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Vocês provavelmente já viram este comercial na TV:


 

A voz maravilhosa é de Mohammed Rafi e a música é  Jaan Pehechan Ho, do filme Gumnaam (1965). Este é o o clipe original:




No clipe, a banda é interpretada pelo grupo Ted Lyons and His Cubs. Eles participaram de vários clipes de filmes de Bollywood durante os anos 60 e vocês podem ler mais sobre eles no blog da Memsaab, que tem um incrível projeto de identificação de artistas da velha Bolly. 


Mas não foi por Gumnaam  ou pela Heineken que conheci Jaan Pehechan Ho. Soube de sua existência quando estava procurando músicas de Bollywood que fossem famosas no Ocidente e descobri que há um filme chamado Ghost World (2001) cuja abertura tem não apenas o clipe original, como também uma garota dançando ao som da música.


   


É fantástico terem descoberto uma música tão divertida para o filme, ainda mais sendo uma cantada pelo Rafi! E vamos todos dançar ao som de Jaan Pehechan Ho, que a vida é curta demais para desperdiçarmos Rafi.


Não consigo imaginar um meio de falar sobre este filme sem entregar a história. Pelo menos não tem como falar tudo o que quero. Da primeira até a última cena, Silsila é altamente discutível. Sendo assim, o alerta de spoilers está funcionando desde já.

Shashi e Jaya: não são uns lindos?

O filme é inicialmente a história de Shekhar (Shashi Kapoor), um piloto apaixonado por sua namorada, Shobha (Jaya Bhaduri). Ele é muito apegado ao irmão mais novo, Amit (Amitabh Bachchan), um jovem escritor. Shekhar só quer se casar quando o irmão também o fizer, e a oportunidade surge quando Amit se apaixona pela bela Chandni (Rekha). O mundo de todos cai quando Shekhar morre em um acidente de avião, deixando Shobha grávida e desolada. Amit assume a responsabilidade por Shobha e se casa com ela, partindo seu próprio coração e o de Chandni. Os dois não conseguem esquecer um do outro e começam a ter um caso, mesmo com ambos estando casados com outras pessoas.

Obs: A foto a seguir não tem nada a ver com o post e também não tinha com o filme, mas não havia como deixá-la de fora. Irmãos adultos tomando banho juntos e fazendo piadas sobre se abaixar para pegar o sabonete não é uma coisa que se veja todo dia. Ainda bem.



Yash Chopra é uma das figuras favoritas aqui do blog. Adoro escrever sobre seus filmes porque nunca consigo passar imune pelas loucuras deles. Há sempre muita confusão e lições de moral estranhas envolvidas por belos musicais e véus flutuando ao vento.

Yash uncle: mestre na arte de tapear morais tortas com belos cenários.

Como qualquer filme sobre infidelidade, Silsila é doloroso de assistir. Você sabe que em algum momento tudo aquilo será descoberto pelas pessoas traídas e passa o filme inteiro apreensivo. Bom, pelo menos comigo é assim. Começando pelo fato de que eu não sabia que o Shashi Kapoor estaria no filme e ao vê-lo, pensei que haveria uma história de amor bizarra em que ele começaria a ficar com a Rekha para se vingar de uma traição da Jaya com o Amitabh. Perversão em alto nível, eu sei. Mas eu precisava organizar aquele elenco todo em minha cabeça. Com toda a espera para ver o que seria do Shashi no filme, jamais imaginei que ele morreria. Poxa, a química com a Jaya estava tão boa! A química com o Amitabh também estava, apesar de eu ter a impressão de que o Shashi fica um tantinho histérico ao fazer papéis em que é muito amigo do Amitabh. Enfim, ele morreu e tudo virou uma loucura. Amit se casou com Shobha por algum sentimento que é uma mistura de obrigação, honra e respeito. E céus, isso foi terrível. Odeio quando uma mulher fica grávida no cinema indiano e fica desesperada porque ninguém vai se casar com ela e sua vida acabou. Neste contexto, podemos interpretar que Amit teve um ato de heroísmo ao impedir que a vida de Shobha fosse destruída?! O quão estúpido e cruel é um meio social que põe uma mulher nesta posição totalmente vulnerável por não ter um homem ao seu lado?

Após o casamento, Amit não parecia estar fazendo nenhum esforço para que aquela união funcionasse. Não que fosse grosso ou desrespeitoso, mas ficar tratando a esposa como se fosse apenas seu enfermeiro e provedor também não ajudava muito. Ela ficava magoada quando ele fazia algo gentil por ela e dizia que era uma obrigação (com a ressalva de que talvez a legenda que tenha dado a entender isto). Como em todo drama bollywoodiano, as coisas sempre podem piorar. Chandni e Amit se reencontram. Yash (já somos íntimos) tentou mostrar alguma espécie de eletricidade jamais perdida entre ambos, mas isto não me convenceu. Chandni é provavelmente um dos papéis mais sem expressão que a Rekha já fez na vida (não que eu tenha visto muita coisa dela). Sabem, aquela ali é a Rekha. Rekha, pelo amor de Helen! Ela tem aqueles olhos hipnotizantes, seu super batom vermelho e toda aquela energia que parece ser liberada a cada passo dado. É muito desperdício pegar isto tudo para fazer uma personagem que apenas fica suspirando por aí. Parece que tem algo dentro dela querendo explodir, mas não consegue. A Rekha é movimento, é poder, é fazer. É desanimador vê-la apenas chorando de saudades do Amit e depois sendo a esposa mais chata do mundo.

