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E vamos continuar a falar de Nutan, que é bom? 

Anari é um filme que, só de lembrar, já me traz um sorriso ao rosto. Dirigido por Hrishikesh Mukherjee, tem no elenco Raj Kapoor, a nossa Nutan, Lalita Pawar, Motilal e Shubha Khote.


Oi de novo, Raj. Quanto tempo, não?  :)
A história é a seguinte: Raj Kumar (Raj Kapoor) é um bom rapaz que é pintor e está desempregado. Ele vive como inquilino na casa da Sra. D’sa (Lalita Pawar), uma senhora muito mal-humorada que vive brigando com Raj, mas o ama como a um filho. Raj Kumar conhece Aarti (Nutan) quando ela está fugindo de sua aula de etiqueta, e ela se apresenta a ele como Asha, empregada de uma família rica. A verdade é que Asha (Shubha Khote) é a criada de Aarti, que fingiu ser pobre e trabalhadora para que Raj Kumar a ajudasse a fugir. Aarti (ainda fingindo ser Asha) o convida para ir à sua casa pintar o retrato de sua “patroa”, apenas para poder dar seu próprio dinheiro a ele. Quando Raj Kumar recebe, dá o dinheiro à Aarti, para ajudar a mãe doente que ela havia dito ter. Aarti fica encantada com a bondade e honradez daquele homem, os dois passam mais tempo juntos e acabam por se apaixonar. Por outro lado, o tio de Aarti, Seth. Ramnath Sohanlal (Motilal) também conhece o caráter de Raj Kumar quando o rapaz lhe devolve uma carteira cheia de dinheiro. Ele emprega o rapaz em sua empresa e os dois mantém uma boa relação, até descobrir da relação entre ele e sua sobrinha.

Nutan olhando para cima e sorrindo
não é algo que vi muitas vezes :)
Este filme é um daqueles em que se você não está sorrindo com os lábios, o está com os olhos. Cada cena me fazia pensar na sorte que eu tinha por estar assistindo-o, mesmo que não estivesse acontecendo nada muito interessante no momento. Fosse o vento batendo nos cabelos da Nutan, os musicais mais doces do mundo, o Raj Kapoor com cara de bobo ou a Lalita Pawar fazendo uma de suas melhores personagens, eu só tinha motivos para ser feliz. E por falar na Lalita Pawar, a Sra. D’sa era cristã, enquanto Raj Kumar era hindu. Essa questão de múltiplas religiões sempre me faz lembrar do Amar Akbar Anthony, especialmente quando usam frases simples e meigas para falar do assunto, como aconteceu em Anari. Quando Raj Kumar lhe perguntou como seria possível uma mãe cristã ter um filho hindu, ela respondeu: “Seu bobo. Todos os Deuses são um só. É apenas o homem que O vê de diferentes formas. O seu pai o vê como um filho, seu filho o vê como um pai, sua esposa o vê como um marido... mas você é o mesmo, não é?”. Me pergunto quantas vezes já ouvi este tipo de discurso em filmes indianos, assim como me pergunto quando irei me cansar dele. 
Assim como ultrapassaram as diferenças religiosas ao construir sua relação, os dois também deixaram para lá os laços de sangue e tiveram uma linda relação mãe-filho. A Sra. D’sa gritava com Raj Kumar sobre o quanto ele não pagava seu aluguel, enquanto fingia que achava moedas no chão para dá-las ao rapaz. Bem legal era que ele soubesse de tudo isto, e em uma dessas cenas, achei engraçado eu fazer uma expressão de contentamento que ele também fez logo em seguida! Nunca havia gostado tanto da Lalita. 

A Lalita é tããão legal! :D
Raj Kapoor, gosto de você, mas isto aqui é uma semana Nutan e mal vejo a hora de falar dela! Já falei da leveza dela, checado. De como ela me faz amar personagens doces que teriam tudo para ser insuportáveis, checado. De como ela é uma flor de laranjeira, checado. Em Anari, ela apenas me provou que ela é tudo isto aí. E o casal foi infinitamente melhor do que eu poderia imaginar. Gosto de Raj sem Nargis!

Quero olhar para você o dia inteiro, Nutan. Quero uma Nutan de bolso, para a qual vou olhar quando estiver triste e instantaneamente me fará sorrir. Quando eu pegar minha Nutan de bolso, um vento começará a soprar e, quando der por mim, estarei andando de bicicleta em um lugar cheio de árvores e flores, num dia ensolarado. Todos deveriam ter uma Nutan de bolso.

Sendo linda
Sendo fofa

Sendo assustada (o que não exclui o "linda e o fofa")
Nutan fugindo da aula de etiqueta?
ESTA É A MINHA GAROTA! \o/
^^
Agora estou pronta para prestar atenção a você, Raj.

"AEEEEEEEEE!"
Ele estava tão, mas tão diferente. Ele estava... engraçadinho. Não é engraçadinho do tipo “deveria ter sido engraçado, porém não foi”, mas engraçadinho do tipo “era você mesmo que estava pondo fogo em meio mundo no Aag?”. Não vi muito do Raj ainda, mas com certeza, o pouco que vi não tinha toda aquela meiguice que vi neste filme. Era meio estranho o modo dele andar, com as pernas meio afastadas. Não entendi se ele andava assim mesmo, ou se foi para dar um clima palhaço... 

