Deewaneando
  • INÍCIO
  • SOBRE O BLOG
  • BOLLYWOODCAST
  • ACONTECEU EM BOLLY
  • ESPECIAIS
    • Semana Nutan
    • Família Kapoor
    • Diretores
  • RESENHAS
    • Índice por letra
    • Por décadas
      • Anos 40
      • Anos 50
      • Anos 60
      • Anos 70
      • Anos 80
      • Anos 90
      • Anos 2000-2009
      • Anos 2010-2019
      • Anos 2020-2029
Tenho apreço por histórias de gêmeos. Desde novelas como A Usurpadora, passando por filmes clássicos como Seeta Aur Geeta ou o atual Kaminey, considero a trama da troca de papéis suficiente para boas horas de entretenimento. Ela permite momentos engraçados enquanto um gêmeo faz as tarefas rotineiras do outro e também o meu ponto favorito, que é quando um resolve conflitos da vida do outro.

Ram Aur Shyam seguiu a já conhecida fórmula. Ram e Shyam (Dilip Kumar) são fisicamente idênticos, porém tem personalidades opostas. Ram é medroso e tem todos os seus bens controlados pelo cunhado, Gajendra (Pran), que o submete a agressões físicas. Shyam é destemido, abusado e não hesita em dizer o que lhe vem à mente.Os dois trocam de lugar por engano, quando Ram foge de casa com medo de ser assassinado pelo cunhado e Shyam foge de sua aldeia para tentar ser ator de Bollywood. Tudo perfeitamente armado para um maravilhoso clichê com 3 horas de duração, porém a maravilha não aconteceu. Tentemos entender o porquê.

Tem coisa mais linda que ver o Rei da Tragédia gargalhando?

O cansaço me pegou já pela metade do filme, talvez antes. O evento mais antecipado é o confronto entre Shyam e o malvado cunhado de Ram. Ele só acontece após o intervalo, fazendo o espectador esperar por mais de uma hora. A espera não teria sido problema caso houvesse mais movimentação na primeira metade, o que também não ocorreu. O tempo da primeira parte foi gasto com o romance entre Shyam e Anjana (Waheeda Rehman), além de também terem sido mostradas as armações de Gajendra. Acredito que não seria cansativo se esse tempo tivesse sido empregado para mostrar as confusões relativas à troca de papéis. Não houve aproveitamento da adaptação de Ram, rapaz urbano assustado, ao cotidiano da aldeia em que dele se esperava que fosse um habilidoso agricultor. Foi dedicado mais tempo à história de Shyam, mas ainda assim não foi bem aproveitada. Houve uma mistura de momentos em que consertava as injustiças da casa de Ram ou flertava com Anjana, entretanto foram poucos aqueles nos quais teve problemas por não se portar como se esperaria do covarde Ram.

O exorcismo de Ram
A atuação de Dilip me deixou dividida. Sou fã de sua veia cômica pelo simples motivo de adorar vê-lo sorrindo, então tive uma boa surpresa ao ver um Shyam tão piadista. Sua expressão corporal estava mais livre do que me lembro de ter visto. Como tantas outras coisas, isto também não foi bem trabalhado no filme. Chegou um momento em que as gargalhadas histéricas já não tinham mais sentido nas cenas. Como Ram, Dilip iniciou mostrando um rapaz doce e assustado, que foi sumindo ao longo do filme. Gostaria de ter visto mais do processo de amadurecimento que teve ao relacionar-se com Shanta (Mumtaz), aldeã que não se dava bem com o grosseiro Shyam e encontrou o amor na doçura e calma de Ram.

Pran estava excelente. Não me lembro da última vez em que gostei tanto de um papel seu como neste filme. Gajendra é desprezível e apavorante na medida certa, nos fazendo torcer para que alguém o faça em pedacinhos. Quando Shyam toma o lugar de Ram e ameaça Gajendra, é visível a mudança do olhar dominador para o temeroso. Sua esposa, interpretada por Nirupa Roy, reforçou a visão que tenho de suas personagens: excessivamente abnegadas e passivas, acabando por deixar as cenas muito pesadas. Por último, comento a atuação das duas heroínas – Mumtaz e Waheeda Rehman. A última ganhou um pouco mais de espaço na história por conta da trama de seu noivado com Shyan, enquanto Mumtaz foi totalmente desperdiçada. Apareceu em algumas sequências musicais típicas de filmes que retratam aldeias, uma ou duas cenas no final e nada mais. Para alguém facilmente impressionável pelo carisma das atrizes, considerei uma pena não ver mais de ambas.


A trilha sonora de Naushad não impressiona. O clipe mais interessante é Dheere Dheere Bol, responsável por eu ter passado anos ansiosa por assistir ao filme. Tem pitadas de crítica social que não receberam maior importância no roteiro e é fortemente representativo dos clipes típicos de aldeia - apesar de não ser o caso no filme. Já a única música que me marcou foi Aaj Ki Raat Mere Dil Ki Salami Lele, cantada pelo fantástico Mohammed Rafi. Com ela, descobri meu pendor por clipes com revelações públicas de sentimentos dolorosos.

Como não amar a velha Bolly?

Para alguém que não se cansa das mesmices das tramas de gêmeos, fui surpreendida pelo sentimento de decepção ao fim de Ram Aur Shyam. Por mais agradável que seja ver o Dilip Kumar sorrindo, a Mumtaz vestida de aldeã ou a Waheeda Rehman apenas existindo, nada disto foi suficiente para substituir todas as possibilidades não exploradas. Nem sempre os clássicos nos dão tudo o que esperamos deles.

Não sei o que é Assassin's Creed, mas de acordo com os comentaristas do Youtube, o trailer usou a trilha dele. Mas eu sei o que é Jimmy Shergill sendo fantástico, e é isto que este trailer mostra. Saheb está de volta, mais frio do que nunca!

A história do primeiro é mais ou menos assim: Jimmy Shergill é poderoso, Mahi Gill tem algum transtorno mental (não lembro qual) e quer ser amada. Eles são casados, mas ele pouco se importa com ela. E Mahi tem amantes. Rolam muitos tiros, mortes, brigas por poder e o filme é fabuloso.

