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Após uma semana estressante na faculdade, decidiu que era melhor fazer algo para se divertir. Sabe como é, antes que a cabeça, sei lá, explodisse.

"Acho que vou tentar ver aquele filme indiano de uma vez."

Já sabia mais ou menos o desenrolar da história. O que havia entendido da Wikipedia em inglês estava mais para menos, porém sabia que alguém estava doente e que o personagem principal mudaria a vida da heroína. Ter um inglês tão primitivo e ainda assim ter chorado lendo a sinopse repleta de spoilers parecia sinal de que o filme valia a pena.

Aprontou o computador, o quarto, seu primeiro filme com legenda em inglês e deu o play. 

"O mocinho é feio." 

Nova York, uma família indiana e uma mocinha que usa óculos. Estava simpatizando e achando tudo muito normal, quando repentinamente começou um musical. Parecia uma versão de Pretty Woman, do Roy Orbison, estranhamente adaptada ao cinema indiano. Nem conseguiu processar aquilo e não entendeu por que começou a tocar no meio da história. Estava num misto de confusão e choque. Que era aquilo?

24 minutos depois, percebeu que estava entendendo exatamente: nada. E seu não-entendimento se devia mais à barreira do idioma que ao fato de haver gente dançando no meio da rua. Como estava gostando, considerou melhor voltar tudo até o começo. Abriu o Google Tradutor no navegador e pausava para traduzir cada frase não entendida. Não foram poucas.

"Aman é tão legal. A Naina também. Tô morrendo de sono, mas quero terminar. E lá vem mais duas horas..."

No meio da experiência, já estava acostumada aos musicais e tudo o mais. Era íntima das famílias e dos personagens. Provavelmente, já amava a todos. Aí veio um intervalo e tudo ficou tão diferente que não parecia o mesmo filme. Tinha muita, muita dor naquela história. Acostumada aos filmes sóbrios e pouco ousados na expressão das emoções que viu ultimamente, não sabia de onde seu corpo conseguia arrancar tantas lágrimas. 

Começou um musical coloridíssimo, parecia uma festa de noivado. Lenços esvoaçavam, as mulheres estavam lindamente vestidas e os dois protagonistas, em clima de amizade, dançavam para a noiva. Com dificuldade, compreendeu que um musical indiano poderia retratar também um evento real, e não apenas sentimentos.

"Isso é a coisa mais linda que já vi na minha vida."

O filme ficou cada vez mais triste. O protagonista não poderia ficar com a mulher amada e queria que ela amasse outro. Não só queria, como fez de tudo para isso. Manipulação emocional, machismo? Coisas que a pessoa de 17 anos só pensaria anos depois. Naquele momento, só sofria por todo o mundo ali e morria de medo de perder o Aman. Seu Aman. Sim, à essa altura já era seu. Todos ali eram.

Veio o musical do casamento, com uma versão triste da música-título do filme.

"Eu...vou...morrer...de...tanto...chorar..."

Deu pausa porque chorava tanto que já tinha molhado a roupa e os óculos estavam totalmente embaçados. Lavou o rosto, bebeu água, respirou fundo e continuou.

10 minutos depois:

"EU NÃO VOU AGUENTAR, MEU CORAÇÃO DÓI!"

Já era alta madrugada quando terminou. Lágrimas por todo lado e uma dor de cabeça infernal. Um vexame. 

"Melhor filme da minha vida!"

17, a idade da fofura

Seria lindo terminar a história por aqui, mas alguém não foi dormir tão cedo naquele dia.



E 3 dias depois...é, adolescentes são chatos:


5 anos depois...bom, o resto é deewaneio puro.
Os dias em que eu tinha certeza de que apanharia eram aqueles em que meus cadernos eram examinados. Nosso dever era anotar todas as palavras que os professores diziam na sala, na grande maioria tirados dos livros didáticos do governo, e escrevê-las nas provas, de modo que a educação era um exercício de repetição, "aprender de cor". Os cadernos valiam 20% das notas. Algo em mim se rebelava contra a idéia de fazer anotações para perpetuar esse ciclo de fatos escritos pelo governo. No dia anterior, os outros alunos tinham copiado freneticamente as anotações uns dos outros. Quando minha mãe me acordava, meu primeiro pensamento era: Hoje vou apanhar. Eu me lavava, vestia um uniforme limpo, tomava o copo de leite que minha mãe me dava e saía de casa, alegre e radiante, para entrar no prédio onde ia apanhar.

