, o rapaz substituiu um colega adoentado em uma competição de discursos e conseguiu o primeiro lugar para a escola nesta e em outras dezenas de competições. A visibilidade conferida pelo palco transformava Karan em um jovem  forte, seguro e bem articulado. As palavras forneceram a base de sustentação necessária para o desenvolvimento de sua autoestima.

A situação financeira da família Johar foi instável durante o crescimento de Karan. Dostana (1980) foi o primeiro filme da Dharma Productions e o único sucesso da empresa durante anos. A sucessão de fracassos da produtora do pai fez com que muitas vezes os colegas da indústria de cinema se afastassem de Yash, evento que não passou despercebido por Karan e que ainda guia a forma cínica e por vezes objetiva com que encara o glamour de Bollywood. É devido a esse contexto de constante insegurança que sua mãe, Hiroo, jamais quis que o filho se envolvesse com cinema e esperava que Karan trabalhasse com os negócios de exportação que eram a segunda fonte de renda da família. O filho concordava com o plano e não nutriu aspirações artísticas durante seus anos de faculdade, época na qual também dedicou-se secretamente a aulas de treino de voz. O objetivo das aulas demonstrava que a percepção de inadequação de Karan continuava a mesma: perder os trejeitos afeminados na voz e nos gestos. A voz que conhecemos não é sua voz natural, mas sim a que ele aprendeu a projetar para conseguir se fazer ser ouvido pelo mundo com alguma seriedade.

"Eu não era o garoto mais bonito e tive que lutar com várias questões. As pessoas pensavam que eu era afeminado e eu ouvia palavras como 'maricas' sendo ditas no meu prédio ou pelos veteranos na escola. Elas eram dolorosas e eu pensava no que poderia fazer para ficar famoso. Eu disse a mim mesmo: eu me recuso a cair no esquecimento. Preciso ser alguém, alguma coisa, ir a algum lugar."

Filmfare, 2014

O jovem Karan Johar ao lado de Shahrukh Khan
O período da faculdade foi onde o amor de Karan pelo cinema passou a ser compartilhado com outros amigos, com quem assistia a inúmeros filmes e travava longas discussões sobre os atores. Seu amigo obcecado por filmes indianos Aditya Chopra foi o responsável por sua primeira incursão profissional no mundo do cinema, ao chamá-lo para trabalhar como assistente de direção em seu filme de estreia, o clássico romântico moderno Dilwale Dulhania Le Jayenge (1995). Sua amizade com Shahrukh Khan e Kajol desenvolveu-se e foi fortalecida durante as gravações do filme, que eram praticamente um parque de diversões para todos aqueles jovens sonhadores e encantados pela história que estavam contando. Aditya foi o primeiro a dizer que Karan tinha a alma de um diretor de cinema, ideia que foi corroborada por Shahrukh e Kajol. Os atores disseram a Karan que estariam em seu filme de estreia e lhe deram as datas em que poderiam participar dele. E foi neste clima de mais espontânea pressão que Karan Johar passou a pensar na história de seu primeiro filme.

Karan estava em dúvida entre duas linhas de roteiro nas quais conseguiu pensar com muito esforço. A primeira mostraria o triângulo amoroso entre uma menina pouco feminina, uma bela jovem e um rapaz um pouco insensível, enquanto a segundo trataria da história de um viúvo que criaria sua filha. Um dia o futuro diretor percebeu que poderia unir as duas histórias ao colocar o triângulo amoroso na primeira metade do filme e a história do viúvo com a filha na segunda parte. Assim surgiu o início do que viria a ser Kuch Kuch Hota Hai.


Com Shahrukh Khan nos sets de Kuch Kuch Hota Hai (1998)
Karan não tinha ideia do que estava fazendo quando entrou nos sets. Não conhecia detalhes como lentes ou o que se poderia fazer com o equipamento de filmagem. Sabia apenas três coisas: dar close quando precisava de proximidade, estabelecer uma distância moderada e mostrar o cenário mais amplo. As influências para a produção do filme foram múltiplas. A presença de Raj Kapoor estava na primeira fala do filme, enquanto o estilo imponente das mansões dos filmes de Yash Chopra apareceram na segunda metade e o papel de Kajol veio dos gibis da Archie Comics. Os romances familiares grandiosos de Sooraj Barjatya também foram claras fontes inspiradoras para o filme. A maior dificuldade do diretor foi encontrar a atriz que faria a personagem Tina, pois nenhuma atriz queria fazer o papel secundário para a heroína Kajol. Ele foi até praticamente toda atriz disponível na indústria e já não sabia mais o que fazer, quando Aditya Chopra e Shahrukh Khan sugeriram Rani Mukerji. O papel do noivo de Kajol foi interpretado por Salman Khan por um salário reduzido porque queria fazer isso por Karan e pelo pai dele, que, segundo Salman, era a melhor pessoa da indústria.

Shahrukh Khan e Kajol em Kuch Kuch Hota Hai (1998)

Antes da cerimônia de lançamento, o gângster Abu Salem ligou para ameaçar a vida de Karan e avisou que ele levaria um tiro se o filme fosse lançado. A polícia o orientou a não demonstrar medo e manter a estreia. Karan passou a exibição do filme em uma salinha protegida por policiais e não pôde ver as reações do público ao seu primeiro filme nem mesmo depois, pois a família o enviou para Londres a fim de mantê-lo em segurança. Havia uma grande expectativa pelo sucesso do filme, pois desde o sucesso de Dostana (1980), a Dharma Productions havia amargado dezoito fracassos consecutivos nas bilheterias. Cada elemento de Kuch Kuch Hota Hai foi pensado para que pessoas de diversas regiões do país amassem o filme: havia a canção de Diwali para os hindus, um personagem muçulmano, família, crianças, jovens. O esforço compensou e Karan foi responsável pelo primeiro blockbuster da produtora do pai. Seu cuidado estético com o figurino dos personagens, que usavam marcas caras e jovens, colocou o filme como algo moderno e estiloso, fonte de desejo e inspiração para a juventude da época.

Kuch Kuch Hota Hai também trouxe uma importante mudança para a forma como os diretores eram vistos pelo público. Karan fazia questão de aparecer e falar sobre seu filme, postura diferente da maioria dos diretores, vistos como misteriosos e distantes. Desinibido e bem articulado ao falar com a imprensa, Karan estabeleceu a possibilidade de um diretor também ser visto como estrela pelo público e receber tanta atenção quanto os atores. Tamanha atenção e sucesso cobraram seu preço, aumentando substancialmente as expectativas para o próximo lançamento do diretor.

