Patiala House (2011)

17.11.11 Carol Batista 2 Comments



Gurtej Singh Kahlon (Rishi Kapoor), que a família chama de "Bauji", vive na Inglaterra, onde seu irmão foi morto em uma onda de xenofobia. Isto faz Bauji odiar os ingleses, tornando-o porta-voz dos indianos residentes em Southall. A partir daí ele passa a ser um homem muito dominador, decidindo sobre os destinos de todos os membros da sua família. Sua posição é reforçada pela atitude de seu filho Parghat Singh, chamado de "Gattu" (Akshay Kumar), que não se manifestou contra a imposição do pai para que não aceitasse jogar pela seleção de críquete inglesa. A atitude passiva de Gattu faz com que seja usado pelo pai como exemplo de comportamento para toda a família, que fica impedida de realizar seus sonhos. Quando Gattu ganha a rara chance de poder realizar seu sonho de jogar pela seleção aos 34 anos, sua vizinha Simran (Anushka Sharma) mobiliza a família dele para não deixá-lo perder esta chance...e para isto acontecer, todos tem de se unir num grande plano para esconder a verdade de Bauji.

Enquanto pessoa confortavelmente instalada na minha posição urbana e ocidental, Patiala House me traz algumas dificuldades de análise (soou sério, né?). A maior foi entender a força da hierarquia familiar: o pai deve ser posto acima de tudo, a atitude do filho mais velho guia a de todos os outros filhos, a mãe não tem voz. Já estou me acostumando mais à questão da submissão às figuras parentais, mas esta importância do filho mais velho foi algo que me impressionou muito tanto em Patiala quanto no Hum Saath-Saath Hain (1999). Não conseguia entender como todas aquelas pessoas achavam muito óbvio e justo jogar toda a culpa pela insatisfação com suas vidas sobre a permissividade de uma única pessoa (pobre Gattu!). Só que elas não apenas achavam isto normal, como o próprio Gattu disse claramente que da realização do seu sonho dependiam os de todas aquelas pessoas. Aqui no ocidente (ê  vidinha individualista) a gente tem uma mentalidade (que acho muito ilusória) de que a pessoa se faz sozinha, é cada um por si. Ver aquela ideia de cada membro da família encarando-a como um sistema em que há membros com poder de decisão muito maior que os dos outros durante a vida inteira foi algo curioso para mim. Entendo que minha mãe decidisse o que eu deveria fazer aos 10 anos, mas chegar aos 34 assim deve ser tenso.
A mãe não ter voz dentro da família foi algo que mais não gostei do que estranhei. Uma cena rápida que  ficou na minha cabeça foi quando ela tentou questionar uma atitude exagerada do pai e ele apenas levantou o dedo firmemente para calá-la, sabendo que não era necessário mais do que aquilo para encerrar a discussão. Tão absurdo! Talvez o que mais tenha me incomodado foi terem envelhecido a Dimple Kapadia para fazer o papel. Detesto ver uma atriz tão importante já caindo na rede dos eternos papéis de mãe! Mães no cinema indiano me irritam um pouco, já que na maior parte das vezes nem nome elas tem. A própria personagem da Dimple está registrada no IMDB como "Sra. Kahlon". Sem voz, sem nome...qual é, gente? Quando minhas amigas da escola vinham na minha casa, tratavam a minha mãe por "tia", mas sabiam muito bem seu nome.