Suketu Mehta em Bombay – Cidade Máxima

Minha vida escolar foi feliz. Além de gostar de ir para as aulas, também apreciava estudar em casa. Durante muitos anos acreditei que amar os estudos fosse algo que estaria ou não em você. Menos que um dom, via mais como um gosto. Enxerguei muitos colegas de escola como preguiçosos e desinteressados.

Enquanto cresci, percebi que múltiplos fatores contribuem para uma experiência escolar feliz. Um material interessante, professores dedicados e conscientes do processo de desenvolvimento da criança, métodos que motivem a busca do aprendizado e pais que estimulem o apreço pelo conhecimento são apenas alguns itens que reuni agora. Se tentarmos pensar no quadro completo, veremos que a missão não é fácil.

Shikshanachya Aaicha Gho, que chamarei de SAG, tomou para si o encargo de abordar parte do complexo cenário educacional indiano. Ele nos é apresentado através da jornada da família de Madhukar Rane (Bharat Jadhav), viúvo pai de dois filhos. A caçula Durga (Gauri Vaidya) é esperta, boa aluna e com sua tranqüilidade, faz a ponte entre o pai e o irmão. O mais velho, Shrinivas (Saksham Kulkarni), vai mal na escola e se destaca por seu talento no críquete. Esta habilidade é desprezada por Rane, que vê a dedicação do filho ao esporte como um desperdício de todo seu esforço para lhe dar uma educação melhor. A direção é de Mahesh Manjrekar, responsável pelo ótimo Astitva.


O embate entre Rane e o filho faz com que o pai aja de uma forma que pode ser irreversível, colocando sua família em risco. A história de SAG é desenvolvida a partir desse gancho. Rane começa a pensar e criticar o sistema educacional que flagela seu filho e tantas outras crianças indianas. Em um ataque de fúria ao visitar a escola de Shrinivas, grita com a professora de História que faz as crianças repetirem informações como papagaios. É levantado um dos pontos de discussão do filme: quais informações são mais ou menos importantes para a educação infantil? A falta de sentido que as crianças vêem no conteúdo escolar não é contestada pelos adultos que passaram pela mesma experiência, mesmo que nem eles ainda tenham descoberto para que decoraram tudo aquilo.


Além de questionar o que a escola ensina, Rane também questiona o que ela deixa de fora. Os estudantes são avaliados apenas pelo desempenho acadêmico. Aquilo que pode fazer a criança sentir-se única, como um talento artístico, é desconsiderado. Diferentemente de como acontece em outros filmes, Shirinivas não passa a desvalorizar o críquete. O garoto tem plena consciência de que é mais inteligente para determinadas coisas e que seu talento para o esporte é algo especial. É esta resistência que incomoda seu pai. Não importa o quanto tentem quebrá-lo; Shrinivas não se deixa convencer de que não tem valor. É bom ver um adolescente protegendo sua auto-estima de forma tão ferrenha.



Durga tem seu papel no amor de Shrinivas pelo esporte. A irmã caçula sente orgulho do mais velho e apesar de não fazer forte oposição ao pai, serenamente mostra que está ao lado do irmão. É a personagem que mais me encantou no filme. Nalini, a vizinha interpretada por Kranti Redkar, também foi uma grata surpresa. Com um passado triste e tendo feito o necessário para sustentar sua família, não perde tempo com autocomiseração. Faz e fala o que é necessário. É alvo do preconceito dos vizinhos, mas não permite que a ofendam. O próprio Rane começa a tratá-la bem apenas quando começa sua jornada de redenção e mudança. Gosto do fato de que ela não age como se estivesse esperando pelo respeito dele durante todo o filme, como se fosse um grande presente. É o mínimo que as pessoas lhe devem e Nalini sabe disso. 



Além de Durga e Nalini, o resto do elenco secundário também é excelente e contribui para a beleza do filme. Quanto a Rane, foi muito bem construído por Bharat Jadhav. Parecia um pouquinho insano às vezes, mas o ator conseguiu ser convincente ao expressar todas as fases da transformação pela qual Rane passou a devido ao seu drama familiar. A mensagem que ele passa é importante: qualquer um pode ser agente de mudança social. Se formos todos nós juntos, melhor ainda. O que ele fez foi grave e o filme o redimiu, porém pessoalmente não considero que a punição tenha sido suficiente.

