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Continuação do artigo em que amigos e familiares falam sobre a Nutan, publicado na revista Filmfare de 17 de março de 2010. Artigo de autoria de Meera Joshi, disponibilizado no blog do bollywooddeewana  e tradução totalmente vidalok livre feita por mim. A primeira parte está aqui.

Esta parte contém um dos quadrinhos que apareciam durante o artigo, com depoimentos de seus três irmãos. Eu havia colocado os três depoimentos em apenas um post, porém ficou muito extenso e preferi colocá-los em posts diferentes. Vamos ao primeiro!



Jaydeep Samarth (irmão)

‘’Ela comprou um carro vermelho para mim’’

O único filho da família Samarth, Jaydeep é o mais reticente dos irmãos. Até então, ele nunca havia falado sobre a irmã estrela. Apesar de ceder desta vez, ele não é muito acessível quando diz: ‘’Fui mandado para o internato na idade de 4 anos e meio, então minha interação com todas as minhas três irmãs era mínima. Nos encontrávamos apenas quando eu ia para casa de férias. Nossas férias eram limitadas a Lonavala, que então era uma intocada estação na colina.

O intervalo de idade entre minha irmã mais velha e eu era de 13 anos, então eu era mais próximo das minhas outras irmãs, que tinham idades próximas à minha. Então, ela se casou quando eu tinha uns 10 anos. Mas tenho algumas boas memórias dela. Ela era uma das poucas pessoas da minha família que escrevia para mim regularmente. Receber uma carta no internato era uma grande coisa para nós. Eu costumava aguardar por qualquer carta de casa, e nós as respondíamos uma vez por semana.

Quando crianças, costumávamos ir ao clube CCI para nadar e uma vez, no caminho nossa mãe nos comprou um projetor de 8mm para assistirmos aos filmes mudos de O Gordo e O Magro em casa. O próximo passo foi comprar uma câmera para que também pudéssemos fazer filmes caseiros. Minha irmã trazia a câmera junto e nos filmava enquanto nadávamos.

Quando foi à Suíça pela primeira vez, eu tinha acabado de assistir Ou Vai Ou Racha( Hollywood Or Bust), no qual Dean Martin e Jerry Lewis ganham um carro vermelho na loteria. Eu amava aquele carro, já que era um conversível. Enquanto estava indo, ela me perguntou o que eu queria. Disse à ela que queria o carro vermelho do filme e ela assentiu. Poucos meses depois, ela voltou. Perguntei se ela havia trazido, e ela disse que sim. Estava ansiosamente esperando para vê-lo chegar quando, enquanto ela desfazia as malas, um pequeno e vermelho carro de brinquedo saiu de sua mala. Esta era a extensão em que ela podia realizar meu desejo, mas o importante é que ela se lembrou. Eu estava muito contente com ele, porque tinha marchas e ia para trás e para frente, o que é uma grande coisa para um garotinho.’’

O irmão também se recorda de acompanhar Nutan à premiere de Bandini. ‘’Toda a família estava lá e todos nós estávamos berrando. Ela estava deveras entretida e disse, ’O que há de errado com todos vocês, estou sentada bem aqui ao lado de vocês,’ ‘’ ele ri. ‘’Ela nunca foi uma estrela para nós. Uma coisa que minha mãe ensinou a todos nós é que deve-se ter um forte senso de integridade. Para ser sempre bom com as pessoas, porque você nunca sabe que papel ele ou ela pode desempenhar na sua vida. Um modo de manter sua cabeça sobre os ombros. E acho que todos os membros da nossa família foram bem-sucedidos ao digerir seus sucessos.’’

Jaydeep admite que por causa da disputa familiar, perderam o contato com sua irmã mais velha por uns poucos anos. De todo modo, as coisas eventualmente se acertaram antes de Nutan partir. Ele admite que fala com Mohnish por telefone e que eles se mantém em contato. ‘’Não há barreiras entre nós, mas damos espaço um ao outro’’.
O artigo a seguir foi tirado da edição do dia 17 de março de 2010 da revista Filmare e disponibilizado na internet pelo bollywooddeewana, que sempre disponibiliza ótimas entrevistas, por sinal. Eles entrevistaram amigos e parentes da Nutan parar criar uma ideia a respeito de como ela seria. Algumas partes da entrevista me incomodaram porque a Nutan ficou um pouco santificada e eu queria exatamente tirá-la do pedestal em que a coloquei, mas é muito boa por dar a impressão de que aquela calma que ela me passa pode ter sido um reflexo de quem realmente era. Também pode ser que estivessem tentando nos forçar esta imagem, mas prefiro ser otimista com a florzinha de laranjeira.

A entrevista é grande e a tradução demandou mais tempo do que eu esperava. Havia várias palavras que eu não sabia o que significavam e frases que não entendi bem, mas dá para entender tudo, ficou satisfatório. Há três depoimentos dos três irmãos dela que ficaram em partes separadas da entrevista geral, então vou colocá-los em um outro post para que este aqui não fique maior do que já será. Espero que gostem!

Em Busca De Paz

Amigos e família lembram-se da Nutan que conheceram. Meera Joshi registra as memórias.



Lata Mangeshkar havia dito uma vez que ela era a única heroína que parecia estar realmente cantando na tela. Então, ela era o sonho de um cameraman. Ela não tinha ângulos ruins. Ela também não precisava de diálogos, seus olhos falavam muito. Seu sorriso contagioso e suas lágrimas comoventes encontraram seu reflexo nos rostos do público. 