Havia uma questão super séria no filme envolvendo o tio da Aarti. A empresa dele fabricava remédios e uma das caixas que eles enviaram foi sem querer trocada por uma caixa de veneno (!). Depois disto, houve várias discussões entre os dirigentes dos negócios, que se importavam menos com o fato de que alguém morreria do que com o de que seus negócios seriam intensamente prejudicados se avisassem ao público sobre o acontecido. Não gosto muito quando pegam um determinado ator e dizem que todos os aspectos de uma obra são devidos a ele, como fazem com o Aamir Khan (deve ter gente que acha que ele dirigiu 3 Idiots). Mesmo assim, no momento em que essa discussão social começou, a primeira coisa em que pensei foi: “Agora sim, isso está parecendo coisa do Raj Kapoor!”. Ele nunca dá uma passadinha por cima dessas questões mais sérias; elas vão surgindo de leve e acabam desempenhando um papel fundamental no filme. No caso de Anari, a questão de como os poderosos pouco valorizavam a vida do outro começou a conduzir a história para um lado mais sombrio que foi bastante inesperado, dado o clima doce que reinava até então. Até mesmo a cena final teve um tom diferente do esperado: ficou mais séria, mais pesada. Gostei. Ainda assim, quando o filme terminou, o que pensei foi : "que fofo!". Não sei se isto é bom ou ruim. Será que a mensagem não me atingiu?


Mais uma trilha de Shankar-Jaikishan, dupla na qual só fui prestar atenção depois que comecei a escrever o blog. Eles parecem perfeitos nas trilhas de filmes doces como Suraj, Sangam, Chori Chori e o próprio Anari. Indico todos os vídeos, especialmente Ban Ke Panchhi (cantada por Lata Mangeshkar) para ver a Nutan em meio a natureza (como mais gosto dela), Nineteen Fifty Six para ver um clipe alegre com a Helen e todos, todos os outros! Fazem valer a pena cada minuto. 

E, com este filme tão adorável quanto a homenageada do momento, continuo a Semana Nutan. E vou ter um arquivo muito legal sobre ela, no final de tudo isto!
Antes de qualquer coisa, tenho que explicar melhor quem foi Nutan. Como foi sua carreira? Seus melhores filmes, os prêmios que ganhou, as críticas que recebeu? Eu poderia ter lido vários artigos na internet e montado um texto, mas além do tempo que eu gastaria fazendo isto, está o fato de a maioria dos textos que descrevem a carreira da Nutan serem parecidos. Deste modo, resolvi traduzir um deles. Escolhi o do site Upperstall porque estava no meu computador (ae!) e tinha as informações necessárias. O usuário que o escreveu foi TheThirdMan, e o artigo original está disponível neste link aqui.

Sempre acharei que poderia ter feito um trabalho melhor, especialmente em algumas frases muito longas. De todo modo, o texto adicionou vários filmes à minha lista de filmes a assistir. As fotos que coloquei estavam na pasta da Nutan que tenho no computador, retiradas do Google. 

Nutan foi, indubitavelmente, uma das maiores e mais expressivas atrizes que o cinema indiano já viu. Ela era aquela rara atriz que conseguia transmitir muito mais com apenas uma olhada, olhar fugaz ou um gesto do que a maioria dos atores conseguiam com grandes diálogos ao seu dispor. E deixando de lado a atuação, até mesmo a grande Lata Mangeshkar referiu-se a ela como a heroína cujas expressões mais se aproximaram de indicar que ela mesma estava verdadeiramente cantando a canção!

Nascida em 4 de junho de 1936, filha da famosa atriz Shobhana Samarth, Nutan cresceu cheia de complexos. Apesar de célebre por sua beleza posteriormente, na verdade ela era menosprezada por parentes insensíveis que a consideravam magricela e feia. Implacável, Shobana Samarth lançou-a como heroína em Hamari Beti (1950). Ambos Hum Log (1951) e Nagina (1951) revelaram-se populares e colocaram Nutan em seu caminho.


Ainda assim, foi somente em 1955 que ela finalmente conseguiu sua grande conquista e respeitabilidade como atriz por excelência com Seema, no qual interpretou uma delinqüente em um reformatório. Até então, nenhum de seus filmes havia oferecido à ela um papel de tanta profundidade e uma personagem tão finamente lapidada, e Nutan deu tudo o que tinha. Era o perfeito veículo de retorno para ela, já que havia também tirado uma licença para estudar no internato suíço La Chatelaine. Em Seema, Nutan nos dá vislumbres do que era uma atriz pensante. Foi uma atuação poderosa e rendeu à ela o prêmio Filmfare de Melhor Atriz.  Afora sua impressionante atuação, um destaque do filme foi a clássica canção Man Mohana. Perfeitamente interpretada por Lata Mangeshkar, a sincronia labial de Nutan para esta difícil canção e exata, e isto quando o vídeo da canção é feito com tomadas realmente longas! Toda mudança sutil no ritmo ou no tempo é suavemente registrada por Nutan, particularmente nas partes alaap (clique aqui) e esta canção foi de fato avaliada por Lata Mangeshkar como  a melhor sincronia labial dada a qualquer uma de suas músicas.
Subsequentemente, fossem as despreocupadas comédias Paying Guest (1957), ou Dilli Ka Thug (1958), onde interpretou como uma relexada desinibição comparável apenas à Madhubala ou Geeta Bali, ou o intenso Sujata (1959) de Bimal Roy, que trouxe o melhor nela como uma atriz séria, Nutan sempre foi incomparável. Em Sujata, Nutan representa o papel representa o papel da moça intocável com impressionante graça e rendeu à ela o seu segundo prêmio Filmfare de Melhor Atriz.