Resolveram fazer sequência e eu havia achado isso um erro, até ver esse trailer e perceber que: 1) Jimmy Shergill vai aparecer muito e 2) Irrfan Khan, fim. Soha Ali Khan também está no elenco, mas isso não me diz muita coisa. Aparentemente haverá um quadrado amoroso entre ela, Irrfan, Jimmy e Mahi. Já disse que estou ansiosa?

2013: esperança returns.
Algumas questões a responder:

- Por que ainda dão dinheiro ao Madhur Bhandarkar para fazer filmes?
- Por que a Bebo aceitou fazer este filme?
- Por que a Aishwarya considerou fazer este filme?
- Por que há pessoas que consideram Madhur Bhandarkar um bom cineasta? Pior ainda, por que há pessoas que o levam a sério?
- Como é possível que alguém desperdice em alto estilo uma participação especial da Helen?

Até o fim do texto, tentarei responder à essas perguntas do modo que melhor entendo: palpitando, com base na teoria do achismo.


Heroínas não são apenas atrizes, como enxergamos aqui no Ocidente. A heroína, muitas vezes, é quase um adereço do herói. É raro um filme ser focado na personagem feminina, tanto que há sempre uma comoção quando isso acontece. A trilha do sucesso é muito difícil para elas. A carreira dura menos, a pressão é mais intensa e a competição é monstruosa.

Mahi (Kareena Kapoor), a heroína do filme, provavelmente passou por várias dificuldades para chegar ao estrelato. Não sabemos como foi, pois Madhur achou melhor começar o filme a partir de seu sucesso. Tudo bem, mas ainda não foi explicado o porquê de ela querer aquela vida, dado que claramente não faz ideia do que acarreta essa escolha. Ela entrou no mundo da fama sem nem imaginar que existam favores sexuais, diminuição de papéis femininos em filmes, produções independentes suspensas...bem, basicamente tudo de mais óbvio. Eu provavelmente não teria me dado conta de toda esta absurda ignorância caso fosse mostrada uma atriz iniciante tendo que descobrir tudo aquilo, mas Mahi já tem prêmios e está com a carreira (relativamente) estabelecida. Difícil acreditar que não tenha enfrentado nenhum desses reveses em algum momento. Mais difícil ainda é acreditar que todos repentinamente começaram a vir em sequência.

Bebo, quando aceitou fazer Heroine.

Como se já não estivesse ruim o suficiente, não houve preocupação em unir os eventos numa narrativa coerente. Minha hipótese é de que Madhur reuniu alguns estereótipos sobre o mundo da fama, como:

- Artistas bebem
- Artistas fumam
- Artistas tomam muitos remédios
- Artistas usam as outras pessoas
- Artistas  fazem sexo casual
- Artistas tem ideias grandiosas e súbitas

Depois de reunir esses elementos, ele os colocou em um saquinho e sorteou a ordem de aparecimento. Costurou tudo e voilà, um roteiro foi criado! Provavelmente esta é a opinião mais sólida que tenho sobre o filme, já que não entendi muita coisa. No meio de tudo aquilo, havia alguém chamada Mahi. Não conheci esta pessoa, apenas fatos de sua vida. Não sei por que ela repentinamente transou com outra mulher ou por que, mais repentinamente ainda, resolveu adotar um bebê.

Talvez eu saiba.


Essa frase foi jogada ao vento, como se não fosse nada. Nem voltaram a citar o assunto no filme. Quer dizer, uma doença cujo tratamento envolve medicação constante, rotina disciplinada e controle estrito do estresse não significa muito na vida de uma atriz. De cinema. Descuidado e desnecessário. O diagnóstico de transtorno bipolar poderia explicar muito do comportamento impulsivo e imprudente de Mahi, especialmente ao considerarmos que não levava uma vida nada saudável e isso só pioraria o quadro. Só que isso não é nada explicado, então encarei o resto do filme como a história de uma mulher vivendo muitas manias e tentando encarar o dificil mundo do cinema no meio disto. Estar nisto já seria difícil normalmente, mas para ela me pareceu pior.

A relação de Mahi com Aryan Khanna (Arjun Rampal) é esquisitíssima. Ela é in-su-por-tá-vel de tão carente e ele é...sei lá, meio insensível. Quer dizer, até eles voltarem e ele começar a ser o Mr. Sensibilidade. Não vi muito envolvimento ali. E a cena de sexo deles foi uma das coisas mais artificiais do ano, até porque veio com uns 15 minutos de filme. Eu nem conhecia aquela gente direito!

Tenho de ser justa: Bebo fez o que podia com essa bagunça de personagem. Se não fosse por ela, a falta de sentido seria ainda maior. Ela foi sensível, diva e confusa quando teve de sê-lo. Ouvi dizer que ela foi a responsável pela inclusão dos musicais do filme, e eu a amo por isso. Main Heroine Hoon não tem graça,  mas pelo menos ela mostra a que veio. Fiquei realmente animada com Halkat Jawani. As cores e o ritmo são ótimos, apesar de a coreografia não ser tão empolgante quanto conseguiria. Ainda assim, é fantástico.

Agora vou entrar na onda dos meus posts sobre a Bebo, em que só consigo tirar prints dela:






Voltando às perguntas:

- Por que ainda dão dinheiro ao Madhur Bhandarkar para fazer filmes?
Porque ele consegue que grandes atrizes comprem as ideias absurdas de seus filmes.

- Por que a Bebo aceitou fazer este filme?
Porque ela acreditou que Mahi fosse um divisor de águas em sua carreira. Um personagem confuso não é necessariamente complexo e muito menos bom, gente.

- Por que a Aishwarya considerou fazer este filme?
Mesmo motivo da Bebo. E a Aish anda muito experimental nos últimos anos, vide Raavan e Guzaarish.

- Por que há pessoas que consideram Madhur Bhandarkar um bom cineasta? Pior ainda, por que há pessoas que o levam a sério?
Achismo master nessa, preparem-se. Como sempre vemos a heroína fofinha, lindinha e boazinha, qualquer personagem que mostre o oposto disso é glorificado - mesmo que seja um personagem pobre e altamente estereotipado. Dê um cigarro e ponha um copo de bebida na mão de atriz e pronto, você será considerado um cineasta ousado.

- Como é possível que alguém desperdice em alto estilo uma participação especial da Helen?
Só podia ser o Bhandarkar!

