Mahal (1949)

6.1.11 Carol Batista 2 Comments

Mahal, Mahal...dirigido por Kamal Amrohi, criatura que deu ao mundo um dos filmes mais estranhos já feitos, Pakeezah (1972).  Estrelado por Madhubala, Ashok Kumar e Vijayalaxmi, diz a nossa boa e velha amiga Wikipedia que foi um dos primeiros filmes a lidar com o tema da reencarnação.

Ashok já com 38 anos
O filme começa com um jardineiro contando para o novo dono da mansão em que trabalha sobre a história do lugar: ela foi construída por um homem, que mais tarde levou a mulher que amava para lá viver. Ele só ficava lá durante algumas horas, pelas quais ela esperava durante todo o dia. Um dia o homem faleceu, vindo a acontecer o mesmo com ela logo depois. Desde então, acredita-se que a mansão seja assombrada e ninguém havia ousado ir lá, até que Hari Shankar (Ashok Kumar) a comprou. Uma noite, Hari caminha pela mansão e vê o próprio retrato, vendo também o fantasma de Kamini (Madhubala), a mulher que habitava a casa. Kamini diz a Hari que ele voltou para ela e que a única barreira entre os dois é a material: ele precisa morrer ou ela precisa viver (foi o que entendi). Hipnotizado por este novo amor, Hari esquece do mundo e aceita quando ela sugere que ele mate a filha do jardineiro para que ela possa ocupar seu corpo.

The Madhubala Show
Tive um problema sério com Mahal: fiquei entediada quase o tempo todo (levei dois dias para assisti-lo). Nos 15 ou 20 primeiros minutos, eu estava totalmente envolvida pela história e pelo clima sombrio do filme, mas depois ele foi ficando lento...lento...lento...e nem mesmo o medo que eu estava sentindo da Madhubala conseguiu prender minha atenção. Mas se é para falar de coisa boa, que seja dela. Antes de tudo: ela estava lindíssima, sombria e misteriosa ao mesmo tempo, não sei como conseguiram deixá-la de um modo que se adaptasse tão bem à história. Também gostei muito da atuação dela, que, como já falei, me deixou com medo no início.

#TeamRanjana
Fiquei um pouco chocada com essa ideia de o fantasma sair mandando as pessoas assassinarem os outros, mas isso foi mais ou menos explicado no final. O que não gostei mesmo foi do Hari ; na verdade o achei um dos personagens mais detestáveis que já vi no cinema indiano. Houve um momento em que ele estava tentando fugir da influência de Kamini e aceitou se casar, tendo-o feito com Ranjana (Vijayalaxmi). Pobre Ranjana. Nunca conseguiu superar a humilhação de o marido não ter levantado seu véu na noite de núpcias, e depois disto ainda teve de ficar vagando com ele a fim de encontrar um lugar onde conseguisse viver sem ser atraído para Kamini. O pior é que ela nem sabia do que estava fugindo, era apenas mais uma das esposas que se sacrificam e seguem aos maridos. Teve de  viver numa montanha afastada no mundo, em uma casa pobre. Em uma das cenas mais tristes do filme, Hari não está em casa e ela sai para procurá-lo. Quando volta, é atacada por um morcego que entra na casa e a persegue, e logo depois surge uma serpente. Fizeram o grande favor de dar grandes closes no morcego.Obrigada por este momento nojento, diretor. Mas a cena me deu noção do desespero da Ranjana. Depois chegou um velho na casa e perguntou à ela quem era o homem que ali vivia, ao que ela respondeu que era seu marido. O velho disse que não era possível, pois um marido não se comportava daquela maneira, deixando a mulher sozinha em casa. E o que ela poderia responder? Os olhos já disseram tudo.

Algumas das partes que mais gostei do filme foram aquelas em que a cunhada de Ranjana lia as cartas que esta escrevia . O conteúdo das cartas era repleto de amargura e sofrimento. Acho que já está meio óbvio que sou do Time Ranjana.

A atuação do Ashok Kumar me decepcionou um pouco. As mesmas caras.

Ashok neutro                   Ashok transtornado               Ashok reflexivo

Parece que foi este filme que lançou ao estrelato tanto a Madhubala quanto a Lata Mangeshkar. As pessoas citam muito Aayega Aane Wala ao falar do filme. Era a canção que chamava o Hari para a Kamini, onde quer que ele estivesse. É lindo ver a Madhubala brincando no balanço.

The Madhubala Show 2
Gostei mais de ver Mushkil Hai Bahut Mushkil, porque esta canção estava em um álbum da Lata Mangeshkar que eu ouvia muito quando estava nos meus primeiros meses de cinema indiano. Descobrir o filme de onde ela veio foi uma surpresa feliz.

Não vou contar o final do filme, apenas digo que nada justifica toda a história das 2 da manhã e o amor não me convenceu. É, acho que isto já foi muita coisa. Mahal foi um filme estranho: gostei muito de algumas partes e detestei outras na mesma intensidade. É necessário ter muita paciência para assisti-lo...pelo menos mais do que eu estou tendo para escrever este post.

Quanto aos anos 40, realmente cansei deles. Os filmes são encantadores e é fascinante (demais) ver vários atores bem no comecinho de suas carreiras, mas estou sentindo tanta falta dos anos 60  ou de qualquer coisa colorida  quanto alguém no deserto senta falta de água. E é para lá que vou voltar!

Até a próxima, folks.

Ps: este foi o post mais preguiçoso dos últimos tempos.
Ps2: estou morrendo de preguiça de pegar e editar as fotos para este post.

2 comentários:

  1. E qual é o elemento estranho e comum a Mahal e a Pakeezah? Ashok Kumar! Rsrsrsrs! Não há paciência mesmo...

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  2. Nem lembrava do Ashok em Pakeezah! :O

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E aí, o que tem a dizer? Deewaneie!

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