Pôster de Kabhi Khushi Kabhie Gham (2001)
A inspiração para Kabhi Kushi Kabhie Gham (K3G) veio do épico Ramayana, com a ideia de um irmão ser expulso de casa e outro irmão ir atrás dele para trazê-lo de volta. A história seria sobre o relacionamento entre pai e filho e voltar a dizer "eu te amo" para um pai mesmo depois de crescer. A enorme quantia de dinheiro obtida com o sucesso de Kuch Kuch Hota Hai foi utilizada em cenários, locações e figurinos luxuosos. K3G vinha para realizar uma vaidade pessoal de Karan, que era ter um pôster repleto de estrelas grandiosas, como seu ídolo Yash Chopra teve no pôster de Kabhi Kabhie (1976). Ele realizou seu sonho ao reunir Amitabh Bachchan, Jaya Bachchan, Shahrukh Khan, Kajol, Hrithik Roshan e Kareena Kapoor no mesmo filme. Para Karan, o filme era a união do pôster de Kabhi Kabhie com os valores familiares de Hum Aapke Hain Kaun (1994).

Tudo parecia certo para mais um sucesso estrondoso de público e crítica, mas Karan não contava com as mudanças que o ano de 2001 trouxe ao cinema indiano por meio de dois filmes: Lagaan, que levou o cinema hindi a um sucesso internacional coroado pela indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, e Dil Chahta Hai, que apresentou uma nova visão mais sofisticada e moderna no seu retrato da juventude da classe alta indiana. Ao sair das exibições dos dois filmes, Karan passou a achar seu filme exagerado e opulento. Sua sensibilidade estava ligada às dos antigos mestres do cinema indiano, como Yash Chopra. O cinema estava mudando e seu trabalho parecia velho, opinião ecoada pelos críticos. Encarar esta rejeição magoou Karan profundamente, pois o amor e aceitação que recebeu com Kuch Kuch Hota Hai não estavam mais presentes. O filme fez muito mais dinheiro que todos os outros e é seu maior sucesso até hoje, mas a enxurrada de críticas levou Karan a um episódio depressivo.

"Aquele filme foi apenas eu ostentando. Eu queria a cena do helicóptero. Eu queria a mansão enorme. Kuch Kuch me deu dinheiro e agora eu queria todas as estrelas da indústria no meu pôster."


Karan dirigindo Shahrukh Khan e Jaya Bachchan em Kabhi Kushi Kabhie Gham

O desejo de fazer um filme que fosse legal e estiloso como Dil Chahta Hai foi o motor por trás da escrita de Kal Ho Naa Ho. Karan queria mostrar que também conseguiria modernizar seu trabalho. O diretor escreveu o filme já com os atores em mente, mas teve problemas com Kareena Kapoor, que exigiu o mesmo salário que Shahrukh Khan para estar no filme e acabou sendo substituída por Preity Zinta. Karan entregou o filme para ser dirigido pelo estreante Nikhil Advani.

"Quando olho para trás, sinto que nunca deveria ter dado a outra pessoa a chance de dirigir este filme. Agora eu nunca cometeria o erro de escrever um filme e dá-lo a outro diretor. Hoje, quando escrevo que sou o diretor deste ou daquele filme e não tenho Kal Ho Naa Ho na lista, isso me incomoda. Sinto-me péssimo por não tê-lo dirigido. Eu não sei por que eu o dei. Deveria ter sido eu. Eu me arrependo profundamente que o filme não tenha meu nome como diretor. Porque em espírito, no coração, talvez na execução, é completamente meu filme."

O pai de Karan ficou doente durante as filmagens de Kal Ho Naa Ho em Nova York e lá descobriram que estava com câncer. Yash morreu em 2004, ano de lançamento do filme. Repentinamente Karan não tinha mais sua principal base de sustentação e era o responsável pelo gerenciamento da Dharma Productions, quando até então tinha liberdade para focar-se apenas na criação. Ele não tinha ideia do que fazer, pois até ali apenas recebia dinheiro para seus filmes. Chamou seu amigo de infância Apoorva Mehta para ajudá-lo a gerenciar o negócio e ao longo dos anos a dupla conseguiu tornar a Dharma uma das produtoras mais rentáveis e criativas do cinema hindi, sendo famosa por lançar diretores estreantes. Karan passou do filhinho do papai para o homem da casa e desde então assumiu esta posição inteiramente, evitando mostrar suas inseguranças para a mãe.

Karan ao lado do pai, Yash Johar

Após uma pausa de cinco anos que foram dedicados a aprender o negócio da produtora, Karan voltou a dirigir um filme. Kabhi Alvida Naa Kehna (2006) é provavelmente o filme mais controverso do diretor, que aproveitou-se do poder que agora tinha em suas mãos para fazer filmes menos tradicionais, como era a característica de seu pai. KANK é o roteiro escrito por um Karan menos ingênuo em sua visão de família e amor, que ganhou traços de realidade pela observação dos casais que o cercavam - repletos de infidelidade e infelicidade conjugal. Ele foi inflexível quanto a retirar do roteiro a cena de sexo entre os personagens principais, pois a considerava importante para o desenvolvimento da história e para manter o realismo da situação vivida. Karan acredita que seu erro tenha sido manter a estética grandiosa e opulenta de seus filmes em uma história que era mais intimista. Também gostaria de ter dirigido a personagem de Rani para ser menos triste e o de Shahrukh de forma menos agressiva. Todos os atores, exceto Abhishek, estavam desconfortáveis com seus personagens - especialmente Rani, que a todo momento pedia uma justificativa para as ações de sua personagem, e Shahrukh Khan, que não queria fazer a cena de sexo. A novidade no roteiro era tamanha que desconcertava a todos. Não à toa, as reações foram mistas, já que as famílias que iam juntas ao cinema não esperavam ver um filme sobre infidelidade ao assistir a uma produção de Karan Johar. KANK teve um desempenho mediano na Índia, mas foi extremamente bem no exterior.  O filme representou o ponto de virada em seus roteiros, nos quais não consegue mais mostrar famílias perfeitas por não mais acreditar no conceito.

Rani Mukerji e Shahrukh Khan em Kabhi Alvida Naa Kehna (2006)

My Name Is Khan é considerado o filme mais sensível da carreira de Karan, porém sua criação partiu de um lugar de vaidade. O diretor queria ter o apreço da crítica que o julgava incapaz de fazer um filme diferente. E já que esse tipo de público gosta de filmes sobre causas sociais, nada mais adequado e atual do que falar sobre islamofobia. Neste filme o roteiro é de Shibani Bathija, ficando Karan a cargo apenas da direção. Diferentemente dos anteriores, este filme exigiu bastante pesquisa para sua criação, especialmente sobre Síndrome de Asperger. O diretor não gostou da forma como conduziu a sequência do furacão e acredita que poderia tê-la feito melhor, mas como resultado final atingiu seu objetivo de ter o apreço da parcela crítica do público. My Name Is Khan foi o primeiro filme de Karan sem título iniciado pela letra K, mudança ocasionada por uma visão mais cética de mundo, sem atenção à numerologia.

Com Shahrukh Khan e Kajol nos sets de My Name Is Khan (2010)

Após os temas pesados de My Name Is Khan, Karan sentiu vontade de trabalhar em algo mais leve. O diretor vinha sentindo que estava se tornando irrelevante para os jovens, que não o conheciam ou acompanhavam seu trabalho. Desta preocupação nasceu a ideia para Student Of The Year, filme que criou para lançar atores novos - no caso, os atuais superstars Alia Bhatt, Varun Dhawan e Sidharth Malhotra. Foi seu primeiro filme sem Shahrukh Khan como protagonista, mudança que afetou a amizade longa entre Karan e o ator. O objetivo era que crianças e jovens dos 8 aos 21 anos assistissem ao filme, que foi projetado como um musical de ensino médio. SOTY foi um sucesso absoluto de público, apesar do olhar pouco elogioso da crítica sobre a obra.