Já disse o que pude sobre como não entendi muita coisa e não gostei nada de Heroine, mas este post não estaria completo sem a melhor fala de todas. Quando Mahi está pedindo uma bebida em uma festa, seu futuro namorado/boy magia  se adianta e pede o drink por ela.


Se ela tivesse respondido "pra mim, tanto faz", esta seria uma das melhores cenas de 2012.


Algo aconteceu entre o Akshay Kumar e Shirish Kunder durante as gravações de Joker. Não sei o que é porque não estava acompanhando notícias na época, mas sei que as coisas ficaram estranhas e Akki nem mesmo participou da divulgação do filme. Disse que não gostou do resultado. Como fã tanto do Akshay quanto do Shirish, não pude evitar certo desânimo com o filme após os acontecimentos. Afinal, como me animar com um filme renegado pelo protagonista?

Apesar de raramente rir delas, gosto muito das comédias do Akshay. Elas são barulhentas, dinâmicas,  coloridas e tem bons clipes. Posso dizer os mesmos dos filmes do Shirish já lançados, Jaan-E-Mann­ e Tees Maar Khan. Ambos tem um humor meio peculiar, em que até mesmo as piadas mais óbvias tem um leve toque de ironia que considero divertidíssimo. Jaan-E-Mann – que Shirish dirigiu e escreveu - funcionou perfeitamente comigo, misturando comédia pastelão, romance água com açúcar e uma homenagem/paródia a clichês de Bollywood. Já Tees Maar Khan, que ele apenas produziu e escreveu, mergulhou fundo demais na bizarrice e está na lista dos filmes mais insuportáveis a que assisti. Joker é uma pura manifestação do artista Shirish: escrito, dirigido, produzido e editado por ele. Ou seja, é a melhor amostra possível para quem quiser saber com alto grau de certeza se gosta ou não do moço.



Dessa mente pouco convencional saiu uma história de (não) ETs. Akshay é Agastya, cientista da Nasa cuja tarefa é fazer contato com extraterrestres por meio de uma máquina que ele mesmo criou. Seu prazo para consegui-lo expira, mas seu chefe lhe dá mais um mês para tal. É quando recebe uma ligação da Índia, avisando que seu pai está à beira da morte e deseja vê-lo. Agastya volta à Índia com Diva, sua namorada. Esta é interpretada por Sonakshi Sinha, aquela moça tão bela e expressiva que consegue marcar presença até mesmo em masalas dominados por homens. É uma pena que seu papel seja tão pequeno neste filme. Ela mais deu pulinhos que outra coisa e não consegui vê-la realmente atuar, como desejo há tanto tempo.


Agastya veio de Paglapur, algo como “aldeia dos loucos”. Sua aldeia não foi anexada ao mapa da Índia à época da independência, pois houve uma fuga em massa dos habitantes quando os internos do sanatório local se rebelaram e tomaram a cidade. Sendo assim, Paglapur foi construída e mantida por “loucos”. E estes loucos adoram Agastya, que também sentia falta de todos. Ele só não sabia que a saudade deles estava grande a ponto de mentirem sobre a saúde de seu pai para fazê-lo voltar. Sente raiva quando descobre, mas logo perdoa a todos e entende que só fizeram isso para que ele os ajudasse a salvar a aldeia da miséria. Como Paglapur não faz parte da Índia, não recebe recursos para nada. Isto se tornou problema quando começou a faltar água, impedindo a agricultura. Agastya toma para si a missão de colocar Paglapur no mapa.


Tudo isto aconteceu muito rapidamente, o que me desagradou porque não estava assimilando nem essa história de um lugar chamado “Paglapur”, muito menos tive tempo de me comover com seus dramas. O ambiente da cidade é de uma bizarrice inigualável, meus amigos. Shreyas Talpade falando uma língua desconhecida e se sacudindo em galhos de árvore são algumas peculiaridades pagalapurianas. O ambiente é árido e tem ar de abandono, mas os habitantes o fazem ser cheio de vida. Lugar perfeito para criar a fantasia de uma cidade de ETs, foi o que Agastya pensou.


E é assim que os habitantes criam a farsa de que ETs visitam Paglapur. Também foi quando realmente comecei a gostar do filme. A cada esdrúxula fantasia de ET criada por Agastya e cia, mais crescia meu interesse. Zombou-se um tanto da cobertura jornalística, tão sensacionalista nesses casos, e dos repentinos interesses políticos em cidades lucrativas. A última vez em que vi uma paródia da mídia sensacionalista foi em Peepli Live, mas lá era algo mais calcado no real. Em Joker, é tudo uma divertida piada. Não dá para acreditar que qualquer um – principalmente as autoridades dos Estados Unidos – cairia na história dos aldeões, mas também não dá para acreditar em um lugar chamado Paglapur. Me deixei levar por toda aquela loucura, mas não foi apenas isso. Realmente queria saber o que aconteceria, a história em si é envolvente.



As cores deram o tom abandonado e ao mesmo tempo radiante da cidade, porém também falaram de um outro abandono: o 3D. A concepção do filme era maior e me lembro que foi divulgado como o primeiro filme indiano em 3D, porém alguém (provavelmente, quem deu a grana) cortou a idéia bem perto do lançamento, o que diminuiu a magnitude do projeto. O problema é que Joker foi todo filmado para ser visto em 3D. Isto fica claro por alguns efeitos especiais – pessoas se balançando em galhos, vindo em direção à tela -, pelas cores fortes e o excesso de brilho. Acho que meus olhos saíram mais sensíveis da sessão, mas valeu a pena especialmente pelos clipes. Todos são fantásticos e nem tentei me impedir de dançar Sing Raja ou de me encantar com as mágicas luzes de Jugnu. O único que me incomodou, por incrível que pareça, foi o item number da Chitrangda Singh. Não é ruim, mas a letra é meio...boba. Letras de item numbers não costumam ser um manifesto feminista, mas as músicas dos melhores tem ritmos muito bons e sinto vontade de cantar junto. Ficar repetindo "I want just you" não teria graça.


Claramente, este filme poderia ser muito mais do que conseguiu e isto fica gritante a cada cena. Não sei se público e imprensa o descartaram, como fazem com tudo do Shirish, mas isto é bobagem. Os personagens tem uma alegria insana, as piadas são simples, e os clipes, de uma beleza radiante. Akshay, apesar de não acreditar nisto, apresentou uma de suas atuações mais honestas e divertidas. Talvez por ser tranquila, sem grandes gritos. Ele conseguiu fazer de Agastya o líder carismático que dele se esperava. Posso estar esperando demais do futuro de uma história de falsos ETs, porém fiquei com a impressão de que este filme será como Tashan: rejeitado no presente e com status cult a longo prazo. 

