Mausam (2011)

26.12.11 Carol Batista 0 Comments


A melhor coisa que fiz em relação à Mausam foi baixar as expectativas. Filme do Shahid Kapoor, meu noivo? Ok. Dirigido por Pankaj Kapoor, pai do Shahid e meu sogrão por consequência? Ok. Pôsteres mais lindos do mundo? Ok. O nome é uma das minhas palavras favoritas em hindi, que significa ''estação''? Ok. As coisas se passam no Punjab, que sempre me faz feliz? Ok. Mas a heroína era a Sonam Kapoor. Sonam fucking Kapoor, man (este blog está baixando o nível, eu sei)! Desde quando Sonam sabe ser uma boa heroína? Motivo mais do que suficiente para não esperar muito.

Só que gostei. Achei uma graça! É um filme adorável, doce e esteticamente bem cuidado como poucos andam sendo. Vou contar logo a história, antes que continue desfilando elogios cheios de açúcar. Harry (Shahid Kapoor), um piloto da Força Aérea Indiana, vive anos de encontros e desencontros com Aayat (Sonam Kapoor), uma moça Kashmiri por quem se apaixonou à primeira vista. A sinopse parece simples, e por mais que o Pankaj quisesse mostrar que era diferente, ela realmente não tem nada demais. E aí está o maior problema de Mausam: o filme não aceitou que não era uma história de amor imortal, como nos foi vendido. Deveriam tê-lo promovido apenas como uma história de amor, que até podia ser muito forte, mas não tinha acontecimentos lá tão interessantes. A minha sorte é que tenho pavor de spoilers e campanhas de marketing, então não vi quase nada de Mausam antes de estreia, a não ser por um dos trailers, a promo de Rabba Main Toh Gaya Oye e algumas fotos.


A primeira parte do filme é um sonho. O Harry do Shahid é alegre, cheio de vida, mas de um modo não falso. Apesar de ter olhado para ele e rido ao notar que ainda consegue se passar por alguém de 20 anos mesmo tendo 30, finalmente a idade do Shahid está transparecendo. Notei uma maturidade no olhar e nos gestos, uma tranquilidade que já vinha se desenvolvendo desde 2009 (estou com Kaminey na cabeça). Voltando ao Harry, é o herói chocolate em pessoa: adorável, apaixonando-se perdidamente por nada além da beleza da moça, brincalhão. Fiquei preocupada como o desenrolar das coisas a partir da entrada da Sonam. Quando ela abrisse a boca e começasse a fazer as vezes de heroína, meu sonho punjabi poderia vir água abaixo. Mas aí o Pankaj foi meu melhor amigo e usou a estratégia mais clássica: fez a heroína distante, aquela garota que o herói fica olhando de longe, enamorado. Já que o maior mérito da Sonam é ser bonita e parecer frágil, foi perfeito. Um era o oposto do outro, então ambos se completavam. Céus, me senti vendo um filme dos anos 60. Os dois se correspondendo por bilhetes mesmo  estando frente a frente, Harry correndo para os lugares nos quais sabia que ela passaria, suspirando, cantando enquanto a olhava, tudo uma beleza. Ah, Punjab. Quem não te conhece, como eu, que te compre e te ame pelos filmes.


Segunda parte. Harry e Aayat tem um desencontro lá no começo e reencontram-se anos depois, na Escócia. Ele, um belo piloto de bigode da Força Aérea Indiana. Ela, vendendo ingressos para concertos de orquestra (não entendi bem qual foi o rumo da vida dela). Até começou bem: ela o viu primeiro e começou a correr para vê-lo de longe, assim como ele havia feito na primeira parte do filme. Tudo de uma sweeteza admirável. Entretanto, os problemas logo começaram. O principal foi, para a minha surpresa, a atuação do Shahid. O que tinha acontecido com o Harry? Está certo que havia passado sete anos e ele agora era um homem adulto, mas o personagem ficou antipático. Todo sisudo, não parecia haver um mínimo de conexão com a pessoa da primeira parte. A Sonam mal havia se mostrado na primeira parte e ainda assim conseguiu estabelecer alguma similaridade entre a Aayat do antes e a do depois. Porém, que fique claro que não estou dizendo que ele começou a atuar mal, muito pelo contrário, está cada vez melhor. Só acho que a mudança foi um pouco inesperada.

Este momento do filme é um pouco mais intenso porque os personagens ficam fisicamente mais próximos um do outro, é quando o romance entre eles deixa de ser algo idealizado.Só que o destino os separa de novo e aí a coisa realmente começa a ficar chata. É muito sofrimento desnecessário! A história se desenrola de 1992 até hoje, então chega um momento em que você começa a se perguntar como eles conseguiram se separar tanto, o porquê de a comunicação ser tão difícil. Ninguém tinha uma lista telefônica por perto, ou a Aayat não poderia ter rodado a Aeronáutica toda atrás do Harry? Até pensei em comunicação online, mas logo me lembrei de que pelo menos eu demorei muito a ter acesso à internet, as coisas não eram assim tão fáceis nos anos 90 e começo dos 2000. De todo modo, para tirar este tipo de pensamento da reta, o filme poderia ter se passado nos anos 50 ou 60, sei lá. Ninguém ali parecia muito ligado ao que estava acontecendo em seu tempo, mesmo que alguns eventos reais tenham sido incluídos na história. Jogando os personagens em outra época, todos os desencontros seriam mais justificáveis.