"Todos me perguntam por que fiz esse filme com novatos. Student Of The Year foi a melhor decisão da minha carreira porque me deu três estrelas. E todos eles estão fazendo bons trabalhos. SOTY não é nada além de um diversão frívola, não é algo para ser levado a sério. Não vai sacudir a fundação do cinema e mover nenhuma montanha cinematográfica. É para ser um passatempo adorável e glamouroso com dança e música. Espera-se que você vá para casa e o esqueça. Eu dou gargalhadas quando os críticos o levam a sério. Se eu não estou levando a sério, por que você está? Eu me diverti tanto fazendo SOTY. Fiz meu filme mais jovem aos 40. Só isso já me faz feliz."

Filmfare, 2014

Sidharth Malhotra, Alia Bhatt e Varun Dhawan em Student Of The Year (2012)

Em 2013 foi realizado o projeto do filme Bombay Talkies, que consistiu da união de curta-metragens de quatro diretores em comemoração ao centenário do cinema indiano. Karan dirigiu o curta  Ajeeb Dastaan Hai Yeh, ao lado dos diretores aclamados pela crítica Zoya Akhtar, Anurag Kashyap e Dibakar Banerjee. Karan era o elemento estranho do grupo, tanto pelo menor apelo comercial dos outros três diretores quanto por não ter familiaridade com filmes de pouca duração - como podem confirmar todos que passam três horas assistindo aos seus filmes. Apesar da insegurança, ele decidiu arriscar e contou a ousada história de um rapaz homossexual. O curta de Karan foi o mais elogiado pela crítica, que apreciou a forma nova de contar uma história e também seu cuidado ao conduzir a história mais complexa do projeto. Outro benefício do projeto foi permitir a Karan participar do festival de Cannes, onde o filme foi exibido. Após a aventura bem-sucedida, Karan assumiu mais um risco e participou como ator do filme Bombay Velvet, de 2015. O filme foi um fracasso comercial retumbante, mas sua atuação foi elogiada e ele pôde realizar o sonho de ser o centro das atenções de um filme, função dos atores.

Bombay Velvet (2015)

A vida amorosa de Karan Johar não é feliz. O diretor teve apenas amores não-correspondidos em sua vida, ficando devastado e com o coração partido após as poucas experiências vividas. Sua sexualidade é motivo de constante especulação por parte do público. Ele é confrontado de forma direta e às vezes até agressiva por pessoas na rua a respeito de sua sexualidade e nega-se a responder. Seu desejo não é levantar bandeiras, mas sim viver sua vida da melhor forma possível. A homossexualidade é ilegal na Índia e Karan tem noção de suas responsabilidades:

"Todos sabem qual é a minha orientação sexual. Eu não preciso gritá-la (...). E se eu precisar soletrá-la, eu não irei apenas porque vivo em um país onde eu possivelmente seria preso por dizer isso. É por isso que não direi as três palavras que possivelmente todos sabem sobre mim.

A razão pela qual eu não digo em voz alta é simplesmente por não querer lidar com os boletins de ocorrência. Eu sinto muito. Eu tenho um trabalho, um compromisso com a minha empresa, com as pessoas que trabalham para mim; há mais de cem pessoas pelas quais sou responsável. Não vou me sentar perante os tribunais e à Suprema Corte deste país por causa de indivíduos ridículos e completamente fanáticos que não têm nenhuma educação e inteligência e que querem alguma publicidade. Eu não farei isto."


A experiência de ter o coração partido levou à criação do roteiro de seu último filme, Ae Dil Hai Mushkil, grande sucesso de 2017. O diretor percebeu que não ser amado era uma experiência devastadora, mas que ao mesmo tempo o fazia sentir-se vivo. Karan investiu toda a dor que sentiu à época para contar a história do amor não-correspondido entre um rapaz e sua melhor amiga. O roteiro foi escrito em dez dias, enquanto estava em Nova York e fazia muitas caminhadas. O drama agridoce é reflexo da nova forma de encarar as situações românticas que começou em Kabhi Alvida Naa Kehna. Karan acredita que não poderia mais escrever um filme como Kuch Kuch Hota Hai ou K3G por não ser mais aquela pessoa. Ela está mais velho, pensa e sente de outras formas.

"Minha tonalidade não é mais o que era. Está vindo de um espaço bruto no meu coração. E é bruto porque a vida me levou a este ponto. Você vive uma vida, passa pelos altos e baixos na sua existência emocional e na sua vida pessoal e isso tem que encontrar caminho até o seu cinema, se você for escritor. Se você está se sentindo mais bruto é porque está se sentindo mais aberto. Suas feridas estão mais vivas. E quando suas feridas estão mais vivas, elas invariavelmente encontram caminho até a sua escrita."

Film Companion, 2016


Com Ranbir Kapoor nos sets de Ae Dil Hai Mushkil (2016)

Karan sabe que a comunidade do cinema não o leva a sério como cineasta e não deixa mais que a busca do respeito dessas pessoas guie suas decisões. É por isso que apresenta com sucesso o talk show Koffee With Karan desde 2004, programa em que não tem pudores ao inquirir sobre as vidas profissionais, pessoais e sexuais das estrelas de Bollywood. Ele sabe que o programa contribui para que o vejam como um homem superficial, mas não deixaria o status de celebridade e a diversão que ganhou com a exposição apenas para satisfazer a determinadas sensibilidades. Karan é um homem que nunca deixa claro se está sendo sincero ou não em suas entrevistas e parece divertir-se ao não deixar que a mídia controle a narrativa de sua vida desta forma. Mesmo parecendo estar no controle de sua vida, também viveu dificuldades nos últimos anos. Há dois anos viveu outro episódio depressivo, com muita ansiedade e a presença de um ataque de pânico. Esta vivência levou-o a cuidar melhor de sua saúde mental através de terapia e tratamento psiquiátrico. O ritmo de trabalho provavelmente contribuiu para suas dificuldades.


"Todas as horas da minha vida são dedicadas a mim e o trabalho é o meu amor. É a única coisa que não me trairá, a única coisa que é incondicional e também a única coisa da qual não me divorciarei e terei meu coração partido. Então ter um relacionamento com o seu trabalho é a melhor coisa do mundo porque as regras são suas. Você se vicia nela e não há espaço para sofrimento."