Em 1959, Nutan casou-se com o Tenente Comandante Naval Rajneesh Behl e fez uma curta pausa quando seu filho Mohnish nasceu. Ela fez um filme com seu marido, o criticamente reconhecido Soorat Aur Seerat (1962) e fez um forte retorno ao centro do cinema hindi com o Tere Ghar Ke Samne (1963) de Navketan, uma revigorante comédia romântica junto com Dev Anand, e a obra-prima de Bimal Roy, Bandini (1963), alardeada como possivelmente uma de suas maiores interpretações desde sempre e certamente uma das maiores interpretações do cinema indiano. O filme conta a história de uma prisioneira acusada de assassinato. Totalmente desprovida de emoções altamente carregadas e teatralidades, Nutan aparece como uma mulher quieta com suas paixões enfurecidas dentro de si, e faz seu papel com grande delicadeza e dignidade. Simplesmente tem-se que ver toda a gama de emoções passando por seu rosto na sequência-chave do filme, antes de ela assassinar a esposa do homem que ama. Foi uma performance magistral de uma artista suprema e ajudou-a a ganhar outro prêmio Filmfare de Melhor Atriz, seu terceiro.


Não liguem para a marca d'água.
A carreira de Nutan brilhou durante os anos 60 e 70 com fortes atuações em filmes como Milan (1967) – outro prêmio Filmfare de Melhor Atriz, apesar de ter-se dito que o papel não era tão desafiador quanto alguns dos que havia feito antes – Saraswatichandra (1968), Saudagar (1973) com a nascente estrela Amitabh Bachchan, Sajan Bina Suhagan (1978), Kasturi (1978) e Main Tulsi Tere Aangan Ki (1978). Ela carrega o último filme, competentemente dirigido por Raj Khosla, totalmente em seus ombros, mesmo que a simpatia ficasse com a amante (Asha Parekh) ao invés da esposa (Nutan). Foi mais uma performance ganhadora de prêmio para Nutan.

Contudo, gradualmente ela começou a ser colocada em papéis triviais de mãe, e exceto por Meri Jung (1985), nenhum de seus filmes posteriores não lhe ofereceram nem remotamente  nenhum desafio histriônico. Ainda assim, ela deu muita força e dignidade até mesmo aos seus papéis maternais e você nunca conseguiria encontrar defeito, mesmo que a maior parte dos filmes não fosse nada sobre os quais se valesse a pena escrever.

Mesmo que tenha continuado a atuar, sua fazenda, seus cantos de bhajan (na verdade, ela era abençoada com uma bela voz para cantar e fez seu próprio playback em Chabili (1960)),e sua busca por espiritualidade tomaram a maior parte de seu tempo. E quando morreu de câncer em 1991, o cinema indiano perdeu uma de suas maiores atrizes, tristemente, cedo demais.
Decidi fazer este especial sobre a Nutan porque cheguei ao blog Let’s Talk About Bollywood e lá é dedicado à Nutan o mesmo amor que tenho pela Waheeda Rehman. Fiquei olhando para todas aquelas fotos, lembrando de como esta atriz me faz bem e, desde então, não consegui sair da Nutan mania. Além disto, é raro haver espaços em português que discutam os filmes e atores indianos de antigamente, então ao menos às vezes tenho de fazer um esforço para encontrar e apresentar informações sobre eles. É ainda mais interessante que eu fale sobre a Nutan, já que é uma das atrizes com menos informações disponíveis online (ao menos onde procuro).

A Nutan nasceu em 1936 e faleceu em 1991 (ano do meu nascimento), vítima de um câncer. O primeiro filme que vi dela foi Tere Ghar Ke Samne (1963), que é ótimo, mas não muito marcante. O segundo me mostrou o porquê de a amarem tanto: Sujata, de um dos meus diretores favoritos, Bimal Roy. Nutan tinha um modo tranqüilo de atuar, li em vários textos na internet que a intensidade de seus olhos é muito apreciada. Neste aqui, é dito que ela não precisava gritar ou ter grandes diálogos para expressar suas emoções. É bem isto mesmo. É engraçado que uma atriz com um modo de atuar tão peculiar dentre as outras atrizes indianas tenha sido tão elogiada. Acredito que ela mereça este reconhecimento, e muito. 

O porquê do "flor de laranjeira"? Apenas porque lembro da Nutan quando vejo uma. Tão suave quanto.


Nutan, a recordista de Filmfares e tia da também linda e fofa Kajol. Quero falar sobre a Nutan que amo, a flor de laranjeira. Meu ventinho do fim de tarde, aquela que me traz um leve e sincero sorriso. Espero que quem passar por aqui consiga sentir o encantamento que ela proporciona.

Estão prontos para a pessoa mais adorável de todos os tempos?
Tudo o que eu queria quando assisti a Main Bhi Ladki Hoon era ver um filme dos anos 60. Tive uma experiência até engraçada com ele, analisemos.

Resumo do filme:

O diretor é A.C. Trilogchander, que conheço desde...bem, agora. Os papéis principais ficaram com Meena Kumari e Dharmendra, casal que nunca havia imaginado. A história é mais ou menos a seguinte: Ram (Dharmendra) é um pintor que acha a beleza física mais importante que tudo. Seu malvado tio (Om Prakash) diz que encontrou uma linda noiva para o sobrinho, mas na verdade planeja casá-lo com a irmã da moça: Rajni (Meena Kumari), que é analfabeta, tem pele escura e é feia. O pobre Ram só descobre a verdade sobre sua noiva na hora do casamento, quando decide se casar para não desgraçar a vida de Rajni. A pobre mulher acredita que finalmente teve sorte, já que encontrou um noivo bonito e bom, mas ainda tem que enfrentar a resistência de seu sogro ao casamento. O sogrão chato queria uma nora que fosse tão bela quanto sua falecida esposa, já que nunca superou a morte desta. Enfim, não há nada de muito diferente na história.