Filha mais velha da atriz Shobhana e do diretor e escritor Kumarsen Samarth, Nutan (4 de Junho de 1936 – 21 de Fevereiro de 1991) era uma criança magricela, escura. Diz-se que V. Shantaram a chamou de folha. Poucos perceberam que por trás daquele exterior, havia um cisne que roubaria milhões de fôlegos. Ela foi coroada a segunda Miss Índia em 1951. 

Uma veterana de 75 filmes, Nutan fez sua estréia aos 14 em Hamari Beti (1950). Diz a lenda que mesmo que tenha atuado em Nagina, não foi permitido que o assistisse, já que ele tinha o certificado de “Apenas para Adultos”. Entre seus filmes conhecidos estão Paying Guest, Anari, Sujata, Bandini, Seema, Chhalia, Saraswatichandra, Devi e os mais recentes Main Tulsi Tere Aangan Ki, Naam e Meri Jung. Seu caso era raro: mesmo que a atriz tenha feito diversas pausas em sua carreira, nunca foi esquecida. Ela se recuperava a cada vez com um vigor renovado. 

Filmfare falou com seus amigos íntimos, o fotógrafo Gautam Rajadhyaksha, a jornalista Lalitha Tamhane, as irmãs Tanuja e Chatura e o irmão Jaydeep, para juntar as partes do enigma que era Nutan. Nós queríamos que seu filho Monish Bahl falasse de sua mãe, mas ele não conseguiu nos dar uma entrevista, apesar das diversas tentativas de marcar uma.


Alma Relutante

As famílias Rajadhyaksha e a Samarth tem sido próximas por décadas. Falando da infância de Nutan, o amigo da família, Gautam, lembra-se de Shobhana Samarth dizendo a ele que Nutan era um bebê muito irritadiço e que não parava de chorar. Ela foi examinada pelos melhores pediatras, que não conseguiam achar nada de errado nela. Contudo, quando tinha oito meses, um astrólogo comentou que ela era uma “alma relutante”, que a alma dela havia atingido a salvação, mas algum desejo ainda não estava realizado desde o renascimento, muito contra sua vontade. Gautam, além dos trabalhos juntos, também era seu confidente. Ele era íntimo de suas alegrias e tristezas.

Também o era Lalita Tamhane, uma jornalista independente que a encontrou pela primeira vez nos sets de Rishta Kagaz Ka e escreveu um livro sobre a atriz — Nutan-Asen Mi Nasen Mi, em Marathi. “Compartilhamos uma incrível compatibilidade desde o nosso primeiro encontro.”, ela revela. E mesmo após a entrevista há muito ter acabado, elas mantiveram-se em contato. Diz Lalita, ‘’Ela não tinha ares de superioridade. Ela era muito pé-no-chão e normal. Sofisticada, digna e muito humana. Ela frequentemente aparecia para almoçar em casa e às vezes, até mesmo passava o dia inteiro conosco. Uma vez eu disse à ela que queria que ela falasse sobre o Bimal Roy para uma edição de Diwali, fiquei doente e não pude ir. Ela fez todo o caminho de Colaba até a minha casa em Thane, escreveu a entrevista e a deu a mim. Ela estava saindo da cidade e não queria que eu perdesse meu prazo de entrega.”

Falando de sua amiga, Lalitha diz que Nutan nunca gostou de ninguém carregando sua caixa de maquiagem para ela. Ela mesma a pegaria e se asseguraria de que seu maquiador e seu cabeleireiro houvessem comido antes que ela se sentasse para almoçar.

Gautam reforça Lalitha. “Você frequentemente a encontraria de calças, camisa e rabo-de-cavalo resolvendo suas coisas de banco ou mesmo comprando verduras. A vida dela era normal.”

Apesar de os pais serem separados, o pai Kumarsen Samarth estava sempre presente em toda festa familiar. Lalitha lembra: ‘’Ele era apegado a cada membro da família e sempre estava lá quando as crianças precisavam dele. Nutan era afeiçoada ao seu pai, assim como era à sua avó, Rattan Bai, e ao amigo da família, Motilal, a quem as crianças chamavam de Motikaka. Ele era como uma figura paterna.”




Carreira
Por ter sido alvo de zombarias devido a sua aparência física quando criança, ela escolheu fazer papéis não-convencionais em Seema, Bandini e Sone Ki Chidiya em um tempo no qual não havia diferenciação entre cinema de arte e cinema comercial. E esses filmes também davam certo nas bilheterias. Ela recebeu vários prêmios internacionais e cinco prêmios Filmfare por Melhor Atriz e um por Melhor Atriz Coadjuvante.

“Ela era apaixonada por seu ofício,”, diz Lalitha. “Ela gostava de atuar e poderia até mesmo ter se voltado para a direção um dia.” Gautam adiciona, “Ela dirigiu Dharmendra em um de seus primeiros filmes, Soorat Aur Seerat, apesar de o crédito ter sido dado ao seu marido.”

Nutan lamentava-se por papéis principais nunca serem escritos para atrizes mais velhas. De acordo com Gautam, uma vez ela perguntou a Javed Akhtar: ‘’Devo fazer apenas a mãe ou uma tia? Não tenho nenhum cabelo grisalho na vida real, mas me fazem usar perucas brancas para as telas. É tão não natural. ’’

Profissional, pontual e disciplinada, diz-se que Nutan sempre estava pronta, com a maquiagem no ponto. Não importava a ela que seus colegas ainda não houvessem chegado. ‘’Quando estava filmando Anari, ela estaria no estúdio às nove, enquanto Raj Kapoor só aparecia às duas da tarde. Então, Hrishikesh Mukherjee gravava as cenas sozinhas dela e as cenas combinadas com outros artistas até as duas. Porque ela tinha que sair às seis’’, declara Lalitha.