Filmfare, 2014

O que Karan não esperava era que o trabalho viesse a mudar seus desejos na vida pessoal. A relação desenvolvida com os três jovens atores de Student Of The Year, para os quais é um mentor até hoje, despertou nele o desejo de ser pai. Karan percebeu que criar e educar alguém era um sentimento que o satisfazia bastante. Esta nova aspiração tornou-se realidade em 2017, quando tornou-se pai dos gêmeos Yash e Roohi através de barriga de aluguel. A função paterna mudou radicalmente sua visão de vida, levando-o a passar as primeiras semanas de vida dos filhos completamente afastado do trabalho e dedicando-se apenas a cuidar deles. Karan foi acusado de ter filhos para preencher a solidão em que vivia, mas sabe que esta não é a função dos filhos. Para ele, filhos não preenchem vazios - estes continuarão em seu devido lugar -, mas sim consomem um amor que você já tem dentro de si. O orgulhoso pai também planeja criar uma creche dentro da Dharma Productions para que seus filhos sejam criados próximos do pai, assim como foi em sua vida.

A avó Hiroo Johar com Yash e Roohi

Karan Johar não é um diretor óbvio. Cresceu com os privilégios nepotistas de fazer parte do meio da indústria do cinema e orgulhosamente ostenta seus contatos e amizades com as grandes estrelas. Não se adequa ao ideal machista de homem indiano ideal e mesmo lutando contra partes suas, recusa-se a ser invisibilizado. Karan enfrenta diariamente cada pessoa que preferiria que ele rejeitasse e escondesse a si mesmo, fazendo-se ser ouvido e exercendo o poder de decisão que tanto teve por nascimento quanto conquistou por meio do trabalho como diretor, roteirista e produtor. Apesar de não desejar levantar bandeiras, sua própria existência como homem forte da indústria em uma sociedade que legaliza o preconceito já é política.


As transformações na visão de mundo e das pessoas sempre encontram reflexo na escrita de Karan, sejam elas palatáveis ou não para o público indiano. O seu forte e afiado lado comercial muitas vezes faz com que seu trabalho seja avaliado superficialmente pela parcela mais crítica do público como algo sem profundidade ou poder de transformação social. Nesta análise fácil não se percebe os elementos que Karan apresentou ao público geral por meio de seus filmes e das outras produções que passou a investir na Dharma Productions, em filmes como Kabhi Alvida Naa Kehna, Dostana, Dear Zindagi e Kapoor & Sons. Seu instinto inovador associado ao talento comercial permitem que tenhamos contato com novas formas de pensar amor e relacionamentos no cinema indiano. Aos que cultivam a curiosidade pelo cinema de massa, fica a sorte de continuar observando o eternamente inquieto e mutante espírito criativo de Karan Johar materializar-se em novas histórias.

Dilwale (2015)

"O que a Kajol está fazendo neste filme?" foi a pergunta que mais me fiz enquanto assistia a Dilwale. O diretor Rohit Shetty não esconde que faz filmes apenas para entreter. Sua série mais famosa, Golmaal, definiu um estilo que sempre me divertiu muito: cores fortes, piadas horrorosas e carros voando para todo lado enquanto um elenco gigante passa de uma cena louca e mal escrita para outra ainda pior. É previsível, estúpido e vergonhosamente divertido. Um prato cheio para quem aprecia o estilo, mas uma escolha estranha para uma atriz que limitou bastante sua gama de filmes após o nascimento dos filhos. Os últimos filmes de Kajol foram We Are Family e My Name Is Khan, e em ambos pudemos perceber que suas escolhas agora tendiam a ser para filmes em que tivesse bastante espaço em cena, onde houvesse personagens com conteúdo e bagagem nas quais pudesse aplicar as habilidades de atuação que muitas vezes foram desperdiçadas em romances com personagens de pouca importância para o curso central da história. Kajol está num ponto em que pode escolher quando sair de casa para atuar no que bem quiser, fato que dificultou bastante entender por que decidiu voltar após uma pausa de cinco anos para encarar Dilwale. Logo Dilwale.

"Você sabe por que estou aqui?"
Kajol é apresentada na última aventura de Shetty como Meera, mulher que tem um romance mal terminado com Kaali (Shahrukh Khan). Kaali atuava na vida do crime juntamente com seu pai e saiu daquele universo para cuidar de Veer (Varun Dhawan), seu irmão menor. Sua história com Meera foi interrompida de forma traumática e ambos decidiram nunca mais se ver, mas seu desejo é atrapalhado pelo romance de Veer com a jovem Ishita (Kriti Sanon). Não darei spoilers, mas se você tem um mínimo conhecimento de Bollywood já fica fácil imaginar como tudo se desenrola.

Shetty nunca primou pela sutileza. Em cinco minutos de filme aprendemos didaticamente que Kaali é um personagem emocionalmente perturbado, com bom coração e que aprecia imensamente sua família. Os laços afetivos entre personagens masculinos são figurinha carimbada em Bollywood e neste filme são representados pela ligação entre Kaali e Veer. O personagem de Varun Dhawan é o do bobo alegre e provavelmente foi a pior atuação que este rapaz já apresentou em sua vida. Em vários momentos é possível o espectador questionar se a intenção de Varun foi interpretar como se o personagem tivesse algum atraso intelectual. Seus recursos foram muitas bocas abertas, voz estridente e olhos constantemente arregalados. É o tipo de trabalho que me fez pensar que Badlapur foi uma alucinação que tive.

Kriti Sanon teve mais espaço neste post do que no filme
Infelizmente o resto do núcleo cômico não entrega nada muito melhor que Varun. Johnny Lever e Boman Irani, dois atores consagrados no gênero, parecem uma piada repetida muitas vezes - perderam a graça. Sei que é injusto reclamar da mesmice em Johnny Lever, já que seu trabalho de fato é como character actor: um coadjuvante que sempre é posto como alívio cômico ou excêntrico, na mesma linha de atores consagrados como Johnny Walker e Mehmood. Ainda assim, na Bollywood de hoje seu tipo de personagem parece datado. Quanto a Kriti Sanon, realmente não houve muito material para mostrar suas habilidades. Gostei muito de seu desempenho em Heropanti e estava animada para vê-la mais uma vez, mas seu papel aqui resume-se a ser escada para as estripulias de Varun Dhawan. Espero poder vê-la sendo menos desperdiçada no futuro.


Talvez o maior problema deste filme seja a tentativa de um diretor de comédia tentar equilibrar o gênero com um romance mais substancial. Rohit Shetty claramente não tem ideia de como criar ambientes emocionantes para seus momentos românticos, o que o levou a apelar para qualquer clichê disponível, como câmeras lentas, olhares profundos e suspiros. Gerua foi provavelmente um dos piores clipes românticos da carreira de Shahrukh Khan, com cenários artificiais, vestidos esvoaçantes para Kajol e muitas poses. A artificialidade é tão gritante que em alguns momentos parece uma paródia dos clipes românticos de Shahrukh. Infelizmente o clima também predominou nas cenas e diálogos, outro amontado de frases pouco inspiradas. A única coisa que dá um mínimo de credibilidade ao romance é a sintonia inegável entre Kajol e Shahrukh. Apesar de não desgostar da dupla, jamais vi a mesma graça nela que os fãs do casal costumam ver e apenas gostava deles como gosto de qualquer outro casal que o Shahrukh já tenha feito. Mas em Dilwale foi provavelmente a primeira vez que senti o efeito da combinação, pois ficou muito clara a cumplicidade entre ambos, traduzida em facilidade para nos convencer de um amor muito mal explicado pelo roteiro. Se não fosse por eles, seria impossível comprar essa história de amor. Fora isso, não houve muita coisa a aproveitar (talvez os carros voadores, estes sempre me deixam feliz).