É uma pena que tenham deixado de acreditar no filme tão cedo. Gostei de assisti-lo e além de todos os fatores já citados, sua curta duração também faz dele um bom entretenimento. Mas é um filme do Shirish Kunder. Público e crítica nunca foram seus amigos, então alguma coisa no trabalho dele não funciona para a maioria das pessoas. Se quiser dar uma chance a Joker, é bom ter isto – e um pouco de apreço por maluquices - em mente.
Sim, o filme é dela!

Após a notícia do estupro coletivo na Índia, eu não queria nem chegar perto de Bollywood. Não acho que a indústria seja causadora de todos os males da humanidade, porém  me irritava cada vez mais toda aquela perseguição às mulheres que vejo nos filmes. E eu não estava solitária naquele sentimento de crescente afastamento. Pedro, meu bolly-dost que nunca desanima da indústria, também não andava conseguindo assistir a nada. Decidimos ver o filme juntos para tentarmos retornar ao lar.

Foi aí que Aiyyaa nos salvou. Ok, exagero. Foi quando resgatou o carinho que sempre sentimos por Bollywood. Essa comédia louca, divertida e com uma Rani mais animada do que bloco de Carnaval me fez rir, dançar, flutuar a cada segundo de Mahek Bhi e até arrancou uma lagriminha solitária no final. Isso só prova a falta que essa mulher estava fazendo na minha vida na indústria.

Welcome to LaLaLand, Prithviraj!

Ela se vestiu de tudo que é possível.

Mere sapno ki Rani Mukerji interpreta Meenakshi, bibliotecária de uma faculdade de Artes. Enquanto sua mãe tenta casá-la a todo custo, Meenaskhi vive no seu mundo particular, no qual constantemente sonha que é a Madhuri, a Sridevi ou a Juhi Chawla (sim, ela curte muito os anos 90). Influenciada por este mundo tão bollywoodiano, ela sonha em encontrar seu grande amor, coisa que não acha possível obter nos casamentos que sua mãe tenta arranjar. É em seu trabalho que se apaixona à primeira vista por Surya (Prithviraj), artista com uma vida misteriosa e um cheiro hipnotizante. Enquanto dispensa os pretendentes que sua mãe lhe arruma, Meenaskhi segue os passos de Surya por todo canto para tentar conhecê-lo melhor e concretizar seu amor.



Além de já ser ótimo o filme ser guiado pelo ponto de vista da heroína, Meenakshi é fantástica. Ela sabe exatamente o que quer e vai atrás disso, mesmo que seja de modo torto e nada direto, como aprendeu pelos filmes. Ela não puxa conversa, mas segue o herói. Ela não fala com ele, mas inventa uma história escabrosa para tirar informações de sua mãe. Não confessa seus sentimentos abertamente, mas tenta aprender a falar tâmil para que ele a note.  Para uma pessoa razoável, o caminho é como Surya ensinou: se quer saber algo, pergunte. Só que ela não é dessas. Exatamente como os heróis de seus filmes, Meenakshi é perseguidora e não conhece limites. Por que não me incomoda como os heróis stalkeadores? Porque ela foi apresentada como realmente é: louca e sem um pingo de noção. Seus métodos esquisitos de flerte não são considerados exemplos de como se comporta uma pessoa verdadeiramente apaixonada, e sim como fruto da sua esquisita visão de mundo.



E é por ver o mundo de forma tão esquisita que Meenaskhi se envolve nas situações mais improváveis, que trazem o tal humor do filme. Acredito que a discussão maior em torno do filme seja por ele ser ou não engraçado, já que seu humor é simples, pouco (ou nada) apelativo e até bobo. Minha reação? Nunca tinha rido tanto em 2013 quanto na noite em que o assisti. Aliás, é provável que eu nunca tenha rido tanto com uma comédia indiana. Ainda não entendi por que chorei de rir quando o irmão de Meenakshi disse que as drogas são um tipo de cocaína (e é claro que rio ao digitar isto), ou quando Meenakshi achou que o maravilhoso odor de Surya era devido à cocaína. Mas entendi que a maioria das minhas risadas vinha da sensação de que o diretor e o roteiro estavam zombando da minha experiência com romances indianos. A todo momento, Meenakshi olhava para o nada e fazia um discurso dramático sobre seus sofrimentos. Quantas vezes já não vi isso? Só que a vida dela não tinha nada de muito dramático, o que era ressaltado pela súbita interrupção da trilha dramática ao fim de suas falas. Eu estava sempre esperando pelo de sempre: que ela se apaixonasse por seu doce noivo, Madhav, que Surya a notasse em um momento mágico e encantador, que a mãe de Surya a amasse...eram tantas expectativas baseadas no costume. O curso do filme não apenas as contrariava, como também me trollava.

          
Ah, ela tropeçou!
   Que lindos, se olhando amorosamente...*-*

SÓ QUE NÃO

O contraponto à personalidade esfuziante de Meenakshi é Madhav, seu carinhoso e tranquilo pretendente. Ele acaba se apaixonando pela personalidade dócil que a moça tem de mostrar aos pretendentes, o que a desespera. Ele é exatamente o que ela deveria ser e como sua mãe a descreveu em um anúncio de jornal: calmo e tímido. Seria excelente marido para uma mocinha que quisesse se casar acima de tudo, mas Meenakshi queria bem mais que isso. Ela queria beijos no pescoço, danças ensandecidas, passear, pular e se divertir. Para infelicidade de seus pais, Meenakshi tem consciência de seu próprio corpo e sexualidade. Ela sabe o que a atrai e não está disposta a "se adaptar" só para casar.

Nisso que a moça fica pensando quando está noiva, tssssc

Prithviraj fez sua estreia em Bollywood no papel do ~desejado~ Surya. Parecia estreia de atriz do Sul em Bolly: personagem idealizado, poucas falas, mais para fazer vista bonita nos clipes que outra coisa. Eu gostei, até porque não gostei de pouca coisa no filme. Uma dessas coisas foi Mynah, a amiga bibliotecária de Meenakshi. Ela só bebe e pensa no John Abraham. Seria uma alusão àqueles personagens cômicos que não fazem nada além de piadas sexuais? Ou às item girls, que só aparecem nos filmes exatamente para beber e falar de sexo? São hipóteses aleatórias, já que não faço ideia do que significava aquele ser estranho.