Enfim, só sei que eu estava entediada, mas não muito incomodada com o desenrolar do filme. Até gostei das cenas finais (das revoltas e do parque), por mais artificiais que tenham sido. Senti um pouco de tristeza ao ver que tentaram criar grandes e profundas cenas que não ficaram especiais, como a dos dois falando de amor (que brega) na chuva e a da Sonam chorando encostada no armário. Sério, por que ainda insistem em fazer a Sonam chorar? Ela ainda não sabe, gente! Vocês ficam tratando a menina como atriz, vai que ela começa a acreditar? Como ainda é muito nova, não desisti de vê-la desenvolver algum talento. Porém, confesso que seu lento progresso começa a me desanimar. E ninguém mais está comigo na espera.


Uma história um pouco escondida no meio da principal me interessou muito: a de Rajjo (Aditi Sharma), moça que vive na aldeia de Harry e é apaixonada por ele. Pensei que sua história fosse acabar assim que começasse o amor Harry-Aayat e ela de fato se casou depois, mas não esperava que seu amor fosse se manter. Mesmo casada e com um filho, ainda sentia raiva de Aayat e estava disposta a ir com Harry onde este quisesse. Fiquei triste por ela e feliz por alguma história mais envolvente (apesar de pequena) ter aparecido.

Se a história decepciona e o visual encanta, a trilha e os clipes de Mausam arrasam! Foi composta pelo problemático do Pritam, mas o que realmente gostei foram as letras, especialmente as das minhas duas canções favoritas: Ik Tu Hi Tu Hi e Sajh Dhaj Ke. Por falar nesta última, há quanto tempo não via um musical punjabi tão divertido? Ela é cantada pelo Mika Singh, que para mim é "a" voz do Shahid Kapoor por causa de Mauja Hi Mauja do Jab We Met (2007), um dos meus primeiros filmes indianos. Não estou mais conseguindo pensar claramente sobre a música porque estou tentando ouvi-la, dançar e escrever ao mesmo tempo. As letras são do Irshad Kamil, que pelo que estou lendo, também escreveu outras letras que adoro, do Love Aaj Kal (2009).


Mausam é um filme que merecia ter tido uma história mais bem pensada e menos expectativas. Mas entendo que seja difícil. Além de prometer ser um romance tradicional como há tempos não se via, foi a primeira parceria entre pai e filho. Isso sem contar todos os problemas que teve durante as gravações, mas não quero falar de tragédia. O que ficou para mim é que parece que o fôlego se perdeu na segunda parte. Talvez devessem ter continuado o ritmo, que estava igual a todo romance de filme indiano já visto. Hehe, parecia até um filme do Shahrukh Khan nos anos 90. É muito esforço pra fazer algo assim não funcionar, hein? Também não deveriam ter mudado tanto de locação. Escócia, Suíça, volta pro Punjab, vai pra não sei onde...que coisa mais boba. Me deixou confusa, houve uma hora em que já não sabia quem estava onde.

Bom, mas o visual do filme é lindo de olhar. Estranhamente, achei a Sonam menos linda do que sempre. E lindamente, o bigodinho hitleriano do Shahid não me incomodou. Ele estava atraente do início ao fim! Pena que decidiram mostrar muito estilo em suas cenas vestido de piloto, daí era um festival de vento e câmera lenta em qualquer cena na qual houvesse um avião. A química entre os dois foi estranha...não era inexistente, mas também não era forte. Se for para fazer uma escala, é maior que a da Sonam com o Imran em I Hate Luv Storys e menor que a dele com a Amrita em Vivah. Talvez o problema não tenha sido "muito drama por pouca coisa", já que meus romances favoritos podem ser descritos assim. Talvez seja uma mistura da história que fica cansativa com esses dois. Acho que se fosse Shahid-Amrita ou Shahid- qualquer uma que não seja Sonam, eu teria me emocionado mais. O final foi estranho. Além de eu estar até agora me perguntando de onde surgiu e para onde foi o cavalo branco, o clima foi totalmente quebrado por um musical, coisa que raramente me incomoda. Lembro de vários filmes do Shahid terminando assim porque ele dança muito bem e provavelmente queriam aproveitá-lo, mas este filme não tinha clima para isto. Tudo muito poético no final e PÁ, um musical todo tuntz-tuntz. Tá bom, nem isto me incomodou tanto, já que eu ainda estava encantada. E a ação do fim realmente me envolveu. É um romance de Bollywood e você sabe o que irá acontecer, mas se uma cena de perseguição é bem feita, não importa a previsibilidade: o medo se instaura em você. Isto aconteceu comigo.



Mesmo com todos os problemas, gostei muito do filme. É perfeito para essas tardes ociosas de férias que estou tendo. De todo modo, não poderia falar mal mesmo que quisesse. Sabem como é, família é complicado. Melhor sorte na próxima, Pankaj sir!

Ps: esses tratamentos médicos à la Hum Saath-Saath Hain são engraçados.
Ps²: refleti agora que se o filme se passasse em outra época, o cabelo do Shahid não poderia estar tão bonitinho e moderno (sei que só ando falando coisas inúteis). Sendo assim, está tudo bem.

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