De alguma forma tenta-se mostrar que Chandni e Amit se amavam intensamente e que não podem mais resistir à força desse amor todo. E aí entrou meu primeiro problema, o mesmo que tive com Kabhi Alvida Naa Kehna: ninguém realmente tentou dar uma chance aos seus casamentos, exceto por Shobha e Anand (Sanjeev Kumar), o marido de Chandni. Se fosse há uns três anos, eu diria que "ah, mas o amor não deixa a gente pensar" e mais uma centena de frases parecidas, mas hoje não consigo pensar assim. Eles sabiam exatamente o que estavam fazendo e a quem estavam atingindo com suas ações. Posso até aceitar que talvez não conseguissem refletir sobre o quanto poderiam magoar seus cônjuges, mas tinham alguma consciência do que estavam fazendo. A pessoa não raciocina bem o suficiente para concluir que ter um caso não é algo legal, mas pensa muito bem em como marcar centenas de encontros às escondidas e subornar policiais fofoqueiros. Ok, sei que não estou analisando a complexidade de toda a situação, mas é que Silsila também não forneceu material o suficiente para tanto. Costumo achar os filmes do Yash meio pobres em desenvolvimento emocional, já que as coisas costumam ser justificadas com "o amor é tudo" e outras frases do tipo, mas neste filme não enxerguei isto (quer dizer, até a última cena). O ruim é que o filme ficou num meio caminho nebuloso: ao mesmo tempo em que não se utilizava nenhuma frase de efeito boba para justificar todas as cenas, também não houve uma boa explicação da confusão mental dos personagens. Parecia todo o mundo meio perdido, meio ao sabor do vento.


Muito climão, gente.

A melhor pessoa desse filme.
Anand me impressionou, é de certa forma uma personagem masculino até ousado para o cinema indiano. Ele sabia que estava sendo traído, mas estava disposto a perdoar o erro da esposa. Fiquei encantada quando ele disse que considerava sua esposa um ser humano, não uma escrava. Não que escravos não sejam humanos, mas o tratamento dispensado a eles não o é. E era assim que ele evitava agir com a esposa. Apesar de mostrar esta faceta tão legal de um personagem, o filme escorrega feio do outro lado da história ao colocar Shobha cantando "Você é o meu Senhor, sou sua escrava" para o marido. Pensei que fosse ser mostrado o quão ruim é se pôr nesta posição, mas não. Pelo contrário, o final do filme foi totalmente nonsense, absurdo, vazio e tudo o que foi mostrado até então foi repentinamente virado do avesso.  Como se justificou isso? Com a frase "Amor é fé e a fé é para sempre". Sério. E lá vem mais spoilers.

Spoilers Proibidões Amit não amava Shobha e morria de saudades de Chandni, certo? Shobha sentia falta dele e ficava magoada por ele não vê-la como mulher, certo? Sendo assim, que história foi aquela de gravidez? Enfraqueceu muito a ideia que eu tinha do Amit, além da própria reconciliação dele com a esposa. Se antes parecia que ele só estava com ela por obrigação, depois da história do bebê eu passaria a vida achando isso. Fim dos Spoilers Proibidões


"Uma rodada de climão pra todo
o mundo, por minha conta!"

A trilha do filme é sensível e muito bem adaptada a ele. O clipe mais sensacional é Rang Barse, que retrata um Amit bêbado flertando com Chandni diante de todos. O clipe mostra seus cônjuges desconfortáveis com a cena e eu também me senti assim. Muita tensão para um Holi só. Muitos clipes são baseados na poesia do Amit e tem um clima sereno, porém triste. As letras são de Javed Akhtar e já tem vida por si próprias. A trilha é de Shiv-Hari.

Tem um ponto que eu não queria abordar, mas seria falso da minha parte fazer isto, pois foi o que me levou ao filme. Jaya e Amitabh são casados na vida real e dizem que ele e Rekha tinham um caso na época do filme. Sendo assim, o filme mostraria uma tensão existente na vida real entre o trio principal. Bem, são rumores. Mas que rolou climão, rolou.

Nunca espero nada muito espetacular do Yash Chopra (a não ser esteticamente), mas este filme foi mais balde de água fria do que eu imaginava. Parecia que ele estava ousando e se deixando surpreender, para no fim destruir tudo o que havia construído e dar lugar às ideias a que estava acostumado. Quando não estou concordando com as coisas, mas a história é instigante, parece que o filme me fascina ainda mais porque fico tentando me deixar convencer. Silsila me prendeu até os 30 minutos finais e depois foi só decepção. Ainda assim, não consigo não gostar do filme porque pelo menos ele nos coloca para pensar e também nos deixa em constante tensão. Dica mental para minha próxima aventura com Yash: não se deixe enganar, porque ele não vai sair da zona de conforto.
Este texto estava guardado há muito tempo. Agneepath teve um enorme impacto sobre mim e tive dificuldades em resumir todos os motivos pelos quais adorei o filme. Sendo assim, mexi tanto nesta postagem que nem sei mais como imaginava que ela seria no início. Estava ficando difícil conclui-la e ia desistir, mas pensei que uma última tentativa para organizar a bagunça não custaria muito esforço. Até porque já tinha muita coisa escrita e tive pena de jogar fora! Este é o resultado. 

Recentemente vem sendo feitos alguns remakes de filmes clássicos em Bollywood. Não gosto desta tendência porque a maioria dos filmes é muito boa e qual é o sentido de fazer um remake, se não para adicionar algo de bom que tenha faltado no original? Um bom remake foi o de Don, um filme cuja história poderia se beneficiar bastante sendo produzida atualmente, já que traz um traficante internacional e muitas cenas de ação. Um remake desnecessário foi o de Umrao Jaan. E um que me deixou indecisa foi o de Agneepath. Ao mesmo tempo em que percebi que muito poderia ser melhorado em relação ao original, este havia sido feito em 1990. Parecia cedo demais para se refazer um filme. Foi com a cabeça cheia de dúvidas, muita vontade de ver o Rishi Kapoor e curiosidade pelo personagem do Sanjay Dutt que fui assistir ao filme. O plano para hoje é discutir um pouco de ambos os filmes, compará-los no que for possível e ver suas maiores forças e fraquezas. Tratarei mais do novo por ter me impressionado mais. 

