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→ Especial Katrina Kaif - Post 1

Estou refletindo sobre fazer um Especial Katrina Kaif (É SÉRIO, GENTE!), mas não sei se tenho disciplina e vontade para isto. Se a vontade persistir, volto aqui e falo sobre outro filme dela, mas considerem este como o primeiro post (para economizar tempo). 

Gosto da Farah Khan, de verdade. Além de Tees Maar Khan, ela dirigiu apenas Main Hoon Na (2004) e Om Shanti Om (2007). Em MHN fiquei apaixonada pela inocência do filme, como bem disse a Lilian na QCINB. Já em OSO, me apaixonei pelo bom humor e, principalmente, pelas coreografias da Farah (esta mulher nos deu Dhoom Taana!). A cada filme dela, vou colocando alguma coisa na lista do que me faz sorrir quando penso no nome de Farah Khan. Quando começaram a sair as notícias sobre TMK, meu tal sorriso Farah foi diminuindo. Primeiro, ela escolheu Akshay Kumar e Katrina Kaif para os papéis principais e, mesmo que eu goste deles, nunca é um sinal muito bom. Depois, ela ficou negando que o filme fosse um remake do filme italiano Caccia Alla Volpe (1966), e quaaase no lançamento, ela confirmou que era (sério, alguém me explica!). Finalmente, o golpe final sobre o meu sorriso: ela disse que o musical Sheila Ki Jawani seria o item number do ano...desde quando Katrina Kaif consegue dançar o item number do ano? Desde que vi Munni Badnaam em Dabangg (2010), sabia que não haveria lugar para outro item number em 2010. Ainda por cima, ela dava infinitas entrevistas falando sobre como o filme era uma loucura total, não aguentava mais ler a palavra "MADNESS". Enfim, fiquei tensa.



Já os situei sobre meu estado pré-filme, agora, conheçam a história: Tees Maar Khan (Akshay Kumar, esse lindo) é o maior ladrão do mundo: abre qualquer fechadura, faz qualquer coisa. Ele é contratado pelos irmãos Johri (Raghu Ram e Rajiv Laxman), que são gêmeos siameses(!!!!³), para roubar antiguidades protegidas pela polícia. O problema é que elas serão transportadas em um trem que não fará paradas, e ele tem que arrumar um modo de pará-lo. Ele monta um plano ousado: fingirá estar dirigindo um filme histórico em uma cidade pequena onde o trem passará, e usará todos os seus habitantes como os revolucionários que deverão assaltar o trem onde os "malditos ingleses" estão carregando as riquezas roubadas de sua pátria.

DÁ PRA PARAR DE GRITAR?

O maior problema do filme é que o ator principal não tem muita graça. Tudo o que o Akshay Kumar faz é ficar gritando e falando frases de efeito  o tempo inteiro. No meio desse fuzuê todo, não consegui aceitar bem a ideia de ele ser o maior ladrão do mundo. Como tenho muito carinho pelo Akki, deixei pra lá e tentei aproveitar o resto do filme. Missão meio difícil, se não fosse pelos clipes sensacionais e por um moço chamado...Akshaye Khanna (se Akshay não lhe dá o  que precisa, peça ao Akshaye)! Ele fazia o papel de um ator famoso, Atish Kapoor, que já havia ganhado tudo quanto é prêmio e sonhava com um Oscar. Era tão engraçado ele gritando "EU QUERO UM OSCAAAAAR" e vendo o Anil Kapoor fazendo dancinhas na TV com o Oscar de "Dumbdog Millionaire" nas mãos. Toda vez que Atish olhava para o vazio e imaginava seu Oscar, tocava o comecinho de Jai Ho e ele gritava "DAY HO!". Não sei o que raios o Akshaye fazia para ser assim, mas era tão engraçado! Me lembrou muito da Konkona em Aaja Nachle (2006): os dois atores pegaram papéis que são para ser bobos mesmo e se jogaram de cabeça na tarefa de fazer as tais cenas cômicas. Não precisa ficar gritando, Akshay. Converse com seu colega de filme e pegue umas dicas.



Na cenas da cidadezinha, eu ria muito quando eles estavam gravando o tal filme. Todas as pessoas da cidade fazendo poses, bem o que eu imaginava que seria. TMK não dizia ao Atish o que fazer, e este se desesperava. Então, o "diretor" começava a falar  "Estão roubando as riquezas da sua pátria, você tem que lutar contra isto"...e o revolucionário dentro de Atish despertou. RI MAIS AINDA. O ator saía andando quase possuído pelo ritmo ragatanga , gritando "SEU MALDITOOOO INGLÊÊÊÊS, CANALHA!" (reparem no clima de gritos me tomando). Apesar de estes momentos terem sido ótimos, nada pode ser comparado a melhor sequência do filme: a do trem. Atish parado no meio dos trilhos com uma bandeira nas mãos, uma cidade inteira gritando para policiais perplexos que eles roubaram a pátria-mãe. Quando achei que não poderia ficar melhor, começou a tocar uma música patriota que soava bem antiga, e todos começaram a cantar enquanto roubavam, como se estivessem em um musical. Procurei a música por todos os lados, mas não encontrei. Ontem comecei a assistir a Upkar (1967) e...encontrei a música já no primeiro clipe do filme (fiquei tão feliz!). É Mere Desh Ki Dharti, para quem tiver curiosidade.

Fora TMK gritando e Atish incorporando defensores da mãe Índia, ainda tínhamos Anya (Katrina Kaif), a namorada/noiva/não sei aspirante a atriz de TMK. Gosto da Kat, pessoas. Fiquei com a impressão de que havia muito dela no papel...ela fazia aquelas atrizes que não sabem muito bem o que estão fazendo, que só ficam dançando e sendo bonitas. E sim, digo isto mesmo gostando dela. Acho que o Shirish Kunder só pôs a personagem no roteiro porque o herói tem de ter uma heroína. Bem, uma coisa é verdade: os musicais ficaram mais belos graças à ela, que também estava engraçada. "DIRTY DOG! ONDE ESTÁ O DINHEIRO DOS POBRES INDIANOS?" é algo que ficará na minha cabeça por um bom tempo.



O que mais vale a pena no filme é, de absurdamente longe, a trilha sonora de Vishal-Shekhar (estão querendo virar favoritos do blog?). Passei dias e mais dias viciada em Bade Dilwala, cantada por Shreya Ghoshal e Sukhwinder Singh, cuja voz sempre me faz pensar em coisas tradicionais. A música em si já é muito alegre, mas acho que foi o clipe que me causou tanto amor. Cores até perder de vista! Certos clipes da Farah Khan tem a capacidade de me fazer não saber para onde olhar, e este é um deles. Uma das poucas ocasiões em que gosto do exagero! E sei lá, tenho um queda pelo Akshaye neste clipe.