O que vocês acham que aconteceu? Sofrimento, uhul! A coitada da Rajni passou o filme todo mostrando às pessoas como sua aparência e falta de instrução ficavam ofuscadas diante da bondade de seu coração. Eu já havia ouvido falar sobre a Meena Kumari ser a rainha do drama na antiga Bollywood, e realmente entendi o título agora. Ela não se impõe em momento algum, só curva a cabeça frente a todo o preconceito e fica se perguntando o porquê de ter nascido. Não, não! Isto é um filme da Meena Kumari, ela não se pergunta simplesmente  o porquê de ter nascido assim, mas sim o [PORQUÊÊÊÊÊÊ + lágrimas] de ter nascido assim.

Manorama e a pintura de criança mais feia de todos os tempos :D
No meio dessa mesmice, gostei de ver a Rajni conquistando o amor, o respeito e a confiança de seu sogro com paciência. No início do filme, Rajni o ouviu dizer que a falecida esposa usava uns anéis (ou algo do gênero) nos dedos dos pés, e que se ouvia sua chegada por toda a casa. A moça foi imitá-la e o sogro fez um grande escândalo, já que aquela criatura amargurada só se animava a abrir a boca para reclamar. Quando já estavam bem, o fato de ele ter pedido para ela usar os anéis outra vez foi a cena mais significativa da aproximação nora-sogro. Não digo que foi uma linda cena, mas foi legal. Depois ele a acusou de estar tendo um caso com seu filho mais novo (que apenas a estava ensinando a ler), mas já que o texto é curto, fiquemos com o que havia de bom.

A moça com quem ele se casaria,
o tio malvado e o paizão chato.
A pior coisa do filme era o personagem do Dharmendra. O Ram era um amor de pessoa e estava se dando bem com a Rajni, mas só faltou bater nela ao descobrir que era analfabeta (e ela chorooooou). Gente, ele até gritou "minha vida foi arruinada!", aí perdeu toda a moral comigo. *Hora do spoiler: ela estava grávida e a briga foi tão tensa que acabou perdendo o bebê. Adivinhem o que fez depois? Acertou quem respondeu que chorooooou, gritou que já deveria ter morrido e ficou se culpando pela morte do bebê. E depois, quando a esposa estava sofrendo devido ao aborto, o lindo foi viajar. Grrrrrr! *fim*

Não sei nem mais o que dizer deste filme. É apenas este drama eterno, mais nada. O pior foi que ele nem me incomodou, achei até agradável ver o chororô da Meena. Ver um filme estando de bom-humor faz toda a diferença, jamais esqueçam. Vou terminar com duas indicações de vídeo: Chanda Se Hoga Wo Pyaara (P.B. Sreenivas & Lata), porque achei meigo o casal cantando para o futuro filho, e Krishna, O Kale Krishna (Lata Mangeshkar) para vocês verem um dos momentos em que a Meena choroooooooou! Brincadeira, a música é muito bonita. Até depois!


Ps: juro que lembro de uma cena em que o indivíduo abaixo disse ter 14 anos.


São 23:23 agora (que legal!) e comecei a cantar uma musiquinha do Kala Bazaar, o que me fez pensar na Waheeda, o que me fez pensar no quanto ela é linda. Sendo assim, vejamos sete Waheedas que me  fizeram feliz enquanto via clipes:

1) Waheeda Fofa: pulando e correndo pela praia no Kala Bazaar:


2) Waheeda Deprê: sofrendo pelo amor perdido em Sahib Bibi Aur Ghulam:


3) Waheeda Religiosa: cantando num templo em Neel Kamal:


4) Waheeda Do Filme Se Encontra Com Waheeda Real: sentindo a distância entre ela e Guru Dutt em Kaagaz Ke Phool:


5) Waheeda Livre: encontrando sua voz e percebendo sua vez em Guide. Este é um dos meus eternos favoritos:


6) Waheeda Mãe: sofrendo a dor da perda do filho mais lindo de todos em Rang De Basanti:


7) Waheeda Apaixonada: olhos amorosos para o  Manoj Kumar na noite enluarada de Patthar Ke Sanam:



Ela é a mais bonita.


Eu tinha dois motivos para estar ansiosa por Luv Ka The End. O principal era que eu estava num momento de tensão com o cinema indiano, já que não agüentava mais ver aquelas mulheres-deusas-que-se-sacrificam nos filmes, especialmente depois de ver a Nutan se sacrificando pelo milésimo filme seguido. Quando vi o trailer de LKTE, estava com sede de sangue, cliquem aqui para entender. Bem mais tarde, descobri que a Yash Raj Films, uma das produtoras mais tradicionais de Bollywood, estava lançando uma subsidiária para a produção de filmes com promoção de novos talentos, a Y-Films. A YRF é meio arcaica e andava amargando fracasso atrás de fracasso, então fiquei curiosa para saber qual era a dessa novidade toda. 