Amit Trivedi é um dos meus produtores mais amados e fazia um tempo que não ouvia seu trabalho. Dona Isa não curtiu muito, já eu caí de amores pela trilha, ou melhor, pelos clipes. Todas as canções me pareceram apenas divertidas no áudio e sensacionais no vídeo. A única que me fez sentir flutuando desde o início foi Mahek Bhi. Em cada audição, parece que estou tocando as nuvens com os pés.

Rani Smitha
Piadas simples, roteiro confuso, cores fortes, Rani brilhante, tudo me fez amar Aiyyaa. Apesar de ser um filme cômico que brinca com a ideia de romantismo como comumente é mostrada em Bollywood, ele ainda mantém uma suavidade terna e nos mantém apaixonados por Meenakshi e por seu homem dos sonhos. Talvez Aiyyaa tenha me tirado uma dúvida antiga: talvez o cheiro faça os heróis repentinamente passarem a seguir as heroínas sem parar. Vão dizer que não é uma explicação plausível? Só mesmo uma atriz como a Rani para me fazer rir e acreditar numa coisa dessas. Que ela nunca mais volte a se afastar de nós.
Adoro fim de ano. Época de pensar, rever minhas metas para o ano que se foi e escrever novas. Isto vale tanto para a vida quanto para minha relação com Bollywood.

O cinema hindi tem mudado bastante nos últimos anos. Ano após ano, fica difícil entender se a tendência é em direção a coisas novas ou a fórmulas batidas. Vejamos por 2011. The Dirty Picture, um filme impensável na carreira de uma "mocinha" há 20 anos, fortaleceu a posição da Vidya Balan como atriz que faz personagens femininas fortes que cativam o público. No mesmo ano, Ajay Devgan e Salman Khan fizeram rios de dinheiro com Singham e Bodyguard, filmes sem heroínas fortes e que resgataram o típico herói masala, macho e ainda muito presente nos filmes das indústrias do sul.

Essa mistura de estilos dominando as bilheterias me animou muito, já que se podia encontrar de tudo. Comecei o ano de 2012 animada, vendo de tudo que saía e ansiosa para os lançamentos de final de ano, que são os mais caros e esperados. O tempo foi passando, problemas surgindo, muita coisa triste para resolver e...bem, claro que fui ficando desanimada. Entretanto, não foi apenas minha vida pessoal a responsável pelo desânimo. A certa altura do ano, notei que maioria dos conteúdos que eu esperava parecia algo já havia visto.  Vejam só:



Madhur Bhandarkar, que tem fama de testes de sofá, falando sobre ~mulheres fortes e independentes~. Sentido, cadê? Bebo provavelmente faria alguma coisa como sexo fora do casamento (que drama, gente) e beber, isso seria considerado mega transgressor e um ponto de virada em sua carreira. Não duvido nada que ela espere um National Film Award, assim como a Priyanka ganhou por Fashion (mistérios da vida). Minha sensação é de que eu iria apenas aplaudir a Bebo por ser poderosa, como sempre faço, e fim. Nada de novo.



Shahrukh Khan com quase 50 anos no mesmo papel que fez trocentas vezes aos 25. Quando lembrei que o filme era do Yash Chopra, até a curiosidade começou a morrer. Pensei em Silsila e temi passar 3 horas de vida assistindo a um absurdo justificado por alguma moral romântica ridícula como ~amor é fé, e a fé é para sempre~. Eventualmente assistirei, afinal, Shahrukh romanceando com mera Kat e Anushka-raio-de-sol não é algo descartável. Ah, quase esqueci! Descanse em paz, Yash ji.


Uou, eu estava animada. Bastante coisa! Adoro carros voadores, Rohit Shetty, cores fortes e Abhi na comédia - ou seja, tudo o que o filme prometia. Tive algum tempo livre entre uma aula e outra e pude assistir algo. Foi quando me perguntei: quero mesmo gastar meu tempo com mais um Golmaal? Descartando todas as piadas preconceituosas (i.e, 90% delas), a trilogia Golmaal me faz muito feliz. Só que não preciso de mais um filme quando já vi - e revi - três iguais.


Esse, eu nem sabia do que se tratava, mas era um dos que mais queria assistir no ano. Quando chegou o momento, parecia uma mistura de vários filmes de ação do Salman Khan. Provavelmente fiz um julgamento sem sentido, mas o resultado foi o mesmo das outras situações: desisti temporariamente. O mesmo se aplica a Dabangg 2.


Tenho quase certeza de que vou assisti-lo e adorá-lo, já que é este o efeito dos filmes do Ranbir sobre minha pessoa. Ainda assim, os trailers me remetiam à persona Chaplin do Raj Kapoor, vovô do Ranbir. Associados à presença da Priyanka - cuja atuação anda me irritando -, os pequenos motivos foram se unindo e até hoje estou enrolando.


A série Khiladi é MUITO divertida, mas...chega, né?

Há outros filmes que não vi, mas ainda mantive uma boa expectativa. Alguns, como Talaash, espero que sejam excelentes!


Como ano novo também é essa época gostosa de pensar no que deu certo, vamos falar do que gostei. Menção honrosa para dois não-favoritos que me fizeram passar horas agradáveis sentada no sofá:


Apesar de eu ter desistido gradualmente de 2012, uma parte dele me fez muito feliz mesmo, sendo todos filmes da primeira metade do ano. E cá estão meus filmes mais que favoritos do ano!

Kahaani, Agneepath e Rowdy Rathore: SEUS LINDOS.

Quando vejo meus favoritos, penso que vale a pena ver um mar de coisas chatas para encontrar uma única pérola que seja (brega, sim ou com certeza?). E como a boa amiga que sou, estou pronta para o que Bolly trouxer. Pode chegar, que a casa é sua, 2013!
Kamal Hassan era uma figura misteriosa para mim. Nunca havia sido citado em nenhum texto que eu lia sobre cinema indiano, até que repentinamente descobri não apenas sua existência, mas também que é um dos atores mais queridos e consagrados da Índia. Queria conhecê-lo há algum tempo e escolhi Moondam Pirai para isto porque 1) Sridevi está no filme (é sempre bom ter alguém “de casa” por perto) e 2) Kamal ganhou o prêmio de melhor ator do National Film Award por seu personagem. Quem seria esta maravilha escondida no mundo tâmil?