Outra de que gosto é Wallah Re Wallah, cantada por Shekhar Ravjiani, Shreya Ghoshal, Kamal Khan e Raja Hasan. O clipe me deu uma felicidade...bagunça com lenços, amo! Fazia tempo que não via alegria assim em vídeo. Tem participação de Salman Khan, e GENTE, é a volta da minha piadinha favorita para o Salman: os bracinhos perdidos num mar de músculos! É engraçado ver ele e Akshay dançando juntos e quase disputando a Kat.

Fechando as músicas, só falta a tal estrela da vez, Sheila Ki Jawani. Cantada por Vishal Dadlani e Sunidhi Chauhan, tem a participação do próprio Vishal no clipe! A questão é: o clipe é legal e a Katrina está dançando bem melhor do que antigamente, mas não passa nem perto de vencer Munni Badnaam. A Katrina é linda, mas ainda não consegue ser sexy...ou pelo menos, não tão sexy quanto a Malaika Arora Khan! Farah Khan, pare de ficar comparando suas próprias coreografias, não soa normal. Li numa entrevista que a ideia do clipe veio da Farah pensando em como ela faria um clipe para a Beyoncé caso esta fosse à Índia: teria que ser a cara dela, mas também bem Bollywood. Achei genial.


TMK não é um bom filme, é o pior da Farah. Ainda assim, talvez eu seria capaz de vê-lo mil e uma vezes só para poder voltar àqueles clipes e rir do Akshaye Khanna. Ah, quase me esqueci dos créditos do filme: são todos da equipe recebendo Oscars. Ela sempre sabe como mostrar bem os créditos! Para quem quiser uma gritariazinha básica com um pouco do nosso doce Akki, esta é a dica ;)

Obs:


Gente que parece estar feliz fazendo um filme :)


EPAAAAAAAAAAAAAAAA
Ontem eu estava indo dormir, quando repentinamente comecei a pensar na Asha Parekh. Lembrei de algumas cenas suas que eu havia visto, mas então percebi que eu nunca tinha visto um filme dela. "Mas já vi cenas dela, tenho certeza!", pensei. Aí, a verdade foi aparecendo...há alguma conspiração para eu nunca terminar um filme da Asha Parekh!

O caso Caravan  [atualização: ASSISTIDO! ]

Estava eu assitindo Caravan (1971) numa bela tarde, quando precisei fazer várias coisas no meu computador. Como já havia visto Piya Tu Ab To Aaja, não havia problema em parar o filme. Nunca mais voltei.

O caso Teesri Manzil  [atualização: ASSISTIDO! ]

Mais um filme do Shammi em que decidi que ele não iria me incomodar se eu não quisesse que ele me incomodasse (é o pacto Shammi, falo sobre ele um dia). Quando eu estava gostando do filme, ele travou, e não destravava de modo algum. Nunca mais voltei.

O caso Love In Tokyo [atualização: ASSISTIDO! ]

O filme estava divertidinho e o papel dela me lembrava o que eu tinha visto de Caravan, mas era meia-noite e não acho recomendável começar filmes indianos muito tarde. Nunca mais voltei.

O caso Upkar [atualização: ASSISTIDO! ]

Eu estava amando tudo e lembrando muito de Gunga Jumna, o que é um ótimo sinal. Como havia passado o dia todo na rua (para mim, duas horas fora de casa já se configuram como "o dia todo"), estava quase dormindo e decidi deixar para depois. Isto foi ontem.


Tudo isto poderia ser porque os filmes não são lá muito marcantes, mas acredito mais na tal conspiração anti-Parekh. E nesta minha última semana de férias, está na hora de lutar contra isto e ir conhecer a dona Asha.


Ninguém vai nos separar agora, Parekh!

Obs: espero gostar dela o.o
Vini, Bárbara e cia. Queridos leitores, o nosso KK-B vai passar por algumas mudanças em 2011 porque as suas amadas blogueiras estão com as vidas um pouco diferentes. Acontece que a Isa, a nossa Isoleta, a flor dentre todas as Isabelas, presta vestibular este ano. Para quem não sabe, estar na categoria “vestibulando” significa que não temos acesso aos direitos humanos por algum tempo, já que não somos tratados como gente enquanto as provas não acabam. Por esta razão, montamos um esquema todo especial para as postagens duplas, enquanto outras — como a de hoje— serão feitas só por mim. Eu seeeeeeei que não tem a mesma graça, mas vamos pensar em mim: perdi as horas de diversão que nós tínhamos para fazer cada post. Ok, brincadeira: vamos torcer pela Isa, que merece estar em todas as universidades do mundo. Enquanto isto, fiquem brincando com o banner do blog: a cada vez que você atualizar, aparecerá uma imagem diferente. E nós fizemos umas gracinhas com algumas imagens, sabem como somos. 

Agora, vamos ao filme. Para mim, 2010 foi um ano tão ruim em Bollywood que houve alguns momentos nos quais acreditei que talvez eu estivesse cansando de tudo aquilo. Essa sensação de desesperança vinha principalmente quando eu me decepcionava com um filme que estava esperando com muita ansiedade, e contei agora que isto aconteceu sete vezes no ano passado. Uma destas vezes foi com I Hate Luv Storys, cuja trilha (e aqueles lindos pôsteres!) eu já amava. 


IHLS é a estréia do diretor Punit Malhotra e foi produzido por Karan Johar, sendo estrelado por Imran Khan (o sobrinho bonito do Aamir Khan) e Sonam Kapoor (a filha linda do Anil Kapoor). Conta a história mais básica: Jay odeia histórias de amor, Simran é apaixonada por elas. Os dois trabalham com o maior diretor de histórias de amor de Bollywood, ele é assistente e ela é a cenógrafa no novo projeto do indivíduo. Enquanto Jay não acredita em histórias de amor *bocejos*, Simran quase vive uma: conhece seu noivo desde a infância e, acreditem ou não, ele se chama Raj (piada com DDLJ). Jay e Simran se davam mal no início, mas acabam ficando muito amigos no trabalho. Simran se apaixona por Jay, que não a corresponde. A partir daí, ele entra naquela clássica jornada do herói que se descobre apaixonado. 

