Mankatha (2011)

26.11.11 Carol Batista 0 Comments

Atenção: o post a seguir será pouquíssimo informativo.

Lá na QCINB estamos numa onda de sair um pouco de Mumbai e conhecer as outras indústrias de cinema indianas. Já vi uns poucos filmes de quase todas elas e tenho um carinho especial por Kollywood, a indústria de língua tamil, o que certamente se deve ao fato de o Madhavan ser tão importante nos filmes de lá. Como não amar um lugar que aprecia o Maddy? Decidi fazer uma busca de filmes e vi que Mankatha foi um grande sucesso deste ano. Arrisquei, não tinha nada a perder mesmo!

O filme foi dirigido por Venkat Prabhu e nos apresenta Vinayak Mahadevan (Ajith Kumar), um policial corrupto que é suspenso de seu cargo ao salvar a vida de um criminoso e deixá-lo fugir. Ele namora Sanjana (Trisha Krishnan), filha de Chettiyar (Jayaprakash), um criminoso que atua no poderoso império das apostas ilegais em jogos de críquete. Chetttiyar não imagina que um de seus capangas, Sumanth (Vaibhav Reddy), esteja envolvido em um plano para roubar todo o dinheiro das apostas que está em um teatro que funciona como sede de seus negócios. Sumanth está neste plano com Mahat (Mahat Raghavendra), o nerd Prem (Premji Amaren) e o policial corrupto Ganesh (Ashwin Kakumanu). Complicando um plano já complexo, Vinayak dá um jeito de ser incluído no grupo e consegue executar o roubo. E tentanto atrapalhar os planos de todos está o policial Prithviraj (Arjun Sarja), cuja missão é desmontar o império das apostas ilegais.


Pois bem, a história se dá em duas partes de acordo com a minha vida.

Parte 1: ANTES DO SHOPPING

Comecei a ver o filme de manhã e apesar de não estar achando ruim, fiquei entediada. Bem cedo notei que as personagens femininas não teriam grande importância, estavam ali apenas para tornar os clipes mais agradáveis aos olhos masculinos. As letras das músicas não tinham muito conteúdo também. Mas o que realmente estava me incomodando era o fato de não estar entendendo o filme. O Vinayak era policial, mas ficava vigiando os bandidos e depois se unindo a eles, do nada começou um clipe romântico mostrando um monte de gente que eu nem tinha notado na história, eu não sabia nem de quem era o dinheiro que tentavam roubar, coisas assim. Estava realmente confusa, mas todos aqueles socos e tiros cheios de estilo estavam me agradando. Então tive que ir ao shopping comprar um livro para o meu amigo-oculto e como não estava muito presa ao filme, decidi dar pausa e terminar na volta.

Parte 2: DEPOIS DO SHOPPING

Voltei feliz e o filme virou outra coisa, especialmente depois do intervalo — que nem sei se era intervalo mesmo; repentinamente uma cena tensa congelou e uma frase de efeito apareceu, então tomei como intervalo porque é o que acontece nos filmes indianos. Bem, acho que toda a mudança foi uma junção dos acontecimentos pós-intervalo com o próprio intervalo que me dei. Tudo ficou muito claro, diferentemente do resto deste parágrafo.

Para começar, o Vinayak era difícil de entender porque eu o estava encaixando em um padrão no qual ele nunca entraria. A cada vez que fumava, se embebedava ou praticava atividades ilícitas, esperei pela hora em que ele mostraria o sentido de estar fazendo tudo aquilo, o momento em que demonstraria a bondade eterna e o doce coração do herói. Isto nunca iria acontecer, já que ele era o vilão! A última coisa que eu esperava em um filme indiano tão famoso era o herói ser anti-herói, porém fiquei muito grata por ser surpreendida. Mentiroso, corrupto, enganador e cruel não são palavras comumente aplicáveis a personagens principais. O Ajith deu um toque especial ao Vinayak em algumas cenas, fazendo-o parecer um pouco desequilibrado. Logo me lembrei do Prakash Raj em Wanted e Singham. Gosto desses vilões megalomaníacos, que ficam rapidamente irritados quando alguém ousa desafiar sua força e riem como loucos. Ele só não precisava ter passado o filme inteiro com aquele cigarrinho na boca.



