Yaadon Ki Baaraat (1973)

29.12.10 Carol Batista 0 Comments

Tenho um certo receio com os filmes bollywoodianos da década de 70. Minha impressão é que quase todos são um festival de sangue e frases de efeito cafonas. Não vejo como um problema gostar de filmes assim, mas comigo eles raramente funcionam. Buscando conhecer melhor antes de falar, decidi assistir a um dos filmes indianos mais clássicos, Yaadon Ki Baaraat. Não foi este o filme a mudar minha impressão.

O filme é dirigido por Nasir Hussain (sempre confundo com o irmão do Dilip Kumar) e estrelado pelo meu queridinho Dharmendra, Vijay Arora, Tariq, Ajit e Zeenat Aman. Aliás, a Zeenat foi um dos motivos de eu ter baixado o filme. Nunca mais esqueci de quando estava assistindo a Swades (2004) e passou no filme um pedaço de um clipe com ela no Yaadon. 

Desta vez vou tentar contar a história rapidamente e sem spoilers: o drama gira em torno da família de Shankar (Dharmendra), Vijay (Vijay Arora) e Ratan (Tariq). A família é muito feliz, mas um dia seu pai vê o rosto do bandido Shakkal quando ele e seus comparsas estavam fugindo da cena de um crime. Shakkal o encontra e então mata a ele e sua mulher. Um dos bandidos ajuda os meninos, ainda crianças, a fugir. Ratan é o menorzinho e fica com a empregada da família. Vijay e Shankar tentam fugir juntos, mas somente um consegue subir em um trem que passa (quer cena mais clássica?). Os rapazes crescem. Vijay foi adotado por um amoroso senhor, Ratan é o cantor de uma banda -onde é chamado de "Monto"- e Shankar teve o destino  mais triste: cresceu infeliz e tornou-se um ladrão profissional. Seus únicos pedidos a Deus são que possa vingar a morte dos pais e ver os irmãos antes de morrer. Que lindo, consegui resumir sem contar.


O infeliz, o meio-termo e o felizão
Então, essa história toda de vingança definitivamente não combina comigo. Também não sei o que sentiria pelos assassinos dos meus pais, mas não consigo me conectar a um personagem que vai guiar todas as suas ações pelo ódio. Sendo assim, infelizmente não consegui gostar do Dharmendra neste filme...e isto não me fez feliz, já que tenho uma ligeira queda por ele. Toda vez que ele começava o papo de filho sofrido que queria sangue, eu pensava "Ah, get a life!" (pensamento de quem vê filme com legenda em inglês). Os irmãos dele conseguiram seguir em frente, o que já era bom. Ver três vingadores não me animaria muito. Ratan era engraçadinho e tal, mas não apareceu muito no filme - só quando cantava com sua banda. Quanto ao Vijay, olhei para cara dele e fiquei toda apaixonadinha. Dos três irmãos, foi o que mais me convenceu. Deve ser algo nos olhos dele.

Enquanto de um lado do filme Shankar está atrás de sangue, de outro temos Vijay se apaixonando por Sunita (Zeenat). Ela é rica e ele é filho do empregado da casa que o pai dela acabou de comprar (deu para entender?), mas ela não sabe disto. Com a ajuda de amigos, ele finge que é rico, ela só finge que gosta dele para pregar-lhe uma peça, ele finge que é doente terminal para ela se sentir mal, ela fica com raiva ao descobrir...enfim, uma bagunça que não vale muito a pena contar. De todo modo, o surgimento do amor deles não me convenceu muito. Não pude ver cenas que mostrassem Vijay descobrindo que ela era mais do que uma menina mimada, e nem cenas dela descobrindo que sei lá, ele era um rapaz com o qual valesse a pena estar. Só surgiram os dois repentinamente fazendo um piquenique e pregando peças em dois homens gordos. As cenas que mais gostei do relacionamento deles foram as em que ela subiu até uma montanha para pedir pela saúde dele; quando ela estava sofrendo dentro do carro e quando ela o revê no restaurante.  Depois da cena da montanha há um musical que eu achei horrível quando estava assistindo, O Meri Soni - que chamo de "música do I Love You". Fazer posts abala muito as minhas certezas: agora fui rever o clipe e achei bem bonitinho.  A Zeenat era tão linda!