A história é a seguinte: Rhea (Shradda Kapoor) namora Luv (Taaha Shah), com quem planeja perder a virgindade em seu aniversário de 18 anos. No dia do aniversário, descobre que ele não apenas a trai, como também participa de um clube online de jovens bilionários que fazem uma competição anual de conquistas. Os participantes ganham pontos por cada conquista amorosa realizada, divulgando fotos e vídeos no site. Luv estava com o maior número de pontos no ano em questão, e faltava pouco para que o 2º lugar o alcançasse. Para ganhar um grande número de pontos e estabelecer vantagem, é necessário apresentar provas da conquista mais valiosa no site: uma virgem tímida e recatada. A presa da vez é nossa Rhea, que fica enraivecida ao descobrir a verdade e com a ajuda de suas melhores amigas, decide se vingar de Luv na noite de seu aniversário. 



Opa, deu para notar a enxurrada de novidades? Perder a virgindade e vingança feminina é a última coisa que vem à minha cabeça quando penso em um filme da YRJ: eles nos deram Dilwale Dulhania Le Jayenge! O que me pareceu é que a necessidade de conexão com o público jovem urbano é muito grande, mas pesaram a mão no filme, que ficou muito estereotipado. Na busca desse público, fizeram um filme adolescente americano típico. Não me refiro às roupas dos personagens ou a falarem inglês vez ou outra, já estou acostumada com isto. Falo do fato de o filme lembrar o Todas Contra John (que nunca vi), de não ter nada que parecesse diferente. Não sei se é isto o que quer a juventude indiana, mas achei fraco demais para a estréia de uma produtora. Minha sensação foi que meu interesse pela Y-Films não duraria nem até o intervalo. 

O "GO FUCK YOURSELF" que ela grita
me deixou atraída pelo filme!
Poderiam ter tido mais cuidado com as cenas. Na cena em que estava descobrindo toda a traição, Rhea saiu correndo para chorar, e uns 10 minutos depois, já estava fazendo aquela cena tradicional de olhar para a tela e jurar vingança. Como é que conseguiram passar tão pouca firmeza em uma cena tão clássica? Adoro este tipo de cena e não canso dela, mesmo já a tendo visto em tantos filmes. Já estava ruim quando a Shradda (como se pronuncia isto?) estava chorando e não saiu nenhuma lágrima, mas a tal cena foi pior porque deveria ter dado o tom de “ARRASA, GAROTA!” para o resto do filme. Taaha Shah também não fez muito melhor, mas convenhamos que o rapaz não teve muitas cenas boas para fazer grande coisa. O indivíduo até teve que fazer cena em que se coçava porque as meninas puseram pó-de-mico em sua cueca (jura que chamam isso de novo?). Comentei que ele teve de se vestir de mulher? Até que o garoto mandou bem. O nome do clipe em que a magia acontece é  Mutton, e foi promovido como a nova Munni, melhor que a Sheila, algo assim (vejam o post do Tees Maar Khan). Não tem tanta graça quanto queriam fazer ter, mas poderia ser pior. Ruim é a música, ou melhor, as músicas. A única de que gostei foi F.U.N. Fun Fanaa, mas foi mais por ser engraçadinha e por o clipe ter a participação de um cantor que eu não esperava ver. Cliquem se quiserem saber, mas saibam que é a surpresa do fim do filme (minha mente emocionada achou que o Shahrukh Khan apareceria). Aliás, a coisa foi tão óbvia o tempo todo que eu sabia o que o cantor iria fazer na história. 

Eu e meu eterno fascínio por nerds de óculos .-.




Nem tudo foi ruim, minha gente. Gostei das duas amigas de Rhea, especialmente da Jugs (Pushtiie Shakti). Outra coisa muito legal foram os créditos de abertura, em que os atores fizeram uma montagem usando muitas camisas diferentes, o que deve ter dado trabalho. Lembrei do Tees Maar Khan pelo fato de que eu apreciaria mais momentos se as pessoas gritassem menos... e cortassem aquela cena final ridícula. 

É claro que não gostei do filme, e a expectativa que eu tinha em relação a ele fez a queda do cavalo ser mais intensa. Não precisava tanta obviedade e falta de conteúdo (ou presença de conteúdo ruim, vai saber) para fazer um filme jovem. Sempre usarei três palavras como prova de que é possível fazer um filme indiano simples, inovador, jovem, urbano e lindo: Wake Up Sid. Depois dele, meus padrões para filmes de diretores estreantes aumentaram muito. Sendo assim, senhor Bumpy  — sim, este é o nome da criatura que dirigiu isto —, façamos um pouquinho mais de esforço na hora de gastar um orçamento. 

Até a próxima, e pisem com cuidado no terreno da pequena Y-Films. E vejam Wake Up Sid.
O Especial Katrina Kaif só terminou porque encontrei o início deste texto no meu computador e lembrar do filme me fez ter muita vontade de terminá-lo. Porém, ainda faremos (Isa, isto é uma ordem) um post sobre a Katrina, explicando o porquê do especial e contendo algumas das nossas impressões sobre a Kat.

Quem já assistiu a Welcome To Sajjanpur (2008) lembrará dele ao assistir Well Done Abba. Ambos os filmes se passam em aldeias, contam com um elenco sem grandes estrelas, são do diretor Shyam Benegal e tem uma mistura muito gostosa de comédia e denúncia social. 

Apesar de não ter Shreyas Talpades, que fez a minha alegria em Sajjanpur, o papel principal de Well Done Abba ficou com um dos atores indianos mais talentosos que conheço: Boman Irani. A história começa com Armaan Ali (Boman Irani), que trabalha como motorista particular, implorando ao seu chefe para poder voltar ao emprego. Ao que parece, ele pediu uma licença para resolver alguns problemas pessoais na pequena aldeia onde mora sua filha, Muskan (Minissha Lamba), juntamente com seu irmão gêmeo, Rehman Ali (Boman²!) e sua cunhada, Salma Ali (Ila Arun). O problema é que Armaan só voltou meses depois, e seu chefe, como qualquer empregador normal, não quer aceitá-lo de volta. Ainda assim, o chefe legal dá uma chance a Armaan para contar tudo o que aconteceu enquanto dirige seu carro durante uma viagem. Armaan diz que caiu num poço, e é este poço que vai guiar toda a história. 




