Khoobsurat (2014)

1.1.15 Carol Batista 5 Comments

Khoobsurat é uma daquelas milhares de comédias românticas que Bollywood lança todo ano e só assistimos quando não há nada de mais interessante na fila. Sonam Kapoor, um paquistanês desconhecido, produção da Disney...nada na lista de características do filme tem o menor apelo para mim. Na verdade, o fator Sonam é um repelente.


Após alguns meses afastada de Bollywood, queria ver algo fácil e doce. Decidi conhecer a história de Milli Chakravarty (Sonam Kapoor), fisioterapeuta recrutada para tratar o rei Shekhar Singh Rathore (Aamir Raza Hussain). A personalidade extremamente extrovertida da jovem enlouquece o cotidiano da tradicional e austera família Rathore, mas de alguma forma o sério príncipe Vikram (Fawad Khan) começa a se apaixonar por ela.


Para surpresa geral da nação, fui positivamente surpreendida pelo trabalho de Sonam. Parecia estar confortável com todos os colegas de cena, o que não aconteceu em seus outros filmes e sempre me incomodou. Minha impressão em seus filmes era de que os atores que faziam seus pais, namorados e amigos estavam em um lugar diferente do dela. Em Khoobsurat teve química especialmente com Kirron Kher, que interpretou sua mãe e com Aamir Raza Hussain, o rei ranzinza. Com o príncipe, brincou e abusou da atração entre os dois. É uma boa surpresa para quem se acostumou a vê-la indiferente aos seus pares.

O mau-humor do rei é responsável por demonstrar as características de Milli que devem encantar o público. O paciente é infeliz devido ao acidente de carro que matou seu filho mais velho há dez anos. A perda do primogênito lhe tira a vontade de viver e faz com que Milli seja a quadragésima fisioterapeuta a tentar tratá-lo. Seu diferencial é dar atenção ao lado emocional do paciente, então ela faz de tudo para alegrá-lo. Pedir ao príncipe para interceder junto ao pai, fazer corridas com sua cadeira de rodas e tomar vinhos com o rei são algumas de suas ferramentas terapêuticas. Sua constante animação poderia ser fortemente irritante, mas não foi. Sonam é uma atriz de pouca energia e isso acabou reduzindo a intensidade de Milli, tornando-a simpática. As atuações marcantes ficaram a cargo do elenco de apoio. Ratna Pathak esteve especialmente competente como a rainha obrigada a assumir sozinha o comando da família após o afastamento do marido. A personagem fica incomodada com a presença de Milli e é responsável pela disciplina do castelo. Conseguir a empatia do espectador apesar desses traços é mérito da atriz.


Nunca havia visto uma heroína no papel de fisioterapeuta e é grande a atenção dada ao lado profissional de Milli. Geralmente os filmes indianos apresentam profissionais femininas de forma superficial. Uma médica tem no máximo algumas cenas de jaleco ou uma professora é mostrada brevemente em sala de aula enquanto o herói a observa. Em Khoobsurat vemos Milli lidar com aparelhos, montar exercícios e a todo momento reafirmar seu compromisso profissional com os pacientes. Espero que seja mantida a tendência de mostrar mulheres como profissionais dedicadas e competentes.

Apesar de todo filme da Sonam ser uma nova oportunidade para descobrir se ela evoluiu, desta vez também havia curiosidade em conhecer seu par romântico. Fawad Khan é um ator famoso nas telenovelas paquistanesas e fez sua estreia no cinema indiano. O príncipe Vikram não é um personagem carismático e suas qualidades estão em atos pequenos, como atender ao pedido de Milli para tentar convencer o pai a fazer exercícios, salvá-la de um sequestro e permitir que ela o influencie a ser mais solidário numa negociação empresarial. Ele não muda por causa de Milli e também não exige que ela faça isso por ele. Muito pelo contrário; Vikram logo percebe que suas personalidades e papéis sociais são diferentes demais para que consigam ficar juntos e desiste de seu amor rapidamente. Fiquei especialmente satisfeita por não haver cenas de Milli falhando em adaptar-se ao novo mundo, clássicas neste tipo de filme. Fawad não teve muito espaço para mostrar diferentes nuances de seu trabalho, mas ao menos conseguiu convencer de que fazia parte da realeza. Não foi encantador, mas certamente estava agradável.

Cenário e figurino deram o tom do ambiente e dos personagens. Milli recebeu roupas e acessórios coloridos e confortáveis, o que contribuiu para expressar sua espontaneidade, assim como os figurinos elegantes da rainha Nirmala reforçaram sua imagem real. O castelo também foi adequado ao status social da família e à sua extrema formalidade. Foram utilizados tons sóbrios, iluminação escura e decoração tradicional. Foi um ótimo contraponto ao visual exuberante e juvenil de Milli.


A força de Khoobsurat está em sua convencionalidade. A proposta de adicionar o toque indiano ao conto de fadas tradicional da Disney foi cumprida e a ausência de novidades não é um problema quando o habitual é bem executado. Os romances da Disney são feitos para trazer um sorriso ao rosto com uma mistura pouco elaborada de romance, comédia e pequenas doses de drama. E, para todos os efeitos, este filme consegue fazer sorrir.

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5 comentários:

  1. Conto de fadas... Excelente dica para começar o ano! Grata pela escolha.

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  2. Disney é o caminho menos sofrível para Sonam.

    Raquel.

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  3. Detesto a Sonam também, lembro da primeira vez que a vi num filme, no Bhaag Milkha Bhaag, péssima atriz, tanto que deram um fim nela no filme, e o casal não engatou!

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    Respostas
    1. Não vi esse filme até hoje porque só de pensar em casal dela com o Farhan me dá vontade de dormir um sono eterno...

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E aí, o que tem a dizer? Deewaneie!

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