Gautam também se lembra de seus modos pontuais. Ele narra, ‘’Depois de uma sessão de quimioterapia, ela estava filmando para Garajna com Vinod Khanna, Rishi Kapoor e Sridevi. Vinod não aparecia e ela ficou sentada sob o sol quente de Mahabalipuram. Sridevi a chamou para esperar do lado de dentro, mas ela disse que só queria terminar a filmagem assim que ele chegasse e ir embora. O mesmo Vinod Khanna que uma vez disse que ele se tornaria uma estrela de cinema agora que havia trabalhado com Nutan em Main Tulsi Tere Aangan Ki’’. Lalitha recorda-se de também esperar com sua amiga pela chegada de Sanjay Dutt nos estúdios de Naam.

Refletindo, Lalita diz, ‘’Ela era muito apegada ao Bimalda (Roy), um de seus primeiros diretores, que a chamava de ‘Notoon’ e à Amiya Chakravarty, que a chamava de ‘Angel’(anjo). Introvertida, ela era muito quieta nos estúdios, mas era muito observadora e podia imitar todos os seus colegas muito bem. Ela pegava uma frase e a falava assim como qualquer um deles faria. Ela era hilária’’.

Os maquiadores de artistas Sarosh Mody e Pandhari Junker são conhecidos por terem dito que a atriz tinha um rosto perfeito, ela poderia ser filmada de qualquer ângulo. De fato, eles nunca usaram blush nela, já que as maçãs de seu rosto eram tão belas que a sombra que eles jogavam faziam o truque. Adiciona Gautam, ‘’O rosto dela é o mais belo que já fotografei. Exatamente o mesmo em ambos os lados. A pele dela brilhava e mesmo que não usasse perfume, sempre cheirava a sândalo. Não a estou endeusando, mas o estoicismo com o qual ela aceitou o que o destino lhe mandou quase fez dela uma santa.’’

Lalitha lembra-se de Nutan pressagiando que se aposentaria em 1990. ‘’Pouco sabia ela do porquê o faria’’, suspira sua amiga.

Nutan tinha 25 filmes em mãos quando descobriu que tinha câncer. Devolveu o dinheiro dos contratos de todos aqueles que estavam menos que 25% completos e disse ao resto de seus produtores para completarem seus filmes em menos de um ano.



Casamento

''Nutan era fascinada por homens de uniforme e queria se casar com um homem que servisse às forças armadas. Seu casamento dela foi arranjado, mas ela se apaixonou pelo oficial naval quando o viu pela primeira vez’’, confidencia Lalitha. Nutan se casou com o engenheiro naval, Tenente Comandante Naval Rajnish Bahl em 11 de outubro de 1959. O único filho deles, Mohnish, nasceu em 14 de fevereiro de 1963. Relutante em dizer qualquer coisa que possa magoar Mohnish, Gautam revela que sua querida amiga teve um casamento traumático. Mas ela estava determinada a fazê-lo funcionar. Seus pais separaram-se após 14 anos de casamento e ela não queria que o seu terminasse daquele jeito. Diz ele, ‘’Shobhana disse uma vez que com a ajuda do então Ministro de Defesa Krishna Menon, eles acessaram os arquivos pessoais de Rajnish e descobriram que ele tinha uma ficha impecável. Ele foi inicialmente posto em Cochin, mas ninguém sabe o que aconteceu após isto. Apesar de nunca ter impedido sua esposa de trabalhar, Bahl aposentou-se precocemente para gerenciar o dinheiro dela. Ele gostava bastante de processos e levar pessoas ao tribunal. Então, os jornalistas eram muito cautelosos com o que escreviam.’’

Adiciona Gautam, ‘’Nutan era muito preocupada com seu único filho. Com que ele se saísse bem como ator. Mas foi só depois de ela ter falecido que Mohnish ganhou reconhecimento. Em seus últimos seis meses, ela deixou de ficar de olho nele, já que sabia que não tinha muito mais a viver e queria ver se ele poderia se virar sozinho, se ele estava guiado para a direção correta. ’’


Ele continua, ‘’Shobhana acreditava em investir em imóveis e periodicamente fazia a filha comprar apartamentos. Eles até mesmo tinham uma casa no topo de um monte em Mumbra de onde se via por cima o riacho de Mumbra de um lado e o Mar Arábico do outro. Além disto, havia terra em Lonavala que foi dividida entre a família depois que Shobhana faleceu’’.

Comentando sobre questões de dinheiro que levaram a um desentendimento com sua própria família, Lalitha diz, ‘’Nutan nunca estava atrás de dinheiro ou propriedades. Ela estava acima de todas essas coisas. Uma moça simples, ela preferia salwar kameez de algodão ou sáris de voal e não era apegada a jóias.’’ Neste caso, era ela instigada a pedi-las? Nenhuma resposta está disponível.

Mas é óbvio que as relações entre Rajsnish Bahl e os Samarths eram pesadas. Lalitha me informa que Nutan a pedia para encobri-la quando ia visitar sua família. ‘’Ela vinha me encontrar, mas no caminho, ela encontrava primeiro Aai e Tanu. Então se eu recebesse uma ligação perguntando sobre ela, eu dizia que ela estava a caminho.’’

Gautam lembra-se da versátil atriz ligando para ele sem falta às oito de duas a três vezes na semana para discutir seu dia e perguntar sobre o dele. ‘’Para ser honesto, eu fui tomado de surpresa’’, ele observa. ‘’Aqui estava uma talentosa e estabelecida atriz falando comigo. Costumava me deprimir quando ela me contava sobre o que acontecia em casa. Mas isso a descarregava e eu a ouviria. Não havia nada que eu pudesse fazer para ajudá-la, o que era perturbador.’’