Agneepath, que pode ser traduzido como “caminho do fogo”, é a história de Vijay Dinanath Chauhan (Amitabh Bachchan/Hrithik Roshan). Quando criança, Vijay morava com os pais na aldeia de Mandwa. Seu pai era o honesto professor Dinanath Chauhahn (Alok Nath/Chetan Pandey), que tinha o respeito e admiração de todos os aldeões. Kancha Cheena (Danny Denzongpa/Sanjay Dutt) planeja começar um negócio de venda de drogas e precisa das terras dos aldeões para o plantio de coca. Como o professor convence o povo a não emprestar suas terras, o vilão arma um plano para desmoralizá-lo e fazê-lo ser linchado. A tragédia acontece e Vijay passa anos de sua vida sedento por vingança. 

Muito Vijay Chauhan nesta vida.

Para facilitar, vou dividir em tópicos e chamar o primeiro de antigo e o segundo de novo.

Os vilões

No antigo, o principal vilão era Kancha Cheena. Havia também outros homens que queriam matar Vijay para não permitir seu crescimento nas atividades ilícitas que conduziam juntos, mas eram rostos sem nome, de pouca importância. Kancha era o cara. O problema foi eu não ter entendido o porquê de tanto ódio ao vilão, que parecia ser mais um articulador das maldades do que um agente em si. Ele disse a um inimigo do professor Dinanath que este precisava ser eliminado, mas a ação mesmo ficou por conta de Dinkar Rao. O filme perde um pouco de sua visceralidade por isto, especialmente em comparação com o novo. Neste, o professor morre pelas mãos de Kancha Cheena. Isto faz uma diferença enorme! Você sabe exatamente por que Vijay passa tantos anos com aquele rosto em seus pensamentos, por que não vai descansar enquanto não destruí-lo. O vilão é muito mais forte no novo. Sanjay Dutt criou um Kancha absolutamente assustador, do tipo que apavora criancinha mesmo. Tem uma pequena passagem do Kancha ouvindo vozes do seu passado que dão a entender que seus problemas no trato social vieram de lá, das humilhações que sofria das outras crianças por não ter cabelo. Isto se reflete na sua perturbação, seu ódio por espelhos e seu desprezo pelo ser humano.

O Kancha de Danny Denzongpa é mais um mafioso estiloso. Seu problema com Vijay parecia mais relacionado ao quanto ele atrapalhava seus negócios. Bem diferente da tensão entre Vijay e Kancha no novo filme. Kancha quer ver as pessoas sofrendo, quer que o circo pegue fogo.

Um novo vilão foi adicionado: Rauf Lala (Rishi Kapoor).  Esta deve ser uma das melhores atuações do Rishi Kapoor em 20 anos, talvez a melhor que jamais verei. Todos os seus negócios são escusos, desde o tráfico de mulheres até o tráfico de drogas. É por meio do império construído por ele que Vijay planeja crescer para enfrentar Kancha. Vijay deseja assumir a posição de Rauf Lala e isto é simbolizado pelos momentos em que calça seus sapatos. Mas Rauf não está disposto a deixar seu império ir tão barato assim, o que nos permite vez a fantástica disputa de poder entre ele e Vijay.

Everyday I love you more and more! Sóri ae, Kaiser Chiefs.

Mesmo sabendo que Kancha é o vilão principal e tendo ficado assustada com ele, Rauf Lala me impressionou mais. Certamente foi por ter mostrado um lado tão diferente do Rishi,  aposto que nem ele imaginava que desempenharia tão bem o papel. Até mesmo agora que está mais velho, ainda é fácil para o Rishi manter a imagem de rapaz adorável que o consagrou. Mas quando o vi como Rauf Lala, o desprezo e raiva que senti me tomaram de surpresa. Eu queria que ele morresse, que pagasse caro por vender meninas a velhos imundos, que sofresse o quanto fosse possível. Rishi é um ator completo. Toda a sua expressão corporal transmitiu a arrogância do Lala, em especial na canção Shah Ka Rutba. Você sabe que ele se sente importante e que as pessoas assim o veem, sua presença domina o ambiente. Nem eu sabia que o Rishi era tão competente.

Vijay Dinanath Chauhan, pura naam

Não vou comparar Hrithik Roshan a Amitabh Bachchan. Primeiro, por serem atores de tempos muito distintos. Mas principalmente por seus Vijays terem sido pensados de modos diferentes.

Moleques tensos.
O Vijay do antigo tem um quê a mais de estilo, de jovem enfurecido (minha tradução de hoje para angry young man, apesar de o Amit nem estar tão jovem). Todas as suas falas parecem clássicas, ele salva a todos, mata alguns, tudo com a grandiosidade do Amitabh Bachchan. Ele fez um experimento que não funcionou para mim e nem para o público da época: mudou sua voz para o filme, deixando-o semelhante à do Don Corleone. Detestei e levei pelo menos 40 minutos para me acostumar com ela. Já o Vijay do Hrithik carrega muita dor dentro de si e ela está manifesta em seus olhos, no andar, em tudo o que é e faz. O ator que fez o Vijay de 12 anos ajudou muito no processo de passar para o público a sensação de que tudo o que aconteceu na vida do garoto transformou sua percepção de vida. Ele ficou assustador. Sua transição para o Hrithik foi bem feita e reforçou a ideia de que o adulto Vijay ainda era o mesmo menino, parado no tempo e imobilizado pela dor da perda do pai.

Toda a dor que o Hrithik conseguiu mostrar me fazia oscilar entre desejar que ele deixasse toda aquela vingança de lado e desejar que conseguisse concretizar seu objetivo. Sou uma pessoa absolutamente contra vinganças, então ficar nesse dilema não foi fácil para mim. Aquele sofrimento parecia ter tomado conta de cada parte dele, por dentro e por fora, então eu queria que ele não mais sentisse aquilo. Na verdade, acho que era isto o que todos do filme queriam. Que ele se libertasse. Vijay é tão ambíguo! Ao mesmo tempo em que contribuía para a caridade, não hesitava em fazer parte da gangue de um traficante de drogas e mulheres. Até nossos sentimentos acabam influenciados pela ambivalência dele.