A aldeia tem na falta de água uma de suas características mais marcantes, o que estimula Armaan a participar de um programa do governo por meio do qual se constroem poços para cidadãos abaixo da linha da pobreza. O dinheiro mal sobre para Armaan no fim do mês, mas isto não é considerado ser pobre! Para ser realmente pobre, você basicamente tem de provar que não tem o que comer (alguém nota semelhanças com o Brasil?). E, segundo o funcionário do governo, Armaan está parecendo até bem alimentado e...nossa, o relógio dele é tão bonito! Que tal oferecê-lo sem intenção alguma ao funcionário? Depois, que tal ter de pagar uma parte do dinheiro que receberá pela construção do poço, para finalmente ser colocado abaixo da linha da pobreza — afinal, como diz outro funcionário, “atualmente, todos querem estar abaixo da linha da pobreza, porque estar abaixo dela tem benefícios” —? Não nos esqueçamos de que o engenheiro também quer uma parte. Ah, também sempre se deve agradar ao fotógrafo super entendido de montagens (não que isto influencie em algo, claro), que deve fotografar o poço em andamento para que o governo libere as verbas para as fases seguintes da construção. Oba, todos felizes! 


Chega o momento em que Armaan está infeliz porque ele tem todos os documentos comprovando que há um poço em suas terras, cartas dos líderes da aldeia falando sobre o quão fresca é a sua água e até mesmo as fotos do tal poço, mas...bem, ele não vê poço nenhum no seu quintal. É aí que Muskan surge com o momento de genialidade mil do filme ao prestar uma queixa à polícia, já que roubaram seu poço! Não está tudo comprovado, mas o poço não aparece no quintal? Então, bem, ele só pode ter sido roubado. Armaan, Muskan e Arif Ali (Sammir Dattani) unem todas as pessoas pobres das redondezas que também tiveram seus poços “roubados” para fazerem um grande movimento pela exigência dos poços. Acho que esta foi uma das partes de que mais gostei: a união de todos aqueles que foram tiveram seus poços roubados de pouco em pouco. A imprensa chega, uma grande atenção é dada a questão devido ao fato de as eleições estarem próximas e é claro que o governo, que sempre atende aos pobres com tanto zelo, carinho e consideração, tenta resolver a questão. 




Tenho um certo medo da Ila Arun.
Normalmente tento fazer uma sinopse rápida dos filmes e depois ir jogando as opiniões e observações conforme forem surgindo, mas com Well Done Abba, minha vontade mais forte é de ir contando o filme todo, porque só a história já faz o esforço de escrever valer a pena. Não consigo pensar muito no que indicar: tudo é legal! Para quem já conhece o trabalho do Boman Irani, ele não precisa de apresentações, mas para quem não conhece, digo que o homem é um fenômeno. Não é que ele tenha uma atuação arrebatadora, mas o vejo como aquele ator que prende você do início ao fim do filme. O que me divertiu nele neste filme foram as expressões de cinismo que fazia quando estava sendo claramente roubado pelos funcionários do governo: sabem quando a gente está há horas numa fila de banco aqui no Brasil, e de repente vê uma pessoa que vai avançando lentamente pelos cantinhos, daí chega e pede (bem baixinho, claro) para uma pessoa mais a frente pagar suas contas junto com as dela, já que ela tem que fazer uma coisa urgente? Então, a pessoa olha em volta com aquela carinha cínica procurando quase uma aprovação, a expressão mais pura do jeitinho brasileiro? O que resta a fazer àqueles que não são de reclamar é olhar para o engraçadinho com uma cara semelhante a esta: 


Outra de quem gostei muito foi a Minissha Lamba, que faz a filha inteligente e ousada de Armaan. Estava comentando dia desses que gosto dela desde Bachna Ae Haseeno, há algo em sua expressão que me agrada. Acredito que é por tudo nela me parecer muito simples: do visual (não é linda e nem feia, só bonita) à própria atuação (apesar de eu não poder falar muito sobre isso, acho que só vi dois filmes seus). A história de amor da Muskan com o Arif Ali é adorável e me fazia ficar dando aqueles sorrisinhos bobos que às vezes damos quando ficamos com o coração aquecido por pouca coisa, porém não vou falar dela por já ter contado quase o filme inteiro no post. Se alguém decidir vir o filme ou já o tiver visto, decida se sou boba ou muito boba. 

O filme também fala bem rapidamente sobre casamento arranjado, nada muito aprofundado. Gostei de ver tudo enrolado na comédia; o irmão do Armaan era um vigarista de cabelo estranho, que roubava e aplicava golpes no povo todo (inclusive, Muskan e Arif só se conhecem porque o tio Rehman deu um golpe no pai do moço). Desde que assisti a Peepli Live (2010), notei que questões sociais abordadas em filmes me afetam por mais tempo se o filme tem um pouco de comédia. Talvez seja porque levamos a vida assim por aqui, não? Sem querer estimular o estereótipo do brasileiro feliz, se (eu) a gente não rir um pouco no meio de tudo pelo que passamos neste país, não dá para levar a (minha) vida adiante. Há umas semanas mesmo, minha mãe e eu estávamos impressionadas com uma notícia seríssima que passava no telejornal, quando começamos a rir alto do nome do bandido. É assim que elaboro as coisas. 