Lalitha diz, ‘’Nos compartilhávamos um forte laço. A nossa relação era quase uma de mãe e filha. Nós confiávamos uma na outra. Isto foi possível porque ela estendeu sua mão em amizade. Eu também era próxima de Smita (Patil). E quando ela morreu em 1986, fiquei muito abatida. Nutan passou um tempo comigo e até mesmo me acompanhou até a casa de Smita. Ela cuidou de mim, mas então, cinco anos depois ela também partiria.’’




Inclinações Espirituais

Lalitha revela, ‘’Nutan sempre foi espiritualmente inclinada. Mesmo que não houvesse estudado nenhuma das duas línguas, ela escrevia bhajans em sânscrito e bhojpuri. É um milagre. Ela escrevia frases gramaticalmente corretas em ambas as línguas, mas não sabia falar nenhuma das duas. Mesmo ela não conseguia explicar isto. Talvez fosse tudo relacionado à sua vida passada. Mas certamente ela era extremamente desenvolvida espiritualmente. Após falar com ela, a pessoa se sentia em paz. Ela tinha um efeito em todo o redor.’’

Neste caso, como ela pôde ter uma vida pessoal tão traumática? Lalitha raciocina, ‘’Ela acreditava que tinha de passar pelo trauma se quisesse atingir a salvação. Então, ela suportou. Ela sofria porque acreditava que precisava atravessar isto para ser finalmente livre.’’

A Palavra com “C’’

Falando sobre seu câncer fatal, Gautam recorda-se, ‘’Enquanto Mickey (Contratado, maquiador) a estava preparando para a filmagem, reparou em manchas pretas na pele dela. Quando perguntamos à ela sobre, disse que havia participado de um clímax onde usaram explosivos e havia muita fuligem. Ela tentou remover as manchas, mas elas não estavam saindo. Dissemos que deveria ir examiná-las e acabou que ela tinha câncer. Em duas semanas foi operada, mas os nódulos linfáticos já haviam sido infectados. Ela passou por duas fases de quimioterapia, mas eventualmente sucumbiu.’’

Fazendo uma pausa, Gautam reflete, ‘’Ela não tinha nenhuma vontade de viver. Ela não era muito feliz. Sua morte foi anunciada na primeira página do The Times Of India, eles também fizeram um artigo e um editorial sobre ela. Isto fala muito do calibre dela enquanto atriz. A única bênção salvadora de seus últimos dias foi que se reconciliou com sua mãe, avó e irmãs. A reaproximação veio quando sua avó doente, Ratan Bai Shilotri (também atriz) expressou o desejo de ver Nutan. Depois disto, as coisas se resolveram. No meio tempo, houve um período de aspereza que ela estoicamente suportou como algo por que ela estava destinada a passar. Acredito que após ter recebido o diagnóstico de que tinha câncer, ela foi à casa de sua mãe e anunciou, ‘Agora eu serei livre.’ ‘’

E ela foi. ‘’Havia um sorriso em seu rosto quando ela se foi’’, diz Lalitha. ‘’Porque ela finalmente estava livre’’.

Como a própria Nutan escreveu uma vez, ‘’Quando a morte chegou com lágrimas em seus olhos, ela sorriu e foi com ela.’’
Seguindo a linha do post de sete Waheedas que me encantaram (e aumentando em quatro), separei aqui alguns momentos especiais da Nutan. Como não assisti a muitos filmes dela, foi uma oportunidade para conhecer melhor alguns de seus vídeos.

Navegando pelo Youtube, lembrei de uma coisa que havia notado há um tempo: a Nutan não costuma dançar. Bem, pelo menos nunca a vi dançando muito. Seus vídeos costumam ser meigos ou tristes, nunca um festival de cores e dança (não esqueçam: eu que nunca vi nada disso). Sendo assim, a lista a seguir tem vídeos tão tranquilos quanto a aparência da Nutan.

1) Man Mohana, de Seema (1955)

Segundo o perfil da Nutan no Upperstall, a própria Lata Mangeshkar disse que este foi o melhor playback que uma atriz já fez de uma música sua. Achei muito bom, mas como não sei avaliar isto...tirem suas próprias conclusões.


2) Ae Mere Humsafar, de Chhabili (1960)

Não é um vídeo, mas apenas a canção. Segundo várias descrições no Youtube, quem está cantando é a própria Nutan! Lindaaaaaaaaa! *Carol em estado de amor eterno*


3) Sach Bata Tu, de Sone Ki Chidiya (1958)

Este foi resultado de uma intensa procura por um vídeo em que a Nutan dançasse um pouco. O resultado foi este vídeo que a mostra mais enfeitada do que jamais vi e dando voltinhas e pulos com sua saia. 


4) Nutan de maiô em Yaadgaar (1970)

Reflitamos sobre quem é mais inútil: eu ou a pessoa que upou este vídeo.


5) Chuk Chuk Rail Chali, de  Sone Ki Chidiya (1958)

Criancinhas. Nutan de branco dançando com as criancinhas. Nutan ninando um bebê. Sério, a fofura desta pessoa está chegando a níveis preocupantes.



6) Aasmaanwale Teri Duniya Se Dil, de Laila Majnu (1953)

Tenho tanta vontade de ver esta versão!



7) Tan Mein Agni Mann Mein Chubhan, de Laata Saab (1967)

A florzinha de laranjeira tomando banho de cachoeira e brincando com o Shammi Kapoor!