Pelo que percebi, o Vijay do Hrithik foi construído para ser mais sensível. O Vijay do Amitabh é daquele tipo que grita e maltrata quando quer expressar sentimentos. O do Hrithik estava imerso em si mesmo, chorava, estava altamente perturbado. Pessoalmente, prefiro o novo. 

Baap ka naam, Dinanath Chauhan. Maa ka naam, Suhasini Chauhan. Gaon, Mandwa.

Muita cor dor.
A família do Vijay mudou um pouco de uma versão para a outra. A mãe, Suhasini, não mudou grande coisa: continuou desprezando a vida que o filho levava e negando amor a ele. Já Shiksha, a irmã mais nova, mudou bastante! Na primeira versão foi interpretada pela Neelam e tinha muito carinho pelo irmão, que a amava bastante. Mesmo assim, nem se compara com a importância da personagem no filme novo. Sua idade foi diminuída e em vez de chegar pequena em Mumbai com a mãe e o irmão, nasce apenas ao chegar à cidade. É então estabelecida a primeira ligação entre os irmãos: depois de morte, sofrimento e fuga, Vijay vê o nascimento de uma vida nova. Shiksha mal nasce e já está nos seus braços. Ele acaba de perder um membro da família e logo vem outro tão pequeno, sem saber de nada do que aconteceu. Suhasini separa os dois com Shiksha ainda pequena, então ela passa anos sem saber que tem um irmão. Como perda e ganho vieram em sequência, fica fácil entender por que a distância daquela irmã o machuca tanto. Ele perde sua família duas vezes.

Menos cor, ainda muita dor.

Mandwa, a aldeia onde tudo acontece. O objetivo do Vijay no antigo é dar Mandwa à sua mãe. Vingar-se de Kancha Cheena parece ser um objetivo maior no novo, sendo Mandwa o local onde tudo deve ter início e fim. Sabem filmes como Wape Up Sid e Kahaani, nos quais a cidade é um dos personagens? No antigo, Mandwa parece um personagem, de tanta vida que ganha na imaginação do Vijay.

As moças

Não é tarefa fácil ser heroína de Agneepath, sejamos justos. Na primeira versão era uma enfermeira interpretada pela Madhavi que só baixava a cabeça e se sentia triste. Na única vez em que levantou a voz, Vijay basicamente a ameaçou de morte. Fiquei apavorada. A situação melhora um pouco no filme novo com a heroína Kaali, uma espevitada moça interpretada por Priyanka Chopra. Kaali tem mais espaço que a Mary da Madhavi, apesar de também não ser peça fundamental do filme. Não gostei de atuação da Priyanka, que achei um pouco forçada nos sorrisos e olhos revirados. "Não gostei" é um pouco forte. Na verdade, acho que poderia ter sido melhor se ela tivesse carregado menos na expressão. Sabem quando parece que uma pessoa está forçando simpatia? Então. Eu via Priyanka interpretado Kaali, não apenas Kaali.

Madhavi não está com cara de foto de RG?

E o humor?

Krishnan Iyer (Mithun Chakraborty) é um personagem muito importante no filme antigo. É um amigo de Vijay que se torna quase um irmão, chegando a ter um romance estranho com Shiksha. Estranho porque é um daqueles romances em que fazem a transformação da moça ocidentalizada descarada em boa moça submissa indiana para mostrar o surgimento do amor entre eles. Argh, detesto isso. Além de ter um romance com mais consistência que o de Vijay, Krishnan também era responsável pela parte cômica do filme, que foi drasticamente diminuída no filme novo. Na minha opinião, foi uma decisão acertada. Apesar de mais pesada, a história também ficou mais focada e algumas cenas menores e clipes conseguiram cortar um pouco o clima sombrio no filme novo.



As músicas!

Filme antigo: trilha? Que trilha?
Filme novo: MELDELS, EU ADOREI ESSA TRILHA, POR QUE NÃO OUVI ISSO ANTES?

Gun Gun Guna, Shah Ka Rutba, Deva Shree Ganesha...é possível não gostar da trilha após ver os clipes? Agneepath já merece todo o meu amor só por ter dado um qawwali ao Rishi Kapoor no qual constatamos o óbvio: Rishi é o maior, Rishi é o melhor, etc, etc.

E tem ela. O item number. A item girl. Não assisti ao clipe antes de ver o filme e acho que fiz bem. Chikni Chameli é um item adaptado ao filme como poucas vezes se viu. A coreografia é estranha, pesada. Só não fica desengonçada porque a Katrina Kaif tem total controle do que está acontecendo. Aquele espaço é dela. A Kat evoluiu muito como dançarina desde Sheila Ki Jawani.

O clipe mostra o retorno do Vijay a Mandwa e sua distância em relação à dançarina parece refletir uma outra, que é a que o separa de Kancha e da Mandwa por ele criada. Ela tenta seduzi-lo, mas ele não quer nem olhá-la. Ela ataca e tenta levá-lo para o seu mundo sujo, mas ele está decidido em seu objetivo e não vai se deixar enganar. Há uma parte em que essa interpretação ficou mais firme para mim, que é o momento em que Kancha fica à frente da dançarina e os dois avançam em direção a Vijay. É como se o estivessem convidando para suas trevas. Enquanto isto, tudo ao redor é dominado por chamas. O caminho de fogo continua.



E este é o clipe que marca a volta do Vijay a Mandwa no antigo. Jamais coloquem o Shakti Kapoor em algo que eu deveria levar a sério, gente.

O que tiro de tudo isto?

O remake de Agneepath foi muito acertado e funcionou totalmente comigo! Consegui me identificar mais com o sofrimento de Vijay Chauhan e assisti a três enforcamentos sem que isto estragasse o filme para mim (apesar de ter ficado um pouco assustada). Não é o mesmo filme de 1990, mas os dois tem em comum um trabalho cuidadoso com  imagens, clipes e figurinos. A história ficou mais forte no novo. Se for para escolher um dos dois como clássico, não duvidem de que escolho o lugar onde Rishi Kapoor estiver.