Talvez sejam a familiaridade com seu par romântico e a amizade de longa data de seu marido, Ajay Devgn, com o diretor que acabaram fazendo com que Kajol decidisse estar neste filme. Mas acredito que não seja só isso. O roteiro de Dilwale é um dos maiores casos de desperdício de uma boa ideia no cinema indiano. O conceito do ódio entre ex-apaixonados, uma heroína com tanto lugar de fala e espaço em cena quanto o herói e, acima de tudo, um romance entre protagonistas mais velhos funcionariam muito bem com diálogos melhor trabalhados e um diretor mais adequado. No lugar disso recebemos um filme que claramente tenta se firmar em nada mais que o carisma e sucesso de seus protagonistas para vender mais ingressos. Dilwale é ação que não impressiona, romance que pouco emociona e comédia que não faz rir. Certamente Shahrukh Khan e Kajol mereciam mais que isso.

Aconteceu em Bolly





Alô alô, fofoqueiros de plantão! Vamos adicionar um pouco mais de cultura inútil às nossas vidas? Hoje temos uma atriz descontente, um ator ainda mais descontente, noivado desmentido, dinheiro devolvido e muito mais. Descubram o que aconteceu em Bolly!

Not happy

Farhan Akhtar está produzindo a série Inside Edge para a Amazon, na qual Richa Chaddha interpreta uma atriz que é dona de um time de críquete. Mesmo após Farhan negar que ela fosse a fonte de inspiração, a comparação com Preity Zinta foi inevitável por a atriz ser dona do time de críquete Kings XI Punjab. E ela não está nada feliz com a forma como a personagem de Richa é mostrada na série. Preity falou um pouco a respeito do assunto durante o lançamento de um aplicativo voltado para a proteção das mulheres.

"Parte meu coração que uma mulher tenha que passar por tudo isso e eu, com todo meu sucesso, trabalho duro e tudo o mais, também tenha que passar por isso. As pessoas farão programas, certo? Elas farão um programa de TV e dirão 'Oh, é baseado em críquete'. Elas mostrarão a mulher como a vadia! Certo! Elas sempre mostrarão a mulher como a vadia, elas nunca terão a coragem para mostrar outra coisa. Mas é o mais aceito, 'bata na mulher', 'viva dependendo dela'. Esta é a psicologia dos homens."

Preity Zinta e Richa Chadda
 Fonte: Bollywood Life.

É festa!

O IIFA 2017 está com os preparativos finais a todo vapor. A edição deste ano da premiação ocorrerá em Nova York e contará com um tributo aos 25 anos de carreira do produtor musical A.R. Rahman, além de apresentações musicais de Alia Bhatt, Salman Khan, Katrina Kaif e Varun Dhawan. A noite da premiação será apresentada por Karan Johar e Saif Ali Khan - duas das pessoas mais bem-humoradas de Bollywood. No mínimo será divertido! O evento ocorrerá no MetLife Stadium de 13 a 15 de julho.

Fonte: Hindustan Times. 

Nem tão cedo

Sonam Kapoor está namorando Anand Ahuja há pouco tempo e os boatos de que estaria noiva são frequentes. A atriz decidiu pôr fim às especulações pelo Twitter:



"Tanta coisa acontecendo neste mundo, mas a minha vida pessoal é tudo o que vocês querem cobrir... #nãoestounoivamesmo #arrumemumavidaperdedores

Fonte: Miss Malini.

Not happy - o retorno
 
Após os longos três anos de produção e mil adiamentos de Jagga Jasoos, o filme ainda consegue trazer novas polêmicas. O responsável desta vez é Govinda, que fez uma participação no filme que foi cortada da versão final. Em seu Twitter, ele esclareceu o acontecido:

"Eu respeito totalmente a família Kapoor. Fiz o filme porque ele [Ranbir] é filho do meu veterano, então peguei o roteiro. Me disseram que o filme seria narrado na África do Sul  e nem cobrei pela minha participação, nem fiz contratos. Eu estava doente e sob medicação, mas ainda assim viajei para a África do Sul e gravei a minha cena. Houve várias histórias negativas apenas sobre o Govinda e é assim que esse filme foi lembrado durante três anos. Fiz meu trabalho como ator e se o diretor não ficou feliz, a decisão é completamente dele."

A participação cortada de Govinda em Jagga Jasoos
 Ranbir Kapoor veio a público e assumiu a culpa pelo problema.

"Infelizmente a sequência inteira foi cortada; a culpa é nossa, do [Anurag] Basu e minha. Nós iniciamos esse filme prematuramente, sem um roteiro completo. O personagem mudou completamente e o filme estava demorando muito. É muito irresponsável e muito injusto escalar uma grande lenda como o Govinda e não fazer justiça ao seu papel. Nós pedimos desculpas, mas foi a melhor coisa para o filme, então tivemos que tirar aquela sequência."
 
Fontes: DNA India, Miss Malini.

Substituição

Os filmes que seriam estrelados por Fawad Khan tiveram que buscar novos atores após o banimento de paquistaneses na indústria. Um deles seria Raat Baaki, no qual Fawad atuaria ao lado de Katrina Kaif. A produção de Karan Johar substituiu Fawad por Salman Khan e o roteiro está sendo adaptado para adequar-se mais a Salman.

Está aí uma substituição das mais esquisitas.

Fonte: Miss Malini.

Apoio fraterno

Lembram da notícia sobre a Katrina Kaif tornar-se produtora para lançar a carreira da irmã, Isabelle Kaif? Não era verdade. Katrina acredita que seria uma péssima ideia porque ela não é produtora e esse movimento provavelmente faria as pessoas acreditarem que ela mesma produzir foi a única forma de sua irmã conseguir fazer um filme.

Mesmo assim, Kat está ajudando a irmã como pode e enviou as audições de Isabelle para o produtor Aditya Chopra e a diretora de elenco Shanoo Sharma, da Yash Raj Films.


Fonte: India Today.

Finalmente

Segundo o jornal Hindustan Times, finalmente o diretor Guy Ritchie encontrou o ator para viver o personagem Aladdin nos cinemas. O escolhido foi o ator Siddharth Gupta, que estreou em Bollywood com Kuku Mathur Ki Jhand Ho Gayi no ano de 2014. A Disney não confirmou e nem negou a escolha. Será?



Fonte: Hindustan Times.

Ninguém sai perdendo

Tubelight não teve um desempenho bom para Salman Khan. O filme teve uma bilheteria de apenas 114.50 crores, bem menos que Bajrangi Bhaijaan e Sultan, que arrecadaram mais de 300 crores cada um. O ator pagará 55 crores para compensar as perdas financeiras que distribuidores e produtores tiveram com o filme.