8) C.A.T Cat Maane Billi, de Dilli Ka Thug (1958)

Nutan e Kishore Kumar soletrando!



9) Chod De Sari Duniya, de Saraswatichandra (1968)

Este vídeo tem uma das imagens mais clássicas da Nutan a povoar minha memória: de branco e com os cabelos ao vento.



10) Main To Bhool Chali, de Saraswatichandra (1968)

Aqui ela dança e canta sobre o quanto é uma nora feliz, sendo que seu casamento é horrível.



11) Mera Raja Beta, de Anuraag (1972)

Isto aqui seria um post redondinho com 10 vídeos, até eu encontrar uma canção de ninar...e não resisto a canções de ninar.

E vamos continuar a falar de Nutan, que é bom? 

Anari é um filme que, só de lembrar, já me traz um sorriso ao rosto. Dirigido por Hrishikesh Mukherjee, tem no elenco Raj Kapoor, a nossa Nutan, Lalita Pawar, Motilal e Shubha Khote.


Oi de novo, Raj. Quanto tempo, não?  :)
A história é a seguinte: Raj Kumar (Raj Kapoor) é um bom rapaz que é pintor e está desempregado. Ele vive como inquilino na casa da Sra. D’sa (Lalita Pawar), uma senhora muito mal-humorada que vive brigando com Raj, mas o ama como a um filho. Raj Kumar conhece Aarti (Nutan) quando ela está fugindo de sua aula de etiqueta, e ela se apresenta a ele como Asha, empregada de uma família rica. A verdade é que Asha (Shubha Khote) é a criada de Aarti, que fingiu ser pobre e trabalhadora para que Raj Kumar a ajudasse a fugir. Aarti (ainda fingindo ser Asha) o convida para ir à sua casa pintar o retrato de sua “patroa”, apenas para poder dar seu próprio dinheiro a ele. Quando Raj Kumar recebe, dá o dinheiro à Aarti, para ajudar a mãe doente que ela havia dito ter. Aarti fica encantada com a bondade e honradez daquele homem, os dois passam mais tempo juntos e acabam por se apaixonar. Por outro lado, o tio de Aarti, Seth. Ramnath Sohanlal (Motilal) também conhece o caráter de Raj Kumar quando o rapaz lhe devolve uma carteira cheia de dinheiro. Ele emprega o rapaz em sua empresa e os dois mantém uma boa relação, até descobrir da relação entre ele e sua sobrinha.

Nutan olhando para cima e sorrindo
não é algo que vi muitas vezes :)
Este filme é um daqueles em que se você não está sorrindo com os lábios, o está com os olhos. Cada cena me fazia pensar na sorte que eu tinha por estar assistindo-o, mesmo que não estivesse acontecendo nada muito interessante no momento. Fosse o vento batendo nos cabelos da Nutan, os musicais mais doces do mundo, o Raj Kapoor com cara de bobo ou a Lalita Pawar fazendo uma de suas melhores personagens, eu só tinha motivos para ser feliz. E por falar na Lalita Pawar, a Sra. D’sa era cristã, enquanto Raj Kumar era hindu. Essa questão de múltiplas religiões sempre me faz lembrar do Amar Akbar Anthony, especialmente quando usam frases simples e meigas para falar do assunto, como aconteceu em Anari. Quando Raj Kumar lhe perguntou como seria possível uma mãe cristã ter um filho hindu, ela respondeu: “Seu bobo. Todos os Deuses são um só. É apenas o homem que O vê de diferentes formas. O seu pai o vê como um filho, seu filho o vê como um pai, sua esposa o vê como um marido... mas você é o mesmo, não é?”. Me pergunto quantas vezes já ouvi este tipo de discurso em filmes indianos, assim como me pergunto quando irei me cansar dele. 
Assim como ultrapassaram as diferenças religiosas ao construir sua relação, os dois também deixaram para lá os laços de sangue e tiveram uma linda relação mãe-filho. A Sra. D’sa gritava com Raj Kumar sobre o quanto ele não pagava seu aluguel, enquanto fingia que achava moedas no chão para dá-las ao rapaz. Bem legal era que ele soubesse de tudo isto, e em uma dessas cenas, achei engraçado eu fazer uma expressão de contentamento que ele também fez logo em seguida! Nunca havia gostado tanto da Lalita. 

A Lalita é tããão legal! :D
Raj Kapoor, gosto de você, mas isto aqui é uma semana Nutan e mal vejo a hora de falar dela! Já falei da leveza dela, checado. De como ela me faz amar personagens doces que teriam tudo para ser insuportáveis, checado. De como ela é uma flor de laranjeira, checado. Em Anari, ela apenas me provou que ela é tudo isto aí. E o casal foi infinitamente melhor do que eu poderia imaginar. Gosto de Raj sem Nargis!

Quero olhar para você o dia inteiro, Nutan. Quero uma Nutan de bolso, para a qual vou olhar quando estiver triste e instantaneamente me fará sorrir. Quando eu pegar minha Nutan de bolso, um vento começará a soprar e, quando der por mim, estarei andando de bicicleta em um lugar cheio de árvores e flores, num dia ensolarado. Todos deveriam ter uma Nutan de bolso.

Sendo linda
Sendo fofa

Sendo assustada (o que não exclui o "linda e o fofa")
Nutan fugindo da aula de etiqueta?
ESTA É A MINHA GAROTA! \o/
^^
Agora estou pronta para prestar atenção a você, Raj.