Moondram Pirai é a história de Bhagyalakshmi (Sridevi), moça que sofre um acidente de carro e desenvolve um estranho problema: sua mentalidade regride e passa a agir como se ainda fosse criança. Numa visita ao psiquiatra, é enganada por um homem, que a leva à uma casa de prostituição. Lá conhece Srinivas (Kamal Hassan), que havia sido levado ao lugar por um amigo. O primeiro contato entre ambos não é harmonioso, porém “Seenu” retorna e consegue levar a moça embora. Ele a leva para morar em sua casa e os dois desenvolvem uma forte relação de carinho, sem imaginarem o quão desesperadamente os pais de Bhagyalaksmi – que ele começa a chamar de Vijji – procuram por ela.

Dois fatores poderiam ter destruído o filme: a atuação da Sridevi como criança e o ritmo lento da história. O primeiro elemento já de cara me incomodou, pois a voz infantil da atriz e alguns maneirismos – movimentos das mãos, principalmente – são exagerados e caricatos. Não parecia uma criança, mas sim uma adulta tentando imitar uma. Acontece que Sridevi tem uma arma secreta muito eficiente para esta situação: os olhos. Seus olhos são grandes e brilhantes, perfeitos para mostrarem o medo ou a alegria de uma criança. Já o segundo fator que poderia ter destruído o filme, o ritmo, é complicado pela história. Há poucos grandes acontecimentos e muito tempo do filme é usado apenas para mostrar o cotidiano de Vijji e Seenu. No início é algo um pouco entediante, mas a dupla é tão adorável e o cachorrinho adotado por eles, tão fofo, que acabei sendo conquistada. 

Foi difícil entender os sentimentos e ações de Seenu. Ele nunca procurou os pais de Vijji, mas também não parecia estar agindo de má-fé, guardando-a somente para si. Aparentava não estar pensando em muita coisa. Apenas a levou para casa e seguiu vivendo, evitando dar algum passo mais decisivo que desfizesse o lar criado por ambos. Ele começou a amá-la, apesar de não tentar nenhuma aproximação para não assustá-la. Não compreendi o surgimento desse amor, já que ela pensava e agia como criança. Talvez ele amasse o que aquela moça tão bonita poderia ser. É fácil um rapaz solitário se apaixonar por alguém que passe a fazer parte de seu convívio diário.

Há alguém especial que deseja acabar com a solidão de Kamal: sua vizinha, interpretada por Silk Smitha. Foi meu primeiro filme da Silk e eu morria de curiosidade por conhecê-la desde The Dirty Picture (2011). Sua personagem corresponde ao estereótipo dos trabalhos da Silk apresentados em TDP: sedutora, cheia de desejo e a única do filme que tem alguma experiência de sexualidade. Ela mostra suas pernas, seu colo, qualquer coisa que servisse para incendiar o público. Em meio a um filme doce e simples, repentinamente aparecem Kamal e Silk dançando com pouca roupa e de modo selvagem. Passarei muito tempo procurando por algo mais surpreendente que isto:

Apenas ISTO.

As músicas não são marcantes, porém são agradáveis. É claro que a mais especial é a dos dois selvagens aí de cima, Ponmeni Urugute . Junto com Amitabh Bachchan saindo de dentro de um ovo, já está na minha lista de Clipes Imperdíveis do Cinema Indiano.

A falta de clareza sobre a condição psiquiárica de Vijji é um dos pontos mais fracos do filme. Não faço ideia se o problema dela é possível de acontecer, mas não me admiraria se fosse mais um dos fantásticos deewaneios do cinema indiano. Não apenas a doença, como também o tratamento de Vijji ficou nebuloso, passando da Psiquiatria tradicional a curandeiros. Ainda assim, o aspecto da relação entre a criança grande e o rapaz gentil, que é o foco por meio do qual a doença nos é apresentada, me agradou. O que se estabelece entre os dois é uma relação de confiança que não tinha nome - não era de pai e filha, entre irmãos ou amantes; era apenas amor. O que faltou foi movimentação, dado que o assunto do filme é interessante e daria margens a reflexões sobre a subjetividade de Vijji, por exemplo. Seria ela capaz de enxergar Seenu como parceiro e crescer mentalmente com isto? Sendo criança, não sentia falta de seus pais e estranhava passar tanto tempo com um desconhecido? O que esperava do futuro? E Seenu, o que planejava fazer após recuperá-la? Em que base se deu o surgimento do seu amor por Vijji, além da convivência? Todos esses são só alguns tópicos que poderiam ter sido abordados e deixado o filme mais rico.



E Kamal Hassan, o Sr. Mistério? Não me decepcionou, mas também não arrebatou. Seu personagem é muito quieto, diferentemente de como o imaginei. Não é a primeira vez que tenho a impressão de que um prêmio foi dado por uma cena específica do filme. E esta cena, no caso de Moondram Pirai, é uma das mais tristes que já vi. Parte o coração e é merecedora de todos os prêmios. Se não por outros elementos, o filme já valeria a pena apenas por ela. E é nela que Kamal consegue demonstrar seu potencial enquanto ator (aqui, para quem não se importa com spoilers).

Não me rendi aos talentos do Kamal com Moondram Pirai, provavelmente por o roteiro não permitir que o filme seja tão interessante quanto poderia. Ele e Sridevi fizeram o melhor que podiam com seus papéis, o que me garantiu umas horinhas de meiguice tamílista - o que não é suficiente, mas ao menos faz o filme ser ''assistível''. E doce, muito doce.
Acho que não gosto de um filme do Shahid Kapoor desde Kaminey. Ou seja, faz três anos que crio expectativas e termino frustada. É comum haver aqueles atores que caem em um projeto ruim após o outro, mas me incomoda ser este o caso do Shahid porque o rapaz é muito talentoso. Dá angústia vê-lo sendo a única parte boa de filmes que nem os roteiristas sabem por que escreveram. E apesar de ter consciência do quanto sou exigente com meus artistas favoritos, digo sem medo de ser infeliz que pelo menos 50% da filmografia do Shahid é um desperdício de tempo, dinheiro e talento.