A Simran não tinha tantas cenas quanto eu estava esperando, mas o efeito Anushka Sharma ainda conseguiu ser devastador: aparecia e iluminava a tela. O interessante da personagem foi apenas ter dado o empurrão inicial para a mudança do Gattu. Ela não ficou ao lado dele dia e noite dizendo que ele deveria ser mais isso ou aquilo, pois logo percebeu que o seu problema não era apenas precisar sorrir . Havia de fato acontecido algo que tirou sua motivação para ser feliz, era muito mais profundo do que um simples mau humor. Tanto isto me pareceu verdade que mesmo após o Gattu ter começado a jogar, uma certa timidez que ele tinha desde o início da história continuou presente. Achei que foi um respeito muito grande ao personagem não ter sido submetido a uma brusca mudança de personalidade na qual ele viraria uma versão masculina da Simran, todo sorridente e tagarela. Mas via-se uma nova confiança e um sorriso mais constante suficientes para sabermos que ele finalmente estava feliz. E voltando a falar dela, adorei a força da personagem e o garoto que ela criava (lembro que se chamava Seeshan, mas não o encontro na Wiki e nem no IMDB). Vejo Patiala como um filme mais sobre a relação pai e filho do que como romance, então a participação da Simran ter sido mais em função do que ela fazia em relação ao Gattu nem me irritou. E ela ainda faz parte da lista de mocinhas que se declaram antes do mocinho, na maior coragem. Tem como não achar incrível? Amo a Anushka Sharma cada vez mais...é a vida.



Apesar de muito tradicional por um lado, o filme tem pedacinhos de transgressão aqui e ali...por exemplo, a mãe do Seeshan o abandonou, o que vai contra a mensagem da deusa-mãe que tantos filmes passam. Nem toda mãe ama seu filho, encaremos. Há a rapper Hard Kaur fazendo o papel de...bem, uma moça que quer ser rapper, o que também não é algo que se vê todos os dias. Uma das filhas quer se casar com um rapaz inglês, o que reforça muito a mensagem de não-ódio do filme. Já falei que tenho dificuldades de aceitar filmes em que a briga entre ingleses e indianos seja alimentada, então Patiala ir totalmente na direção oposta me faz muito feliz. E com a tal menina que queria casar, não apenas se diz "ingleses e indianos podem ser amigos", mas "ingleses e indianos podem ser família". Não é lindo? Outra: um dos filhos do Bauji havia sido enganado por seu sócio inglês e teve que se mudar com esposa e filho para a casa do pai. Ter sido trapaceado o deixou desconfiado de todos e leal como um cachorrinho ao pai, o que desesperou sua esposa e a fez reclamar o filme todo de que ele estava se tornando o Gattu. Vi como uma esposa claramente incomodada com a inflexibilidade e fraqueza do marido, dizendo que não gostava do que ele estava se tornando. Não é todo dia que vemos algo assim em Bollywood. Pena que tudo isto não foi tão bem explorado quanto poderia ser, mas ainda assim valeu a pena. Na verdade, valeu muito a pena. O filme não seria a mesma coisa sem todos esses atores que fizeram a família do Gattu, cada um conseguiu se fazer perceber e deixou o filme mais bonito. Sem contar a beleza que foi ver todos se unindo para montar um esquema na vizinhança que impedisse Bauji de descobrir o que o filho estava fazendo. Adulteração das fotos dos jornais, corte da TV a cabo nos dias de jogo, descobrir segredos de pessoas que poderiam contar a verdade e ameaçá-las com eles (soou pesado, mas não é!)...um super trabalho de equipe para todo o mundo conseguir viver um pouquinho de liberdade através de um deles. Tenho um lado super social, adoro ver cada pessoa jogando um pedacinho do que no final será uma bela ideia de grupo! Ainda mais se este grupo for uma família.


Plano maléfico!


Uma das lições mais legais que tirei do filme foi tomar cuidado para não entrar no automatismo em nossas ações. Quando sua família estava sendo atacada nas ondas de ódio, Bauji teve que assumir uma posição forte. O problema foi ter ficado tão firme nesta posição de agressão que não percebeu o movimento do mundo se transformando ao seu redor e ficou ali, defendendo os que amava e atacando sem parar. Ainda vendo tudo como uma relação vítima-agressor. Parado no tempo. Acredito piamente que enquanto tivermos vida, é para aprender coisas novas. Para isso é bom parar, refletir sempre sobre o lugar em que você se encontra no momento presente, perceber se ele ainda faz sentido. Estou reflexiva assim porque tenho umas apresentações de trabalhos em breve, odeio fazer isto e sempre fico me questionando qual é o sentido de estudar nestas ocasiões...