Não há respostas prontas e o filme não tenta dá-las. A proposta é colocar as questões para a pauta. Felizmente, SAG cumpriu a tarefa com maestria. 3 Idiots e Taare Zameen Par já mostravam que havia algo a se repensar no sistema educacional indiano. Considerando que a experiência escolar do escritor Suketu Mehta, relatada no início do texto, foi há mais de 30 anos e ainda se encaixa perfeitamente no que foi trazido por todos esses filmes, parece que muitos Srinivas ainda serão massacrados e representados no cinema até que alguém perceba que é hora de mudar.

Agradecimentos eternos à @ aiyya_yo pela indicação!
Nem todo o meu carinho pelo Aamir Khan dos anos 90 me prepararia para o tanto que me diverti com Rangeela. Não falo apenas de elementos obviamente divertidos como:

O sofá voador

Ensaio de dança na praia

O chapéu feio

A condução da história a deixou agradável de assistir, mesmo sem trazer nada de muito surpreendente. O enredo é bem básico: garota sonha em ser atriz, consegue sua primeira chance graças a um ator famosíssimo e seu melhor amigo pobre não consegue declarar seu amor por não se sentir parte do novo mundo da garota.

Uma descrição tão superficial não dá conta de explicar todo o carisma de Munna. Mal-educado, temperamental e grosseiro, o personagem facilmente me causaria antipatia caso não fosse tão bem interpretado por Aamir. Em vez de detestá-lo, acaba-se torcendo para que seja feliz.Você sabe que ele não tem emprego, educação formal e nem objetivo de vida, mas quer que ele fique bem porque é boa pessoa. Suas roupas são horríveis, a barba está por fazer e aparentemente ele está sempre sujo, porém você gostaria de convidá-lo para almoçar em casa porque ele é legal. Não é o grande herói de bom coração que anda pela cidade alimentando cães de rua e brincando com crianças desconhecidas, é só o Munna. O famoso gente boa.


Uber cute

O ponto mais forte para eu gostar de Munna foi seu apoio à carreira de Mili. Ele não apenas "aceitava" que ela tivesse um emprego, pois resignar-se não é apoiar. Munna e toda a família de Mili acreditam em seu talento e torcem por seu sucesso. Na verdade, isso nem é colocado em questão. É algo bom de se ver, já que as heroínas dos filmes dos anos 90 (inclusive dos meus favoritos) até trabalham, mas não necessariamente tem objetivos de carreira. Além de ter seus próprios sonhos e metas, Mili é adorável — não tanto quanto Munna, é claro, mas o suficiente para me deixar feliz ao vê-la em tela. Ela ama sua família e amigos, mas isso não nos é forçado goela abaixo com mil pessoas discursando sobre o quão boa moça ela é.  Mili brinca/briga com o implicante irmão mais novo, tira sarro da mãe junto com seu engraçado pai e continua andando com os amigos de onde mora mesmo participando do glamouroso círculo social das celebridades. Parar varia um pouco, é bom ver a heroína confortável perto do herói e andando com ele por escolha própria, não porque ele a perseguiu até que só lhe restasse desistir. Mili trata a bem a todos, sabe o que quer, anda com quem quer e faz o que tem vontade. É fácil gostar dela, querê-la por perto.

Uber sweet

Urmilinda humilhando (desculpa)

Foi fácil conhecer Mili e Munna, mas não posso dizer o mesmo de Raj Kamal (Jackie Shroff). O superstar que se encanta por Mili é enigmático. Pensei que fosse vilão quando entrou em cena pois apresentava elementos geralmente característicos de vilões indianos, como roupas escuras, trilha sonora tensa e costume de observar a heroína de longe. Sua personalidade foi definida na segunda metade do filme. Só então fica claro que Raj Kamal é um bom homem marcado por episódios tristes em sua vida. Bem parecido com o Vinod Khanna em Chandni. O bom é que a heroína era mais dinâmica dessa vez.


Nunca se está preparado para ver menino
Jackie animadíssimo de sunga.

Em meio ao triângulo amoroso embalado por canções animadíssimas com uma Urmila quase hiperativa,  fui feliz vendo o filme. A história simples é realçada por atuações sinceras e cheias de energia, o que me manteve grudada à televisão. Até a parte cômica me fez rir, o que não é tão comum com filmes indianos. Se algo enfraqueceu minha experiência com o filme, foi apenas o final. Foi abrupto e não tinha como não sê-lo, já que o lado romântico de Mili foi pouco desenvolvido. Passei o tempo inteiro sem saber se ela gostava de Munna ou de Raj, já que se comportava da mesma forma com ambos.