Detestei este filme quando o vi pela primeira vez, muito pela atuação da Sonam. Gosto muito da pessoa que a Sonam mostra ser na imprensa, mas suas habilidades na atuação às vezes me parecem oscilar entre -1 e 0. Será que para uma pessoa que fez apenas 4 filmes com 4 personagens apaixonadas, é tão difícil assim dar um olhar apaixonado que pareça um pouquinho sincero? Fico com a impressão de que a expressão de amor intenso dela é a mesma de quando ela vai comprar pão. Ok, serei mais legal com a minha pequena Sonam: a atuação dela me pareceu um pouco melhor da segunda vez em que assisti ao filme. Não foi emocionante, mas também não foi a catástrofe que eu tinha achado antes. Como a história é bobinha, até que ela carregou bem a coisa toda. O problema é um pouco com a própria personagem, que é meio boba. Quando a Simran se apaixonou pelo Jay, ficava claro para qualquer um (ou pelo menos para mim) que aquilo tudo foi coisa da cabeça dela, ele não tinha dado nenhuma demonstração de que também a amasse. Achei muito legal o fato de ela depois ter dito a ele que não precisava se sentir mal, pois ele realmente havia imaginado coisas. Seria ridículo se ela ficasse acusando o rapaz por não amá-la. 



Devasso.
Quanto ao Imran, acho que sabe fazer muito bem esses romances urbanos. Sério, acho que esse é o único comentário que tenho a fazer sobre ele. Sobre o Jay, achei muito bonitinho como foi descobrindo o amor. Aí, mais uma coisa para falar sobre a atuação do Imran: ele estava ótimo curtindo uma fossa! Gosto desse menino, de verdade. Meu único problema com ele no filme não era realmente direcionado a ele: Raj (Sameer Dattani), o noivo de Simran. Para quem viu Kabhi Alvida Naa Kehna (2006): lembram do Rishi, papel do Abhishek Bachchan? Quem mais aí foi solidário a ele quando a Maya o trocou pelo idiota do Dev? Tenho dificuldades em me apegar ao herói do filme se o rival dele for um cara legal que ama e respeita a noiva, assim como era o Raj. E isto foi mais difícil neste filme porque a vida que ela tinha com o Raj era bem legal, mas aí o roteirista inventou que a vida perfeita dela não era tão perfeita quanto ela queria acreditar e que ela conheceu a verdadeira alegria com as palhaçadas do Jay...certo, acredito. Temos de aceitar que na vida, há mulheres que trocam bons homens por outros que deixam claro o quanto não querem compromisso. Mulheres nas quais eu bateria, se pudesse. Mentira, só fico um pouco indignada...entendo o charme do Imran Khan, apesar de achar que ela estava era entediada por namorar a mesma pessoa desde sempre. 



Adivinhe os filmes!
IHLS faz piadas com filmes românticos que foram muito importantes em Bollywood, como Dilwale Dulhania Le Jayenge, Kuch Kuch Hota Hai...acho que também lembro de cenas falando de Dil Chahta Hai, Dil To Pagal Hai, Kabhi Alvida Naa Kehna e Hum Tum. Acredito que não era para as piadas serem super engraçadas, mas para nos fazerem lembrar dos filmes e dar um sorrisinho. Fiquei tão nostálgica vendo aquilo tudo...saudades da Madhuri em Dil To Pagal Hai. Uma das piadinhas foi bem nada a ver: toda vez que Veer Kapoor (Samir Soni) — o tal diretor de romances — começava a falar de alguma coisa do filme que estavam fazendo, tocava o comecinho de Maahi Ve do Kal Ho Naa Ho. Acho que teria sido mais engraçado se tocasse um pedacinho de Kuch Kuch Hota Hai, que é uma música romântica...mas talvez o Karan Johar não achasse muita graça, né? De todo modo, achei meio triste que o próprio IHLS não seja tão marcante quanto os filmes que cita.



Mas é tão linda, gente <3
Uma das melhores coisas do filme é o visual mesmo: tudo muito colorido e moderno. Fiquei com a impressão de que cada cena do filme foi feita para parecer perfeita caso uma foto fosse tirada, principalmente as cenas do Sonam. Ela sempre estava com o cabelo perfeito, a roupa impecável e fazendo poses. Aos meus olhos, ela é uma das atrizes que mais ficam bonitas na tela, e nem é por ter uma beleza estonteante. O rosto dela tem algo bom, algo que faz a mim (e muita gente) querer ficar olhando para ela. Tiraram proveito disto ao máximo no filme, o que achei muito inteligente. Depois de Devdas, este foi o filme que tive mais facilidade para tirar prints!

A trilha que me encantou tanto é da dupla Vishal-Shekhar, que anda fazendo umas coisas bem moderninhas. Sabem como é, aquelas letras misturando hindi e inglês (olha o nome do filme, Carolyne). As músicas se adaptam perfeitamente ao filme: são leves, doces, divertidas e cativantes. A primeira pela qual me apaixonei foi Bahara, cantada pela seeeempre linda Shreya Ghoshal. Sabem aquelas músicas que nos fazem suspirar, sendo que nem sabemos do que se tratam? Está aí uma delas. O clipe é uma graça, pois faz alusão a vários filmes. Gente, comentário inútil: fui ver o clipe agora, dei pausa quatro vezes e em todas elas havia poses para fotos :D Também gosto muito de Bin Tere, cantada por alguém de quem eu nunca havia ouvido falar: Shafqat Amanat Ali. Essa música me passa um clima de fossa adolescente, acho linda. Não, uma coisa não tem relação com a outra. 



Quase me esqueci de uma curiosidade bem legal: uma brasileira atuou no filme, a Bruna Abdullah. Ela faz o papel de Giselle, uma moça que Jay pegou (é a palavra mais apropriada) e depois mandou embora sem muita pena. Depois ela volta e faz uma participação bem engraçada no filme (eu realmente ri), quando Jay quer usar alguém para causar ciúmes em Simran.

O que eu tirei de I Hate Luv Storys é que os romances urbanos estão em alta. Antes eu odiava o filme, agora acho até legal (reparem no entusiasmo). É bonitinho, até. OK, ESTOU SENDO ENJOADA. É o seguinte: sabem aqueles filmes românticos gostosinhos de Sessão da Tarde, que a gente senta para ver sem esperar muita coisa, acabam nos deixando com uma sensação boa e fim? Assim é IHLS. Um romance com atores da nova geração, aquele clima bom de coisa recente. Não pulem nele com todas as expectativas do universo, e...pá! Vocês terão uma tarde agradável. Ou manhã. Ou noite. Decidam. 
Este é um filme muito sério do senhor Abrar Alvi. Aliás, o único que ele dirigiu. Não sei como vai ser falar dele neste momento Akshay Kumar da minha vida, mas tentemos.

