Heroine (2012)

10.2.13 Carol Batista 4 Comments

Algumas questões a responder:

- Por que ainda dão dinheiro ao Madhur Bhandarkar para fazer filmes?
- Por que a Bebo aceitou fazer este filme?
- Por que a Aishwarya considerou fazer este filme?
- Por que há pessoas que consideram Madhur Bhandarkar um bom cineasta? Pior ainda, por que há pessoas que o levam a sério?
- Como é possível que alguém desperdice em alto estilo uma participação especial da Helen?

Até o fim do texto, tentarei responder à essas perguntas do modo que melhor entendo: palpitando, com base na teoria do achismo.


Heroínas não são apenas atrizes, como enxergamos aqui no Ocidente. A heroína, muitas vezes, é quase um adereço do herói. É raro um filme ser focado na personagem feminina, tanto que há sempre uma comoção quando isso acontece. A trilha do sucesso é muito difícil para elas. A carreira dura menos, a pressão é mais intensa e a competição é monstruosa.

Mahi (Kareena Kapoor), a heroína do filme, provavelmente passou por várias dificuldades para chegar ao estrelato. Não sabemos como foi, pois Madhur achou melhor começar o filme a partir de seu sucesso. Tudo bem, mas ainda não foi explicado o porquê de ela querer aquela vida, dado que claramente não faz ideia do que acarreta essa escolha. Ela entrou no mundo da fama sem nem imaginar que existam favores sexuais, diminuição de papéis femininos em filmes, produções independentes suspensas...bem, basicamente tudo de mais óbvio. Eu provavelmente não teria me dado conta de toda esta absurda ignorância caso fosse mostrada uma atriz iniciante tendo que descobrir tudo aquilo, mas Mahi já tem prêmios e está com a carreira (relativamente) estabelecida. Difícil acreditar que não tenha enfrentado nenhum desses reveses em algum momento. Mais difícil ainda é acreditar que todos repentinamente começaram a vir em sequência.

Bebo, quando aceitou fazer Heroine.

Como se já não estivesse ruim o suficiente, não houve preocupação em unir os eventos numa narrativa coerente. Minha hipótese é de que Madhur reuniu alguns estereótipos sobre o mundo da fama, como:

- Artistas bebem
- Artistas fumam
- Artistas tomam muitos remédios
- Artistas usam as outras pessoas
- Artistas  fazem sexo casual
- Artistas tem ideias grandiosas e súbitas

Depois de reunir esses elementos, ele os colocou em um saquinho e sorteou a ordem de aparecimento. Costurou tudo e voilà, um roteiro foi criado! Provavelmente esta é a opinião mais sólida que tenho sobre o filme, já que não entendi muita coisa. No meio de tudo aquilo, havia alguém chamada Mahi. Não conheci esta pessoa, apenas fatos de sua vida. Não sei por que ela repentinamente transou com outra mulher ou por que, mais repentinamente ainda, resolveu adotar um bebê.

Talvez eu saiba.


Essa frase foi jogada ao vento, como se não fosse nada. Nem voltaram a citar o assunto no filme. Quer dizer, uma doença cujo tratamento envolve medicação constante, rotina disciplinada e controle estrito do estresse não significa muito na vida de uma atriz. De cinema. Descuidado e desnecessário. O diagnóstico de transtorno bipolar poderia explicar muito do comportamento impulsivo e imprudente de Mahi, especialmente ao considerarmos que não levava uma vida nada saudável e isso só pioraria o quadro. Só que isso não é nada explicado, então encarei o resto do filme como a história de uma mulher vivendo muitas manias e tentando encarar o dificil mundo do cinema no meio disto. Estar nisto já seria difícil normalmente, mas para ela me pareceu pior.

A relação de Mahi com Aryan Khanna (Arjun Rampal) é esquisitíssima. Ela é in-su-por-tá-vel de tão carente e ele é...sei lá, meio insensível. Quer dizer, até eles voltarem e ele começar a ser o Mr. Sensibilidade. Não vi muito envolvimento ali. E a cena de sexo deles foi uma das coisas mais artificiais do ano, até porque veio com uns 15 minutos de filme. Eu nem conhecia aquela gente direito!