Atuações sensacionais: Rishi e Anushka. Me pergunto o que será de mim e do cinema indiano quando Rishi Kapoor não estiver mais entre nós para dar tanta energia aos seus papéis, mas por enquanto aproveitemos o fato de ele estar aqui. Toda vez que o Bauji começava a ser mandão, eu queria esganá-lo. Porém ainda assim entendi que ele achava estar protegendo toda a sua família ao mantê-los ali, sempre por perto. Quanto à Anushka, para mim a piadinha "furacão Anushka" faria mais sentido que "furacão Katrina". Ela arrasa. Atuação boa: Akshay. Eu realmente gosto dele e acho que isto influencia muito o modo como encaro seus filmes. Sempre o vejo gritando e pulando pelas comédias da vida, então fiquei com o coração partido ao ver aquele rostinho coberto de infelicidade. Eu ficava olhando para a tela e pensando "Por que ninguém faz nada para o Akshay sorrir? QUAL É O PROBLEMA COM VOCÊS?". Gosto mesmo desta criatura. Mesmo não sendo tão bom quanto o Rishi e a Anushka, ele não é ofuscado pelos outros no filme. Pelo menos eu torci pelo Gattu o tempo todo! Apesar da cara de sofrido do Akki se confundir com sua cara de nada. Mas ele é um lindo, né? *Fã do Akki ativada*

A trilha sonora do filme é do trio Shankar–Ehsaan–Loy e foi uma das que mais gostei em 2011!  Laung Da Lashkara me faz dançar, vejo-a como a mais importante da trilha. É cantada por Jasbir Jassi, Mahalakshmi Iyer e Hard Kaur. Gosto muito de ver a Hard cantando o próprio rap e apesar de gostar do clipe, o excesso de luzes me incomoda. Mas o Akki não é lindoooooo? *Continuo ativada*



Kyun Mein Jagoon me deixa na fossa instantaneamente, até por ser a trilha da desesperança do Gattu. Cantada por Shaqfat Amanat Ali. Também gosto de Rola Pe Gaya porque o clipe é o máximo e pela frase "Somos super como o Nintendo". E olha a Hard cantando o próprio rap de novo! Ainda por cima, me tirou a saudade que eu estava da voz do Shankar Mahadevan.

Patiala House é uma gracinha de filme. É bastante previsível, mas isto ainda não é um problema para mim em Bollywood. Às vezes o ritmo fica um pouco lento e os diálogos são exatamente o que eu imaginava (olha a previsibilidade aí, gente!), mas havia algo de muito doce no Gattu e em toda aquela história que acabou me cativando. Não mudou a minha vida e definitivamente não entendo nada de críquete, mas passei alguns momentos agradáveis, ainda mais com o clima punjabi! E achei que foi feito com o coração, coisa que está ficando difícil de ver e me deixa com uma sensação de bem-estar ao fim do filme. As pessoas poderiam nem mostrar isto do melhor modo, mas se importavam com os sentimentos umas das outras. Continue tentando, Nikhil Advani! O caminho é por aí.

Ps:

2 comentários:

  1. olá carol téns razão o verdadeiro titulo do filme é yeh vaada raha e o outro titulo da musica que procura na net é jazba é não zalba do filme ladies vs ricky bahl não sei se escrevi correcto, mas adiante não sei como explica como me senti atraida pela musica vejo muito o clip na mtv india,há ja ia me esquecendo PARABÉNS PRA VOÇE BEIJO .

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  2. Carla, ainda não comecei a ouvir a trilha do Ladies vs Ricky Bahl, mas com certeza já está na minha lista! Gosto de saber como o cenário musical está indo.

    E obrigada pelos parabéns :D

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