Fonte: DNA India

De volta pra casa

Lembram de Shenaz Treasury, atriz que participou do sucesso Delhi Belly? Ela passou alguns anos nos Estados Unidos, onde conseguiu bons trabalhos em novelas, filmes e séries, mas agora voltou à Índia e em breve será vista no filme Kaalakaandi ao lado de Saif Ali Khan e Vivek Oberoi.



Fonte: Hindustan Times.

Reunião

Quem mais está um pouco assustada com a ideia de Shahrukh Khan interpretar um anão no próximo filme do diretor Aanand L. Rai (Tanu Weds Manu)? Provavelmente não Katrina Kaif e Anushka Sharma, suas colegas de cena. O filme ainda sem título falará sobre o amor entre pessoas com deficiências físicas e mentais. O trio de Jab Tak Hai Jaan foi reunido para o filme, mas as duas atrizes não terão cenas juntas porque uma entrará quando a outra sair da vida do personagem de Shahrukh. Anushka interpretará uma moça simples de aldeia que é apaixonada pelo personagem de Shahrukh, que por sua vez será apaixonado por uma atriz interpretada por Katrina.

Não faço ideia do que esperar disso.

Aanand L Rai e Shahrukh Khan
 Fontes: DNA India, DNA India.

O eterno debate

Que Bollywood tem uma séria história com nepotismo, ninguém discute. Mas o assunto ultimamente tem sido tópico quase diariamente, com os atores sendo frequentemente questionados a respeito. O último a responder sobre a questão foi Ranbir Kapoor, que foi sincero e disse que é um produto do nepotismo - afinal, sua família está há 85 anos no cinema. O mais recente lançamento da indústria foi seu primo Aadar Jain, que em breve fará sua estreia.

Ranbir e Aadar Jain
Todo o debate sobre nepotismo começou quando Kangana Ranaut acusou Karan Johar de promover o nepotismo durante entrevista no talk show Koffee With Karan. Logo depois Alia Bhatt e Varun Dhawan, ambos filhos de diretores, declararam que eles também têm que trabalhar duro. Varun chegou a dizer que pensa que o nepotismo não existe e Alia declarou:

"Acho que um filho da indústria pode conseguir seu primeiro filme devido ao nepotismo. Mas constantemente conseguir filmes apenas por você pertencer a uma família do cinema não é possível. Não quero citar nomes, mas houve muitos exemplos de filhos e filhas da indústria que vieram e se foram sem conseguir nada." 

Kangana acredita que eles não consigam ver seus privilégios:

"Esses filhos de Bollywood sabem que leva quase 10 anos para construir um público e conseguir uma crítica? Esses filhos da indústria já começam de um ponto onde têm tudo e não estão cientes do fato de que para uma pessoa de fora, pode levar uma vida inteira para chegar àquele ponto de início."


"Eu consegui uma crítica após batalhar por 10 anos e ninguém se importava se eu estava viva ou morta antes de eu me tornar uma estrela. Uma pessoa têm que conquistar suas críticas, então você é privilegiado. Deixe-me pôr deste modo, não é culpa sua. Mas ao mesmo tempo, é uma democracia e não podemos deixar que as pessoas sejam segregadas dessa maneira extrema. Temos que garantir que todos tenham oportunidades iguais."

De que lado você está? Eu concordo com cada palavra da Kangana. 

Fontes: Masala, Times of India

Decisão tomada

Após boatos de que estrearia nos cinemas em um filme produzido por Karan Johar ao lado de Hrithik Roshan, finalmente Sara Ali Khan decidiu sobre seu primeiro filme. A estreia da filha de Saif e Amrita Singh será com o ator Sushant Singh Rajput no thriller Kedarnath, dirigido por Abhishek Kapoor. Sara terá um papel sem glamour. É esperar para ver se teremos um novo talento!



Fonte: Mid-Day.

Aniversário!

Kajol completou 25 anos de carreira e lembrou de como a indústria era diferente antigamente.

"Acho que nem fazíamos contratos naquela época. Havia apenas uma folha que assinávamos ao final de cada filme ou na época do lançamento, e isso se você pedisse. Houve filmes que fizemos sem contratos, apenas na base do aperto de mãos ou por sermos amigos, e não voltávamos a pensar nisso. Fizemos alguns filmes de graça, e sei que hoje em dia isso é chocante. Não cobrávamos um centavo e fazíamos o filme porque os produtores estavam tendo dificuldades para fazer o filme."

Com Kamal Sadanah em seu primeiro filme, Bekhudi
"A maioria dos atores fazia turnos de dia e noite para completar dois filmes ao mesmo tempo - pulando de um set para o outro. Era caótico, mas era divertido [ela ri]. Isto não é porque nos entendíamos melhor com os diretores ou éramos mais compreensivos naquela época. Isto é porque as pessoas agora perceberam que você não consegue fazer tudo. Naquela época, todo filme ia bem. Não acho que havia nada que você pudesse chamar de um grande fracasso. Eram uma época  e um lugar diferentes e todos assistiam a tudo porque não havia outra forma de entretenimento. Agora as pessoas são mais conscientes sobre o que estão fazendo e o que estão dizendo, dentro e fora da tela."

Outra grande mudança é a raridade dos multi-starrers hoje em dia, que eram filmes com muitas grandes estrelas no elenco.

"Ninguém tem mais tanta confiança na outra pessoa para fazer um multi-starrer. É por isso que estou dizendo que definitivamente ocorreram boas mudanças, mas também há mudanças não tão boas. Naquela época, todos eram amigos e se conheciam. Éramos todos companheiros. Conhecíamos as famílias, esposas e filhos uns dos outros. Agora, repentinamente é tudo sobre eu, mim, e eu mesmo...muito mais sobre "eu" como uma marca. Vou trabalhar com outra pessoa? Isso afetará o valor da minha marca? A outra pessoa irá me ofuscar? Então, sim, há muitas inseguranças e considerações a levar em conta agora."
 
A atriz também refletiu sobre mudanças no papel das mulheres na indústria.

"Se falarmos sobre empoderamento feminino, há uma grande diferença na indústria hoje. Temos mulheres em outras funções além de apenas heroínas. Isso por si só mostra o quão progressivo nosso país se tornou. Sempre acreditei que Bollywood tem sido uma das indústrias mais progressivas do mundo. Nós não temos divisões. Nós de fato damos trabalho à pessoas que são talentosas. Temos diretoras mulheres. Há mulheres cuidando das câmeras, funcionárias da produção que são mulheres. Isso é um trabalho difícil que provavelmente faria os homens olharem e falarem 'Sério? Produção?'. Tudo isso é algo pelo qual nós, enquanto indústria, temos que nos orgulhar".

O multi-starrer Kabhi Khushi Kabhie Gham
 Fonte: DNA India.

E por hoje é só. Até a próxima!

10 títulos de filmes de Bollywood inspirados em canções

A música é talvez a principal característica do cinema hindi. Ouvir as canções de nossos filmes favoritos nos transporta imediatamente às cenas vividas pelos personagens e ouvir uma trilha sonora é uma das melhores formas de criar expectativas para um lançamento. Bollywood tem orgulho de celebrar suas músicas e em muitos filmes podemos ver sequências com referências a canções antigas do cinema, mas as homenagens muitas vezes podem chegar até mesmo ao título da obra.