A história se passa no século XIX e é contada pela perspectiva de Bhoothnath (Guru Dutt), que sai de sua cidadezinha e vai para Calcutá em busca de trabalho. Chegando à cidade, ele vai morar com seu cunhado, que reside e trabalha na mansão da família Chaudhary. Seu cunhado lhe consegue um trabalho na fábrica de sindoors de Suvinoy Babu (Nasir Hussain). Suvinoy Babu é pai de Jabba (Waheeda Rehman), uma moça inteligente que sempre arruma um modo de deixar Bhoothnath desconcertado. Juntamente com ela, a outra mulher que faz parte da vida de Bhoothnath é Chhoti Bahu (Meena Kumari), a devotada esposa do boêmio Chhote Sarkar (Rehman). A infeliz esposa encontra em Bhoothnath um confidente para seus momentos infelizes.

Leio muito por aí que Chhoti Bahu foi o melhor papel da vida de Meena Kumari, e até o momento ainda não tive motivos para discordar da afirmação. Não expliquei todo o drama da personagem no resumo, mas espero conseguir agora. Ela veio de uma família pequena do interior, tendo sido criada com o ensinamento de que a esposa deve tratar seu marido como um Deus. Seria muito fácil pensar "ah, machismo" e desanimar da personagem, mas tentei me imaginar tendo uma criação orientada para um objetivo tão diferente do meu. A partir daí, foi só aproveitar a atuação da Meena e sofrer junto com a Chhoti Bahu. O porquê do sofrimento? Bem, o marido dela nunca estava em casa. Segundo alguns diálogos do filme, a esposa deveria ficar muito alegre por seu marido agir como um perfeito membro da aristocracia, gastando com suas cortesãs e passando toda a noite fora de casa, provando sua virilidade. Agindo deste modo, fica claro que não havia como Chhoti Bahu ser a esposa que desejava, e esta situação a destruía lentamente. Ela implora a ele que a deixe servi-lo, mas a esposa e nada são a mesma coisa para Chhote Sarkar. Um dia, ele diz que ela deve beber vinho para ser como as cortesãs que ele visita, e esta situação a desespera. Pelo que entendi, uma boa mulher hindu não deve tomar bebida alcóolica, mas ela o faz depois de uma grande luta interna. Chhoti Bahu se torna alcóolatra, e fico muito triste toda vez que vejo aquelas cenas porque a própria Meena Kumari era alcóolatra e, se não me engano, morreu devido a isto. Às vezes me pego lembrando das cenas do filme e tentando imaginar se havia um pouco do desespero da própria Meena nos gritos e lágrimas de Chhoti Bahu. Talvez seja por isto que me sinto tão incomodada quando leio algumas pessoas reduzindo a história do filme à palavra "machismo". O papel de Chhoti Bahu fala sobre educação, submissão, dos extremos em que repentinamente podemos cair, dor, honra, entrega. Fico me perguntando se realmente há pessoas assim por aí, e como será que vivem. Não gostaria de ser como ela e muito menos que alguma filha minha fosse, mas a personagem é muito forte e não deve ser desmerecida. Isso sem contar a coragem da atriz em fazer uma personagem assim em plena Índia nos anos 60!


Meena é sempre lembrada pela personagem, mas às vezes me parece que as pessoas não lembram que a Waheeda estava no filme. Ela estava LINDA, brincalhona, dramática, tudo o que você pedir. Confesso até que na primeira vez em que assisti ao filme, queria que as cenas de todos os outros acabassem de uma vez, só para que ela voltasse para a tela...ser muito fã de alguém muitas vezes nos cega para o resto do mundo. A Jabba até hoje é uma das personagens de que mais gosto no cinema indiano, e ela trazia um clima mais leve ao filme depois das cenas pesadas da Chhoti Bahu. Jabba gostava de Bhoothnath, mas era daquele tipo que implica com as pessoas que gostam, sabem? Como aqueles garotinhos de filmes americanos que batem nas meninas de que estão gostando. Foi a primeira vez que vi o Guru Dutt fazendo papel de bobão, e estava tão adorável! Se a Jabba implicava com ele, este fazia uma expressão de menino contrariado tããão bonitinha! Uma vez ela disse a ele que os dois não tinham laços, tudo o que ela tinha de fazer era se certificar de que ele estava alimentado. Quando mais tarde eles já estavam naquela relação meio flerte não-declarado, ele a lembrou da frase umas duas vezes. Menino bobo. Voltando à Jabba, até hoje foi a personagem em que a Waheeda me pareceu mais bonita...e esta impressão sempre se intensifica devido ao fato de eu gostar da personalidade da Jabba.


A relação entre Bhoothnath e Chhoti Bahu era meio estranha, meio platônica da parte dele. Eles começaram a se falar quando ela pediu a ele que trouxesse sindoor do trabalho dele para que ela usasse, já que a propaganda do Mohini Sindoor afirmava que ele trazia alegria aos apaixonados. Sabemos que não funcionou para ela, pobre Chhoti Bahu. O interessante era que toda vez que o Bhoothnath olhava para ela, havia uma iluminação em torno dela que a fazia parecer...celestial. Como o Bhoothnath parecia um menininho, o olhar dele para ela era todo encantado, o que me lembrava quando eu era pequenininha e gostava de um menino mais velho. Momento recordação. Quando tinha uns 9 anos, gostei por uns meses de um garoto que devia ter uns 14, 15. Parecia que ele era a pessoa mais especial e mágica do mundo, a maior pessoa do universo. Talvez meu olhar tenha ficado como o do Bhoothnath naquela época. A diferença é que eu achava que estava perdidamente apaixonada (tããão fofa!), enquanto que até hoje não entendo o que Bhoothnath sentia pela Chhoti Bahu. Aceito que ele só a via como aquela pessoa inalcançável.


O filme fala também da decadência dos Zamindar, que pelo que entendi, eram os tais senhores da terra, uma coisa bem feudal (lembrei da minha 6ª série). Você vê pelo olhar dos donos da mansão o quanto se sentem superiores, e o bando de bajuladores que os rodeavam só reforça a impressão. Tiravam tudo de quem já não tinha nada, mas não hesitavam em fazer um casamento luxuoso para os gatos da família. É uma pena que toda esta questão não tenha chamado a minha atenção, de tanto que eu estava interessada nas histórias dos personagens. Achei que o fato de eu estudar Psicologia fosse o motivo de eu ser tão apegada aos personagens e suas ações, mas nem ligo muito pra Psicologia...acho que gente fazendo coisas diferentes das minhas é o que me prende. Não é incrível como existem milhões de diferentes pessoas no mundo, tomando as mais diversas atitudes e tendo as mais diversas personalidades? Acho sensacional!

FOCO, CAROLYNE!