Quando o projeto de Teri Meri Kahaani foi anunciado, o Shahid e a Priyanka estavam num dos momentos mais insuportáveis de suas vidas: estavam juntos. Ou melhor, quase juntos. Quero dizer, ninguém sabe! Davam entrevistas nas quais declaravam que não falavam sobre vida pessoal, mas depois iam ao Koffee With Karan ficar dando risadinhas um para o outro e dar a entender que tinham alguma coisa. Foi vergonhoso. Pareciam ter 12 anos de idade e uma tonelada de hormônios em ebulição. A última coisa que eu queria ver era um filme com os dois em três diferentes histórias de amor. Já não estavam chatos o suficiente em apenas uma? Dados o histórico não muito bom do Shahid, os filmes meio estranhos dirigidos pelo Kunal Kohli, meu desânimo com a atuação da Priyanka e o trailer com ar mais superficial do que eu esperava, a única coisa mais desanimadora que Teri Meri Kahaani era Mausam — e não é lá tão difícil ser mais animador que Mausam.


Como já disse, três histórias de amor guiam o filme: uma em 1910, outra nos anos 60 e a última, nos tempos atuais. A de 1910 mostra o amor entre Javed, um poeta boêmio e namorador, e Aradhana, filha de um homem sério que luta pela independência da Índia. A dos anos 60 nos traz o romance de Govind, um jovem simples e divertido que vai para Bombaim tentar a vida como guitarrista, e Rukhsar, uma estrela de cinema. Os tempos atuais são embalados pelo romance entre Krish e Radha, universitários indianos estudando na Inglaterra e que vivem a maior parte de seu relacionamento de modo virtual, pelos Facebooks e Twitters da vida.

Tudo começa pela história dos anos 60. O início é legal, com Priyanka fazendo uma diva um pouco mimada, porém simpática, e Shahid parecendo um adorável maluquinho. Entretanto, as coisas pareceram ficar um pouco "plásticas" rapidamente. O cenário contribuiu para isso. Pelo que entendi, foi utilizada computação para recriar a Mumbai dos anos 60, o que tirou a espontaneidade da história. Eles pareciam estar caminhando por um clipe retrô ou pelo cenário de uma peça de teatro, não pela cidade.

A Prachi não é uma gracinha?

Govind torna-se alvo do amor de Mahi (a sempre bonitinha Prachi Desai), que acredita ser correspondida. E não havia como não ser. Em plenos anos 60, Govind segura sua mão, anda com ela para todo canto, cria uma intimidade típica de apaixonados. O amor de Rukhsar por ele ficou mais claro desde o início, não deixa dúvidas. Como Govind tratava a Mahi de um modo parecido, sorrindo e brincando, dá para a gente se enganar e pensar que ele também gostava dela. Ou será que foi apenas comigo? Sou lenta para essas coisas, mas acredito que comportamentos signifiquem algo, e os do Govind pareciam informar à Mahi que ele a amava.

O desenvolvimento e o fechamento dessa história não tiveram muita emoção, então partamos para a próxima: a de 2012. Esta foi ainda mais falsa, mas alguns elementos me fizeram gostar dela. Krish e Radha se conhecem quando esbarram um no outro, trocam de telefones, ela o manda para a cadeia por achar que roubou seu celular e o tira de lá quando descobre que foi um engano. Depois ambos decidem passar o dia juntos, já que é aniversário dele e ela no mínimo tem que compensá-lo por tê-lo feito passar um tempinho na prisão. O que mais encantou nesta história foi o casal ter mantido o romance pela internet, mas o encantamento ter surgido no contato real. Apesar de todo o crescimento tecnológico e de haver tantas histórias de casais que passam anos se comunicando apenas por computador, acredito que não se deva perder de vista a sensação que a pessoa desperta em você quando estão frente a frente. Krish e Radha conseguiram reunir as duas coisas. Como nem tudo são flores, é difícil evitar o sentimento de vergonha alheia quando começa uma espécie de batalha virtual entre Krish e a ex-namorada. Aquele tipo de exposição pode até acontecer, mas essa história de exposição em telão e todo o mundo rindo é tão...falsa. Dá a impressão de que o Kunal estava escrevendo a história, não sabia muito bem o que dizer dos romances modernos e decidiu inventar qualquer coisa sobre ''aquele tal de Facebook, aquele site lá''. Não acho que ele seja um usuário frequente de redes sociais.

Por último, temos a história de 1910. Foi a de que mais gostei — e acho que o Kunal Kohli também, pois pareceu a mais bem cuidada. Shahid interpreta um Javed sem-vergonha, namorador e alienado, enquanto Priyanka traz uma Aradhana (adoro este nome) tranquila, inteligente e divertida. Ela é filha de um homem que luta contra o poder britânico sobre a Índia e por este motivo, nem ela e nem seu pai conseguem levar Javed a sério. Alguns acontecimentos fazem com que Javed seja pintado da cor do açafrão e dê importância à questões políticas que não lhe interessavam. É quando seu romance com Aradhana floresce, para logo ser interrompido.


Os diálogos, figurinos, musicais e até mesmo atuações da história de 1910 foram mais bonitos e exuberantes que os das outras duas histórias. Diálogos que se utilizam de ''batalhas poéticas'' costumam me entediar (à la Fanaa), porém neste filme tiveram um clima divertido e  me agradaram. Shahid e Priyanka pareciam estar se divertindo e bem à vontade em cena. Será o ar livre?

A trilha de Teri Meri Kahaani não é sensacional, mas alguns musicais poderiam ter tido mais brilho. O principal caso disto é Jabse Mere Dil Ko Uff (ótimos vocais de Sonu Nigam), canção divertidíssima e que remete ao melhor dos anos 60, como os musicais do Shammi Kapoor. Para alguém que dança tão bem e com tamanho carisma, Shahid poderia parecer mais inspirado. Quando ouvia a música, imaginava Shahid e Priyanka dançando muito e cores por toda parte. No lugar disto tivemos uma câmera dando voltas pelo salão. É questão de expectativa, pois passei semanas imaginando exatamente como desejava que o clipe fosse. Já Mukhtasar...bem, há gosto para tudo. Até para quatro minutos de Shahid e Priyanka se balançando sem motivo aparente. Sabem como é, clipe pra juventude. O melhor do filme é Humse Pyaar Kar Le Tu. Engraçado, romântico, colorido, alegre, enfim, tudo que a música prometia e um pouco mais. E ainda tem dança com lenços!