Dharmendra com um
punhal na mão...de novo.
Voltando para Shankar, as cenas de ação dele não me emocionaram muito. Não queria saber do grande roubo que ele cometeu, pois até isto achei chato. Chamou mais a minha atenção a pequena história que se desenvolveu entre ele e a filha de Jack (Anamika), o bandido que o ajudou a escapar quando pequeno. Não houve nada muito explícito entre eles, mas os olhares sugeriram algo. Ela era uma mulher que só andava de preto, o que conferiu-lhe uma aura misteriosa que gostei muito! Gostei mais da Zeenat, mas a moça de negro também conseguiu me cativar. Outra namorada que há no filme foi a de Ratan, interpretada pela minha amada e adorada Neetu Singh. Que eu me lembre, ela não tem nome e nem falas...só aparece para um musical onde parece insana e em outras poucas cenas. Com Lekar Hum Deewana Dil, ela nem precisava aparecer mais (mentira, nunca se tem o suficiente de Neetu).  Essa dança e essa roupa vermelha devem ter causado um belo furor na época. 
Sei que não é a principal do filme, mas queria tanto pôr várias fotos da Neetu!


Gostei do desejo dos irmãos de se reencontrarem. Quando isto aconteceu (isto não é spoiler, mas sim uma obviedade), as três atuações me deixaram emocionada. Os olhares dos três ficaram guardados na minha memória. Atuação divertida foi a do vilão do filme, Shakkal (Ajit). Os poucos vilões dos anos 70 que vi são engraçados, graças às suas frases de efeito e maldade infinita. Além de tudo ter isto, Shakkal ainda usa óculos estilosíssimos.



O pequeno Aamir
Se não gosto de falar da ação e nem da vingança que move o filme, só está me restando a trilha. Ela é de autoria de R.D. Burman, de quem só ouvi as trilhas de Seeta Aur Geeta (1972) e Sholay (1975). Gosto muito da música-título do filme, Yaadon Ki Baaraat. No momento não estou me lembrando bem da letra, mas era algo muito família que falava sobre estarem juntos sempre. Não posso ficar sozinha ouvindo esta música, que logo sinto vontade de chorar. Não é por me lembrar alguma coisa, mas simplesmente por ser tão bonita! Você ouve e consegue relacioná-la à felicidade familiar. Grande Lata Mangeshkar! O clipe tem uma pequena curiosidade: reparem nos três meninos da família. O caçula cabeçudinho não é ninguém menos que Aamir Khan com seus 8 anos de idade, fazendo sua estreia nos filmes.


Minha outra música querida do filme é a clássica Chura Liya Hai Tumne (a do Swades), que é cantada por dois artistas sobre os quais sempre vou falar com todo o amor e respeito do mundo: Asha Bhosle e Mohammed Rafi. Um dos pontos que mais amo no vídeo são os copinhos batendo no início. Quando eles estão no alto e a Zeenat os está batendo, há uma iluminação rosa que para mim, dá o tom do resto do vídeo. Fica charmoso e doce, parece meio mágico...não sei explicar bem. Só sei que quando estou na rua e esta música começa a tocar pelos meus fones de ouvido, os copos batem e logo imagino aquela iluminação rosada/lilás. Deixando a iluminação de lado, a Zeenat está extramamente encantadora no vídeo. Há momentos em que parece mulher, outros em que parece menina. Depois entra o Vijay para deixar tudo mais charmoso do que já estava, fazendo de Chura Liya um dos meus vídeos favoritos. Acreditam que a música seja um plágio da canção If It's Tuesday, This Must Be Belgium, trilha do filme de mesmo nome. São parecidas, apesar de Chura Liya ser mais divertida. E eu tê-la ouvido antes não ajuda muito o meu julgamento.


No geral, Yaadon Ki Baaraat foi um filme do qual não gostei devido a toda a violência que mostra. Para muitas pessoas é um filme lindíssimo, então pode funcionar para alguém que esteja lendo o que está aqui. Só de lembrar do final do filme, sinto um certo medo (na hora em que estava assistindo, senti pavor mesmo). O que sei é: sempre terei uma certa mágoa pelo primeiro filme em que não gostei do Dharmendra.


Até mais!

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