Ao longo dos anos e do contato com cinema antigo, fui notando que várias canções eram títulos de filmes mais recentes. Hoje trago a vocês alguns desses filmes e suas respectivas músicas originais, convidando-os a também celebrar as inspirações do cinema clássico.

1) Jab Tak Hai Jaan (2012)


O último filme do diretor Yash Chopra trouxe pela primeira vez um romance entre Shahrukh Khan e Katrina Kaif para as telas. O nome do filme veio da canção Haan Jab Tak Hai Jaan do clássico Sholay (1975), cujo clipe mostra o momento em que Basanti (Hema Malini) dança sem parar, até mesmo sobre cacos de vidro, para impedir que o vilão Gabbar Singh mate seu amado Veeru (Dharmendra).


2) Bachna Ae Haseeno (2008)


Rishi Kapoor dançou animadamente a canção em seu filme de 1977, Hum Kisise Kum Naheen, e não poderia imaginar que seu próprio filho reencenaria o número de dança anos 31 depois. A reedição contou com o áudio original de Kishore Kumar para o refrão da canção e manteve seu ritmo animado.


3) Jaane Tu...Ya Jaane Na (2008)



O filme de estreia de Imran Khan em Bollywood teve seu nome retirado do refrão da canção Tera Mujhse Hai Pehle Ka Naata Koi, do filme Aa Gale Lag Jaa (1973). Talvez o clipe mais fofo desta lista, é uma canção familiar apresentada pelo adorável Master Tito - a criança menos irritante de um filme indiano. E é sempre bom ter um pouco de Shashi Kapor em nosso dia-a-dia.


4) Yeh Jawaani Hai Deewani (2012)



Ranbir claramente gosta de homenagear seus familiares. Neste caso, o nome do filme veio da canção Yeh Jawani Hai Diwani do filme Jawani Diwani (1972). Seu tio Randhir Kapoor faz par com Jaya Bachchan e a persegue loucamente mesmo sendo rejeitado no animado clipe.


5) Dilwale Dulhania Le Jayenge (1995)


O clássico romântico que alçou Kajol e Shahrukh Khan ao status de superstars absolutos de Bollywood teve seu nome inspirado pela canção Le Jayenge, Le Jayenge do filme Chor Machaye Shor (1974), estrelado pelos belos Shashi Kapoor e Mumtaz. Quem sugeriu o título foi Kirron Kher, esposa de Anupam Kher - que interpretou o pai de Shahrukh Khan na história.


6) Ae Dil Hai Mushkil (2016)


O drama romântico de Karan Johar teve seu nome retirado de um lugar inesperado. Vem logo do primeiro verso da canção Yeh Hai Bombay Meri Jaan, parte do filme C.I.D. (1956). O musical é interpretado por Johnny Walker, um dos mais famosos atores cômicos da década de 50. Nele podemos ver cenas de uma antiga Bombay, quando ainda não era Mumbai.


7) Dum Maaro Dum (2011)


A icônica canção Dum Maaro Dum pertence ao filme Hare Rama Hare Krishna (1971) e apresentava o mundo dos jovens hippies e sua inserção precoce no mundo das drogas. Nada mais adequado ao filme de 2011, que tratou do tráfico de drogas em Goa. Uma nova versão da música foi inserida no filme e nem ela ou o clipe estrelado por Deepika Padukone agradaram ao pública ou à crítica, que consideraram que a nova versão não conseguiu fazer jus ao clássico cantado por Asha Bhosle.



8) Ek Main Aur Ekk Tu (2012)



A família Kapoor realmente gosta de homenagear seus membros, mas desta vez a missão ficou a cargo de Kareena. O título de seu filme foi retirado da canção de mesmo nome do filme Khel Khel Main (1975), que apresenta seus tios Rishi Kapoor e Neetu Singh romanceando ao som da canção que eles consideram ser a música do casal.



9) Om Shanti Om (2007)



No filme de Shahrukh Khan já podemos ver no início o próprio Rishi Kapoor interpretando a clássica canção do thriller Karz (1980). Semelhante ao visual que vimos na canção Bachna Ae Haseeno, percebemos que Rishi Kapoor estava em uma grande fase de roupas brilhosas. Nada contra.


10) Kabhi Alvida Naa Kehna (2006)


O drama conjugal de Karan Johar teve seu longo título inspirado pelo refrão da canção Chalte Chalte Mere do filme Chalte Chalte (1976). O clipe é um musical simples estrelado por Simi Garewal e Vishal Anand, mas a canção foi clássica o suficiente para nomear um dos filmes mais controversos da carreira de Shahrukh Khan.

Estes foram apenas alguns títulos das dezenas de filmes de Bollywood que prestam homenagem às canções clássicas do cinema indiano. Surpreendeu-se ou lembrou de mais algum? Deixe nos comentários!

Raees (2017)

Shahrukh Khan tem seguido caminhos inesperados em tempos recentes e, após anos de muitos romances, inovou ao escolher papéis diferentes e desafiadores. O primeiro passo foi dado em Fan, um dos melhores e mais subestimados filmes de 2016 - sobre o qual estou devendo uma resenha. Nele, pudemos ver novas nuances do trabalho de Shahrukh e confesso que foi o filme que me lembrou da existência de um ator por trás da persona do herói. Após isso tivemos o sensível Dear Zindagi, que trouxe o superstar como um brilhante coadjuvante após tantos anos sendo a parte mais importante de seus filmes. Ver os dois trabalhos em sequência despertou o imenso carinho que tenho por Shahrukh, ator responsável pelo amor que até hoje me liga ao cinema indiano. Nunca fui muito boa com a palavra "incondicional". Não consigo ser fã incondicional de alguém. Preciso de trabalhos que mantenham a minha admiração, de atuações que me tirem o fôlego e sentir que aquelas quase três horas valeram a pena porque você estava lá, querido artista. Voltei a sentir um pouco disso com Fan e Dear Zindagi. Mas o sentimento realmente explodiu com força em mim após ver Raees.

 
Shahrukh Khan dá a vida ao personagem-título desse drama de ação que se passa em alguma década antiga e não informada, mas que acredito ser por volta dos anos 70. Raees é criado sozinho pela mãe no Gujarat, estado em que a lei seca divide espaço com a produção e comércio ilegal de bebidas. O negócio é tão naturalizado que crianças são utilizadas para avisar sobre batidas policiais aos gângsters e o pequeno Raees está inserido neste cenário desde o início da sua vida, quando entrega bebidas escondidas em sua mochila da escola para Jairag (Atul Kulkarni). O garoto cresce trabalhando para Jairag e conhece os lados mais sombrios da atividade quando decide ser independente e abrir o próprio negócio.