No quarto dele, de pijama, ensaiando. Porque ela quer!

Minha maior surpresa com o filme foi descobrir que a direção é de Ram Gopal Varma. Gosto de sua obra, mas nos últimos anos seus filmes são tão cansativos e repetitivos que ficou difícil de acreditar que um dia tenha feito um filme tão leve e pouco pretensioso. Para quem não viveu na Índia dos anos 90, como eu, acho meio difícil Rangeela atingir o status de clássico que tem para muitos indianos. O que consegue, e com muito sucesso, é trazer bons momentos para quem se deixa colorir pelo filme.
Hoje surgiu um texto encantador na timeline do Twitter. Raras vezes na vida nos deparamos com o relato da experiência de alguém que imediatamente nos faz pensar "Isso! Foi isso mesmo o que aconteceu comigo!". 

Sonam Nair, diretora de Gippi (2013), escreveu uma carta aberta para Deepika que expressa como também estou me sentindo em relação à atriz. Adoro histórias de pessoas que não eram grande coisa e foram melhorando com trabalho duro — não é de se espantar que tenha me apaixonado por Aishwarya Rai e Ranbir Kapoor. É até mais gostoso de apreciar do que quando gostamos da pessoa de cara. Deepika é mais um desses casos. Como hoje é seu aniversário, nada mais coerente do que compartilhar uma homenagem tão sincera.

Fiz uma tradução livre do texto original, que você pode ler aqui. Tive dificuldades com a palavra underdog, que significa mais ou menos o que entendemos por "zebra": aquela situação em que ganha o fracassado, o que ninguém espera que vença. De todo modo, acho que o sentido do texto se manteve. Espero que vocês também se inspirem por essa história.

Deepika Padukone, o que aconteceu com você?
Por Sonam Nair (tradução livre)


Só tenho um filme como diretora, mas faz 29 anos que sou uma garota. E devo dizer que ambas, a cineasta e a garota em mim, estão absolutamente fascinadas por Deepika Padukone. Quando você gasta tanto tempo fazendo, escrevendo, falando sobre e assistindo a filmes, e quando você encontrou atores pessoalmente e viu que eles são apenas pessoas normais, os filmes perdem sua magia. Você começa a assistir ao desempenho do ator em vez de concentrar-se no papel que estão fazendo. Você começa a notar inconsistências no roteiro, em vez de apreciar a narrativa. Você começa a calcular o que o cineasta quer que você sinta, em vez de sentir por si mesma.

Mas para mim, após um longo tempo, alguém trouxe a velha magia de volta aos filmes. Quando assisto Deepika na tela, me sinto como uma criança outra vez, encarando a atriz com veneração, desejando poder crescer para ser como ela.


A verdade é que, como a maioria das pessoas, eu não era uma grande fã da Deepika quando ela começou. Pensei que era bonita, poderia fazer uns filmes masala e ser esquecida. Não acho que ninguém a tenha visto chegando. Mas mesmo antes de Cocktail chegar às telas, comecei a admirar algo na Deepika.

Ela sempre escolheu personagens realmente fortes, inteligentes e independentes para atuar. Mesmo quando suas contemporâneas estavam fazendo garotas bobas ou acessórios do herói, tendo sucessos maiores e construindo seus nomes, havia uma dignidade em cada papel que fazia. Quer fosse uma garota trabalhando para pagar a faculdade em Bachna Ae Haseeno ou uma garota madura e prática em Love Aaj Kal, que conversava de forma inteligente sobre os relacionamentos e os homens em sua vida. Apesar de que, devo admitir, Cocktail foi quando realmente me apaixonei por Deepika. Lembro de assistir ao filme e fazer a mesma pergunta sem parar: "o que ACONTECEU com a Deepika?". A melhor coisa é que Cocktail não foi apenas uma maravilha isolada. O mesmo pensamento fica passando por minha cabeça sempre que sai um novo filme da Deepika. Eu ainda gostaria de uma resposta a isso se você estiver lendo, Deepika. O que aconteceu com você? E, por favor, pode acontecer comigo também?

Não acho que nenhuma atriz tenha se transformado em tela tão repentinamente, e ela só fica melhor. Você consegue ver que ela está se esforçando em cada cena e que toda expressão e todo movimento de dança vem de seu coração. Ela está fazendo filmes com atores incríveis e os ofusca completamente em muitas cenas. Digo, sou fã ardorosa do Ranbir Kapoor, mas só estava olhando para Deepika em Yeh Jawaani Hai Dewaani. O mesmo em Chennai Express e Goliyon Ki Rasleela Ram-Leela. Que ano ela teve! É de admirar, então, que eu sinta que há algum encantamento envolvido?