Premji Amaren foi quem mais me irritou. Ele pelo jeito era o ponto de comédia do filme, mas eu não achava graça nenhuma no nerd medroso que nem sabia como havia ido parar no meio daqueles ladrões. Quando começavam a falar sobre como poderiam ser mortos no meio do roubo, seu estômago revirava e ele corria para o banheiro. Nossa, que piada sensacional, hein, Venkat Prabhu? Rolei de rir.


Dos outros da gangue, prestei mais atenção ao Ganesh. Não sei se foi só atração física, mas sei que não lembrava nem o nome do protagonista e perguntava "mas cadê o Ganesh? Ganesh está bem?" a mim mesma  toda hora. Preocupação mesmo. Foi uma coisa tão infundada que nem tenho mais o que comentar a respeito. Amor de verão, acabou com a estação.

Não resisti. 

A coisa que mais me saltou aos olhos em Mankatha foi o estilo. Tinha um clima bem Tashan: gente atirando enquanto fazia pose com seus óculos escuros, frases de efeito e o melhor: aquelas cenas de lutas fantásticas que as pessoas adoram zombar na internet, mas que amo intensamente. O policial Prithviraj era o mais espetacular: a cada cena de ação sua, fui brindada com uma entrada gloriosa e momentos de luta com muito vento nos cabelos! Minha relação com esses elementos não é do tipo "é tão ruim que fica bom", muito pelo contrário! Realmente acho maravilhoso. Me dê um punhado de carros voadores, heróis invencíveis e muito dishoom e terá uma moça entretida, sorridente e batendo palmas por toda uma tarde.



Há muitas surpresas na história, mas uma ideia geral que adorei foi que ninguém é totalmente bonzinho ou mauzinho. O final me deixou boquiaberta, percebi como os filmes em Bollywood andam tendo finais previsíveis. Eu não tinha ideia do que aconteceria, temia perder qualquer detalhe. É triste escrever sobre um filme tão dinâmico, tudo pode ser spoiler!

Voa, carro, voa!


Os clipes não me animaram muito, mas dois chamaram minha atenção. O primeiro é Vaada Bin Lada, que teve muitos efeitos de computador, nem sei para quê. Várias trocas de roupas, cores, uma confusão que só. O exemplo mais claro do uso que fizeram das atrizes do filme, que sumiam até a hora de uma canção. O segundo foi o único que gostei de verdade e só tinha homens, Machi Open The Bottle. Todos bêbados, rindo, pulando, cantando e dançando juntos! Adoro um bando de homens de todos os tipos, tamanhos e idades fazendo coreografia juntos. Às vezes isso me cansa um pouco em Bollywood: se o Shahid Kapoor estiver dançando e houver dançarinos junto com ele, por exemplo, serão todos da mesma faixa etária. Em Machi, só o Ajith e o Premji já eram diferentes dos outros o suficiente para me passar o clima de diversão entre amigos que a música sugere! A coreografia é simples, então tem mais dos atores dançando e menos edição. Me pergunto como alguém que não bebe gosta tanto de musicais de bêbados, mas esta é a minha realidade. E ainda tem o lindo do Ganesh dançando com o uniforme policial indiano, que tanto adoro (não sei como mantenho minha credibilidade escrevendo este tipo de coisa). Muitas pessoas reclamam das danças em filmes indianos, dizendo que surgem do nada e não se encaixam na história. Quem gosta e está acostumado sabe que não é assim, as canções ajudam a contar a história e dar seu clima, tanto que notamos quando isto não acontece. Não gostei deste fator em Mankatha. Todos os clipes foram encaixados aleatoriamente na história, não fizeram muito sentido.

Ai ai, esse sorriso!

Mankatha é ótimo e trouxe um sopro de ar fresco ao meu dia, que ia ser preenchido por algum romance deprimente dos anos 60. Se for para ver filmes assim, cada viagem para fora de Bolly que eu fizer valerá muito o esforço. Na verdade, é capaz de eu investir menos em outras indústrias alternativas à Bolly caso Kolly continue sendo tão boa. Parece que o filme é importante por ter muitas estrelas, mas eu não conhecia ninguém ali e infelizmente não pude sentir a emoção de vê-los juntos que muitos fãs devem ter tido. E como comentário final, meu cansaço me permite dizer: o Ajith Kumar não é muito gato?



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