A trilha do filme é de Hemanta Mukherjee (ou Hemant Kumar), e as letras das músicas são muito marcantes, autoria de Shakeel Badayuni. Uma das canções mais tristes é Meri Baat Rahi Mere Man Mein, que é cantada por Asha Bhosle e interpretada pela Waheeda no filme. A letra diz algo como "Minhas palavras não ditas jazem seladas em meu coração", e os olhos cheios de lágrimas da Jabba já nos informam tudo o que ela não conseguiu dizer ao Bhoothnath. "Ainda que a chuva tenha caído, meu coração permaceu seco".Ah, que lindo...e deprimente.

Gosto muito de Bhanwara Bada Naadaan, outra da Asha Bhosle. Mas esta, só assistindo para ver como é graciosa. Ai ai, essas abelhas ingênuas!

Na Jao Saiyan Chudaake Baiyan foi o clipe mais deprimente que já vi da Meena Kumari até hoje. Não aguento vê-la se arrastando daquele modo para um homem que pouco se importa se ela está viva ou morta. Não gosto muito de ver o clipe, porque já fico triste com 2 segundos. Acho que nunca ouvi uma música da Geeta Dutt que não me fizesse ter vontade de me jogar na cama e ficar chorando eternamente.

SBAG é baseado no livro Shaheb Bibi Golam, de Bimal Mitra. É válido lembrar que meu aniversário é em novembro.

Apesar de o efeito do filme sobre mim ter sido bem menor quando o revi, acho que ainda o manterei entre meus favoritos por um bom tempo, principalmente devido às duas atrizes que fizeram dele uma experiência tão intensa. Hoje é a primeira vez em que termino um post com um vídeo, mesmo que o post já esteja longo. Saqiyaa Aaj Mujhe Neend Nahin (pode chamar de Saqiyaaaaaaaaaaa) está entre meus clipes favoritos de Bollywood, e foi ele que me fez ficar fã da Minoo Mumtaz. Queria que sempre fizessem vídeos de cortesãs como este...faz valer a pena por um filme inteiro. Até a próxima!


Bimal Roy. Ah, Bimal Roy. Meu amor, meu lindo, meu doce, meu forte, meu querido Bimal Roy. Ainda não conheço gente o suficiente para ter um diretor favorito, mas o Sr. Roy já está na lista. Nunca vi algo dele que eu não gostasse e a ele devo o fato de finalmente ter gostado da história de Devdas, que antes eu achava muito chata. Depois de trazer uma Nutan tão fofa e doce em Sujata (1958), conseguiu repetir o feito em Bandini. Além da Nutella, também estão no elenco Ashok Kumar (grrrrr), Dharmendra (!), Raja Paranjpe e Tarun Bose. 

A história começa com Kalyani (Nutan) no lugar em que eu menos esperava ver uma cena da Nutan: a prisão. O médico Devendra (Dharmendra) precisa que alguma detenta se voluntarie para cuidar de uma delas, uma senhora com tuberculose. A única que tem coragem para tanto é Kalyani, que cuida da senhora com muita paciência a carinho. Vendo a bondade e dedicação da moça, Devendra se apaixona por ela, que não quer que o futuro dela seja manchado pelas ações de seu passado. Quando o diretor da prisão (Tarun Bose) questiona sobre sua vida e o que a levou a cometer o assassinato que a fez ser condenada, somos levados a conhecer as memórias de Kalyani. Flashback!

Cara de "Eu sofro": especialidade de Nutan ou Meena Kumari?

"Oi, meu nome é Dharmendra e
 minha especialidade é SER LINDO"
Este filme é lindo. Comentei no post anterior sobre a importância das mulheres nos filmes do Bimal Roy, e Bandini é todo centrado na Kalyani: sua dor, seus desejos, suas decisões, seu destino. Outra coisa que eu havia comentado é sobre como a Nutan me faz gostar de personagens que eu facilmente odiaria, e isto aconteceu com a Kalyani. Ela fala baixo, baixa a cabeça. Aliás, alguém já reparou que a voz da Nutan parecia um miado de filhotinho de gato? É muito bonitinha! Ofendo ao perguntar se já havia dublagem na época? [/momento vovó] Voltando ao filme, a Kalyani é mais uma das personagens que mostram todo o sofrimento pelo qual passa a mulher indiana no cinema (na vida, talvez?). É a mulher injustiçada, que sofre calada, que aceita sua punição, que suporta tudo. O que gosto nos filmes que focam este tipo de mulher é mostrarem que mesmo calada, consegue se fazer ouvir por outros meios. Kalyani não precisava gritar, nós víamos seu olhar. Às vezes, no meio de uma multidão ensandecida, quem chama mais a atenção é aquele que está quieto. E assim foi com ela até na cadeia, onde várias detentas a perturbavam. Dentre todas elas, Devendra viu aquela que parecia ser diferente. Acredito que este filme tenha feito muita gente olhar para as mulheres de outro modo.


OLHA PRA CIMA, NUTAN!
Bikas Ghosh (Ashok Kumar) é um detento que luta pela liberdade de seu país, e a figura central no passado de Kalyani (a partir da separação deles, a vida dela entra em declínio). O filme fala muito sobre o tema da independência, e volta e meia surgia alguma frase sobre como os revolucionários eram corajosos. Ele e Kalyani se apaixonam um pelo outro lentamente, já que era permitido sair por algumas horas no regime de prisão de Bikas, e ele as passava conversando com Kalyani e o pai dela (Raja Paranjpe). Eu estava achando o Ashok até legal, o que é um progresso enorme se formos pensar na minha recentemente adquirida aversão por ele (obrigada, Mahal!). Não vou dar spoilers, mas meu problema com ele anda sendo ele sempre aparecer para destruir a vida das heroínas que eu gosto. Mas, sejamos justos: a atuação dele foi boa no filme. Realmente acreditei que estava apaixonado. Aliás, também acreditei no amor do Devendra, mas o Dharmendra apareceu tão pouquinho (uma pena)! Se pensarmos no tempo em que a Nutan estava na tela, todo o resto apareceu pouco. Voltando ao Bikas, foi interessante terem mostrado que o amor à sua nação é tão intenso quanto qualquer outra forma de amor. 