Minha grande frustração com os filmes é sentir que ainda tenho uma compreensão muito superficial do poema Agneepath, em que são baseados. O significado do caminho do fogo deve ser mais intenso. Parece que não consigo ver além de uma exigência para que jamais se permita a própria fraqueza, coisa da qual discordo plenamente. Mas deve ter mais ali. E no dia em que eu descobrir o que é, escrevo aqui. Mesmo que seja para apenas chegar à conclusão de que não havia muito mais do que eu pensava. Até lá...agneepath, agneepath, agneepath.
O último post sobre as pesquisas que trazem as pessoas ao blog ficou divertido e eu disse que faria outro caso houvesse mais buscas legais. Me esqueci completamente, três meses se passaram e há muita coisa nova! Decidi analisar todas as buscas já feitas desde o início do blog, em dezembro de 2010. Bora ver o que traz o povo até o Deewaneando!

Da série Kolaveri Di:

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Este post costuma trazer essa busca.

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Envente, envente!

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Privacidade, cadê?

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Queria fazer piadinha, mas me deixou triste imaginar uma pessoa chegando a um nível de desorientação que a faça jogar isto no Google realmente achando que encontraria ajuda. Sorte aí, amics.

qual é o nome do filme que uma mulher era espancada pelo marido? 

O nome é "Vida real" e infelizmente tem estreia todo dia.

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Vocês andam muito negativos, gente.

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Que graça, adoro a Ayesha!

uma musica antiga que eu consiga pensar 

Quer uma música antiga que lhe faça pensar ou quer pensar numa música antiga?
O primeiro dos romances de 2012 a que assisti, Tere Naal Love Ho Gaya é também uma chance de ver um casal de protagonistas que é casado na vida real. Não sei se mais alguém por aí é assim, mas tenho curiosidade para ver como são casais reais de Bollywood na tela. Considerando que adoro o Riteish, (às vezes) suporto a Genelia e achei todas os pôsteres e fotos do filme lindos, até que o terreno estava preparado para um passeio agradável.


TNLHG é a história de Viren (Riteish Deshmukh), um motorista de riquixá que vê seu mundo virar de ponta-cabeça quando perde as economias guardadas durante anos para abrir seu próprio negócio. Ele culpa Bhatti (Tinnu Anand) pelo incidente e invade o noivado da filha dele para exigir seu dinheiro. Isto é um presente divino para Mini (Genelia), que não queria noivar e dá um jeito de fugir da cerimônia com Viren fingindo que ele a sequestrou. Ela basicamente o força a participar de um plano para tirar dinheiro do pai dela, e ele só aceita ficar com a parte que lhe cabe, ou seja, suas economias. Os dois ficam rodando de carro por aí, tentando se virar enquanto o plano prossegue. O amor surge em algum momento e fica enrolado no meio do "sequestro", do desejo do pai de Mini de que ela se case com um rapaz estúpido e da complicada família de Viren, que não é lá muito convencional. A direção é de Mandeep Kumar.

Pelo que captei, o filme tentou se sustentar em dois pontos:  muita dinâmica nos acontecimentos e o carisma dos personagens principais. Com relação ao primeiro, não tive grandes questões. Da invasão do casamento à família de Viren, há bastante movimentação. Já o segundo ponto foi o mais fraco do filme. Riteish normalmente consegue fazer personagens muito simpáticos, porém seu Viren tinha pouca energia e a todo momento apenas se deixava levar pelos acontecimentos. Achei isto uma pena, pois o clipe de introdução me fez acreditar num personagem simples, mas firme e cheio de vida. A parte de ser cheia de vida ficou por conta da personagem Mini, mas ela não funcionou para mim por adicionarem uma certa característica: ela é mimada. Mimada ao extremo, fazendo de tudo para o mundo dançar ao seu ritmo. Sendo assim, o que poderia ser apenas mais uma das agradáveis mocinhas tagarelas de Bollywood mais me pareceu uma adolescente chata. Como o os diálogos não são interessantes (apesar da movimentação), não ter me encantado pelo casal enfraqueceu mais ainda minha experiência com o filme.

Meu incômodo com a vivacidade inconsequente de Mini aumentou quando ela conheceu a família de Viren e não deu um pingo de atenção à todas as ressalvas dele quanto às atividades da família. Tudo o que ela queria era entrar para aquele sistema, ter uma mãe e ficar para sempre na casa. Entendo que a proposta do filme não era fazer profundas reflexões sobre nada, mas nem ao menos tomar parte nas poucas que o Viren fazia foi tolice em excesso. Em nenhum momento ela deixou de ser a garotinha que queria viver aventuras, como foi mostrado logo no início.  E tudo o que Viren ressaltou fazia sentido. A propósito, a família dele também reforçou a fraqueza desanimadora que enxerguei no personagem. Repentinamente a culpa por tudo ser como era foi atribuída a ele, sua imagem de covarde foi estabelecida e pronto, era isso aí. Gente colocando o peso da família sobre os ombros do filho mais velho já havia me irritado antes.

Enquanto o relacionamento Mini-Viren não teve muito charme aos meus olhos, uma outra história de amor deixou o filme mais doce: a de Mini e Chowdhary (Om Puri), o pai de Viren. Às vezes só queremos muito agradar a uma pessoa e somos bobos em nossos esforços para isto, não? Nas suas tentativas de fazer amizade com Chowdhary, os modos quase infantis de Mini ficaram mais divertidos e deu para entender por que ela acabou cativando-o. Bonitinha, inteligente, engraçada e disposta a fazer tudo para ajudá-lo: como não se divertir? Ela era a companhia que seu filho não se esforçou para ser. Embates entre uma personalidade durona e uma pessoinha doce costumam me trazer pensamentos de "Ooooo, que fofo!" à mente. O tom do personagem do Om é quase de comédia, sendo o bandido de bom coração. Este tipo de abordagem deu certo comigo em outros filmes, sendo a série Munna Bhai o melhor exemplo (e com quem Munna Bhai não funciona?). A Genelia também cuidou mais da comédia do filme do que o Riteish, o que é curioso. Apesar de não ver graça na Mini a todo momento pedindo que Viren dançasse para ela,  houve uma cena dela em que ri bastante: a do posto de gasolina, quando ficou lavando o carro sensualmente para seduzir o dono e conseguir sair sem pagar. Como a Genelia estava exagerando nos maneirismos para se mostrar sexy, entendi que foi um modo de ironizar essas cenas bobas em que garotas ficam lavando carros todas trabalhadas no sex appeal. Me lembrou uma parte de Stupid Girl, um clipe que sempre me fazia rir quando passava na TV.