Ele é bonitinho³ e esses créditos são fofos demais! 

Quebrando outra tradição dos posts, também não falarei da trilha sonora do filme, simplesmente por não me lembrar de música alguma (e isto quer dizer algo!). Quero terminar tendo dito somente o que sentia vontade de dizer do modo mais sincero e simples possível, já que me pareceu que o próprio filme fez isto. Sendo assim, até a próxima e não esqueçam de que existem pequenas pérolas como esta em Bollywood, esperando por um espectador desavisado para surpreender sem fazer alarde.
→ Especial Katrina Kaif - Post 3 (demoro, mas não desisto)

Nunca coloco posters, mas esta foto é linda!

Dos últimos filmes que assisti da Katrina Kaif, este foi o que mais me surpreendeu — positivamente! Assim como no Ajab Prem Ki Ghazab Kahani, neste filme ela faz uma estrangeira, o que a deixou muito confortável no papel. O filme conta a história de Jasmeet (Kat), uma filha de indianos criada em Londres. Jazz, como prefere ser chamada, tenta lidar com seu estilo de vida moderno e as pressões dos pais para que se comporte como a típica boa moça indiana, casando-se com um bom rapaz indiano. Ela quer se casar com Charlie Brown (Clive Standen), um playboy infantil que já se casou duas vezes. Com a desculpa de levá-la para conhecer a terra de sua família, os pais de Jazz a levam à Índia para apresentá-la a pretendentes. Nos belos campos do Punjab, Jazz conhece sua (numerosa) família e Arjun (Akshay Kumar), filho de um amigo de seu pai, Manmohan (Rishi Kapooooooor!). Arjun diz estar apaixonado por ela desde a primeira vez em que a vê.


Galerinha do meu éssedois, agora vou contar uma coisa que é essencial para a história do filme. Encaro-a como um spoiler dos maiores, não gostaria que me dissessem caso eu ainda não o tivesse assistido. Avisados? Continuemos.

Jazz concorda em se casar, para a alegria de todos. Ela diz a Arjun que quer esperar chegarem em Londres para terem sua primeira noite, mas ele nem imagina que ela só estava ganhando tempo para poder voltar para casa. Ao chegar lá, ela diz que dar sete voltas em torno de um fogo sagrado não fazem duas pessoas serem casadas, pelo menos não perante as leis inglesas. Sendo assim, ela está solteira e pode muito bem se casar com Charlie. Mesmo destruído, Arjun decide que irá conquistá-la ao demonstrar todo o seu amor. E começa a batalha!

Acho sensacional quando abordam essa questão do conflito cultural na dimensão da vida cotidiana, mas algumas coisas em relação a isto me incomodaram em Namastey London. Não gostei do modo como o pai dela quis forçá-la a aceitar elementos culturais que ele obviamente não soube cultivar na filha, e nem do modo como ela desrespeitou o que duas famílias aceitavam como sendo casamento. Quando os dois lados erram de modo tão forte, ninguém acaba ficando com a razão e só sobra o sofrimento (momento filósofa de Orkut). Saindo de como estou pensando no filme depois de muito ter refletido sobre, e pensando na reação imediata que tive aos acontecimentos, lembro que a primeira palavra que me veio à cabeça quando Jazz fez tudo aquilo foi "vaca'' (perdão por baixar o nível). Tenho certeza de que minha indignação veio muito pelo papel do Arjun. Mesmo que tivesse cara de idiota nas primeiras cenas, cada poro daquele personagem gritava que ele não só queria se casar, como acreditava que uma união deveria durar para sempre. Aí você vê a menina dizer para ele que considerava como nada aquilo que ele via como sendo tudo...ah, não tem como não sentir raiva. Voltando para as minhas ideias pós-mil reflexões, o Seu Manmohan foi muito injusto com a filha ao levá-la para a Índia sem prepará-la para a situação de um possível casamento. É bem difícil lidar com esse tipo de pessoa que toma decisões muito importantes sobre as vidas alheias sem consultar os afetados, como o Aman de Kal Ho Naa Ho.

Ainda pensando no conflito cultural, um certo clima de "os indianos são os melhores do mundo" estava meio estabelecido no filme, e também não gostei muito disto. A cultura indiana mais tradicional é uma coisa que em muitos aspectos é oposta a tudo o que quero para a minha vida, mas nem por isso deixo de ver as coisas legais que ela traz. No Namastey, as coisas ruins da vida da Jazz acontecem quando está com os ocidentais: ela bebe quando está com eles, eles são os imorais que aprovam sexo antes do casamento, eles não sabem o que é amor. Quando começa a andar com os indianos, Jazz vê a luz. Amigos indianos, seria legal vocês começarem a deixar os ingleses na deles, não? Vocês são muito legais, não precisam reforçar isto o tempo todo. Sério.

Para não ser injusta, teve uma história paralela mostrando que os ingleses também amam: Imran (Upen Patel) namora uma moça inglesa, Susan (Tiffany Mulheron). Mais spoiler, pessoas: eles desejavam se casar, mas os pais dela queriam que ela se casasse apenas com um cristão. Imran aceita se converter e até mesmo mudar seu nome, mas passa por um processo de transformação de sua identidade durante o filme, terminando por não mudar para agradar a ninguém. Surpreendentemente, Susan o acompanha. Ah, fiquei feliz. Ocidentais também são legais, eu falei!

