Ek Main Aur Ekk Tu (2012)

1.4.12 Carol Batista 4 Comments


Carol diz: Ele, mal-humorado. Ela, alegre e de bem com a vida.
Doce Leitor diz: CALMA AÍ! EU JÁ VI ISSO!
Carol diz: Ah, duvido.
Doce Leitor:


Carol: Bom...talvez já tenha visto mesmo.

Ainda assim, temos uma história para contar! E ela nos diz que Rahul Kapoor (Imran Khan), que vive a vida chata que seus pais querem que viva, acabou de ser demitido de seu emprego de arquiteto. Depois de umas loucuras desta vida, que incluem visitas a psicólogos que não tem nada a ver com o que planejei para a minha vida profissional, acaba se embebedando em um bar com a divertida, animada e mega bubbly girl Geet do Jab We Met Riana (Kareena Kapoor). Os dois passam uma noite fazendo loucura por Las Vegas, onde moram. O problema é que a última delas foi se casarem.

Doce Leitor diz: Opa, calma aí...


Carol diz: Por mais incrível que pareça, Doce Leitor, não é cópia de Jogo de Amor em Las Vegas! As semelhanças param ali mesmo na questão do casamento. Neste ponto temos de dar crédito ao produtor Karan Johar, que há meses vinha dizendo que não seria uma cópia. Sóri ae, KJo!

Voltando à história, o diferencial dela é realmente não se tratar de uma comédia romântica, como parecia. Seu foco é a amizade entre os protagonistas, que se forma a partir do momento em que Riana tem de passar alguns dias na casa de Rahul e tenta fazê-lo relaxar mais durante este período. Inicialmente fechado, ele aos poucos vai deixando-a dar o ponto de partida para algumas mudanças em sua vida que ele mesmo já queria. Aí pensei que ela fosse mais um caso de Manic Pixie Dream Girl  sobre quem nada saberíamos e que só existiria na história em função do personagem masculino, o que me desanimou. Entretanto, algumas surpresas vieram. Do mesmo modo como conhecemos os pais de Rahul (Boman Irani mais sério que nunca e Ratna Pathak Shah) e entendemos como foi que ele se tornou alguém tão antiquado, também somos apresentados à divertida e compreensiva família de Riana. Dá para entender por que é tão legal? Ela não é mostrada como uma fadinha transformadora de vidas alheias, que só fica borboleteando por aí (de fada à borboleta, coisas do Deewaneando). É alguém com uma história de vida e raízes. Não pôde realizar sonhos, teve de mudar de plano de vida. Por que aguentou isto melhor que o Rahul? Ora, porque são pessoas diferentes, com bagagens distintas. Ele não pôde ousar sonhar, enquanto ela teve apoio a cada passo.


Rahul é mais complicado. Por ter cada tentativa de autonomia sufocada pelos pais desde que se entende por gente, não é uma pessoa criativa. Talvez por isto tenha dificuldades para entender que tudo o que Riana faz por ele é como amiga. Ele é do tipo que divide o mundo em categorias fixas: ou você é isto ou aquilo. Riana foge às categorizações: dorme com você na sua cama, mas isto só quer dizer que é uma amiga que tem confiança. Na mente limitada do Rahul, uma pessoa só pode agir assim se estiver a fim de você. Me lembrou a Mrinalini do meu último texto, que teve de aprender sobre a existência de outras formas de amor.


Um dos meus problemas com o filme foi a falta de movimentação. Este ritmo mais lento só funciona se o filme tem um roteiro muito bom. Quando nada acontece e enquanto isto tudo o que temos são diálogos que falham em ser engraçados, começo a ficar impaciente para acabar logo. As coisas teriam sido um pouco melhores com outro protagonista que não o Imran. Desde Mere Brother Ki Dulhan venho reclamando de seu jeito entediado de atuar, coisa que continuou em Ek Main. Ele tem potencial, mas ainda não está . Para quem for assistir: há uma cena no final, uma das mais esperadas. Me digam se ele não poderia ter posto mais energia nela. Já a Kareena...oooh, Bebo (meus olhos estão brilhando)! Nos últimos tempos entrei numa onda de amor à Kareena, sendo que antes nem gostava dela. Culpa de Golmaal 3, não pude fazer nada. Ela está ótima! É um filme em que a personagem tem que parecer real, e ela conseguiu não apenas isso, como me fazer querer conhecê-la. Apesar da piadinha que fiz no início, a Riana é bem mais madura e interessante enquanto personagem que a Geet do Jab We Met. Não é infantil, apenas feliz e bem resolvida.

Pediu pra ser diva e entrou 80 vezes na fila.

Foi decepcionante a inserção da belíssima trilha do Amit Trivedi no filme. Tomemos Aahatein, minha favorita, como exemplo. Ouço a música todos os dias há semanas, então não fiquei lá muito satisfeita ao ouvi-la cortada. Aunty ji prometia um clipe mais divertido, mas a fotografia do filme é muito bonita e ficou especialmente boa neste clipe, com belos tons de azul. E a música que dá título ao filme teve uma...bem...como é que se traduz picturization? Enfim, a dela não foi muito boa. Pegou os momentos de ambos bêbados em Las Vegas, mas às vezes filmes indianos gravados no exterior conseguem o triste efeito de fazer certos momentos ou músicas descolarem do filme e parecerem um passeio turístico - e foi o que aconteceu com a música Ek Main Aur Ekk Tu.



Falta um pouco de emoção no filme, mas não sinto que as horas gastas vendo-o tenham sido desperdiçadas. Poderia ser muito mais profundo e até divertido caso soubessem inserir umas piadas mais divertidas e boas conversas sobre a vida entre os personagens. Serve para adicionarmos à enorme lista de filmes indianos abordando a questão de pais que modelam os filhos de acordo com os próprios sonhos. Ainda assim, Ek Main Aur Ekk Tu é um filme agradável que trouxe uma boa heroína e a boa ideia de que não é um problema ser uma pessoa simples, mediana. Até que está bom para uma não-comédia romântica.

4 comentários:

  1. Gostei da resenha! Muito boa! Eu tenho um pouco de resistência a Karinety (como meu irmão a chama), nem sei o porquê. Não vi seus melhores filmes, talvez seja essa a razão. Mas depois de ler seu texto, vou dar uma nova chance à ela. ^__^

    ResponderExcluir
  2. Thanks, Tabby! Como eu disse, também não era muito chegada à Bebo, mas nos últimos tempos venho achando-a tão destemida, linda e engraçada! O que ainda me incomoda nela é parecer bastante fofoqueira e talvez meio nociva, mas sua figura nos filmes me agrada cada vez mais. Além disto, ela está tentando mudar essa coisa de a heroína ser apenas um acessório bonitinho do herói :)

    ResponderExcluir
  3. Apesar de parecer meio parado como você disse bateu a curiosidade, acho que compensa assistir :)

    ResponderExcluir
  4. Pri, também acho que vale a pena dar uma olhada. Poderia ganhar mais pontos na categoria do "simples e agradável", mas não é um filme de todo ruim.

    ResponderExcluir

E aí, o que tem a dizer? Deewaneie!

Comentários ofensivos serão excluídos.