Sensualizar com a esponja: tendência.
Os figurinos da Genelia são lindos e muito coloridos. Os clipes também são repleto de cores, mas não os adorei porque muitos estavam baseados no amor do casal principal, e confesso que nem percebi direito quando ele começou. Me diverti com Fann Ban Gayi, cantada pela Sunidhi Chauhan, apesar de ter uma vaga lembrança de ter achado a letra estranha (às vezes letras de item numbers me apavoram). A dançarina é uma tal de Veena Malik, que eu vinha há dias querendo saber quem era.

Pee Paa Pee Paa tem outro dos clipes mais animados do filme e adorei o Riteish nele, apesar de não ser o dançarino com maior desenvoltura do mundo. Ele sorri abertamente e se move com liberdade, o que é o suficiente para me fazer feliz. E Jeene De é a tal primeira música do filme que mostrou quem era o Viren. É  cantada por Mohit Chauhan e a minha preferida.



Acredito que o filme tinha potencial para ser mais encantador do que conseguiu ser no final. O Riteish não precisava ser tão apático e a Genelia não precisava ser tão chata. Mesmo assim, a alegria e o clima descontraído de Tere Naal Love Ho Gaya me fazem acreditar que assistirei melhor ao filme numa outra vez, quando não estiver esperando tanto por uma comédia simples, muito esperta e simpática. Ou seja, na próxima não vou ter esperanças de ver um filme pequeno, mas com roteiro muito bem trabalhado. TNLHG é um filme que não é marcante, mas consegue ser bonitinho e feliz.
Em vez de fazer um texto em formato tradicional, vou ter que escrever só umas notas sobre Agent Vinod, já que não consigo organizar o filme o suficiente na minha cabeça para escrever parágrafos coerentes que levem a alguma conclusão. Sim, a coisa chegou a este nível.

Créditos super legais! Me lembraram os de Tashan.

● Saifu. Bebo. Espiões. Só o santo padroeiro de Bollywood sabe o quanto eu queria amar este filme e não estava me importando com as críticas. E só ele sabe o quão decepcionada e confusa fiquei com aquela bagunça.

● O que entendi da história: tinha uma bomba nuclear (?!), ela ficava passando de mão em mão e o agente Vinod (Saif Ali Khan), da Inteligência Indiana, tinha que achar as pessoas e pegar a bomba. Por que todo o mundo se matava? Sei lá.

● O papel da Kareena era estranho. Iram é uma pessoa de caráter ambíguo que nunca sabemos se está falando a verdade ou não, mas mesmo assim não tinha muito conteúdo ali. O Saif deve tê-la chamado para atrair o público dela para o filme, mas como fã da Bebo digo que foi um erro, um tremendo erro. A personagem é chatinha e fica metade do filme fazendo cara de triste e sendo carregada pelo Vinod, o que não é um papel para alguém com a energia de Kareena Kapoor! Ele deveria ter chamado alguma novata a fim de crescer, uma atriz do Sul com vontade de estrear em Bollywood ou coisa do tipo. Ficar esperando pelo grande "boom" da Bebo é torturante. Minha amiga Jo sempre diz que para ela, a Bebo faz a mesma cara em todas as atuações, coisa da qual discordo. Menos neste filme.

Chatinha.

Ficando divertida...

...e chatinha de novo.

● A ação do filme é uma droga, sóri ae a quem fez. Fizeram uma bagunça sensacional na primeira cena de ação, que eu estava ansiosamente esperando. Tudo ficou escuro, enrolado, até mesmo colocaram a imagem de ponta-cabeça. Ponta-cabeça, cara. Não.

Fonte: Hindustan Times


E eu estava sentindo uma certa vergonha pelo Saif, apesar de não querer. Ele estava até melhor do que imaginei, mas para mim estava claro que ele estava achando muito legal ficar sendo o poderosão, salvando o mundo vestido em seu smoking. Entendem minha questão? Não tem problema ele achar legal, até eu acharia o máximo ficar gravando cenas de ação. Mas estar estampado na sua cara que você está achando tudo super incrível enfraquece o personagem. Na verdade, é bem provável que eu só tenha enxergado assim por saber o quão especial este filme era para o Saif. Conclusão: pare de ler fofocas, ou vai ficar tendo esse tipo estúpido de impressão de alguém que está seriamente se esforçando para fazer algo bom. Auto-recriminação: sou dessas.

O que eu queria com o filme era me divertir muito, o que dependia 80% de gostar da ação. Então...


● Letônia, Marrocos, Paquistão: as locações escolhidas foram interessantes.

● É triste em Bolywood quando filme e música não se completam. Parecia que o filme estava rolando e alguém ligou o rádio em alguma estação aleatória. Eu queria gostar de Pungi, mas não consegui. Raabta é a música mais doce. Como foi mostrada? No meio de um tiroteio, enquanto uma pianista cega a cantava. Muito, muito errado.

● Passei o filme TODO esperando o tal mujra da Kareena. Não foi nada fantástico como eu imaginava, mas Shammi do céu, ela estava linda! Minha mãe chegou pouco antes e disse que ela nem se comparava à outra dançarina, que descobri se chamar Maryam Zakaria.

Sim, sei que estou exagerando nas fotos da Kareena.

● Casal principal, procuro até agora o momento em que vocês se apaixonaram.

Seus lindos.

● QUAL FOI A DO FINAL? Errado em dez, cem, mil, um milhão, um trilhão, todos os níveis!