O Raees da infância (Shubham Chintamani) nos é apresentado como uma criança inteligente, insolente e determinada a fazer o que for necessário para alcançar um objetivo - como roubar os óculos da estátua de Gandhi quando sua mãe não tem dinheiro para mandar confeccionar os seus. E é nesta fase que o rapaz já institui que jamais se deixará ser humilhado por quem quer que seja, ao atacar um adulto que ousou zombar dele por usar óculos. A passagem da infância de Raees para a vida adulta é feita de forma brilhante numa cena que mostra o personagem praticando um ritual muçulmano de autoflagelação. Ao chicotear repetidamente suas costas ensanguentadas com uma expressão intensa, não precisamos de nenhuma fala para sabermos o tipo de filme que veremos. E é após esse brilhante momento de transição que conhecemos outros traços do personagem. Raees não é um gângster simples de se compreender. Tem valores morais e um senso de comunidade fortemente imbuídos em sua personalidade, mas não hesita em tomar atitudes como subornar policiais para manter seu negócio de bebidas em funcionamento ou espancar brutalmente àqueles que o chamam de quatro-olhos. Tanto o filme quanto o personagem são claramente inspirados nos filmes de ação de Bollywood dos anos 70, especialmente os do Amitabh Bachchan, como Deewar e Trishul. Mas o que torna o personagem profundamente interessante é não se acomodar confortavelmente no tipo de personagem que esse gênero de filmes deixou marcado na cultura popular. Raees não é um homem que parece estar sempre no controle e que já sabe o que fazer em todas as situações, como se tivesse nascido para o crime. Apesar da firmeza em suas decisões, sua forma de agir como contrabandista vai sendo moldada de acordo com as experiências que vivencia no meio. A primeira vez em que tem de matar para proteger seu negócio não ocorre sem momentos de dúvida e um forte sentimento de culpa. É este elemento de hesitação que é mostrado durante todo o filme e não em um grande arrependimento final, como ocorreu em outros obras, que traz um frescor ao contrabandista. Ele jamais duvidou que seu negócio fosse tão legítimo quanto qualquer outro, afinal foi isso que sua mãe lhe ensinou, porém ela também lhe disse que o limite era prejudicar o outro. Cada vez que se depara com obstáculos inerentes à atividade criminal que não dependem apenas de sua inteligência, Raees não passa por ele sem oscilar e questionar um pouco a pessoa em que está se transformando.


A construção psicológica de Raees é mais instigante do que ocorre em outros filmes de ação hindi, mas o lado violento do gângster segue perfeitamente a cartilha dos anos 70. Há pelo menos três sequências longas em que ele consegue vencer todos os oponentes de um recinto sem nenhuma ajuda externa. Pode causar estranhamento a algum desavisado que não conheça filmes indianos, porém não há novidade nesse exagero para nós, criados a leite com Dabangg. Ainda assim, não deixa de ser engraçado vê-lo assumindo uma alma ninja em qualquer momento de necessidade. Não fosse Shahrukh Khan o rei do estilo, nada disso convenceria. O ator construiu muito bem um certo ar de imponência e perigo necessário ao personagem e que dispensava o excesso do efeito câmera lenta em que Rahul Dholakia apostou. Todas as entradas, socos e movimentos bruscos de Raees foram alvos do efeito, o que tirou parte do dinamismo dessas cenas. 

É sempre um prazer imenso ver Nawazuddin Siddiqui em ação. Talvez ele seja o melhor ator em atividade na indústria (você pode ler mais elogios exagerados aqui) e estou muito feliz por ele vir sendo posto em papéis de coadjuvante com bom espaço em cena em filmes de grande projeção. O cinema paralelo é muito legal, porém é muito satisfatório saber que os públicos de todos os lugares da Índia têm acesso ao seu talento por meio dos filmes de grandes estrelas como Shahrukh e Salman Khan. Seu personagem é o policial Majmudar, o único ponto honesto de um sistema totalmente comprado pelos contrabandistas do Gujarat. Apesar de as intenções do personagem serem louváveis e Nawaz não dever nada em termos de atuação, o roteiro pouco coeso do filme acaba tirando sua força. Raees vai passando de um objetivo a outro durante a história e não se tem uma ideia clara do que ele deseja fazer ou ser e nem do quão grande ele é como gângster em comparação a outros. É como se fôssemos vendo várias crônicas em sequência sobre a vida de Raees: quando ele usou rotas marítimas, quando ele decidiu criar uma colônia, quando ele casou, quando decidiu enfrentar políticos. Não parece haver um fio condutor entre as histórias e esta ausência acaba tendo efeito sobre a jornada de Majmudar: por que Raees é tão importante para ele? Não há outros grandes contrabandistas a se perseguir?


Outro ponto que contribui para pouca coesão da história é a confusão temporal. Mahira Khan interpreta o interesse amoroso de Raees, a jovem Aasiya. Num curto espaço de tempo eles se casam, ela engravida, o negócio dele cresce monstruosamente, ela jamais aparece grávida, um bebê nasce, mil eventos se desenrolam e o bebê mal cresce. Muitos eventos parecem ocorrer em pouco tempo, o que enfraquece a ideia do negócio de Raees ter se tornado um império - será que tudo isso teria acontecido no espaço de nove meses? Por falar em Mahira, foi tão adorável vê-la estreando nas terras bollywoodianas quanto era acompanhar suas entusiasmadas entrevistas revelando como ela e a mãe são grandes fãs do Shahrukh. É triste dizer, mas sua Aasiya é quase dispensável. Ela apóia o marido, tem plena consciência de suas atividades de trabalho (o que é raro nas esposas desse tipo de personagem) e faz o que é possível para auxiliá-lo a manter seu poder e prestígio frente à comunidade. Mas é tudo tão pouco, tão não aprofundado, que sua participação decepciona. Nunca a considerei uma atriz de grande expressividade pelo que vi na série Humsafar, mas sua presença em cena costuma no mínimo ser eficaz. Em Raees, fica a impressão de que sua participação serve para embelezar os números musicais - o que ela faz muito bem, especialmente na belíssima Udi Udi Jaye, parte de uma boa trilha cujos ótimos musicais parecem forçadamente encaixados nos diversos contextos do filme. É uma pena que não tinha tido mais espaço, porém considero acertada sua decisão de trabalhar com um ator com a magnitude de Shahrukh Khan, pois mesmo com o recente impedimento de atores paquistaneses trabalharem na indústria, a visibilidade que terá no mercado internacional e no próprio Paquistão é imensa.


O resultado geral de Raees é um filme que se torna muito cansativo pela pouca coesão do roteiro e câmera lenta em demasia, mas que consegue segurar o interesse do espectador durante a maior parte do tempo devido à presença destruidora de um Shahrukh Khan inspirado e visceral como há muito não víamos. Mesmo com seu histrionismo habitual - que não incomoda em nada aos fãs - , há belos momentos de atuação encantadores de assistir, especialmente nas cenas finais. Pode haver uma grande injustiça nessa percepção, mas creio que Raees seja um filme essencialmente dominado pelo talento de Shahrukh Khan como protagonista e não tanto pela história em si. Se esse foi um sinal do tipo de personagem que veremos dele no futuro, já reservarei meu lugar na primeira fila.