"AEEEEEEEEE!"
Ele estava tão, mas tão diferente. Ele estava... engraçadinho. Não é engraçadinho do tipo “deveria ter sido engraçado, porém não foi”, mas engraçadinho do tipo “era você mesmo que estava pondo fogo em meio mundo no Aag?”. Não vi muito do Raj ainda, mas com certeza, o pouco que vi não tinha toda aquela meiguice que vi neste filme. Era meio estranho o modo dele andar, com as pernas meio afastadas. Não entendi se ele andava assim mesmo, ou se foi para dar um clima palhaço... 

Havia uma questão super séria no filme envolvendo o tio da Aarti. A empresa dele fabricava remédios e uma das caixas que eles enviaram foi sem querer trocada por uma caixa de veneno (!). Depois disto, houve várias discussões entre os dirigentes dos negócios, que se importavam menos com o fato de que alguém morreria do que com o de que seus negócios seriam intensamente prejudicados se avisassem ao público sobre o acontecido. Não gosto muito quando pegam um determinado ator e dizem que todos os aspectos de uma obra são devidos a ele, como fazem com o Aamir Khan (deve ter gente que acha que ele dirigiu 3 Idiots). Mesmo assim, no momento em que essa discussão social começou, a primeira coisa em que pensei foi: “Agora sim, isso está parecendo coisa do Raj Kapoor!”. Ele nunca dá uma passadinha por cima dessas questões mais sérias; elas vão surgindo de leve e acabam desempenhando um papel fundamental no filme. No caso de Anari, a questão de como os poderosos pouco valorizavam a vida do outro começou a conduzir a história para um lado mais sombrio que foi bastante inesperado, dado o clima doce que reinava até então. Até mesmo a cena final teve um tom diferente do esperado: ficou mais séria, mais pesada. Gostei. Ainda assim, quando o filme terminou, o que pensei foi : "que fofo!". Não sei se isto é bom ou ruim. Será que a mensagem não me atingiu?


Mais uma trilha de Shankar-Jaikishan, dupla na qual só fui prestar atenção depois que comecei a escrever o blog. Eles parecem perfeitos nas trilhas de filmes doces como Suraj, Sangam, Chori Chori e o próprio Anari. Indico todos os vídeos, especialmente Ban Ke Panchhi (cantada por Lata Mangeshkar) para ver a Nutan em meio a natureza (como mais gosto dela), Nineteen Fifty Six para ver um clipe alegre com a Helen e todos, todos os outros! Fazem valer a pena cada minuto. 

E, com este filme tão adorável quanto a homenageada do momento, continuo a Semana Nutan. E vou ter um arquivo muito legal sobre ela, no final de tudo isto!
Antes de qualquer coisa, tenho que explicar melhor quem foi Nutan. Como foi sua carreira? Seus melhores filmes, os prêmios que ganhou, as críticas que recebeu? Eu poderia ter lido vários artigos na internet e montado um texto, mas além do tempo que eu gastaria fazendo isto, está o fato de a maioria dos textos que descrevem a carreira da Nutan serem parecidos. Deste modo, resolvi traduzir um deles. Escolhi o do site Upperstall porque estava no meu computador (ae!) e tinha as informações necessárias. O usuário que o escreveu foi TheThirdMan, e o artigo original está disponível neste link aqui.

Sempre acharei que poderia ter feito um trabalho melhor, especialmente em algumas frases muito longas. De todo modo, o texto adicionou vários filmes à minha lista de filmes a assistir. As fotos que coloquei estavam na pasta da Nutan que tenho no computador, retiradas do Google. 

Nutan foi, indubitavelmente, uma das maiores e mais expressivas atrizes que o cinema indiano já viu. Ela era aquela rara atriz que conseguia transmitir muito mais com apenas uma olhada, olhar fugaz ou um gesto do que a maioria dos atores conseguiam com grandes diálogos ao seu dispor. E deixando de lado a atuação, até mesmo a grande Lata Mangeshkar referiu-se a ela como a heroína cujas expressões mais se aproximaram de indicar que ela mesma estava verdadeiramente cantando a canção!

Nascida em 4 de junho de 1936, filha da famosa atriz Shobhana Samarth, Nutan cresceu cheia de complexos. Apesar de célebre por sua beleza posteriormente, na verdade ela era menosprezada por parentes insensíveis que a consideravam magricela e feia. Implacável, Shobana Samarth lançou-a como heroína em Hamari Beti (1950). Ambos Hum Log (1951) e Nagina (1951) revelaram-se populares e colocaram Nutan em seu caminho.


Ainda assim, foi somente em 1955 que ela finalmente conseguiu sua grande conquista e respeitabilidade como atriz por excelência com Seema, no qual interpretou uma delinqüente em um reformatório. Até então, nenhum de seus filmes havia oferecido à ela um papel de tanta profundidade e uma personagem tão finamente lapidada, e Nutan deu tudo o que tinha. Era o perfeito veículo de retorno para ela, já que havia também tirado uma licença para estudar no internato suíço La Chatelaine. Em Seema, Nutan nos dá vislumbres do que era uma atriz pensante. Foi uma atuação poderosa e rendeu à ela o prêmio Filmfare de Melhor Atriz.  Afora sua impressionante atuação, um destaque do filme foi a clássica canção Man Mohana. Perfeitamente interpretada por Lata Mangeshkar, a sincronia labial de Nutan para esta difícil canção e exata, e isto quando o vídeo da canção é feito com tomadas realmente longas! Toda mudança sutil no ritmo ou no tempo é suavemente registrada por Nutan, particularmente nas partes alaap (clique aqui) e esta canção foi de fato avaliada por Lata Mangeshkar como  a melhor sincronia labial dada a qualquer uma de suas músicas.
Subsequentemente, fossem as despreocupadas comédias Paying Guest (1957), ou Dilli Ka Thug (1958), onde interpretou como uma relexada desinibição comparável apenas à Madhubala ou Geeta Bali, ou o intenso Sujata (1959) de Bimal Roy, que trouxe o melhor nela como uma atriz séria, Nutan sempre foi incomparável. Em Sujata, Nutan representa o papel representa o papel da moça intocável com impressionante graça e rendeu à ela o seu segundo prêmio Filmfare de Melhor Atriz.

