Mere Huzoor (1968)

25.1.11 Carol Batista 8 Comments

Guardei um dos dias da última semana para os anos 60, porque estava sentindo vontade de ver muitas cores, belas trilhas e aquele ar doce tão característico da Bollywood da época. Tirei do atraso o Mere Huzoor, filme do qual eu já tinha visto a primeira metade e estava gostando muito. Tive umas surpresinhas boas e algumas ruins no resto do filme, que (obviamente) foi um tanto surpreendente.

Como sempre, começo pelo diretor ; neste caso ele é Vinod Kumar, e como diretor constam apenas três filmes dele no IMDB. Consta também que foi ele o roteirista do meu querido Mere Mehboob (1963), o que explica muitas coisas sobre as quais comentarei no dia em que falar do Mere Mehboob. No elenco estão Raaj Kumar, Mala Sinha, Jeetendra, Johnny Walker e Manorama.

Ae, choro de felicidade com as palavras "In Eastman Color"!

 "Saca só o estado em que sua
beleza  me deixou, Mala Sinha"
Mere Huzoor é centrado em três personagens: Sultanat (Mala Sinha), Akhtar (Jeetendra) e o Nawab Salim (Raaj Kumar). Salim é um homem rico conhecido em toda a Lucknow por seus vícios, e logo na primeira cena o vemos apreciando a apresentação que uma cortesã faz para ele. No passado, o poeta Akhtar salvou a vida de Salim em um acidente de barco. Precisando de emprego, Akhtar vai buscar a ajuda de Salim e,  antes de chegar à casa do Nawab, tem uma viagem de trem que acaba se mostrando muito interessante. Nela, ele conhece uma bela moça de burca, e fica encantado quando ela mostra seu rosto  tão encantado que recita uma poesia para ela ali mesmo. A moça é Sultanat (Mala Sinha), amiga da irmã de Salim. Em uma outra ocasião, o Nawab esbarra com Sultanat quando ela está visitando sua casa . Depois de ver sua beleza e se divertir ao ouvir o quanto ela reprova seus hábitos, Sultanat ganha mais um apaixonado. Não tendo nem ideia de que Akhtar e Sultanat se amam, Salim envia sua proposta de casamento ao pai dela, dizendo que agora era um homem mudado. O pai de Sultanat recusa a proposta e Salim entra em desespero, dizendo a si mesmo que se o mundo o vê como um homem mau, assim ele realmente é. Akhtar e Sultanat se casam e quando parece que a história já poderia terminar, ela realmente começa. Solitário, Salim tem como única alegria brincar com o filho de Akhtar e Sultanat, que adora o "tio".Akhtar passa a ser assediado por uma cortesã (Surekha) e depois de muita luta interna, acaba não resistindo aos seus encantos. E Sultanat, pobre Sultanat...uma adorável esposa vê sua felicidade ruindo e não sabe o que fazer. E este é o drama.

               Linda no clipe de Mere Huzoor             "Prepare-se para chorar o tempo todo, Raaj"                                          

Só um recado pra galera de hoje em dia: SAUDADES DESSES CENÁRIOS.

Para mim, a mensagem principal de Mere Huzoor é a de que as pessoas podem mudar, tanto para melhor quanto para pior. Talvez eu ainda tenha visto poucos filmes indianos, porque acho raro ver uma história em que a moral do herói mude totalmente, como vi neste filme. Na primeira metade do filme, Jeetendra fez o herói de sempre: apaixonado, romântico, poeta, até encantador. Quando toda a questão com a cortesã começou, senti uma sincera vontade de socá-lo até que ele parasse de respirar. A mudança foi muito intensa, eu não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Neste sentido, bato palmas para o diretor: ele realmente conseguiu me faz sentir que eu conhecia o Akhtar e por isto a mudança dele me atingiu tanto.

"Você vem sempre aqui?"
Depois de ter ficado convencida de que Akhtar realmente havia deixado de ser o homem doce que era, tive mais facilidade para compreender a mudança de Salim. Tentarei explicar o meu raciocínio, que ficou confuso até na minha cabeça: até aquele ponto, eu somente havia visto o tal amor de Salim por Sultanat como uma espécie de capricho. Como ela era a única que o criticava, pensei que ele a tivesse visto apenas como alguém diferente, que traria alguma novidade à sua vida. E para mim, mesmo que a partir deste pensamento ele tenha passado a querer uma vida mais socialmente aceitável, o fato de tudo ter começado como um capricho diminuía a veracidade do que sentia. Só que se formos pensar bem, ver a beleza de alguém num trem e sair se declarando apaixonado não dá tão mais segurança quanto aos sentimentos do que se apaixonar porque a pessoa é diferente de você. Ou seja, acreditei mais nos sentimentos de Akhtar apenas porque eles começaram de uma maneira que eu considero mais bonita. Porém, o fato de Akhtar ter mudado tanto e eu estar errada sobre ele me fez pensar que talvez também o estivesse sobre Salim  e nem precisei ver nenhuma cena de Salim agindo de forma diferente para pensar nisto. Isso é para vocês verem em que estado me deixou o Sr. Akhtar. Fiquei com raiva só de lembrar. Obs: Li este parágrafo duas vezes e ainda o acho estranho.