Cada história terminar quando já estava me cansando dela foi o trunfo do filme. Conheci aqueles casais de modo superficial, mas foi o suficiente para achá-los adoráveis. Priyanka não me cativou, mas também não desgostei de sua atuação. É que o Shahid Kapoor foi tão brilhante, estonteante e carismático que ela perdeu um pouco de espaço. O filme é dele. Estar perigosamente bonito não é novidade, mas carisma vai além disso. Seu trabalho corporal, expressões faciais e o modo de entregar cada fala fizeram o filme mais prazeroso de assistir, para além das inconsistências de Krish e de pessoas lendo tweets em voz alta (ônus de fazer filmes sobre vida virtual). Não é o romance mais inspirado do ano, mas Teri Meri Kahaani conseguiu me arrancar alguns suspiros.
Postagens mais recentes Postagens mais antigas Página inicial

"DEEWANEANDO"?

Devanear = divagar, imaginar, fantasiar. Deewani = louca, maluca. Deewaneando = pensar aleatória e loucamente sobre cinema indiano.

Meu nome é Carol e sou a maior bollynerd que você vai conhecer! O Deewaneando existe desde 2010 e guarda todo o meu amor pelo cinema indiano, especialmente Bollywood - o cinema hindi. Dos filmes antigos aos mais recentes, aqui e no Bollywoodcast, seguirei devaneando sobre Bollywood.

Contato

Fale comigo em deewaneando@gmail.com

siga

PESQUISE NO BLOG

POSTS POPULARES

  • Diretores: Sanjay Leela Bhansali
  • Padmaavat (2018)
  • Aconteceu em Bolly # 17
  • Aconteceu em Bolly # 12
  • As homenagens de Shahrukh Khan em Phir Milenge Chalte Chalte

ARQUIVO

  • ▼  2024 (2)
    • ▼  outubro (1)
      • Rocky Aur Rani Kii Prem Kahaani (2023)
    • ►  maio (1)
  • ►  2023 (1)
    • ►  junho (1)
  • ►  2021 (5)
    • ►  abril (1)
    • ►  março (2)
    • ►  janeiro (2)
  • ►  2020 (21)
    • ►  dezembro (2)
    • ►  novembro (3)
    • ►  outubro (3)
    • ►  setembro (6)
    • ►  agosto (3)
    • ►  julho (1)
    • ►  junho (1)
    • ►  março (1)
    • ►  fevereiro (1)
  • ►  2019 (2)
    • ►  novembro (2)
  • ►  2018 (14)
    • ►  junho (3)
    • ►  maio (4)
    • ►  abril (4)
    • ►  fevereiro (3)
  • ►  2017 (12)
    • ►  dezembro (1)
    • ►  julho (3)
    • ►  junho (1)
    • ►  abril (2)
    • ►  fevereiro (3)
    • ►  janeiro (2)
  • ►  2016 (20)
    • ►  dezembro (2)
    • ►  outubro (1)
    • ►  junho (2)
    • ►  maio (2)
    • ►  março (1)
    • ►  fevereiro (4)
    • ►  janeiro (8)
  • ►  2015 (21)
    • ►  dezembro (9)
    • ►  novembro (8)
    • ►  outubro (1)
    • ►  julho (1)
    • ►  janeiro (2)
  • ►  2014 (6)
    • ►  dezembro (1)
    • ►  agosto (1)
    • ►  abril (1)
    • ►  fevereiro (1)
    • ►  janeiro (2)
  • ►  2013 (10)
    • ►  dezembro (5)
    • ►  novembro (1)
    • ►  fevereiro (3)
    • ►  janeiro (1)
  • ►  2012 (31)
    • ►  dezembro (3)
    • ►  setembro (1)
    • ►  julho (2)
    • ►  junho (5)
    • ►  maio (1)
    • ►  abril (5)
    • ►  março (8)
    • ►  fevereiro (3)
    • ►  janeiro (3)
  • ►  2011 (58)
    • ►  dezembro (7)
    • ►  novembro (9)
    • ►  outubro (3)
    • ►  setembro (3)
    • ►  agosto (1)
    • ►  julho (12)
    • ►  junho (4)
    • ►  maio (1)
    • ►  março (5)
    • ►  fevereiro (5)
    • ►  janeiro (8)
  • ►  2010 (5)
    • ►  dezembro (5)
Tecnologia do Blogger.

Mais cinema indiano

  • Conversations Over Chai
    Beginners' Guide to Hindi Films
    Há 19 horas
  • Sridevi
    Sridevi with Jeetendra in the biggest hit of 1984: Tohfa: A Gift that keeps on Giving!
    Há um dia
  • Dustedoff
    Ten of my Favourite Songs of Dissent
    Há uma semana
  • Dichotomy of Irony
    Birthday Post — 39
    Há 2 meses
  • Masala Punch
    Behadd (2013)
    Há 2 meses
  • Totally Filmi
    Hamlet (dir. Aniel Karia, 2026)
    Há 3 meses
  • dontcallitbollywood
    Merry Christmas! This is the Story of How I Set Out to Fight Fascism and Ended Up With Wet Feet
    Há 7 meses
  • Paagal Subtitle
    “Even nobody can even what you have done.” (Aah, 1953)
    Há 2 anos
  • Let's talk about Bollywood!
    Bombay rose
    Há 2 anos
  • Kabhi Kabhie... Bollywood
    Bollywoodcast # 4: Sanjay Leela Bhansali
    Há 6 anos
  • Beth Loves Bollywood
    2018
    Há 7 anos
  • Mania de Bolly
    Devdas (1917) - Capítulo 3
    Há 8 anos
  • Divã de uma Bollygirl
    Phir Se... (2015)
    Há 8 anos
  • MemsaabStory
    Parwana (1971)
    Há 9 anos
  • Filmi Geek
    Dear Zindagi (2016)
    Há 9 anos
  • Articles
    Historic Hindi Film Poster-cards
    Há 12 anos
  • grand masala
    Shakir Khan e Vikas Tripathi no Museu do Oriente
    Há 12 anos
  • Khandaan Podcast
Mostrar 5 Mostrar todos

Copyright © Deewaneando. Designed by OddThemes