Em 1959, Nutan casou-se com o Tenente Comandante Naval Rajneesh Behl e fez uma curta pausa quando seu filho Mohnish nasceu. Ela fez um filme com seu marido, o criticamente reconhecido Soorat Aur Seerat (1962) e fez um forte retorno ao centro do cinema hindi com o Tere Ghar Ke Samne (1963) de Navketan, uma revigorante comédia romântica junto com Dev Anand, e a obra-prima de Bimal Roy, Bandini (1963), alardeada como possivelmente uma de suas maiores interpretações desde sempre e certamente uma das maiores interpretações do cinema indiano. O filme conta a história de uma prisioneira acusada de assassinato. Totalmente desprovida de emoções altamente carregadas e teatralidades, Nutan aparece como uma mulher quieta com suas paixões enfurecidas dentro de si, e faz seu papel com grande delicadeza e dignidade. Simplesmente tem-se que ver toda a gama de emoções passando por seu rosto na sequência-chave do filme, antes de ela assassinar a esposa do homem que ama. Foi uma performance magistral de uma artista suprema e ajudou-a a ganhar outro prêmio Filmfare de Melhor Atriz, seu terceiro.


Não liguem para a marca d'água.
A carreira de Nutan brilhou durante os anos 60 e 70 com fortes atuações em filmes como Milan (1967) – outro prêmio Filmfare de Melhor Atriz, apesar de ter-se dito que o papel não era tão desafiador quanto alguns dos que havia feito antes – Saraswatichandra (1968), Saudagar (1973) com a nascente estrela Amitabh Bachchan, Sajan Bina Suhagan (1978), Kasturi (1978) e Main Tulsi Tere Aangan Ki (1978). Ela carrega o último filme, competentemente dirigido por Raj Khosla, totalmente em seus ombros, mesmo que a simpatia ficasse com a amante (Asha Parekh) ao invés da esposa (Nutan). Foi mais uma performance ganhadora de prêmio para Nutan.

Contudo, gradualmente ela começou a ser colocada em papéis triviais de mãe, e exceto por Meri Jung (1985), nenhum de seus filmes posteriores não lhe ofereceram nem remotamente  nenhum desafio histriônico. Ainda assim, ela deu muita força e dignidade até mesmo aos seus papéis maternais e você nunca conseguiria encontrar defeito, mesmo que a maior parte dos filmes não fosse nada sobre os quais se valesse a pena escrever.

Mesmo que tenha continuado a atuar, sua fazenda, seus cantos de bhajan (na verdade, ela era abençoada com uma bela voz para cantar e fez seu próprio playback em Chabili (1960)),e sua busca por espiritualidade tomaram a maior parte de seu tempo. E quando morreu de câncer em 1991, o cinema indiano perdeu uma de suas maiores atrizes, tristemente, cedo demais.
Decidi fazer este especial sobre a Nutan porque cheguei ao blog Let’s Talk About Bollywood e lá é dedicado à Nutan o mesmo amor que tenho pela Waheeda Rehman. Fiquei olhando para todas aquelas fotos, lembrando de como esta atriz me faz bem e, desde então, não consegui sair da Nutan mania. Além disto, é raro haver espaços em português que discutam os filmes e atores indianos de antigamente, então ao menos às vezes tenho de fazer um esforço para encontrar e apresentar informações sobre eles. É ainda mais interessante que eu fale sobre a Nutan, já que é uma das atrizes com menos informações disponíveis online (ao menos onde procuro).

A Nutan nasceu em 1936 e faleceu em 1991 (ano do meu nascimento), vítima de um câncer. O primeiro filme que vi dela foi Tere Ghar Ke Samne (1963), que é ótimo, mas não muito marcante. O segundo me mostrou o porquê de a amarem tanto: Sujata, de um dos meus diretores favoritos, Bimal Roy. Nutan tinha um modo tranqüilo de atuar, li em vários textos na internet que a intensidade de seus olhos é muito apreciada. Neste aqui, é dito que ela não precisava gritar ou ter grandes diálogos para expressar suas emoções. É bem isto mesmo. É engraçado que uma atriz com um modo de atuar tão peculiar dentre as outras atrizes indianas tenha sido tão elogiada. Acredito que ela mereça este reconhecimento, e muito. 

O porquê do "flor de laranjeira"? Apenas porque lembro da Nutan quando vejo uma. Tão suave quanto.


Nutan, a recordista de Filmfares e tia da também linda e fofa Kajol. Quero falar sobre a Nutan que amo, a flor de laranjeira. Meu ventinho do fim de tarde, aquela que me traz um leve e sincero sorriso. Espero que quem passar por aqui consiga sentir o encantamento que ela proporciona.

Estão prontos para a pessoa mais adorável de todos os tempos?
Tudo o que eu queria quando assisti a Main Bhi Ladki Hoon era ver um filme dos anos 60. Tive uma experiência até engraçada com ele, analisemos.