É claro que não foi apenas toda a situação do Akhtar que me fez compreender a mudança do Salim ; a atuação do Raaj Kumar teve um grande papel nisto. Talvez a palavra para o Raaj Kumar neste filme seja comovente, já que me comover foi tudo o que ele fez. Pena que não posso falar muito sobre as ações dele na segunda metade do filme (spoileeer), mas digo que ele foi um anjo, como bem disse a Mala Sinha em uma cena. É tão bonito como me apaixono por esse homem só porque ele é talentoso...porque se há uma coisa a que não se pode atribuir o meu carinho pelo Raaj, é um rostinho bonito.

      Não pergunte, não vou contar.          Cadê a alegria desses olhinhos? :(

E tem a Mala Sinha, que chamo nada carinhosamente de malasinha. Eu tinha um ódio por esta mulher, meu povo, mas um ódio! Ok, não era por ela, mas pela personagem dela em Pyaasa (1957). Como era a única coisa que eu tinha visto da malasinha, não conseguia sentir muito afeto pela pessoa. As coisas mudam, especialmente depois que você vê uma atuação como a dela na cena em que brigou com o marido (olhem, estou morrendo de vontade de contar o filme). Os olhos não acreditando no que acontecia, as lágrimas rolando, a voz intensa. Wah wah!



O núcleo cômico do filme é beeeeeem legal, especialmente porque tem Manorama e Johnny Walker. Fazia tanto tempo que eu não ria com o Johnny! Ele era Pyarelal Bedar, um poeta que andava por aí recitando poemas de outros como se fossem seus e flertando com as mocinhas. Casou-se com a filha da Manorama (ela tinha nome?), uma mulher dominadora que logo no início do casamento ensinou à filha que o marido não deve ser tratado bem para não ganhar asas. Muito feminismo delas duas, muito machismo do Johnny e do sogro. Não gostei muito daquelas piadinhas, não. Respeito, cadê? Mas a química entre os quatro atores foi muito boa.



Antes de terminar, não posso deixar de falar do que mais gostei no filme: as cores. Mere Huzoor é um gênero de filme conhecido como muslim social, gênero que traz para a tela os costumes muçulmanos. Estes filmes costumam ter os mais belos cenários e figurinos, mas só isto não é suficiente para que sejam visualmente belos. As cores tem que estar perfeitas  e elas estavam em Mere Huzoor. Lindas, mágicas, totalmente capazes de fazer olhos brilharem. Ficaram mais brilhantes ainda nos diversos clipes do filme, gostei de todas as músicas! A trilha é da dupla  Shankar-Jaikishan, que me agradou muuuito na trilha de Suraj. Apesar de tantos clipes com o trio principal, a música que fiquei cantarolando sozinha após o fim do filme foi Meri Jaan Apne Aashiq, dueto de Mohammed Rafi e Asha Bhosle (que lindos!). A letra é muito engraçadinha, aquela coisa de apaixonados brigando de um modo engraçado...o de sempre. Também adorei Allah Allah Who Le Gaya Chandi (cantada pela nossa Lata), devido principalmente às cores, árvores e flores. Gente, gosto tanto desses vídeos entre flores que faziam na antiga Bollywood!


Também indico Jhanak Jhanak Tori Baje Payaliya, linda na voz do Manna Dey. Aliás, este clipe foi o primeiro contato que tive com o filme (beijos, Youtube). Confesso que o clipe era bem mais legal na minha memória, e como o Pedro (aquele que sempre será citado) bem disse, é mais legal antes do Raaj entrar. De todo modo, eu amo o final do clipe...sou sanguinária dramática. 
Peça consolo a mim, Raaj ♥
E é isso, meu povo. Mere Huzoor é um filme belíssimo (acho esta palavra tão desprovida de emoção) que fez valer a pena cada minuto que passei assistindo-o. E isto tudo é apesar de eu ter odiado o final com todas as minhas forças e saber que o diretor estragou ali toda uma história de quebra de tabus que ele estava construindo. Ok, queria falar mais.

Atéééé mais! :)

Ps:
Separados no nascimento.

8 comentários:

  1. D. Carolyne, como eu te entendo. Várias coisas. Eu também fico emocionada com o Eastman Colour ;_;
    E amo as imagens que tu pões com os comentários por baixo.
    No vídeo de Ho Kaise Samjhaon de Suraj eu também fiz um "alerta mental Johnny Walker" - ele é hilariante, mesmo calado.
    E quero também dizer o seguinte: Shankar-Jaikishan. "Jaikishan"? LOL xD

    Quero ver esse filme, adoro muslim socials, adoro cortesãs, adoro isso os cenários, as cores, tudo!

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  2. D. Bárbara, já podemos criar o fã-clube do Eastman Color!

    Olha, não entendi a piada do Jaikishan ._.

    Quando eu vi esse filme, lembrei de você. Acho que você vai gostar muito, tem umas questões que eu não comentei para não ser spoiler, mas são muito fortes. E é lindo, lindo, lindo de olhar. Meus olhos estavam sentindo falta de coisas assim! *-*

    Ah, eu vi porque o Pedro fez legenda.

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  3. Olha, COMO vc pensou nisso, não sei. Mas eu ri.

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  4. Chegou hoje.
    Gente, que emoção! [2]

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  5. Argh! Vi o filme. Não gostei NADA do fim e também fiquei com muita raiva Akhtar.
    É o meu terceiro filme com a Mala Sinha e continuo sem empatizar muito com ela...
    Vou ver outra vez o clip do Jhanak Jhanak Tori Baje Payaliya. Música linda, coreografia maravilhosa...

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E aí, o que tem a dizer? Deewaneie!

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