Estou realmente inspirada pela Deepika neste momento. Não apenas por que ela é absolutamente linda e extremamente talentosa, mas porque tem trabalhado muito arduamente para chegar onde está agora. Me deixa esperançosa. Me faz sentir como se minha carreira estivesse em minhas mãos e como se caso eu apenas desse tudo de mim, milagres pudessem acontecer. Ninguém pode chamá-la disso agora, mas ela era uma perdedora e agora está no topo. Esta é uma história da qual nunca vou me cansar.
Se meu retiro acadêmico serviu de algo para minha vida bollywoodiana, foi para me provocar sustos. Fui surpreendida por notícias e constatações esquisitas toda vez que tentava me inteirar das notícias. Para finalizar o ano, compartilho com vocês os 10 maiores sustos que tomei em 2013. Até o ano que vem!

10) Kiran Rao = Pessoa mais legal do Mundo Bolly!



Nunca tinha dado atenção à Kiran Rao até ver sua participação com Aamir no Koffee With Karan. Além de simpática, engraçada, sincera, inteligente e competitiva, tira sarro do marido em rede nacional. É a pessoa mais próxima da vida real que já vi em Bollywood e já entro 2014 mais fã dela que do marido. 


9) SRK teve um filho!



Shahrukh e Gauri tiveram um filho com ajuda de uma barriga de aluguel. Fico feliz pelo casal, mas a notícia surgiu de forma tão aleatória que ainda não consegui processá-la.

8) Cadê Salman? 


Prezado Salman Khan,

Você e eu não nos amamos, mas sempre nos entendemos. Não sei o que aconteceu, mas o mundo Bolly ficou desequilibrado sem a sua presença. Aamir está fazendo o vilão de Dhoom, Ajay está fazendo filmes com Sajid Khan e o Shahrukh Khan fez um masala sulista. Nada parece normal e estou com medo. Por favor, volte, faça um masala ainda melhor que Dabangg e traga o sentido de volta ao universo.

Com dishoom,

Carol

7) Mortes


Perdemos muitas pessoas especiais em 2013. As duas mortes que mais me assustaram foram as de Srihari e Jiah Khan. Só o conhecia por Nuvvostanante Nenoddantana, no qual seu papel foi um dos grandes motivos para eu gostar tanto do filme. Srihari tinha 49 anos.

Jiah Khan foi mais que um susto: foi um choque. Linda, jovem e talentosa, acabou chegando ao limite e tirando a própria vida. É realmente triste que a tenhamos perdido tão cedo e que a indústria não tenha sabido lhe dar oportunidades.

6) O ano horroroso de Bebo 


Satyagraha e Gori Tere Pyaar Mein. Trocou filme do Sanjay Leela Bhansali para protagonizar outro com Imran Khan. Preciso dizer mais? Se a coisa não está fácil para nós, imagina para a heroína do Imran Khan.

5) Coloriram Chori Chori


Meus amigos riram da reação extremamente negativa que tive à colorização de Chori Chori. Não sou nem um pouco entusiasta da colorização de filmes antigos porque a fotografia de vários é belíssima por ter sido pensada especificamente para preto e branco. Era apenas uma opinião sem mais reflexões, pois meus filmes antigos favoritos permaneciam intocados. Chori Chori não é só favorito, como foi um dos filmes que me deixou apaixonada por obras em preto e branco.

Deixo minha reação para sua imaginação.

4) Katrina e Ranbir, oi q?



Mesma situação do filho do Shahrukh Khan: ainda não processei.

3) Zanjeer é uma afronta



Não me interessei pelo remake de Zanjeer por motivos de: Priyanka no papel da Jaya Bachchan. Ontem a Katherine do Totally Filmi estava tweetando sobre o quão ruim é o filme, o que me deixou curiosa para ver os clipes. Não deveria ter feito isso, já que ainda estou indignada por terem transformado o emocionalmente perturbado policial do Amitabh Bachchan em um carinha que faz pose de mal com a camisa aberta. Sobre Priyanka rebolando ao redor da arma, prefiro não comentar. 

2) Ano da Deepika!


