Semana Nutan: perfil da flor de laranjeira no Upperstall!

17.7.11 Carol Batista 0 Comments

Antes de qualquer coisa, tenho que explicar melhor quem foi Nutan. Como foi sua carreira? Seus melhores filmes, os prêmios que ganhou, as críticas que recebeu? Eu poderia ter lido vários artigos na internet e montado um texto, mas além do tempo que eu gastaria fazendo isto, está o fato de a maioria dos textos que descrevem a carreira da Nutan serem parecidos. Deste modo, resolvi traduzir um deles. Escolhi o do site Upperstall porque estava no meu computador (ae!) e tinha as informações necessárias. O usuário que o escreveu foi TheThirdMan, e o artigo original está disponível neste link aqui.

Sempre acharei que poderia ter feito um trabalho melhor, especialmente em algumas frases muito longas. De todo modo, o texto adicionou vários filmes à minha lista de filmes a assistir. As fotos que coloquei estavam na pasta da Nutan que tenho no computador, retiradas do Google. 

Nutan foi, indubitavelmente, uma das maiores e mais expressivas atrizes que o cinema indiano já viu. Ela era aquela rara atriz que conseguia transmitir muito mais com apenas uma olhada, olhar fugaz ou um gesto do que a maioria dos atores conseguiam com grandes diálogos ao seu dispor. E deixando de lado a atuação, até mesmo a grande Lata Mangeshkar referiu-se a ela como a heroína cujas expressões mais se aproximaram de indicar que ela mesma estava verdadeiramente cantando a canção!

Nascida em 4 de junho de 1936, filha da famosa atriz Shobhana Samarth, Nutan cresceu cheia de complexos. Apesar de célebre por sua beleza posteriormente, na verdade ela era menosprezada por parentes insensíveis que a consideravam magricela e feia. Implacável, Shobana Samarth lançou-a como heroína em Hamari Beti (1950). Ambos Hum Log (1951) e Nagina (1951) revelaram-se populares e colocaram Nutan em seu caminho.


Ainda assim, foi somente em 1955 que ela finalmente conseguiu sua grande conquista e respeitabilidade como atriz por excelência com Seema, no qual interpretou uma delinqüente em um reformatório. Até então, nenhum de seus filmes havia oferecido à ela um papel de tanta profundidade e uma personagem tão finamente lapidada, e Nutan deu tudo o que tinha. Era o perfeito veículo de retorno para ela, já que havia também tirado uma licença para estudar no internato suíço La Chatelaine. Em Seema, Nutan nos dá vislumbres do que era uma atriz pensante. Foi uma atuação poderosa e rendeu à ela o prêmio Filmfare de Melhor Atriz.  Afora sua impressionante atuação, um destaque do filme foi a clássica canção Man Mohana. Perfeitamente interpretada por Lata Mangeshkar, a sincronia labial de Nutan para esta difícil canção e exata, e isto quando o vídeo da canção é feito com tomadas realmente longas! Toda mudança sutil no ritmo ou no tempo é suavemente registrada por Nutan, particularmente nas partes alaap (clique aqui) e esta canção foi de fato avaliada por Lata Mangeshkar como  a melhor sincronia labial dada a qualquer uma de suas músicas.
Subsequentemente, fossem as despreocupadas comédias Paying Guest (1957), ou Dilli Ka Thug (1958), onde interpretou como uma relexada desinibição comparável apenas à Madhubala ou Geeta Bali, ou o intenso Sujata (1959) de Bimal Roy, que trouxe o melhor nela como uma atriz séria, Nutan sempre foi incomparável. Em Sujata, Nutan representa o papel representa o papel da moça intocável com impressionante graça e rendeu à ela o seu segundo prêmio Filmfare de Melhor Atriz.

Em 1959, Nutan casou-se com o Tenente Comandante Naval Rajneesh Behl e fez uma curta pausa quando seu filho Mohnish nasceu. Ela fez um filme com seu marido, o criticamente reconhecido Soorat Aur Seerat (1962) e fez um forte retorno ao centro do cinema hindi com o Tere Ghar Ke Samne (1963) de Navketan, uma revigorante comédia romântica junto com Dev Anand, e a obra-prima de Bimal Roy, Bandini (1963), alardeada como possivelmente uma de suas maiores interpretações desde sempre e certamente uma das maiores interpretações do cinema indiano. O filme conta a história de uma prisioneira acusada de assassinato. Totalmente desprovida de emoções altamente carregadas e teatralidades, Nutan aparece como uma mulher quieta com suas paixões enfurecidas dentro de si, e faz seu papel com grande delicadeza e dignidade. Simplesmente tem-se que ver toda a gama de emoções passando por seu rosto na sequência-chave do filme, antes de ela assassinar a esposa do homem que ama. Foi uma performance magistral de uma artista suprema e ajudou-a a ganhar outro prêmio Filmfare de Melhor Atriz, seu terceiro.


Não liguem para a marca d'água.
A carreira de Nutan brilhou durante os anos 60 e 70 com fortes atuações em filmes como Milan (1967) – outro prêmio Filmfare de Melhor Atriz, apesar de ter-se dito que o papel não era tão desafiador quanto alguns dos que havia feito antes – Saraswatichandra (1968), Saudagar (1973) com a nascente estrela Amitabh Bachchan, Sajan Bina Suhagan (1978), Kasturi (1978) e Main Tulsi Tere Aangan Ki (1978). Ela carrega o último filme, competentemente dirigido por Raj Khosla, totalmente em seus ombros, mesmo que a simpatia ficasse com a amante (Asha Parekh) ao invés da esposa (Nutan). Foi mais uma performance ganhadora de prêmio para Nutan.

Contudo, gradualmente ela começou a ser colocada em papéis triviais de mãe, e exceto por Meri Jung (1985), nenhum de seus filmes posteriores não lhe ofereceram nem remotamente  nenhum desafio histriônico. Ainda assim, ela deu muita força e dignidade até mesmo aos seus papéis maternais e você nunca conseguiria encontrar defeito, mesmo que a maior parte dos filmes não fosse nada sobre os quais se valesse a pena escrever.

Mesmo que tenha continuado a atuar, sua fazenda, seus cantos de bhajan (na verdade, ela era abençoada com uma bela voz para cantar e fez seu próprio playback em Chabili (1960)),e sua busca por espiritualidade tomaram a maior parte de seu tempo. E quando morreu de câncer em 1991, o cinema indiano perdeu uma de suas maiores atrizes, tristemente, cedo demais.

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