Continuo torcendo pelo Saif, que está precisando de um sucesso desde Love Aaj Kal. E mesmo não tendo gostado, queria que Agent Vinod tivesse dado certo para ele. Melhor sorte no próximo, Saifu!
Ajay Bakhshi (Shahrukh Khan) é um jornalista pouco interessado em questões sociais importantes. Tudo o que quer são matérias sensacionalistas e fama. A emissora rival contrata Rhea Banerjee (Juhi Chawla), uma jornalista tão astuta e gananciosa quanto Ajay, para fazer frente a ele. Ajay vive flertando com Rhea ao mesmo tempo em que ambos competem pelos melhores furos de reportagem. Seus chefes os colocam no meio de uma disputa política entre o partido do governo e o da oposição, que se utilizam da mídia para promover suas mentiras junto ao público. Os jornalistas pouco se importam com o que está acontecendo, mas isto muda quando conhecem Mohan Joshi (Paresh Rawal), um homem simples com uma história triste que faz suas consciências se voltarem para algo que não seja seus próprios umbigos. Mas há pessoas que não desejam que a história de Mohan seja conhecida. Phir Bhi Dil Hai Hindustani tem direção de Aziz Mirza.



Às vezes extremamente caricato, outras vezes tentando passar mensagens importantes: este filme me deixou confusa. Assim que começa, recebemos um grande e colorido musical de Ajay, uma cena de comédia em que arruma um furo exclusivo de uma bomba sendo desarmada e mais um musical onde diz “Eu sou o melhor” de segundo em segundo, com direito a balões coloridos. Sempre espero romance dos filmes do SRK, mas entendi o filme como uma comédia e prossegui alegre, já que ainda não o tinha visto com a Juhi. Ela entrou e o clima caricato foi reforçado pela participação do Johnny Lever como um mafioso desastrado que precisava estabelecer uma imagem de durão frente aos outros bandidos. Resumo: balões coloridos, “Eu sou o melhor” e Johnny Lever são elementos suficientes para entender que um filme não será dramático. Foi então que surgiu o Paresh Rawal com o personagem mais sério do filme. Uma sequência muito triste da vida de Mohan "Baba" quase me fez acreditar que tudo ficaria sério, mas aí voltaram as trapalhadas do Johnny Lever e aceitei que aquilo ali era uma bagunça mesmo, era melhor parar de tentar enquadrar em uma categoria e ver no que dava. 






O personagem do Shahrukh é um stalker de alto nível, perseguindo a da Juhi para todo lado e dizendo que ela o ama a cada vez que recebe um “Não” e uma portada na cara. Isto costuma me irritar muito. Porém não me importei muito com toda a stalkeação de PBDHH, já que nada naquele filme era muito sério, muito menos o Ajay. Ele era um bobo narcisista que ficou engraçado naquele contexto, divertido como o Shahrukh sabe muito bem ser — acredito que ele tenha potencial para ser um grande comediante. Mostrou bem como há pessoas dentro dos veículos de comunicação esquecidas de que estão ali para informar ao público, não (só) para manipulá-lo e usar sua audiência em benefício próprio. Rhea era tão narcisista quanto, mas não tenho grande imunidade à fofa da Juhi e acabei achando-a adorável. Aquela história de mãe desesperada para casar a filha que já está ficando sem graça, mas não foi muito trabalhada no filme e todos pareciam satisfeitos por a Rhea trabalhar e ser inteligente, inclusive a própria. 


Os coadjuvantes são muito bons. Em especial, fiquei feliz por ver o Satish Shah e o Shakti Kapoor, que infelizmente não tinha uma metralhadora. Paresh Rawal partiu meu coração como um homem pobre, infeliz e injustiçado. Seus olhos mostravam tanta dor! Nina Kulkarni e ele fizeram cenas meigas com o Shahrukh e a Juhi. 


Então...

A evocação do patriotismo para a qual a história foi direcionada era bem óbvia pelos pôster e nome do filme e pareceu um pouco forçada (apesar de eu sempre gostar de ver a bandeira da Índia em cena). O que funcionou para mim foi a pequena mostra de como políticos não apenas se apropriam, mas também criam questões para conseguir o apoio e atenção do público. Mortes, dor e famílias destruídas eram apenas obstáculos ao sucesso dos políticos do filme. Também gostei do modo irônico como foi mostrada a indústria da propaganda se aproveitando de situações nada éticas para cumprir seu dever: vender. E o público também não ficou com menos culpa nisto, hein? Dependendo de como é apresentada, a gente pode comprar até a idéia mais suja. 


A trilha sonora não me marcou muito, gostei apenas de Banke Tera Jogi, último clipe do filme. De todo modo, os clipes são engraçados e coloridos, bem gostosos de assistir. Fiquei surpresa por não ter nenhum clipe romântico à la Shahrukh Rahul Raj Khan: nenhuma montanha, sem braços abertos e Juhi correndo. Até havia o Aur Kya com Juhi de sári, mas não bateu muito com o clima dinâmico da história e não parece com o ambiente Tujhe Dekha To que tenho em mente. 





Tendo pouco foco no romance, muitos personagens caricatos, Juhi e SRK lindos como jornalistas e mais cores do que o esperado, Phir Bhi Dil Hai Hindustani não teve nada a ver com o que eu pensei que iria assistir. Enquanto filme do Shahrukh eu realmente esperava algo mais intenso, mas agora entendi que não gosto dos filmes do Aziz Mirza. E mesmo já ficando cansada lá pela metade da história, valeu a pena ver o carisma do casal principal em pleno início dos anos 2000.
Como grande fã da Waheeda Rehman, sei que este blog está em falta com ela. Já havia visto todos os filmes de que mais gostei dela quando comecei a escrever aqui, então não sobrou tanta coisa legal para comentar. Vi alguns outros, mas não me encantaram muito ou sentia preguiça de postar. C.I.D. foi a estréia da Waheeda em Bollywood. Se eu não vencesse as pesadas barreiras da procrastinação para falar deste filme, não me perdoaria como fã.


