Rangeela (1995)

7.1.14 Carol Batista 0 Comments

Nem todo o meu carinho pelo Aamir Khan dos anos 90 me prepararia para o tanto que me diverti com Rangeela. Não falo apenas de elementos obviamente divertidos como:

O sofá voador

Ensaio de dança na praia

O chapéu feio

A condução da história a deixou agradável de assistir, mesmo sem trazer nada de muito surpreendente. O enredo é bem básico: garota sonha em ser atriz, consegue sua primeira chance graças a um ator famosíssimo e seu melhor amigo pobre não consegue declarar seu amor por não se sentir parte do novo mundo da garota.

Uma descrição tão superficial não dá conta de explicar todo o carisma de Munna. Mal-educado, temperamental e grosseiro, o personagem facilmente me causaria antipatia caso não fosse tão bem interpretado por Aamir. Em vez de detestá-lo, acaba-se torcendo para que seja feliz.Você sabe que ele não tem emprego, educação formal e nem objetivo de vida, mas quer que ele fique bem porque é boa pessoa. Suas roupas são horríveis, a barba está por fazer e aparentemente ele está sempre sujo, porém você gostaria de convidá-lo para almoçar em casa porque ele é legal. Não é o grande herói de bom coração que anda pela cidade alimentando cães de rua e brincando com crianças desconhecidas, é só o Munna. O famoso gente boa.


Uber cute

O ponto mais forte para eu gostar de Munna foi seu apoio à carreira de Mili. Ele não apenas "aceitava" que ela tivesse um emprego, pois resignar-se não é apoiar. Munna e toda a família de Mili acreditam em seu talento e torcem por seu sucesso. Na verdade, isso nem é colocado em questão. É algo bom de se ver, já que as heroínas dos filmes dos anos 90 (inclusive dos meus favoritos) até trabalham, mas não necessariamente tem objetivos de carreira. Além de ter seus próprios sonhos e metas, Mili é adorável — não tanto quanto Munna, é claro, mas o suficiente para me deixar feliz ao vê-la em tela. Ela ama sua família e amigos, mas isso não nos é forçado goela abaixo com mil pessoas discursando sobre o quão boa moça ela é.  Mili brinca/briga com o implicante irmão mais novo, tira sarro da mãe junto com seu engraçado pai e continua andando com os amigos de onde mora mesmo participando do glamouroso círculo social das celebridades. Parar varia um pouco, é bom ver a heroína confortável perto do herói e andando com ele por escolha própria, não porque ele a perseguiu até que só lhe restasse desistir. Mili trata a bem a todos, sabe o que quer, anda com quem quer e faz o que tem vontade. É fácil gostar dela, querê-la por perto.

Uber sweet

Urmilinda humilhando (desculpa)

Foi fácil conhecer Mili e Munna, mas não posso dizer o mesmo de Raj Kamal (Jackie Shroff). O superstar que se encanta por Mili é enigmático. Pensei que fosse vilão quando entrou em cena pois apresentava elementos geralmente característicos de vilões indianos, como roupas escuras, trilha sonora tensa e costume de observar a heroína de longe. Sua personalidade foi definida na segunda metade do filme. Só então fica claro que Raj Kamal é um bom homem marcado por episódios tristes em sua vida. Bem parecido com o Vinod Khanna em Chandni. O bom é que a heroína era mais dinâmica dessa vez.


Nunca se está preparado para ver menino
Jackie animadíssimo de sunga.

Em meio ao triângulo amoroso embalado por canções animadíssimas com uma Urmila quase hiperativa,  fui feliz vendo o filme. A história simples é realçada por atuações sinceras e cheias de energia, o que me manteve grudada à televisão. Até a parte cômica me fez rir, o que não é tão comum com filmes indianos. Se algo enfraqueceu minha experiência com o filme, foi apenas o final. Foi abrupto e não tinha como não sê-lo, já que o lado romântico de Mili foi pouco desenvolvido. Passei o tempo inteiro sem saber se ela gostava de Munna ou de Raj, já que se comportava da mesma forma com ambos.

No quarto dele, de pijama, ensaiando. Porque ela quer!

Minha maior surpresa com o filme foi descobrir que a direção é de Ram Gopal Varma. Gosto de sua obra, mas nos últimos anos seus filmes são tão cansativos e repetitivos que ficou difícil de acreditar que um dia tenha feito um filme tão leve e pouco pretensioso. Para quem não viveu na Índia dos anos 90, como eu, acho meio difícil Rangeela atingir o status de clássico que tem para muitos indianos. O que consegue, e com muito sucesso, é trazer bons momentos para quem se deixa colorir pelo filme.

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