Considerava Deepika uma atriz variando entre regular e ruim na maior parte de seus filmes. Qual não foi minha surpresa ao ver que não apenas foi a atriz mais bem-sucedida do ano, como sua boa atuação foi parte do que me atraiu aos filmes? Fiquei impressionada com seu desempenho em Yeh Jawaani Hai Deewani e sua participação em Chennai Express me agradou mais do que a do Shahrukh Khan. Mal vejo a hora de ver Goliyon Ki Rasleela Ram-Leela! Ficar ansiosa por um filme do Sanjay Leela Bhansali não é algo normal em minha vivência bollywoodiana, então espero que dona Deepika faça valer a pena.

1) Chennai Express é um sucesso maior que a vida



Nada neste ano me assustou mais do que o estrondoso sucesso de Chennai Express. Sabia que o filme faria sucesso por ser do Rohit Shetty, mas nada me preparou para tanta repercussão. Acho que não venho processando bem as notícias do Shahrukh Khan.
A última lista de favoritas do ano aqui do blog foi publicada há 2 anos. Meu interesse pelas trilhas vem diminuindo, já que as canções são todas muito parecidas e as letras não mais ficam dançando na minha mente. Como consequência, passo bastante tempo ouvindo trilhas de filmes antigos ou as dos primeiros filmes a que assisti.

As canções a seguir me marcaram por motivos diversos, mas acredito que apenas as duas primeira posições sejam favoritas. 

5) Nagada Sang Dhol, de Goliyon Ki Raasleela Ram-Leela

Fazia tempo que não ouvia a voz da Shreya Ghoshal em uma faixa tão enérgica. Os filmes do Sanjay Leela Bhansali tem elementos artísticos muito característicos, o que estruturou o vídeo da canção em minha mente antes mesmo de assisti-lo. Parecia claro que haveria um musical grandioso, porém com coreografia mais pesada do que o habitual. A curiosidade venceu: assisti ao clipe e confirmei meu palpite.

Tendo minha cantora favorita, um ritmo intenso e um vídeo que seria um clássico instantâneo, Nagada Sang Dhol tornou-se um belo presente.


4) Dichkyaoon Doom Doom de Chashme Baddoor

Só percebi a grande frequência com que ouvia Dhichkyaoon Doom Doom quando troquei de celular, transferi poucas músicas para o novo e dei por falta de alguma música com "doom doom doom" durante o trânsito nosso de cada dia. Até então não havia notado que aquela melodia simples com letra chiclete era minha companheira diária. Shreya Ghoshal e Ali Zafar deixam quase impossível não embromar no hindi para cantar junto: dichkyaoon doom doom doom doom doom- main aur tum tum tum tum tum!


3) Malang de Dhoom 3

Devo ter conhecido a canção há no máximo duas semanas, mas fiquei impressionada já na primeira vez e ouvi sem parar. É contagiante! Malang não dá vontade de apenas dançar: é música para montar uma coreografia com figurinos exuberantes e apresentar em um pouco iluminadíssimo. Estou ansiosa por ver o vídeo, declarado o mais caro da história de Bollywood, para checar Katrina e Aamir fazendo acrobacias circenses.

Os intérpretes são Shilpa Rao, geralmente destaque nas trilhas do Amit Trivedi, e Siddhart Mahadevan, filho do excelente cantor Shankar Mahadevan. Parece que alguém começou a carreira muito bem...


2) Titli, de Chennai Express

Meu entusiamo por Titli ficou claro na resenha de Chennai Express. É a canção romântica mais suave que ouvi nos últimos anos; talvez só podendo ser comparada a Mahek Bhi. Tinha certeza de que sua intérprete fosse a Shreya, mas qual não foi minha surpresa ao descobrir o engano? A competente cantora é Chinmayi, que seguramente criou um clássico romântico com o cantor Gopi Sunder.


1) Kashmir Mein Tu Kanyakumari, de Chennai Express

Ouvir e assistir a Kashmir Main foi uma grande experiência. Já estava ensaiando meu "retorno" aos filmes com uma ou outra obra, mas foi esta canção que tornou a situação real. As vozes de Sunidhi Chauhan, Arijit Singh e Neeti Mohan estão em plena sintonia. A alegria de Shahrukh e Deepika dançando, a melodia divertida, os sáris, tigres (!) e a explosão de cores eram tão familiares que me levaram às lágrimas. Eu havia voltado para casa. Com tantos elementos alinhados, o único lugar que uma música tão significativa poderia ocupar é o primeiro.