Teve uma coisa que me incomodou num nível altíssimo...o tal assassinato que a Kalyani cometeu. Dadas as circunstâncias, ela estava errada. E isto me incomodou tanto que falei "VOCÊ ESTÁ ERRADA!" para a tela (eu interajo muito com os filmes). Depois vieram todos falando sobre como ela era um anjo e eu não conseguia aceitar isto. Porque ela errou, errou, errou, errou. Errou feio! Pronto, fim do desabafo. Todos erram, mas talvez ela não tenha sido suficientemente punida pelo que fez. Se cada um se deixar levar pelas emoções como quiser, não poderemos mais viver em sociedade. Pelo menos a Kalyani era muito consciente de tudo o que fez, o que me satisfez.  Além de consciente, ela também tomava as próprias decisões. É difícil assumir que uma pessoa tomou as próprias decisões quando ela faz tudo o que você não queria que ela fizesse, mas assim o foi. *spoiler* Quando saiu de casa, quando foi trabalhar como criada e quando cometeu o assassinato, Kalyani fez o que queria. É claro que as circunstâncias a foram levando mais ou menos para tudo aquilo, mas ela poderia ter feito tudo diferente e não quis. E aproveitando o clima de spoiler, gostei muito da atriz que fez a mulher histérica. Eu queria tacar uma cadeira nela.*fim do spoiler*

Já disse que o filme é da Nutan? Não sei muito o que escrever sobre a Nutan, porque a mistura de segurança e leveza que ela me transmite é algo complicado de explicar em palavras. Uma vez eu disse que uma amiga minha parecia aquele ventinho que bate no fim de tarde. Um dia desses eu estava observando as folhas das árvores se movendo por causa desse mesmo vento, e pensei na Nutan enquanto olhava pela janela. Estou certa de que isto vem de algum clipe de Sujata, mas depois verei isto. O que quero dizer é que não entendo como ela conseguia carregar filmes inteiros onde as personagens principais eram tão doces e simples, filmes que não precisariam se esforçar muito para serem insuportáveis . Estou seriamente encantada por ela.


As letras da trilha de Bandini são lindas, de autoria de Shailendra. A trilha é de S.D. Burman (estou cansada de elogiá-lo). Como aconteceu com a trlha de Kala Bazaar, volto a me sentir mal por falar de uma ou duas músicas quando tudo é tão belo. Uma música que me emocionou muito foi Mat Ro Mata, cuja letra falava sobre liberdade (eu disse que a voz do Manna Dey me deixava triste). "Mãe, eu nascerei outra vez no dia em que o Ganges fluir livremente" foi uma frase tããão bonita! Também gostei de O Jaanewale Ho Sake To Laut Ke Aana, na voz de Mukesh. Olha, vou ser sincera: estou lembrando de músicas meio por cima e comentando...tudo é muito bonito.

The Dark Side Of Nutan
Bandini é belo, é sensível, é forte, me deixou feliz, me deixou triste, me fez sentir amor, me fez sentir ódio. O final dá material para muita reflexão, e você pensa sobre o que é estar preso, em vários sentidos. Preso  à regras sociais, a princípios, a um amor, às regras do seu coração, à uma família, à uma nação...cada personagem estava um pouco aprisionado a algo. Sou muito apegada a personagens, tanto que só falo deles nos meus textos. Um filme pode ter um roteiro lindo e maravilhoso, que não causará o menor efeito sobre mim caso não haja um personagem que me deixe pensando sobre a vida. Pelo que me parece, a Kalyani me deixou com material para reflexão para uma semana, pelo menos. E é este tipo de coisa que não me deixa desistir do cinema.

Até uma próxima! ;)
Vou falar sobre dois filmes em um post pelo seguinte motivo: assisti aos dois online e se não me engano, em dois  dias seguidos. Sendo assim, não tenho como tirar prints com fotos legais e nem rever cenas. Se é para ser assim, que venham logo dois.

Aag é um filme todo marcado por fatos históricos: primeiro filme dirigido por Raj Kapoor e também o primeiro dos filmes que ele fez com a Nargis (acho que foram 16). Raj e Nargis são um daqueles casais eternos do cinema indiano e o Raj é um dos artistas mais importantes da história da Índia (exagerei ou não?), e acho que tudo isto explicou um pouco porque assistir Aag é um privilégio para quem ama Bollywood.

O filme conta a história de Kewal (Shashi Kapoor), um menino que é apaixonado por teatro. Em suas brincadeiras é sempre acompanhado por sua amiguinha inseparável, Nimmi (não me atrevo a pôr os nomes de todas as Nimmis). A família de Nimmi acaba se mudando, mas Kewal nunca mais a esquece. Já adulto, o jovem Kewal (Raj Kapoor) diz ao seu pai (Kamal  Kapoor) que não quer seguir a advocacia, como é tradicional entre os homens de sua família. Kewal sai de casa e durante a sua vida adulta, conhece três mulheres por quem se apaixona, interpretadas por Kamini Kaushal, Nargis e Nigar Sultana. Apesar de conhecê-las em diferentes épocas e situações, uma coisa não muda: todas elas sabem da importância que aquela garotinha teve na vida de Kewal e sabem que a maior prova de amor que ele pode dar à uma mulher é chamá-la de "Nimmi".

A Nimmi (Kamini Kaushal) que Kewal conhece na universidade passa rapidamente por sua vida. A outra Nimmi (Nargis) teve com ele uma história muito mais intensa: surgiu quando ele estava montando a primeira peça em seu teatro, que foi financiado por Rajan (Premnath), o homem que acabaria se tornando seu melhor amigo. Rajan é apaixonado por uma mulher desconhecida, que acaba sendo a personagem da Nargis. O problema é que ela se apaixonou por Kewal...ou apenas pelos lindos olhos azuis dele, como constatamos. Para garantir que aquela mulher tão superficial ficasse com o seu amigo, Kewal acaba tomando medidas tão drásticas quanto dolorosas. Já sobre a terceira Nimmi não vale muito a pena falar.

Aag é um filme muito bom, mas se "arrastava" tanto que fiquei cansada muitas vezes. Senti o peso dessa mesma lentidão em Awaara (1951), mas lá me cansou um pouco menos. Na verdade, achei os dois filmes bem parecidos, especialmente pelo tom dramático dado à cenas que seriam banais em filmes atuais: uma discussão com o pai, a mãe demonstrando carinho. O que me incomodou foi que não vi muita base para tanto amor por Nimmi: houve um momento em que Kewal disse que ela era a única que gostava dele do jeito como ele era, que não via apenas a aparência. Sério, de onde ele tirou isso? Eles só pareciam duas crianças normais brincando, não entendi nada. Por falar em crianças, fofo demais era o Shashi (irmão do Raj) pequenininho fazendo o papel de Kewal. Todo cheio de atitude.

Pesadas foram as cenas do Raj com a Nargis, de uma intensidade assustadora (exagerei?). Ela foi a mulher que mais apareceu no filme, e não esperava vê-la em uma espécie de papel negativo assim. Ela ser tão frívola foi uma surpresa na história. Aliás, digo "frívola" para os padrões das heroínas de filmes indianos (as que fazem sacrifícios eternamente), porque até entendo a atitude histérica que ela tomou depois das tais decisões drásticas do Kewal. Para mim, Nargis já era uma estrela em Aag. Tem uma espécie de olhar forte dela que já estava presente neste filme.