Tenho de ser justa: Bebo fez o que podia com essa bagunça de personagem. Se não fosse por ela, a falta de sentido seria ainda maior. Ela foi sensível, diva e confusa quando teve de sê-lo. Ouvi dizer que ela foi a responsável pela inclusão dos musicais do filme, e eu a amo por isso. Main Heroine Hoon não tem graça,  mas pelo menos ela mostra a que veio. Fiquei realmente animada com Halkat Jawani. As cores e o ritmo são ótimos, apesar de a coreografia não ser tão empolgante quanto conseguiria. Ainda assim, é fantástico.

Agora vou entrar na onda dos meus posts sobre a Bebo, em que só consigo tirar prints dela:






Voltando às perguntas:

- Por que ainda dão dinheiro ao Madhur Bhandarkar para fazer filmes?
Porque ele consegue que grandes atrizes comprem as ideias absurdas de seus filmes.

- Por que a Bebo aceitou fazer este filme?
Porque ela acreditou que Mahi fosse um divisor de águas em sua carreira. Um personagem confuso não é necessariamente complexo e muito menos bom, gente.

- Por que a Aishwarya considerou fazer este filme?
Mesmo motivo da Bebo. E a Aish anda muito experimental nos últimos anos, vide Raavan e Guzaarish.

- Por que há pessoas que consideram Madhur Bhandarkar um bom cineasta? Pior ainda, por que há pessoas que o levam a sério?
Achismo master nessa, preparem-se. Como sempre vemos a heroína fofinha, lindinha e boazinha, qualquer personagem que mostre o oposto disso é glorificado - mesmo que seja um personagem pobre e altamente estereotipado. Dê um cigarro e ponha um copo de bebida na mão de atriz e pronto, você será considerado um cineasta ousado.

- Como é possível que alguém desperdice em alto estilo uma participação especial da Helen?
Só podia ser o Bhandarkar!

Já disse o que pude sobre como não entendi muita coisa e não gostei nada de Heroine, mas este post não estaria completo sem a melhor fala de todas. Quando Mahi está pedindo uma bebida em uma festa, seu futuro namorado/boy magia  se adianta e pede o drink por ela.


Se ela tivesse respondido "pra mim, tanto faz", esta seria uma das melhores cenas de 2012.

4 comentários:

  1. Tava doida pra ler sua opinião sobre Heroine!! Como não te vejo na comu (tópico dos filmes)... Lembrei do blog e vim espiar e...

    Lembro que estava esperando Heroine como criança que espera doce hahaha... O trailer trazia uma Bebo que ...Woww!

    Muito do que você escreveu meu lado crítico concordou, mas minha emoção de finalmente ver Bebo atuar dignamente e mexer comigo foi maior que qualquer coisa na história.

    “Por que a Bebo aceitou fazer este filme? Porque ela acreditou que Mahi fosse um divisor de águas em sua carreira.” Pode ser que sim ou não... Mas na minha vida foi. Agora posso dizer que tenho um apreço maior por ela e que se continuar trabalhando bem as características dos personagens nos filmes vindouros terá mais uma fã brasileira.

    Raquel.

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    1. Ainda bem que você passou por aqui! Agora eu ando mais afastada de tudo por estudos e também por ter cansado depois de tantos acontecimentos, então sinto falta de conversar sobre os filmes com quem gosta.

      "minha emoção de finalmente ver Bebo atuar dignamente". Pô, Raquel, que dor deu ler isso, rs. Até concordo que ela atuava absurdamente mal na época de Kabhi Khushi Kabhie Gham, mas a coisa começou a ficar boa lá por Omkara e recentemente gostei de tudo o que fez. Se não fosse por ela, Heroine seria muito pior. Ela deu alguma constância à uma personagem que não fazia o menor sentido. Tudo estava a maior bagunça e um bando de situações nonsense eram apresentadas, mas de alguma forma ela conseguiu manter uma mesma Mahi no meio daquilo. Nosssa moça está crescendo e conquistará mais uma fã brasileira.

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  2. Comentando só pra dizer que:
    OLHA O RANDEEP AÍ, GENTE!

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E aí, o que tem a dizer? Deewaneie!

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