Resumo do filme:

O diretor é A.C. Trilogchander, que conheço desde...bem, agora. Os papéis principais ficaram com Meena Kumari e Dharmendra, casal que nunca havia imaginado. A história é mais ou menos a seguinte: Ram (Dharmendra) é um pintor que acha a beleza física mais importante que tudo. Seu malvado tio (Om Prakash) diz que encontrou uma linda noiva para o sobrinho, mas na verdade planeja casá-lo com a irmã da moça: Rajni (Meena Kumari), que é analfabeta, tem pele escura e é feia. O pobre Ram só descobre a verdade sobre sua noiva na hora do casamento, quando decide se casar para não desgraçar a vida de Rajni. A pobre mulher acredita que finalmente teve sorte, já que encontrou um noivo bonito e bom, mas ainda tem que enfrentar a resistência de seu sogro ao casamento. O sogrão chato queria uma nora que fosse tão bela quanto sua falecida esposa, já que nunca superou a morte desta. Enfim, não há nada de muito diferente na história.


O que vocês acham que aconteceu? Sofrimento, uhul! A coitada da Rajni passou o filme todo mostrando às pessoas como sua aparência e falta de instrução ficavam ofuscadas diante da bondade de seu coração. Eu já havia ouvido falar sobre a Meena Kumari ser a rainha do drama na antiga Bollywood, e realmente entendi o título agora. Ela não se impõe em momento algum, só curva a cabeça frente a todo o preconceito e fica se perguntando o porquê de ter nascido. Não, não! Isto é um filme da Meena Kumari, ela não se pergunta simplesmente  o porquê de ter nascido assim, mas sim o [PORQUÊÊÊÊÊÊ + lágrimas] de ter nascido assim.

Manorama e a pintura de criança mais feia de todos os tempos :D
No meio dessa mesmice, gostei de ver a Rajni conquistando o amor, o respeito e a confiança de seu sogro com paciência. No início do filme, Rajni o ouviu dizer que a falecida esposa usava uns anéis (ou algo do gênero) nos dedos dos pés, e que se ouvia sua chegada por toda a casa. A moça foi imitá-la e o sogro fez um grande escândalo, já que aquela criatura amargurada só se animava a abrir a boca para reclamar. Quando já estavam bem, o fato de ele ter pedido para ela usar os anéis outra vez foi a cena mais significativa da aproximação nora-sogro. Não digo que foi uma linda cena, mas foi legal. Depois ele a acusou de estar tendo um caso com seu filho mais novo (que apenas a estava ensinando a ler), mas já que o texto é curto, fiquemos com o que havia de bom.

A moça com quem ele se casaria,
o tio malvado e o paizão chato.
A pior coisa do filme era o personagem do Dharmendra. O Ram era um amor de pessoa e estava se dando bem com a Rajni, mas só faltou bater nela ao descobrir que era analfabeta (e ela chorooooou). Gente, ele até gritou "minha vida foi arruinada!", aí perdeu toda a moral comigo. *Hora do spoiler: ela estava grávida e a briga foi tão tensa que acabou perdendo o bebê. Adivinhem o que fez depois? Acertou quem respondeu que chorooooou, gritou que já deveria ter morrido e ficou se culpando pela morte do bebê. E depois, quando a esposa estava sofrendo devido ao aborto, o lindo foi viajar. Grrrrrr! *fim*

Não sei nem mais o que dizer deste filme. É apenas este drama eterno, mais nada. O pior foi que ele nem me incomodou, achei até agradável ver o chororô da Meena. Ver um filme estando de bom-humor faz toda a diferença, jamais esqueçam. Vou terminar com duas indicações de vídeo: Chanda Se Hoga Wo Pyaara (P.B. Sreenivas & Lata), porque achei meigo o casal cantando para o futuro filho, e Krishna, O Kale Krishna (Lata Mangeshkar) para vocês verem um dos momentos em que a Meena choroooooooou! Brincadeira, a música é muito bonita. Até depois!


Ps: juro que lembro de uma cena em que o indivíduo abaixo disse ter 14 anos.


São 23:23 agora (que legal!) e comecei a cantar uma musiquinha do Kala Bazaar, o que me fez pensar na Waheeda, o que me fez pensar no quanto ela é linda. Sendo assim, vejamos sete Waheedas que me  fizeram feliz enquanto via clipes:

1) Waheeda Fofa: pulando e correndo pela praia no Kala Bazaar:


2) Waheeda Deprê: sofrendo pelo amor perdido em Sahib Bibi Aur Ghulam:


3) Waheeda Religiosa: cantando num templo em Neel Kamal:


4) Waheeda Do Filme Se Encontra Com Waheeda Real: sentindo a distância entre ela e Guru Dutt em Kaagaz Ke Phool:


5) Waheeda Livre: encontrando sua voz e percebendo sua vez em Guide. Este é um dos meus eternos favoritos:


6) Waheeda Mãe: sofrendo a dor da perda do filho mais lindo de todos em Rang De Basanti:


7) Waheeda Apaixonada: olhos amorosos para o  Manoj Kumar na noite enluarada de Patthar Ke Sanam:



Ela é a mais bonita.


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"DEEWANEANDO"?

Devanear = divagar, imaginar, fantasiar. Deewani = louca, maluca. Deewaneando = pensar aleatória e loucamente sobre cinema indiano.

Meu nome é Carol e sou a maior bollynerd que você vai conhecer! O Deewaneando existe desde 2010 e guarda todo o meu amor pelo cinema indiano, especialmente Bollywood - o cinema hindi. Dos filmes antigos aos mais recentes, aqui e no Bollywoodcast, seguirei devaneando sobre Bollywood.

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