Bem, o filme é chato às vezes, então só arrisque quem tiver paciência. Não dá tanto sono quanto o Mahal (1949), que foi meu sonífero mor, mas também requer esforço. No geral, gostei do filme...e adorei a cena final. Eu deveria tê-lo visto na minha Semana Anos 40.

Coisa mais fofa


Parineeta, uma das adaptações do romance de Sarat Chandra Chattopdhyay, eu tinha interesse em ver por amar a versão de 2005, com Saif Ali Khan e Vidya Balan. No elenco da versão de 1953 estão Meena Kumari, Ashok Kumar, Asitbaran e Nasir Hussain.

O filme conta sobre Lalita (Meena Kumari) e Shekhar (Ashok Kumar), vizinhos que se conhecem desde a infância. Só não percebe o amor entre os dois quem não quer: a cumplicidade, o carinho e os ciúmes de um pelo outro são gritantes. A família de Shekhar é rica, a de Lalita não. Ela é órfã e mora com o tio (Nasir Hussain), que deve uma quantia em dinheiro ao pai de Shekhar. O pai de Shekhar é um homem rico, mas deseja para si a casa do vizinho. Ao mesmo tempo em que tudo isto acontece, Lalita tem de lidar com a família de Shekhar procurando uma noiva rica para ele e com Girin (Asit Baran), o adorável irmão da vizinha que está apaixonado por ela.

Para mim, a palavra para Parineeta é "encantador". Não conseguia evitar comparações com a versão mais recente, especialmente em relação ao casal principal. O que senti foi que, cada uma ao seu modo, tanto Meena Kumari quando Vidya Balan foram as Lalitas perfeitas, tanto que não imagino outras atrizes fazendo o mesmo papel nas duas versões. Já o Shekhar é um pouco mais difícil: ao mesmo tempo em que o Saif Ali Khan deixou o personagem mais marcante, Ashok Kumar o fez menos irritante. No fim, o importante é mesmo a Lalita...e sempre sinto isso nas personagens femininas dos filmes do Bimal Roy. Eles não seriam nada sem elas. Se formos pensar que nos anos 70 as heroínas tinham muito menos papel nos roteiros do que nos anos 50, dá para sentir que talvez algo tenha se perdido pelo caminho.


Apesar de comumente serem colocadas nos papéis das sofredoras que sempre se sacrificam, o que vejo no tipo de papel da Lalita é que a mulher é valorizada, sim. Não sei se eles queriam dizer que este o único papel possível para a mulher na sociedade, mas sei que em cada cena é mostrado o quão difícil é ser assim. *spoiler*  Há uma cena linda em Parineeta na qual Shekhar e Lalita se casam, mas não convencionalmente. Como ela coloca uma guirlanda nele e ele faz o mesmo com ela em um dia considerado auspicioso, eles aceitam que estão casados. Quando mais tarde os dois tem de se separar, Lalita não deixa de se considerar uma mulher casada, mesmo sabendo que Shekhar irá se casar com outra. As cenas em que ela está triste por tudo o que está acontecendo em sua vida mostram que ela é forte, sim, mas que isso é muito, muito difícil. É difícil ter a honra e o desprendimento da Lalita, tanto que o homem que ela amava não  as tinha. Casando ou não com outra, ela era a esposa de Shekhar. Se ele não tinha certeza das próprias crenças, pouco importava. Ela sabia muito bem quem era, e isto independia das ações dos outros. Não achem que eu preferia que ela fosse eternamente fiel a ele: por muito menos, eu já teria mandado o Shekhar ao inferno. Só que são culturas diferentes, e acho muito bom que ela tenha tido liberdade para permanecer firme na própria decisão. Viva Lalita! *fim do spoiler*


Sempre mostrando assuntos importantes para a sociedade, Bimal Roy o fez em Parineeta por meio do personagem de Girin, que pertencia à uma casta inferior à da família de Lalita. Quando ofendem Girin, o único que lhe estendeu a mão nos tempos de dificuldade, o tio de Lalita diz que o rapaz vale muito mais do que todos que estão ali e que prefere nem estar numa casta como aquela. Amo essa característica do Bimal Roy de fazer filmes comerciais que abordem questões sociais importantes, porque aí ele consegue fazer obras que se conectam com a nossa realidade e nos passam mensagens importantes, ao mesmo tempo em que não deixam de nos divertir e...sei lá, nos tiram um pouco daquele clima pesado do dia-a-dia. Imaginem que ele tivesse adaptado para o cinema uma história em que tudo o que acontecesse fosse uma luta social?Acho que teria sido muito menos interessante, e o Girin teria chamado muito menos a minha atenção se a única dimensão trabalhada dele fosse a do homem de casta inferior. Vê-lo se apaixonando, sendo gentil e bom foi o que fez com que também a minha indignação surgisse no momento em que ele foi ofendido. Ele era humano, oras. Também gosto de filmes que pesam mais no lado realista, mas essa mistura do real e do comercial me encanta mais porque me parece mais difícil de ser feita com sucesso. Esse assunto todo me faz lembrar do Aamir Khan, outro que sabe levar mensagens às massas.


Lembro pouco das músicas, mas uma que ficou comigo foi Chali Radhe Rani, cantada por Manna Dey. Num bom sentido, a voz do Manna Dey me deixa triste.


Espero que não tenha ficado claro apenas para mim o quanto gostei de Parineeta. E espero mais ainda que outras pessoas vejam não só este filme, mas qualquer um do Bimal Roy. Ah, e pela Meena também. Agora estou realmente gostando dela.


Até mais! ;)
Acabei de ver o Rajendra Kumar sofrendo por horas e horas. Isso não se faz.

:'(
Dirigido por Chetan Anand e estrelado por Dev Anand, Kalpana Kartik, Sheila Ramani e Johnny Walker, Taxi Driver é um filme que eu queria ver há tempos, desde que assisti ao clipe de Jaye To Jaye Kahan no Youtube. Por não ser uma época de filmes coloridos, às vezes me esqueço de como os anos 50 trouxeram filmes legais à Bollywood. 

O filme conta a história de Hero*, um taxista de Bombay ("Bombaim" é feio). Quando pega como passageiros dois homens e uma mulher, ele acaba por salvar a honra de Mala (Kalpana Kartik), que iria sofrer abuso por parte dos dois homens. Sem ninguém em Bombay e tendo ido para a cidade atrás do produtor musical Ratan Lal, Mala desperta a simpatia de Hero, que a leva para morar em sua casa. 

Direção segura, a gente vê por aqui.