Mesmo em meu exílio acadêmico, sabia que em algum momento teria que voltar para assistir a Chennai Express. Faz um tempo que o diretor Rohit Shetty é meu maior “prazer culposo” em Bollywood. Adoro ver seus filmes com carros voadores, cores vibrantes, socos poderosos e piadas ridículas. O sucesso estrondoso dos últimos anos mostra que essa combinação é certeira para o público indiano. Entretanto, Shahrukh Khan parecia um elemento estranho no conjunto. Não dava para imaginá-lo como o típico herói de ação-comédia dos filmes de Shetty. E por isso mesmo, era necessário assistir a Chennai Express.


Chennai-ai-ai-ai-ai...ad infinitum.

Shahrukh é Rahul, um solteirão de 40 anos criado pelos avós. Quando o avô morre, fica encarregado de imergir suas cinzas na aldeia de Rameshwaram. Seu verdadeiro plano é ir para Goa com os amigos e imergir as cinzas do avô por lá mesmo. Rahul acaba ficando preso no trem errado e fica ainda mais enrolado ao ajudar Meenamma (Deepika Padukone) a subir no trem. Ela está fugindo dos capangas de seu pai, mas dá o azar de ver que eles também são ajudados por Rahul e conseguem subir para alcançá-la. Eles levam Meenamma e Rahul para a aldeia de Komban Kaum, onde o pai dela é o chefão local. Ele estava forçando a filha a se casar, mas desiste quando Meenamma mente que está apaixonada por Rahul. Os dois se unem para tentar fugir da aldeia, sabendo que estão cercados por todos os lados.

Faz anos que anseio por ver Shahrukh Khan na comédia, já que seus poucos momentos cômicos em outros filmes me arrancaram boas risadas. Se o romance não me convencesse, certamente haveria ao menos uma cena engraçada para guardar de lembrança. Em Chennai, a comédia estava divertida enquanto havia piadas à la DDLJ, porém ela ficou cansativa com tanto histrionismo do SRK. Ele começou a todo vapor, porém essa energia foi diminuindo ao longo da história. Um parceiro cômico para dividir as piadas poderia ter aliviado a imagem do Shahrukh, cujo Rahul ficou irritante por tanta necessidade de ser engraçado a todo custo. Os momentos de ação masala compensaram um pouco a irritação, porém só é assim para quem gosta do estilo. 



Lembra os velhos tempos (Om Shanti Om)

MOSTRANDO MEU DISHOOM

Em nenhum momento Shahrukh foi equiparado aos atuais heróis masala, como Salman em Dabangg ou Ajay em Singham. Ele não é este tipo de herói, então buscou-se uma alternativa para inseri-lo de forma coerente no universo masala. Ao apresentá-lo como um herói masala cômico, a comédia tomou conta do espaço e não sustentou a dinâmica desse tipo de filme — resultando no já comentado cansaço. Respeitando as devidas proporções, Rahul lembra bem pouco o lado cômico do Amitabh em filmes masala como Amar Akbar Anthony e Naseeb, exceto por não vivenciar o lado de ação tão intensamente quanto ocorreu nesses filmes. O herói de ação do Amitabh, alto e magro, faz pensar que pode haver espaço para novos heróis masala fora do estereótipo forte e musculoso, tão comum aos filmes do sul. 

Se por um lado Rahul não trouxe nada de novo, por outro Meenamma foi surpreendente. Mais surpreendente como expressão da maturidade artística da atriz do que enquanto personagem, de fato, mas ainda uma surpresa. Deepika está mais expressiva, conseguindo transmitir mais emoções em seus papéis. A moça da aldeia foi apresentada como uma mulher bem educada, com idéias e desejos próprios. O ponto mais alto da personagem é sua inteligência. Além de falar várias línguas, é ela quem idealiza e organiza os planos de fuga, restando a Rahul apenas segui-la. Infelizmente, a personagem é enfraquecida justamente nos momentos decisivos do filme, restando-lhe ficar apenas como espectadora enquanto os homens resolvem as coisas. Acabou sendo mais um dos filmes a inserir um discurso sobre força e independência femininas no roteiro, para depois não embasar isto com ações quando teve a oportunidade.

Mas tá uma linda!