Proibida do Funk

E o amor do Arjun? A coisa mais fofa do mundo. Ele que atuava como o verdadeiro representante indiano em Londres, sendo responsável tanto pela mudança de atitude de Jazz, tanto quanto pela do Imran. Estou para ver Akshay Kumar sofrendo tanto em um filme, ainda mais por amor. Sabem o que é ficar parado olhando enquanto a mulher que você ama e chama de esposa está noivando com outro? É, também não sei, mas a expressão do Arjun no momento me fez entender que não é uma situação muito feliz. De todo modo, tudo o que ele fez para que a Jazz se apaixonasse por ele foi ficar lá sendo ele mesmo, ou seja: fazendo altos discursos sobre amor e honra. Aliás, teve um discurso enorme que ele fez para um inglês que desprezava indianos e...ah, a questão histórico-cultural de novo. Quem viveu a colonização e assistiu a este filme deve ter saído com a alma lavada.

Esta é a expressão de sofrimento do Arjun
E sim, você está vendo uma argolinha!

Barbie
Enrolei, reclamei e não deixei claro porque gosto tanto deste filme. O fator principal é a simplicidade que se vê por todos os lados, principalmente nos musicais. Não há nenhum grande cenário ou participação especial, são as músicas com umas coreografias bem chatinhas e pronto. Esta simplicidade também se estendeu a um Akshay Kumar não-gritante ao qual eu não estava habituada. Gostei demais dele neste filme, mas por favor, não saiam por aí falando sobre o quanto a Carol elogiou o trabalho do Akshay e blá blá blá. Ele não fez nada muito marcante, mas também não foi decepcionante. Tinha um trabalho e o fez. A Katrina também foi assim, realmente gostei dela. Muitas vezes, há o filme certo para o momento certo, e foi assim com este. Eu estava muito ansiosa para vê-lo no dia, sem ter motivo algum. Estava tranquila e não queria nada muito arrebatador, mas também não queria que passasse em branco. Foi o que tive e fiquei feliz por várias horas seguidas. Não saber bem do que se tratava o filme também me ajudou bastante ; achei que seria mais um festival de palhaçadas by Akki & Kat Kéf.


Ok, a trilha sonora. Nada especial, tanto que não me lembro de uma única música. Estou lendo aqui que o Himesh Reshammiya cantou a maioria das músicas, e isto é bem explicativo: raramente me lembro de coisas cantadas por ele. De verdade! Tenho até que ficar olhando o nome do cantor quando toca algo dele. 

Apesar de não lembrar das músicas, as imagens de um clipe ficaram na minha cabeça. O clipe é Rafta Rafta, e lembro dele porque dois banners do blog tem imagens dele e porque amo-adoro-venero coisas do Punjab. Nem precisa ser super punjabi, pode ser aquele Punjab paraguaio que Bollywood tanto adora, com gente falando em hindi, gritando, usando turbantes e dançando num campinho qualquer em Mumbai. Se tem as cores e se fala que é o Punjab, já começo a sorrir e dançar junto!



Agora, aquelas informações bonitas que costumo dar no início, mas para as quais estava sem paciência antes: o filme foi dirigido por Vipul Amrutlal Shah, que não parece ter feito nada de muito especial nessa vida bandida. O clima nacionalista do filme é um pouco influenciado pelo Purab Aur Paschim, um dos filmes nacionalistas do Manoj Kumar (por quem sinto uma certa atração). Lembro até de ter tentado vê-lo para fazer um paralelo aqui, mas não consigo este filme de jeito algum. Se alguém for legal e souber onde posso achar, vai me fazer feliz. Bom, se eu for depender da ajuda de vocês para ver Purab Aur Paschim como dependia para ver o Amar Akbar Anthony, é mais fácil já cortá-lo da lista de filmes a ver até o fim da vida.

Tem uma curiosidade sobre minha relação com o filme que nem contei. Já havia ouvido falar dele, mas nunca tinha pensando em baixá-lo. No ano passado, eu estava na mostra de cinema indiano aqui do Rio esperando para ver Lage Raho Munna Bhai, e sem querer, antes do filme começou a passar o trailer que vinha no DVD. Como imaginam, o trailer era do Namastey London, e o filme não é nada do que parecia na hora! Só lembro que as pessoas se divertiram muito com as cenas do trailer e riram alto quando o nome do filme apareceu. Fiquei mais curiosa com o filme deste aquilo.

Eu já ia terminar o post sem dizer o que eu mais queria: amo o Rishi Kapoor. Ele pode ser o pai irritante da inglesinha mimada, ou o que quer que seja: continuo amando-o e achando-o o máximo. Não precisam comentar a minha estranheza.

O bom deste aqui é que ninguém
quer competir comigo por ele ♥

Agora, sim: até depois! :D

Ps: sei lá se vocês percebem, mas as fotos das nossas postagens costumam ser prints que nós mesmas tiramos. Neste e no penúltimo post, as fotos foram tiradas do Google porque os formatos dos arquivos de vídeo dos filmes não são lidos pelo programa que utilizamos para tirar os prints :/
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"DEEWANEANDO"?

Devanear = divagar, imaginar, fantasiar. Deewani = louca, maluca. Deewaneando = pensar aleatória e loucamente sobre cinema indiano.

Meu nome é Carol e sou a maior bollynerd que você vai conhecer! O Deewaneando existe desde 2010 e guarda todo o meu amor pelo cinema indiano, especialmente Bollywood - o cinema hindi. Dos filmes antigos aos mais recentes, aqui e no Bollywoodcast, seguirei devaneando sobre Bollywood.

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