Momento épico para o Deewaneando.

Dev Anand é Shekhar, um inspetor de polícia encarregado de investigar o caso do assassinato de Srivastav, editor de um grande jornal. O editor ia expor os crimes de um homem poderoso, que então ordenou ao bandido Sher Singh (Mehmood) que o matasse. Foi a primeira vez que vi o Mehmood em um papel sério. Ele costuma ser do núcleo cômico dos filmes, fazendo alguns clipes engraçados. 




Shekhar entra em um carro qualquer na rua para perseguir Sher Singh. Dentro do carro escolhido está Rekha (Shakila), que fica indignada com a perseguição. Assim que consegue, ela desliga o carro e Shekhar perde a pista do assassino. Os dois tem que passar a noite dentro do carro, pois começa a chover e a esperta moça jogou a chave na lama. Quando acordam, são agraciados por uma adorável campesina dançando alegremente. A dançarina é a Minoo Mumtaz, que é irmã do Mehmood. 


Shakila, que abandonou Bolly após se casar.

Pior foto possível, eu sei. Mas foi difícil.

Rekha vai embora e Shekhar volta a investigar seu caso. Consegue que o desocupado Master (Johnny Walker) tire uma folga do seu flerte com uma linda vendedora (acho que é a Kum Kum) para reconher Sher Singh como o assassino. Master estava escondido na sala do editor na hora do crime, roubando alguma coisa.  Assim que Sher Singh é preso, as pessoas que queriam Srivastav morto se movimentam para garantir que seus nomes permaneçam ocultos. Shekhar recebe a ligação de uma misteriosa mulher que diz ter informações sobre o assassinato. Ao chegar em sua casa, a mulher tenta subornar Shekhar para que o sigilo seja mantido. 

E quem é a moça misteriosa? 

Tão pequena!

Waheedinha, dando os primeiros passos em uma linda e longa carreira no cinema hindi. Para quem sempre a vê como a mocinha doce de todos os filmes, foi uma surpresa ver seu início como a namorada do vilão. 

Shekhar rejeita a proposta e é deixado inconsciente numa estrada. É levado para a casa do seu superior na polícia, Mathur (K.N. Singh). Ele é pai de Rekha, que já está apaixonada por Shekhar. É a noite do aniversário dela e Shekhar percebe que uma de suas amigas é a mulher misteriosa que tentou suborná-lo...ooooh! 

O que o policial não percebe é que Dharamdas (Bir Sakuja), um homem respeitado na sociedade, parece conhecer Kamini de algum lugar e não está nada satisfeito com sua presença na festa. O que todos tem a ver com o assassinato e toda a reviravolta que acontece na vida de Shekhar por causa deles, vocês descobrirão ao ver o filme. 

Das personagens femininas do filme, Kamini é mais interessante que Rekha. Ela me lembrou uma personagem muito boa de um outro filme com o Dev Anand, a Chanchal (Shubha Khote) de Paying Guest. Começa com um papel pequeno, uma vilãzinha simples, e depois vemos que é mais complexa e está confusa com suas escolhas de vida. Waheeda está comedida, parece tão pequena e frágil! Ainda não era tão amiga da câmera, mas fez bem seu papel. Foi a eterna Gulabo de Pyaasa apenas um ano depois. 

Dev Anand estava mais natural do que jamais o vi – nem o topete estava tão...topetudo. Venho tentando descobrir o porquê de eu ter começado a gostar dele, já que detesto a maioria de seus personagens. Shekhar entrou para a galeria dos poucos que me agradaram. 


Johnny Walker não precisa de muita introdução. Sempre me diverte e deixa os filmes mais leves com seus papéis de malandro simpático. É interessante pensar que anos depois, o mesmo Mehmood que o olhava ameaçadoramente enquanto era denunciado como assassino no filme seria o ator a tomar a sua posição de rei da comédia em Bollywood. Adoro o Johnny Walker e nunca ri do Mehmood. Adivinhem minha opinião sobre essa história de novo rei, então. 

Kum Kum lindinha e Johnny.

C.I.D. foi o primeiro sucesso do diretor Raj Khosla, que eu só conhecia por Mera Saaya e fez um trabalho extremamente competente em ambos os filmes. Apesar de ser um filme meio básico de Bollywood e nós sabermos mais ou menos o que vai acontecer, o aspecto sombrio que deu às cenas, especialmente as de perseguição, nos coloca no clima da história. Cheguei até a ficar apreensiva com os acontecimentos. 

O trabalho feito com as músicas é muito bonito, especialmente na já citada Boojh Mera Kya Naam Re e em Kahin Pe Nigahen Kahin Pe Nishana, que dá início aos momentos de decisão da história. Também é um primeiro vislumbre das danças da Waheeda, que ficaram cada vez melhores com o passar dos anos. A música de que mais gostei foi Yeh Hai Bombay Meri Jaan, tendo o Johnny e a Kum Kum no clipe. Acho que sempre vou lembrar desta última com um sorriso. A coreógrafa do filme foi Zohra Segal, a doce Lillipop de Saawariya. 

Gostei muito do filme, apesar de ter esperado um desenvolvimento um pouco melhor da parte romântica. Todos os atores estão bem e fiquei encantada por ver o início de tantas carreiras: da Waheeda, do Raj Khosla, do Guru Dutt como produtor, do Mehmood. São muitas pessoas que vejo o tempo todo nos filmes antigos e é legal ver um projeto com todas reunidas. E fiquei um pouco menos em dívida com a Waheeda!
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"DEEWANEANDO"?

Devanear = divagar, imaginar, fantasiar. Deewani = louca, maluca. Deewaneando = pensar aleatória e loucamente sobre cinema indiano.

Meu nome é Carol e sou a maior bollynerd que você vai conhecer! O Deewaneando existe desde 2010 e guarda todo o meu amor pelo cinema indiano, especialmente Bollywood - o cinema hindi. Dos filmes antigos aos mais recentes, aqui e no Bollywoodcast, seguirei devaneando sobre Bollywood.

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