A história do filme não é envolvente. O humor segura o espectador durante pouco tempo, sendo depois substituído pela visão de belas paisagens. Quando nem isso é suficiente, Meenamma se apaixona por Rahul e a leveza e simplicidade dos gestos e olhares encantadores de Deepika voltam a despertar o interesse pelo filme. O momento de apaixonamento é brilhantemente embalado por Titli, um dos melhores musicais românticos produzidos em Bollywood nos últimos anos. A direção do clipe é de Farah Khan, o que explica sua alta qualidade. Rohit Shetty não cria musicais marcantes, então sabia que havia algo de estranho quando vi um vídeo tão cativante.







Os outros clipes também são muito bons, com destaque para o colorido Kashmir Main Tu Kanyakumari, cuja música talvez seja minha favorita do ano. O item number 1 2 3 4 –Get On The Dancefloor não me impressionou na hora, mas como a música é do tipo chiclete, não tive como fugir. A dançarina é a bela atriz sulista Priyamani, que parecia estar se divertindo bastante. Por último, há a controversa Lungi Dance, homenagem ao superstar de Kollywood, Rajnikanth. Vishal-Shekhar, a dupla responsável pela trilha de Chennai, não queria a canção do rapper Yo Yo Honey Singh no filme. Pois bem, ela acabou entrando e fazendo um sucesso estrondoso. Ainda estou impressionada com a ardorosa tietagem de Shahrukh Khan por Rajnikanth. Acredito que seja mais uma questão de ganhar dinheiro, pois não consigo imaginá-lo vendo ação masala em casa.



Não havia entendido como Chennai conseguiu a maior bilheteria da história do cinema indiano, mas agora me parece claro. Rohit Shetty tem tido sucesso atrás de sucesso nos últimos anos, talvez devido a não ter pudor algum de fazer cinema estritamente comercial. Unindo esta máquina financeira a um dos maiores atores de Bollywood, a atriz mais bem-sucedida de 2013, bons compositores e o apelo da homenagem ao maior superstar do sul do país, temos a receita do excelente desempenho deste projeto de masala.

Torcia para que Shahrukh voltasse a ter os êxitos de antigamente, então por este lado fiquei imensamente feliz pelo resultado comercial de Chennai Express. O meu lado de fã ficou decepcionado, infelizmente. Está chato passar mais tempo torcendo pelo artista do que apreciando seus filmes.


Segundo minha amiga Lalita e a Wikipedia, hoje o Raj Kapoor completaria 89 anos. Enquanto fã de cinema indiano, especialmente de filmes antigos, não tenho como ficar imune à sua influência. Seus filmes, o modo de contar histórias, clipes e personagens construíram aquilo que podemos chamar de cinema hindi. Apesar de não estar entre suas fãs maiores fãs, - todos sabemos que Rishi é meu Kapoor favorito - tenho muito respeito e carinho pela figura de Raj Kapoor. O banner do blog não me deixa mentir.

Selecionei alguns clipes nos quais me apaixonei pelo Raj. Esse sentimento pode não ter durado por todo o filme, mas se manteve durante os poucos minutos de cada clipe. Efeitos de um bom showman.

- Aye Bhai Zara Dekh Ke Chalo de Mera Naam Joker (1970)

Como não se deixar levar pelo carisma de Raju enquanto conquista a todos no circo? Impossível não sorrir.

- Jahan Main Jaati Hoon de Chori Chori (1956)

Provavelmente é meu clipe favorito do Raj e da Nargis, que estão totalmente adoráveis como fantoches. É o tipo de vídeo que uso para atrair as pessoas para o cinema antigo.


- Awaara Hoon de Awaara (1951)

Acredito que seja a canção mais famosa do Raj. Nos apresenta Raju, o famoso vagabundo que encantou até mesmo o público russo. Suas expressões estão divertidas e ingênuas, com destaque para o olhar travesso.



- Cena de Mera Naam Joker (1970)

Isto é mais um momento que um clipe propriamente dito. Na hora mais difícil de sua vida, o palhaço teve que esquecer sua dor para fazer os outros rirem. É o único elemento triste desta lista, mas não poderia faltar porque foi com esta cena que passei a apreciar Raj como ator.

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"DEEWANEANDO"?

Devanear = divagar, imaginar, fantasiar. Deewani = louca, maluca. Deewaneando = pensar aleatória e loucamente sobre cinema indiano.

Meu nome é Carol e sou a maior bollynerd que você vai conhecer! O Deewaneando existe desde 2010 e guarda todo o meu amor pelo cinema indiano, especialmente Bollywood - o cinema hindi. Dos filmes antigos aos mais recentes, aqui e no Bollywoodcast, seguirei devaneando sobre Bollywood.

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