A história básica do filme não apenas soa simples, como realmente o é. Achei o início até bonitinho, mas foi ficando lento e quase perdi o interesse na história. Hero andava por aí, Johnny Walker fazendo graça, a heroína da história tão fofa que me dava sono. Aí apareceu Sylvie (Sheila Ramani), uma cantora de bar que me fez pensar que eu finalmente teria meu momento Helen no filme (um dia explicarei o que é isto). Perdão para quem viu o filme e gostou, mas achei os musicais dela até meio chatinhos. Legal que comecei falando sobre como a época tinha bons filmes e estou bombardeando o pobre Taxi Driver. Meus pensamentos estão confusos, então vou falando de personagem por personagem. 

Sylvie não me convenceu muito com seu amor. Nos filmes quase sempre há a mocinha toda virginal apaixonada pelo cara e a super sensual que não merece tanta consideração quanto a mocinha virginal. Apesar da minha constante torcida pela mocinha virginal porque DÃ, ELA É A HEROÍNA E TEMOS DE TORCER POR ELA, costumo desenvolver um carinho pela mulher toda errada. Ela é sempre aquela apaixonada que nós sabemos que é dedicada ao herói até a morte, mas não ficará com ele...por isso sou solidária. Só que eu não senti solidariedade nenhuma pela Sylvie. Não fazia a menor ideia do que ela via no Hero, e o roteirista também não fez questão de me explicar. Lembro que no Muqaddar Ka Sikandar (1978), a cortesã Zohra era apaixonada pelo Sikandar por várias razões (ela tinha o vírus de Chandramukhi**) e mesmo com ele não a amando, eles passavam tanto tempo juntos que entendi de onde surgiu toda a afeição dela. O Hero não me pareceu nem ser um grande frequentador do bar de Sylvie, então não entendi nada. De todo modo, a Sheila Ramani era lindíssima e fazia valer a ação de ver seu rosto valer a pena (superficialidade pode servir para algo).

Mala era tão chatinha, gente. Religiosa, criou em Hero o costume de ler o Ramayana — achei fofo. Comecei a gostar muito dela quando a cunhada de Hero apareceu na casa dele, o que o pôs em desespero para esconder Mala. A ideia que ele teve foi vesti-la de homem, e para isto ele simplesmente cortou o cabelo da menina. Ainda tenho dúvidas sobre se realmente o cabelo dela foi cortado tão curto (a cena mostrou uma tesoura e tudo), mas as cenas clássicas que se seguem quando uma mulher é vestida de homem sempre me divertem. Ela até levou uns tapas de uns meninos que não a queriam se metendo no negócio de limpadores de carros, e tive que rir dela correndo. Lá para o final, eu estava achando o amor dela e de Hero muito bonitinho e torcia por eles. Esqueci de falar que ela era cantora.


Já o nosso herói Dev Anand foi o fofo de sempre (eu sei, frase boboca). Não sei se foi a surpresa de vê-lo parecer muito natural como taxista ou outra coisa, mas ficava feliz sempre que ele aparecia. Quando a Mala o deixou, ele ficou com uma expressão de abandono muito doce, fiquei até comovida. Ele teve uns momentos de luta, mas essas cenas nunca me impressionam muito (a não ser que sejam divertidas como as do Amar Akbar Anthony). Gostei de umas poucas cenas dele em que o Mastana (Johnny Walker) aparecia, porque tenho a impressão de que quanto mais antigo o filme, mais gosto do Johnny Walker nele. O Mastana era meio bêbado, mas o dono do bar disse que ele nunca tocou em álcool, só andava daquele jeito por estilo. Comecei a rir depois dessa, achei uma coisa tão nada a ver na história! Esses momentos estranhos são muito Johnny.


Olha, a  trilha não me impressionou muito (e é do S.D. Burman!!!!). Sou muito apaixonada pelas trilhas dos filmes antigos, então um "não me impressionou muito" que digo para elas significa muito mais do que se eu  dissesse o mesmo para uma trilha atual. Não achei ruim e nem sensacional, apenas não lembro de nada que não seja Jaye To Jaye Kahan, a que eu disse que me levou ao filme. Foi também com o clipe dela que me apaixonei pelo Dev Anand há vários meses, numa madrugada insone no Youtube.Não lembro se foi esta música ou Jalte Hain Jiske Liye do Sujata (1959) que me fez entrar num vício pela voz do Talat Mahmood...durou umas duas semanas, e eu ficava ouvindo as duas o dia inteiro. De todo modo, também foi legal ver no filme uma versão feminina de Jaye (...), desta vez cantada pela Lata (certas pessoas são tão citadas aqui que nem precisam mais de sobrenome). Não sei o que diz a letra da música, já que o filme não tinha músicas legendadas, mas vou ser sincera: chorei quando ela tocou (foi estranho). Droga, eu queria tanto ter lido as letras! Elas são do Sahir Ludhianvi, que escreveu as letras má-gi-cas do Kabhi Kabhie (1976), Laila Majnu (1979) e Pyaasa (1957). PYAASA! Odeio esses momentos em que sinto que só eu estou impressionada.

A praia onde nossa história começou, Dev  ♥ 

Acho o mar tão lindo em preto e branco.

A conclusão: para mim, Taxi Driver é um filme bonitinho e agradável para se passar o tempo. Nunca estive na Índia, mas sempre fico feliz quando vejo as cidades antigamente. Quando depois estou vendo os filmes atuais, fico tentando lembrar delas nos filmes antigos e comparar (sem sucesso, claro). Só mais uma fofoca informação: o Dev e a Kalpana são casados, e a Wikipedia dela diz que o casamento foi na época do filme. 

Perdão pelo post preguiçoso, mas não lembrava de muita coisa que tivesse chamado a minha atenção no filme. Então...até depois!

*no IMDB diz Mangal/Hero, mas o chamavam de Hero e assim o farei. 

**Vírus de Chandramukhi: muito comum entre cortesãs indianas, seus sintomas são desencadeados quando um homem trata uma cortesã de um modo diferente dos outros. Se um indivíduo rejeita uma cortesã porque não acha sua profissão digna ou a trata com o mesmo respeito que dispensa às mulheres "respeitáveis", a cortesã rapidamente é atacada pelo vírus. Os sintomas incluem vontade de largar a profissão, discursos emocionados sobre a infelicidade de ser cortesã, dedicação e amor instantâneos pelo homem que a rejeitou e disponibilidade para sacrificar-se em nome do amor. 

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"DEEWANEANDO"?

Devanear = divagar, imaginar, fantasiar. Deewani = louca, maluca. Deewaneando = pensar aleatória e loucamente sobre cinema indiano.

Meu nome é Carol e sou a maior bollynerd que você vai conhecer! O Deewaneando existe desde 2010 e guarda todo o meu amor pelo cinema indiano, especialmente Bollywood - o cinema hindi. Dos filmes antigos aos mais recentes, aqui e no Bollywoodcast, seguirei devaneando sobre Bollywood.

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