C.I.D. (1956)

13.5.12 Carol Batista 0 Comments

Como grande fã da Waheeda Rehman, sei que este blog está em falta com ela. Já havia visto todos os filmes de que mais gostei dela quando comecei a escrever aqui, então não sobrou tanta coisa legal para comentar. Vi alguns outros, mas não me encantaram muito ou sentia preguiça de postar. C.I.D. foi a estréia da Waheeda em Bollywood. Se eu não vencesse as pesadas barreiras da procrastinação para falar deste filme, não me perdoaria como fã.


Momento épico para o Deewaneando.

Dev Anand é Shekhar, um inspetor de polícia encarregado de investigar o caso do assassinato de Srivastav, editor de um grande jornal. O editor ia expor os crimes de um homem poderoso, que então ordenou ao bandido Sher Singh (Mehmood) que o matasse. Foi a primeira vez que vi o Mehmood em um papel sério. Ele costuma ser do núcleo cômico dos filmes, fazendo alguns clipes engraçados. 




Shekhar entra em um carro qualquer na rua para perseguir Sher Singh. Dentro do carro escolhido está Rekha (Shakila), que fica indignada com a perseguição. Assim que consegue, ela desliga o carro e Shekhar perde a pista do assassino. Os dois tem que passar a noite dentro do carro, pois começa a chover e a esperta moça jogou a chave na lama. Quando acordam, são agraciados por uma adorável campesina dançando alegremente. A dançarina é a Minoo Mumtaz, que é irmã do Mehmood. 


Shakila, que abandonou Bolly após se casar.

Pior foto possível, eu sei. Mas foi difícil.

Rekha vai embora e Shekhar volta a investigar seu caso. Consegue que o desocupado Master (Johnny Walker) tire uma folga do seu flerte com uma linda vendedora (acho que é a Kum Kum) para reconher Sher Singh como o assassino. Master estava escondido na sala do editor na hora do crime, roubando alguma coisa.  Assim que Sher Singh é preso, as pessoas que queriam Srivastav morto se movimentam para garantir que seus nomes permaneçam ocultos. Shekhar recebe a ligação de uma misteriosa mulher que diz ter informações sobre o assassinato. Ao chegar em sua casa, a mulher tenta subornar Shekhar para que o sigilo seja mantido. 

E quem é a moça misteriosa? 

Tão pequena!

Waheedinha, dando os primeiros passos em uma linda e longa carreira no cinema hindi. Para quem sempre a vê como a mocinha doce de todos os filmes, foi uma surpresa ver seu início como a namorada do vilão. 

Shekhar rejeita a proposta e é deixado inconsciente numa estrada. É levado para a casa do seu superior na polícia, Mathur (K.N. Singh). Ele é pai de Rekha, que já está apaixonada por Shekhar. É a noite do aniversário dela e Shekhar percebe que uma de suas amigas é a mulher misteriosa que tentou suborná-lo...ooooh! 

O que o policial não percebe é que Dharamdas (Bir Sakuja), um homem respeitado na sociedade, parece conhecer Kamini de algum lugar e não está nada satisfeito com sua presença na festa. O que todos tem a ver com o assassinato e toda a reviravolta que acontece na vida de Shekhar por causa deles, vocês descobrirão ao ver o filme. 

Das personagens femininas do filme, Kamini é mais interessante que Rekha. Ela me lembrou uma personagem muito boa de um outro filme com o Dev Anand, a Chanchal (Shubha Khote) de Paying Guest. Começa com um papel pequeno, uma vilãzinha simples, e depois vemos que é mais complexa e está confusa com suas escolhas de vida. Waheeda está comedida, parece tão pequena e frágil! Ainda não era tão amiga da câmera, mas fez bem seu papel. Foi a eterna Gulabo de Pyaasa apenas um ano depois. 

Dev Anand estava mais natural do que jamais o vi – nem o topete estava tão...topetudo. Venho tentando descobrir o porquê de eu ter começado a gostar dele, já que detesto a maioria de seus personagens. Shekhar entrou para a galeria dos poucos que me agradaram. 


Johnny Walker não precisa de muita introdução. Sempre me diverte e deixa os filmes mais leves com seus papéis de malandro simpático. É interessante pensar que anos depois, o mesmo Mehmood que o olhava ameaçadoramente enquanto era denunciado como assassino no filme seria o ator a tomar a sua posição de rei da comédia em Bollywood. Adoro o Johnny Walker e nunca ri do Mehmood. Adivinhem minha opinião sobre essa história de novo rei, então. 

Kum Kum lindinha e Johnny.

C.I.D. foi o primeiro sucesso do diretor Raj Khosla, que eu só conhecia por Mera Saaya e fez um trabalho extremamente competente em ambos os filmes. Apesar de ser um filme meio básico de Bollywood e nós sabermos mais ou menos o que vai acontecer, o aspecto sombrio que deu às cenas, especialmente as de perseguição, nos coloca no clima da história. Cheguei até a ficar apreensiva com os acontecimentos. 

O trabalho feito com as músicas é muito bonito, especialmente na já citada Boojh Mera Kya Naam Re e em Kahin Pe Nigahen Kahin Pe Nishana, que dá início aos momentos de decisão da história. Também é um primeiro vislumbre das danças da Waheeda, que ficaram cada vez melhores com o passar dos anos. A música de que mais gostei foi Yeh Hai Bombay Meri Jaan, tendo o Johnny e a Kum Kum no clipe. Acho que sempre vou lembrar desta última com um sorriso. A coreógrafa do filme foi Zohra Segal, a doce Lillipop de Saawariya. 

Gostei muito do filme, apesar de ter esperado um desenvolvimento um pouco melhor da parte romântica. Todos os atores estão bem e fiquei encantada por ver o início de tantas carreiras: da Waheeda, do Raj Khosla, do Guru Dutt como produtor, do Mehmood. São muitas pessoas que vejo o tempo todo nos filmes antigos e é legal ver um projeto com todas reunidas. E fiquei um pouco menos em dívida com a Waheeda!

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E aí, o que tem a dizer? Deewaneie!

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